Arquivo de etiquetas: lingua portuguesa

Quem inventou o nosso alfabeto?

Todos dizemos que o nosso alfabeto é o latino. No entanto, as letras romanas não foram inventadas do nada — e um romano que acordasse nos dias de hoje ficaria surpreendido com muitos dos nossos símbolos, a começar pela cedilha, passando pelo til, terminando em letras como o J. Façamos uma viagem pela história do nosso alfabeto.

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PORTUGAL-BRASIL – ESTA LÍNGUA QUE NOS (DES)UNE

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PORTUGAL-BRASIL – ESTA LÍNGUA QUE NOS (DES)UNE
MEDIDAS URGENTES NO DOMÍNIO DA LÍNGUA PRECISAM-SE
Brasil, Portugal e esta língua que nos (des)une
Margarita Correia
28 Novembro 2020 / DN
Opinião
Foi notícia uma terapeuta da fala (ou fonoaudióloga, termo usado no Brasil) ter visto a sua candidatura ao exercício da função no Serviço Nacional de Saúde ser rejeitada com base no seu deficiente domínio da língua portuguesa, aparentemente pelo facto de ser brasileira e falante de português do Brasil. O caso de cidadãos brasileiros discriminados por razões linguísticas em Portugal é recorrente e este preconceito tenderá, acredito, a intensificar-se com a chegada de mais cidadãos brasileiros com formação superior. Já me referi à questão em texto anterior, a propósito de dissertações e teses apresentadas por alunos brasileiros a universidades portuguesas e ocorre-me a discriminação de que são alvo colegas brasileiros, com competências e currículos inatacáveis, quando se candidatam a ensinar linguística ou língua portuguesa em instituições públicas de ensino superior.
Sem me ater ao caso concreto (que provavelmente seguirá trâmites adequados), permito-me partilhar duas ideias a este respeito. 1) A variedade brasileira do português é português: existe intercompreensão entre falantes das variedades portuguesa e brasileira; a língua oficial do Brasil é português; as relações entre os dois países e o empenho em ações comuns de difusão da língua portuguesa têm-se intensificado. É absurdo, pois, exigir a falantes brasileiros de língua portuguesa e que obtiveram as suas formações no Brasil que façam prova de que falam português, seja como língua materna ou (pasme-se) como língua estrangeira. 2) Na formação dos terapeutas da fala, existe uma forte componente de descrição linguística do idioma de trabalho, i.e., ao conhecimento implícito da língua junta-se o conhecimento explícito, científico, das características do idioma. Esta formação é imprescindível ao desempenho da atividade, pois é fundamental determinar a natureza exata do problema em análise para a adoção de terapia adequada e eficaz. Um terapeuta de fala, independentemente da variedade que fale, tem conhecimento científico que lhe permite intervir na recuperação de falantes de qualquer variedade linguística estabelecida. Em suma, se um cidadão fala, de facto, português e tem formação adequada, certificada por instituição de ensino superior portuguesa, não compreendo como as suas competências para o exercício da terapia da fala em Portugal possam ser questionadas.
Será que os membros do júri destes concursos sabem o que é variação linguística? Será que estão informados da natureza pluricêntrica do português e das políticas linguísticas supranacionais em vigor? Será que a única variedade que aceitam é a variedade padrão (lisboeta) do português? Será que variedades divergentes do padrão são igualmente consideradas inaceitáveis para o exercício da profissão? Será que a sociedade portuguesa tem condições para prescindir do contributo de profissionais certificados por não serem “portugueses de gema”? Será que casos semelhantes ocorrem nos espaços de outras línguas pluricêntricas (e.g. inglês ou espanhol)?
Além de inaceitável, é revoltante continuar a assistir a situações como esta. Das autoridades de ambos os países exigem-se, portanto, medidas sérias, inequívocas e exequíveis, para acabar com elas.
Professora e investigadora, coordenadora do Portal da Língua Portuguesa
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os loucos politicamente corretos Linguistas discutem a neutralização do gênero gramatical – Época

Aldo Bizzocchi e Cristine Gorski Severo divergem sobre a necessidade de mudanças na língua portuguesa que possibilitem a imparcialidade no falar

