A VÍRGULA E OS DEPUTADOS

《Uma vírgula da lei permite aos deputados acumularem funções em empresas
Parecer da Comissão de Transparência admite que deputados possam desempenhar cargos em diversas entidades desde que não recebam qualquer remuneração. Mas nova lei de 2019 diz o contrário.
Maria Lopes
12 de Junho de 2021…

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Rui Martins | O Salmo de Vasco Cordeiro

Rui Martins | O Salmo de Vasco Cordeiro

https://audiomack.com/acores9radio/song/o-salmo-de-vasco-cordeiro?referer=https%3A%2F%2Fjornalacores9.pt%2F?t=4

No último fim-de-semana de Maio, decorreu na cidade da Horta o conclave do Partido Socialista dos Açores, que serviu para re-entronizarVasco Cordeiro como condestável.

E digo condestável, por um lado, porque é o primeiro dignitário, o chefe do exército, mas, por outro lado e curiosamente, por ser aqueleque nas grandes solenidades se colocava à direita do trono real, neste caso, Carlos César.

Em contraste com o espírito geral que desbordou do conclave, na sessão de encerramento, Vasco Cordeiro surgiu exaltante, e ao melhor estilo evangélico, deu início ao salmo!

“Nós temos a responsabilidade histórica de não deixar os Açores ficarem para trás, é isso que faremos com a confiança dos açorianos, nós temos a responsabilidade histórica de levar os Açores para a frente!”

Pelo meio, e de forma proverbial, lá relatou os avanços da Região, fazendo o paralelismo de dados actuais, face há vinte e quatro anos atrás. Esqueceu-se de referir que encontrou uma região sem Facebook, e que a deixava com mais redes sociais. Também não falou nos “smartphones” que não existiam e que agora toda a gente utiliza.

Obviamente, não fez o paralelismo entre os indicadores regionais, com os nacionais ou europeus, que continuamos a pretender alcançar, e que nem os mais de 1000 milhões de euros/ano em fundos comunitários aplicados na Região nos 24 anos de governação socialista, nos permitiram fazer essa convergência.

Obviamente também, nenhum dos fiéis presentes no conclave repetiu a frase principal do salmo. Talvez por falta de hábito, ou, eventualmente, falta de ânimo.

No entanto, e pese a letargia de muitos fiéis, “o melhor PS” (a expressão é de Vasco Cordeiro), está de volta. Não sei se foi a ida de Francisco César e de Sérgio Ávila para Lisboa que fez o feito…

De qualquer modo, de um congresso que se esperava profético, não saiu mais nada que o rol, já proverbial,de “malfeito fora se não tivesse a Região progredido qualquer coisa…”

De Lisboa veio a inflamada exaltação de que o Governo Socialista da República vai cumprir, escrupulosamente, a Lei de Finanças Regionais. Ora, no ano em que a verba a transferir é inferior à do ano transacto, poderia neste particular, ao invés, trazer alguma boa notícia, nomeadamente que a transferência de verbas, este ano, seria pelo menos igual à do ano anterior.

Para lá do estribilho “o PS precisa de poder, o PS precisa de poder”, ainda apareceu Carlos César a dizer que era preciso moralizar as nomeações e acabar com perseguições na administração pública… permito-me à camaradagem: -“Eh pá, todos menos tu Carlos!”

Assim, permitam-me a aliteração do salmo, mas “o Partido Socialista tem a responsabilidade histórica de não ter levado os Açores mais à frente, e enquanto perdurar a memória do povo açoriano, o Partido Socialista tem a responsabilidade histórica pelo que deixou ficar para trás.”

Ámen.

Deputado do Chega/Açores diz que o povo “exige uma nova revolução” – Observador

O deputado do Chega/Açores, José Pacheco, disse que o povo “exige uma nova revolução” e que a autonomia regional não foi constituída para “privilegiar alguns políticos” ou “interesses ocultos”.

