biblioteca da lusofonia

Chrys Chrystello talvez uma partilha através dos Colóquios?…

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AILD

1h

É escritor lusófono?
É lusodescendente?
É escritor residente nas Comunidades Portuguesas?
Vive em Portugal, mas escreve sobre as Comunidades Portuguesas?
Então, venha fazer parte da maior biblioteca da lusofonia que estamos a criar! Inscreva-se e saiba mais, enviando-nos os seus contactos para: [email protected]

novo livro com várias colaborações de sócios AICL

VEJA VÍDEO DA EDITORA https://issuu.com/almaletra/docs/livro_av_s_apresenta__o_nv
Sandra Paula Barradas is with Pedro Paulo Camara and 51 others.

10h

“E porque confinamento foi sinónimo de isolamento, este era o tempo
ideal para refletirmos sobre os danos que estas ruturas afetivas causaram a muitos avós que, durante meses, se viram privados da companhia dos netos.
A melhor maneira de os homenagear seria, através de um conjunto de narrativas, recordar a forma como os avós – presentes ou ausentes – marcaram as vidas de todos nós”.

É tempo de homenagear os Avós!

Apresentação oficial: 27 de julho 2020, 17h, no Palácio Fronteira, em Lisboa.

Imagem de capa: Izabela Kowalska-Wieczorek – http://bajkowiec.blogspot.com/

Encomendas: http://twixar.me/fr0m
Mais informações: [email protected]
https://www.facebook.com/AlmaLetraEdicoes/

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Alma Letra

12h

Mais do que nunca, é tempo de homenagear os avós!

58 narrativas de autores de diferentes origens, ocupações, idades e países, unidos pela memória que cada um tem dos seus avós, constituem a forma de homenagear os que, durante o período de confinamento, se viram privados do convívio dos netos.

Histórias que se completam no conteúdo e no prazer da partilha, e que refletem os afetos, retalhos de geografias, tradições nacionais e locais, épocas e maneiras de ser e de estar no espaço e no tempo.

Curioso/a?
Espreite a apresentação e conheça os/as autores/as que, do outro lado do papel aguardam com grande espectativa a vossa reação à leitura destes textos.

Encomendas: http://twixar.me/fr0m
Mais informações: [email protected]

George Orwell resumidinho ao máximo

10.9. GEORGE ORWELL 1984 CRÓNICA 47 NOVº 2007

Como muitos o citam sem o lerem extraio um resumo adaptado sincreticamente por mim…

… a história passa-se no “futuro” ano de 1984 na Inglaterra, Pista de Pouso Número 1, megabloco da Oceânia, a congregação de países dos os oceanos. A transformação da realidade é o tema principal. Disfarçada de democracia, a Oceânia vive um totalitarismo desde que o IngSoc (Partido) chegou ao poder sob o omnipresente Grande Irmão (Big Brother). …o livro conta a história de Winston Smith, membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade, cuja função é reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido. Nada diferente do que faz um qualquer jornalista ou historiador.

Winston questiona a opressão do Partido. Se alguém pensa diferente, comete crimideia, capturado pela Polícia do Pensamento é vaporizado. Desaparecia, pura e simplesmente como se nunca tivesse existido.

Winston é o cidadão comum vigiado pelas teletelas e pelas diretrizes do Partido. Todos sabiam que uma atitude suspeita poderia significar o fim, não era sair de um programa de TV com o bolso cheio de dinheiro, mas desaparecer de facto. Os vizinhos e os filhos eram incentivados a denunciar quem cometesse crimideia. Algo estava errado, Winston sentia-o e precisava extravasar. Comprou clandestinamente um bloco e um lápis (venda proibida), atualiza o diário usando o canto “cego” do apartamento, sem ser focado pela teletela. Um membro do Partido (mesmo externo) tinha teletela. A primeira frase que escreve é: Abaixo o Big Brother!

Antes da Terceira Guerra, Winston desfrutava uma vida normal com os pais, mas tinha dificuldade em lembrar o passado. A propaganda do Partido e duplipensamento tornavam a tarefa quase impossível, o futuro, presente e passado eram controlados pelo Partido. O seu trabalho era transformar a realidade. No MINIVER (Ministério da Verdade), alterava dados de tudo que contradissesse a verdade do Partido e incinerava os originais (Buraco da Memória). O Partido informa: a ração de chocolate aumenta para 20 g. Winston apagava os dados antigos quando a ração era de 30 g. A população agradece ao Grande Irmão o aumento.

