Açores pagam salários dos média privados – JN

Os órgãos de Comunicação Social privados dos Açores vão ser alvo de um “apoio excecional” do Governo Regional do arquipélago, durante os meses de abril e de maio, para evitar despedimentos.

Source: Açores pagam salários dos média privados – JN

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rtp em linha sobre o covid19

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O governo aprovou um pacote de medidas para ajudar as famílias e as empresas mais afetadas pela pandemia do Covid-19, agora que Portugal se encontra na terceira fase de resposta à infeção pelo novo coronavírus. O objetivo destas medidas visa assegurar rendimento às pessoas e liquidez às empresas protegendo o emprego, quando ainda não há um acordo europeu para fazer face ao problema. O pacote de medidas de apoio social e económico vai estar em debate no especial da RTP3 Covid-19 \ Linha Direta, hoje às 4 da tarde. O jornalista Pedro Sousa Carvalho vai estar em estúdio para ajudar a responder às perguntas dos telespetadores. Inscreva-se e participe através do número 21 794 61 19.

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Covid-19. A situação ao minuto do novo coronavírus no país e no mundo
RTP.PT
Covid-19. A situação ao minuto do novo coronavírus no país e no mundo

Covid-19. A situação ao minuto do novo coronavírus no país e no mundo

RTP Notícias Dados atuais DGS\Caracterização Clinica dos casos confirmados:
– Febre 51%
– Tosse 62%
– Dificuldade respiratória 19%
– Cefaleia 28%
– Dores musculares 35%
– Fraqueza generalizada 24%.
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ELOGIO Autoridade de Saúde Regional (ASR), o enf.º Dr Tiago Lopes, diretor Regional da Saúde

APLAUSO

Tenho, de vez em quando, neste espaço, comentado o que se passa na conferência de imprensa diária do porta-voz da Autoridade de Saúde Regional (ASR), o enf.º Tiago Lopes, diretor Regional da Saúde, sobre a evolução da pandemia nos Açores.

Já elogiei e já critiquei. Elogiando, procurei estimular; criticando, tive a intenção de dar um contributo positivo numa altura em que o esforço de todos é necessário.

Volto a elogiar.

Tive conhecimento de que a ASR abriu a possibilidade de participação, na conferência de imprensa, de órgãos de comunicação social (OCS) e respetivos jornalistas, de fora da ilha Terceira, através de perguntas previamente remetidas e que seriam colocadas na ocasião própria por uma assessora de imprensa.

Enviei, em nome da ANTENA NOVE, duas perguntas e obtive, já hoje, as respostas.

Não é, porém, sobre as «minhas» perguntas que me importa falar. Quero realçar a possibilidade que foi criada de haver um maior leque de jornalistas e OCS presentes, ainda que de forma indireta. Além de enriquecer a conferência de imprensa em si e a mensagem que dela se extrai, esta abertura mostra uma visão correta da forma como o acesso à informação deve ser assegurado, principalmente num arquipélago, que, por natureza, cria obstáculos na mobilidade, agora agravados com as restrições associadas à pandemia.

Não sei de quem foi a decisão, mas ela é merecedora de aplauso.

Por fim, gostaria também de deixar uma palavra de muito apreço às pessoas com quem tenho contactado e que fazem parte do stafe da ASR pelo modo corretíssimo como, num período de grande tensão e exigência, atendem às solicitações e como, com grande competência, têm respondido a inúmeras dúvidas que, naturalmente, surgem em processos complicados como o que ora se vive.

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POR FAVOR LIMITEM A INFO COVID-19 A UMA HORA DE MANHÃ E OUTRA DE TARDE

Bom mesmo seria limitar o excesso de informação/ desinformação.
Uma hora de manhã e outra à noite.
É todo o dia nisto. Até mete medo.
De saturação, daqui a meia dúzia de dias ninguém vai ligar a nada – o que será mau.

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notícias pg global 19-3-20

PÁGINA GLOBAL

Portugal | Juntos nesta trincheira

Posted: 19 Mar 2020 01:08 AM PDT

Jornal de Notícias | editorial

É natural que nos sintamos atordoados. É natural que nos sintamos assustados. É natural porque a nossa vida, a de cada um e a do país, sofreu um abalo extraordinariamente duro.

Em pouco mais de um mês, fomos confrontados com a necessidade de alterarmos a forma como nos relacionamos, como nos deslocamos, como comunicamos, como nos alimentamos e como trabalhamos. Não há atenuantes que suavizem o que nos espera. Vamos ter de ser pacientes. Vamos, sobretudo, ter de enfrentar aquele que porventura será o maior desafio geracional de Portugal com um abnegado sentido patriótico e um tremendo dever de solidariedade.

Como tão apropriadamente o caracterizou o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na comunicação solene que fez ao país para explicar os contornos da declaração do estado de emergência, estamos no meio de uma guerra. Não há barricadas físicas nem rajadas de tiros, mas os efeitos destruidores desta pandemia serão prolongados no tempo e transversais no alcance. O pico está previsto para meados de abril e o regresso a alguma normalidade não acontecerá, na melhor das hipóteses, antes do final de maio, de acordo com as previsões do primeiro-ministro António Costa.

A prioridade deve ser conter o surto e mitigar os seus efeitos, reforçando, cumulativamente, os cuidados assistenciais e de saúde, num Serviço Nacional de Saúde que não é à prova de pandemias, mas que conta com profissionais exemplares. Do Estado podemos – e devemos – esperar muito, mas não podemos esperar milagres. Ainda assim, e num quadro de grandes restrições na circulação e na atividade económica, é fundamental que sobretudo os mais desfavorecidos, os idosos e os doentes – no fundo, todos aqueles que não possuem uma retaguarda – estejam na linha da frente das prioridades em matéria de apoios sociais públicos.

Portugal tem de ser resiliente, mas tem antes de mais de ser solidário. Todos são chamados a desembainhar a espada contra este vírus maldito. O país precisa dos que engrossam as fileiras de setores-chave que continuarão a sua atividade, dos grandes grupos económicos e dos bancos que não podem abster-se da sua responsabilidade social, das pequenas e médias empresas que são quem, na verdade, faz andar o motor da economia. Manter, por isso, no meio deste turbilhão, a possível normalidade económica é fundamental para aliviar ao máximo os impactos de um cenário pós-crise. Ajudar quem mantém empregos para ajudar quem deles depende é, para além da contenção sanitária da pandemia e da gestão equilibrada das restrições a algumas das nossas liberdades individuais, o maior desafio que temos pela frente.

Porque não há outra forma de vencer esta guerra que não seja deste modo: juntos, numa trincheira invisível a disparar coragem sobre um inimigo que não tem rosto.

Portugal | JÁ ESTAMOS EM ESTADO DE EMERGÊNCIA

Posted: 18 Mar 2020 03:00 PM PDT

Quanto mais cedo radicalizarmos o combate, quando mais depressa formos capazes de interromper as cadeias de transmissão do vírus, menos consequências poderemos sofrer

Manuel Carvalho | Público | editorial

Faz sentido declarar já o estado de emergência, depois de a maioria esmagadora da população portuguesa ter revelado sentido cívico recolhendo-se em casa, depois de haver várias medidas que proíbem ou controlam a concentração de pessoas, depois de os restaurantes, os bares ou os cinemas terem fechado? Faz todo o sentido. O primeiro-ministro tem razão ao notar que a batalha das nossas vidas vai durar meses e que é prudente avaliar o uso de todas as armas logo no princípio. Mas todos nós percebemos que quanto mais cedo radicalizarmos o combate, quando mais depressa formos capazes de interromper as cadeias de transmissão do vírus, menos consequências poderemos sofrer. E mesmo que o estado de emergência não altere significativamente o modo de vida que a maioria dos portugueses já adoptou, o simples facto de ter sido activado vai servir para convencer os mais recalcitrantes ou os que teimam em considerar que a epidemia não passa de um exagero.

O estado de emergência que o Presidente parece querer já, que o primeiro-ministro parece querer decidir após mais experiência e reflexão sobre a realidade e que a generalidade dos partidos da oposição aprova tem ainda uma outra enorme vantagem: desarma o alarmismo fatalista dos que sabem tudo, incluindo como agir num tempo absolutamente novo. Alguém dizer que o Governo, ou o Presidente, ou o Ministério da Saúde estão à margem da realidade e não actuam como deviam é um dos maiores perigos com que o combate à covid-19 se defronta.

Não é populismo, nem cedência aos impulsos primários dos cidadãos que se trata: é a urgência de garantir a cumplicidade das pessoas e de criar um sentimento de comunidade que precisamos mais do que nunca para derrotar a epidemia. Em momentos drásticos como o de hoje, é necessário recorrer a medidas drásticas. Essa atitude não bastará para travar as consequências da doença. Mas servirá ao menos para todos sentirem que o seu esforço, o seu desconforto e as suas ansiedades são reflectidas por quem nos governa.

PS – A partir desta terça-feira, as redacções de Lisboa e Porto do PÚBLICO passam a funcionar em teletrabalho. Também aqui entraremos num território desconhecido. Esta é a única forma de garantirmos nos próximos tempos a prestação do serviço público de informação credível que, no actual contexto, é mais importante do que nunca. Esta mudança não nos afastará dos lugares ou das pessoas que estão no epicentro desta crise sanitária. Não implicará restrições na circulação da sua edição impressa. Nem afectará o volume e a profundidade dos trabalhos que publicamos na edição digital. Como até agora, o país pode contar com o PÚBLICO.

Leia em Público:

»Estado de emergência declarado. Que poderes ganhou o Governo?

»Coronavírus: um ano de prisão ou 120 dias de multa para desobediência ao estado de emergência

»Abastecimento de bens essenciais nas lojas garantido mesmo em estado de emergência

»Medidas “excepcionais” aprovadas: não há despejos nem corte de água ou luz

»Ovar, concelho fechado por todos os lados — menos por um

Portugal ouviu declaração do PR Marcelo acerca do Estado de Emergência que declarou

Posted: 18 Mar 2020 01:36 PM PDT

Marcelo: “É uma decisão excecional para um tempo excecional”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou, esta quarta-feira, que o estado de emergência é “uma decisão excecional para um tempo excecional”.

O Estado de Emergência teve parecer positivo do Governo e foi aprovado pelo Parlamento.

“Acabei de decretar o estado de emergência. É uma decisão excecional, para um tempo excecional. Está a ser e vai ser mais intensa, vai durar mais tempo. Vai ser um teste ao nosso Serviço Nacional de Saúde. É um tratamento sem precedente. É um desafio enorme para a nossa maneira de viver e para a nossa saúde”, disse o presidente.

“Apostamos na contenção para tentar evitar o contágio e ganhar tempo para encontrar uma resposta. O Serviço Nacional de Saúde continua a fazer um trabalho notável. Os portugueses disciplinaram-se e foram e têm sido exemplares”, acrescentou Marcelo.

“Muitos esperam um milagre. Entendi ser do interesse nacional dar este passo. Agradeço ao primeiro-ministro e ao Governo por terem aderido. E à Assembleia da República por ter aprovado com prontidão”.

“O que foi aprovado não impõe decisões concretas”, explicou o Presidente da República. “O estado de emergência é um sinal político forte”.

– continua

Tiago Rodrigues ! Jornal de Notícias

Imagem: Miguel Figueiredo Lopes / Presidência da República / Lusa | com inscrição PG

LER NA INTEGRA em Jornal de Notícias

Portugal | PARLAMENTO APROVA ESTADO DE EMERGÊNCIA

Posted: 18 Mar 2020 12:51 PM PDT

Estado de emergência aprovado

O decreto do Presidente da República, que impõe um estado de emergência durante pelo menos 15 dias, foi aprovado com a abstenção de PCP, PEV, Iniciativa Liberal e da deputada Joaine Katar Moreira, e com os votos a favor dos restantes partidos.

Debate vai continuar

Fernando Negrão anunciou que, devido ao facto de o Governo querer fazer alterações a algumas medidas que propôs, os trabalhos fazem um intervalo de 15 minutos e retomam às 19h10.

Ministra da Presidência agradece aos partidos

Mariana Vieira da SIlva, ministra da Presidência, agradeceu a vontade de os partidos “continuarem a colaborar” com o Governo através da apresentação de várias propostas. Também disse que o governo vai continuar a estudar medidas e sublinhou que não vai propor nada que não possa cumprir.

André Ventura também vota ao lado do Governo

O deputado do Chega disse que “podemos dispensar o visto prévio” à fiscalização pelo Tribunal de Contas.

Acrescentou que “não podemos permitir despedimentos, mas também temos de ter o maior pacote financeiro da nossa historia” e que “vamos precisar de um orçamento retificativo”.

Joacine pede “olhos bem abertos” durante estado de emergência

A deputada não inscrita falou sobretudo sobre o estado de emergência. “O que mais me inquieta é a suspensão do direito de resistência: Não há democracia sem direito de resistência. Portanto, mantenhamo-nos de olhos bem abertos e façamos um esforço nacional para que o nosso enfoque seja combater a pandemia”, disse.

Iniciativa Liberal também vota a favor

João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, revelou que vota a favor da isenção da fiscalização pelo Tribunal de Contas. Quanto Às restantes propostas do Governo, irá votá-las “caso a caso”.

Sem concretizar, também se insurgiu contra partidos que, na sua opinião, se têm aproveitado “escandalosamente” do surto de Covid-19.

João Paulo Correia (PS) fala em “equilíbrio entre urgência e ponderação”

João Paulo Correia, do PS, enunciou as medidas aprovadas pelo Governo no dia 13, dizendo que estas correspondem a um “equilíbrio entre a urgência e a ponderação”.

Dizendo ouviu propostas “contraditórias” por parte da oposição, atribuindo essa situação ao facto de ter havido pouco tempo para debater e propondo uma nova sessão plenária para breve.

PAN lembra grupos vulneráveis

Bebiana Cunha, do PAN, denunciou as empresas que têm pressionado os trabalhadores a tirarem férias e apontou a necessidade de proteger setores mais vulneráveis como idosos, sem abrigo ou vítimas de violência doméstica.

“Também a banca tem, agora, o dever de retribuir aos portugueses”, concluiu.

CDS também apoia isenção de fiscalização

Telmo Correia, líder parlamentar do CDS, diz que a proposta de isenção de fiscalização por parte do Tribunal de contas “faz todo o sentido e damos o nosso acordo”.

O CDS, prosseguiu, “terá sempre uma posição patriótica”; exigindo apenas em troca “determinação” por parte do Governo.

Quanto a outras medidas recentes por parte do Executivo, considerou que “vão no sentido certo, mas algumas sao tardias” e continuam a ser “insuficientes”.

António Filipe (PCP): “Não deve haver despedimentos”

O deputado do PCP disse que o partido vai apresentar propostas para “que nada falte aos trabalhadores e às empresas que vão ver os rendimentos afetados”.

António Filipe sublinhou que “não deve haver trabalhadores despedidos neste quadro” e que é preciso garantir o direito dos portugueses ao acesso à água, ao gás ou às comunicações, “proteger os arrendatários” ou garantir o abastecimento alimentar. “É preciso que a solidariedade não falte”, concluiu.

BE insiste no fim dos despejos

Pedro Filipe Soares, do BE, diz que estes são momentos para implementar medidas de “proteção ao emprego” e “garantir direitos fundamentais como o direito à habitação”.

Nesse sentido, os bloquistas propõem medidas como a suspensão dos despejos, a garantia de que nenhum português fica sem acesso à água, gás e eletricidade ou a possibilidade de requisição de equipamentos de privados para combater o Covid-19.

PSD vota a favor do diploma do Governo

“O Governo tem todo o nosso apoio” para implementar as medidas que sejam necessárias, disse o deputado social-democrata Afonso Oliveira.

No entanto, disse não ter visto nenhuma medida de apoio ao comércio. “Nenhum setor pode ficar de fora”, considerou.

O deputado do PSD terminou dizendo que, numa altura de crise, “é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa”.

Leia o decreto na íntegra AQUI – em JN

João Vasconcelos e Sousa | Jornal de Notícias |Imagem: Gerardo Santos / Global Imagens – com inscrição por PG

Portugal | O que diz o decreto do estado de emergência? Leia na íntegra

Posted: 18 Mar 2020 12:19 PM PDT

A Presidência da República disponibilizou o decreto presidencial, que foi enviado ao Governo e aprovado em conselho de ministros. Falta agora a aprovação do Parlamento.

Leia o decreto na íntegra AQUI

Alguns pontos de destaque para leitura rápida:

Está prevista a requisição civil de hospitais e empresas.

Fica parcialmente suspenso o direito de deslocação e fixação em qualquer parte do território sendo que as autoridades podem determinar o confinamento compulsivo no domicílio ou estabelecimentos de saúde.

Fica previsto o estabelecimento de cercas sanitárias.

As autoridades podem interditar deslocações e permanência na via pública.

Pode ser determinada a obrigatoriedade de abertura, laboração e funcionamento de empresas e meios de produção ou o seu encerramento. Podem ainda ser impostas outras limitações ou modificações à sua atividade.

Aberta a possibilidade de trabalhadores públicos ou privados poderem prestar funções em local diverso, entidade diversa, condições e horários diversos.

Este ponto aplica-se, nomeadamente, aos setores da saúde; proteção civil; segurança e defesa; e outras atividades como prevenção e combate à propagação da epidemia; produção, distribuição e abastecimento de bens essenciais; operacionalidade de redes e infraestruturas críticas e manutenção da ordem pública.

Fica suspenso o exercício do direito de greve que possa comprometer funcionamento de infraestruturas críticas.

São ainda suspensos os direitos de manifestação e reunião para reduzir o risco de contágio; a liberdade de culto na dimensão coletiva e o direito de resistência.

Após aprovação pelo parlamento, o decreto “entra imediatamente em vigor” por um período de 15 dias.

Jornal de Notícias

Angola | Até que ponto Higino Carneiro pode comprometer João Lourenço?

Posted: 18 Mar 2020 09:50 AM PDT

Quanto mais se aperta o cerco a Higino Carneiro, mais este se torna ameaçador ao Presidente angolano. Ao contrário do clã dos Santos, não dá sinais de recear as consequências da campanha de Lourenço contra a corrupção.

Ao que tudo indica, o general Higino Carneiro não se está a deixar intimidar pela ofensiva de combate à corrupção de João Lourenço. É que supostas provas que comprometeriam o estadista angolano foram divulgadas, deixando-o numa “saia justa”.

Recentemente, o Novo Jornal publicou um artigo sobre empresas que teriam confirmado que o Governo Provincial de Luanda (GPL), gerido por Carneiro de 2016 a 2017, teria patrocinado a campanha eleitoral de João Lourenço para as eleições de 2017.

Desde que foi aberto um processo contra si, em meados de 2018, por suspeitas de corrupção, que Higino Carneiro não hesitou em dar a entender que o dinheiro público não justificado nas contas do GPL teriam beneficiado o próprio Lourenço.

Onde estão as provas?

Apesar das crescentes investidas contra o Presidente, o analista Osvaldo Mboco entende que é preciso mais do que isso.

“É fundamental que se prove estas alegações, de que, de facto algumas empresas alegam que, de facto, houve um financiamento do Presidente João Lourenço”, defende o analista.

E Mboco prossegue: “Por isso é que temos um processo de investigação que está a correr os seus tramites normais sobre esta matéria. Agora, quanto ao depoimento do general Higino Carneiro dar a entender ou não que houve de facto isso, também terá de provar”.

Apertos de cercos

Parece que quanto mais a Justiça angolana aperta o cerco a Carneiro, mais este se torna ameaçador a João Lourenço. Em fevereiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) aumentou esforços para identificar e recuperar em Portugal bens de altas figuras angolanas envolvidas em esquemas de corrupção, entre elas do general.