Source: Deputado do Chega/Açores diz que o povo “exige uma nova revolução” – Observador

Expresso | José Manuel Bolieiro reeleito líder do PSD/Açores

Em comunicado, a estrutura regional do partido indica que Bolieiro, também presidente do Governo Regional dos Açores, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, conseguiu 99% dos votos, sendo que participaram no escrutínio 1.778 militantes

Source: Expresso | José Manuel Bolieiro reeleito líder do PSD/Açores

CAVACO I, O INVEJOSO E OUTRAS COISAS

【A CAUSA DAS COISAS】
Aníbal Cavaco Silva veio a terreiro confrontar a sua obra de chefe do Governo com a de António Costa. Se tivesse amigos, o Professor teria sido recomendado a não o fazer.
Por duas razões:
1. anacronismo histórico; 2. vitupério
O que pode o povo português fazer pelo legado histórico de Aníbal Cavaco Silva se o próprio não é o seu primeiro defensor? O que deveremos fazer, enquanto comunidade, se o ex-primeiro ministro e antigo presidente da República se não quedar, se revelar em permanência a sua propensão para o chinelo, se continuar a colocar a mão na anca desafiando tudo e todos no soalheiro?
Cavaco Silva é hoje o político mais longevo da nossa democracia. O que somos, o que fizemos, está marcado pela sua ação, pelas suas caraterísticas e pela sua visão de Portugal e do mundo. E seria iníquo considerar que Cavaco não deixou uma marca.
Cavaco foi o ministro das Finanças de Sá Carneiro e nessa função iludiu as contas públicas, concedeu largo espaço de despesa e de desgoverno naquele ano de 1980. Não será injusto dizer-se que a crise de 1982/1983, assumida por Balsemão e que obrigou o país a solicitar a intervenção externa em 1983, tem muito da governação de Cavaco, tem a suas impressões digitais bem presentes.
O governo de salvação nacional do Bloco Central veio resolver o problema. O PS fica com a culpa de ter sido o autor da bancarrota, coisa que Cavaco nunca veio negar.
Essa regência de Soares e Mota Pinto acelera e termina o processo de adesão à CEE. Cavaco revela-se contra essa aderência naquele tempo terminal, mostra a sua insatisfação pela entrada no clube dos ricos europeus. Nunca esclareceu, mesmo nas suas memórias, as razões verdadeiras dessa posição.
Mas foi Cavaco o beneficiário liquido da integração europeia. Os seus dez anos de governo trouxeram-nos uma espécie de “homem novo” assente na putrefação política de são exemplares muitos dos agentes que fizeram o BPP. Não basta uma afirmação pessoal da nossa honorabilidade quando as provas sumarentas nos indicam informação privilegiada, ilegal portanto, na alienação de ações.
Recordamos bem, nós os resistentes do cavaquismo, o que foi aquela década de camisas brancas, calças bordeaux, sapatos vela. Recordamos os jeeps de alta gama em uso pelos novos agricultores, os valores comissionistas dos dinheiros do PEDIP. Um país de sucesso que vivia em sobressalto às sextas-feiras com as manchetes do jornal Independente.
O que nos leva a revisitar este tempo? Tão só o texto de Aníbal Cavaco Silva, publicado ontem no Observador, e a que Miguel Carrapatoso concedeu o epiteto de “bem humorado”. Lamentamos, Miguel, de Cavaco Silva tal nunca poderia advir.
Aníbal Cavaco Silva vem a terreiro confrontar a sua obra de chefe do Governo com a de António Costa. Se tivesse amigos, o Professor teria sido recomendado a não o fazer. Por duas razões: 1. anacronismo histórico; 2. vitupério.
Não pode, nos tempos de hoje, recomendar-se ao protagonista que se revista do distanciamento para uma análise cuidada da sua ação. Na falta de um cronista, Fernão Lopes acharia Cavaco uma seca, é o próprio a reclamar do que os portugueses terão esquecido, uma fantasmagoria que Cervantes não sugeriria por ausência de um Sancho Pança. Ou seja, transferir para os portugueses uma lista coisas feitas sem enquadramento, sem as suas razões de ser e as suas decorrências, não é mais do que uma mera lista sem valor facial, uma diarreia de fragmentos a que ninguém dará valia.