Source: Linguistas discutem a neutralização do gênero gramatical – Época

″Você″ é estrebaria? – DN

A 20 de outubro, ouvi em fundo que Jorge Jesus, treinador do Sport Lisboa e Benfica, teria sido repreendido enquanto prestava declarações no julgamento do caso Football Leaks. Sem ser seguidora de futebol e nem ter grande paciência para as suas personagens, fiquei curiosa em saber a causa da repreensão. Pasme-se! Jorge Jesus dirigiu-se à procuradora usando o pronome “você”, em vez de usar o título “senhora procuradora”. Quando li isto, não pude deixar de sorrir.Sou filha de emigrantes, nasci na Venezuela e cresci rodeada de falantes de diferentes línguas e variedades do português. Tive como primeira língua de escolarização o espanhol. Vim viver para Portugal com 10 anos. À época, na minha cabeça havia duas formas de me dirigir às pessoas: “tu” para a minha mãe e as pessoas mais chegadas e “você” para o meu pai e as pessoas mais velhas. Na minha cabeça estes eram os equivalentes do “tu” e do “usted” do espanhol. Mas, para meu azar, em português não era assim tão simples e, de cada vez que ousava dirigir-me, por exemplo, a uma professora usando “você”, invariavelmente ouvia por resposta “você é estrebaria!” Durante anos, tentei a duras penas descodificar o significado desta expressão. Que me lembre, ninguém me explicou como devia dirigir-me adequadamente às pessoas a quem devia deferência. Penso que foi já bem crescidinha que percebi finalmente que, na dúvida, o menos arriscado é usar um título (e.g. “o senhor/a senhora dona/o sr. dr./o professor/o senhor agente, a senhora procuradora”) e o verbo na terceira pessoa. Lembro-me de ter cometido muitos deslizes e passado outras tantas vergonhas, mas sempre atribuí esta falta de jeito à minha história de vida.Hoje é frequente, na faculdade, alunos dirigirem-se a mim usando “você”. Confesso que sinto um calafrio, que não denuncio, e procuro explicar a forma que me parece mais adequada de usar as formas de tratamento em português europeu, até porque defendo que cabe à escola veicular o padrão social adequado de uso da língua, i.e., a norma. Não lhes respondo “você é estrebaria”, pois imagino que, como eu, muitos não perceberiam o idiotismo. Olham-me com perplexidade quando começo a referir as tantas variáveis em questão na escolha da forma de tratamento adequada; alguns procuram ajustar o seu comportamento linguístico; outros, logo no instante seguinte, voltam a dirigir-se-me usando “você”.Há vários subsistemas de formas de tratamento em confronto na sociedade portuguesa atual. No diálogo entre Jorge Jesus e a procuradora assistimos ao confronto entre um, claramente inadequado à situação (apesar de todo o sucesso profissional e fama do treinador), e outro, conservador, de quem domina o código certo e detém o poder. A instabilidade no uso de formas de tratamento acontece porque a sociedade portuguesa mudou muito e rapidamente nos últimos anos. A democratização política traduziu-se na construção de uma sociedade menos estratificada, de relações interpessoais menos rígidas. A norma linguística (que é o registo do poder) resiste e adapta-se a custo à mudança. Mas inevitavelmente tal acabará por acontecer e “você” (quem sabe?) deixará um dia de ser estrebaria.Professora e investigadora, coordenadora do Portal da Língua Portuguesa

Source: ″Você″ é estrebaria? – DN

A Lusofonia no coração dos lusodescendentes (português) – Fala Português

Como lusodescendentes, herda-se o amor por aquela pátria, por aquela terra que está longe, mas que não é alheia ao coração. Fazem-se próprios os fados, aquelas danças e cantigas, a gastronomia e tradições… Tudo isso, faz parte da infância e adolescência de um lusodescendente, que quando adulto, sempre terá belas lembranças relacionadas à terra dos… Read More »A Lusofonia no coração dos lusodescendentes (português)

Source: A Lusofonia no coração dos lusodescendentes (português) – Fala Português