E a Justiça angolana merece, por esse tipo de ações, um voto de confiança, entende Osvaldo Mboco: “E parece-me que hoje as instituições judiciais começaram, de facto, a criar uma nova dinâmica. E quero crer que, de facto, esses caso será tratado com outros casos que temos assistido no país, porque se assim não for, tendo conta dos argumentos de uma gestão danosa por parte do general Higino Carneiro e não for tomada as devidas medidas poderemos entrar num ciclo que demonstra que estamos perante uma justiça seletiva”.

Isabel dos Santos não conseguiu ir tão longe quanto Carneiro

Mas o general, considerado “intocável”, não foi o único a ameaçar o Presidente angolano em situação de aperto, a filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos também o fez recentemente. Numa entrevista ao Expresso, Isabel dos Santos também ameaçou divulgar os contornos da caça ao voto envolvendo a petrolífera Sonangol. Contudo, a justiça angolana asfixiou-a financeiramente com uma ação, o que terá feito Isabel dos Santos fechar a boca, numa aparente medida de prudência ou medo.

“Quanto as insinuações que foram feitas pela engenheira Isabel dos Santos era fundamental que a engenheira pudesse fundamentar ou apresentar alguns dados ou informações que interferem o seu posicionamento ou que tem informações, que tem provas que possam comprometer a imagem de João Lourenço”, diz Mboco.

Lei admite que candidatos recebam doações

Importa sublinhar que nas eleições de 2017 João Lourenço foi o cabeça de lista do MPLA, partido que governa, e na altura dirigido por José Eduardo dos Santos. O facto de ter sido escolhido por eleição indireta dá ao atual Presidente margem para imputar responsabilidades ao MPLA em caso de se apresentarem provas contra si?

Para Luís Jimbo é especialista em eleições “este não é um problema, não é um facto, o facto é como é que o dinheiro foi dado. Porque se foi dado nos termos da lei, como doação, não importa se foi João Lourenço que recebeu ou se foi o partido que recebeu. A Lei admite que os candidatos recebam doações.”

Contudo, o especialista recorda que não será fácil provar que foram doações ao candidato do MPLA, mas as revelações das empresas comprometem politicamente uma elite no partido.

Consequências para João Lourenço?

E se o general Carneiro vier, de facto, a comprometer o Presidente angolano, como tem estado a sinalizar, quais seriam as consequências para a imagem de João Lourenço e para uma das maiores bandeiras do seu Governo, a luta contra a corrupção?

“As consequências seriam logo a partida a desacreditação por parte da população, porque vamos ter elementos que vão contrariar o discurso do Presidente [de combate à corrupção]. Mas só as investigações é que poderão, de facto, determinar o curso dessa pretensão”, responde Mboco.

Higino Carneiro foi constituído arguido em fevereiro de 2019. Mas o general é também deputado e por isso coberto por imunidade. De qualquer forma o especialista em eleições Luís Jimbo acredita que este caso não passará do nível da especulação e da querela política.

Nádia Issufo | Deutsche Welle

Ataque de Sissoco a Angola e ao seu Presidente pode complicar relações

Posted: 18 Mar 2020 09:37 AM PDT

 

A forma como Umaro Sissoco Embaló se dirigiu ao Presidente João Lourenço e ao seu país não se enquadra nas relações internacionais, alerta especialista em relações internacionais.

É a primeira vez que uma “autoridade” política guineense ataca, publicamente, um homólogo angolano e o seu país, desde o início das relações políticas e diplomáticas entre os dois países, que já duram desde a luta armada para a independência dos dois estados.

As declarações do dia 13 de março, proferidas por Umaro Sissoco Embaló, declarado como Presidente da Guiné-Bissau pela CNE, podem minar as relações entre os dois estados, observa, Midana Pinhel, especialista em relações internacionais.

“Essas declarações com certeza vão minar as relações com Angola, caso o poder que está instalado na Guiné-Bissau venha-se consolidar. Como se sabe, Angola não é só um país lusófono, mas é um país tradicionalmente amigo da Guiné-Bissau, que independentemente disso, estamos num mundo globalizado em que os parceiros e as relações internacionais devem ser cada vez mais próximos um do outro”, avalia Pinhel.

“Quando se trata de um poder que ainda tenta afirmar-se e ter um reconhecimento internacional, eu acho que este tipo de discurso não é recomendável por aquilo que se espera da consolidação de um poder que ainda não se encaixa no quadro legitimo e nem num quadro legal da ordem constitucional da Guiné-Bissau”, diz o especialista.

Mas na opinião do comentador político Françoal Dias, não deve haver motivos para alarme. “A Guiné-Bissau e Angola são países irmãos e por declarações de um ou de outro lado, ou qualquer que seja, não deve ser interpretado como motivo para corte de relações entre os países. Vamos lembrar que as relações são entre os estados e não entre os indivíduos”, sublinha.

O ataque de Embaló

Na semana passada, proveniente de um périplo a alguns países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Embaló insurgiu-se contra uma alegada posição de Angola em relação à situação na Guiné-Bissau.

“Disparou” contra Angola e o seu Presidente João Lourenço, a quem acusa de ingratidão: “Penso que o país mais violento que existe no século XX e XXI é Angola e mataram-se entre eles irmãos. Podem imaginar eu, Umaro Sissoco Embaló, a pegar no filho de José Mário Vaz e pô-lo nos calabouços ou pegar a família de Mário Vaz e pô-la nos calabouços? Eu não sou ingrato. Mas o meu homólogo angolano está a perseguir quem lhe deu o poder de bandeja, eu sou eleito pelo povo, mas João Lourenço foi posto no poder por José Eduardo dos Santos, que é um homem que deu paz a Angola.”

Melhor é fazer sempre amigos

Perante essas declarações de Umaro Sissoco Embaló, Midana Pinhel defende que, as autoridades em funções na Guiné-Bissau devem procurar melhorar as relações com Angola, através do diálogo.

“Devem criar um fórum em que se tente estabelecer e estreitar as relações, porque senão isto só pode continuar a minar e dificultar um reconhecimento, a nível internacional deste poder”, sugere Pinhel.

E o especialista em relações internacionais lembra o seguinte: “Em relações internacionais devemos preocupar-nos sempre em ter mais amigos, porque só temos a ganhar, independentemente de um Estado, por mais longe que esteja dos nossos interesses, e sem relações históricas tradicionais, é sempre recomendável e desejável os discursos de amizade, como fazem os diplomatas.”

O apoio de Angola

Angola foi um dos países que apoiou financeiramente o processo eleitoral na Guiné-Bissau, contribuindo, em 2019, para as eleições legislativas, com um milhão de dólares.

Entre 2010 e 2012, uma missão técnica militar angolana esteve na Guiné-Bissau, para ajudar as autoridades na implementação das reformas nos setores da Defesa e Segurança. Mas a equipa acabou por ser descartada, depois do golpe de Estado que depôs o regime de Carlos Gomes Júnior.

Iancuba Dansó (Bissau) | Deutsche Welle

Covid-19: STP declara Estado de Emergência e proíbe de entrada de estrangeiros

Posted: 18 Mar 2020 09:25 AM PDT

São Tomé, 17 Mar ( STP-Press ) – O presidente são-tomense, Evaristo Carvalho decretou hoje o Estado de Emergência Nacional para prevenção ao coronavírus [ Covid-19], tendo o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus anunciado a proibição de entrada ao País de todos cidadãos estrangeiros” entre outras medidas de exceção face a pandemia.

No âmbito do Estado de Emergência Nacional decretado pelo Presidente da República, Evaristo Carvalho face a pandemia de coronavírus, o governo em conselho de ministros decidiu hoje decretar a “proibição de entrada no País de todos os cidadãos estrangeiros”, de acordo com o Chefe do executivo, Jorge Bom Jesus.

Bom Jesus disse que “os cidadãos nacionais e estrangeiros residentes, que regressem ao País, serão sujeitos a quarentena domiciliária obrigatória e devidamente acompanhados pelos agentes da saúde e autoridades policiais”.

Tendo decretado que está autorizada a entrada de missões técnicas e governamentais, à convite do Estado São-tomense, sob a condição de apresentação de teste de despiste do coronavírus efetuados nos aeroportos de origem, Jesus disse que “fica proibida a aterragem de voos charters nos aeroportos de São Tomé e do Príncipe e acostagem dos navios de cruzeiro nos dois portos”.

“O abastecimento de materiais e consumíveis hospitalares, em regime de urgência, serão acautelados por voos fretados para o efeito, em caso de ausência de voos comerciais” adiantou.

No que toca aos navios de mercadoria, de pesca e barcos recreativos, fica proibido o desembarque dos tripulantes e passageiros nos portos de São Tomé e do Príncipe, bem como encerramento de todas as escolas públicas e privadas do País, com efeito a partir das 18h do dia 20 de março de 2020;

Ficam proibidas todas as concentrações públicas de caracter cultural, recreativo, religioso, desportivo e lúdico, incluindo o funcionamento das discotecas, “fundões” e festas populares, a partir das 18h do dia 20 de Março de 2020 bem como a suspensão da emissão e atribuição de passaportes diplomáticos e de serviço aos agentes do Estado, excetuando as situações de emergência, devidamente validadas pelo Primeiro-ministro e Chefe do Governo.

Disse ainda que “para além dessas medidas, pode ainda o Governo adotar as medidas sanitárias que se impuserem como absolutamente necessárias, em função da evolução da pandemia”.

Bom Jesus explicou que “estas medidas foram decretadas na 58ª Sessão do Conselho de Ministros, em 17/03/2020, e fazem parte de um Decreto-lei que entra imediatamente em vigor e produz efeitos a partir das 08:00h do dia 19 de Março de 2020, tendo a duração de 15 dias, prorrogáveis por igual período, até ao limite máximo de 90 dias.

O Presidente Evaristo Carvalho na sua mensagem face a pandemia sublinhou que“ até ao momento, São Tomé e Príncipe não foi tocado pelo novo coronavírus” acrescentando que “ o País não registou um único caso. O meu apreço pelas medidas que vêm sendo adotadas pelo governo para impedir a entrada da doença no País. O meu reconhecimento e encorajamento aos serviços competentes do Estado”.

Além de ter declarado que “ tudo terá que ser feito para que esse vírus não entre em São Tomé e Príncipe” o Presidente Evaristo Carvalho sublinhou que “ do mesmo modo, tudo terá que ser feito para que o vírus não se propague, caso um dia venha entrar”.

“Após a autorização da Assembleia Nacional, decidi declarar o Estado de Emergência Nacional nos termos da Constituição da República para a melhor gestão da crise” disse Carvalho, sublinhado que “ como tempos de exceção exigem medidas de exceção, seguindo o aviso das autoridades sanitárias nacionais e da OMS, fazendo a necessária concertação com as altas autoridades do Estado”.

Tendo declarado que “ neste âmbito, serão tomadas medidas excecionais atinentes a direito, liberdade e garantia”, presidente Evaristo Carvalho disse que “ essas medidas poderão ser consideras drásticas, mas serão absolutamente necessárias, para a preservação da integridade física dos nossos concidadãos e estrangeiros residentes e para a nossa saúde coletiva”.

Ricardo Neto | STP Press | Imagem: Lourenço da Silva

São Tomé | Prisão preventiva para o deputado que abateu a tiro um cidadão à porta da PJ

Posted: 18 Mar 2020 09:13 AM PDT

São-Tomé, 18 Marc ( STP-Press) – O Tribunal da Primeira Instância de São Tomé e Príncipe decretou esta terça-feira a prisão preventiva do deputado Deolindo da Mata que na segunda-feira disparou mortalmente contra um cidadão cambista de 44 anos, em frente a Polícia Judiciaria, PJ.

Esta medida de coação foi pedida pelo Ministério Público e aplicada pelo Juiz após o primeiro interrogatório ao arguido segundo fontes judiciais.

De acordo ainda com as mesmas fontes, Deolindo da Mata fica em prisão preventiva sob acusação de crime de homicídio qualificado e outro de tentativa de homicídio por ter disparado também contra um segundo cambista que teria ido em socorro da vítima mortal.

Da Mata, deputado da bancada do MLSTP-PSD incorre numa pena de prisão de 20 a 25 anos de acordo com Código Penal são-tomense.

Ainda na terça-feira, a Assembleia Nacional, [Parlamento] e o Governo, através de notas de imprensa, condenaram o acto “criminoso” do deputado, lamentaram o sucedido e endereçaram condolências às famílias enlutadas.

Na tarde do mesmo dia, o corpo da vitima, Carlitos Nólia foi a enterrar acompanhado de familiares, amigos e dirigentes do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), do qual, ambos militam.

Ricardo Neto, jornalista da Agência de Notícias STP-Press

Covid-19: Guiné-Bissau encerra fronteiras

Posted: 18 Mar 2020 08:54 AM PDT

Não há casos confirmados de coronavírus nos PALOP, mas medidas de prevenção estão em curso na África Ocidental. Cabo Verde e Guiné-Bissau suspendem voos. “Vai ser o último Conselho de Ministros”, diz Sissoco Embaló.

Uma série de medidas preventivas no âmbito da pandemia da covid-19 entraram em vigor nesta quarta-feira (18.03) na Guiné-Bissau. O plano foi anunciado por Umaro Sissoco Embaló – o candidato declarado vencedor das presidenciais de 2019 pela Comissão Nacional de Eleições e que tomou posse simbólica como Presidente a 27 de fevereiro.

A Guiné-Bissau amanheceu com as fronteiras fechadas e o aeroporto da capital interditado para aterragens. Escolas públicas e privadas permanecerão encerradas, tal como todos os mercados. Mantêm-se apenas disponíveis os serviços essenciais para abastecimento de bens de primeira necessidade.

“[Quarta-feira] vai ser o último Conselho de Ministros”, revelou Sissoco Embaló que pediu ao povo guineense para se manter unido. “Lanço um apelo, o país está em alerta contra um inimigo invisível. Estamos muito preocupados com o flagelo do covid-19 e apelo à unidade nacional”, disse.

Bares e discotecas já tinham sido encerrados pelas autoridades guineenses que também tinham suspendido a realização de espectáculos, concertos e de cerimónias religiosas e tradicionais.

Considerado um dos países mais pobres do mundo, a Guiné-Bissau tem um sistema de saúde bastante frágil, sem grande capacidade de resposta – apesar de os especialistas estarem habituados a lidar com epidemias como a cólera.

Cabo Verde suspende voos

A partir desta quinta-feira (19.03), estão suspensas as ligações aéreas de Cabo Verde com 26 países assinalados com a pandemia de Covid-19, segundo resolução do Conselho de Ministros. Esta decisão será válida pelo menos até 9 de abril e, de acordo com a resolução, é justificada face ao “intenso fluxo de ligações aéreas” ao país.

A lista de países com voos interditos para Cabo Verde integra Alemanha, Portugal, Marrocos, Senegal, Nigéria, Brasil e os Estados Unidos. Até ao momento, todas as análises aos vários casos suspeitos de Covid-19 em Cabo Verde deram resultado negativo.

Reportando a números da do início da semana, a Comunidade de Países da África Ocidental (CEDEAO) deu conta da existência de 38 casos de infeção pelo coronavírus em seis dos seus 15 Estados-membros, apontando que apenas o Senegal tinha um foco local de transmissão.

No comunicado, a CEDEAO estima como efeitos económicos negativos da pandemia a quebra nas receitas provenientes do comércio de matérias-primas, pressões inflacionistas causadas pela escassez de abastecimento de comida e medicamentos, redução do investimento e gastos em saúde que não foram previstos no orçamento público.

A CEDEAO suspendeu todas as missões não críticas e de todos os encontros com participantes internacionais, como medidas de prevenção no contexto da pandemia Covid-19.

Os números em África

O continente africano tem sido o menos atingido pela pandemia de coronavírus, registando atualmente 450 casos em 30 países. Os mais afetados são o Egito (150 casos), a África do Sul (62 casos), e a Argélia (60 casos). O primeiro caso em África foi registado no Egito a 14 de Fevereiro. Os países com mais casos estão no norte da África, onde 10 mortes foram já confirmadas.

O Senegal é o mais afetado na África Ocidental, com 27 casos – a maioria deles foi infetada por um único cidadão que tinha regressado de Itália. Como consequência, as comunidades muçulmanas suspenderam as festividades religiosas planeadas para este mês. As autoridades tunisinas também suspenderam as orações em grupo, inclusive às sextas-feiras.

Pelo menos 13 países do continente fecharam ou estão a preparar-se para encerrar as escolas até ao nível universitário. Tal como a Guiné-Bissau e Cabo Verde, vários países africanos estão a limitar as fronteiras por tempo indeterminado.

Marrocos interrompeu todos os voos internacionais e outros países estão a proibir voos. Foi o que fez o Senegal, Togo, Madagascar, Quénia, Gana, África do Sul e Costa do Marfim. Zâmbia, Nigéria, Gana e Guiné Equatorial estão entre os que insistem em quarentena para viajantes de países de alto risco.

Marta Cardoso, com agências | Deutsche Welle

ENTRE MORTOS E DOENTES ALGUÉM HÁ-DE ESCAPAR

Posted: 18 Mar 2020 03:47 PM PDT

Quando algo que temos de fazer e nos custa, há aquela definição que é dita: sangue, suor e lágrimas. Por estas últimas semanas a definição é outra: coronavírus, medo e morte. Mas pelo meio fica a luta com que muitos têm vencido a terrível doença que ameaça a humanidade. Não pensem que não há, uma luz ao fundo do túnel.

É por causa desse terrível vírus, também chamado por Covid-19, que surgem questões para além do medo que a tantos assola justificadamente. Estado de Emergência? Injeções de milhões à economia? Cercas sanitárias aqui e ali em casos justificados, em vilas e cidades? Nunca antes se vira isto, o caos o mais possível bem organizado no combate. Todos os dias se apela à recorrência a medidas quase extremas… Vai ser assim que entre mortos e os mais ou menos gravemente doentes que alguém há-de escapar. E a maioria tem escapado.

Opiniões (também estas) falíveis e infalíveis. Concordantes ou discordantes… Que opiniões podemos ter, com sucesso rápido, face à presença de inimigo tão poderoso nesta guerra contra o coronavírus? Dai tempo ao tempo, dizem os antigos. E é isso. As medidas impostas vão nesse sentido. Dar luta ao inimigo mas não perder a cabeça. Fazer certo o mais possível e não perder a cabeça, não nos precipitarmos. E como é que isso se faz? Não sabemos exatamente. Estamos perante um sorrateiro novo inimigo que é letal. É, afinal, uma arma de destruição massiva que importa descobrir quem a ativou, sabendo nós que já faz parte do arsenal de países que têm por lá elites e lideres militares aloucados, desumanos, extremistas. Fulanos que desprezam a humanidade e só vêem o lucro e os seus umbigos.

Há os que defendem a tese de que o vírus manipulado foi criado e libertado para exterminar os velhos… Arma capitalista com componente de servir vários objetivos, sendo um deles poupar nas reformas que os velhos auferem. Morrendo já não precisam delas. Bate certo, Mas não bate certo. Há juventude a morrer, não são só os velhos. Sendo verdade que aqueles, os velhos, são os mais fragilizados. Bem, este mundo está louco, é o que se sabe por nada se saber. Os povos pensam tão mal das deformações morais dos líderes – servis executantes dos tais 1% que dominam o mundo – que já vêem em todo o lado, em todos os acontecimentos negativos, gente francamente hedionda, criminosa, assassina, em prol da posse quase exclusiva do vil metal e da posse de bens imensuráveis…

Será isso certo? Não sabemos. Talvez seja tudo muito mais simples e que a causa esteja na natureza desrespeitada a vingar-se com a sabedoria inquestionável com que se organiza para nos exibir e causar hecatombes. O ideal era que a humanidade aprendesse a respeitá-la em vez dos deuses. Sim, porque ela é o próprio deus que regula diariamente, ao milésimo de segundo, este planeta que é a nossa casa.