Cavaco Silva começa pelos contextos em que chegou ao poder em 1985 para se espraiar pelas suas duas maiorias absolutas. Compara a tontaria do PRD e do PS no derrube do seu governo minoritário, em 1987, com uma semelhante do BE e do PCP, em 2021. Sim, nesse aspeto tem razão, uns tontos nos dois tempos. Duas maiorias absolutas que criaram uma outra conjuntura.
Mas há nessa comparação um segredo mal guardado – Cavaco vive com um problema existencial – que Costa o ultrapasse no seu tempo de “premier”. É uma visão mesquinha, mas está escrita, de forma bem garrida, em cada caractere da primeira parte do seu texto.
Na segunda parte do seu grafado, Cavaco fala daquilo que é uma barrigada de riso e que nunca havia sido dito – a sua propensão, atenção e mobilização para o diálogo. O Professor sempre foi conhecido pela sua capacidade de dialogar, pela cedência e pelo compromisso. Ouve-se, no horizonte, o riso de dez milhões de almas lusas…
Fala-nos das revisões da Constituição de 1989 e de 1992. Os portugueses não se recordarão bem dos universos dessas revisões, mas Jorge Lacão ou José Magalhães poderão recordá-los – as nossas obrigações europeias. O gigante constitucional de nome Aníbal é, afinal, um pequeno pigmeu.
De propósito, o Professor lista depois um conjunto de leis que eleva a novo património civilizacional. Fala da abertura a privados da comunicação social e do não monopólio, pelo Estado, de um vasto conjunto de atividades económicas.
Pode Cavaco iludir os mais novos ou os mais desatentos, mas não conseguirá sustentar uma argumentação mínima que faça desmerecer a revisão constitucional de 1981/1982, aí sim, o tempo em que o país saiu do período revolucionário e entrou nas democracias liberais.
O que impede Cavaco de ir a esse tempo? Tão só porque essa revisão foi assinada por Soares e Balsemão, dois fantasmas que, passadas quatros décadas, ainda alimentam e fazem medo a este homem franzino.
Cavaco, no texto, fala da liberalização da comunicação social. Daqui lhe respondemos – a comunicação social estatizada foi o maior aliado das suas maiorias absolutas, foi o tempo em que do universo restrito da orientação política do Governo se estendia uma linha de telefone analógica para o Lumiar e para a 5 de outubro.
No seu pensamento, Cavaco Silva murmura-nos a Lei de Bases da Reforma Agrária que o seu governo aprovou. Não lhe negamos o fim do desvario gonçalvista, mas entregamos, sem outro destinatário, o derrube da nossa capacidade produtiva e a debilidade da nossa balança alimentar. Também nos fala da Lei de Bases da Saúde e aqui só poderemos lembra-lhe a palavra “ridículo” que esta proclamação contempla. Nunca o PPD/PSD subscreveu o Serviço Nacional de Saúde e, quando Cavaco saiu do governo, metade dos hospitais continuavam dependentes de protocolos com as Misericórdias e o acesso aos cuidados médicos, com exceção da saúde pré-natal que se deve a Leonor Beleza, eram ao nível do uso primitivo da cirurgia em dois terços do país.
Por último, uma reivindicação insuportável. Diz Cavaco que lamenta a situação atual de Portugal como democracia com falhas. Não fora a obrigação de civilidade que assumimos e a resposta seria dura. O chefe de Governo que nunca debateu com o líder da oposição, o líder do PSD que inventou, por si ou outra pessoa, um regime de acesso e circulação limitado os jornalistas no parlamento, essa pessoa só pode estar a folgar connosco.
Não sei o que seria uma governação de Cavaco em tempo de redes sociais. Estou certo de que não seria, porque nunca teria condições de existir para além de uma mera rodagem de um Citroen ZX rumo à Figueira da Foz. Bem, será de Aníbal Cavaco Silva sabe o que são Redes Sociais?
Cavaco tem inveja de Costa
EXPRESSO.PT
Cavaco tem inveja de Costa
Aníbal Cavaco Silva veio a terreiro confrontar a sua obra de chefe do Governo com a de António Costa. Se tivesse amigos, o Professor teria sido recomendado a não o fazer. Por duas razões: 1. anacronismo histórico; 2. vitupério
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Como a mulher do eurodeputado do PCP foi contratada pela câmara de Setúbal (CDU) – Portugal – SÁBADO

