de oliveiras a azeitonas de romanos a árabes

Curiosidades: Porque estamos em tempo de apanha da azeitona…
Oliveira, Azeitona, Azeite
Se o fruto da laranjeira é a laranja, da macieira é a maçã, porque é que o fruto da oliveira se chama azeitona???
Primeiro um pouco de história…
O domínio da Península Ibérica (ou de parte dela) pelos muçulmanos durou vários séculos… durante esse período a tolerância religiosa por parte dos muçulmanos era bem maior do que agora, e este permitiam aos cristãos praticar o seu culto e ter os seus líderes religiosos. Formou-se então um grupo de pessoas que eram conhecidas como os moçárabes (cristãos que viviam nos territórios dominados pelos árabes). Os moçárabes utilizavam a sua própria língua latina (derivada do latim) mas, com o tempo, foram incorporando na sua linguagem muitas palavras e expressões árabes. É por isso que no português atual utilizamos muitas palavras com origem no árabe e também algumas que juntam palavras latinas com palavras árabes.
E o que é que isto tem que ver com a oliveira, a azeitona e o azeite?
Tudo! É um caso interessante de coexistência entre palavras com origem no latim e no árabe.
Do Latim: Oliveira é palavra que designa a árvore (olivarius); oliva é o fruto da oliveira (olivae); óleo é o líquido que se extrai da oliva (oleum). Oliveira > Oliva > Óleo
Do Árabe: Se existisse o vocábulo com origem no árabe para a árvore deveria ser azeitoneira; azeitona é o fruto (az-zaytuna); azeite é o líquido que se extrai da azeitona (az-zayt). “Azeitoneira” > Azeitona > Azeite.
Com a presença árabe manteve-se o nome latino da árvore (oliveira), mas o nome do fruto e do seu líquido foi substituído pelas palavras árabes, tendo ficado o que ainda hoje se mantém: oliveira, azeitona e azeite. Após a reconquista ainda se tentou recuperar a palavra latina oliva para designar o fruto, mas oliva nunca saiu de alguns meios mais eruditos. Quanto à palavra óleo voltou a ser utilizada para designar gorduras líquidas naturais que não o azeite e para designar lubrificantes sintéticos, mas o líquido da azeitona ficou sempre azeite.
Outros exemplos em que coexistem palavras com origem no latim e com origem no árabe para designar a mesma coisa ou algo muito semelhante (primeiro o latim e depois o árabe):
[ Argola – anel ] [ enxaqueca – dor de cabeça ] [ tareia – pancada ] [ almanaque – calendário ] [ alforge – saco ] [ achaque – doença ] [ nora – engenho de tirar água ] [ tabefe – bofetada ] [ alcunha – apelido ] [ almofada – travesseira ].
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Acentuação. Português não é para amador. – Observatório da Língua Portuguesa

Um poeta escreveu: “Entre doidos e doídos, prefiro não acentuar”. Às vezes, não acentuar parece mesmo a solução. Eu, por exemplo, prefiro a carne ao carnê. Assim como, obviamente, prefiro o coco ao cocô. No entanto, nem sempre a ausência do acento é favorável… Pense no cágado, por exemplo, o…

Source: Acentuação. Português não é para amador. – Observatório da Língua Portuguesa

O flagelo dos particípios passados – Observatório da Língua Portuguesa

Omitido ou omisso? Ganhado ou ganho? Entregado ou entregue? Encarregado ou encarregue? São perguntas que nos assolam a todos e, na maior parte dos casos, em situações bem pouco cómodas. E porquê? Porque não sabemos a regra e, muitas vezes, não percebemos bem qual o valor destas formas. Então, antes…

Source: O flagelo dos particípios passados – Observatório da Língua Portuguesa

Que ″lusofonia″ é essa?

O conceito de “lusofonia”, embora seja prático, é claramente um conceito ambíguo e limitado, que não exprime toda a complexa realidade constituída e vivenciada pelos povos de língua portuguesa. Afinal – já o escrevi aqui – essa comunidade, em termos demográficos, é afro-europeia e não euro-africana. Culturalmente, é cada vez mais mestiça, marcada de maneira distintiva por traços culturais de origem africana.