Desistamos pois de não aprender com os erros. Aprendamos que o erro, o mal, é principalmente um: o capitalismo selvagem, a ganância, a desumanidade associada por via da exploração e mortandade que causa. Essa sim, tão ou mais perigosa que o Covid-19. Globalmente. Testemunham-no as vítimas que causa todos os dias, a todas as horas, de minuto a minuto. Quanto ganham, esses tais dos 1% por cada morte, por cada assassínio definido como danos colaterais apesar de em consciência premeditados?

Assim sendo, o que fazer? Todos sabem. Todos sabemos. Pena que sejam poucos (apesar de serem milhões) os que estão dispostos a dar a cara para derrotar esse vírus, principal explorador e inimigo da humanidade.

O Expresso Curto a seguir, atrasado mas sempre disposto a trazer algo para derrotar o desconhecimento.

Bom resto de dia. Avante, para o Curto, já!

MM | PG

Mandar já fechar isto tudo? Ou ir fechando aos poucos?

Pedro Lima | Expresso

Bom dia

Este vai ser um dia importante, porque é o dia em que o Presidente da República vai finalmente dizer como vai ser a nossa vida daqui para a frente. O combate à pandemia de Covid-19 é um combate para o qual todos somos convocados, a questão é saber se seremos forçados a fazê-lo mais depressa com a declaração do estado de emergência ou se nos será dada a responsabilidade de o irmos fazendo voluntariamente num quadro crescente de restrições. Qualquer das hipóteses encerra riscos, mas está na hora de decidir e depois agir em conformidade, qualquer que seja a decisão.

Marcelo Rebelo de Sousa quer decretar o estado de emergência e já tem o decreto preparado nesse sentido. O Conselho de Estado vai reunir às 10 horas a pedido do Presidente para analisar a situação. São 19 pessoas sentadas à volta de uma ‘mesa virtual’ – o encontro será feito por videoconferência. Se o Conselho de Estado der luz verde e se depois a Assembleia da República confirmar, o estado de emergência no país poderá começar logo à meia-noite.

O Presidente da República fez um segundo teste à doença, que deu negativo e voltou de imediato ao trabalho no Palácio de Belém. Não havia grandes dúvidas de que pretendia declarar o estado de emergência através do qual são suspensos uma série de “direitos, liberdades e garantias”, como alertou o primeiro-ministro, António Costa, na entrevista que deu à SIC na segunda-feira. A alternativa a isso seria continuar a ‘limitar’ cada vez mais os movimentos dos cidadãos, à medida que se justificasse, através do encerramento de mais espaços e serviços, depositando neles a responsabilidade – e a esperança – de evitar contágios, mas assim tentando proteger a economia (e aqui entenda-se muitos pequenos negócios). O governo preferia continuar a aumentar as restrições, não gastando já todos os cartuchos. Até porque “fechar o país” terá um impacto ainda mais duro na economia portuguesa do que aquele que a atual situação já vai ter.

Precisamente por causa dos impactos na economia, este é também um dia importante porque os ministros das Finanças e da Economia anunciaram já esta manhã medidas para evitar que a seguir a esta crise sanitária voltemos a ter uma gigantesca crise económica.

Mário Centeno fala numa economia em “tempos de guerra” e assegura que o Estado atuará na área das garantias públicas, no sistema bancário, e na flexibilização das obrigações fiscais e contributivas. Pedro Siza Vieira anunciou linhas de crédito garantidas pelo Estado, com um crédito disponível para as empresas no montante de 3 mil milhões de euros: 600 milhões irão para as enpresas da restauração, 1100 milhões irão para a área do turismo e 1300 milhões irão para diversos sectores da indústria.

Vários países anunciaram também pacotes anti-crise robustos. A Comissão Europeia já fez saber quais as ajudas que está a ponderar. Aliás, neste momento admite-se mesmo a hipótese de serem lançadas obrigações europeias. A chanceler alemã Angela Merkel admitiu essa hipótese de emissão de dívida conjunta dos estados-membros da União Europeia na reunião extraordinária do Conselho Europeu desta terça-feira. E as bolsas europeias fecharam ontem a subir perante a perspetiva de uma resposta musculada dos governos contra a pandemia.

Ontem foi mais um dia intenso, um corrupio de informação sobre esta maldição que se abateu sobre o mundo. Os últimos números, pelas 12h de ontem, apontavam para 448 infetados em Portugal pelo coronavírus, com uma morte a lamentar, na segunda-feira. Tivemos a primeira declaração de estado de calamidade numa região em Portugal, em Ovar, tivemos a suspensão dos voos internacionais, com algumas exceções, tivemos uma requisição civil dos estivadores do porto de Lisboa. Nasceu um bébé filho de doentes de coronavírus, cujo primeiro teste de despiste deu negativo, e houve um primeiro caso na Madeira.

Provavelmente tem ouvido várias vezes a expressão “achatar a curva”. E você, de que forma tem contribuído para “achatar a curva”? Para o fazer tem mesmo de reduzir os contactos sociais e ficar em casa. E têm-se multiplicado as sugestões para ocupar o seu tempo dentro de quatro paredes. Por exemplo, se gosta de música, não perca os concertos de hoje e dos próximos dias numa iniciativa que se iniciou ontem e dura até domingo, através da internet. Trata-se do Festival Eu Fico Em Casa, transmitido através das páginas de Instagram de uma série de músicos portugueses. Tem aqui o programa completo com a indicação das respetivas páginas.

É uma forma de tentar contornar a verdadeira razia que foi feita às nossas agendas sociais, cujo impacto está já a ser muito significativo na indústria do turismo e do entretenimento.

No mundo do desporto, a Liga de Futebol considera que ainda será possível concluir o campeonato de futebol português até ao final de junho. Por outro lado, confirmou-se que o Europeu de Futebol foi adiado para 2021. Já quanto à Liga dos Campeões e à Liga Europa, a intenção da UEFA é que estas provas se realizem ainda esta época. Mas só “se a situação melhorar”. Já o torneio de ténis de Roland Garros foi adiado para setembro. Mas os Jogos Olímpicos de Tóquio mantêm-se. Vale também a pena espreitar o vídeo de ontem de Aníbal Capela, o futebolista português que joga em Itália e está lá de quarentena – a rubrica chama-se “Quarentena à Capela”.

OUTRAS NOTÍCIAS COVID-19

Pode acompanhar todas as notícias relevantes no “direto” que o Expresso tem sobre a pandemia. Mas aqui ficam também em registo rápido algumas notícias, nacionais e internacionais, que marcaram e marcam a atualidade sobre o Covid-19:

Só estão garantidos testes ao Covid-19 em 18 hospitais.

A Ordem dos Médicos diz que uma fatia importante dos infetados com Covid-19 são médicos e alertou para a falta de equipamentos de proteção.

Foi aprovada a contratação de 450 profissionais de saúde e há mais 1800 médicos disponíveis para reforçar o Serviço Nacional de Saúde.

Os hospitais privados estão a limitar serviços que não são urgentes.

O Serviço Nacional de Saúde tem 1142 ventiladores e os privados têm mais 200.

Os cientistas portugueses pediram ao governo que disponibilize informação para poderem investigar o vírus.

Os preços das máscaras e dos desinfetantes dispararam. A associação de defesa do consumidor DECO já começou a receber reclamações sobre este assunto.

Os consumidores de energia terão mais 30 dias para pagar as dívidas.

A TAP está a tentar ajustar-se ao desastre que está a atingir o sector da aviação enquanto aguarda pelos auxílios do Estado.

A fábrica de Cacia da Renault também vai fechar temporariamente, como aconteceu com a Autoeuropa e a PSA.

A Continental decidiu encerrar a produção em Palmela.

A capital portuguesa está a menos que meio gás, é o que mostra uma volta por Lisboa onde quase só se vê turistas – aparentemente indiferentes ao que se está a passar.

A Invicta está deserta. Uma volta pelo Porto mostra que o silêncio tomou conta de sítios antes cheios de vida.

-O imobiliário já está a sofrer, com investidores asiáticos e europeus a adiarem negócios em Portugal.

O debate instrutório da Operação Marquês foi adiado. E não foi marcado novo prazo.

E LÁ FORA…

A Organização Mundial de Saúde pediu à Europa medidas mais “audaciosas” para combater o vírus. A Comissão Europeia diz que espera uma vacina até ao outono. Nos EUA, um grupo de cientistas começou também a testar uma possível vacina em humanos. E a China também diz que está pronta para testar uma vacina contra o novo coronavírus.

Espanha anunciou um pacote de medidas no valor de 200 mil milhões de euros para tentar suavizar a crise que se antecipa no tecido empresarial.

França anunciou uma ajuda de 45 mil milhões de euros para trabalhadores e empresa.

O Reino Unido parece ter acordado para a pandemia de Covid-19.

A Airbus fechou temporariamente as suas fábricas em França e em Espanha.

OUTROS ASSUNTOS

Luto Morreu o músico Pedro Barroso

Menos IMI para quem tem filhos Subiu de 220 para 235 o número de municípios que decidiu atribuir desconto no Imposto Municipal sobre Imóveis para quem tem filhos

Juros em alta Os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos mais do que triplicaram em menos de uma semana.

Défice zero A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estima que em 2019 Portugal tenha tido um défice zero.

O QUE ANDO A LER

“Aprender com os melhores – 2”, do escritor espanhol Francisco Alcaide Hernández. Trata-se de um segundo volume com pequenos textos sobre algumas conhecidas figuras mundiais, nomeadamente do mundo dos negócios. As suas experiências de vida – e as suas reflexões – têm algo para nos ensinar, é o que nos garante o seu autor.

O QUE ANDO A OUVIR

Há muita música portuguesa a ser lançada por estes dias. Dois discos recentes que vale a pena escutar em recolhimento: “O método”, de Rodrigo Leão e “The gambler song”, de Mazgani.

Tenha um bom dia, tranquilo, na nossa companhia, sempre em www.expresso.pt. E proteja-se, tornando-se num agente ativo de combate ao vírus, sempre na mira dos melhores dias que virão depois destes estranhos tempos que estamos a viver.

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Portugal | Mais 194 casos de covid-19 em Portugal. Já são 642

Posted: 18 Mar 2020 10:25 AM PDT

Os números são avançados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), no boletim epidemiológico, no dia em que terá morrido mais um português vitima do novo coronavírus e o Alentejo regista primeiros dois casos.

Nas últimas 24 horas, foram notificados mais 194 casos de covid-19 no país, elevando assim a contagem total para 642 infetados, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta quarta-feira (18 de março). Há três pessoas recuperadas e duas mortes. Apesar de só uma vitima mortal estar confirmada no balanço da DGS, esta manhã, foi anunciada a morte do presidente do conselho de administração do banco Santander, António Vieira Monteiro, internado com novo coronavírus.

Este é também o dia em que a pandemia chega a todo o território nacional, com o Alentejo a registar os dois primeiro casos confirmados. A região mais afetada do país volta a ser o Porto (289 casos), depois Lisboa (243). Seguem-se o centro (74), o Algarve (21), os Açores (3) e o Alentejo (2). Na Madeira, há uma pessoa infetada, uma turista holandesa. Estão também a ser acompanhados no país nove cidadãos estrangeiros.

Há ainda 351 pessoas a aguardar o resultado das análises laboratoriais e 6656 em vigilância pelas autoridades de saúde. Embora Portugal tenha registado o primeiro caso de covid-19 no dia 2 de março, desde o primeiro dia do ano já houve 5067 casos suspeitos. Estão ativas 24 cadeias de transmissão no país.

Menos internamentos

Estão hospitalizadas por causa do novo coronavírus 89 pessoas, quando ontem estavam 206. Sendo que 20 encontram-se nos cuidados intensivos.

Segundo a DGS, 31% dos infetados pelo novo coronavírus têm tosse, 24% febre, 17% dores musculares, 17% cefaleia e 12% fraqueza generalizada. Há 10% dos doentes que apresentam dificuldade respiratória.

Estado de emergência?

O Presidente da República, convocou o Conselho de Estado para esta quarta-feira de manhã, para decidir sobre a hipótese de ser decretado o estado de emergência – estado de exceção que só pode ser acionado em casos de grave ameaça ou perturbação da ordem democrática ou de calamidade pública. Neste cenário, há direitos fundamentais que nunca podem ser colocados em causa, nomeadamente, os direitos à vida ou à integridade pessoal. Esta declaração tem de passar pelos três órgãos de soberania, tendo de ser decretado pelo Presidente da República, depois de uma audição do Governo e de uma autorização da Assembleia da República. A ser declarado, será a primeira vez que este estado vigorará desde o 25 de abril de 1974.

António Costa deixou a decisão nas mãos do Presidente da República e garantiu apoiar o que Marcelo Rebelo de Sousa decidisse. O primeiro-ministro lembrou, no entanto, que “o estado de emergência não é uma figura abstrata”, em conferência de imprensa esta terça-feira, e que deve ser ponderado tendo em conta as estimativas para o pico da pandemia, em Portugal, que apontam para o fim de abril ou início de maio.

Em Ovar, as medidas já começaram a tornar-se mais restritas, quando nesta tarde foi declarado o estado de calamidade e “quarentena geográfica”, por causa do aumento exponencial dos casos de covid-19.

Voos suspensos na UE

Para restringir a mobilidade entre os diferentes países, o primeiro-ministro anunciou, esta terça-feira, a suspensão das ligações aéreas de fora e para fora da União Europeia a partir das 00:00 de quinta-feira e por um período de 30 dias, na sequência de uma reunião do Conselho Europeu. As exceções para Portugal serão os países extracomunitários onde há “forte presença de comunidades portuguesas”, como Canadá, Estados Unidos, Venezuela e África do Sul, e os países de língua oficial portuguesa. No entanto, no caso concreto do Brasil, as rotas serão restritas a Rio de Janeiro e São Paulo, sendo suspensas todas as outras.

Ainda a nível da gestão das fronteiras, mas internamente, da reunião do Conselho Europeu saiu reforçada a necessidade de “assegurar a passagem de medicamentos, alimentos e bens”, da mesma forma que é preciso garantir que os cidadãos europeus podem “regressar aos seus países” e que são encontradas “soluções para trabalhadores transfronteiriços”.

Nas últimas 24 horas, os países com maior número de casos confirmados e de mortes são, por ordem, Itália, Irão e Espanha. O covid-19 infetou 203 579 pessoas em todo o mundo. Destas, 82 866 já recuperam. Morreram 8 226 cidadãos.

Rita Rato Nunes | Diário de Notícias

Portugal | Covid-19. Segunda vítima mortal é presidente do Santander, Vieira Monteiro

Posted: 18 Mar 2020 04:06 AM PDT

Presidente conselho de administração do Santander desde 2019 e CEO entre 2012 e 2018, Vieira Monteiro morreu depois de ter contraído Covid-19. É a segunda vítima mortal em Portugal

António Vieira Monteiro morreu depois de ter contraído o novo coronavírus. Era presidente do conselho de administração do Santander desde 2019 e foi CEO entre 2012 e 2018. É a segunda vítima mortal em Portugal, confirmou o Expresso junto de fronte oficial do Santander.

Prestes a completar 74 anos (nasceu a 21 de Março de 1946), Vieira Monteiro liderou nos destinos do Santander em Portugal durante o período da troika. Sucedeu a Nuno Amado na liderança do banco espanhol em 2012. Já fazia parte da administração do Santander desde 2004.

Vieira Monteiro licenciou-se em direito, na Faculdade de Direito de Lisboa em 1969 e em 1970 ingressou no Banco Português do Atlântico, pelo Crédito Predial, pelo antigo BES e pela Caixa Geral de Depósitos. Entre os maiores bancos portugueses só não passou pelo BCP e pelo BPI.

Vieira Monteiro acumulou meio século de experiência na banca.

Ao Expresso em entrevista antes de sair da liderança executiva do Santander Totta para a presidência não executiva do banco de Ana Botin, Vieira Monteiro deu uma grande entrevista ao Expresso em dezembro de 2018.

Numa conversa que demorou horas foram muitas as histórias contadas. Recordou como era ser banqueiro na década de 70. “Era diferente, mas os princípios fundamentais da atividade bancária mantêm-se inalteráveis. As regras de ouro mantêm-se”.

— em desenvolvimento

João Vieira Pereira, Isabel Fonseca | Expresso | Imagem: Mário Cruz / Lusa

Portugal | A emergência somos nós

Posted: 18 Mar 2020 03:55 AM PDT

Pedro Ivo Carvalho | Jornal de Notícias | opinião

Um dos aspetos mais confrangedores em torno do ambiente securitário imposto pela pandemia do coronavírus é a consagração, entre alguns dos nossos decisores, de um campeonato que mede o nível de ousadia de cada um na restrição das liberdades e dos movimentos.

Como se exigir a paragem total do país, com tudo o que isso implica de nocivo para o Portugal que sobrevier a esta crise profunda, fosse uma demanda patriótica, transformando nuns bárbaros irresponsáveis os que preferem uma mitigação crescente dos efeitos e apelam à prudência na aplicação de medidas rudes. É verdade que estamos a lidar com uma ameaça nova, que se espraia por territórios inóspitos até para a ciência; é verdade que países como Inglaterra, que abordou inicialmente o surto com uma estratégia liberal, estão a arrepiar caminho para conferir maior poder de intervenção ao Estado. E, por tudo isto, e em particular pela acumulação dos medos, é compreensível que as reações epidérmicas dos cidadãos a uma aparente inoperância do poder político se expliquem com o facto de, na cabeça deles, quanto mais apertado estiver o freio, mais depressa regressamos às nossas vidas. Mas é bom termos consciência do que significa declarar o estado de emergência, por mais sedutora que nos pareça a ideia, e é bom termos a noção de que este domingo longo em que mergulhou a nossa rotina pode durar meses.

Querem melhor exemplo de compromisso natural entre quem decide e quem obedece do que o que está a ser dado pelo Porto? Não foi necessário declarar nenhum estado de emergência para as ruas ficarem desertas, para os cidadãos absorverem o espírito de urgência. A cidade empreendedora e do trabalho captou a mensagem sozinha. A mesma cidade que criou o primeiro centro móvel para rastrear casos suspeitos e que ajudou a montar uma unidade de produção de máscaras.

Por isso, cumpramos o estado de emergência se assim tiver de ser, mas não fiquemos reféns do abraço musculado do Estado para fazermos o nosso papel. E não ignoremos a necessidade imperiosa de manter vivo o tecido económico. Porque nesta guerra coletiva em que não se ouvem as balas e onde até os generais são soldados, o verdadeiro estado de emergência somos nós. Nós e o alcance das nossas ações.

*Diretor-adjunto

Portugal | Coronavírus: Governo estabelece cerca sanitária em torno de Ovar

Posted: 18 Mar 2020 03:24 AM PDT

O perigo de contágio para a saúde pública levou o executivo a decretar restrições as actividades económicas e à circulação de pessoas. No concelho há 30 casos confirmados e 440 estão em monitorização.

O Governo declarou esta terça-feira o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar, no distrito de Aveiro, por existir o perigo para a saúde pública, o que significa que será estabelecida uma cerca sanitária aplicada a todo o município e impostas restrições a actividades económicas e à circulação de pessoas. A medida será aplicada de imediato.

O anúncio de declaração do estado de calamidade pública para o concelho de Ovar foi feito esta terça-feira ao final da tarde pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, numa conferência de imprensa na qual participou também a ministra da Saúde, Marta Temido.