Autarquia abriu concurso para uma vaga mas contratou três pessoas, todas com ligações ao PCP, incluindo a mulher de João Pimenta Lopes e a filha do assessor de imprensa do presidente (é já a terceira filha do PCP contratada nesta autarquia que a SÁBADO noticia).

Source: Como a mulher do eurodeputado do PCP foi contratada pela câmara de Setúbal (CDU) – Portugal – SÁBADO

Bolieiro recandidato à liderança do PSD/Açores para manter “rumo reformista” – Açoriano Oriental

José Manuel Bolieiro anunciou a recandidatura à liderança do PSD/Açores nas eleições diretas de sábado, enaltecendo o “rumo reformista” do Governo Regional por si presidido e criticando os 24 anos de governação socialista no arquipélago.

Source: Bolieiro recandidato à liderança do PSD/Açores para manter “rumo reformista” – Açoriano Oriental

catástrofe alimentar

———- Forwarded message ———
De: <[email protected]>
Date: domingo, 29/05/2022 à(s) 23:57
Subject:
To:

 

28 maio 2022
QUEM TEM CULPA DA CATÁSTROFE ALIMENTAR QUE AMEAÇA O MUNDO?
s alarmes não têm parado de tocar e são terríveis: a fome extrema é já uma ameaça para 200 milhões de pessoas, enquanto outros 800 milhões de seres humanos sofrem com carências alimentares graves. O pior é que estes números, segundo as previsões, vão continuar a crescer, afetando muito mais países, em diversas latitudes, com as consequências a que assistimos todos os dias: revoltas no Sri Lanka, convulsões sociais no Egito, situações desesperadas em muitas nações africanas. Analistas preveem que países como Argentina, Tunísia, Paquistão e Filipinas, altamente dependentes da importação de alimentos e de energia, correm graves riscos de revoltas até ao final do ano. Mas também já existe uma crescente insatisfação nas populações dos países ocidentais, com o aumento do custo de vida a ser aproveitado por todos os populismos e extremismos, para incendiar um tempo já de si explosivo, devido à invasão russa da Ucrânia.

De quem é a culpa da falta de alimentos ou do seu preço subitamente elevado, que os torna proibitivos para tantos? Na atual retórica de guerra, que domina tantas declarações e análises, parece, por vezes, que tudo se poderia resolver, como se, por milagre, as armas se calassem no território ucraniano – um dos maiores celeiros do mundo, a par do seu invasor russo.

Mas será que a guerra na Ucrânia é a única culpada por esta crise que o The Guardian teme que se possa transformar numa “catástrofe global”? Será que a crise alimentar global pode ficar resolvida se Moscovo levantar o bloqueio que mantém no Mar Negro às dezenas de navios carregados com toneladas de cereais? Ou será que, como diz Moscovo, a fome no mundo poderá desaparecer se o Ocidente levantar as sanções económicas que impôs à Rússia?

A resposta, como habitualmente, é bem mais complexa. Mesmo quando os números são avassaladores, conforme a contabilidade feita pelo Financial Times: “Desde o início da guerra na Ucrânia, os preços do trigo e do milho aumentaram 41% e 28% , respetivamente, já que a Rússia e a Ucrânia juntas representam cerca de 30% das exportações globais de trigo.”

Como a crise financeira de 2008?

Por mais que seja inegável que a invasão russa da Ucrânia fez piorar a crise alimentar, é prudente não gastar aí toda a argumentação, e tentar olhar para o problema de uma forma mais interligada e global.

Foi esse o exercício desenvolvido por George Monbiot na sua coluna de opinião no The Guardian. E, logo no primeiro parágrafo (como mandam as regras…) consegue agarrar o leitor, com um autêntico e inquietante murro no estômago: “O sistema alimentar global está a começar a parecer-se com o sistema financeiro global no período anterior à crise de 2008.” Teme-se o pior, portanto…

O colunista do The Guardian tenta, a seguir, desfazer algumas ideias-feitas: “Muitas pessoas assumem que a crise alimentar foi causada pela combinação da pandemia e da invasão da Ucrânia. Embora estes sejam fatores importantes, a verdade é que eles apenas agravaram um problema que já existia. Durante anos, pareceu que se ia conseguir acabar com a fome no mundo. O número de pessoas subnutridas caiu de 811 milhões em 2005 para 607 milhões em 2014. Mas em 2015, a tendência começou a mudar. A fome tem aumentado desde então: para 650 milhões em 2019 e de regresso aos 811 milhões em 2020. Este ano provavelmente será muito pior.”

Nesta perspetiva, fica bem saliente como o problema era já anterior à invasão russa da Ucrânia. Como sublinha Monbiot, a inversão na tendência ocorreu num momento de abundância, após décadas de aumento da produção global de alimentos. “Surpreendentemente, o número de pessoas subnutridas começou a aumentar quando os preços mundiais dos alimentos começaram a cair”, avisa.

