timor o orgulho de falar português

Início Díli Marcelo Nunes: É um orgulho saber falar português DíliHoje NotíciasNacionalNotícias de Última HoraÚltimas Notícias Marcelo Nunes: É um orgulho saber falar português Maio 5, 2020 4 Share Facebook Twitter Pinterest WhatsApp Linkedin Email Print Tumblr Telegram LINE Viber Marcel…

Please follow and like us:

no dia da língua, HISTORIAL DA AICL EM 32 COLÓQUIOS

10.U.1. HISTORIAL DA AICL EM 32 COLÓQUIOS, CRÓNICA 291, SET.º 2019

Quando e onde começaram?

Começamos no Porto, mas a ideia foi sempre de descentralizar. Até 2010 a base foi Bragança. Houve colóquios em cidades, vilas e freguesias. Nos Açores na Ribeira Grande (2006, 2007), Lagoa (2008, 2009, 2012), Vila do Porto (2011, 2017), Maia (2013), Porto Formoso (2014), Santa Cruz da Graciosa (2015, 2019), Lomba da Maia (2016), Madalena do Pico (2018). Fora estivemos no Brasil (2010), Macau (2011), Galiza (2012), Seia (2013 e 2014), Fundão (2015), Montalegre (2016), Belmonte (2017,18 e 19). Iremos a PDL em 2020, ao Faial (2021) e regressaremos ao Pico (2022). Faltam-nos ainda obter apoios para S. Jorge, Flores, Corvo e Terceira

Qual o principal objetivo, ou interesse máximo destes colóquios?

OS “COLÓQUIOS DA LUSOFONIA”, são um movimento cultural e cívico com o objetivo de promover a Investigação Científica para reforço dos laços entre os lusofalantes – no plano linguístico, cultural, social, económico e político – na defesa, preservação, ensino e divulgação da língua portuguesa e todas as suas variantes, em qualquer país, região ou comunidade. Os valores essenciais da cultura lusófona constituem, com o seu humanismo universalista, uma vocação da luta por uma sociedade mais justa, da defesa dos valores humanos fundamentais e das causas filantrópicas. No contexto da Lusofonia, a Galiza e Portugal aumentarão a sua influência ibérica e europeia, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné, Angola e Moçambique, a sua influência africana, o Brasil a sua influência no continente americano e Timor a sua influência asiática, sem esquecer Goa, Damão, Diu, Macau, todos os lugares onde alguém fale Português ou onde a diáspora esteja presente, os quais, integrados noutros estados, serão núcleos de irradiação cultural desta noção alargada de Lusofonia

Qual a periodicidade anual dos colóquios?

Dois ao ano desde 2006 quando passamos a incluir a açorianidade literária. Agora temos a sede em Belmonte desde 2016 e lá fazemos o da Páscoa e depois outro nas ilhas no fim de setembro ou princípio de outubro.

Quem são e o que fazem os Colóquios da Lusofonia (AICL)

