Arquivo de etiquetas: poesia/poetry

um poema ao dia não sabe o bem que lhe fazia (à Galiza, por Chrys Chrystello)

 

 

532. genevieve era nome de mulher 13 dez 2011

genevieve era nome de mulher

um restaurante japonês

no meio de chinatown

sorrisos largos e astutos

mansos como o rio minho

olhos profundos amendoados

como o canon do sil

prometia ribeiras sacras

seios amplos acolhedores

como as rias baixas

genoveva da galiza

amazona com saudades de arousa

amazona em sidney

um pai na argentina

uma mãe em paris

com saudades de arousa

promovia sushi com saké

 

 


533. concha é nome de guerra 13 dezembro 2011

para ti não há música nem dança

apenas as artes marciais

guerrilheira de montes e vales

urdidora de emboscadas

sob a copa das amplas árvores

brandes teu gládio de palavras suaves

não usas as falas do inimigo

vingas a dor de seres galega

a montanha que herdaste sozinha

prenhada de mar na ilha dos nossos

o povo desaparecido da Rousia aldeia

esse recanto insuspeito ao virar da raia

onde fui a férias em 2005 sem te saber

eu que nasci galego do sul

sendo galego de Celanova

apartado de meus irmãos e irmãs

séculos de história ao desbarato

distavam mares que nunca navegámos

montes que nunca escalámos

estrelas que jamais enxergámos

até um dia em que surgiste

vestias azul e branco orlada a ouro

estandarte do nosso reino

ciciavas liberdades por atingir

sonhos por realizar

brandias a tua utopia

numa mesma lusofonia

loucas bebedeiras em galego

Please follow and like us:
error

ah como eu gostava (UM POEMA AO DIA NEM SABE O BEM QUE LHE FAZIA) cHRYS

 

528. ah como eu gostava 16/11/2011

portugal lembra o filho ingrato

que sai de casa levando as malas

cresce como um sem-abrigo

vivendo de expedientes

sujo, maltrapilho e destituído

mas orgulhosamente só e independente

altivo olha a galiza do tempo dos aguadeiros

da pobreza, fome e sofrimento

e sente-se superior

não reconhece pai ou mãe

nem partilha um cobertor

comporta-se como assaltante

aliado ao invasor

esqueceu a história e perdeu os genes

ah como eu gostava de ser galego


531. lendas da minha galiza 11 dez 2011

Galiza és tão especial

quando sorris

por que não sorris sempre?

és tão bela

quando ris com gargalhadas cristalinas

por que não ris sempre?

és tão amorosa

quando falas e cicias

por que não falas sempre?

no meu quintal tenho um poço

sempre cheio de palavras

onde vou buscar inspiração

é lá que busco amores

como se fora o monte das Ánimas

na era dos Templários

quando os cervos eram livres e não havia lobos

foi lá que aprendi a tua história

depois de Ith filho de Breogán

ir à Torre de Hércules

divisar Eirin a Verde

morto Ith, perdidas as Cassitérides

aprisionados os Ártabros

resta visitar Santo Andrés de Teixido

duas vezes de morto

que não o visitei uma de vivo

e esta história queda silente

nos livros e na memória dos velhos

por que não a aprendem os nenos?

agora que o rio Minho passa caladinho

para não despertar os meninos

hoje quando fui ao poço

encontrei-o seco e mirrado

sem um fio de água sequer

não havia pardais nas árvores

nem flores no jardim

senti o coração trespassado

as lágrimas secaram-me

aºao trespassado Castelaer

caladinho

fincado no chão

pios e polinia fadas ou sereias

atopei umas Meigas

a dançar com o Dianho

foi então que o vi, o Chupacabras

estandarte de Castela

não mais haveria fadas ou sereias

cronópios e polinópios

vou juntar ferraduras, alho e sal

colares de conchas e tesouras abertas

esconjuro-vos ó meigas castelhanas

que me salve o burro farinheiro

vou ao banho santo em Lanzada (sansenxo)

hei de te encontrar minha moura encantada

não tenho medo de travessuras de Trasgos

nem Marimanta ou Dama de Castro

sem temor daa Santa Companhatravessuras de Trasgos

a Santa Companha

nem do Nubeiro vagueando

entre tempestades e tormentas

hei de te encontrar minha moura encantada

e brotará áuga do meu poço

escreverei os versos e serão mágicos

erguerei a tua flâmula

no poste mais alto e cantarei

Galiza livre sempre


LEIA MAIS DO AUTOR EM https://www.lusofonias.net/arquivos/429/OBRAS-DO-AUTOR/1001/Cronica-do-Qotidiano-Inutil-vols-1-5—.pdf