Qual a razão para isso? Monbiot tem a sua teoria, assente num ponto principal: o sistema alimentar tornou-se tão interligado que se algo começar a correr mal tem a capacidade de criar choques em cadeia que vão aumentando ao longo de toda a rede. Ao mesmo tempo, no comércio internacional reduziram-se, ao máximo, os armazenamentos, confiando-se que os fluxos iriam permitir abastecer sempre todos a tempo. “A estratégia just-in-time funciona”, reconhece Monbiot. “Mas se as cadeias de entregas forem interrompidas ou houver um rápido aumento na procura, as prateleiras podem esvaziar repentinamente.”

Na sua opinião, há duas razões principais para o aumento da fome no mundo: os choques sistémicos nas cadeias de produção e de distribuição, e a especulação financeira, num mundo em que, como ele afirma, “quatro corporações controlam 90% do comércio global de cereais” e em que grande parte desse comércio passa “por pontos de estrangulamento vulneráveis , como os estreitos turcos (agora obstruídos pela invasão da Ucrânia pela Rússia), os canais de Suez e do Panamá e os estreitos de Ormuz, Bab-el-Mandeb e Malaca.”

Guerra na Ucrânia e as outras

“A invasão da Ucrânia pela Rússia acelerou a crise”, nota um editorial da Bloomberg, publicado no Japan Times. “Antes da guerra, os dois países representavam quase 30% do trigo comercializado globalmente. A Ucrânia forneceu cerca de metade das exportações mundiais de óleo de girassol e a Rússia um oitavo de suas exportações de fertilizantes. As sanções à Rússia inflacionaram ainda mais os preços da energia, tornando os fertilizantes ainda mais caros.”

Mas há mais guerras no mundo para além daquela que tem ocupado, desde 24 de fevereiro, a quase totalidade do espaço mediático. E para se ir procurar os “culpados” desta crise alimentar global é preciso olhar também, segundo o mesmo editorial, para “as incursões dos jihadistas islâmicos no Mali, Nigéria e sul das Filipinas, bem como para os conflitos no Iémen e na Líbia.”

Para ilustrar a importância da guerra como impulsionador das situações de fome, o The Guardian dá o exemplo da Síria: “Um país relativamente próspero que foi reduzido, no espaço de uma década, a algo próximo de um caso perdido. Cerca de 12,4 milhões de pessoas – 60% da população – sofrem de insegurança alimentar, número que mais que duplicou desde 2019.”

Mas não é um caso único: “A desastrosa guerra da Etiópia em Tigray , que foi invadida por tropas do governo em 2019, é outro caso de fome após a loucura guerreira. A ONU estimou em janeiro que 2 milhões de pessoas sofriam de falta extrema de alimentos e dependiam de ajuda numa província que antes era autossuficiente.”

Os números são, uma vez mais, terríveis, conforme escreveu o catalão La Vanguardia, que lamenta que o mundo não tenha aprendido as lições do passado: “A lenta resposta à crise de 2011 no Corno de África custou 260 mil vidas na Somália. Onze anos depois, uma série de fatores, incluindo a seca, um aumento do custo dos alimentos inédito devido à guerra na Ucrânia, os conflitos endémicos e a crise económica provocada pela pandemia, condenam entre 600 a 1800 pessoas a morrerem de fome todos os dias no Quénia, Etiópia e Somália.”

EUA culpam a Rússia

Para o editorial board do Washington Post, há um culpado por isto tudo: Vladimir Putin. “Além de ter nas mãos o sangue dos ucranianos de sua guerra completamente injustificada, o líder russo também é responsável pela crescente fome em todo o mundo. A Ucrânia é o celeiro de grande parte do Médio Oriente e do Norte da África. Neste momento, Putin está a impedir que os grãos ucranianos deixem o porto de Odessa e ao longo de outras rotas importantes do Mar Negro. O resultado é terrível: os preços globais dos alimentos estão em alta e 276 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar – mais do que o dobro de 2019”, lê-se no editorial.