Aqui se traça em linhas gerais o percurso da AICL. Desconheço quando, como ou porquê se usou o termo lusofonia pela primeira vez, mas quando cheguei da Austrália (a Portugal) fui desafiado pelo meu saudoso mentor, José Augusto Seabra, a desenvolver o projeto ALFE (Lusofalantes na Europa em 1997) e quisemos torná-lo universal. Assim nasceram os colóquios de uma LUSOFONIA que abarca os que falam, escrevem e trabalham a língua, independentemente da cor, credo, religião, nacionalidade, naturalidade ou ponto de residência. Realizámos desde 2001, 32 Colóquios (2 ao ano desde 2006) numa demonstração de como é possível concretizar utopias num esforço coletivo. Juntam-se os congressistas no primeiro dia de trabalhos, compartilhando hotéis, refeições, passeios e, no último dia despedem-se como amigos de longa data. Partilham ideias, projetos, criam sinergias, irmanados do ideal de “sociedade civil” capaz e atuante, para – juntos – atingirem o que as burocracias e hierarquias não podem ou não querem. É o que nos torna distintos de outros encontros científicos além da informalidade e do contagioso espírito de grupo que nos irmana. Abolimos os axiónimos, títulos apensos aos nomes, esse sistema de castas que distingue sem ser por mérito. Tentamos que todos sejam iguais dentro da associação e contribuam, para os nossos projetos sem reclamar a autoria, mas a partilha do conhecimento, e isso é anátema nos corredores bafientos de instituições educacionais (universidades, politécnicos e liceus para usar a velha designação), … Em 2010 passamos a associação cultural e científica sem fins lucrativos e, em 2015 entidade cultural de utilidade pública. Em 2001 todos foram lestos em nos assegurarem que o formato dos colóquios estava condenado ao fracasso. Garantiram-nos que esta fórmula solidária de todos participarem a expensas suas e contribuírem para as despesas organizacionais, estava condenada ao insucesso num país subsidiodependente. Aquando da crise económica de 2008, várias pessoas pretendiam fazer apenas um colóquio ao ano, mas fomos em 2010 e 2011 ao Brasil e Macau e em 2012 à Galiza. Aquando da crise económica de 2008, várias pessoas pretendiam fazer apenas um colóquio ao ano, mas fomos em 2010 e 2011 ao Brasil e Macau e em 2012 à Galiza. Prossegui e aqui estamos com dois colóquios ao ano programados até 2024, devidamente escudados em planos B para qualquer falha. Prossegui com dois colóquios ao ano (programados até 2024, devidamente escudados em planos B para qualquer falha). Como patronos temos Malaca Casteleiro, Evanildo Bechara, Ximenes Belo, Ramos Horta e a AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa) e estamos associados às Academias de Língua Portuguesa no mundo.

Quando aterrei nos Açores em 2005 admiti o meu desconhecimento sobre o arquipélago. O pouco que aprendi no liceu estava esquecido. Depois, as telenovelas aqui filmadas e as companhias aéreas de baixo-custo colocaram os Açores no centro do mundo e do turismo que pasma com o clima que muda constantemente (tanto chove como faz sol…as tais quatro estações num só dia que tanto apregoam)… as lagoas, as crateras e as baías são um assombro e os montes sempre verdes pejados de vacas alpinistas. Adotei-os como nova mátria depois de Bragança, e nova pátria, depois de Timor e da Austrália, considerando-me hoje absolutamente integrado, um ilhanizado ou açorianizado. A ilha para Natália Correia é Mãe-Ilha, para Cristóvão de Aguiar é Marília, para Daniel de Sá Ilha-Mãe, para mim Ilha-Filha, que nunca enteada. Para amar sem tocar, ver engrandecer nas dores da adolescência que são sempre partos difíceis. Toda a vida fui ilhéu. Perdi sotaques, mas não malbaratei as ilhas-filhas. Trago-as comigo a reboque, colar multifacetado de vivências dos mundos e culturas distantes.

Primeiro em Portugal, ilhota perdida da Europa no Estado Novo, seguida de um capítulo naufragado da História Trágico-marítima camoniana, nas ilhas de Timor, de Bali, na então (pen)ínsula de Macau (fechada da China pelas Portas do Cerco), na imensa ilha-continente Austrália, e em Bragança, ilhoa esquecida que é o nordeste transmontano.

Acolho como premissa o conceito de açorianidade de José Martins Garcia que, «por envolver domínios muito mais vastos que o da simples literatura», admite a existência de uma literatura açoriana «enquanto superstrutura emanada dum habitat, duma vivência e duma mundividência»[1]. Nos Colóquios, na sua versão insular desde 2006, o ponto de partida foi o debate sobre a identidade, a escrita, as lendas e tradições açorianas. Do intercâmbio de experiências entre residentes, expatriados e todos os que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística, à história dos Açores ou outro ramo de conhecimento científico, aspirava-se a tornar mais conhecida a identidade açoriana. Os Colóquios levaram os Açores ao mundo, aos que não têm vínculos familiares nem conhecimento desta realidade. Independentemente da Açorianidade, mas por via dela, mais lusofalantes ficaram a conhecer a realidade insular e suas peculiaridades. Os colóquios divulgaram a identidade açoriana na Roménia, Polónia, Bulgária, Rússia, Eslovénia, Itália, França, onde fizeram traduções de autores açorianos.