A partir de agora fica vedada a saída do município de Ovar assim como a entrada. Haverá uma zona de inibição de acesso correspondente a todo o município, disse o ministro da Administração Interna.

Toda a indústria será fechada e a Linha do Norte, que atravessa o município de Ovar, continuará a operar, mas nas estações situadas nesse município não haverá nem entrada nem saída de passageiros.

Segundo especificou Eduardo Cabrita, a situação de cerca sanitária significa que os residentes no município estão impedidos de sair de Ovar. “Salvo um conjunto de situações excepcionais, profissionais de saúde, das forças de segurança ou de socorro, residentes regressando à sua residência habitual, abastecimento de áreas que devam continuar em funcionamento, tal como supermercados e postos de combustíveis, está vedado o acesso a Ovar”, informou também.

“Fechamos todos os restaurantes e todas as oficinas, mantêm-se abertas as padarias, os supermercados na área de abastecimento alimentar. Igualmente permanecerão abertas as farmácias, os bancos e os postos de abastecimento”, precisou Eduardo Cabrita, assegurando que estão “garantidas a manutenção e todos os serviços essenciais, designadamente hospitais, centros de saúde, estruturas das forças e serviços de segurança e socorro, comunicações, abastecimento de água e de energia”.

Declarando que o combate ao coronavírus é uma “batalhada de todos”, o ministro apelou “a todos os cidadãos do município de Ovar uma grande compreensão e absoluta restrição das suas actividades”.

A ministra da Saúde, Marta Temido, confirmou que a zona de Ovar é, neste momento, “compatível com um quadro de transmissão comunitária activa da doença covid-19. Isto significa um risco de transmissão generalizadas e a possibilidade de poderem ocorrer novas cadeias de transmissão”.

Marta Temido revelou que dos 51 casos confirmados segunda-feira pela Administração Regional de Saúde do Centro, 30 são relacionados com o concelho de Ovar. “Temos, decorrentes desses 30 casos, 440 contactos confirmados, pelo menos já identificados, já em monitorização. Esses 440 contactos estão com recomendação de isolamento, de quarenta, de vigilância e a ser contactados pelas autoridades de saúde”, explicou a ministra da Saúde.

Momentos antes, em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, falou de “algumas indefinições” sobre as medidas decretadas. “Já percebemos que vamos implementar um perímetro no município de Ovar, já percebemos que só poderão passar pessoas que trabalham em serviços indispensáveis, já percebemos que só podem passar mercadorias que transportem bens indispensáveis, mas é também nossa obrigação de garantir os serviços mínimos para esta população, que nós queremos que fique em casa”, acrescentou.

Ainda a digerir o impacto das medidas, Salvador Malheiro declarou: “Isolar o município com 55 mil pessoas com a indústria que nós temos, com a dinâmica que cá existe, não é algo em que se carrega num botão e aparece feito”. “Vivemos um caso crítico, histórico, caótico para o nosso município, porque está mais que evidente que o contágio no município de Ovar neste momento é já comunitário e atinge proporções muito elevadas”, sublinhou o autarca, elogiando “esta discriminação pela positiva por parte do Governo”.

Sobre o número de pessoas infectadas, o autarca mostrou-se muito preocupado com a dimensão da doença no concelho. “Há 28 casos confirmados, e mais 12 casos suspeitos com altíssima probabilidade de serem confirmados, para além de imensos suspeitos. Temos famílias inteiras a terem confirmação de infecção”, declarou, destacando a necessidade de estancar o estado de calamidade pública no concelho.

Margarida Gomes | Público

Leia em Público:

Calamidade em Ovar: “O que nos havia de aparecer agora”

A partir desta quarta-feira, o concelho de Ovar vai estar de portas fechadas. Não só lojas de serviços não essenciais que são obrigadas a fechar, mas está fortemente condicionada a circulação entre o concelho e o resto do território. População está calma.

Centeno promete fazer “tudo o quefor necessário”: pacote de 9200 milhões e moratórias de crédito

Países como a Austrália ou o Canadá começaram a fechar as suas fronteiras. Na Venezuela não sai nem entra nenhum avião comercial, depois de ter sido descoberto o terceiro novo caso em 24 horas. Em Portugal, Ovar anunciou “estado de calamidade pública”.

China diz ter “desenvolvido” com sucesso uma vacina contra o covid-19

Posted: 18 Mar 2020 02:12 AM PDT

CHINA VAI COMEÇAR TESTES HUMANOS

Uma vacina contra o novo coronavírus foi “desenvolvida” com sucesso, anunciou o Ministério da Defesa chinês. Foram autorizados ensaios clínicos em humanos, mas não é revelado quando é que os testes vão decorrer.

Ministério da Defesa chinês anunciou, esta terça-feira, que “desenvolveu” com sucesso uma vacina contra o novo coronavírus, noticia a agência EFE. Testes em humanos já foram aprovados, de acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério, mas não é revelado quando é que vão começar os ensaios clínicos.

Segundo o comunicado, a vacina foi desenvolvida por uma equipa liderada pelo epidemiologista Chen Wei da Academia Militar de Pesquisa Médica, da Academia Militar de Ciências, refere a agência noticiosa.

A vacina foi desenvolvida tendo em conta “padrões internacionais e regulamentos locais”, refere o epidemiologista. Chen Wei afirma mesmo que a vacina está pronta para uma “produção em larga escala, segura e eficaz”.

Várias instituições chinesas anunciaram, esta terça-feira, o lançamento de ensaios clínicos em abril de modo a testar a eficácia de várias vacinas que o país está desenvolver contra o SARS-CoV-2 (covid-19).

O Ministério da Educação chinês dá conta de uma vacina baseada em vetores de influenza viral que está a ser testada em animais. Os ensaios clínicos desta vacina deverão começar em abril com a participação das universidades de Pequim, Tsinghua e Xiamen, e de outras instituições, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

Já o vice-diretor da Comissão Municipal de Saúde de Xangai, Yi Chengdong, afirmou que cientistas chineses desenvolveram uma vacina na plataforma de mRNA que entrará em testes clínicos também em abril, refere a EFE.

Chengdong detalhou que esta vacina foi desenvolvido tendo como base proteínas virais derivadas das proteínas estruturais de um vírus.

Da China também veio a notícia de que três novos produtos usados ​​em testes de diagnóstico para detetar o novo coronavírus foram clinicamente aprovados e aplicados em Xangai. A informação foi divulgada, esta terça-feira, por Zhang Quan, diretor da comissão de ciência e tecnologia da cidade.

O coronavírus responsável pela pandemia da covid-19 infetou mais de 180 000 pessoas, das quais mais de 7 000 morreram e 75 000 recuperaram.

Até o momento, pelo menos 3326 pessoas morreram de covid-19 na China.

O surto começou em dezembro na China – na cidade de Wuhanm na província de Hubei -, que regista a maioria dos casos, e espalhou-se entretanto por mais de 145 países e territórios. Na Europa há mais 67 000 infetados e pelo menos 2 684 mortos, a maioria dos quais em Itália, Espanha e França.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou esta terça-feira o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

Dos casos confirmados, 242 estão a recuperar em casa e 206 estão internados, 17 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos.

Susete Henriques | Diário de Notícias | Imagem: © EPA/David Crosling – Austrália

Covid-19: seis países à lupa. Da China a recuperar à Itália ainda longe da contenção

Posted: 18 Mar 2020 01:54 AM PDT

China, Coreia do Sul, Itália, Reino Unido, Estados Unidos e Espanha: como é o que o covid-19 está a afetar estes países e que medidas têm sido tomadas?

O coronavírus responsável pela pandemia de covid-19 infetou cerca de 190 mil pessoas, das quais mais de 7500 morreram. Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 80 mil recuperaram da doença. Estes são os números que estão a ser divulgados nesta terça-feira no site da Universidade Johns Hopkins, em permanente atualização. Mas a infeção não tem evoluído de forma semelhante em todos os locais. Vamos ver ses casos muito diferentes: China, onde o vírus foi inicialmente detetado, Coreia do Sul, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América e Espanha.

China: o pior já passou?

As autoridades chinesas reportaram o primeiro caso de coronavírus a 31 de dezembro de 2019 e revelaram ter detetado duas dezenas de casos de pneumonia de origem desconhecida em Wuhan, na província de Hubei. No primeiro dia do novo ano foi encerrado o mercado de marisco suspeito de estar na origem da contaminação, uma vez que todos os doentes tinham ligação ao local. A 4 de janeiro de 2020, eram já 44 os casos de doentes com uma pneumonia de origem desconhecida. A primeira morte devido ao novo vírus aconteceu a 9 de janeiro. Os casos continuaram a aumentar. A Comissão Nacional de Saúde da China confirmou, a 20 de janeiro, que o novo coronavírus podia ser transmitido entre seres humanos. Nesse dia, a China registou quase 140 novos pacientes, incluindo duas pessoas em Pequim e uma em Shenzhen. Três dias depois, a cidade de Wuhan foi colocada em quarentena. Huanggang e Ezhou, adjacentes a Wuhan, também foram colocadas em quarentena semelhante. A 24 de janeiro de 2020, o primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado na Europa, em França.

Pequim adotou, algum tempo após o surto, medidas drásticas como pôr de quarentena os 60 milhões de habitantes da província de Hubei, onde fica Wuhan, com encerramento compulsivo, ou impor restrições às viagens de centenas de milhões de pessoas. A dureza das medidas verificou-se também na procura e no isolamento de infetados. Em clínicas montadas no exterior de hospitais, médicos com roupa protetora de corpo inteiro mediam a temperatura a qualquer pessoa com sintomas compatíveis com covid-19. Nos casos suspeitos eram feitas análises, para despistar a hipótese de se tratar de outro vírus. Qualquer pessoa suspeita de estar contaminada pelo coronavírus ficava imediatamente impedida de voltar para casa ou ir para o emprego. A quarentena realizava-se em zonas de isolamento criadas em ginásios, estádios e outros espaços amplos.

Apesar destas medidas, o vírus já se tinha espalhado. O número de casos continuou a aumentar pelo menos até meados de fevereiro. A 16 de fevereiro foram reportados 2009 novos casos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, elevando o número total para 68 500, segundo a Comissão Nacional de Saúde do país. A taxa de mortalidade permaneceu estável, com 142 novas mortes – no total, o número de mortos na China continental pelo covid-19 estava então nos 1665. Nessa altura, 9419 pessoas tinham já recebido alta após terem superado a doença.

A 24 de fevereiro, o número de mortos na China situava-se em 2592, mas os especialistas consideravam que as medidas de contenção estavam a resultar. A partir daí, os números parecem dar-lhes razão e a China regista cada vez menos novos casos. Desde 11 de março que os números de novas infeções e de mortes permanecem abaixo dos 21 diários, de acordo com as estatísticas oficiais. A 12 de março, o governo chinês declarou que o pico das transmissões tinha terminado no país.

Nesta terça-feira, a China registou 21 novos casos de covid-19, uma ligeira subida depois de vários dias consecutivos em que o número de novas infeções desceu e quando o país tem menos de nove mil pacientes ativos. A Comissão de Saúde da China informou que das 21 novas infeções, 20 são casos vindos de outros países. No mesmo período de tempo, 13 pessoas morreram no país devido à doença.

Até ao início de terça-feira (16.00 de segunda-feira, em Lisboa), as autoridades registaram 80 881 infeções diagnosticadas na China continental, incluindo 68 869 casos recuperados, enquanto o total de mortos se fixou nos 3226, desde o início do surto. Quase todas as mortes ocorreram na província de Hubei, centro da epidemia, onde várias cidades foram colocadas sob quarentena, com entradas e saídas bloqueadas. A outra morte ocorreu na província de Shaanxi, no centro da China.

Segundo os dados oficiais, 681 404 pessoas que tiveram contacto próximo com os infetados foram monitorizadas clinicamente desde o início do surto, incluindo 9351 ainda sob observação.

Uma das prioridades das autoridades chinesas é agora “protegerem-se contra a importação” de infeções de outros países, que lidam com um rápido aumento do número de infetados.

Coreia do Sul: testar e monitorizar

Na Coreia do Sul, o surto de coronavírus teve início numa cerimónia de uma seita religiosa na cidade de Daegu, na zona sudeste do país, com 2,5 milhões de habitantes. O governo chegou a rastrear mais de dois mil membros da igreja e a pôr de quarentena todos os que tivessem contactado com essas pessoas, separando famílias, como na China. Apesar disso, mais de 60% dos casos registados na Coreia têm ligação a esta seita e a este surto inicial.

A Coreia do Sul chegou a ser o segundo país com mais casos depois da China – mas, no dia 13 de março, o número de pacientes curados superou ali, pela primeira vez, o de novos casos. Na última semana, conseguiu reduzir o número de novos casos, sendo agora o quarto país.

Motivo: medidas expeditas de contenção da doença, sem necessidade de fechar tudo. Em vez disso, as autoridades têm estado a aplicar centenas de milhares de testes de diagnóstico à população. Há 500 clínicas a fazer testes, 40 delas móveis, por forma a reduzir os movimentos das pessoas infetadas ou potencialmente infetadas, bem como os contactos entre os pacientes e os profissionais de saúde.

O país está também a seguir sistematicamente as cadeias de transmissão através de telemóveis e tecnologias via satélite, aplicando uma rigorosa quarentena a alguns milhares de pessoas. E adotou um sistema de informação ao público que inclui o envio de mensagens por sms para as pessoas que residem perto de casos de infeção, rastreio de deslocações através do uso do telemóvel ou de cartões bancários e publicação de informações pormenorizadas.

Na segunda-feira foram identificados 84 casos novos. Foi o terceiro dia consecutivo em que o número foi inferior a cem. Assim, a Coreia do Sul soma 8320 pessoas infetadas. Destas, 6838 são infeções ativas, 1401 casos tiveram alta médica e 81 pessoas morreram.

Itália: ainda longe da contenção

A 23 de fevereiro, em Itália, o covid-19 estava circunscrito a quatro regiões do norte do país: Lombardia, Veneto, Emilia-Romagna, Piemonte e Lazio, mas em todo país já havia placards que aconselhavam as pessoas a permanecer em casa, encerraram lojas, escolas, empresas, bares, monumentos, foram adiados três jogos de futebol, cancelado o Carnaval de Veneza, restringidas as entradas para a Semana da Moda de Milão e havia mais de 50 mil pessoas em quarentena.

No entanto, os números de infetados e de mortes aumentaram a uma velocidade alarmante, levando o governo a fechar todas as escolas a 4 de março e, depois, a decretar o estado de quarentena em todo o país. O decreto governamental, em vigor desde 11 de março, limita a saída à rua a quem tem de trabalhar, comprar alimentos, passear cães ou fazer desporto, desde que individualmente. Nessa altura, mais de nove mil casos confirmados de infeção e 463 mortes. Apesar das medidas, a propagação do vírus na Itália não deu ainda sinais de abrandamento.

O país registou até agora 2503 mortos, com as 345 novas mortes ocorridas na segunda e na terça-feira. As autoridades de saúde registaram 3526 novos casos positivo – o que faz um total total de 31 506 pessoas contagiadas, embora apenas 26 062 estejam doentes. Foram dadas como recuperadas 2041 pessoas.

Do total de mortes, cerca de dois terços registaram-se na Lombardia (norte), região de que Milão é a capital. Esta é a região mais afetada, com mais de 13 mil casos. Aqui, as medidas de contenção entraram antes de serem alargadas a todo o país e espera-se que produza resultados em breve. No entanto, as autoridades da Lombardia manifestaram a sua preocupação sobre a capacidade do sistema hospitalar para responder à propagação da pandemia do covid-19, num momento em que a região contabiliza já perto de 800 pessoas em cuidados intensivos.

Reino Unido: terminou a calma

O governo foi muito criticado pela abordagem menos rígida relativamente a distanciamento social, recusando cancelar grandes eventos e fechar escolas. “Keep calm and carry on” era a palavra de ordem. Os especialistas britânicos argumentaram que um isolamento precoce iria fazer que as pessoas se fartassem de estar em casa demasiado cedo e que essas medidas apenas travariam temporariamente a propagação do vírus. O covid-19 regressaria mais tarde e todo o ciclo se repetiria. Portanto, o primeiro-ministro Boris Johnson defendeu que este tipo de decisões radicais só devia ser tomado “quando é mais eficaz”, quando se considera “poder fazer a maior diferença para atenuar a propagação da doença, reduzir o número de vítimas, reduzir o número de mortes”.

Mas nesta semana o governo mudou de estratégia. O número de casos de covid-19 no Reino Unido vai entrar numa fase de “crescimento rápido”, disse em conferência de imprensa nesta segunda-feira o primeiro-ministro britânico. Espera-se que o número de infeções identificadas duplique de cinco em cinco dias, pelo que, para combater a propagação da epidemia, o governo aconselha os britânicos a ficar em casa, a evitar todo o contacto social desnecessário e a trabalhar a partir de casa.

O governo britânico pediu também que, em vez de sete dias, pessoas com sintomas e respetivo agregado familiar devem autoisolar-se durante 14 dias, incluindo para comprar alimentos ou outros bens essenciais, sobretudo idosos com maiores de 70 anos, mulheres grávidas e pessoas com outros problemas de saúde. Entretanto, organizações desportivas, como a Primeira Liga Inglesa ou a Maratona de Londres, decidiram suspender ou adiar competições. Teatros e museus também já estão a fechar as portas.

O motivo da mudança: de 35 mortes no domingo o país passou para um total de 55 na segunda-feira. “A doença agora está a acelerar”, admitiu o ministro da Saúde, Matt Hancock, justificando a necessidade de respeitar o apelo feito pelo governo. O balanço do Ministério da Saúde publicado na segunda-feira dava conta de 1543 casos positivos entre 44 105 pessoas testadas ao coronavírus covid-19 no Reino Unido.

Estados Unidos: Trump declara guerra ao covid-19

Ainda a 27 de fevereiro, Trump afirmava que o risco do covid-19 para o país era muito baixo pois estavam a ser tomadas todas as medidas. O presidente garantia ainda que, em caso de expansão de casos, os EUA saberiam dar uma resposta como a China – quarentena de cidades inteiras – e que estão preparados para o pior cenário. “Mas não acredito que isso venha a acontecer. Estamos bem preparados, as nossas fronteiras estão bem controladas.”

Mas, na quinta-feira 12 de março, com pelo menos 1323 casos confirmados no país e vários estados a empreender medidas de contenção, colocando áreas em quarentena, e a NBA a suspender os jogos após um jogador testar positivo para o covid-19, Trump anuncia a suspensão de voos da Europa. E no dia seguinte, sexta-feira, o presidente dos EUA declarou o estado de emergência nacional e anunciou que iria disponibilizar 50 mil milhões de dólares (45 mil milhões de euros) para os estados combaterem o coronavírus.

Na sexta-feira 13, a organização de saúde pública estatal encarregada do monitoramento do vírus registava 1700 casos de coronavírus. No total, 41 pessoas tinham morrido. Mas de acordo com os números da Universidade Johns Hopkins, no estado de Maryland, o total de contaminados no país já chegava a 3700, com 69 mortes.

Na segunda-feira à tarde, estavam confirmados 4600 casos e 85 mortos. Na terça-feira, de acordo com a universidade, seriam já 91 mortos e mais de 5100 os casos confirmados. Neste momento, mais de 30 estados já fecharam as escolas e o presidente voltou a pedir medidas de restrição social: “Temos de combater este inimigo desconhecido”, disse Trump. “Um dia poderemos dizer ‘ganhámos’.”