“O Sri Lanka é o exemplo mais recente de quão devastadora está a ficar a crise alimentar global de Putin”, sublinha o Washington Post. “A nação insular quase ficou sem comida e sem combustíveis. As pessoas fazem filas durante dias pelo pouco que ainda está disponível. Como um pai desesperado disse à Reuters: ‘Sem comida, vamos morrer’. Como os preços dos alimentos dispararam desde a invasão da Ucrânia por Putin, os cingaleses não conseguiram suportar os custos mais altos, e o governo não tem dinheiro suficiente para os ajudar. O país acabou de entrar em ‘default’ pela primeira vez na sua história.”

China desconfia de Washington

A história, como quase sempre, é vista de maneira diferente do lado da China, como reflete um editorial no Global Times, que procura virar as atenções para a responsabilidade de Washington: “Os EUA são o maior exportador de cereais do mundo, respondendo por cerca de 10% das exportações globais de alimentos em 2021, mas alguns dos seus movimentos recentes podem sugerir que o governo de Biden pode estar mais preocupado em usar a crise para reforçar a sua hegemonia alimentar em vez de tentar a evitar uma crise alimentar global.”

A desconfiança de Pequim face a Washington é grande: “Os EUA e os seus aliados estão atualmente a tentar obter cerca de 20 milhões de toneladas de trigo e de milho ucranianos armazenados fora do país, segundo relatos da comunicação social. Se esses esforços forem realmente destinados a resolver os problemas de abastecimento de alimentos para o mundo em desenvolvimento, a medida é certamente louvável. Mas sabendo que os EUA sempre procuraram tirar benefício de todas as crises alimentares passadas, é duvidoso que a detenção das reservas de cereais ucranianas pelos EUA seja para o bem do mundo”.

O jornal chinês também aproveita para culpar as sanções impostas a Moscovo como um dos fatores de bloqueio das cadeias de distribuição: “Os EUA e os seus aliados impuseram muitas sanções económicas à Rússia para bloquear as suas exportações, e agora os EUA ficam com a oportunidade de substituir o lugar da Rússia no mercado global de alimentos. Se as sanções eventualmente levarem à catástrofe alimentar, o Ocidente irá tornar-se no maior violador dos direitos humanos e será responsabilizado por isso, em termos históricos. Com os países em desenvolvimento a rejeitar estar amarrados ao comboio ocidental, uma nova onda de sentimento antiocidental pode ser esperada em todo o mundo.”

Governos e mercados

Curiosamente, um editorial da Bloomberg acaba por concordar com algumas dúvidas e preocupações manifestadas pela China, lançando um aviso sério: “Os preços dos alimentos subiram para níveis recordes em todo o mundo, alimentando a pobreza, a fome e a instabilidade política. Embora não haja soluções rápidas para a crise, os países em melhor situação devem, pelo menos esforçar-se, para não a agravar.”

Ainda para mais num contexto em que todos os fatores parecem contribuir para o desastre: inflação, alterações climáticas, instabilidade política, aumento da desconfiança no mundo, risco elevado de revoltas e uma situação pandémica que tarda em ficar resolvida.

“Os governos estão a agravar o problema com as medidas protecionistas que têm estado a tomar”, acusa a Bloomberg. “Desde a invasão da Ucrânia, pelo menos 20 países impuseram restrições às exportações de alimentos, cobrindo cerca de 17% das calorias comercializadas globalmente, incluindo a decisão da Indonésia de bloquear as saídas de óleo de palma. Essas restrições correm o risco de desencadear um efeito em cascata e fazer elevar os preços para todos: estima-se que tenham sido responsáveis por um aumento de 13% nos preços globais dos alimentos durante a crise alimentar de 2008-2011.”

Nesse sentido, a Bloomberg advoga que a solução tem de passar por uma resposta coordenada a nível mundial. “Os governos devem comprometer-se a não adicionar novas restrições ao comércio e a suspender as já impostas, o mais rápido possível.”

Mas não só: ” Os governos devem deixar os mercados funcionarem. As primeiras indicações sugerem que os agricultores americanos e europeus estão a responder aos preços mais altos plantando mais. As autoridades podem encorajar melhor essas escolhas saindo do caminho. Numa crise com esta complexidade, o primeiro princípio deve ser o de não causar danos.”