O medo de comentar era um dos trunfos do Partido para o controlo da população. Havia os “Dois minutos de ódio”, em que os membros do partido veem propaganda do Grande Irmão e, direcionam o ódio contra os inimigos. A mulher de Winston separa-se por que o sexo é para procriação, o prazer era crime. Winston anota tudo, isso era proibido e muito perigoso. O que o revoltava era ver Jones, Aaronson e Rutherford, os últimos sobreviventes da Revolução, confessarem assassinatos e sabotagens, serem perdoados mas executados. Sabia que estavam na Eurásia (na época a inimiga), mas de súbito, a Lestásia passara a ser a inimiga. Bastante atual se se comparar o apoio dado a Saddam Hussein, Kadhafi, bin Laden antes de serem os inimigos eternos.

Revoltado, escreve “liberdade é escrever 2+2=4”, as fábricas têm placas 2+2 são cinco se o partido quiser.

Winston entrevista pessoas sobre a vida antes da guerra, mas os idosos não se lembram. Vê uma mulher e desconfia que seja espia da Polícia do Pensamento. No dia seguinte, encontra-a no Ministério e recebe um bilhete: “Eu te amo”. Os membros do Partido, dos sexos opostos, não deviam comunicar. Marcaram encontro num lugar secreto, e após beijá-lo, Júlia confessa-se atraída pelo rosto de Winston que ia contra o partido… O desejo dela era corromper o estado por dentro. Apaixonado, recupera peso e saúde.

O’Brien, membro do Partido Interno, percebe que Winston era diferente e convida-o, para despistar as teletelas, a ir ao seu apartamento ver a edição do dicionário de Novilíngua. O convite era incomum e fez Winston animar-se e leva Júlia ao encontro. Para espanto do casal, O’Brien desliga a teletela do luxuoso apartamento. Alguns membros do Partido Interno tinham permissão para se desconetar. Winston confessa acreditar na Fraternidade. Os planos eram regados a vinho, proibido aos do Partido Externo. Dias depois, Winston recebe a obra e devora-a. Ouve uma mulher cantar música prefabricada em máquinas de fazer versos. Nada distante da música atual. “Nós somos os mortos” filosofa Winston. A ignorância dos menos abastados não era perigo para o Partido. “Nós somos os mortos” repete a voz metálica da teletela escondida atrás de um quadro. Guardas irrompem no quarto e Winston vai preso para o Ministério do Amor. As celas tinham teletelas que vigiavam cada passo. Numa sala, O’Brien torna-se o seu torturador e explica o conceito do duplipensar, o funcionamento do Partido e questiona-o acerca das frases sobre liberdade. Torturado e drogado aceita o mundo de O’Brien e passa ao estágio seguinte aprender, entender e aceitar. Winston confessa que a Eurásia era inimiga e que nunca tinha visto a foto dos revolucionários.

Mas faltava a reintegração, ritual de passagem a concluir no Quarto 101, um inferno personalizado. Como Winston tem pavor de roedores, os torturadores colocam a máscara no rosto com abertura para uma gaiola de ratos famintos. A única forma de escapar é renegar o perigo maior ao Partido, o amor a outra pessoa acima do Grande Irmão. Winston, libertado, termina os dias sozinho. O seu rosto aparece na teletela confessando vários crimes, sendo libertado com a posição rebaixada para um trabalho ordinário num subcomité.

Trajetória de milhares de pessoas de regimes totalitários, como o checo Thomaz de “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera[1]. Inspirado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 1930 e 1940, o livro de Orwell critica o estalinismo e o nazismo e a nivelação da sociedade, tal como pretendem fazer em Portugal depois do 25 de abril. Uma redução do indivíduo a peça para servir o estado ou o mercado através do controlo total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. Tudo isto acontece já e só vai piorar.

Júlia escapa do Quarto 101. O Partido separou-os e encontram-se ocasionalmente. Já não eram os mesmos. Tinham “crescido”. Winston sorri, completamente adaptado. Finalmente ama o Grande Irmão.”

