SANTANA CASTILHO · Nanismo político e idadismo digital

Nanismo político e idadismo digital

1. Todas as epidemias têm períodos mais ou menos longos de novos surtos intermitentes e nenhum país tem, por enquanto, uma solução para a actual pandemia. Mas o futuro ficará mais difícil nos que são governados por políticos que torturam a realidade com o seu nanismo político. Não há muito tempo, o presidente Marcelo exultava com um pindérico orgulho nacional, que nos comparava com espanhóis e italianos. Não lhe ocorreu, na altura, comparar-nos, por exemplo, com o Vietname, com uma população dez vezes maior que a nossa e uma longa fronteira com a China, que não registava, então, um só morto. Agora, António Costa e Santos Silva não entendem porque vale mais para os ingleses o nosso segundo pior rácio europeu de novos casos de covid-19 por 100 mil habitantes que o que foi escrito no Tratado de Windsor, em 1386.

Desde a cena confrangedora, que reuniu no Palácio de Belém nada menos do que o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, o ministro da Economia e a ministra da Saúde, para anunciarem ao país a realização de meia dúzia de jogos de futebol, que não dava pela existência do ministro da Educação, que também lá esteve. Reapareceu, finalmente, em entrevista ao Expresso. Do que disse e do que consta nas orientações oficiais para a organização do próximo ano lectivo, resulta um caderno de encargos irreal para as escolas e para os professores que, em nome de uma autonomia inexistente mas hipocritamente invocada, acabarão responsabilizados por tudo o que possa correr mal. O que antes era imperativo (dois metros de distanciamento por altura da reabertura das aulas, em Maio, e um metro de distanciamento aquando das primeiras orientações para 2020/21) deu lugar ao “sempre que possível” e ao “preferencialmente”, até chegarmos à seguinte insólita afirmação do ministro:

“Os alunos vão caber todos na mesma sala. Não haverá desdobramento de turmas. A única obrigatoriedade é a máscara a partir do 2º ciclo. O distanciamento não.”

É preciso cara dura para dizer isto, depois de termos sido literalmente massacrados, meses seguidos, com a necessidade de respeitar o distanciamento social, como a medida profiláctica mais eficaz de combate à pandemia.

2. A adesão pouco reflectida a fenómenos da moda acaba sempre alimentando mecanismos de constituição de poderes. Foi assim com as pedagogias salvíficas para o século XXI, começa a ser idêntico com o fluxo de ideias alternativas às aulas presenciais e a obsessão pela escola digital, seja lá o que isso for, que não é, isso sei, o gatilho mágico que resolve os atrasos acumulados dos nossos alunos.
Os professores reorganizaram-se para que, numa situação de excepção, se minorasse o prejuízo dos alunos. Entregaram-se abnegadamente a um desafio que não foi fácil, lhes pediu mais do que o muito que já se lhes pedia, e foi vencido. Apesar disso, têm vindo a ser alvo de várias prosas, que glosam o que apelidam de iliteracia digital dos professores mais velhos, numa onda de idadismo estigmatizante. Entendamo-nos: os professores utilizam, uns mais, outros menos, naturalmente, os meios informáticos, desde que eles se democratizaram. Não precisam, novos ou velhos, de serem peritos em informática para resolver todos os passos processuais de utilização da tecnologia disponível. Não fosse ela desenvolvida para ser utilizada em massa, por isso mesmo ao alcance de utilizadores universais. Outra literacia, não digital, que abunda no seio dos professores portugueses, desiderato difícil de conseguir numa escola de massas e numa sociedade consumista, é a que permite tocar o coração dos alunos, estabelecendo um vínculo afectivo essencial para que a aprendizagem resulte.

3. Nos últimos dias falou-se de rankings, falou-se do que se perdeu no ano em curso e falou-se, sobretudo, de como vai ser o próximo ano. Mas pouco se tem prognosticado sobre as classificações que, provavelmente, certificarão um paradoxo: o ano em que menos se aprendeu terminará com resultados gerais bem acima da média. Porque todos os critérios formais cederão passo ao critério de não penalizar, ainda mais, todos os alunos coercivamente privados da escola e, particularmente, aqueles que, sem equipamentos necessários, ficaram impossibilitados de acompanhar as soluções de recurso.
In “Público” de 8.7.20

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se houvesse dúvidas, o Chega com Le Pen

Paulo David
37 mins

Se havia dúvidas, agora ficou inequívoco.
O Chega pertence oficialmente à família da extrema-direita europeia. O Identidade e Democracia (ID), de Salvini e Le Pen, acolheu o partido do deputado André Ventura.
O CHEGA É NEO-FASCISTA.

O Chega pertence oficialmente à família da extrema-direita europeia. O Identidade e Democracia (ID), de Salvini e Le Pen, acolheu o partido do deputado André Ventura. – Portugal , Sábado.