Source: Que ″lusofonia″ é essa?

a língua maltratada

Deve dizer-se Câmara DE Lagoa ou Câmara DA Lagoa? Junta DE Arrifes, DE Capelas, ou DAS Capelas e DOS Arrifes?…. Eis o meu artigo publicado hoje, no “Correio dos Açores”…. Nunca peço isto a ninguém. Mas se puderem partilhar, ficarei muito grato. Pode ser que, por intermédio de algum dos meus Amigos/as do facebook, chegue junto de quem de direito, ou, pelo menos, dos muitos assessores/as de imprensa que pululam por aí!
Aqui está
DE ou dA?
A moda suplanta a gramática?
Tornou-se moda reduzir um determinativo de lugar à preposição “de”… Assim, temos, em documentos oficiais, A Câmara DELagoa; a Junta de Freguesia DE Arrifes; a Câmara DE Nordeste e a Junta DE Capelas. Isto para citar apenas alguns casos sem sair de São Miguel.
Nada mais errado! E não sei se ainda vamos a tempo de corrigir o erro. Porque nada pior do que a repetição dele para se pensar que assim é que é. Já para não falar de certo snobismo cultural que vai ditando regras ao sabor do momento e na proporção da indiferença com que as questões da Língua são tratadas.
No caso concreto das denominações de países, províncias, cidades, vilas, freguesias ou lugares, há dois aspectos a considerar: uns nomes pedem artigo definido, masculino ou feminino, no singular ou plural, para serem escritos ou pronunciados. Outros são “neutros” ou, como dizia o Professor José de Almeida Pavão, “indefinidos”.
E aqui estão exemplos: Roma, Paris, Londres, Lisboa, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Vila Franca do Campo, Água de Pau,
São Mateus, e tantos outros… Nenhum destes nomes precisa de artigo definido para ser pronunciado ou escrito.
E por isto mesmo se diz, correctamente: Vou A Lisboa, vim DE Roma, estive EMLondres, ou vivo EM Ponta Delgada. Tudo preposições simples sem qualquer contracção com o artigo definido.
Vejamos agora outros exemplos: tudo nomes de países, cidades, vilas, freguesias e lugares que requerem um artigo a defini-las: O Porto, A Ribeira Grande, A Horta, A Lagoa, OS Açores, OS Arrifes, O Nordeste, A Ribeira das Tainhas (por favor sem acento, e todas as placas estão erradas), A Maia e AS Capelas… Só para dar alguns exemplos.
E aqui todos nós dizemos, e bem: vou AO Porto, estive NA Ribeira Grande, já visitei A Horta, gosto de ir À Lagoa, tenho amor AOS Açores, passarei NOS Arrifes, e estarei NO Nordeste.
A ninguém passa pela cabeça dizer que vivi em Horta, ou vou morar em Lagoa, ou mesmo vou nadar no mar de Capelas. Como estas palavras todas pedem o artigo definido, quando preposicionadas, pedem a contracção da preposição com o artigo definido.
Por isso mesmo deve dizer-se a Vila DAS Capelas (contracção da preposição DE, mais o artigo definido do plural AS); Concelho, ou Câmara DA Lagoa, do Nordeste ou DA Ribeira Grande ( contracção da preposição DE, mais o artigo definido, no plural, feminino ou masculino A/O, conforme os casos).
Nunca percebi o porquê da moda que agora se vê em muitos lados, quando se escreve a Câmara DE Nordeste, a cidade DE Lagoa, ou a Junta DE Arrifes.
É natural que este meu alerta venha a cair em saco-roto, até porque me poderão dizer que não sou académico, nem tenho autoridade para opinar sobre a matéria. Mas acho que, em questões destas, basta conhecer o básico de uma gramática e acima de tudo estar atento ao senso comum. Se ninguém diz: eu vou A Arrifes, porquê Junta de Arrifes? Se ninguém diz: estive EM Lagoa, mas sim NA Lagoa, porque cidade DE Lagoa?
Deixo o assunto à consideração de cada um dos responsáveis, com a certeza de que quem tiver coragem de se demarcar de modas para se guiar pela gramática, ganhará pontos. Não dá votos, mas há mais vida para além dos votos!
Santos Narciso
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PAULA SOUSA LIMA Acerca das palavras XXXII – gramática implícita