Era imperioso alguém ler esses autores, insuflando-lhes nova vida, novas leituras, trazendo-os à mais que merecida ribalta. Deparei com noções etimologicamente ancestrais contrastando com o uso atual. No Dicionário do Morais vêm os termos “chamados” açorianos e em 2008, um médico nas Flores (J. M. Soares de Barcelos) publicou o Dicionário de Falares dos Açores. A língua recuada até às origens foi adulterada pelo emigrês de corruptelas aportuguesadas e anglicismos. Tratamos de desvendar o arquipélago como alegoria recuando à infância dos autores, sem perder de vista que as ilhas reais já se desfraldaram ao enguiço do presente e não podem ser só perpetuadas nas suas memórias. Quisemos apreender as suas Mundividências e Mundivivências, e as infrangíveis relações umbilicais que as caracterizavam face aos antepassados e às ilhas e locais de origem, constatando:

  1. O clima inculca um caráter de torpor e de lentidão em que a pressa é amiga da morte;
  2. A História define os habitantes do arquipélago ainda quase tão afastados da metrópole como há séculos;
  3. A forma como se recortam todos os estratos sociais: vincadamente feudais apesar do humanis­mo que a revolução dos cravos alegadamente introduziu nas relações sociais e familiares;
  4. O modo como a proximidade da terra se manifesta de forma sobrejacente fora das peque­nas metrópoles que comandam a vida em cada ilha, num centralismo autofágico e macrocéfa­lo.

Neste universo tão idílico não busquei a essência do ser açoriano, que existe, em miríade de variações insulares, cada uma vincadamente segregada da outra, nem se o homem se adaptou às ilhas ou se estas se continuam a impor condicionando a presença humana, para assim evidenciar a sua açorianidade? Nos colóquios temos tido sempre dois temas importantes “Açorianos missionários no Oriente” (Macau e Timor) e as obras publicadas no séc. XI por autores estrangeiros sobre os Açores. Agora estamos a tratar de criar um núcleo da Lusofonia no Museu dos Descobrimentos em Belmonte, enquanto não se concretiza o sonho do Museu da Açorianidade, suspenso desde 2009. Há mais livros e antologias em preparação, e em 2017 lançou-se o primeiro CD de autores açorianos musicados pela Ana Paula Andrade. Desde 2009 que, anualmente, se homenageia um autor açoriano ainda vivo, e todos podem consultar o nosso historial e anuários, revista anual e demais publicações, além de vídeos, sons e imagens de todos os colóquios em www.lusofonias.net

Quem os subsidia?

Os Colóquios são independentes de forças políticas e institucionais, e sobrevivem com o pagamento das quotas dos associados e das inscrições dos congressistas. Buscam apoios protocolados para cada evento, levado a cabo por uma rede de voluntários. Pautam-se pela participação de um variado leque de oradores, sem temores nem medo de represálias. Ao nível logístico, beneficiam do apoio das entidades locais e têm parcerias com universidades, politécnicos e outros e com esta subsídioindependência sobrevivem com dois eventos ao ano

O Estado tem sido parceiro? Se não, porquê?

Do governo regional temos tido apoios reduzidos, mas que nos permitem trazer mais um convidado especial a quem isentamos de inscrição. Nos últimos dois anos o apoio da Dir. Reg. do Turismo permitiu apoiar algumas despesas da deslocação, estadia e alimentação. Cada participante gasta no mínimo 500.00€, com o pagamento da inscrição (e quota de sócio), viagem e estadia e alimentação, contribuindo diretamente na economia local. Em média temos 45 a 50 pessoas, que muitas vezes ficam mais dias para melhor conhecerem os locais dos eventos e outras ilhas. A participação financeira do governo carece, como nas restantes atividades culturais, de um investimento sério e duradouro (a longo prazo) em eventos consagrados como os nossos, que apresentam trabalho feito e publicam obras de divulgação de autores açorianos. A título de anedota, o falecido escritor micaelense Daniel de Sá dizia que os colóquios, com muito menos dinheiro, fizeram mais pelos autores açorianos que os governos autonómicos e orgulhámo-nos de o continuarmos a fazer com tão parcos recursos (cada um paga as suas despesas)

Que participações importantes tiveram os colóquios e o que abordaram esses participantes?

