não há ilhas, ao pedro paulop câmara

727 não há ilhas, ao p p câmara 8.6.2021

 

diz o p. p. câmara que não há ilhas

nem há barcos nem aviões

nem jangadas ou submarino

capazes de nos transportar

nas asas deste povo amordaçado

colónia dum povo ultramarino

 

nove ilhas pequenas de raças anãs

vogando ao sabor de terramotos e vulcões

sem leme nem destino

a reboque dumas fajãs

 

dentre a bruma se erguem

poemas e prosa

épicas gestas

de gente religiosa

 

diz o p. p. câmara que não há ilhas

e eu piamente acredito

vivemos um sonho à deriva no mar

demasiados egos para timoneiros

tantos VIP que nem acredito

com cursos de taberneiros

discursando e uivando ao luar

 

 

não há ilhas no arquipélago

nem cultura nem história

das gestas idas nem memória

nem de brianda virago

 

e ninguém sabe que Cipião

disse antes morrer livres

que em paz sujeitos

pode ser que venha um vulcão

e nos leve entre preitos

 

inédito 2021

 

 

 

 

 

não há ilhas pedro paulo camara

Não há ilhas no arquipélago,
nem ilhas entre ilhas.
Não há ilhas, sequer.
Não há.
Jamais!
Há barcos, sim, sem proa,
reis sem coroa,
egos à toa.
Há pequenez no quadrado, no retângulo,
no triângulo,
neste círculo vicioso e ancestral.

6 de junho nos açores

594. autonomias nominais (FLA, 6 junho 2013

 

 

“para saberes quem te governa descobre quem não podes criticar”

Voltaire

 

hoje acordei sem voz

sem mãos,

sem pés

sem coração.

 

habito nove ilhas de mil cores

arquipélago de mil autores

num fiasco de autonomia

pobreza sem alegria

 

na independência poucos confiam

em busca de subvenções porfiam

melhor é ficar mudo e quedo

viver dos subsídios esmoleres

submissos e acomodados

pobres despreocupados

servos enfeudados

ingénuos explorados

na eterna espera de Godot

de um Mandela que não nasceu

 

assim se explicam os açores

ilhas de mil e uma dores