Com os casinos às moscas e as ruas vazias, Macau dedica-se… às obras – TSF

Em Macau há uma série de atividades económicas, que, de um dia para o outro, pararam, por serem bastante dependentes da indústria do jogo. Mas o Governo aproveitou as ruas vazias para fazer intervenções de que a via pública precisava.

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Página Global: Coronavírus | Casinos de Macau sem jogadores em mais um dia sem casos de infeção

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Casinos de Macau autorizados a reabrir portas quarta-feira à meia noite

O Governo de Macau anunciou hoje que a partir de quarta-feira às 00:00 os casinos do território vão poder reabrir as portas, encerradas há cerca de 15 dias, devido à propagação do surto do novo coronavírus na capital mundial do jogo.

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Deputado português em Macau fala em centenas de despedimentos após surto

O único deputado português no parlamento de Macau denunciou hoje centenas de despedimentos sem indemnização, comunicados logo após o início do surto do coronavírus Covid-19, classificando a situação de “crise social”.

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figuras de Macau antigo

Lourenço Pereira Marques.

Lourenço Maria Pereira Marques [1852-1911] é uma figura enigmática na história contemporânea de Macau, mercê da sua trajectória deliberadamente obscura e também estrangeirada.

Proveniente de uma influente e poderosa família de Macau, Lourenço Marques e os seus nove irmãos nasceram na propriedade onde está a Gruta de Camões, na colina do Patane.

Como nota insólita, refira-se que todos os dez irmãos faleceram solteiros.

Os pais, comendador Lourenço Caetano Marques e Maria Ana Josefa Pereira, privaram com a elite intelectual do seu tempo, com Francisco Rondina, o professor régio José Baptista Miranda e Lima ou Montalto de Jesus.

Amantes da música e da literatura, falavam várias línguas (inglês, alemão, francês e italiano), eram católicos devotos e grandes beneméritos.

O comendador Lourenço Caetano Marques presidiu ao Leal Senado e foi da sua iniciativa a construção do Monumento da Vitória em 1871, símbolo da espectacular vitória contra os invasores holandeses.

O filho, Lourenço Pereira Marques estudou no Seminário de S. José de Macau e completou a sua formação em Lisboa, no Colégio de Campolide, uma escola dos jesuítas para as elites onde o ensino das ciências era muito valorizado.

Ingressa na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, transferindo-se depois para a Universidade de Dublin, graduando-se em 1877 no ‘College of Physicians and Surgeons’ e em 1881 no ‘Royal College of Physicians in Ireland’.

Fez estágios em hospitais, em Londres e em Paris.

Em Dublin, foi médico assistente no ‘Mater Misericordiae Hospital’, que continua no mesmo sítio, Eccles Street, famoso na literatura por ser a casa de Leopold Bloom, do Ulisses de James Joyce.

Devo esta preciosa informação à cortesia de Ronan Kelly, bibliotecário do Royal College of Surgeons in Ireland.

Adquire a nacionalidade britânica, provavelmente adere à maçonaria e regressa a Macau.

Como as dificuldades com o reconhecimento das suas habilitações académicas pareciam eternizar-se, decide rumar a Hong Kong, onde será um médico cirurgião bem sucedido e prestigiado, instalando-se no Rednaxela Terrace, a zona predilecta dos portugueses.

Trabalhou nos hospitais civis da colónia inglesa e dirigiu o Lock Hospital, uma instituição especial, misto de leprosaria e de internamento para militares com doenças venéreas e infecto-contagiosas.

Foi ainda o médico-chefe da Penitenciária Victoria Gaol e nos navios-prisão do antigo sistema prisional do império colonial britânico.

Em 1880 publica um ensaio na ‘China Review’ sobre “Louis de Camoens”, marcando a sua posição no âmbito das comemorações do tricentenário da morte do grande épico, que Teófilo Braga liderava em Lisboa.

Nesse mesmo ano participa na ruidosa polémica teológico-científica sobre o darwinismo que mobilizou as elites portuguesas de Macau e de Hong Kong, publicando a “Defeza do Darwinismo”, onde apresenta as suas ideias:

“Sustentando a evolução, não é meu desejo ofender os virtuosos missionários católicos desta Colónia e o seu respeitável e digno chefe de quem entretenho subidas considerações. A evolução é a minha filosofia”.