Não gostaria de realçar nenhum, para além de salientar que não só tratamos de literatura, há música, poesia, teatro, outros ramos da ciência e do saber (educação, vulcanologia, biologia, história), exposições de artes e pintura, dança, folclore, música popular (da viola da terra a cantigas ao desafio tivemos de tudo), erudita, Cancioneiro, sempre tão diversificado quanto o permitem os parcos orçamentos. Com mais de cem autores açorianos e mais de 1500 participantes ao longo dos anos seria difícil destacar algum em detrimento de outros.

Como nasceu a BGA (Bibliografia Geral da Açorianidade)?

No 11º Colóquio da Lusofonia [Lagoa 2009] decidimos obviar ao fim do Curso de Estudos Açorianos da UAç em Ponta Delgada (criado e ministrado por Martins Garcia e, posteriormente, por Urbano Bettencourt). Concebemos e organizamos na Universidade do Minho em Braga, um Curso Breve de Açorianidades e Insularidades com a colega Rosário Girão (25 set. 2010-14 fevº 2011) e até hoje, aguardamos que haja uma entidade universitária capaz de colocar o curso em linha para todo o mundo, revertendo os proventos das propinas para a entidade que nele queira apostar. Depois de 2011 alunos de mestrado e de doutoramento, na Universidade do Minho, na Roménia e Polónia, trabalharam autores açorianos e traduziram excertos em 15 línguas (francês, inglês, italiano, chinês, árabe, romeno, polaco, russo, búlgaro, alemão, esloveno, neerlandês, flamengo, castelhano e catalão). A AICL entende que o rótulo comum de açorianidade abarca extratos diversos de idiossincrasias:

  • Um de formação endógena, constituído pelos que nasceram e viveram nas Ilhas, independentemente do facto de se terem ou não terem ausentado;
  • O dos insularizados ou «ilhanizados[2]» e de todos que consideram as ilhas como “suas” de um ponto de vista de matriz existencial;

  • Um de formação exógena, no qual se incluem todos os que não nascendo nas ilhas a elas estão ligados por matrizes geracionais.

Muitos destes autores fazem parte da Antologia de Autores Açorianos Contemporâneos que a Helena Chrystello e a Rosário Girão compilaram (2011), na versão bilingue (PT-EN de 15 autores), na monolingue (2012 com 17 autores), na Coletânea de Textos Dramáticos (2013) de Helena Chrystello e Lucília Roxo (Álamo Oliveira, Martins Garcia, Norberto Ávila, Daniel de Sá, e Onésimo T Almeida), a que seguiu, em 2014, uma Antologia no Feminino “9 ilhas. 9 escritoras” (Brites Araújo, Joana Félix, Judite Jorge, Luísa Ribeiro, Luísa Soares, Madalena Férin, Madalena San-Bento, Natália Correia, Renata Correia Botelho). Decidimos colocar no portal AICL (www.lusofonias.net) uma publicação para dar a conhecer excertos de obras (a maioria esgotada) de autores açorianos e abrir uma janela de conhecimento e divulgação sobre esta peculiar e rica escrita, que entendemos ser diferente, para não dizer única. Foi em janeiro 2010 que brotaram os despretensiosos Cadernos de acesso generalizado, fácil leitura em formato pdf. Já se publicaram mais de cinco dezenas de autores contemporâneos (a maioria presente nos colóquios) nos Cadernos (e Suplementos) de Estudos Açorianos:

Cristóvão de Aguiar, Daniel de Sá. Dias de Melo, Vasco Pereira da Costa, Álamo Oliveira, Caetano Valadão Serpa, Fernando Aires, Mário Machado Fraião, Emanuel Félix, Eduardo Bettencourt Pinto, Urbano Bettencourt, Eduíno de Jesus, Onésimo Teotónio Almeida, Maria de Fátima Borges, Marcolino Candeias, Norberto Ávila, Victor Rui Dores, José Martins Garcia, Joana Félix, José Nuno da Câmara Pereira I, Manuel Policarpo, Tomaz Borba Vieira, Maria das Dores Beirão, Maria Luísa Soares, Susana Teles Margarido, Madalena San-Bento, Carlos Tomé, Brites Araújo, Maria Luísa Ribeiro, Carolina Cordeiro, Pedro Paulo Câmara, José Nuno da Câmara Pereira II, Machado Pires, Anabela Mimoso, Anthony de Sa, Natália Correia, Adelaide Freitas, Almeida Pavão, Antero de Quental, Martins Garcia, Cecília Meireles, Madalena Férin, Antonio Tabucchi, Armando Côrtes-Rodrigues, Katherine Vaz, Carlos Faria, Manuel Machado, Raul Brandão.

No entanto, segundo alguns estudiosos, a nossa principal obra é a Bibliografia Geral da Açorianidade (BGA) compilada ao longo de sete anos (2010-2017) que inclui autores açorianos (residentes, expatriados e emigrados), estrangeiros ou nacionais (ilhanizados, açorianizados ou não), que escreveram sobre autores e temáticas açorianas, abrangendo (por exemplo) Santa Catarina (Brasil), Canadá, EUA, Bermudas, Havai, etc. incluindo referências bibliográficas à diáspora, colonização açoriana, caça à baleia e temas relacionados com a saga açoriana no mundo. Não se privilegiou a literatura, mas todos os ramos do saber, desde a biologia à botânica, à história, ciências sociais, vulcanologia, etc. A listagem abarca autores mais recentes da diáspora, de origem ou descendência açoriana e que dela se servem para a sua escrita. De uma forma geral estão aqui incluídos os trabalhos que logramos identificar, direta ou indiretamente, sobre os Açores, seus temas e autores, embora saibamos faltarem ainda muitos.

Fala-se pouco na comunicação social sobre os colóquios ou tem havido uma divulgação satisfatória pelos OCS a nível nacional? Se não, o que poderá estar a falhar?

Tentamos sempre a maior divulgação. Nos Açores, a cobertura quer da imprensa escrita, quer da RTP e RDP tem sido satisfatória, mas em Portugal nem a LUSA nos tem dado o destaque que os nossos convidados mereciam. Por exemplo no Pico em 2018 tivemos mais de 25 autores açorianos presentes (um facto notável dados os constrangimentos financeiros), na Graciosa iremos ter nomes de elevado gabarito Teolinda Gersão, José Luís Peixoto, Joel Neto, o cientista Félix Rodrigues, mais 17 autores açorianos o que se tem tornado norma nestes últimos anos e deveria merecer mais atenção. Contemporâneos das Correntes d’Escritas (Póvoa de Varzim), somos a mais antiga e ininterrupta entidade organizadora de eventos deste jaez, mas sem os fundos daquelas. Presença constante na Póvoa, Onésimo T Almeida será homenageado pela AICL em 2020. O que falha, é que a cultura não vende nem dá votos, ao contrário dos festivais de verão onde há sempre milhares para investir. Não temos meios humanos para fazer mais do que já se faz na rede de associados voluntários, todos trabalhamos pro bono em tudo.

Há alguma história interessante que se tenha passado num colóquio?

Por exemplo quando, na tentativa de poupar os custos, colocamos inadvertidamente dois artistas de teatro num mesmo quarto sem serem um casal (e tivemos de improvisar novo alojamento para eles). Outro episódio foi em 2008 quando Adriano Moreira se deslocou a primeira vez a Bragança e o edil não acreditava que tivéssemos convencido o professor a ir tão longe. O autarca estava escondido num gabinete e de 15 em 15 minutos mandava alguém ao palco perguntar-nos “tem a certeza de que ele vem?”, até que o conhecido politólogo apareceu com a sua consorte e o edil pode sair da toca, incrédulo com a nossa capacidade de atrair grandes personalidades para os colóquios. Um ano mais tarde Adriano Moreira ofertaria o seu espólio à Câmara que criou uma segunda biblioteca municipal com o seu nome, facto do qual nos orgulhamos sempre com um enorme sorriso na lembrança do sucedido. E ele já esteve presente em mais colóquios (o último foi 2018 em Belmonte).