O problema, no entanto, como alerta George Monbiot no The Guardian, é que na origem disto tudo esteve exatamente um sistema cada vez mais baseado no mercado e que se tornou menos resiliente. Agora, escreve, é preciso mudá-lo. “Precisamos urgentemente de diversificar a produção global de alimentos, a nível geográfico, mas também em termos de culturas e de técnicas agrícolas. Precisamos de quebrar a cadeia de controlo das grandes corporações e dos especuladores financeiros. Precisamos de criar sistemas alternativos, produzindo alimentos por meios totalmente diferentes. Precisamos de mudar o sistema”. Ainda a tempo de evitar a catástrofe?

ANTÓNIO BUKCÃO, O CONGRESSO

O congro esso
O PS-Açores realizou o seu congresso. Dessa reunião magna não nasceu nada. Carlos César continua a ser figura dominante e central. Vasco Cordeiro, escolhido por César, mantém-se. Não aparece uma única voz dissonante no interior do partido. Não há uma clara assunção dos erros do passado, que lhes retiraram o poder regional e fizeram perder câmaras municipais importantes em algumas ilhas. E, mais grave que tudo, não se constitui o PS como uma verdadeira alternativa, com ideias inovadoras e cativantes para o eleitorado.
Em suma, sempre os mesmos protagonistas, com o mesmo discurso. Coitados de nós, que até ganhámos e tínhamos legitimidade para governar, não fora um bando de meliantes a assaltar o poder. Tolo povo, que não conseguiu ver que tudo o que fazíamos era óptimo e entregou o mando a quem não percebe nada disto…
A democracia, enquanto regime, tem variantes consoante as circunstâncias. Por exemplo, o regime democrático é um num Estado com muitos milhões de cidadãos, é outro numa nação com menor dimensão e revela-se ainda diferente numa região onde vivem duzentas e tal mil almas, dispersas por nove pedaços, uns bem maiores que outros.
Se, no caso de Portugal continental, ainda é possível ver as eleições e seus resultados como a consequência de ideologias, obras realizadas e projectos de mudança, nos Açores é mais possível a compra de consciências, através de empregos na coisa pública e favores feitos a destinatários concretos. Ao longo de 24 anos, 20 deles com poder absoluto, o PS montou uma teia de interesses e de dependências e acreditou que seria eterna. Fossem quais fossem os candidatos, que até podiam ser sempre os mesmos. Fossem quais fossem as promessas, vertidas em programas que ninguém lia. Fossem quais fossem os macro erros, desculpáveis face aos micro favores. Chegando ao ponto de nem festejarem as vitórias eleitorais, tão naturais as mesmas se revelavam.
A criação de empresas públicas regionais, que acumularam milhões de dívida à custa de avales. A mania das grandezas na SATA, que arruinou aquela companhia fundamental nesta região. Os erros graves na governação, em áreas fulcrais para a nossa vida, como a Educação. Nada disto importava, desde que assegurado estivesse o poder. E muitos governantes socialistas tomavam os departamentos governamentais como coisa sua. Ao ponto de desesperarem, quando tiveram de abandonar os seus gabinetes. Como se tivessem sido roubados…
Este último congresso era a oportunidade para a mudança de rumo. Novas ideias, novos protagonistas, e talvez o povo neles acreditasse nas próximas eleições. Nada disto aconteceu. Os mesmos que tomaram a Região como sua, tomam o partido como seu.
Mas será apenas isto? Uma falta de inteligência política quase indesculpável? Um primado de interesses pessoais em relação ao interesse do próprio partido e dos Açores? Ou será mais grave? Será que esta gente não tem mesmo ideias?
Creio cada vez mais que o PS não tem mesmo ideias. Se as tivesse, tinha-as aplicado na governação, enquanto a deteve. Se não sabiam ser governo, como saberiam ser oposição? Tendo como certo este vazio de soluções, é mais fácil entender a fraca oposição que desenvolvem e vão continuar a desenvolver. O voto contra medidas boas, só porque não foram capazes de sequer as imaginar. O bota-abaixo nos jornais e na Assembleia. A tentativa de boicote através dos seus fiéis infiltrados na máquina. E a crença de que, mais cedo ou mais tarde, os cidadãos que votaram noutras soluções de governo criarão juízo e devolver-lhes-ão o que era deles por direito natural.
Triste forma de amar esta Região, que conseguiram transformar, ao longo de duas décadas, na mais pobre do País…
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)
Miguel Sousa Azevedo, Antoaneta Petrova and 31 others
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