Espanha: dos megaeventos de 8 de março à quarentena

Há pouco mais de uma semana, a Espanha não parecia estar muito preocupada com o coronavírus. A 8 de março, o domingo em que foi comemorado o Dia da Mulher, cerca de cem mil pessoas reuniram-se nas ruas de Madrid. A mulher de Pedro Sánchez, as ministras Irene Montero, mulher de Pablo Iglesias (Podemos), e Carolina Darias estiveram na linha da frente deste mega-ajuntamento. Nesse dia havia futebol nos estádios, festas e o Vox, partido político, juntava milhares de pessoas num evento. Hoje, as ministras e a mulher de Sánchez estão infetados, tal como o líder e outros deputados do Vox.

Nesta altura, já havia muitos sinais de alarme. A Espanha tinha registado os primeiros casos entre 13 e 23 de fevereiro. Eram poucos – os conhecidos – e as autoridades garantiam que não existiam cadeias de transmissão. A 8 de março, em Itália já havia mais de 1500 casos e 66 mortes. Durante a semana que antecedeu esse domingo de 8 de março, as autoridades de Madrid garantiam que não era necessário fechar escolas nem suspender os eventos.

Na segunda-feira 9 tudo era diferente. Na semana que se seguiu os testes indicavam mais de 1200 casos positivos e já havia 28 mortes. Fecharam-se escolas e suspenderam-se as grandes concentrações. Foi o início de uma caminhada rumo ao estado de alerta decretado no dia 14, após quatro dias de implementação de medidas de contenção e de avisos para o isolamento social. Numa semana, os casos tiveram uma escalada muito rápida. A lentidão em decretar medidas mais severas no início de março tem gerado muitas críticas. Pedro Sánchez admitiu que houve erros que devem ser avaliados mais tarde, quando a crise abrandar.

A 17 de março, o país vizinho tem 11 178 casos confirmados, com 491 mortes. Há 563 pessoas nos cuidados intensivos. Pedro Sánchez anunciou um pacote de 200 mil milhões de euros, o equivalente a 20% do PIB espanhol, para apoiar famílias, trabalhadores, empresas e reforçar a investigação científica.

O número de casos cresce de forma exponencial, com 150 mortes nas últimas 24 horas e uma curva semelhante ou superior à da Itália. As autoridades de Madrid apostam agora na contenção, com o país confinado. Sánchez deixou claro que travar o contágio é essencial no plano espanhol. “Estaremos perto da vitória quando os contágios caírem à velocidade que hoje sobem.”

Maria João CaetanoDiário de Notícias | com David Mandim

Imagem: Medidas extremas para conter o vírus na China. © EPA/Roman Pilipey

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Coronavírus | Negociações para levar médicos de Cuba, Venezuela e China à Lombardia

Posted: 18 Mar 2020 12:37 AM PDT

Para lidar com a emergência do coronavírus, solicitou-se ajuda de Cuba, que possui uma grande e gloriosa tradição de médicos em missão no exterior para ajudar os necessitados, e também da China e Venezuela.

“Também recrutaremos profissionais de saúde do exterior, solicitando apenas que sejam registados no país de origem. Teremos funcionários da Venezuela, da China, de Cuba, eles são médicos a quem obviamente daremos um lugar para morar, mas precisamos dos conhecimentos de todos”, disse o conselheiro de bem-estar da região da Lombardia, Giulio Gallera.

As notícias dadas na conferência de imprensa pelo conselheiro para a saúde da região da Lombardia, Giulio Gaallera, são incríveis.

Na conferência de imprensa, o conselheiro disse que a região está contratando médicos e enfermeiros italianos e estrangeiros para enfrentar a crise de saúde que ocorre na região. Entre os países mencionados, há a China e, surpreendentemente, Cuba e Venezuela. O país sul-americano já teria enviado uma lista com os nomes dos médicos dispostos a ajudar o nosso no tratamento dos infectados. As negociações estão começando com Cuba.

As notícias são incríveis duas vezes: a primeira é a certificação do fracasso da excelência em saúde da Lombardo, a segunda tem um valor político importante ou o reconhecimento de que a saúde cubana é de alto padrão.

Do ponto de vista político, você sorri ao ver a junta da Liga pedindo ajuda aos dois países que sempre foram considerados ditaduras sangrentas violando os direitos humanos mais básicos. Na Venezuela, se bem me lembro, a Liga reconheceu Juan Guaidò como presidente legítimo do país, surge a pergunta: porque pediram ajuda a Nicolas Maduro e não a Juan Guaidò? Evidentemente, mesmo na casa dos Lega, eles sabem muito bem que o ridículo Guaidò conta tanto quanto os dois corações quando o trunfo é uma espada, mas por óbvias razões políticas e ideológicas eles tiveram que se pronunciar a favor do fantoche americano.

Não devemos esquecer que pedir ajuda da China, Cuba e Venezuela significa admitir que a saúde funciona melhor nos países socialistas do que nos capitalistas.

O pedido a Cuba e à Venezuela para enviar seus médicos à Lombardia é a confirmação de que a saúde cubana, dado que os venezuelanos foram treinados nas escolas de medicina da ilha, é de nível internacional. Objetivamente, não era necessário pronunciar uma Liga do Norte para saber que os médicos cubanos estão bem preparados, pois estão presentes em pelo menos sessenta países todos os anos em que realizam missões de saúde em apoio aos médicos locais. A maioria das missões de saúde realizadas por médicos cubanos ocorre em países do terceiro mundo ou naqueles em que os governos esquecem seus cidadãos como os países árabes, que possuem grandes capitais, mas não treinam pessoal médico. Seria a primeira vez que uma missão na Europa ajudaria em situações de emergência. O sistema de saúde Lombardo também é do terceiro mundo?

Talvez não seja, talvez tenha servido apenas para encher os bolsos daqueles que tiveram a sorte de ter sua estrutura de saúde credenciada entre os da região da Lombardia. Os inúmeros escândalos que envolveram a saúde da Lombardia ao longo dos anos são uma prova disso. No final, depois que o dinheiro dos cidadãos foi usado para tentar garantir cuidados de saúde de qualidade na primeira emergência real, todo o sistema deu errado. Os cofres da região da Lombardia acabam pagando muito dinheiro para pagar mais funcionários: porque quando Cuba envia seus médicos aos países do primeiro mundo, certamente não os envia de graça.

Finalmente, se médicos cubanos e venezuelanos chegarem à Itália, o que Trump dirá? O presidente dos EUA há muito tempo iniciou uma cruzada contra os médicos cubanos presentes nos países sul-americanos, acusando-os de difundir a ideologia comunista e marxista. Ele chegou ao ponto de inventar a notícia de que os profissionais de saúde cubanos não dariam tratamento a quem não se declarava comunista. Se isso fosse verdade na Lombardia, os médicos estariam desempregados. Além da ironia, acho que alguns funcionários da Embaixada dos Estados Unidos ergueram as antenas pensando que a Liga se tornou repentinamente comunista.

Espero que as negociações em andamento entre a região e os dois países cheguem ao fundo, mas, acima de tudo, quando tudo terminar, espero que as políticas para Cuba e Venezuela mudem e que tudo não seja resolvido com um grande obrigado.

Andrea Puccio | Faro di Roma

Leia em CubaDebate

Embajada de Cuba en Italia informa sobre eventual colaboración ante la COVID-19

O mundo após a pandemia

Posted: 18 Mar 2020 12:08 AM PDT

Os Presidentes Xi e Diaz-Canel em Novembro de 2018. Cuba instalou o laboratório de ChangHeber em Jilin que produz um dos medicamentos utilizados com êxito contra o Covid-19. Os dois «ditadores comunistas» conseguiram proteger melhor os seus concidadãos que os «democratas liberais».

Thierry Meyssan*

As reacções políticas à pandemia de Covid-19 deixam ver espantosas fraquezas das democracias ocidentais : preconceitos e ignorância. Pelo contrário, a China e Cuba aparecem como mais capazes de enfrentar o futuro.

O brusco encerramento generalizado das fronteiras e, em inúmeros países, de escolas, universidades, empresas e serviços públicos, assim como a interdição de ajuntamentos, modificam profundamente as sociedades. Em poucos meses, não voltarão a ser mais o que foram antes da pandemia.

Antes de mais, esta realidade modifica a nossa concepção da Liberdade; um conceito em volta do qual os Estados Unidos se ergueram. Segundo a sua interpretação —que são os únicos a defender— esta não teria limites. Todos os outros Estados do mundo admitem, pelo contrário, que não há Liberdade sem Responsabilidade; por consequência, eles afirmam que não se pode exercer a liberdade sem para tal definir os limites. Hoje em dia, a cultura dos EUA exerce uma influência determinante um pouco por todo o mundo. Ela acaba de ser contradita pela pandemia.

Fim da sociedade totalmente aberta

Para o filósofo Karl Popper, a liberdade numa sociedade mede-se pela sua abertura. Escusado será dizer que a livre circulação de pessoas, bens e capitais é a marca da modernidade. Essa maneira de ver prevaleceu durante a crise dos refugiados de 2015. É claro, sublinharam alguns desde há bastante tempo, que este discurso permite aos especuladores como George Soros explorar os trabalhadores nos países mais pobres. Ele prega o desaparecimento das fronteiras e, portanto, dos Estados, agora mesmo em direcção a um governo supranacional global futuro.

A luta contra a pandemia lembrou-nos de repente que os Estados existem para proteger os seus cidadãos. No mundo pós-Covid19, as «ONG sem fronteiras» deveriam, pois, progressivamente desaparecer e os partidários do liberalismo político deveriam lembrar-se que sem Estado «o homem é apenas o lobo do homem», segundo a fórmula de Thomas Hobbes. Seguir-se-á, por exemplo, que o Tribunal Penal Internacional aparecerá como um absurdo face ao Direito Internacional.

A reviravolta de 180 graus do Presidente Emmanuel Macron ilustra esta tomada de consciência. Há pouco tempo ainda, ele denunciava a «lepra nacionalista» que associava aos «horrores do populismo»; hoje em dia ele glorifica a Nação, única estrutura legítima de mobilização colectiva.

O Interesse Geral

A noção de Interesse Geral, que a cultura anglo-saxónica contesta desde a experiência traumática de Oliver Cromwell, é indispensável para nos protegermos de uma pandemia.

No Reino Unido, o Primeiro-Ministro Boris Johnson, tem dificuldade em decretar medidas coercivas por imperativo sanitário, visto o seu povo só admitir esta forma de autoridade em caso de guerra. Nos Estados Unidos, o Presidente Federal, Donald Trump, não tem poder para decretar a quarentena da população no conjunto do seu território, sendo esta questão da estrita competência dos Estados Federados. Ele é forçado a torcer os textos, entre as quais a famosa Stafford Disaster Relief and Emergency Assistance Act («A Lei Stafford de Assistência em Emergências e Alívio de Desastres-ndT»).

Fim da liberdade infinita do empresariado

No plano económico, não será possível continuar a seguir a teoria de Adam Smith «laissez-faire, laissez-aller» depois de se ter fechado compulsivamente todo o tipo de empresas, de restaurantes a estádios de futebol. Teremos que admitir limites à sacrossanta livre empresa.

A luta contra a pandemia lembrou-nos que o Interesse Geral pode justificar o questionar de qualquer actividade humana, seja ela qual for.

Disfunções

Por ocasião desta crise, percebemos igualmente as disfunções das nossas sociedades. Por exemplo, o mundo inteiro está consciente que a pandemia foi vivida primeiro na China, mas que este país a controlou e que levantou as medidas coercivas que havia tomado no início. No entanto, raros são os que sabem como os Chineses venceram o Covid-19.

A imprensa internacional ignorou os agradecimentos do Presidente Xi Jinping ao seu homologo cubano, Miguel Díaz-Canel, em 28 de Fevereiro passado. Ela não referiu, pois, o papel do Interferon Alfa 2B (IFNrec). Ele evocou, pelo contrário, o uso do fosfato de cloroquina, o qual já se utiliza contra o paludismo. Nada de nada também sobre o estado das pesquisas em matéria de vacinas. A China deverá estar a ponto de efectuar os primeiros ensaios em humanos no fim de Abril, sendo que o laboratório do Instituto de Pesquisa de Vacinas e Soros de São Petersburgo já finalizou cinco protótipos de vacina.

Estes esquecimentos explicam-se pelo egocentrismo das grandes agências de notícias. Quando acreditamos viver numa «aldeia global» (Marshall McLuhan), apenas somos informados acerca do microcosmo ocidental.

Este desconhecimento é explorado por grandes laboratórios ocidentais que se dedicam a uma concorrência desenfreada em matéria de vacinas e de medicamentos. Tudo se passa como nos anos 80. À época uma epidemia de «pneumonia de gays», identificada em 1983 como sendo a SIDA (AIDS-br), provocava uma hecatombe nos meios homossexuais de São Francisco e de Nova Iorque. Quando ela apareceu na Europa, o então Primeiro-ministro francês, Laurent Fabius, retardou a utilização do teste de despistagem dos EUA de modo a que o Instituto Pasteur tivesse o tempo preciso para desenvolver o seu próprio sistema e o patentear. Este escândalo de negócio graúdo provocou milhares de mortos suplementares.

A geopolítica após a pandemia

A epidemia de histeria que acompanha a do Covid-19 mascara a actualidade política. Quando a crise tiver terminado e as pessoas recuperarem a sua tranquilidade, o mundo será talvez bastante diferente. Na semana passada, mencionamos a ameaça existencial que o Pentágono fazia pairar sobre a Arábia Saudita e a Turquia, ambos destinados a desaparecer [1]. A resposta de um e do outro foi a de ameaçar os Estados Unidos com as piores calamidades —o colapso da indústria do petróleo de xisto pelo primeiro, uma guerra com a Rússia pelo segundo— ; duas apostas muito arriscadas. Estas ameaças são tão graves que elas devem receber rapidamente uma resposta, e não demorará provavelmente três meses.

Thierry Meyssan | Voltairenet.org | Tradução Alva

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

Nota:

[1] “Que alvo após a Síria ?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 11 de Março de 2020.

Chegam à Europa do vírus, os bombardeiros USA de ataque nuclear

Posted: 17 Mar 2020 02:03 PM PDT

Manlio Dinucci*

Devido ao Coronavírus, a American Airlines e outras companhias aéreas dos EUA cancelaram muitos voos para a Europa. No entanto, existe uma “companhia” USA que, vice-versa, os aumentou: a US Air Force.

Há poucos dias, “instalou, na Europa, uma task force de bombardeiros furtivos B-2 Spirit” Anuncia-o de Estugarda, o US European Command, o Comando Europeu dos Estados Unidos. Está, actualmente, sob as ordens do General Tod D. Wolters, da US Air Force, que é, ao mesmo tempo, o Chefe das Forças Armadas da NATO, como Comandante Supremo Aliado na Europa. O US European Command afirma que a task force, composta por um número desconhecido de bombardeiros provenientes da base de Whiteman, no Missouri, “chegou, em 9 de Março, ao Campo das Lajes nos Açores, em Portugal”.

O bombardeiro estratégico B-2 Spirit, o avião mais caro do mundo, cujo custo ultrapassa os 2 biliões de dolares, é o avião USA de ataque nuclear mais avançado. Cada um pode transportar 16 bombas termonucleares B-61 ou B-83, com uma potência máxima total equivalente a mais de 1.200 bombas de Hiroshima. Devido à conformação, revestimento e contramedidas electrónicas, o B-2 Spirit é difícil de detectar por radar (por esse motivo, é designado como “avião invisível”). Embora já tenha sido usado na guerra, por exemplo, contra a Líbia em 2011, com bombas não nucleares de alta potência, orientadas por satélite (pode transportar 80), foi projectado para penetrar nas defesas inimigas e efectuar um ataque nuclear de surpresa.

Estes bombardeiros, especifica o US European Command, “operarão a partir de várias instalações militares na área de responsabilidade do Comando Europeu dos Estados Unidos”. Esta área inclui toda a região europeia e toda a Rússia (incluindo a parte asiática). Isto significa que os bombardeiros USA mais avançados de ataque nuclear, operarão a partir das bases na Europa, perto da Rússia. Invertendo o cenário, é como se os bombardeiros russos mais avançados de ataque nuclear da Rússia, estivessem a manobrar a partir de bases em Cuba, perto dos Estados Unidos.

Torna-se claro o objectivo almejado por Washington: aumentar a tensão com a Rússia, usando a Europa como primeira linha do confronto. Isto permite a Washington fortalecer a sua liderança sobre os aliados europeus e orientar a política externa e militar da União Europeia, da qual 22 dos 27 membros pertencem à NATO, sob comando USA.

Esta estratégia é facilitada pela crise causada pelo coronavírus. Hoje, mais do que nunca, numa Europa em grande parte paralisada pelo vírus, os USA podem fazer o que querem.

Isso é confirmado pelo facto de que eles transferem os seus bombardeiros mais avançados de ataque nuclear com o consentimento de todos os governos e parlamentos europeus e da própria União Europeia e com o silêncio cúmplice de todos os principais meios de comunicação europeus.

 

O mesmo silêncio caiu sobre o Defender Europe 20, o maior destacamento de forças USA na Europa desde o final da Guerra Fria, sobre os quais a comunicação mediática só falou, quando o US European Command anunciou que, devido ao Coronavírus, reduzirá os soldados USA que participam no exercício de 30.000 para um número impreciso, mantendo, no entanto, os “nossos objectivos de maior prioridade”.

No âmbito de uma verdadeira psy-op (operação psicológica militar), vários órgãos de “informação”, também em Itália, lançaram-se imediatamente contra “as mentiras sobre o exercício Defender Europe” (La Repubblica, 13 de Março) e, através das redes sociais, espalhou-se o boato de que o exercício foi praticamente cancelado. Notícias tranquilizadoras, reforçadas pela garantia, dada pelo US European Command, de que “a nossa preocupação primordial é proteger a saúde das nossas forças e a das forças dos nossos aliados”.

Apenas substituindo, na Europa, um número indeterminado de soldados USA por um número desconhecido de bombardeiros americanos de ataque nuclear, cada um com uma potência destruidora igual a mais de 1.200 bombas de Hiroshima.

il manifesto, 17 de Março de 2020

Publicado em No War No NATO | Manlio Dinucci | Tradução: Luísa Vasconcelos

É altura de Portugal pedir ajuda à China — Médicos de Língua Portuguesa de Macau

Posted: 17 Mar 2020 12:19 PM PDT

Macau, China, 17 mar 2020 (Lusa) — O presidente da Associação de Médicos de Língua Portuguesa de Macau (AMLPM) defendeu hoje à Lusa que esta é a altura de Portugal pedir ajuda à China para combater o surto de Covid-19.

“A Itália já pediu ajuda à China. Espanha já pediu ajuda à China. Portanto, eu penso que se calhar o Governo português, antes que seja tarde, vai precisar de equipamentos, que são insuficientes. Será uma altura apropriada também de pedir ajuda às autoridades chinesas”, defendeu José Manuel Esteves.

“Porque a China está a ultrapassar este grande embate, que foi a epidemia no seu território. As fábricas estão a arrancar, estão a produzir os ventiladores, estão a produzir as máscaras, estão a produzir equipamentos de proteção aos milhões, mas a procura a nível mundial é muita e está na altura de Portugal se pôr na fila e tentar também ter acesso ao que é produzido” e que “vai fazer falta em Portugal dentro de uma semana ou dentro de duas semanas”, salientou o cirurgião.

Uma das hipóteses poderá passar por utilizar o papel de Macau enquanto plataforma de cooperação sino-lusófona, mas a abordagem direta a Pequim poderá ser privilegiada.

“Se calhar utilizando a plataforma que é Macau ou se calhar abordando diretamente o Governo central da China. Obviamente penso que em Macau há uma predisposição da própria sociedade (…). Mas simultaneamente, parece que seria apropriado o próprio Governo de Portugal fazer um pedido de ajuda formal através dos canais diplomáticos à China para uma outra dimensão”, explicou.