O Big Brother está nas nossas vidas e aceitamo-lo sem pruridos. Sabe o que fazemos através dos cartões de crédito e débito, do cartão de cidadão, da passagem pelas portagens da autoestrada, pelo Metro e “Cartão Andante”, pelas câmaras nos centros comerciais. Não se admirem se qualquer dia com a nossa inconformidade e individualismo pudermos ser privados da pseudoliberdade por não termos cumprido as normas de higiene e de saúde que “eles” determinaram obrigatórias. Já não há espaço para seres pensantes e questionadores. Só espero que isto não acelere demasiado para os anos de vida que ainda tenho. Não se preocupem, sou assim e a fobia excessiva que tenho contra as bases de dados, é um sinal evidente da minha hipocondria e da necessidade absoluta que existe de me internarem como um perigo que sou para a sociedade uniforme e cinzenta que me querem impor. Ah! Se eu ao menos tivesse cá a cicuta, repetia-se o destino. Parecia que o mundo real lá fora estava a conspirar, mas a maior parte das pessoas nem se apercebia e vivia tranquila na morrinha da lufa diária pela sobrevivência, que a mais não podiam aspirar. …

Também isto constava das previsões de George Orwell[2].

Adquiri pés de galinha, os cabelos e pelos eriçaram-se como se tivesse visto um fantasma, isto, claro está, no caso de existirem. Comecei a olhar por sobre o ombro à cata de alguém que me espiolhe ou esquadrinhe as ideias, tão diversas do pensamento “aprovado e oficial”. Não me apetecia ser vaporizado pois tinha um legado que queria imune à ação de um qualquer ministério da verdade. A privacidade de há 10, 20 anos ou mais, seria impensável hoje. Tudo em nome da defesa dos valores sagrados da civilização ocidental. Da luta contra o terrorismo. Doutra qualquer peleja que os líderes hão de inventar. Como as armas químicas que o velhaco genocida do Saddam Hussein afinal não tinha. O mesmo que os EUA forjaram com Bin Laden. Desde há um século que “inventam” personalidades destas para fazerem o que lhes convém, lembremo-nos do Xá da Pérsia, ou do Panamá e mais as centenas de golpes falhados e os que fizeram ricochete…

[1] o caso do médico que vira pintor de paredes ao renegar as ordens do partido não é diferente dos que não se adaptam nas profissões no mundo livre

[2] (n. Eric Arthur Blair, Bengala, 1903-1950

O Anti-Diário,Os Guarda-Chuvas Cintilantes, na revista Rassegna Iberistica, da Universidade Ca’Foscari, em Veneza

Queridos/as Amigos/as:
Acabei de receber!
Grande abraço amigo
Teolinda

De: Prof. Fátima Marinho <[email protected]>
Enviado: 2 de julho de 2020 09:44
Para: Teolinda Gersão <[email protected]>
Assunto: O Anti-Diário

Querida Teolinda

Junto envio o link da publicação do meu texto sobre Os Guarda-Chuvas Cintilantes, na revista Rassegna Iberistica, da Universidade Ca’Foscari, em Veneza

Rassegna Iberistica

https://edizionicafoscari.unive.it/it/edizioni4/riviste/rassegna-iberistica/

O meu artigo em

https://edizionicafoscari.unive.it/media/pdf/article/rassegna-iberistica/2020/113/art-10.14277-Ri-2037-6588-2020-113-006_6s39e7y.pdf

Beijos

Fátima Marinho

Professora Catedrática /Full Professor

Faculdade de Letras da Universidade do Porto / Faculty of Humanities and Social Sciences of the University of Porto (Portugal)

Via Panorâmica s/n

4150-564 Porto (Portugal)

Tel: +351.226077100

DIARIO DA PESTE GONÇALO M TAVARES

Maria Jose Vitorino
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“A higiene do tempo é menos visível, mas mais forte e violenta.
Limpam-se os tempos passados das suas impurezas, do pó e desse lixo que vem da bruta acumulação de erros e violência.
Mas não se vê o tempo a brilhar depois de limpo e desinfectado.

A História não funciona assim.”
Gonçalo M. Tavares, 2020