SABADO.PT
O Chega pertence oficialmente à família da extrema-direita europeia. O Identidade e Democracia (ID), de Salvini e Le Pen, acolheu o partido do deputado André Ventura. – Portugal , Sábado.
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carta a Joacine

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Lito Bernardes

“Oh menina, tenho pena de si. Juro que tenho. Mas a minha pena não apaga o meu espanto. A menina veio para Portugal muito depois de os portugueses terem deixado a Guiné-Bissau independente e livre para se governar e se desenvolver. Veio, e os portugueses acolheram-na. Com mais ou menos dificuldades, foram-lhe oferecidas oportunidades que nunca chegaria a ter, muito provavelmente, no seu narco- Estado. Narco-Estado que o dinheiro dos portugueses, apesar de tudo, continua a ajudar em cooperação, especialmente na saúde e na educação. E a que o governo português acaba de perdoar uma dívida de milhões, milhões que são dos nossos impostos.

E foi-lhe concedida a nacionalidade portuguesa. Consideramos-la uma de nós. Licenciou-se num estabelecimento público sustentado com os impostos deste País e hoje é deputada no Parlamento nacional. Ainda não percebi que diabo de dívida é que os portugueses (e falo de todos os portugueses, incluindo aqueles que como a menina para cá vieram e cá levam as suas vidas dignamente) têm para consigo e que, para além de não a saldarem, ainda se mostram ingratos. Parece que lhe deveríamos eterna vassalagem e gratidão pelo magno privilégio de a termos por cá como a iluminada salvadora da Pátria e a pessoa que nos pode tirar das trevas.

Mas há uma coisa que eu sei: com o seu ódio, a sua raiva incontida, a sua arrogância, a sua falta de educação e esse insuportável e contínuo sentimento de vitimização que domina cada gesto e cada palavra seus, haverá porventura um Portugal antes e outro depois de Joacine – um Portugal menos disponível para um estafado slogan do racismo e para calimeros.

Um Portugal menos disponível para continuar a alimentar o estúpido complexo de culpa da colonização, muitas vezes aproveitado até ao tutano. Conheço bem esse incómodo sentimento que nos faz ficar agradecidos por aceitarem de borla algo de que precisam e que constantemente oferecemos.

Mas sabe?
Os mansos quando se fartam. E a História, mesmo a dos afectos, dilui-se com o passar das gerações. Quem semeia ódio não colhe tolerância nem empatia. Já quanto o mandar à m… as pessoas que ousam pensar e agir de forma diferente da sua, é o mesmo que mandar para o mesmo sítio a democracia, a liberdade, a tolerância, as ideias próprias, o conhecimento que nasce da diferença de opiniões – tudo o que teve a oportunidade de encontrar aqui.

A menina ataca tudo o que mexe, da esquerda à direita. Mas hoje, no dia do combate à mutilação genital feminina, prática aberrante e generalizada no seu país de origem, a menina, tão defensora da mulher, da liberdade, da igualdade de género, da civilização, sobre isso, nada diz ou escreve. Acha que nasceu para estar na A.R. a salvar os portugueses de males bem maiores? Pois, menina, mas isto aqui não é uma tabanca. E não ser politicamente correcto (eu também não sou, como fica patente), é diferente de ser malcriado e acintoso.

Acredito que vivências suas que desconhecemos a tenham tornado naquilo que conhecemos. Percebo que é infeliz e tenho, sinceramente, pena. Mas a maioria das pessoas não vê o Dr. Phill todos os dias e só vê o que vê. Procure ajuda para si, porque este caminho não lhe trará nada de bom. E, entretanto, tente ter tento e decência, porque na sua boca a m… a que manda os outros, é bem capaz de lá ficar enrolada.”

Lito Bernardes

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CHEGA de hipocrisia, falsos perfis e trabalho privado

-3:06

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Esquerda Net

Moisés Ferreira desfaz hipocrisia de André Ventura

🔥 Deputado do Chega faltou a reuniões sobre COVID 19 na Comissão de Saúde

🔥 André Ventura tem mais faltas do que presenças em reuniões de Comissão

🔥 André Ventura privilegia hobbie de youtuber em vez do trabalho parlamentar

🔥 Falta às reuniões para fazer pareceres na consultora financeira em que trabalha?

🔥 André Ventura tem 20 mil contas falsas nas redes sociais

🔥 André Ventura defende privatização do Serviço Nacional de Saúde e despedimentos de profissionais de saíde. Como é que o CHEGA responderia à crise da COVID 19?

🔥 André Ventura é fã do clã Bolsonaro. Em Portugal não queremos valas comuns, queremos um Serviço Nacional de Saúde forte.