Afinal, frisou, o líder da AMLPM, Portugal pode vir a necessitar, mas, como disse, a concorrência para [garantir] essa ajuda vai ser enorme”.

Hoje, o chefe do Governo de Macau anunciou que, a partir das 00:00 de quarta-feira (16:00 de terça-feira em Lisboa), só vai permitir a entrada na cidade aos residentes do território, da China continental, Hong Kong e Taiwan e aos trabalhadores não residentes de Macau.

Antes, na segunda-feira, as autoridades decidiram avançar para quarentena a quase todos aqueles que entrassem no território, de forma a conter casos importados, uma medida que entrara em vigor às 00:00 (16:00 de segunda-feira em Lisboa) e imposta a todos as pessoas que viajaram em países nos 14 dias anteriores à entrada no território, com exceção da China continental, Taiwan e Hong Kong.

Depois de 40 dias sem novos casos de Covid-19, Macau registou entre segunda-feira e hoje três novos casos importados, de Portugal, Espanha e Reino Unido.

Antes destas confirmações, Macau registava dez casos de infeção com o vírus da Covid-19, tendo todos já recebido alta hospitalar. Agora, são 13 o número de pessoas em Macau infetadas desde que o surto começou.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 180 mil pessoas, das quais mais de 7.000 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 145 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Depois da China, que regista a maioria dos casos, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, com mais 67 mil infetados e pelo menos 2.684 mortos.

A Itália com 2.158 mortos registados até segunda-feira (em 27.980 casos), a Espanha com 491 mortos (11.191 casos) e a França com 148 mortos (6.663 casos) são os países mais afetados na Europa.

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

JMC // JH

Timor-Leste | Díli: água a mais e cidadania e governação a menos

Posted: 17 Mar 2020 11:59 AM PDT

A cidade de Díli foi fustigada pelas chuvas. As ribeiras transbordaram e muitos bairros estão inundados. Ocorreram mortes e muitos prejuízos materiais.

M. Azancot deMenezes* | Jornal Tornado

Há défice de cidadania, má governação e esquece-se que as inundações mais frequentes no país são as cheias rápidas, perigosas pela sua velocidade e capacidade destruidora.

Num momento em que Timor-Leste atravessa mais uma crise política devido à falta de entendimento (quase permanente) entre a liderança, actualmente com um governo praticamente inoperante, como se não bastasse, no passado dia 13 de Março, as fortes chuvadas provocaram a morte de várias pessoas e o caos na cidade de Díli.

Há vários sucos (divisões administrativas que podem ser constituídas por uma ou mais aldeias) inundados, Taibessi, Bidau, Balide, Matadouro e outras zonas da cidade estão parcialmente inundadas.

A Escola portuguesa, por exemplo, foi fortemente afectada, com correntes de água provenientes da ribeira de Bidau (Leste da cidade de Díli) que derrubaram um dos muros e obrigaram alunos e professores a subir para o 1º andar.

 

Chuvas tropicais, morfologia do território e ineficácia do governo

É sabido desde o tempo colonial, “as catástrofes naturais que mais afectam o território de Timor-Leste são provocadas maioritariamente por inundações, tempestades, escorregamentos, sismos, tsunamis e erosão, sendo a actividade humana um factor agravante na maioria dos casos” (Filipe Thomaz, et al, 2002).

Esta vertente, a “actividade humana”, agrava a situação e deve merecer a atenção particular de governantes e cidadãos, mas isso não acontece.

O aumento demográfico que se está a registar na cidade de Díli, em 2015 havia cerca de 253 mil habitantes, e a falta de controlo governamental, na medida em que há uma forte pressão do ambiente pela alteração do uso do solo, contribuem para a mudança das relações naturais, como a impermeabilização e a canalização do escoamento.

Os governantes não podem esquecer que “as elevadas precipitações, os acentuados declives, as bacias hidrográficas de reduzidas dimensões e o estado do coberto vegetal são alguns dos factores que provocam este tipo de inundações” (Fonte: Atlas de Timor-Leste, 2002).

As construções desorganizadas, o uso e a ocupação do solo urbano sem os necessários estudos (competentes) sobre o impacto que essas acções geram ao ambiente são alarmantes e apresentam complicações geológicas devido às construções em áreas de declividade, portanto, originando quedas de pontes e de outras construções, bem como, deslizamentos.

Em relação à problemática em torno da nova ponte (BJ Habibie) situada no final da rua principal do Bairro de Lecidere que faz a ligação para a praia da Areia Branca, há necessidade absoluta de reflexão e análise.

Tomei conhecimento de fonte fidedigna que houve uma proposta portuguesa para a resolução do problema de todo o sistema hidráulico de Díli, com uma obra no valor de 150 milhões de dólares. A proposta foi ao Parlamento Nacional, sem aprovação.

Os chineses, através da sua Embaixada, apareceram e disseram que se ofereciam para a construção do “sistema hidráulico de Díli”, com o orçamento de 150 milhões de dólares, mas de forma gratuita.

Os deputados não aceitaram o orçamento da obra em favor da ADP – Águas de Portugal uma vez que os chineses a ofereciam, mas, depois, estes nada fizeram. Está tudo por fazer..não aceitaram os portugueses, aceitaram os chineses, mas estes últimos nada fizeram.

Entretanto, o governo timorense decidiu construir a ponte, em outro negócio, e agora a ponte caiu parcialmente com as chuvas de 13 de Março. Note-se que, antes, havia uma obra de 1960, construída pelos portugueses, contudo, a população timorense aumentou 26 vezes.

Face a este descalabro, o Secretário de Estado da Protecção Civil, no dia 13, anunciou a necessidade de nova obra no valor de 250 milhões de dólares. Que mais dizer?

Sobre esta matéria, eis o testemunho de um português que conhece bem a realidade de Timor-Leste:

“o grande problema é que os portugueses fizeram uma obra hidráulica em 1960 quando a cidade tinha uma dezena de milhar de habitantes … agora .. encanaram linhas de água .. construíram em cima .. a água ganha velocidade a descer de Dare .. leva tudo na frente ..”

Lixo na cidade de Díli

Quem conhece bem a cidade de Díli pode observar o lixo crescente nas ruas da cidade, principalmente com milhares de garrafas de plástico que entopem os esgotos e muitas delas vão para o mar, sabendo-se que levam 400 anos no processo de degradação.

As áreas comerciais, jardins públicos da cidade e residências não escaparam à força das águas.

*M. AZANCOT DE MENEZES

PhD em Educação / Universidade de Lisboa

VER IMAGENS NO TEXTO ORIGINAL: Jornal Tornado

EUA: viveiro ideal do COVID-19

Posted: 17 Mar 2020 10:38 AM PDT

António Santos

Os Centros para o Controlo de Doenças e Prevenção (CDC, na sigla inglesa) só pedem que todos os estado-unidenses façam três coisas para evitar a propagação do COVID-19: 1) lavar as mãos; 2) não ir trabalhar doente; 3) se os sintomas persistirem, ir ao médico. Nos EUA, metade da população só terá dinheiro para a primeira.

Comecemos pela segunda recomendação: não ir trabalhar doente. Nos EUA, 32 milhões de trabalhadores não têm qualquer tipo de baixa médica paga. Se tivermos em conta que 45 por cento dos estado-unidenses têm zero dólares nas poupanças e que outros 25 por cento têm menos de 1000 dólares para uma emergência, ficar em casa sem salário durante 14 dias, como sugerem os CDC, é uma impossibilidade financeira que não só pode significar ter de escolher entre pagar a renda da casa ou a alimentação, como pode querer dizer perder o posto de trabalho: não há qualquer legislação que impeça o patrão de despedir um trabalhador em quarentena voluntária.

A terceira recomendação não é menos problemática: nos EUA, 60 milhões de pessoas não têm acesso a cuidados de saúde porque não podem pagar um seguro de saúde. Para esses, um teste do COVID-19 custa em média 1000 dólares. Mesmo para os sortudos com seguro de saúde, o preço do teste varia entre os 200 e os 600 dólares. Milhares de estado-unidenses com sintomas suspeitos queixam-se de que os hospitais lhes estão a negar o teste. Até ao dia 1 de Março, menos de 500 pessoas tinham conseguido fazer o teste.

Quando o número de casos positivos no país já supera os 600, a inoperância do sistema de saúde privado e sucessivamente suborçamentado revela-se em toda a sua inoperância. Desperdiçado um mês inteiro e crítico para a contenção, 8,3 mil milhões de dólares foi todo o dinheiro que o Congresso disponibilizou para enfrentar a epidemia, um décimo do que gasta anualmente com a guerra no Afeganistão. Na costa ocidental, a mais afectada, a crise foi recebida sem qualquer plano de contenção. Na costa oriental faltam milhões de kits de teste e ainda não há qualquer plano para os adquirir. De costa a costa, a especulação agiganta os preços dos produtos recomendados pelo CDC. Mesmo perante a possibilidade de uma pandemia, o capital só vê oportunidades de negócio e mantém-se disposto a lutar por elas, cêntimo a cêntimo, até ao fim.

Pode parecer paradoxal, mas o país mais rico do mundo que disputa a vanguarda global da ciência e da tecnologia é simultaneamente um dos mais frágeis a uma pandemia. É esta opinião que o eminente epidemiologista Michael Mina, da Universidade de Harvard, expressou recentemente num fórum sobre o COVID-19: “O estado do nosso sistema de saúde, a forma como privatizámos tudo, vai afectar seriamente a nossa capacidade. Não vamos conseguir criar novas camas, muito menos novos hospitais, nem sequer conseguimos testar as pessoas”.

Ao longo da História, as grandes pandemias nunca derrubaram o domínio de nenhuma classe nem revolucionaram os modos de produção vigentes. O que faz do COVID-19 um vírus altamente contagioso é o capitalismo: engendra as misérias que o propagam; atrofia e desorganiza a ciência que o podia travar; transforma os Estados em meros administradores de negócios e mercados, espantalhos inúteis e incapazes de responder às mais urgentes necessidades da espécie humana.

12/Março/2020

O original encontra-se em www.avante.pt/pt/2415//158454/

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/

A pandemia e o fim do neoliberalismo pós-moderno

Posted: 17 Mar 2020 09:56 AM PDT

O pós-coronavírus será como sair de uma guerra: tudo estará em escombros. Ao propagar o medo do outro, o individualismo radical, a insolidariedade social, o “salve-se quem puder”, sistema nos tornou frágeis. Agora é buscar a volta por cima

Juan Antonio Molina | Outras Palavras| Tradução de Simone Paz

Chegou a hora de reduzir ao absurdo o capitalismo em sua versão neoliberal e a pós-modernidade como seu suporte metafísico. Esta crise do coronavírus questiona e põe o mundo todo em dúvida. Afeta gravemente a saúde dos cidadãos, a vida das empresas, o destino dos empresários, os trabalhadores, os precarizados e os pobres

Tudo junto e misturado porque temos, nas sociedades modernas, uma “comunidade de destino” que nos une uns aos outros num emaranhado só. Termos quebrado esse vínculo, inclusive emocionalmente, pela difusão do medo aos demais, o individualismo radical, a falta de solidariedade social, o “salve-se quem puder” que o neoliberalismo nos impõe, nos tornou mais frágeis hoje — produto da hegemonia cultural perversa que acaba sendo antagônica quando deveríamos nos unir para enfrentar o inimigo em comum, do qual ninguém consegue escapar sozinho.

O pós-coronavírus será como um período de pós-guerra. Só encontraremos ruínas. Então, qual sentido vão ter todos aqueles excessos neoliberais — que tanto esta crise como aquela de 2008 já demonstraram ser falácias sem fundamento para impor o implacável direito de uma minoria de explorar, marginalizar e empobrecer as maiorias sociais? Ainda mais quando o coronavírus nos obriga a repensar o significado de nossas vidas, nossa forma de estar juntos, os perigos da globalização; sendo possível que ele nos devolva uma normalidade transformada, um renascer diferente, incluindo as regras financeiras internacionais. O problema é que perdemos o sentido do equilíbrio entre os diversos componentes da nossa sociedade.

Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia de 2001, escreveu um artigo publicado na revista Social Europe, chamado O fim do neoliberalismo e o renascimento da história, no qual aponta as consequências negativas da aplicação das políticas neoliberais. Estas incluem: reformas trabalhistas destinadas a enfraquecer os sindicatos e facilitar a demissão dos trabalhadores, bem como políticas de austeridade que tentam diminuir a proteção social por meio de cortes no gasto público social, na qualidade democrática dos países em volta do Atlântico Norte (incluindo a Espanha), e também, no bem-estar das classes populares. Uma das consequências desta realidade tem sido o enorme crescimento da desigualdade na maioria desses países, nos quais as políticas neoliberais têm sido aplicadas.

O neoliberalismo ataca todas as subjetividades e interpretações ideológicas da realidade que se suavizaram com a convivência, já que não acredita na sociedade e, sim, em indivíduos concorrendo entre si, em termos desiguais. Prega a forte liberalização da economia, o livre comércio de modo geral, e uma drástica redução do gasto público e da intervenção do Estado na economia a favor do setor privado, o qual passaria a desempenhar as funções tradicionalmente atribuídas ao Estado.

Não obstante, essa substituição do Estado, justificada por uma suposta ineficiência do setor público se comparado ao privado, vai por água abaixo quando a ineficácia dos banqueiros acaba com as entidades financeiras e, então, é solicitada a intervenção do Estado — que reconhece implicitamente a gestão pública, só que apenas articulando a perversa equação de privatizar os benefícios e coletivizar as perdas. O que seria da luta contra o coronavírus com um sistema de saúde absolutamente privado e focado exclusivamente no benefício empresarial?

Essa economia pós-moderna possui seus pilares numa visão apocalíptica do discurso político dos criadores do capital. O Estado é julgado culpado, ineficiente, corrupto, mas também lastro para a competitividade do mercado e de suas leis de oferta e demanda. Mudam as referências, o imaginário e as palavras para se referir ao Estado de bem-estar. O capitalismo é reinventado. Tudo é modificado para dar lugar a um ser despolitizado, conformista social. Um perfeito ignorante social. As velhas estruturas cedem espaço para uma ordem social cujas reformas enaltecem os valores individualistas, o “eu” acima do “nós”, onde os outros são considerados obstáculos ou concorrentes que devemos destruir… mas, nisso, chegou o coronavírus.

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Itália | “Não estávamos à espera de algo tão repentino e devastador”

Posted: 17 Mar 2020 09:43 AM PDT

Além de nos descrever a situação em Itália, o cientista italiano Francesco Galassi diz que, em breve, toda a Europa vai enfrentar problemas semelhantes ao seu país.

ENTREVISTA

Normalmente, o cientista e médico italiano Francesco Galassi investiga as doenças que afectaram os humanos no passado. Mas, nos últimos tempos, tem-se dedicado ao presente: tanto a combater as fake news sobre a covid-19 como a dar informação correcta sobre o que está a acontecer em Itália. “Fornecer informações correctas ao público é um dever moral de todos os médicos e académicos”, considera. O professor da Universidade de Flinders, na Austrália, descreve-nos a situação em Itália, alerta-nos para os riscos em Portugal e leva-nos numa viagem pelas pandemias ao longo da história. Neste momento, também ele tem trabalhado sobretudo em casa, na Sicília, onde dirige o Centro de Investigação FAPAB, que se dedica à paleopatologia, bioarqueologia e antropologia forense.

Como está a situação em Itália, actualmente?

A situação ainda é muito grave. Já contamos com mais de 24 mil casos e mais de 2100 mortes. Estamos sobretudo preocupados com os espaços reduzidos nos hospitais e com a rápida disseminação da doença. O Norte industrialmente produtivo está de rastos e o resto do país está a seguir essa tendência.

O sistema de saúde italiano estava preparado para esta pandemia?

O sistema de saúde italiano é um dos melhores do mundo. Contudo, não estávamos à espera de algo tão repentino e devastador como a situação trazida pelo novo vírus. O principal problema está relacionado com o facto de muitas pessoas terem sido internadas nas unidades de cuidados intensivos e de os hospitais ficarem sem camas. E está a acontecer precisamente numa altura de maior afluência por causa da gripe sazonal e de doenças como o AVC. Isto é um choque para o sistema e para todo o país. Reduzi-lo a um “problema italiano”, como aconteceu com outras doenças ao longo da história, é errado. Em breve, toda a Europa enfrentará problemas semelhantes.

É verdade que os médicos italianos têm de escolher pôr ventiladores entre doentes mais jovens e mais velhos?

Infelizmente, é verdade. Decisões difíceis devem ser tomadas devido ao aumento dos casos de insuficiência respiratória, o que causará um desequilíbrio entre as necessidades dos doentes e os recursos hospitalares disponíveis. A Sociedade Italiana de Anestesia, Analgesia, Reanimação e Cuidados Intensivos publicou orientações específicas sobre como se deve enfrentar este cenário. Os tratamentos nos cuidados intensivos têm de ser garantidos para doentes com mais probabilidade de sucesso terapêutico. Portanto, a “maior esperança de vida” deve ser favorecida. Isto seria impensável há umas semanas.

 

O sistema de saúde italiano está a entrar em colapso?

Estamos a esforçar-nos ao máximo para aguentar, mas esse é um risco que temos em conta. Depende muito de como podemos parar a transmissão do vírus. As próximas duas semanas serão fundamentais. Os profissionais de saúde estão a dar tudo o que têm. Estão exaustos, mas não desistem. São “soldados” que estão a lutar contra um inimigo praticamente invisível para salvar vidas.

A quarentena em Itália foi decretada demasiado tarde?

É sempre melhor mais tarde do que nunca, mas devíamos ter actuado mais cedo. Nestas alturas, não há apenas decisões científicas ou médicas, a política tem sempre um grande papel em tudo isto. Estou satisfeito por a classe política ter concordado com estas medidas. Não podemos passar o tempo a queixar-nos sobre o que deveria ter sido feito antes; agora, temos de enfrentar a situação e actuar o mais rápido possível.

Como está a ser a quarentena em Itália?

É possível sair de casa com motivos devidamente justificados, como para ir trabalhar (quando o teletrabalho não é possível), para cuidados de saúde e outras questões de sobrevivência (por exemplo, ir ao supermercado ou à farmácia). Deve-se mostrar às autoridades uma certificação que demonstra a verdadeira razão para a pessoa se estar a deslocar àquele local. Por agora, estamos de quarentena até 3 de Abril.

Esta quarentena será suficiente?

É uma quarentena drástica e trará resultados decisivos. Se as pessoas não perceberem que devem mesmo resguardar-se, medidas mais graves serão implementadas. A saúde pública é uma prioridade, a qualquer custo.

Há pessoas que ainda não perceberam que devem ficar em casa?

Muitas já perceberam e muitas não se estão a comportar da melhor forma. A polícia está a sancionar essas más condutas. Acho que essas pessoas estão a subestimar o problema e pensam que é uma típica doença sazonal.

Por que é que a situação se tornou tão grave em Itália?

Esta é uma situação com uma dimensão internacional, não tem uma dimensão só italiana. Em Itália, testámos um grande número de pessoas, mais do que outros países.

Mas como é que esta pandemia começou em Itália?

A 20 de Fevereiro, o paciente número 1 chamou a atenção das autoridades de saúde na Lombardia. De acordo com o médico que o tratou, apresentou sintomas de uma ligeira pneumonia que não estava a responder às terapias tradicionais. Ao se falar com o doente, tornou-se claro que ele tinha jantado com uma pessoa que tinha regressado da China. Isto fez com que as autoridades de saúde ficassem alarmadas e começassem a fazer testes às pessoas a propósito do novo coronavírus. O teste do paciente 1 deu positivo, mas o teste da tal pessoa que regressou da China deu negativo. Por esta razão, ainda não sabemos quem é o paciente zero. Estudos moleculares mais recentes mostraram que o paciente zero faz parte de um “episódio alemão”, ou seja, alguém que chegou ao Norte de Itália vindo de Munique, embora a origem da doença seja na China.

