VASCO CALLIXTO O ÚLTIMO ARTIGO

Nunca pensei ter que colocar este post aqui na página! É com alguma tristeza que vejo o amigo Vasco Callixto escrever o seu último artigo. Mas ao mesmo tempo uma enorme alegria e sentimento de nostalgia por ter tido o privilégio de conhecer o escritor mas acima de tudo a pessoa e o amigo. A idade não perdoa, mas o melhor prémio é ter vivido uma longa vida e brindar -nos aos 94 anos com a sua memória indescritível e “fresca”. Não é o fim mas um até já! E vamos celebrar em breve os 95 anos duma vida tão preenchida! Obrigado e um bem haja por ter aprendido tanto a ler os seus artigos mas principalmente a ouvir histórias ricas e bem vividas! 👏

Image may contain: 2 people
Please follow and like us:
error

alastra a censura mundial

UM TELEFONEMA AO SÁBADO À TARDE

A propósito da tese na Ass. Acad. Coimbra de que “cabe aos que são, “em certa parte, considerados os cérebros da sociedade” “consciencializar toda a comunidade””, das ferramentas hoje disponíveis para tais “consciencializações”, e da sociedade que daí resulta:
Ainda neste fim de semana tive um telefonema para Moscovo que dá que pensar.
Uma das minhas filhas está lá há meses representando 1 empresa do ramo da energia. Tem estado com CEO’s, presidentes de Associações do setor, oficiais do FSB… estava na Praça Vermelha quando a polícia começou a montar as barreiras na 1ª manifestação há umas semanas… e sobre tudo isso temos falado longamente pelo WhatsApp e pelo Duo, além dos temas triviais (no início evitávamos pronunciar “FSB”…), sem qualquer problema.
Até que, neste fds, depois da conversa ir longa, lhe perguntei sobre o curso online que está a fazer em Harvard sobre teoria da justiça. Disse-me que o prof. está a introduzir o “utilitarianismo” e o “libertarianismo” (aportuguesou os termos americanos, eu retifiquei, mas os sons dela soaram próximos do inglês), mencionou os nomes “Bentham”, “Stuart Mill”, “Nozick”… eu peguei na obra deste último e perguntei se teria sido contraposta à de “Rawls”, apontei alguns tópicos para esta comparação entre os 2 colegas naquela universidade, e a chamada caiu. Eu e a minha esposa ficamos a especular sobre falhas na net em nossa casa, até que chegou 1 mensagem escrita dela explicando que lhe apareceu de súbito no telemóvel uma imagem institucional, informando que ela estava a violar as leis russas para telecomunicações, pelo que lhe cortavam a chamada.
Se o Duo (como o LinkedIn, a receção de encomendas por particulares, etc.) também está proibido na Rússia, então talvez o corte tenha sido apenas porque foi agora que foi apanhada pelo sistema. Mas a coincidência dá que pensar: é que os sons que usámos naqueles c. de 10mn. são seguramente dos que hão de constar na lista de algum sistema russo como o PRIM americano. Esses serão temas expectáveis em conversas entre partidários de Navalny e quaisquer seus contactos americanos e europeus. Pelo que um algoritmo de vigilância assinalará qualquer uso repetido deles durante uma conversa telefónica vigiada. Entretanto, já hoje falamos sobre uma questão de saúde, e a conversa durou o que quisemos.
Assim, vigilante e “consciencializadora”, é a sociedade que gente que vai desde o menino que preside à Ass. Acad. Coimbra, ou da menina Greta e a sua promessa de “perseguições”, até ao Magnífico Reitor da UC, não percebi se também o Sr. Secretário Geral da ONU… está a tentar implementar (tenham ou não consciência disso).

Continuar a ler alastra a censura mundial

Please follow and like us:
error

Expresso | Paulo Fernandes compra TVI com Abanca e Mário Ferreira

Negócio de compra da Media Capital pela Cofina deverá ficar fechado na próxima quarta-feira e envolverá um investimento de 255 milhões de euros. Paulo Fernandes vai partilhar o capital da TVI com o espanhol Abanca e o empresário Mário Ferreira, que vão tornar-se acionistas da Cofina

Source: Expresso | Paulo Fernandes compra TVI com Abanca e Mário Ferreira

Please follow and like us:
error

El lucrativo negocio detrás de la activista Greta Thunberg

Comments
Please follow and like us:
error

Nónio não. (SE NÃO SABE, LEIA ADIANTE)

No photo description available.
Os truques da imprensa portuguesa

Se não ouviu falar do Nónio, anda distraído.