AMIGOS, cá vai a crónica de Sábado, no Açoriano Oriental.
Acerca das palavras XXXII – gramática implícita
De há uns tempos para cá, tenho publicado (não “postado”, que há palavra portuguesa) no Facebook pequenos textos onde exponho medonhos erros de língua, erros esses que vou “pescando” aqui e ali e para os quais proponho a justa correção. Dos muitos “gostos” (não “likes”, pois há, novamente, palavra portuguesa) que tenho recebido, não pequena parte acrescentam comentários – e deveras interessantes, devo dizer. Forma-se, naquele espaço da rede social, uma espécie de tertúlia de gente interessada na nossa língua, que, muitas vezes, de forma direta ou indireta, formula esta pergunta: porquê? Por que razão tantos falam e/ou escrevem de forma tão errada?
Uma das comentadoras do Facebook, entusiasta da língua portuguesa, não duvido, deu esta explicação: quem comete os tais medonhos erros é burro e atrasado mental. Não me vou aqui pronunciar sobre a falta de bom-senso de quem assim falou, até porque já muita gente lhe demostrou o seu repúdio; interessa-me, tão-somente, esclarecer o que já na “rede” esclareci: quem comete erros de língua não é burro nem atrasado mental, pode ser mesmo muito inteligente e capaz, simplesmente não teve boas referências linguísticas. De facto, ninguém aprende a falar pelos livros nem tendo aberta ao lado uma gramática. Aprende-se a falar mimeticamente, isto é, por imitação dos discursos ouvidos recorrentemente no dia-a-dia, portanto aprende-se a falar de forma natural e espontânea. A partir desta imitação, vão-se, intuitivamente, desenvolvendo “regras”, as quais passam a configurar a chamada gramática implícita, que todos possuímos muito antes de conhecermos as regras prescritas pela gramática normativa.
E é a gramática implícita que nos “regula” quando falamos, não a gramática aprendida nos bancos da escola, infelizmente. De facto, os modelos que copiámos na infância e que, muitas vezes, continuam presentes ao longo da nossa vida vão ter sempre mais poder do que aqueles que nos são ensinados formalmente, na escola. Ou, dito de outro modo, o que uma pessoa ouviu e continua a ouvir dos pais, vizinhos, colegas, amigos, enfim, daqueles que fazem parte do seu “habitat natural”, vai ser mais relevante do que uma série de regras ouvidas duas vezes por semana na aula de Português. Fala com correção aquele que sempre ouviu falar bem, fala erradamente aquele cujo ambiente foi/é composto de maus falantes, de gente que fala mal porque também viveu num ambiente propício a uma deficiente gramática implícita. E, as mais das vezes, a escrita reproduz discursos orais, logo se uma pessoa fala com erros, também os comete na escrita.
Não há, portanto, nada a fazer? Há, claro que há. Ensinar, persistir no ensinar, corrigir, persistir na correção. E mostrar que falar e escrever de forma correta é fundamental para bem se fazer compreender e para se ser um cidadão completo. Mas substituir a gramática implícita pelas regras corretas da gramática formal depende, sobretudo, da vontade de cada pessoa. Em não querendo alguém modificar a maneira como fala e escreve, em desejando continuar a falar e a escrever como sempre falou e escreveu, pouco ou nada há a fazer. Não deixa de ser relevante, e muito, que a pessoa com défices no falar e no escrever mude de ambiente linguístico, o que, supostamente, acontece na escola. Porém… Ah, isso é que é complicado. É que na escola há apenas professores de Português. Dos restantes, muitos estimam a nossa língua, falam e escrevem com correção. Mas também bastantes há que displicentemente usam a língua de Camões.
Tanto queria eu deixar uma mensagem de esperança, mas. O bom uso da nossa língua, a luta contra gramáticas implícitas plenas de erros, isso depende de tantos quereres…
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Linguística para psicólogos. Precisa-se.

A palavra “terapia”, proveniente do grego “therapeia”, é usada em diferentes áreas de conhecimento e na língua corrente, significando, de acordo com a Infopédia, “meio ou método usado para tratar determinada doença ou estado patológico; tratamento; terapêutica”. Há atualmente terapias para todos os gostos: e.g. familiar, sexual, da fala, do casal, de grupo, psicoterapia, isto para ficarmos só no âmbito da psicologia. A necessidade de terapia pressupõe a existência, no indivíduo ou no grupo, de um distúrbio, doença ou patologia.

Source: Linguística para psicólogos. Precisa-se.