Quais poderão ser os cenários dos próximos dias?

A situação pode piorar e esperamos mais casos positivos, assim como mais mortes. Mas os italianos sabem como enfrentar as dificuldades e estou certo de que juntos iremos triunfar sobre este inimigo.

Já se atingiu o pico do surto em Itália?

Não é fácil de se responder a isso porque não há apenas um foco da epidemia, o que significa que há diferentes curvas. Por agora, o Governo italiano estima que seja atingido a 18 de Março, mas isso apenas numa parte do país. Na Sicília, espera-se que seja daqui a entre 20 e 13 dias.

Está a seguir a situação em Portugal? Estamos a fazer o suficiente, como a declaração do estado de alerta e fecho de escolas e limitação de circulação de pessoas?

Sim, estou a acompanhar. Por agora, o país não tem sido fortemente afectado como outros, como Itália, mas os dados não são certamente agradáveis. Tal como vimos na China, quando o contacto entre humanos é rapidamente limitado, são alcançados melhores resultados preventivos. As medidas portuguesas são um bom sinal ao nível do risco que se está a enfrentar, mas medidas mais rigorosas deverão ser aplicadas imediatamente, para se evitar o que aconteceu em Itália.

E quanto a outros países europeus, como o Reino Unido ou a França, que têm aplicado diferentes medidas? Devem ser mais drásticas?

Absolutamente! Nem tenho dúvidas disso. Antes de termos uma vacina eficaz disponível, uma quarentena intensa é a melhor forma de prevenção. Tenho lido os comunicados oficiais do Reino Unido esta semana e fiquei chocado. Uma pandemia como esta deve ser vigorosamente travada. Não podemos apenas ficar sentados à espera de ver como iremos sobreviver. Tenho a impressão de que algumas pessoas ainda não perceberam a verdadeira natureza e escala deste problema.

Quais são ainda os maiores riscos para Portugal?

Os mesmos de Itália. Estamos todos no mesmo barco. O principal risco é o impacto maciço no sistema de saúde. Também são esperados problemas económicos. É um problema geral com consequências já previsíveis. Mas tenho a certeza de que os médicos portugueses farão o seu melhor para conter esta nova doença.

Como deve ser o comportamento das pessoas nesta altura?

Nesta fase, devemos resguardar-nos. Devemos evitar viagens e actividades ao ar livre que não sejam estritamente necessárias. Não devemos tocar ou falar muito perto com as outras pessoas. Todas as regras de higiene devem ser aplicadas no nosso quotidiano. Elas são sempre importantes, mas agora tornaram-se fundamentais. Um grande sentido de responsabilidade deve ser interiorizado a nível individual e comunitário.

Fazendo uma viagem pela história, quais são as principais pandemias?

Na Ilíada de Homero temos [uma referência a uma praga] através da ira de Apolo. As grandes epidemias são reportadas em fontes históricas: a praga de Atenas [430 a.C.-426 a.C.] é descrita por Tucídides; a peste Antonina e a praga de Cipriano devastaram o Império Romano; a praga de Justiniano [afectou o mundo mediterrâneo no século VI]; a Peste Negra [no século XIV dizimou um quarto da população Ocidental], da qual Boccaccio nos deu um relato detalhado; a cólera no século XIX; e a gripe espanhola no final da Primeira Guerra Mundial. A qualquer momento, apesar dos avanços científicos, estamos vulneráveis a [estas epidemias] e as reacções das pessoas são muito semelhantes às que são descritas nas fontes históricas. À medida que a infecção se espalha, o medo é algo comum em todos estes momentos históricos.

Quais as semelhanças com a pandemia que estamos a viver?

A grande semelhança entre as grandes pragas e esta pandemia é a componente animal, em que a doença passa dos animais para as pessoas, a que chamamos zoonose. Se ler a Ilíada, a doença que afecta os gregos primeiro afectou os animais. Este contacto próximo entre animais e humanos aconteceu sempre ao longo da história, o que permitiu a zoonose. Por exemplo, a peste de Atenas foi causada por uma bactéria e a pandemia actual foi por um vírus. Já a pandemia da gripe espanhola foi provocada por um vírus influenza e teve um impacto diferente porque começou a afectar os mais novos, em vez dos mais velhos. O coronavírus afecta, sobretudo, os mais velhos e também afecta as pessoas mais novas. É errado quando as pessoas dizem que só afecta os mais velhos.

Já a pandemia de 2009 foi uma epidemia da gripe [suína]: era uma doença completamente diferente da covid-19 e causada pelo vírus H1N1. Esta vem de um coronavírus. Das estimativas que temos, a letalidade da gripe suína será menor do que aquela que estamos a ver por agora na covid-19, mas é muito cedo para fazermos estimativas. Uma coisa que é realmente característica da covid-19 – e que não é na gripe – é que causa pneumonia viral primária. A covid-19 tem alguns sintomas similares à influenza, mas é muito mais grave.

E qual o impacto dessas pandemias?

Tiveram um impacto enorme na história, por diversas razões. No passado, as pessoas não sabiam o que as provocava: diziam que tinham sido causadas pela fúria de Deus. Não se tinha ideia de que os agentes patogénicos espalhavam doenças. Também não tinham medidas preventivas. As medidas de higiene eram muito poucas e a transmissão da doença era muito fácil. E a medicina da altura não tinha grande capacidade para garantir condições de vida. Não é surpreendente que tenhamos milhões de mortes durante a Peste Negra ou durante a gripe espanhola. Nesta última, a Europa estava devastada pela Primeira Guerra Mundial e os soldados e as trincheiras favoreceram a chegada da doença.

Apesar de ainda não termos todos os dados, a letalidade da covid-19 será muito mais baixa do que a da peste do século XIV porque estamos em períodos diferentes. Não havia medidas de higiene e a medicina não era avançada e eficaz como a de hoje. Mas é sempre algo que pode mudar. A actual pandemia é a prova de que as grandes doenças podem sempre voltar a afectar o nosso mundo. Nesta altura, é muito importante reagir rapidamente e implementar medidas preventivas para conter a epidemia.

O conceito de quarentena começou em Itália. Há semelhanças com a situação actual?

No seguimento da grande peste do século XIV, foi criada uma série de medidas sobretudo pelos venezianos e pela República de Ragusa [hoje Dubrovnik, na Croácia]. O termo introduzido foi “quarentena”, o que significava que as pessoas suspeitas de terem a doença chegavam nos navios não podiam desembarcar e tinham de ficar isoladas durante 40 dias. A palavra permaneceu igual, mas o período de isolamento hoje pode ser muito menor e variar (o desta pandemia é de 14 dias). Agora [na pandemia do coronavírus] a quarentena estendeu-se a toda Itália e é apoiada por provas científicas.

Quão responsáveis somos por estas pandemias?

Podemos sê-lo devido a poucas condições de higiene, movimentações e interacção social. A nível político, muitas vezes quem está no poder aborda estas questões sem usar a perspectiva médica ou sem ouvir suficientemente cedo quem investiga estes problemas.

Como podemos travar a pandemia?

Se todos os países adoptarem sistemas de prevenção, podemos ter esperança no futuro. Precisamos de desacelerar a pandemia até termos medicamentos eficazes e, acima de tudo, uma vacina disponível. Temos de mostrar que a espécie humana consegue permanecer unida para derrotar um inimigo comum.

Teresa Sofia Serafim | Público

Imagens: 1 – Limpeza nas ruas de Roma devido à pandemia do novo coronavírus ANGELO CARCONI/LUSA; 2 – Francesco Galassi DR

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Pandemia de coronavírus pode durar até dois anos, diz agência alemã

Posted: 17 Mar 2020 08:19 AM PDT

Instituto Robert Koch diz que duração depende, entre outros fatores, de quando haverá vacina para o coronavírus disponível. Agência eleva risco à saúde da população do país de “moderado” para “alto”.

As medidas restritivas adotadas por diversos países para combater a disseminação do coronavírus Sars-Cov-2, causador da doença respiratória covid-19, podem ter de vigorar por dois anos “em caso extremo”, disse nesta terça-feira Lothar Wieler, diretor do Instituto Robert Koch (RKI), responsável pela prevenção e controle de doenças na Alemanha.

Para Wieler, a pandemia do coronavírus pode durar “até dois anos”, e, por isso, a situação precisa ser constantemente reavaliada. O diretor-geral do RKI também lembrou que pandemias costumam ocorrer em “ondas”, mas que não se sabe exatamente com que velocidade essas ondas se propagam. Por isso, poderá demorar anos até que as infecções atinjam o nível esperado de entre 60% e 70% da população.

A duração da pandemia, segundo Wieler, também depende de quando haverá uma vacina disponível – o que poderia acontecer no ano que vem.

Nesta terça-feira, o RKI também classificou o risco do coronavírus para a população como “alto”. Wieler justificou a alteração com a constatação de um aumento veloz do número de infecções no país, além de um “alarme” soado por hospitais e secretarias de saúde regionais. Em algumas áreas do país, o número de pacientes infectados e que precisam de auxílio respiratório e terapia intensiva nas casas de saúde vem aumentando rapidamente, enquanto em outros locais a situação é mais calma.

Os hospitais na Alemanha também disseram esperar uma subida drástica no número de pacientes infectados com o coronavírus nos próximos dias, mas dizem estar preparados e que o sistema não ficará sobrecarregado.

Wieler destacou que o risco para a população varia de região para região no país e que há áreas na Alemanha que podem ser enquadradas com um risco “muito alto”, a exemplo de Heinsberg, cidade mais afetada pela doença respiratória covid-19, causada pelo coronavírus Sars-Cov-2. Um risco “muito alto” é o mais alto nível de alarme na Alemanha. Até agora, a ameaça que o coronavírus representava para a saúde da população havia sido classificada de “moderada”.

Nos últimos dias, autoridades do país vêm anunciando medidas de distanciamento social para conter a propagação do coronavírus, incluindo o fechamento de escolas e creches. Nesta terça, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha desaconselhou viagens turísticas por todo o mundo para evitar que mais cidadãos alemães fiquem retidos no exterior.

“Decidimos desaconselhar todas as viagens desnecessárias e turísticas de alemães para o exterior. Por isso, pedimos urgentemente: fique em casa. Assim, você ajuda a si mesmo e aos outros! Esse alerta vale para todo o mundo”, escreveu Maas, no Twitter.

aas também anunciou um plano para repatriar milhares de turistas alemães retidos em países estrangeiros devido à crise do coronavírus. Segundo Maas, 50 milhões de euros serão disponibilizados para o programa de repatriação. O governo alemão fará todo o possível para trazer as pessoas afetadas de volta à Alemanha nos próximos dias e está em contato com companhias aéreas.

Os primeiros a serem repatriados devem ser os alemães que se encontram em regiões particularmente afetadas pelo coronavírus, incluindo Marrocos, Egito, República Dominicana, Filipinas e Maldivas.

A Alemanha vem registrando ascensão rápida no número de casos confirmados. Segundo o RKI, o país registrou 6.012 infecções pelo coronavírus até a noite de segunda-feira (16/03), com 13 mortes. São 1.100 infecções a mais do que no dia anterior. O mapa da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos e usado como uma das referências para apurar o número de casos em tempo real computava quase 7.700 casos na Alemanha na tarde de terça-feira (horário local).

O diretor do RKI admitiu também que é preciso partir do princípio de que o número de casos é bem maior do que o divulgado pela agência. Para os especialistas, a dinâmica – ou seja, a velocidade – da disseminação é decisiva. Wieler sublinhou que é preciso fazer de tudo para conter a propagação do Sars-Cov-2 para que o sistema de saúde não seja sobrecarregado, inclusive uma preparação rápida para tratar de casos graves.

O ministro da Saúde, Jens Spahn, também anunciou que encarregaria o RKI de avaliar os números relativos aos pacientes já curados do coronavírus. A medida é importante para o esclarecimento da população. Spahn explicou que, a cada dia, aumenta a diferença entre as novas confirmações estatisticamente apuradas e infecções que passaram despercebidas, em parte por ocorrerem sem sintomas.

Deutsche Welle | RK/dpa/afp/ots

Covid-19. A mudança de estratégia do Reino Unido influenciada por previsões alarmistas

Posted: 17 Mar 2020 08:03 AM PDT

Na segunda-feira à noite, Boris Johnson pediu à população que evitasse o contacto social, entre outras medidas. Uma mudança de planos, até aqui sem a tomada de medidas mais restritivas, que coincide com a divulgação de um estudo que aponta para mais de 250 mil mortes no Reino Unido, caso persistisse a estratégia tomada até agora.

As medidas preconizadas pelo primeiro-ministro Boris Johnson vão no sentido da população evitar qualquer contacto e deslocação “não essencial” e recomendou às pessoas idosas que se isolem durante três meses.

São medidas menos radicais que as adotadas pelos países vizinhos, não prevendo o encerramento de escolas, restaurantes ou salas de espetáculos, nem mesmo a interdição de eventos. São, no entanto, uma mudança face ao comportamento controverso adotado até aqui, dizem os analistas. Até aqui, a estratégia era de isolar quem apresentava sintomas ou que vinha de zonas de risco para aligeirar a pressão sobre os serviços e favorecendo a emergência de uma “imunidade coletiva”.

De acordo com a imprensa britânica, a mudança prende-se em partiular com um relatório do Imperial College of London, apresentado também esta segunda-feira.

Os dados são dramáticos. No cenário de nada ser feito, estimava-se que até agosto o vírus infetasse 81% da população e provocaria 510.000 mortos.

Com uma resposta das autoridades em linha do que tinha sido a estratégia até segunda-feira pelo Governo, os investigadores estimam que o Reino Unido arriscaria ter até 260.000 mortos, fruto de um “naufrágio” do sistema de saúde e num cenário de “epidemia catastrófica”.

Com medidas mais fortes de redução de contactos, semelhantes aos anunciados na segunda-feira, esses números poderiam ser reduzidos a “alguns milhares ou dezenas de milhares” o número de mortos.

O facto de França ter também adotado medidas muito restritivas terá pesado ainda na mudança de atitude, refere o jornal Le Monde.

O relatório conclui que a “supressão é a única estratégia viável no momento atual”.

De acordo com o Imperial College, a principal dificuldade da nova estratégia será o tempo em que terá de estar implementada, até que esteja disponível uma vacina, o que pode demorar 18 meses.

O último balanço apontava para 55 mortos no Reino Unido e 1.543 casos. As autoridades reconheceram que o número de casos real pode ser muito superior.

RTP | c/agência France Presse

França restringe circulação de pessoas para conter coronavírus

Posted: 17 Mar 2020 07:53 AM PDT

‘Nós estamos em guerra, em guerra sanitária, não contra um Exército, mas o inimigo está lá e requer uma mobilização geral’, afirmou presidente; franceses poderão sair de casa apenas para trajetos estritamente necessários

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou na segunda-feira (16/03) a imposição de restrições drásticas na circulação de pessoas para tentar controlar a propagação do novo coronavírus. Pelos próximos 15 dias, os franceses poderão deixar suas casas apenas para ir ao trabalho, supermercado e realizar viagens estritamente necessárias.

“Nós estamos em guerra, em guerra sanitária, não contra um Exército, mas o inimigo está lá e requer uma mobilização geral”, afirmou Macron, durante um pronunciamento na televisão.

O presidente francês afirmou que os “movimentos serão fortemente reduzidos” e apenas “os trajetos necessários” serão permitidos, com sanções para quem não obedecer. Macron afirmou que a ampliação da restrição foi necessária pois o pedido para que o contato social seja evitado não está sendo respeitado.

“As reuniões de família e amigos não são possíveis, assim como encontrar amigos no parque deixa de ser possível”, disse Macron. “Vimos pessoas em parques, mercados lotados, restaurantes, bares que não estão seguindo as instruções. Você não está somente não se protegendo, mas não está protegendo os outros”, ressaltou.

Macron repetiu o apelo para que os franceses permaneçam em casa. Ele não anunciou qual será a punição para aqueles que não cumprirem as restrições. Além da medida, ele anunciou o adiamento do segundo turnos das eleições locais e a suspensão da reforma da Previdência , que levou milhares de franceses às ruas ao longo do ano passado.

Nesta segunda-feira, a França registou ao todo 5.397 casos da covid-19 e 127 mortes. O país também fechará as fronteiras para os estrangeiros, assim como estão fazendo diversos países-membros da União Europeia (UE). Apenas franceses e residentes poderão entrar no país pelos próximos 30 dias.

Opera Mundi

Espanha estatiza hospitais privados para combater coronavírus

Posted: 17 Mar 2020 07:44 AM PDT

‘Os recursos sanitários, públicos e privados, das comunidades estarão sob as ordens dos Conselhos de Saúde de cada território’, informou o governo

O governo de Espanha deu permissão para que as autoridades de saúde estatais do país assumam o controle de hospitais privados para atender e hospitalizar casos de coronavírus.

A decisão, divulgada na tarde de segunda-feira (16/03), vem após a Espanha se tornar o segundo país europeu mais afetado pela pandemia do Covid-19, atrás apenas da Itália.

Segundo disposição do Ministério da Saúde espanhol comunicada no Diário Oficial, “as autoridades sanitárias competentes […] poderão habilitar espaços para uso sanitário em locais públicos ou privados, que reúnam as condições necessárias para prestar atendimento”.

“Os recursos sanitários, públicos e privados, das comunidades estarão sob as ordens dos Conselhos de Saúde de cada território”, informou o governo.

O ministro da Saúde da Espanha, Salvador Illa, justificou a medida afirmando que o país precisa ter “todos os meios para proteger a saúde e o interesse público”.

“[A medida] visa garantir a coesão do sistema de saúde e que todos os cidadãos possam ser atendidos em condições de igualdade”, disse o ministro.

O governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez ainda determinou que estudantes do quarto ano de medicina e residentes nas áreas de tratamento intensivo e geriatria tenham seus contratos prorrogados para serem colocados à disposição do Estado no combate ao coronavírus.

Ainda segundo o Ministério da Saúde espanhol, as empresas e laboratórios particulares que façam diagnósticos ou produzam máscaras e outros produtos que possam ser empregados no combate ao coronavírus têm 48 horas para informar o governo da sua existência e da sua capacidade produtiva.

Madrid ainda determinou que todos os aposentados do sistema de saúde com menos de 70 anos “deverão estar disponíveis” caso sejam requisitados a prestar serviços no combate à pandemia.

Segundo o diretor de emergências sanitárias do Ministério da Saúde, Fernando Simón, a Espanha registou 1.987 novos casos nas últimas 24 horas e chegou a 11.178 casos no total. Até ao momento, 491 pessoas morreram por complicações geradas pelo coronavírus.

Opera Mundi

Portugal tem 448 casos confirmados de Covid-19. 117 nas últimas 24 horas

Posted: 17 Mar 2020 05:46 AM PDT

“Estamos na fase de aceleração do contágio”, segundo António Lacerda Sales, secretário de estado da Saúde. Nas últimas 24 horas, foram confirmados mais 117 infetados pelo novo coronavirus, em Portugal, segundo o boletim diário da DGS, desta terça-feira, um dia depois de ter morrido o primeiro doente com covid-19 no país.

Os cálculos matemáticos estimam que o pico da pandemia provocada pelo novo coronavírus, em Portugal, só aconteça no final de abril, início de maio. E os novos casos revelados todos os dias têm confirmado esta expectativa, superando entre os 30% a 50% o dia anterior. Nas últimas 24 horas, foram notificados mais 117 casos de covid-19 no país, elevando assim a contagem total para 448 infetados e uma morte, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta terça-feira (17 de março).