O Nónio entra-nos pelos olhos, em mais de 70 sites portugueses detidos pelos seis maiores grupos de media portugueses, na forma de um pop-up que nos pede um registo. Sem esse registo é impossível continuar a navegar, pelo que o utilizador que se quiser manter informado através da leitura de vários jornais tem necessariamente de o fazer, ou de pagar a subscrição de múltiplos jornais – o que, para muita gente, não é uma possibilidade.

É um esforço conjunto da quase totalidade dos media portugueses para recolher os dados dos seus utilizadores e juntá-los num saco suficientemente grande para ter interesse para o mercado publicitário. É uma reação ao modelo de negócio decadente, dependente de publicidade, que pendura redações e jornalistas pelo pescoço com o garrote da atenção.

Antes de chegarmos às críticas, importa por isso deixar esta ressalva: a comunicação social precisa efetivamente de reabilitar o seu modelo de negócio, nomeadamente através de estruturas de financiamento inovadoras necessariamente acompanhadas de um aumento da qualidade do jornalismo. O Nónio, contudo, não é uma solução adequada.

O Nónio é uma ferramenta de segmentação de audiências. Quer isto dizer que a plataforma recolhe dados sobre os utilizadores, cria internamente um perfil de interesses de cada utilizador e depois comunica-o ao mercado publicitário, de modo a que cada utilizador veja conteúdos que lhe são “mais relevantes”.
Se isto lhe parece altamente inovador, é porque não vive neste mundo: Facebook e Google já o fazem há muito tempo.

Os problemas são vários e o maior dos quais é que a internet se torna mais personalizada ao gosto de cada um. “Que bom!”. Não. Não é nada bom. Porque é na internet que lemos notícias, artigos científicos, conhecemos pessoas, compramos produtos. Uma internet personalizada empurra-nos para notícias de que gostamos, artigos científicos que confirmam as nossas teses, pessoas que concordam connosco e produtos que já conhecemos. E afasta-nos de tudo o resto, das notícias que mudam as nossas perceções, dos artigos científicos que desmentem os nossos credos, das pessoas que discordam de nós e de todas as coisas que, por serem diferentes, nos aumentam, nos fazem mudar. A internet faz parte da realidade e a realidade não é, nunca é, apenas aquilo que nós gostamos que ela seja.

Não estamos a exagerar. O Nónio, como outros nónios que por aí andam, não serve apenas para personalizar a nossa publicidade. Diz-nos o Nónio que essa segmentação permite “oferecer conteúdos personalizados, como por exemplo, notícias, anúncios e resultados da pesquisa que entendemos que possam ser do seu agrado”. Ou seja: você vai passar a ver o que um nónio qualquer entender que você gosta de ver. Entregámos o nosso comando da televisão aos outros: aos anunciantes, aos partidos políticos, a quem pagar mais.

Uma internet personalizada cria câmaras de eco, em que temos mais do mesmo e menos do que é diferente. Cria bolhas, reforça convicções em vez de as testar e coloca-nos a todos em alto risco de sermos enganados, pelos outros e por nós próprios – sim, porque a maior parte da desinformação começa com a nossa vontade de acreditar no que nos agrada.

Foi, entre outros factores, a segmentação de audiências, a possibilidade de identificar perfis individuais associados a gostos, inclinações políticas, causas relevantes, que permitiu e empresas como a Cambridge Analytica terem um impacto relevante nos resultados do Brexit ou das eleições americanas (entre tantas outras eleições). Foi, sobretudo, a segmentação de audiências que permitiu a consolidação de factos alternativos e de essa realidade, antiga mas outrora pouco eficiente, das fake news.

A publicidade faz parte do mundo da comunicação há muito tempo, e há muito tempo que o sustenta. A tecnologia evoluiu, permitindo um conhecimento cada vez mais invasivo de cada um de nós. Do ponto de vista económico, fez e faz todo o sentido. Do ponto de vista social, está demonstrado o perigo de alimentar este monstro. Do ponto de vista moral, a falência é evidente.

A comunicação social precisa de um novo modelo: é hoje claro para todos. Este poderá até funcionar do ponto de vista financeiro, mas o seu custo é enorme: para o jornalismo, que se torna hipocritamente cúmplice de uma das maiores causas de desinformação e alheamento da realidade; para os leitores, que passam a viver cada vez mais no seu próprio mundo de ideias feitas e semelhantes; e para a sociedade, que se torna, também ela e por consequência praticamente direta, definitivamente segmentada.

Nónio não. Tem de haver alternativa.

PS: O Nónio é um projeto financiado em 900 mil euros pela Google Digital News Initiative.

Continuar a ler Nónio não. (SE NÃO SABE, LEIA ADIANTE)

Please follow and like us:
error