Please follow and like us:
error

“ver as sombras no tecto, a efervescência das palavras” – três poemas de Judite Canha Fernandes – Literatura & Fechadura – Revista Digital

   o mais difícil do capitalismo éencontrar o sítio onde pôr as bombasjudite canha fernandes[editora urutau, 2017]     férias éperceber que quando o sol se tapa o mar escurece.ter tempover as sombras no tecto, a efervescência das palavras,as árvores a tentar respirar contra o vento, coitadas.fazer festas aos cucos, namoriscar os pássaros.ter ideias. boas.fazer testes ao vácuo,observar a consistência da alegria,escrever palavras ao acaso.mergulhar.processar as dores, a estupefacção com a crueldade e a ganância,perceber apenas o medo, apenas.observar calada a tua alegria de flor pelas vitórias inacabadas.ver filmes a meio do dia com uma manta nas pernascomer porcarias e chocolatesnão sentir culpa nenhuma.andar.deixar o mundo andar sem olhar para ele[ele anda sozinho]olhar para o que não se vênão ter raiva do inverno nem da chuva,saber que a utopia anda às elipses como boa tartaruga.dar beijos à luta para não esquecer o sabor que ela tem,dançar.não usar vendas no cérebro ou no coração,não dizer “sim, mas…”.perder-se no meio de um livro para encontrar outrodeixar para amanhã o que se pode fazer hoje.escrever com as mãos geladas nas esplanadasnão ter medo que as esplanadas voem,ou de lavar o caderno nas lágrimas.pensar. escrever cartas. não pensar.perceber que o vento assobia no pescoço antes de entrar nas orelhas,que se pode chorar de prazer quando se ri,qual o tamanho do ecrã na casa.dizer adeus e ficar dentro das pessoas.falar com quem se gosta sem ver.dançar com a música em mute,deitar-se devagarinho.férias, meu amor, é bom.  síntesefui à televisão verse o mundo tinha mudado.assisti a vinte minutos de publicidade.  A fúria da loiça da chinajudite canha fernandes[editora urutau, 2017]  sem títuloentrei no grande tribunal,digo,entrei no hospital, de olhos baixos,digo,baixaram-me os olhos na triagem do hospital porque escorria,digo,porque escorria alguma vontade sobre o meu corpo,digo,sobre a minha vida que o céu caíra-me em cimae eu sabiaque não era o astérix, era só o bardo.subi as escadas,digo,tropecei na bata branca que meteu os dedos,digo,espetou os dedos com quanta força tinha na minha vagina,digo,para me castigarporque eu não queriae eu não posso não querer,por isso digo,porque eu não tinha,digo,dinheiro para pagar sorrisos e perfumes nas batase perdão no hospital.  à noite, no seu quarto, sonhacomeça por se sentare somar a conta da águacom a da luz e a do telefonecomo quem conta conchinhasenquanto come o que sobrou do jantardepois mete músicae vai lavara carae os dentesenquanto vai falandoconsigo mesmadespe-seaté ficar sócom a camisa de alçaspretase as cuecaspretase umas peúgas fofinhasàs riscasacende o candeeiroe ouve piazzollaaté adormecercomo quem conta conchinhasenquanto dança o tango.  Judite Canha Fernandes nasceu no Funchal em 1971 e foi viver para Ponta Delgada, onde cresceu, em 1980. É doutorada em Ciência da Informação, licenciada em Ciências do Meio Aquático, pós-graduada em Biblioteca e Arquivo e procura agora iniciar um pós-doutoramento em Estudos Literários. É escritora e dramaturga. Publicou, em Portugal, no Brasil, em Espanha, e em Itália, poesia, ficção e teatro. O livro o mais difícil do capitalismo é encontrar o sítio onde pôr as bombas foi semifinalista no Prémio Oceanos em 2018. O seu romance Um passo para sul foi Prémio Agustina Bessa Luís em 2018.

Source: “ver as sombras no tecto, a efervescência das palavras” – três poemas de Judite Canha Fernandes – Literatura & Fechadura – Revista Digital

Please follow and like us:
error

UM POEMA POR DIA CHRYS # 529. homenagem a Natália Correia

529. homenagem a Natália Correia 29 novembro 2011

hoje

decididamente

vou escrever um poema

dedicado aos feriados

que nos roubaram

decreto

que todos os dias

feriados sejam abolidos

os dias da semana

também

e para não esquecermos

tais dias e feriados

se comemorem todas as datas

ao domingo

e seja domingo todos os dias

(e se nos convertermos ao catolicismo

não poderemos trabalhar ao domingo)

em homenagem a Natália Ccorreia

Poema destinado a haver domingo

Deixem ao dia a cama de um domingo

Para deitar um lírio que lhe sobre.

E a tarde cor-de-rosa de um flamingo

Seja o teto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha

Como uma rosa traz abril no seio.

E que o mar dê o fruto duma ilha

Onde o Amor por fim tenha recreio.

Natália Correia, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote 1999

Please follow and like us:
error

um poema ao dia nem sabe o bem que lhe fazia Chrys C

 

 

528. ah como eu gostava 16/11/2011

portugal lembra o filho ingrato

que sai de casa levando as malas

cresce como um sem-abrigo

vivendo de expedientes

sujo, maltrapilho e destituído

mas orgulhosamente só e independente

altivo olha a galiza do tempo dos aguadeiros

da pobreza, fome e sofrimento

e sente-se superior

não reconhece pai ou mãe

nem partilha um cobertor

comporta-se como assaltante

aliado ao invasor

esqueceu a história e perdeu os genes

ah como eu gostava de ser galego

 

Please follow and like us:
error

nem sabe o bem que lhe fazia ler uma poesia em cada dia

526. famosos e ignorados 16.11.2011

I

hoje ia na marginal com pauleta, o açor

todos paravam pedindo autógrafos

quando passeei com nemésio todos ignoraram

se fosse toni carreira ou quim barreiros

o trânsito parava, mas escritores?

nem uma réplica de camões

faria virar os olhos dos transeuntes

tenho orgulho nos portugueses

em casa de cegos sinto-me rei

II

na maia, daniel de sá é o professor

poucos o conhecem como escritor

no pico da pedra cristóvão é ignorado

onésimo apenas lembrado

vasco p. da costa é da terceira

com costela picarota

mas é em coimbra que tem a eira

joão de melo virou mundial

desconhecido na achada atual

caetano nasceu na fajã grande das flores

mas é em cambridge eua que tem seus amores

e eu que nasci no porto

sou poeta da Galiza

tradutor na terra dos cangurus

se bem que do castelo jamais saia

sou cronista dos açores

e escritor da lomba da maia….


527. Leonor sem verdura nem frescura 16.11.2011

 

Luís Vaz de Camões Chrys Vale Tostões
Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Descalça vai para a farra

Leonor pela noitinha

Vai trémula pela cocaína

Leva preservativo na calcinha

Pílula do dia seguinte na bolsinha

Tanga de fina seda encarnada

Minissaia de cabedal rascote

Não usa sutiã no decote

A pele branca que nem neve pura

Vai trémula pela cocaína

Cantarola já rouca a garganta

Cabelo desgrenhado

Bandolete china de plástico usado

Tão pedrada que a todos espanta

Engole o ecstasy de graça tanta

Que dá graça à pouca gordura

Vai trémula pela cocaína

 

Please follow and like us:
error

O MEU POEMA DO DIA galiza como hiroshima mon amour

525. Galiza como Hiroshima mon amour, nov 11, 2011

acordaste e ouviste o teu hino

bandeira desfraldada ao vento

ao intrépido som
das armas de breogán

amor da terra verde,
da verde terra nossa,

à nobre lusitânia
os braços estende amigos,

desperta do teu sono

pega nos irmãos

caminha pelas estradas

ergue bem alto a tua voz

diz a quem te ouvir quem és

orgulhosa, vetusta e altiva

indomada criatura

nenhum poder te subjugará

nenhum exército te conquistará

nenhuma lei te amiquilará

és a Galiza mon amour

Please follow and like us:
error

poesia angolana contemporânea

A poesia angolana contemporânea aborda temas como o desencanto do mundo pós-utópico, as cicatrizes da guerra civil, as contradições sociais, a emancipação da mulher, o erotismo, a beleza das paisagens naturais, a herança dos mitos e práticas tribais na sociedade moderna e, claro, a própria linguagem poética. (…)

JORNALTORNADO.PT
Please follow and like us:
error