Há ainda 323 pessoas a aguardar o resultado das análises laboratoriais, três recuperados e 6852 em vigilância pelas autoridades de saúde. Embora Portugal tenha notificado o primeiro caso de covid-19 no dia 2 de março, desde o primeiro dia do ano houve 4030 suspeitos.

Este é também o dia em que o surto chega a quase todo o território nacional. Só no Alentejo ainda não há casos. No arquipélago da Madeira, uma cidadã holandesa, que aterrou no aeroporto a 12 de março (antes das medidas de proteção estarem em vigor), testou positivo para o novo coronavírus, anunciou o presidente do Governo regional, Miguel Albuquerque, esta terça-feira, em conferência de imprensa. Esta caso ainda não se encontra registado no boletim da DGS.

A região mais afetada do país é o Porto (196 casos), depois Lisboa (180). Foi na capital, no Hospital de Santa Maria, que morreu, esta segunda-feira, a primeira vitima do covid-19, em Portugal, um enfermeiro e massagista do Estrela da Amadora. Nas regiões com maior número de casos, seguem-se o centro (51) e o Algarve (14). Nos Açores, há apenas um caso. Estão também a ser acompanhados no país seis cidadãos estrangeiros.

19 cadeias de transmissão

Já existe em Portugal transmissão local e há 19 cadeias de contágio, mais uma do que esta segunda-feira. “Estamos na fase de aceleração do contágio”, admitiu António Lacerda Sales, secretário de estado da Saúde, em conferência de imprensa, no final desta manhã.

A maior parte destas cadeias têm origem em casos importados. Há 18 doentes notificados com ligações a Espanha, 17 a Itália, 13 a França, 8 à Suíça, e um da Alemanha e Áustria, Andorra, Bélgica, Países Baixas e Reino Unido.

Costa: “Mesmo sem estado de emergência é possível impor restrições”

Em vésperas do Conselho de Estado – que acontece quarta-feira às 15:00 e onde deverá ser decidido se o país avança com o estado de emergência – o primeiro-ministro lembrou que o quadro jurídico permite ir escalando as medidas. António Costa sublinhou que a pandemia não durará apenas duas semanas, pelo que poderá obrigar o Governo a tomar medidas inversas, como a requisição civil de trabalhadores e de equipamentos a empresas. “Mesmo sem estado de emergência é possível impor restrições”, disse o primeiro-ministro, esta segunda-feira à noite, em entrevista à SIC.

António Costa está a colocar nas mãos de Marcelo a declaração de um estado de emergência no país – estado de exceção que só pode ser acionado em casos de grave ameaça ou perturbação da ordem democrática ou de calamidade pública. Neste cenário, há direitos fundamentais que nunca podem ser colocados em causa, nomeadamente, os direitos à vida ou à integridade pessoal. Esta declaração tem de passar pelos três órgãos de soberania, tendo de ser decretado pelo Presidente da República, depois de uma audição do Governo e de uma autorização da Assembleia da República. A ser declarado, será a primeira vez que este estado vigorará desde o 25 de abril de 1974.

Repostas fronteiras entre Portugal e Espanha

A luta para combater o novo coronavírus levou também à reposição, desde as 23:00 de segunda-feira, das fronteiras com Espanha – uma medida que, não sendo inédita, só é usada em casos muito especiais.

Até dia 15 de abril, os dois países ibéricos voltam a ter fronteiras terrestres, aéreas e marítimas. Foram suspensos os voos entre os aeroportos nacionais e os espanhóis, bem com as ligações ferroviárias e as duas ligações fluviais que existem no Minho e no Algarve.

A reposição das nove fronteiras terrestres obriga a uma maior mobilização de meios, através da GNR e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Espanha é, neste momento, o quarto país do mundo com o maior número de infetados (11 178). Já morreram 491 (149 nas últimas 24 horas). Só está atrás do China – país onde o surto começou, mas que o conseguiu controlar com sucesso nas últimas semanas -, da Itália – o novo epicentro do vírus no mundo – e do Irão.

O covid-19 infetou 186 676 pessoas em todo o mundo. Destas, 80 338 já recuperam. Morreram 7 471 cidadãos.

Rita Rato Nunes | Diário de Notícias

Que tristeza. Eis uma amostra da bestialidade…

Posted: 17 Mar 2020 04:50 AM PDT

Bom dia. Eis o Curto do Expresso, por Martim Silva, diretor-adjunto lá do burgo Balsemão Bilderberg Impresa… e outras nas ilhargas. Hoje não estamos para levar por diante grande prosa, considerações e opinião em antecipação ao Curto.

Imagens em jornais e televisão mostram-nos a estupidez natural de imensos portugueses e prováveis estrangeiros que não seguem à risca as restrições, medidas de segurança e integridade dos próprios e dos outros seus concidadãos. Vimos, por exemplo, no aeroporto de Lisboa (AQUI) as pessoas juntinhas com pressa de chegar à frente nas filas em que – queiram ou não – têm de esperar pela sua vez. Umas bestas que quase não merecem consideração ao demonstrarem que não a nutrem pelos outros – que estão nas suas proximidades. E isso aborrece, e isso entristece os que afinal se esquecem que a humanidade é ela própria a causadora da construção da estrada que a leva à extinção. Porque vai acontecer, mais século ou menos século, mais milénio ou menos milénio. Pessimismo, dirão alguns. Oxalá. Certo é que não é só o exemplo referido acerca do aeroporto. São todos, os muito mais que vimos e ouvimos, milhentos. E isso é real. É a desumanidade que temos, a ignorância eivada de ganância, arrogância e afins. A bestialidade.

Tristes espectáculos. Não devíamos ter nascido para isto. Tristes espectáculos.

Siga o Curto pela lavra de Martim. Bom dia, se conseguirem.

PG | © Imagem cedida ao Notícias ao Minuto

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Costa e a emergência no país em que nasceu o primeiro bebé de uma doente com Covid19

Martim Silva | Expresso

Bom dia,

É só amanhã saberemos se passamos ou não a estado de emergência, algo que não acontece desde o final do Verão Quente de 1975. Mas o país já está ele todo num estado (informal) de verdadeira emergência, com menos gente a trabalhar, mais gente em casa, a economia a parar, as fronteiras a encerrar, o turismo e a restauração a hibernarem. Todos estamos preocupados e inquietos. Todos esperamos que isto passe o mais rápido possível

Na última noite, António Costa foi à SIC para uma entrevista sobre o tema. A sua prestação parece ter sido positiva, basta atentar no que já escreveu o Henrique Raposo, que afirma aqui que “pela primeira vez na vida” gostou de ouvir o primeiro-ministro.

De qualquer forma, parece ter ficado claro que o chefe do Governo, embora não tenha querido entrar em polémicas com o Presidente da República, que se prepara para amanhã ouvir o Conselho de Estado e decretar o estado de emergência, não é grande fã da medida nesta altura.

Para amanhã de manhã, já se sabe, está marcada a reunião do Conselho de Estado, o órgão consultivo do Presidente da República, para decidir se é ou não decretado o estado de emergência em Portugal. Mas não só António Costa já demonstrou algumas dúvidas, como o tema também divide constitucionalistas. E também Lobo Xavier alerta contra fundamentalismos.

No Parlamento, parece haver uma quase unanimidade à volta do assunto.

Desta manhã é a notícia do nascimento de uma bebé em Portugal filha de uma infectada com o novo coronavírus.

Esta informação também é relevante e diz respeito a portugueses que se encontram noutros países e nesta altura sem forma de regressar.

Médicos representam 20% dos infetados com Covid-19, alerta Ordem

Governo antecipa impacto de €2 mil milhões por mês com medidas de apoio à família e ao trabalho

Bancos têm regras mais suaves por agora. Objetivo? Poder financiar empresas e particulares.

Ainda na economia, este título diz que compra e venda de casas parou, já ninguém vai ver imóveis.

Vírus “ataca forte” na restauração.

E o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio avisa: “mais do que encerrar lojas, é preciso dar condições aos trabalhadores”

Comissão Europeia oferece €80 milhões para apoiar biofarmacêutica alemã que procura vacina contra novo coronavírus

“Imunidade de grupo”, ou como vacinar um povo com vírus vivos. A estratégia do Reino Unido para lutar contra a pandemia divergiu da de muitos países europeus. Perceba aqui o que se passa por lá.

Foi já ontem, pela hora de almoço, que se soube da notícia da primeira morte por Covid19 em Portugal. E há mais 18 pessoas em cuidados intensivos. Fica aqui a referência.

Aqui pode perceber melhor o historial que levou à primeira morte.

E aqui pode perceber o que se passa com Jorge Jesus.

Referência também para as palavras da ministra da Saúde, Marta Temido, que falou em verdadeiro estado de guerra: “Isto é como se fosse uma guerra e numa guerra é preciso disciplina”

Ontem ao final da noite retomou-se o controlo das fronteiras terrestres. Veremos como vai correr. Mas para já os autarcas da raia nordestina louvam fecho de fronteiras mas querem salvaguarda de circulação de profissionais de saúde.

Precisamente junto à fronteira esteve ontem o Expresso em reportagem, que pode ler aqui.

Em reportagem também, andámos por Lisboa e Porto para perceber como é que os cidadãos estão a seguir as recomendações de recato e isolamento. A Isabel Leiria constatou uma cidade a meio gás. E o André Manuel Correia passeou por uma invicta deserta.

OUTRAS NOTÍCIAS

Cá dentro,
Presidente executivo da EDP recebeu 2,1 milhões de euros em 2019

CMVM aplica coimas de 3,5 milhões no caso PT. Henrique Granadeiro vai pagar 750 mil euros, Zeinal Bava 600 mil

Ministério da Justiça transfere 40 inimputáveis para aliviar sobrelotação de Santa Cruz do Bispo

Tenha a atenção a esta notícia. Caso batam à sua porta a dizer que é da NOS para ver se o seu serviço de TV está ok, tenha cuidado: é fraude.

Aqui fica a notícia de um festival musical online, precisamente para responder à crise.

Lá fora,
China “indignada” com Trump após referência ao “vírus chinês” no Twitter

E os mercados financeiros continuam um turbilhão. Wall Street registou a queda maior do que nos dias negros do crash de 1929

O QUE ANDO A LER

Permita-me o leitor um olhar para dentro, na tentativa de o ajudar a si.

Na edição do Expresso de sábado passado publicámos um Guia Especial sobre o Covid 19, com muitos textos, explicadores, perguntas e respostas sobre o novo coronavírus.

Deixo-lhe aqui alguns dos links de textos que acho mesmo que vale a pena ler:

O que já sabemos sobre o vírus

Escola fechada, crianças em casa. E agora?

Grupos de risco. Cuidados a ter

O QUE FAZER? COVID-19

O que é um contacto próximo?

Testes. Tudo o que precisa de saber

Viagens Cancelar vai ficar mais fácil

O MAPA DA PANDEMIA

Supermercados. Não há razão para alarme. E não há ruturas

O antivírus do Governo. Medidas para as empresas e para os trabalhadores

Como funciona o seguro em teletrabalho?

Seguros de vida cobrem pandemias

OMS Mitos a desfazer

Economia E quando sairmos disto?

Por hoje é tudo. Fico por aqui, com um pedido de desculpas pelo atraso no envio desta newsletter.

Já sabe que pode ir acompanhando toda a atualidade nacional e internacional no online do Expresso. E embora nesta altura seja pouco aconselhável sair de casa a menos que tenha muito que o fazer, fique a saber que as temperaturas vão subir e muito nos próximos dois dias (esperemos não voltar a ver multidões nas praias).

Tenha um excelente dia.

Sugira o Expresso Curto a um/a amigo/a

RESPONDER AO MEDO

Posted: 17 Mar 2020 03:43 AM PDT

Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião

Nunca nenhum de nós imaginou viver uma pandemia com estas proporções. Nunca nos passou pela cabeça ficar em casa por tempo indeterminado, restringir os nossos contactos sociais ao mínimo, ou aplaudir da janela os profissionais no SNS.

Talvez mesmo porque tudo nos parece novo, incerto e instável, há garantias que nos confortam.

A primeira é que a maioria das pessoas compreendeu o tamanho da sua responsabilidade, seguiu as recomendações oficiais, respeitou as medidas sanitárias e isolou-se. As exceções têm estado sobretudo relacionadas com os trabalhadores que não puderam ficar em casa. Em alguns casos, como nos centros comerciais ou nos call centers, são as empresas que estão a violar a sua responsabilidade social. Nestas situações, deve ser garantido que a presença nos locais de trabalho é reduzida ao mínimo e feita em segurança. Mas há também muitas pessoas que saem para assegurar o funcionamento dos serviços essenciais, e que por isso não podem parar. São, entre outros, os profissionais de saúde, da recolha de resíduos, das forças de segurança, dos supermercados, dos transportes, da Segurança Social, de algumas escolas, dos postos de combustível, etc. A todos ficamos em dívida – o que nos obriga a, no final, mudar de vez a forma como são tratados estes serviços e os seus profissionais.

A segunda garantia é a existência de serviços públicos abrangentes e resilientes. A baixa médica paga não existe em muitos países onde ficar de quarentena significa pobreza imediata. Os seguros de saúde não cobrem pandemias. Nos EUA, metade da população não consegue pagar sequer um teste. No Reino Unido, os hospitais privados preveem alugar 8000 camas ao Estado por 2,4 milhões de libras por dia. Em Portugal, a existência do SNS faz a diferença: permite uma resposta integrada, universal e de qualidade. É nele que devemos concentrar esforços, dotando-o de todos os recursos de que necessita, valorizando os seus profissionais e, se necessário, reforçando-o com meios requisitados ao privado gratuitamente, porque o desespero não pode ser negócio.

A terceira garantia é a criatividade ao serviço da solidariedade, com a multiplicação de redes formais e informais de apoio a quem precisa.

Vivemos tempos de emergência e de medo. As medidas difíceis que o país adotar para garantir o isolamento e impedir a propagação do vírus são uma parte da resposta. Mas, para responder ao medo, ao medo do vírus e do que o vírus fará à nossa sociedade, lembremo-nos do que já temos, e a que nos agarramos para enfrentar cada dia desconhecido: responsabilidade, solidariedade e serviços públicos. São estas as garantias que teremos de ampliar e fortalecer para que ninguém tenha medo de ficar para trás.

*Deputada do BE

Remuneração paga por EDP a António Mexia foi de 2,1 milhões de euros

Posted: 17 Mar 2020 03:27 AM PDT

O presidente executivo da EDP, António Mexia, recebeu o ano passado 2,17 milhões de euros e este ano pode ganhar mais 800 mil euros fixos, a que acrescerá a remuneração variável, segundo documentos da assembleia-geral de abril.

A EDP convocou hoje a assembleia-geral de acionistas para 16 de abril, pelas 15:00, em Lisboa, um encontro que terá oito pontos na ordem de trabalhos, destacando-se a deliberação sobre contas de 2019 (lucros consolidados de 512 milhões de euros, menos 1% do que em 2018), a proposta de aplicação de resultados (incluindo dividendo de 19 cêntimos por ação), poderes para o Conselho de Administração aumentar o capital social até ao limite de 10% do capital social atual e política de remuneração dos administradores e restantes membros dos órgãos sociais.

Segundo o relatório e contas de 2019, hoje divulgado, a empresa pagou o ano passado 11 milhões de euros (brutos) ao conselho de administração executivo, dos quais 1,015 milhões de euros a António Mexia de remuneração fixa (incluindo montantes relativos a Plano Poupança Reforma) e 325 mil de remuneração variável referente a 2018.

Ainda em 2019, a empresa pagou remuneração variável plurianual relativa à avaliação de desempenho do período 2015-2017.

Neste caso, foi pago o valor relativo ao ano 2016, tendo António Mexia recebido mais 826 mil euros.

Em 2018, o presidente executivo da EDP tinha recebido 970 mil fixos, 602 mil euros de remuneração variável e ainda 627 mil referentes à variável plurianual de 2015, no total de cerca de 2,199 milhões de euros.

Já com as remunerações do Conselho Geral e de Supervisão foram gastos cerca de 1,8 milhões de euros em 2019 (valor bruto), sendo que ao presidente, Luís Amado (ex-ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros nos governos PS de José Sócrates), foram pagos 515 mil euros.

Quanto à proposta de remunerações feita pela comissão de vencimentos, que será votada na assembleia-geral de 16 de abril, é proposta para António Mexia uma remuneração fixa de 800 mil euros e planos de poupança reforma de 10% da remuneração fixa anual.

Já a parte variável, que depende do atingir de objetivos, esta “pode ser o dobro da parte fixa e em que a componente variável plurianual, que reflete a avaliação para o conjunto do mandato, terá uma ponderação de 60% que compara com o peso de 40% atribuído à componente variável anual”.

Para o presidente do Conselho Geral e de Supervisão, a proposta de remuneração é a definida para o atual mandato, de valor fixo anual de 515 mil euros.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Global Imagens

Fronteiras encerradas até dia 15. Conheça os nove pontos de passagem

Posted: 17 Mar 2020 02:29 AM PDT

As fronteiras entre Portugal e Espanha estão fechadas e apenas é possível passar em nove pontos controlados. Saiba quais são.

A fronteira entre Portugal e Espanha está fechada a turismo e lazer até dia 15 de abril. A decisão foi tornada pública esta segunda-feira pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e surge no âmbito do controlo da propagação da pandemia de Covid-19 que já matou mais de sete mil pessoas.

Há apenas quatro pontos em que é possível passar para o país vizinho. A Guarda Nacional Republicana (GNR) divulgou-os e explica quem está autorizado a cruzar a fronteira.

“Na sequência da pandemia de COVID-19 e, para segurança de todos, as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha fecham a partir das 23h00 horas desta segunda-feira até ao dia 15 de abril”, começa por explicar a força de segurança numa publicação colocada no Facebook.

Ficam disponíveis nove pontos de passagem autorizados, designadamente:

Valença (Viana do Castelo) – Tuy;

Vila Verde da Raia (Chaves) – Verín;

Quintanilha (Bragança) – San Vitero;

Vilar Formoso (Guarda) – Fuentes de Oñoro;

Termas de Monfortinho (Castelo Branco) – Cilleros;

Marvão (Portalegre) – Valência de Alcântara;

Caia-Elvas (Portalegre) – Badajoz;

Vila Verde de Ficalho (Beja) – Rosal de la Frontera;

Vila Real de Santo António (Faro) – Ayamonte.

E quem está autorizado a atravessar a fronteira entre Portugal e Espanha? Só quem reúna uma destas quatro ‘justificações’: “Transporte internacional de mercadorias e transporte de trabalhadores transfronteiriço”, “entrada de cidadãos nacionais e dos titulares de autorização de residência nos respetivos países”, “saída dos cidadãos residentes noutro país” ou “cônjuges ou equiparados e familiares até ao 1.º grau na linha reta, a título excecional, para efeitos de reunião familiar”.

É ainda importante ter em mente, informa a GNR, “que as embarcações de recreio não poderão atracar nas marinas portuguesas” e o “tráfego aéreo entre os dois países também será suspenso, bem como a ligação ferroviária e as duas ligações fluviais existentes – uma no Minho e outra no Algarve”.

Leia aqui a declaração da República Portuguesa e o Reino de Espanha sobre a gestão de fronteiras por motivos de saúde pública no âmbito da pandemia da Covid-19.

Fique ainda com o mapa que mostra os nove pontos de fronteira controlados:

Catarina Correia Rocha | Notícias ao Minuto | Imagem: © Global Imagens

Leia em Notícias ao Minuto:

Restrições na fronteira de Vilar Formoso, fechada desde as 23h00

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