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ASSIM MORREM AS DEMOCRACIAS NO SÉCULO XXI

Carlos Fino to Jornalistas
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ASSIM MORREM AS DEMOCRACIAS NO SÉCULO XXI
By Ishaan Tharoor – Washington Post
with Ruby Mellen

A JOURNALIST’S CONVICTION SPELLS TROUBLE FOR DEMOCRACY IN THE PHILIPPINES

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Maria Ressa, executive editor and CEO of Philippine news website Rappler, arrives for the promulgation of her cyber-libel case in Manila on June 15. (Eloisa Lope/Reuters)
Maria Ressa is a journalistic force in the Philippines and that’s why the country’s prevailing powers-that-be are trying to shut her up. Last week, a Manila court found Ressa and a colleague of hers at Rappler — the enterprising, investigative operation to which she is executive editor and CEO — guilty of cyber-libel related to a 2012 story that cited an intelligence report linking a prominent businessman to possible drug trafficking. Ressa did not write or edit the piece and the charges set against her were based on a law that was not yet on the country’s books at the time of the article’s publication.
The dubious circumstances of the case and the possible six month to six year imprisonment that could follow provoked a global backlash. In the eye of the storm is Philippine President Rodrigo Duterte, a populist strongman who has presided over a bloody war on drugs and an intensifying illiberal takeover of the country’s independent institutions. Ressa and Rappler have been dogged critics of Duterte’s rule and rights groups now see their plight as a textbook example of autocratic intimidation of the free press.
“The verdict against Maria Ressa highlights the ability of the Philippines’ abusive leader to manipulate the laws to go after critical, well-respected media voices, whatever the ultimate cost to the country,” said Phil Robertson, deputy Asia director of Human Rights Watch, in a statement. “The Rappler case will reverberate not just in the Philippines, but in many countries that long considered the country a robust environment for media freedom.”
“Ressa remains free on bail for the moment, but she faces seven other indictments. All of them are similar in that there is scant evidence to support the charges against her,” noted Washington Post columnist Jason Rezaian. “Rappler … has conducted relentless investigative reporting into corruption by Duterte’s administration, and this appears to have motivated the authorities’ moves against her.”
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The warning signs were there. “Just because you’re a journalist, you are not exempted from assassination if you’re a son of a b—-,” Duterte said just days after his election in 2016. “Freedom of expression cannot help you if you have done something wrong.” In the years since, his administration managed to shunt ABS-CBN, a major television network, off-air over a legal technicality, while Duterte’s relentless tirades against the Philippine Daily Inquirer, a leading newspaper, preceded its 2017 sale to an owner seen as a close Duterte ally.
“We have seen a sinister, concentrated attempt by some bad actors to really paint or portray legitimate media organizations in a negative light,” Regina Reyes, ABS-CBN’s head of news, told the Committee to Protect Journalists this week. “We’ve seen attacks on media by social media armies that have been dangerous and sustained. Sadly, that has been used by a lot of people, and we see that all over the world, to discredit independent media.”
The State Department issued a statement of concern about Ressa’s case, but, as in other instances of human rights abuses around the world, its censure lacks teeth in part because of the apparent indifference of the White House. President Trump, after all, has been known to joke around with autocrats abroad about imprisoning and executing ornery journalists.
“The Trump administration has been largely silent,” observed The Washington Post’s editorial board. “President Trump evidently admires Duterte’s strongman instincts; at one of their meetings, Trump laughed approvingly when Duterte referred to the press corps as ‘spies.’”
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Like other journalists challenging nationalist governments, Ressa has found herself victim to vicious social media campaigns from Duterte’s supporters online. “I’ve worked in war zones … [But] with the kind of hate and exponential attacks you get on social media — the weaponization of the law — this is tougher,” she recently told Public Radio International. “This is a tougher environment to work in than a war zone because you don’t know where the attacks are going to come from, right? There’s a Damocles sword hanging over your head all the time.”
Analysts see Ressa’s ordeal as the prototypical illustration of how modern democracies can backslide. That someone as prominent and famous as her now faces mounting legal cases and fees and the prospect of imprisonment is a chilling warning to journalists throughout the country with fewer resources and international connections. Meanwhile, authorities still cloak their actions in the language of liberal democracy.
Delivering the verdict against Ressa last week, Judge Rainelda Estacio-Montesa quoted Nelson Mandela, saying that “to be free is not merely to cast off one’s chains but to live in a way that respects and enhances the freedom of others.”
But the facts show something altogether illiberal is afoot. “In his four years in power, buoyed by his popular strongman rule, Duterte has amassed control over Congress, where his allies dominate, as well as the judiciary,” wrote Marites Danguilan Vitug, an editor-at-large at Rappler. “By the time he steps down in 2022, 13 of the 15-member Supreme Court will be his appointees. Duterte also appoints lower-court judges and many are fearful of going against him, giving up their independence.”
“This is how democracy dies in the 21st century: in a musty courtroom, with a judge invoking Mandela,” wrote Sheila Coronel, another celebrated Filipina journalist and professor at Columbia University. “There are no power grabs in the dead of night, no tanks rolling down the streets, no uniformed officers taking over TV stations. Just the steady drip, drip, drip of the erosion of democratic norms, the corruption of institutions, and the cowardly compromises of decision makers in courts and congresses.”
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