Quem é Chrys Chrystello que lidera os colóquios da lusofonia,

Jornalista e tradutor, a partir de 2006 traduziu dezenas de escritores açorianos em projetos dos Colóquios (15 autores da Antologia de Autores Açorianos Contemporâneos). Em 2009 publicou o vol. 1 da trilogia “ChrónicAçores: uma Circum-navegação, De Timor a Macau, Austrália, Brasil, Bragança até aos Açores” cronicando as suas viagens pelo mundo. Em 2011 publicou o vol. 2 e em 2012 lançou a obra completa de poesia “Crónica do Quotidiano Inútil (vols. 1 a 5)”, a assinalar 40 anos de vida literária.

Foi nomeado, nesse ano, Académico da Academia galega De Língua Portuguesa. Em 2015 lançou a 4ª ed. da monografia “Crónicas Austrais 1978-1998” e editou os 3 volumes da “Trilogia da História de Timor”.

Nesse ano fez trabalhou na compilação da obra de D. Ximenes Belo, “Pe. Carlos da Rocha Pereira”, vol. 1 da série Missionários Açorianos em Timor, em 2017 lançou o seu opus magister “Bibliografia Geral da Açorianidade” em 2 vols (1600 pp. com 19500 entradas) e traduziu para inglês o livro “O Mundo Perdido de Timor-Leste” de José RamosHorta e Patricia Vickers-Rich.

Lançou em 2018 “Fotoemas”, foto e-book, com fotos de Fátima Salcedo e poemas seus http://www.blurb.com/books/8752953-fotoemas, fez a revisão e compilação de “Missionários açorianos em Timor” vol. 2 de D. Ximenes Belo, finalizou os vols. 3 e 4 de “ChrónicAçores uma circum-navegação” e completou a Crónica do Quotidiano Inútil vol. 6 (poesia). É Editor dos Cadernos (de Estudos) Açorianos.

Em 2019 foi nomeado Vice-presidente para a Oceânia do Movimento Poetas do Mundo e membro do Pen International (Açores)

Relatório do 32º colóquio da lusofonia graciosa 2-7 outº 2020

Sempre temi tufões, como lhe chamamos na Ásia e Austrália, mas o Lorenzo furacão nada preconizava de diferente quando se aproximou dos Açores, tanto mais que a sua chegada coincidia com o 32º colóquio. A Lusofonia iria regressar à Graciosa ilha branca – depois de ali termos estado em 2015 no 24º – e havia muita gente a deslocar-se via Lisboa, que prontamente viu os seus voos cancelados e atrasados 24 horas.

Nem sequer se sabia se poderíamos chegar a tempo da abertura dos trabalhos. Tivemos sorte, chegando dia 2 para poder preparar tudo e cancelar a participação dos ausentes dia 3, tentando manter o máximo possível do programa original. Este colóquio estava tão repleto de eventos que teria sido difícil encurtá-lo e dar voz a todos os participantes. Felizmente todos os que faltaram à sessão de abertura chegaram com 24 horas de atraso.

A novidade principal deste evento, além da homenagem ao decano dos autores açorianos, o poeta Eduíno de Jesus, era a vinda de convidados de vários países com dois pesos pesados da literatura nacional e internacional TEOLINDA GERSÃO e JOSÉ LUÍS PEIXOTO, a que se juntariam do Canadá Eduardo Bettencourt Pinto, de Angola Jorge Arrimar, o cientista Félix Rodrigues, o escritor Pedro Almeida Maia, Victor Rui Dores, Álamo Oliveira, Norberto Ávila, os músicos timorenses Piki Pereira e Mintó Deus, a jovem cantautora de Belmonte Joana Carvalho e mais uma vintena de autores de doze países e regiões como a Galiza, Luxemburgo, Bélgica, EUA, Cabo Verde, etc.

Na ilha da música tivemos mais de uma dúzia de recitais, quatro sessões de poesia, uma visita ao Museu da Graciosa (a quem ofertei em 2015 um clavicórdio de 1794), passeios geoculturais pela vila e ilha com visita à Furna do Enxofre e à Praia (S. Mateus) sob a supervisão e erudição de Jorge e Lourdes Cunha, nossos guias habituais desde 2015.