Dois anos volvidos, em 1882, publica em Hong Kong um grande ensaio, “A Validade do Darwinismo”, dizendo, “esta obra é uma tese de ciência natural”, pedindo à comunidade “uma completa liberdade de discussão e imparcialidade”.

Um pedido razoável e justo, convenhamos.

Estas duas obras garantem-lhe um lugar na história do pensamento filosófico português de Macau.

Nas investigações contemporâneas sobre Hong Kong, sobretudo na história da medicina e na história das ideias políticas emergentes nos circuitos internacionais regionais, muitas conexões vão ter ao nome do cirurgião português de Macau, “Dr. Lorenzo Pereyra Marquez”.

Foi professor no Hong Kong College of Medicine, em 1891/1892, onde o seu aluno mais conhecido foi Sun Iat Sen, o futuro presidente da República da China.

Lourenço Pereira Marques torna-se amigo de José Rizal, médico oftalmologista e revolucionário filipino.

A amizade entre os dois era estreita, tendo José Rizal visitado Macau talvez por sua sugestão.

Este entregou a Lourenço Pereira Marques duas cartas, escritas em 1892, que só poderiam ser divulgadas e publicadas depois da sua morte.

Após o fuzilamento de José Rizal, pelas tropas coloniais espanholas, em 1896, Lourenço Pereira Marques cumpriu a sua promessa.

Essas cartas são consideradas como o testamento político de José Rizal.

No catálogo da biblioteca de Lourenço Pereira Marques encontramos um livro de José Rizal, “Au Pays des Moines”, provavelmente oferecido e autografado.

O relacionamento entre estas três personalidades, Sun Iat Sen, José Rizal e Lourenço Pereira Marques, carece de aprofundamento e de uma hermenêutica que valorize os contrastes culturais e a solidariedade política, independentemente da presumível base maçónica comum.

Lourenço Pereira Marques decide aposentar-se e regressa a Macau, continuando a exercer medicina graciosamente.

A comunidade portuguesa de Hong Kong mobiliza-se para prestar uma sentida homenagem ao compatriota ilustre.

Óscar Baptista escreve a Marcha-Polka “Pereira Marques” para piano, integrando o repertório da Sociedade Philarmónica Portuguesa de Hong Kong.

O Clube Lusitano de Hong Kong organiza uma sessão memorável em homenagem a Lourenço Pereira Marques.

O emérito historiador de Macau, Monsenhor Manuel Teixeira, acrescenta outra informação valiosa: “Em 2 de Agosto de 1896, por ocasião da sua retirada de Hong Kong, os seus amigos fretaram o vapor ‘Honam’ e acompanharam-no até Macau com uma banda de música, oferecendo-lhe nessa altura uma mensagem num álbum de 73 folhas em pergaminho e com 950 assinaturas”.

Em 1899 faz uma enorme e generosa oferta de peças etnográficas sobre Macau e a China à Sociedade de Geografia de Lisboa que decide criar a “Sala Lourenço Marques”.

O governador Eduardo Marques, pela Portaria Nº 231, de 4 de Novembro de 1910, decide criar uma comissão para pensar a criação do Museu Luís de Camões e entre os vogais nomeados encontram-se Camilo Pessanha, Lourenço Pereira Marques, Eduardo Cyrillo Lourenço e Carlos da Rocha Assumpção.

Lourenço Pereira Marques era comendador da Ordem de Cristo e Oficial da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Faleceu precocemente com 59 anos, no dia 5 de Março de 1911.

A prestigiada publicação inglesa, “The British Medical Journal” fez-lhe um grande elogio fúnebre, terminando deste modo: “Dr. Pereira Marques had a high ideal of his profession, and throughout his life showed the most self-sacrificing devotion to duty”.

Dois meses antes da sua morte fez o testamento onde entre outras providências, faz a doação da sua grande e valiosa biblioteca ao Clube de Macau.

Esta biblioteca é o retrato perfeito de um erudito discreto e sensível, actualizado com as tendências científicas e com as controvérsias filosóficas e estéticas do seu tempo.

Para além do respeito e do reconhecimento que este gesto de filantropia e generosidade nos merece, há duas observações que se impõem fazer.

Em primeiro lugar, ele próprio em 1882 dizia que “é de facto deplorável a falta de uma biblioteca pública em Macau”.

Em 1911 a biblioteca pública estava sedeada no Liceu de Macau.

Porquê a opção pelo Clube de Macau?

Talvez a memória das velhas amizades possa explicar alguma coisa.

Em segundo lugar, o “Catálogo da Biblioteca do Dr. Lourenço Pereira Marques”, organizado por Joaquim Francisco Xavier Gomes, foi impresso na Tipografia Mercantil de N. T. Fernandes & Filhos, em Macau, no ano de 1924, provavelmente a expensas do Clube de Macau.

Ao longo das suas 180 páginas, o catálogo divide a biblioteca em 12 secções, onde se arrumam os 4 739 volumes, dois terços dos quais nas línguas francesa e inglesa, privilegiando as áreas científica, filosófica, política e literária.

Encontramos aí as obras completas de Stuart Mill e de Charles Darwin, o que por si só nos revela o seu posicionamento filosófico.

Mas também há obras de outros filósofos como, por exemplo, Spencer, Humboldt, Comte, Aristóteles, Feuerbach, Hobbes, Descartes, Rousseau, Renan, Hegel, Maquiavel, Littré, Bakounine, Proudhon, Ruskin ou Huxley.

Apreciava igualmente Guerra Junqueiro, Bulhão Pato, Sampaio Bruno, Camões, Camilo Castelo Branco, Zola, Dante, Balzac, Dostoiewski, Loti, Vitor Hugo, Yeats, Alexandre Herculano ou Mark Twain.

O “Historic Macao” de Montalto de Jesus, “O Andaço do Porto” de José Gomes da Silva, o “Guilherme Tell” de Manuel da Silva Mendes ou “Pio IX perante a revolução”, de Francisco Rondina também lá estão.

Lamenta-se que Lourenço Pereira Marques nada mais tenha escrito do que as publicações anteriormente mencionadas.

Esta biblioteca sumiu misteriosamente, e é talvez o maior roubo cultural cometido em Macau nos primeiros tempos da república.

O Catálogo foi publicado treze anos depois da morte do benemérito.

A Biblioteca desapareceu antes ou depois da publicação do Catálogo em 1924?

Porque é que o Catálogo não foi publicado em 1911, o ano da doação?

E que posição tomou a direcção do Clube de Macau?

O seu nome está na toponímia de Macau e no jazigo de família, no Cemitério de S. Miguel Arcanjo, existe uma estátua sua em tamanho natural.

António Aresta.
Jornal Tribuna de Macau, 24 de Julho de 2019.
https://jtm.com.mo/opiniao/lourenco-pereira-marques/

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O SÍNDROME DE GOLIAS ANTº CONCEIÇÃO JNR

URBANIDADES


O SÍNDROME DE GOLIAS

Posted: 08 Feb 2020 08:02 AM PST

Nos últimos dias, e de uma forma crescente, tenho visto notícias sobre a dispersão do corona virus pela China e parte do mundo e o modo como a minha Macau está deserta, com as suas gentes fechadas em casa e os milhões de turistas ausentes. Também a maior indústria do jogo do mundo está encerrada.
Duas fotografias em especial me tocaram, porque o ruído fez-se silêncio, o feérico apagou-se e tudo está suspenso, como um filme de celulóide que emperrou no projector.
Menor do que o pastor David, um microscópico virus tem causado muita preocupação no mais populoso país do mundo, e os gigantescos impérios do jogo que existem em Macau ficaram subitamente encerrados.
É em tempos destes que tenho tendência a reflectir sobre a fragilidade de tudo, independentemente da sua escala ou dimensão, e do modo como uma economia se centra e se apoia em Golias que caem suspensos dos danos causados por ínfimos mas mortais virus que, como sempre, atingem os mais frágeis.
Parece nunca ser altura oportuna para se reflectir sobre estas coisas. Pois eu recordo-me como, num funeral a que assisti em Lisboa, era eu estudante, o meu padrinho me apontava os ciprestes e comentava como a natureza é: árvores rijas alimentando-se dos defuntos, negras ironias dos opostos.
Esta reflexão breve, traz-me à lembrança o que o budismo diz sobre a impermanência, e de como o Tao te Qing alude ao momento em que o sol, atingindo o seu auge, é o mesmo momento em que inicia a sua descida. Verdades antigas e lapalissianas, talvez, mas nem por isso menos verdadeiras.
E um momento de crise deve ser um momento de reflexão alargada, isto é, daquilo que podendo ser feito não foi e do que deverá ser feito num futuro breve.
Por exemplo, a diversificação económica, não deveria ser conduzida pela Mãe-Pátria, talvez já exasperada, mas sim pensada por todos aqueles que poderiam contribuir e não apenas pelos biscoitos da teixeira (1).
O pior nestas coisas é a exclusão porque injusta, e porque menor. Hoje os chineses de Macau ao olharem para o mundo poderão talvez sentir e – se possível – reflectir se, em tantos lugares onde está a sua diáspora, incluindo os Estados Unidos de Trump, faz sentido a sua exclusão.
Em Portugal houve arremedos disso, mas rapidamente a inteligente comunidade chinesa de Lisboa recomendou que os seus compatriotas regressados do Ano Novo Chinês, se auto-isolassem, seguindo procedimentos merecedores dos maiores encómios até na sua auto-sustentabilidade.
Em tempos há muito idos, Macau era para mim o palco de todas as ficções, onde o sonho era possível. Foi-o no meu tempo do século XX, e muito menos do século XXI. À mesa do sonho assentaram-se então feéricos e abundantes proveitos, inteligentemente amplificando o que tinha sido um monopólio. Porém o feérico vive à custa dos mais do que politicamente correctos e alinhados Golias vindos das estórias de Bram Stoker. Nada de novo.
Este é um tempo que deveria merecer reflexão a todos os níveis. Da saúde aos transportes colectivos ainda a gasolina ou diesel, quando no primeiro sistema a electricidade é o motor rodoviário. E que dizer da reorganização de um programa de educação uniformizado, de programas de educação para o civismo e cidadania. Tudo isto são formas consistentes de patriotismo, tão necessárias como os exemplos aludidos dos chineses em auto-clausura em Lisboa.
Ao longo destas duas décadas, não senti um ideário político concreto e coerente, uma agenda consistente, lógica. Houve um crescimento económico brutal e um agravamento do custo de vida e da qualidade da mesma, acompanhado de ideias avulsas, sem fio condutor.
Hoje, em tempos como estes pode-se ver como o dinheiro não é nada. Torna-se por isso imperativo apostar no verdadeiro poder, o do conhecimento nas suas diversas vertentes. Em chinês traduz-se por talentos, sinceramente tenho dúvidas de tradução. Gostaria de pensar em pessoas bem preparadas, poliglotas, formadas, doutoradas, com mundo e visão, pensando pelas suas próprias cabeças. Diria então que a tradução mais adequada seria gente competente, característica cuja abundância me parece tanta quanto a de gente nas ruas nestes dias.
É preciso ambição de se ser mais e mais, porque é imperativo compreender que a internacionalização de Macau passa por uma ideia de pertença ao global e, também, pela substituição de algumas peças de mobiliário do hemiciclo por ideias novas e poliglotas, porque hoje ninguém é realmente nada se nada valer. Esta a lição a retirar destes tempos em que os Golias ficam silenciosos e impotentes.
(1) os que estão em todas
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“As pessoas que correm aos supermercados não estão a ajudar na prevenção da epidemia”

O Governo tentou descansar a população e garantiu que o fornecimento de produtos alimentares não vai ser afectado durante a epidemia do coronavírus. No dia em que o 10.º caso foi diagnosticado em M…

Source: “As pessoas que correm aos supermercados não estão a ajudar na prevenção da epidemia”

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