Outra novidade seria desvelada na receção nos Paços do Concelho a Eduíno de Jesus, José Luís Peixoto e Teolinda Gersão, quando o nosso patrocinador institucional dos colóquios pascais Eng.º Joaquim Feliciano da Costa da Câmara de Belmonte, desvelou a proposta de geminação de Belmonte com Santa Cruz da Graciosa, estando reservado um intercâmbio entre grupos de teatro e grupos corais, entre outros, de ambas as vilas. A geminação deve ocorrer na abertura do 33º colóquio de 2 a 5 de abril 2020.

A sessão inaugural, como vem sendo costume teve lugar na escola local, onde durante hora e meia, professores e alunos puderam interagir com uma dezena de autores presentes, sendo no final agraciados com um simpático almoço confecionado localmente. O nosso obrigado ao Presidente do Conselho Executivo João P. P. Costa e demais pessoal. Depois, no Centro Cultural, com uma assistência reduzida, demos início aos trabalhos na presença dos convidados Eduíno de Jesus, Eduardo Bettencourt Pinto, Jorge Arrimar, do Presidente da Câmara (Manuel Avelar) e da Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Marta Guerreiro) em representação do Presidente do Governo Regional. A generosidade e partilha dos convidados especiais logo se fez notar a partir do primeiro jantar integrados no nosso ambiente intimista e seria o mote até ao final da presença deles.

Houve ainda lugar à participação de dois jovens praticantes locais de flauta nas sessões musicais que a Ana Paula Andrade do Conservatório de Ponta Delgada preparou com a soprano Carina Andrade e a violinista Carolina Constância, havendo depois várias sessões “impromptu” com os músicos timorenses e a jovem Joana Carvalho dentro do espírito familiar destes convívios. As cerca de cinco dezenas de participantes tiveram, na maior parte das sessões, a presença de membros da população local, o que muito nos apraz registar. Ficou o compromisso de regressar em 2023 a esta ilha que tão bem nos sabe receber

Saliento a riqueza da intervenção de Victor Rui Dores que, na cerimónia de agradecimento à Câmara Municipal pelo jantar de dia 5, se juntou aos músicos Ana Paula Andrade, Carolina Constância, Carina Andrade, Joana Carvalho, Piki Pereira e Mintó Deus e nos deu umas horas de verdadeiro entretenimento que envolveu todos os presentes.

Obviamente, e sem descurar a qualidade de todas as intervenções, algumas com acalorado debate, destaco as dos convidados TEOLINDA GERSÃO, JOSÉ LUÍS PEIXOTO E FÉLIX RODRIGUES, lamentando apenas que nenhum dos seus editores tivesse disponibilizado livros para assinar. Iremos tentar obviar a isto em próximas edições. Na sessão final na homenagem a Eduíno de Jesus, a AICL presenteou-o com um vídeo, uma sessão de poesia sua a quatro vozes e uma salva de prata recordando o momento.

[1] http://lusofonia.com.sapo.pt/acores/acorianidade_pavao_1988.htm#_ftn11#_ftn11

[2] (adotando a designação feliz utilizada por Álamo Oliveira, a propósito do poeta Almeida Firmino)

Please follow and like us:

″Na China é impressionante: 50 universidades ensinam português a 5000 alunos″ – DN

Entrevista a Luís Faro Ramos, presidente do Instituto Camões, a propósito do primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala neste dia 5 de maio.

Source: ″Na China é impressionante: 50 universidades ensinam português a 5000 alunos″ – DN

Please follow and like us:

no dia da língua – Visão | Açorianidade no mundo em Colóquios da Lusofonia

O ponto de partida, nos Açores, foi o debate sobre a identidade, a escrita, as lendas e tradições açorianas. Do intercâmbio de experiências entre residentes, expatriados e todos os que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística, à história dos Açores ou a outro ramo do conhecimento científico, aspirava-se tornar mais conhecida a identidade açoriana

Source: Visão | Açorianidade no mundo em Colóquios da Lusofonia

Please follow and like us: