o maior inimigo da liberdade é a falta de sentido crítico

André Silveira
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A ler com toda a atenção!

António José Teixeira, director-adjunto da RTP, escreve sobre a importância do jornalismo credível face à desinformação e as ameaças à democracia.
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António José Teixeira, director-adjunto da RTP, escreve sobre a importância do jornalismo credível face à desinformação e as ameaças à democracia.

″Um robô escreveu todo um artigo″

Para muitos o “jornal de referência” britânico quis esta terça-feira passar a ideia de que é possível um sistema de inteligência artificial ter ideias criativas próprias. O resultado foi um título a enganar os seus leitores.
Para muitos o “jornal de referência” britânico quis esta terça-feira passar a ideia de que é possível…

VICENTE JORGE SILVA, O PÚBLICO E AS REVELAÇÕES DE JOAQUIM VIEIRA

A morte do Vicente Jorge Silva, que muito lamento, suscita-me a revelação de uma passagem do meu livro “O ‘Público’ em Privado”, que escrevi a convite a direção do jornal para assinalar o seu vigésimo aniversário mas que os responsáveis não quiseram publicar (não me perguntem porquê, porque nunca me adiantaram razões). Já aqui publiquei em tempos o capítulo sobre a fundação do “Público” e a influência do Vicente no projeto, pelo que agora vos deixo o relato da demissão dele como diretor:
«Ao fim de sete anos de envolvimento no projeto Público, Vicente era acometido por um novo seven year itch. Desta vez a sua inquietação expressar-se-ia não no jornalismo mas – adequadamente – no cinema, não à maneira de um Billy Wilder, mas à portuguesa moderna, ou antes, à madeirense, já que o autor nunca foi homem de esconder as raízes. Na sua antiga urgência de realizar uma longa-metragem, Vicente parecia a incarnação de Jean-Luc Godard no início de Tout va bien: “Je veux faire un film” (“Quero fazer um filme”). Essa vontade indómita foi por fim caucionada pela aprovação de um projeto de película pelo instituto estatal do cinema. Para a sua concretização, o diretor do Público foi buscar o escritor, poeta e guionista italiano Tonino Guerra, que trabalhara com Michelangelo Antonioni no argumento das suas películas mais marcantes, mas também com Federico Fellini, Vittorio De Sica, Mario Monicelli, Theo Angelopoulos, Andrei Tarkovsky e Francesco Rosi. Se o Público, em termos de alianças, visava o melhor que havia no jornalismo europeu, Vicente não o quis fazer por menos no terreno cinematográfico. Antonioni era tão só a sua máxima referência cinéfila. Paulo Branco aceitou produzir a fita, que se chamaria Porto Santo – o cenário natural da história e eterno local de vilegiatura vicentina –, e o realizador arregimentou ainda Torcato Sepúlveda para uma escrita do guião a seis mãos […].
Nada indica que Vicente tivesse planos para abandonar, mesmo que temporariamente, a direção do Público com o fim de assegurar a concretização do filme. Mas nisso podia haver um problema, já que dirigir uma longa-metragem, seja em Hollywood ou nas deficientes condições de produção nacional, implica sempre um período mais ou menos demorado de entrega absoluta, em clima de enorme tensão criativa, incompatível com as obrigações quotidianas do diretor de um diário. Henrique Cayatte relata ter aconselhado a Vicente uma pausa no jornal: “Já havíamos passado a fase heroica do Público. O Vicente estava cansado, notava-se a lassidão da sua parte, e aconselhei-o a tirar uma sabática. Propus-lhe: ‘Vais ao Belmiro dizer que suspendes a atividade por uns tempos, o teu nome continua no jornal, sais, vais fazer o filme, não recebes um tostão do Público e depois avalias se continuas ou não’.”
Não foi o caminho seguido, e segundo José Manuel Fernandes os resultados estiveram à vista: “O Vicente teve o filme e isso prejudicou o trabalho de direção.” O administrador José Marquitos confirma que a cabeça do fundador do jornal estava noutro lado: “O Vicente nunca descurou a área editorial do Público, mas sendo um homem de paixões ficou verdadeiramente entusiasmado com o filme. Já tinha elaborado o guião e estava a tratar da produção com o Paulo Branco.”
Quem não apreciou a brincadeira foi Belmiro: “O Vicente adotou uma coisa ridícula, e isso é que me irritou, é que ele esteve um ano a receber no Público e a trabalhar lá para a porcaria do filme que estava a fazer. Isso é contra os valores da Sonae. Ele ficou com o modus vivendi do Expresso [de onde viera]. Depois houve pessoas que na contabilidade começaram a receber faturas um bocado estranhas e começaram a chamar a atenção, e as faturas eram devolvidas e ele tinha de as pagar. Não foi mais nada.”
Ninguém, a começar pelo próprio Belmiro, se mostra muito à vontade para falar no problema sempre ambíguo das despesas de representação num órgão de informação. Mas Vicente rejeita que tenha tido tão prolongada ausência: “Assumo que o filme era uma escapatória para a tensão do jornal, mas não é verdade que eu tenha estado um ano ausente.” Jorge Wemans reforça, em socorro do seu colega de direção: “Não houve uma ausência tão prolongada do Vicente. Esteve 15 dias em Itália, tirados às férias, e teve uma licença de dois meses para filmar. Mas geriu mal a questão do filme, porque falava nisso a toda a gente.” Outros jornalistas, elementos do secretariado da redação e até membros da direção assumem no entanto que o exílio cinematográfico do diretor foi bem mais prolongado.
O arrebatamento fílmico de Vicente era porém apenas parte menor de um problema que não existiria com contas positivas no Público. Havia António Pinto de Sousa a morder nas canelas dos jornalistas, exigindo resultados que até então não fora possível produzir. “Pinto de Sousa era o homem da Sonae a quem o grupo entregava a missão Público”, explica Marquitos sobre as razões que levavam o novo presidente do conselho geral a querer cortar a direito nos custos. “Eles tinham a consciência de que era um bulldozer a entrar por ali adentro.” José Queirós recorre à mesma terminologia: “Belmiro mandou Pinto de Sousa como enviado de missão para resolver o problema do jornal.” Apesar disso, Vicente ainda esteve convencido, nos primeiros tempos, de que as ações iniciais de Pinto de Sousa, que não tinha anterior experiência em empresas de comunicação, se deviam apenas a um estilo pessoal de ação, dura e inflexível, e não ao cumprimento de uma diretiva superior: “Eu pensava que aquilo era dele, mas afinal era do Belmiro. O Pinto de Sousa disse-nos: ‘Vocês estão convencidos de que eu sou aqui o sacana, mas não sabem quem é o Belmiro’. Ele, que tinha sido da extrema-esquerda no pós-25 de Abril, na verdade era contra o Público. Até me disse uma vez: ‘Você, que fez o Comércio do Funchal, por que é que quer fazer esta coisa?’”
O “sacana” era, para José Vítor Malheiros, “intratável, malcriado e violentíssimo: entrou ali de botas cardadas”. E porquê? “Cortar nas despesas só é o que qualquer atrasado mental consegue. Mas ele não percebia nada do negócio. Não houve aliás um único gestor no jornal que percebesse do negócio. Nenhum fez formação nesta área.”
A medida porventura mais controversa que Pinto de Sousa procurou introduzir terá sido uma avaliação do grau de rendibilidade dos jornalistas através da medição do número de carateres que cada um deles havia escrito e publicado ao fim do mês. Malheiros (que julga ter sido Montenegro Soares, também à época na administração do jornal, a querer avançar com a ideia – pela qual, de qualquer modo, o outro recolheu a fama) via um anacronismo no novo método de gestão: “Os jornalistas tinham de ter horários e estar sentados à secretária. O modelo de produção industrial aqui não se aplicava, mas querem impô-lo em todo o lado.”
Belmiro jura não compreender a indignação e repulsa que a medida causou no seio da redação: “As pessoas achavam que era um insulto, que o controlo era uma coisa tola, quer dizer, que a qualidade de um jornalista não se avalia a peso, isto é, em número de carateres. Então em que é que se avalia? A maior parte dos jornalistas, que eram os mais fracos naquela altura, é que faziam os textos não assinados, e portanto toda aquela gente estava debaixo do chapéu dos textos não assinados. Eram todos.” E confirma o epíteto atribuído na redação de Lisboa: “Chamavam por isso a Pinto de Sousa o sargento de botas cardadas.”
Embora tivesse abandonado a administração do jornal em setembro de 1996, Marquitos já apanhou o início dessa agitação: “Ainda assisti à parte de medir o aproveitamento dos jornalistas. Quando eu saí aquilo estava uma grande baralhada com o Vicente e o Wemans.”
A “baralhada” resultava de outra iniciativa aplicada por Pinto de Sousa com conhecimento e caução da holding: a encomenda a consultores estrangeiros de definição de um modelo economicamente viável para o Público. “Começámos a recorrer a consultores externos”, testemunha Wemans. “Os primeiros foram a Arthur Anderson. A Sonae nem lhes pagou.” Ao que parece a duvidosa qualidade do estudo não permitiu sequer a apresentação de uma fatura pelo trabalho efetuado.
Prossegue o diretor-adjunto de então: “Foi-se de barraca em barraca, com todos os consultores. Por fim vieram os que tinham feito as mudanças em The Scotsman, um jornal regional britânico. Era ridículo: ‘É não perceber onde estamos’, dissemos. ‘Se é isto que a Sonae quer, um jornal regional, o downsizing completo, então não estamos a pensar na mesma coisa. Nessa altura é que coisas se estragaram entre nós.” Vicente revive a perplexidade que o terá assaltado: “Porquê The Scotsman? Era um jornal regional. Não era um bom exemplo. Não fazia sentido.”
O presidente da Sonae decide envolver-se no processo de saneamento financeiro, segundo Queirós: “Belmiro começa por ser ele a pegar no jornal. Quer mandar-nos para a Escócia. Somos muito pressionados por especialistas que vai buscar ao estrangeiro, mas que na minha opinião sabiam menos do que nós. Ele achava, por exemplo, que a ideia dos copidesques era perfeitamente tonta, que os jornalistas por definição sabiam escrever. Desentendi-me com ele por causa disso. O ambiente começou a degradar-se, cresce muito a tensão.”
“Os jornalistas reagiram muito mal à consultoria dos que tinham feito o trabalho para The Scotsman porque advogavam cortes cegos”, recapitula Marquitos. “Gera-se um mal-estar generalizado. Quem gere essa crise é Pinto de Sousa, com o Luís Ribeiro à frente da administração do jornal.”
A ofensiva lançada a partir da Maia [sede do grupo Sonae] assinala o fim da esperança em os jornalistas assumirem o papel de administradores, pelo menos segundo as linhas programáticas do grupo. “Belmiro queria no fundo que os jornalistas fossem gestores e nós não quisemos”, constata Queirós, reconhecendo que “havia uma grande pressão nesse sentido.” Nota ainda que os jornalistas, quando sentiram o calor dessa pressão, quiseram emendar a mão: “O Wemans tentou esse ‘golpe’, nós assumimos o desafio. Ele, o Vicente e o Joaquim Fidalgo, que durante muito tempo disseram que a gestão não era com eles (o principal erro que cometeram, o qual eu já sentia antes mas estava agora mais elaborado nas nossas mentes), são sobretudo os três que falam com a Sonae e Belmiro e os chamam para decisões mais editoriais. Tentam fazer o que não fizeram antes. Mas já era tarde.”
Fernandes repara que “o Wemans era na altura quase só administrador e o Joaquim Fidalgo também” e revela: “O Wemans propõe uma descida dos salários em 10 por cento, senão o jornal não vai aguentar-se, mas a medida não vai para a frente.” Por seu lado, o diretor do Porto admite: “Nós não dávamos conta do recado em termos empresariais. Levantámos essa questão em 1994-95. Eu queria sair assim que o barco navegasse. Admitíamos até abdicar da maioria na direção empresarial – como aconteceu mais tarde. O Público tinha um drama: era uma redação do tipo do El País com tiragens do Faro de Vigo.”
Num ambiente de crispação, acumulam-se os problemas internos. Um deles é reconstituído por Fernandes: “O conselho geral dá instruções ao Vicente para acabar com o [suplemento semanal] «Pop Rock», mas ele não cumpre, e isso dura seis meses sem se aperceber bem do que tinha feito. O resto da redação opunha-se ao fim do suplemento. A relação com a Sonae já estava inquinada.”
Relata Wemans que “Belmiro promove conversas a título individual com a direcção editorial, a dizer que estava desconfortável com o jornal, preocupado em termos económicos, que era necessário um esforço para o adaptar às receitas, que os órgãos de informação independentes são os que dão lucro, que era preciso fazer alguma coisa.” O diretor-adjunto terá na resposta invocado as medidas já tomadas na redação, que dizia não serem acompanhadas pelo resto da estrutura. […] Mas há também a admissão de um problema de raiz no Público, quando, ainda segundo Wemans, os jornalistas-gestores terão desabafado a Belmiro: “Fizemos um esforço maior do que outras áreas, mas a verdade é que o jornal não tem dado rios de dinheiro, senão estávamos todos bem.”
Num diálogo mais áspero, o empresário terá sugerido a Vicente que a regra da mobilidade de gestores do grupo também poderia abranger quem estava na administração do Público, “a lógica Sonae – mexer no pessoal”, segundo José Alberto Lemos. “Quando Belmiro falou na mobilidade no interior do grupo,” relata Marquitos, “o Vicente pediu-lhe: ‘Não me ponha à frente de um supermercado’.” […]
Não seria claramente essa a vocação dos jornalistas que administravam o Público, os quais por outro lado também chegavam a um ponto de saturação talvez irreversível. Wemans explica o que estava em jogo: “Criámos o jornal numa base de confiança muito grande com o acionista, mas a operação continuava muito complicada em muitas áreas. A relação com o acionista estava degradada. Na organização da redação estavam a pagar custos da institucionalização. Evitam-se os vícios naturais de início mas era sempre hard, hard, sem perspetivas de ultrapassar as dificuldades iniciais, além de que deixámos instalar tiques que não queríamos. As pessoas não tinham compensação pelo seu esforço. Tínhamos sucesso na crítica mas não no negócio. Eu e o Vicente tínhamos a consciência de que era a altura de refundar o jornalismo do Público em função das grandes mudanças na comunicação na primeira metade dos anos 90. Mas isso implicava mais investimentos. Com o acionista há 18 meses a pressionar em sentido inverso, não tínhamos o mecanismo e o ânimo para a mudança.”
A gota de água serão os consultores, sublinha Vicente: “Os escoceses fazem um relatório final que é o contrário do que nos tinham dito no que respeita à parte editorial. Quando começam a lê-lo lá em cima [na Maia], peço para pararem. Não estou interessado em ouvir mais. O relatório escocês era absurdo. E a Sonae tinha-se portado mal connosco, estava a fazer jogo duplo. Falo depois com o Wemans e decidimos ir embora.” O nº 2 confirma o penoso efeito do duche escocês: “Com a medição da produtividade por linha e depois de mais uns consultores que propunham um jornal de bairro achámos que não valia a pena continuar.”
Retoma Vicente: “Vim-me embora por duas coisas: quando o Belmiro tenta impor o modelo The Scotsman, numa encenação a mando dele preparada com Pinto de Sousa, e devido a cansaço pessoal. Eu envolvia-me demasiado no jornal.” Wemans reitera-o: “No último ano estávamos bastante cansados. Não conseguimos ao fim de cinco anos refundar o jornalismo do Público, o que contribuiu para o cansaço.”
O demissão dos dois principais responsáveis editoriais do Público, ocorrida no início do verão de 1996, foi acompanhada por muitas conversas com os restantes membros da direção. […] Dá-se assim a demissão em bloco da direção e dos editores, se bem que Vicente faça questão de acentuar: “Eu e o Jorge Wemans é que resolvemos partir, numa decisão solidária.”
Sem deixar de reconhecer que “foi o Vicente que tomou a iniciativa”, Belmiro acha contudo que ele “foi um bocadinho empurrado” pela Sonae, porque na Maia estariam apreensivos com o “voluntarismo” do diretor, cujo estatuto, associado à sua forte personalidade, acabava por dar muito peso às atitudes que assumia na direção administrativa: “E daí depois resultou um bocadinho de divergências e um certo regresso a um estilo mais libertino e menos responsável, que teria sido algo que o Vicente nunca deixou de considerar que eram as boas práticas do Expresso. Ele próprio chegou à conclusão de que já não tinha mais condições para gerir.”
Os diretores demissionários ficam em funções até se resolver o problema da sua sucessão, conta José Manuel Fernandes: “Deu-se um prazo longo, de dois meses, durante o verão, até encontrarem uma nova direção. Mas o clima estava bastante tenso, com Pinto de Sousa a tentar fazer os cortes que queria. Até que, muito em cima da hora, o Vicente e o Jorge fazem um ultimato: nem mais um dia.”
A demissão de ambos é anunciada na última página do Público de 25 de setembro. Vicente, que não escreveu uma carta de demissão a Belmiro ou à administração do jornal, assina nessa página com Wemans uma declaração de despedida, na qual ambos informam: “Hoje deixamos de dirigir o Público. Esperando que ele continue a ser o nosso jornal.”
Para desmentir de alguma forma Belmiro sobre questões monetárias, Vicente, que entretanto se mantém ligado ao jornal como cronista, garante: “Saí do Público com um ano de ordenado, nada mais.” Sobre o seu tempo de permanência à frente do projeto, acha que não teria vantagem em continuar, porque a certa altura sobrevém o desgaste no lugar, mais do que qualquer outra coisa: “Só se devia poder ser diretor durante determinado período, como por exemplo o correspondente a uma legislatura.”»
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Ascensão e queda de Ellen DeGeneres: a simpatia afinal era a fingir – DN

A comediante que apresenta o seu talkshow há 16 anos, espalhando sorrisos e apelando à simpatia, é acusada de ser na verdade uma pessoa mesquinha e que permite um ambiente tóxico no estúdio de gravação. Conseguirá Ellen recuperar a sua imagem?

Source: Ascensão e queda de Ellen DeGeneres: a simpatia afinal era a fingir – DN

SIC, ANGOLA E MANIPULAÇÃO

PÁGINA GLOBAL

A SIC CAIU NUMA KASSANJADA?

Posted: 07 Aug 2020 11:02 AM PDT

Martinho Júnior, Luanda

A SIC PROCURA REDUZIR ANGOLA À PEQUENEZ MENTAL DA SUA PRÓPRIA INSTRUMENTALIZAÇÃO. O BILDERBERG E OUTROS DEMAIS, OBRIGAM-NA!

Acrónica de João de Melo inocenta a SIC colocando-a como vítima duma fraude, quando a SIC, órgão da Impresa do “liberal todo-o-terreno” Francisco Pinto Balsemão, conhece a deontologia por que se rege o jornalismo e de há muito que tem tudo, menos inocência! (https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Pinto_Balsem%C3%A3o; https://www.rtp.pt/noticias/politica/balsemao-deixa-exclusivo-bilderberg-e-passa-testemunho-a-durao_n832050; https://observador.pt/2018/11/09/junta-11-banqueiros-milionarios-e-empresarios-balsemao-vai-criar-clube-bilderberg-a-portuguesa/).

Em relação a Angola a SIC é useira e vezeira nas “cantigas de escárnio e maldizer”: há uns poucos anos atrás foi a redução de Angola a uma Tchavola, depois reportagens cm dilkects mercenários da escrita e da imagem, (https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2016-11-17-Angola-um-pais-rico-com-20-milhoes-de-pobres-1) esquecendo-se sempre, deliberadamente, das implicações portuguesas, longínquas e próximas, quer durante os anos do “arco de governação”, quer agora com a “geringonça”, no estado em que Angola ainda hoje está!

A SIC jamais investigou a seu tempo, um Ministro da Educação como Burity da Silva e “suas obras”, apesar das muitas denúncias que foram até hoje feitas publicamente (via Facebook) pelo Editor e Livreiro em Angola, o camarada António Jorge, que conhece na profundidade as razões causais do estado da educação e, por tabela, dos vínculos internacionais e em Portugal desse ex-Ministro e dos que com ele entraram na coluna de longa marcha dos corruptos!… (https://www.facebook.com/profile.php?id=100011747712999).

Então a SIC, alia-se até pela omissão à corrupção, passando a ser parte da corrupção para depois fazer os aproveitamentos do interesse e da conveniência do Bilderberg, da guerra psicológica da NATO e d AFRICM, da aristocracia financeira mundial, ao serviço de quem está como um dos órgãos fazedores de opinião da Impresa, marginalizando por completo os contraditórios que lhe são justamente críticos, por muita matéria que eles tenham em sua experiente e vivida posse!

A própria Kassanjada é disso exemplo!… (https://sicnoticias.pt/programas/investigacao-sic/2020-07-28-Os-meninos-de-Kassanje?fbclid=IwAR0sJekukLR9Oh81S8A0mTLiQ2uDXyAK2ziNAjk6Q0OOttQO9LUIehJmjr0; http://m.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2020/6/31/Activistas-denunciam-fraude-video-sobre-criancas-desnutridas,6a7ee5a7-ae48-4f7a-9e48-9c26a8501d5b.html?fbclid=IwAR1n_uUNiuq7ef_VUn7y30s4pLbqfD5142WH2bO-PP12h65zvKygHQ_OOFI; https://www.facebook.com/laura.macedo.391).

Fá-lo isso com braços longos em Angola!… (https://jornalf8.net/2017/sao-milhares-os-escravos-abandonados-tchavola/).

Ao inocentar a SIC, o jornalista de opinião do Jornal de Angola corre o risco de também “comer gato por lebre”, o que ao seu nível e tendo em conta a irrepreensível figura histórica do seu próprio pai, o camarada Aníbal de Melo, não vai em abono!… (https://www.ciam.gov.ao/patrono.php).

Será que o jornalista João de Melo pretende apagar a história, como faz a SIC que inocenta, substituindo a história pela visão mercenária de tão manipulados “direitos humanos” estipulados ao nível do National Endowment for Democracy, (https://www.ned.org/region/africa/angola-2019/) instrumento da CIA (https://www.voltairenet.org/article192992.html) e do AFRICOM? (https://www.africom.mil/; https://www.africom.mil/about-the-command/leadership/deputy-to-the-commander-for-civil-military-en; https://www.africom.mil/about-the-command/directorates-and-staff/j2—intelligence; https://www.africom.mil/about-the-command/directorates-and-staff/interagency-staff).

A SIC faz um trabalho em estreita consonância com a National Endowment for Democracy, desde a criação do NED pela administração republicana de Ronald Reagan, ou seja precisamente na altura em que Savimbi passou a ser um dos dilectos “campeões”, (https://fpif.org/jonas_savimbi_washingtons_freedom_fighter_africas_terrorist/; https://www.latimes.com/archives/la-xpm-2002-mar-11-oe-gleijeses11-story.html; https://deborahnormansoprano.com/novosti-i-obschestvo/72488-zhonash-savimbi-borec-za-svobodu-angoly.html) ao nível dos Contras da Nicarágua e de Bin Laden (Al Qaeda) no Afeganistão, precisamente na altura em que em Portugal o sucedâneo do golpe do 25 de Novembro de 1975, o “arco de governação”, repescando em novos moldes o Exercício Alcora, passou a a ser fluente à manobra da CIA, ao nível dos seus “presidenciáveis! (https://aventar.eu/2010/12/19/contos-proibidos-o-ficheiro/; http://revolucaoedemocracia.blogspot.com/2013/05/o-financiamento-da-cia-ao-ps-documento.html; http://africandar.blogspot.com/2006/09/soares-e-savimbi.html; http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/unita_pagou_abastecimentos_com_tres_mil_toneladas_de_marfim).

Não pretendo com isso juntá-lo aos mercenários da escrita que pululam na “praça jornalística” de Angola, nem a outro tipo de mercenários, como alguns activistas ao serviço de malparadas ONG que vêm de longe, alguns com a caridadezinha do costume colonial, mas também tenho dificuldade em juntá-lo ao cada vez mais reduzido grupo de patriotas, daqueles que honrando o passado e a nossa história, reconhecendo por experiência própria o estado de subdesenvolvimento crónico em que ainda se encontra o povo angolano, têm a obrigação de reconhecer também os esforços que vão sendo feitos para realizar o imenso resgate de vida que nos obriga a todos!… (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/memoria-quatro-dum-sempre-actual.html; https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/memoria-cinco-dum-sempre-actual.html).

Pelos vistos o próprio Jornal de Angola tem espaços (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/08/o-jornal-de-angola-torna-se-marroquino.html) que não abandonam a luta nos parâmetros históricos e antropológicos que ela nos deve determinar e determinar a todas as actuais sensibilidades sociopolíticas angolanas correntes: incentivar aqueles que resgatam Angola do subdesenvolvimento, em especial quando é o homem que passa a ser o centro de todas as atenções, conforme à memória e aos ensinamentos de António Agostinho Neto, quando reafirmava que “o mais importante é resolver os problemas do povo”… de todos os povos da África Austral! (https://pgl.gal/agostinho-neto-poeta-medico-politico-angolano/).

Martinho Júnior — Luanda, 5 de Agosto de 2020

Imagens:

01- Henry Kissinger, o mesmo da Operação Iafeature contra Angola (1975), foi um dos Directores do National Endowment for Demcracy, tal como Frank Charles Carlucci – Things are nonetheless no more transparent. Most high officials that have played a central role in the National Security Council have been NED directors. Such are the examples of Henry Kissinger, Franck Carlucci, Zbigniew Brzezinski, or even Paul Wolfowitz; personalities that will not remain in history as idealists of democracy, but as cynical strategists of violence. – https://www.voltairenet.org/article192992.html;

02/02- Duas páginas da “National Security Decision Directive 77” – Impact of NSDD 77 on Reagan’s foreign policy[edit] – Though not specifically outlined in NSDD 77, there were a number of sub-groups and departments tasked with employing tactics in line with guidance included in NSDD 77. One of the most notorious was the Office of Public Diplomacy for Latin American and the Caribbean (S/LPD or ARA/LPD), a group in existence prior to the release of NSDD 77 and under the leadership of former CIA propaganda specialist, Walter Raymond, and Lieutenant Colonel Oliver North in the National Security Council. Managed by Otto Reich, this task force worked with the CIA and U.S. Army to create “white propaganda” intended to influence Congressional and public opinion into the continued funding of Reagan’s campaign against the Sandinista government of Nicaragua. Reich and his group met with dozens of journalists and reporters during 1984 and 1985, intending to keep them on message with developments in Nicaragua. This inter-agency working group was instrumental in fundraising efforts and fund transfers between private groups and the Democratic Resistance in Nicaragua.[9] The group was disbanded after a September 20, 1987 Iran Contra investigation report in which the Comptroller General discovered S/LPD violated numerous funding restrictions including the use of federal dollars to fund a non-authorized propaganda campaign.[10] NSDD-77 also formalized the process for launching various initiatives that President Reagan and his supporters had been socializing since his inauguration including “Project Democracy” and the National Endowment for Democracy. These initiatives showcased the political action arm of public diplomacy, underscoring again Reagan’s commitment to the spread of democratic ideals worldwide.[3] NSDD-77 propelled numerous agencies throughout the U.S. government to aid in the collapse of the Soviet Empire and the emergence of open societies. Executive branch oversight of these information dissemination strategies insured engagement from high-ranking officials throughout the government and civilian sectors. – https://en.wikipedia.org/wiki/National_Security_Decision_Directive_77

03- Savimbi, “freedom fighter” de Ronald Reagan – https://fpif.org/jonas_savimbi_washingtons_freedom_fighter_africas_terrorist/; https://www.latimes.com/archives/la-xpm-2002-mar-11-oe-gleijeses11-story.html; https://deborahnormansoprano.com/novosti-i-obschestvo/72488-zhonash-savimbi-borec-za-svobodu-angoly.html.

Junto a opinião do jornalista João de Melo no Jornal de Angola de 5 de Agosto de 2020.

A SIC caiu numa “kassanjada”

João Melo*

“As imagens da reportagem ´Os meninos de Kassanje´ transmitidas pelo canal de televisão português SIC [no passado dia 28 de julho] foram (…) um embuste usado pela associação Pedacinho do Céu para angariação de donativos de forma ilícita.

Quem o afirma são duas activistas directamente envolvidas [após a exibição da reportagem] no resgate de quatro crianças (…), com a assistência do Instituto Nacional de Emergência Médica de Angola e com o envolvimento da Direcção Nacional de Saúde (…).

Para Laura Macedo e Maria Helena Victória Pereira (…),´as crianças tinham sido recolhidas momentaneamente das casas das suas famílias e colocadas num local para que pudessem fazer o vídeo´.

Após a realização do vídeo, ´as crianças voltaram para junto dos seus familiares, onde habitam, não se encontrando nenhum órfão no processo´, afirmaram, esclarecendo que as quatro crianças resgatadas estavam com as respectivas famílias nos bairros Cassaca 2 e Zango.

– Podemos afirmar que quatro das crianças estão a ser observadas nos hospitais já referidos sob tutela das autoridades sanitárias e acompanhadas por familiares directos´, declararam as activistas.

Laura Macedo contou que foi contactada pela SIC[após a exibição da reportagem e da consequente reacção das autoridades angolanas, que solicitaram informações à emissora portuguesa para poderem socorrer as crianças], que lhe forneceu o número de Helder da Silva, de forma a encontrar a localização das crianças para obterem a ajuda necessária.

– Nesse seguimento, eu, Laura Macedo, entrei em contacto com várias entidades governamentais, de forma a obter o apoio necessário para o resgate das crianças´.

Questionada pela LUSA, Laura Macedo considerou que se tratou de ´uma tentativa de fraude realizada em Portugal´, já que não foi feito qualquer pedido de ajuda ou apelo junto das autoridades angolanas.

– As crianças são angolanas, nós somos angolanos, mas o apelo feito pelo sr. Helder é para os portugueses, a fraude vem de Portugal, alegadamente de uma senhora que se chama Fátima (da associação Pedacinho do Céu), que, segundo Helder Silva, coordenou toda esta operação´, disse Laura Macedo.

– A nossa percepção é que houve uma manipulação´, no sentido de ´montar esta encenação, acrescentou Maria Helena Pereira.

(…)

Também uma fonte do Ministério da Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) considera que se trata de uma tentativa de fraude, depois de uma delegação multissectorial ter estado no Bairro da Estalagem, em Viana [igualmente após a transmissão da reportagem], onde não encontrou qualquer vestígio das crianças.”

Todo o trecho usado até aqui corresponde à reprodução parcial e ipis verbis de um artigo do semanário angolano Novo Jornal, citando duas activistas sociais locais. Sublinhe-se que o Novo Jornal é um semanário privado cujo profissionalismo e independência não podem ser questionados, sendo aquilo que se pode chamar um “meio de referência”. Quanto às duas activistas que fizeram a denúncia da manipulação da associação Pedacinho do Céu, basta acompanhar as suas redes sociais para constatar que não morrem de amores pelo atual Governo angolano.

Ou seja, a SIC caiu numa “kassanjada”.

Da leitura do artigo, podemos inferir todo o processo que levou o canal português a veicular a reportagem “Os meninos de Kassanje”. Possivelmente, a estação recebeu uma denúncia da associação Pedacinho do Céu, com sede em Olhão, que lhe deu o contacto do seu funcionário em Angola, Helder Silva. Este preparou as condições para o efeito, “esquecendo-se” de uma delas, que, em jornalismo, é fundamental: contactar “o outro lado”. Quem viu a reportagem constatou que a SIC não ouviu ninguém ligado às instituições que lidam com este tipo de assuntos e muito menos às autoridades locais.

Mais grave: segundo as duas activistas, as crianças mostradas na reportagem vivem com as suas famílias, tendo sido reunidas num barracão, como se estivessem abandonadas, apenas “para o boneco”. Acresce que as próprias imagens foram produzidas e enviadas pelo funcionário da Pedacinho do Céu. Se tudo isso não é manipulação, então os trumpistas e bolsonaristas têm razão: “a Terra é plana”.

Só faltou passar o rodapé com o IBAN da associação Pedacinho do Céu, para a recolha de donativos, a fim de ajudar “os pretitos angolanos”.

Duas notas finais: a primeira para assinalar que problema da fome e da subnutrição infantil em Angola é real e gravíssimo, mas não se resolve com estas encenações de mau gosto, disfarçadas de caridade e “jornalismo” denuncista; a segunda para elogiar as duas activistas, que fizeram o seu trabalho de maneira independente e patriótica, demonstrando que é possível ser crítico – e até, quem o quiser, opositor -, sem sofrer de complexo de vira-lata ou ter mentalidade de cachico.

*Jornalista e escritor

Jornal de Angola

ONU pede a autoridades da Guiné-Bissau compromisso na luta contra tráfico de droga

Posted: 07 Aug 2020 10:23 AM PDT

António Guterres pede a Bissau “compromisso” na luta contra o tráfico de droga e governação “inclusiva” para resolver “questões pendentes” do país. Missão da ONU na Guiné-Bissau termina a 31 de dezembro.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exorta as autoridades da Guiné-Bissau a “demonstrem rapidamente” o seu compromisso na luta contra o tráfico de droga com a aplicação do plano aprovado em 2019 pelo anterior Governo de Aristides Gomes.

“É essencial que as autoridades nacionais demonstrem rapidamente o seu compromisso com a luta contra o tráfico de drogas, em particular apoiando a plena implementação do plano de ação estratégico nacional validado em dezembro de 2019”, refere António Guterres, no último relatório sobre a situação política no país, a que a agência Lusa teve acesso esta sexta-feira (07.08).

Segundo António Guterres, o atual contexto político, aliado ao prolongado estado de emergência devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, “parece criar um ambiente propício ao reagrupamento das redes de tráfico de droga e do crime organizado e ao reinício das suas atividades”.

O secretário-geral da ONU considera também que a forma como os anteriores chefes de instituições de segurança nacional foram substituídos “podem ter tido um impacto negativo no funcionamento eficaz daquelas instituições”.

“Também encorajo a comunidade internacional a continuar a apoiar o país na luta contra o flagelo do narcotráfico e do crime organizado”, disse, salientando que a ONU vai continuar a analisar o impacto da nova dinâmica política e da pandemia sobre o narcotráfico e crime organizado para “que os narcotraficantes não explorem a situação”.

 

Cocaína apreendida

No relatório, António Guterres denuncia que a 14 de março um cidadão português foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) no aeroporto de Bissau com 83 cápsulas de cocaína, mas que foi libertado por agentes da Guarda Nacional.

“As primeiras conclusões revelam que o suspeito regressou a Portugal. Além disso, após denúncias a UNIOGBIS (Gabinete Político da ONU na Guiné-Bissau) e a UNODC (Agência da ONU Contra a Droga) estão a monitorar a investigação em andamento e a verificar o manifesto dos passageiros do avião com a ajuda da Interpol em Portugal”, afirma.

Em 2019, aGuiné-Bissau fez as duas maiores apreensões de sempre de cocaína no país, no âmbito de duas operações, que culminaram com a condenação de várias pessoas a penas entre os 4 e os 16 anos de prisão.

Guterres apela ao diálogo

Guterres exortou ainda “todos os partidos políticos a iniciarem um diálogo genuíno e inclusivo para chegar a um acordo sobre as questões pendentes.” Destacou que é urgente implementar uma governação inclusiva e participativa, conducente à estabilidade e à reforma institucional.

Sublinhou também que tomou nota da decisão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que reconhece Umaro Sissoco Embaló como Presidente do país e da aprovação do programa de Governo de Nuno Nabian.

No entanto, António Guterres pede para todos trabalharem em conjunto para “implementar as reformas previstas” no roteiro da CEDEAO, no Acordo de Conacri e no Pacto de Estabilidade.

“Os esforços devem ser redobrados e centrados na implementação do programa de reformas, de acordo com a decisão da CEDEAO de 22 de abril, que destacou a necessidade de acelerar a revisão constitucional”, afirmou.

Militares devem abster-se de qualquer ingerência

Além da revisão constitucional, a CEDEAO pediu também a constituição de um Governo que respeitasse os resultados eleitorais.

No documento, António Guterres pede também à comunidade internacional para continuar a apoiar a agenda de reformas e a sua aplicação. Para isso, recomenda a criação de uma plataforma de alto nível, com atores nacionais e internacionais, para acompanhar o programa de reformas.

O secretário-geral da ONU insiste ainda na necessidade de as forças de defesa e segurança “se absterem de qualquer ingerência no processo político, sob pena de comprometer a paz e a estabilidade”.

ONU fecha gabinete

No último relatório, António Guterres disse também que vai manter o encerramento do Gabinete Integrado da ONU para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) para 31 de dezembro deste ano.

“Apesar dos desafios políticos, houve progresso na redução e encerramento da UNIOGBIS até 31 de dezembro de 2020”, lê-se.

António Guterres refere que foram identificadas as prioridades de consolidação da paz e a sua implementação vai ser continuada pela UNOWAS (Gabinete da ONU para a África Ocidental e o Sahel).

No relatório, pode ler-se que prossegue a redução gradual do quadro de pessoal: “Até 31 de dezembro, os contratos de 93 dos 121 funcionários da missão serão rescindidos, restando 28 para garantir a liquidação da missão”, salienta.

O Conselho de Segurança da Guiné-Bissau vai voltar a reunir-se este mês para analisar a situação no país.

A missão política das Nações Unidas na Guiné-Bissau foi estabelecida em 1999, no final do conflito político-militar.

Deutsche Welle | Lusa

Guiné-Bissau | “Dia de silêncio” contra ameaças à comunicação social

Posted: 07 Aug 2020 10:15 AM PDT

Campanha “Zero Comunicação” é convocada pelo Sindicato dos Jornalistas. Órgãos de comunicação social em todo o país não vão emitir notícias, reportagens e programas, contra denúncias de agressões, ameaças e intimidações.

Contra “as ameaças à liberdade de imprensa e de expressão na Guiné-Bissau”, esta quinta-feira (06.08) é “dia de silêncio” na comunicação social guineense. A campanha “Zero Comunicação” é convocada pelo Sindicato dos Jornalistas e Técnicos de Comunicação Social da Guiné-Bissau (SINJOTECS).

O sindicato lembra que a comunidade internacional, as principais organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau e alguns partidos políticos na oposição falam em “grandes retrocessos” nas conquistas alcançadas nos últimos 20 anos em relação às liberdades fundamentais no país. Os próprios jornalistas recorrem às redes sociais para denunciar constantes agressões e ataques por parte do poder político.

Os profissionais da comunicação social pretendem também exigir que se faça justiça sobre o ataque à rádio Capital, completamente vandalizada no passado dia 26 de julho por um grupo de homens armados e com uniformes da polícia guineense. Após reuniões com as entidades competentes sem que se vislumbre uma solução, e tendo em conta a deterioração da situação, os jornalistas decidem paralisar completamente os órgãos de comunicação social em protesto. Osecretário-geral do SINJOTECS, Diamantino Domingos Lopes, falou com a DW África sobre esta ação.

DW ÁFRICA: O que se pretende com o dia de silêncio e a campanha Zero Comunicação?

Diamantino Lopes (DL): O nosso objetivo é repudiar as ameaças que se estão a verificar à liberdade de imprensa e de expressão na Guiné-Bissau. Tudo isso agravou-se com o assalto à rádio Capital, no dia 26 de julho. Por isso, decidimos mobilizar os órgãos de comunicação social do país para se manterem em silêncio esta quinta-feira para repudiar o que consideramos uma ameaça aos jornalistas e profissionais da comunicação social. Repare que não é só a rádio Capital que está em causa, está em causa a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, a democracia e o Estado de Direito na Guiné-Bissau. Pretendemos com esse ato pressionar o Governo, através do Ministério da Justiça, que tem a tutela administrativa da Polícia Judiciária, para concluir o mais rapidamente possível o processo da investigação sobre o ataque à rádio Capital. Queremos conhecer os autores, sejam morais ou materiais destes atos que se configuram um atentado a liberdades fundamentais.

DW África: O que vão fazer esta quinta-feira (6)?

DL: Vamos ter uma vigília ao largo da rádio Capital. Depois, tornar pública uma carta aberta que enviaremos aos titulares dos órgãos da soberania, também ao Ministério Público e às organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau. Queremos dar um sinal claro contra atropelos às liberdades fundamentais.

DW África: Esta iniciativa vai envolver todos os órgãos de comunicação social do país?

DL: Em princípio, sim. Os órgãos de comunicação social públicos dependem do Governo. Falamos com os diretores, que dizem estão dependentes do secretário de Estado da Comunicação Social e este, por sua vez, diz que tudo vai depender do primeiro-ministro [Nuno Gomes Nabiam]. E em função da conversa que vai ter com o chefe do Governo dará uma resposta. Até então, não temos uma reposta do secretário do Estado relativamente ao posicionamento dos órgãos públicos. Portanto, estamos a contar com os órgãos privados e também as rádios e televisões comunitárias do país.

DW África: Que tipo de ameaças que jornalistas recebem? Pode citar alguns casos concretos, além do ataque à rádio Capital?

DL: Não se vê claramente ameaças aos profissionais da comunicação social no seu todo. Mas existem sinais que vêm das estruturas políticas contra os trabalhos dos órgãos de comunicação social que posicionam claramente face aos últimos acontecimentos políticos no país. Há uma clara advertência contra os profissionais de comunicação social desde os acontecimentos de fevereiro, que culminam com a posse simbólica do Presidente da República e do Governo, que não observaram os princípios constitucionais. Os órgãos e os profissionais de comunicação social estão, de certo modo, intimidados e obrigados a reconhecer, a legitimar as estruturas instaladas no poder. Quem comunicar numa perspetiva diferente sofre essas ameaças. Não só pelas estruturas políticas, mas também pelos grupos criados nas redes sociais e alguns jornalistas, até dos órgãos tradicionais, atacam os colegas que tentam cumprir os princípios constitucionais que determinam, por exemplo, a posse de um Presidente da República, a formação de um Governo constitucional, por aí fora.

Nas conferências de imprensa dessas formações políticas [atualmente no poder], os jornalistas têm muitas limitações em termos de colocação de perguntas. Caso faça perguntas que não convêm ao partido, aos militantes que são convocados para assistir à conferência de imprensa, o jornalista é vaiado, insultado, ameaçado verbal e até fisicamente – já aconteceu com dois colegas. Ultimamente, os jornalistas vão às conferências de imprensa sem fazerem questões para evitar essa situação. Portanto, estamos num momento, de certo modo, complexo para o exercício jornalístico no país.

DW África: Tudo isso acontece numa altura em que a sociedade civil, a comunidade internacional, os próprios jornalistas e até os Estados Unidos de América denunciaram perseguições e ameaças contra os jornalistas nos últimos meses. O que é que o sindicato fez para pôr cobro à situação?

DL: O nosso principal parceiro é o Governo. Com o atual secretário de Estado da Comunicação Social, [Conco Turé], já reunimos mais de quatro vezes para discutir a situação. Já reunimos com o Estado Maior das Forças Armadas, após agressão física ao nosso colega Serifo Tawel Camará, jornalista da rádio Capital. Reunimos com o secretário de Estado da Ordem Pública, Mário Sambé, sobre o mesmo assunto. Mas tudo sem sucesso ou progresso. Mas não falta a advocacia e nem os contatos com as autoridades do país para trabalharem no sentido de garantir a segurança e o exercício livre da imprensa e da liberdade de expressão. Até já reunimos com os organismos internacionais, nomeadamente com a União Africana (UA), Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS), um parceiro com quem trabalhamos juntos nesta situação. Este é um problema com a dimensão do país, por isso, é necessário a mobilização de toda a força viva da nação para intervir nesta situação.

Braima Darame | Deutsche Welle

Covid -19 em Cabo Verde: Doença continua a propagar-se

Posted: 07 Aug 2020 10:07 AM PDT

Registo de mais 45 casos positivos em Santiago e Sal

Continua a um nível preocupante o estado da propagação de novo coronavírus em Cabo Verde. OMinistério da Saúde e da Segurança Social (MSSS) acaba de anunciar que registou, esta quinta-feira, mais 45 novos infetados nas ilhas de Santiago e Sal. O país passa agora a contabilizar um total de 2.734 casos positivos e 27 vítimas mortais.

Em comunicado, o MSSS indica que, do total de 336 amostras examinadas, registou-se 48 casos positivos, sendo 37 em Santiago e 8 na ilha do Sal. Por outro lado, revelou que hoje 55 doentes que recuperam a sua saúde: Praia 24, Santa Cruz 22, São Miguel 7 e Sal 2.

Com os dados desta quinta-feira, Cabo Verde passa a contabilizar 695 casos ativos, 2010 recuperados, 27 óbitos, 2 doentes/estrangeiros transferidos para o seu país de origem e um total de 2.734 casos positivos acumulados de COVID-19.

Conforme o comunicado referido, o governo, através do Ministério da Saúde e da Segurança Social, reforça o apelo para que as pessoas fiquem em casa e tomem os devidos cuidados para evitar a propagação do COVID-19, principalmente em Santiago, onde por causa de algum relaxamento por parte de vários munícipes em cumprir as restrições sanitárias e da fiscalização branda das autoridades, a doença continua a propagar-se a um nível preocupante.

Amostras de hoje (6) e resultados

Segundo o Ministério da Saúde e da Segurança Social, eis os resultados das amostras processadas nos laboratórios de virologia hoje, dia 6 de agosto de 2020:

1. Ilha de Santiago

Concelho da Praia: 92
• Positivos: 24
Concelho de Santa Catarina: 19
• Positivos: 1
Concelho de Santa Cruz: 19
• Positivos: 2
Concelho de Ribeira Grande de Santiago: 51
• Positivos: 4
Concelho de São Miguel: 8
• Positivos: 2
Concelho de São Lourenço dos Órgãos: 1
• Positivos: 0
Concelho de São Domingos: 8
• Positivos: 1
Concelho de São Salvador do Mundo: 8
• Positivos: 3
Concelho de Tarrafal: 7
• Positivos: 0

2. Ilha de São Vicente: 72
• Positivos: 0

3. Ilha do Sal: 78

• Positivos: 8

4. Ilha da Boavista: 3
• Positivos: 0

OBS: Dados das outras ilhas não constam do circuncidado do MSSS

A Semana (cv)

Ataques aéreos sauditas continuam a matar civis no Iémen

Posted: 07 Aug 2020 09:32 AM PDT

Pelo menos 20 civis morreram na sequência de um bombardeamento efectuado por caças sauditas na província de al-Jawf, no Norte do Iémen, esta quinta-feira.

A cadeia de TV em língua árabe al-Masirah, citando fontes locais, informou que os aviões de combate atacaram três viaturas que seguiam numa estrada da área desértica de Sha’ab al-Haradh, no distrito de Khabb wa ash Sha’af, provocando a morte a pelo menos 20 pessoas.

De acordo com o governador da província de al-Jawf, as vítimas mortais são na sua maioria mulheres e crianças, refere a PressTV.

Nas últimas semanas, a província de al-Jawf tem sido alvo de vários ataques aéreos, por parte da coligação liderada pelos sauditas, em que foram mortos civis. O mais grave ocorreu em meados de Julho, quando caças sauditas atacaram um casamento da tribo iemenita Bani Nouf, no distrito de al-Hazm, matando pelo menos 25 pessoas.

Apesar de ter declarado um cessar-fogo no início de Abril devido à pandemia de Covid-19, Riade mantém a intensa campanha de agressão, com ataques em várias partes do Iémen. Só ontem foram registados outros três ataques: na província de Sa’ada, na cidade costeira de Hudayda e nas imediações da cidade de al-Durayhimi (na província de Hudayda).

População civil está a pagar um elevado preço pela agressão de Riade

A guerra de agressão saudita contra o Iémen, iniciada em Março de 2015 e apoiada pelo Ocidente, tinha como objectivo declarado suprimir a resistência do movimento Huti Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

Desde então, a brutal intervenção militar provocou grande destruição em zonas residenciais e arrasou quase inteiramente as infra-estruturas civis do país, incluindo hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas.

A população iemenita tem sido particularmente afectada pela fome e por doenças como cólera, difteria, sarampo e dengue – uma situação que é agravada pelo bloqueio naval imposto pela coligação agressora.

No final de Julho, o Ministério iemenita da Saúde alertou que há milhares de doentes em risco de vida como consequência desse bloqueio, que não permite a entrada no país árabe de medicamentos nem de material para reparar equipamento médico antigo.

AbrilAbril

Na imagem:
Uma criança iemenita passa no meio de destroços de casas destruídas por um dos bombardeamentos da coligação liderada pelos sauditas (imagem de arquivo) Créditos/ Middle East Monitor

Leia em AbrilAbril:

«É crime retirar a Arábia Saudita de uma lista negra sobre direitos humanos»

Os mistérios da monstruosa explosão de Beirute

Posted: 07 Aug 2020 09:25 AM PDT

Uma calamidade como a provocada pela monstruosa explosão é, sem dúvida, uma maneira de contribuir para a ingovernabilidade do pequeno e flagelado país dos cedros.

José Goulão | AbrilAbril | opinião

A existência de 2750 toneladas de nitrato de amónio num armazém no porto de Beirute pode justificar, segundo os especialistas, a extensão da catástrofe registada na tarde de 4 de Agosto e o seu trágico balanço parcial de 150 mortos, mais de cinco mil feridos e de 300 mil desalojados. O que parece mais difícil de explicar é o estranho cogumelo observado sobre o local na sequência das explosões, em vez das esperadas nuvens de fumo em dispersão, seguido por uma vaga gigantesca no mar e um abalo sísmico de 3,5 na escala de Richter – eventual causador de grandes estragos em redor, juntamente com o sopro do rebentamento. O que terá acontecido, de facto, em Beirute?

É muito mais fácil enunciar perguntas do que encontrar respostas, sobretudo num caso em que provavelmente estas não venham a ser dadas, pelo menos em termos de explicar o que efectivamente sucedeu. O Líbano sempre foi a terra mártir de muita violência e poucas explicações.

As autoridades libanesas, especialmente o presidente Michel Aoun e o primeiro-ministro Hassan Diab, mantêm que a explosão ocorreu num armazém onde há seis anos estavam depositadas 2750 toneladas de nitrato de amónio confiscadas a embarcações que frequentaram o porto. As declarações oficiais focam o problema da incúria dos procedimentos adoptados, especialmente em termos de segurança da matéria explosiva, mas são omissas quanto à causa detonadora. Será talvez muito cedo para conhecê-la, mas o assunto anda diluído, como que perdido entre declarações e especulações.

O jornalista Richard Silverstein invoca as suas fontes nos serviços secretos israelitas para levantar a hipótese de Israel ter montado uma operação para destruir um depósito de armas do Hezbollah no porto de Beirute ignorando – ou não se preocupando com isso – o facto de existir um armazém com explosivos nas vizinhanças. A possibilidade faz algum sentido porque os «depósitos de armas» do Hezbollah marcam presença de vulto entre os pretextos usados por Israel para tentar impor a sua ordem militar na região, seja no Líbano1 ou na Síria2. E o jornal Al-Hadath fez questão de vincar, a propósito dos acontecimentos, que um armazém no porto de Beirute é utilizado para albergar armas iranianas transportadas para o Hezbollah3.

Multiplicação de cogumelos

Nada disto, porém, contribui para explicar a perfeita nuvem em forma de cogumelo observada na sequência imediata das explosões, habitualmente associada a fenómenos nucleares. Não são conhecidos dados resultantes de eventuais medições de radioactividade na zona, mas uma investigação séria dos acontecimentos, como é prometida pelas autoridades libanesas, não pode dispensar uma pesquisa nesse campo.

Acresce que outros fenómenos registados em consequência da explosão, a vaga gigantesca levantando automóveis que se encontravam estacionados na zona ribeirinha e o tremor de terra medido por uma instituição alemã (GFZ, Centro Alemão de Geociência), podem ser associados a rebentamentos nucleares.

A imagem do cogumelo poderia resultar, ainda assim, de uma caprichosa conjugação das nuvens de fumo por alguma causa conjuntural. No entanto, não é caso único nos tempos mais recentes.

Desde o início de Julho, contando com esta registada em Beirute, já são oito as explosões culminadas com espessas nuvens de fumo em forma de cogumelo na região do Médio Oriente, segundo o website Réseau Voltaire. Sete destruíram outros tantos pequenos navios de guerra iranianos no Golfo Árabe-Pérsico na segunda semana de Julho.

Que nova arma terá entrado em funções nas mãos de inimigos do Irão e do Líbano – país onde o Hezbollah integra a coligação governamental?

Donald Trump, no seu estilo, apressou-se a comentar, a propósito de Beirute, que se tratou de «um terrível ataque» com «um certo tipo de bomba». Logo os generais do Pentágono procuraram os seus contactos na comunicação social corporativa para dizerem que não sabiam do que o presidente estava a falar, para eles continua a ser válida a versão das autoridades libanesas de que a explosão foi provocada pelo armazenamento de nitrato de amónio.

Por uma vez os militares norte-americanos não acusaram o Hezbollah de ter cometido um atentado terrorista, mas isso está longe de significar uma suspensão na guerra de desestabilização em curso para tornar o Líbano ingovernável e criar condições para que o popular e poderoso partido xiita seja afastado do governo. Uma calamidade como a provocada pela monstruosa explosão é, sem dúvida, uma maneira de contribuir para a ingovernabilidade do pequeno e flagelado país dos cedros.

Dois caminhos

Coincidência ou não, a explosão aconteceu na semana em que está prevista a divulgação da sentença de um tribunal internacional formado no âmbito das Nações Unidas para julgar os supostos autores do atentado que provocou, em 14 de Fevereiro de 2005, a morte do então primeiro-ministro libanês, o magnata líbano-saudita Rafic Hariri.

Um tribunal que tudo tem feito para se descredibilizar, no seu afã pré-determinado e montado por serviços secretos ocidentais de culpar o Hezbollah4.

Provavelmente a leitura da sentença será adiada. O que não invalidará o facto de existirem dois caminhos que remetem os acontecimentos de agora para circunstâncias a ter em conta no atentado de 2005.

O jornalista francês Thierry Meyssan demonstra, numa investigação publicada em 2010 pela revista russa Odnako, a improbabilidade da tese adoptada pelo tribunal e pelos serviços de investigação mobilizados pelas Nações Unidas segundo a qual o atentado que matou Hariri foi cometido através de um camião de explosivos conduzido por um suicida.

A cena do crime é muito mais compatível, segundo o texto do jornalista, com uma explosão provocada por um engenho de tipo desconhecido transportado por um drone – de que existem filmagens tornadas públicas – e que, ao explodir, fez concentrar um volume invulgar de calor numa fracção de tempo mínima. Uma situação anómala que provocou, por exemplo, a fusão do relógio de ouro no pulso de Hariri enquanto o colarinho da sua camisa se manteve intocado.

Um dos sobreviventes do atentado, o ministro Bassel Fleyhan, foi socorrido num hospital e revelou sinais de ter sido exposto a radioactividade, uma circunstância que, estranhamente, não foi associada ao atentado pelas autoridades responsáveis pela investigação – muito apegadas à tese do kamikaze e das suas supostas ligações ao aparelho militar do Hezbollah.

O trabalho da revista Odnako não foi tido em conta pelo tribunal internacional; e antes que isso tivesse mesmo possibilidade de acontecer foi militantemente atacado por um dos jornais oficiosos do regime sionista de Israel, o Jerusalem Post. No entanto, a investigação existe e remete, no campo das hipóteses, para um engenho explosivo transportado por um míssil de centímetros fabricado no domínio das nanotecnologias aplicadas ao nuclear. Coisa de que muito se vem falando como alternativa ao uso das bombas nucleares clássicas.

Estes casos dão, no mínimo, que pensar.

Destroçar o Líbano

A circunstância de os Estados Unidos e Israel não conseguirem manipular o governo do Líbano nas suas estratégias contra o Irão, a Síria e até para obrigar Beirute a abandonar os seus legítimos direitos a recursos de gás natural em águas territoriais disputadas com Telavive, tem estado na base de uma «guerra branda» mas persistente. Washington está por detrás de todos os processos de desvalorização da lira libanesa, de crise bancária e energética que têm desestabilizado o país; e não deixa de estar por detrás, igualmente, dos protestos organizados segundo os métodos das «revoluções coloridas» que têm como objectivo fragilizar e manietar o governo. Finalidade última: expulsar o Hezbollah da maioria governamental.

O Hezbollah, apoiado pela comunidade xiita, que representa 33% da população, e até por sectores de outras origens religiosas, e mesmo seculares, tem sido o travão às ambições coloniais plenas de Washington e Telavive. O seu real poder político, conjugado com o efeito dissuasor do seu poderoso aparelho militar, têm permitido ao Líbano usar alguma voz própria que os inimigos do governo consideram necessário silenciar. Israel ainda não digeriu a derrota militar sofrida em 2006 na sua ofensiva contra o Líbano – e o Hezbollah tinha então um poder militar bastante inferior ao actual; Washington e Telavive não admitem, entretanto, que o governo de Beirute continue a rejeitar as demarcações das águas territoriais – que privam o Líbano de grande parte dos potenciais recursos de gás natural – feitas pelo embaixador Frederic Hof5 e tendenciosamente favoráveis ao lado mais forte.

Acontece ainda que o governo do Líbano, alvejado por todos os lados pelos seus «amigos naturais», tem vindo a aproximar-se do Irão, sobretudo na procura de produtos refinados com os quais possa combater a crise energética6. Para tal, Teerão estaria na disposição de receber pagamentos na frágil lira libanesa. Um pecado mortal.

A explosão de 4 de Agosto no porto de Beirute pode ter sido provocada pelo efeito do calor extremo de Verão sobre uma quantidade avultada de nitrato de amónio a utilizar como fertilizante. Mas veio a calhar para quem pretende tornar o Líbano ingovernável. Além dos efeitos trágicos directos, a destruição do porto de Beirute priva o país das instalações que asseguravam 80% das importações, sobretudo de produtos alimentares. A somar à bancarrota, a uma quebra de 32% da economia, aos efeitos das cruéis sanções norte-americanas, ao blackout energético, o espectro da fome avança sobre o pequeno país, sobrecarregado com uma vaga de refugiados da guerra da Síria que fez aumentar a população em 25%.

A explosão pode ter sido um acidente. Pode. Mas só haverá certezas depois de decifrar o enigma da perfeita nuvem em forma de cogumelo que assombrou o porto de Beirute naquela tarde.

Imagem: Beirute depois da explosão: centenas de mortos e desaparecidos, milhares de feridos, centenas de milhares de desalojados, um quarto da cidade destruída, na mais violenta explosão conhecida depois das bombas de Hiroshima e Nagasáqui – Anwar Amro / AFP

Exclusivo O Lado Oculto/AbrilAbril

Notas:

1.Registe-se que, seis dias antes da explosão, Israel desenvolvia manobras militares na fronteira com o Líbano e dizia-se pronto para um confronto com esse país. Ver «Israel ready for confrontation with Lebanon, officials say», no Middle East Monitor (MEMO).

2.No dia 5 de Agosto, a menos de 24 horas da explosão em Beirute, aviões israelitas atacaram a Síria. Ver «Russia condemns Israeli air strikes in Syria», Middle East Monitor (MEMO).

3.Declarações do ex-deputado do Likud Moshe Feiglin, citadas por Silverstein, foram recolhidas de forma mais desenvolvida pelo Middle East Monitor (MEMO). Feiglin aponta a explosão como uma acção de que os israelitas se devem orgulhar, destinada a destruir armas do Hezbollah que poderiam ser utilizadas contra o Estado de Israel e que este deve continuar a exercer uma política de «equilíbrio pelo terror». Ver «Ex-Israel MK declares Lebanon blast as ‘gift from God’».

4.O Hezbollah, em 2010, divulgou provas de que Hariri era estreitamente vigiado por Israel e acusou este país de estar por trás do assassinato. Ver «Is Hezbollah right that Israel assassinated Lebanon’s Rafik Hariri?», no Christian Science Monitor.

5.O embaixador Frederic C. Hof fez sobretudo carreira como militar. Veterano da Guerra no Vietname, foi destacado para o Médio-Oriente e adido militar em Beirute. Integrouo gabinete do Secretário de Estado da Defesa dos EUA. Como diplomata foi escolhido pelo presidente Obama como consultor especial para a transição na Síria [sic]. Actualmente é o CEO de uma empresa fundada por ex-militares para prestar serviços de intelligence e segurança em situações conturbadas. Ver biografia no Bard College.

6.Embora o Líbano temesse as consequências de ser alvo de sanções por parte dos EUA, a falta de dólares para pagar as suas importações no mercado internacional pressionavam o Hezbollah e o Governo a aceitar a oferta iraniana. Ver «Lebanon blocks Iran cargo ships from docking over US sanctions fears» e «Hezbollah says it is attempting to secure Iranian fuel supplies for Lebanon».

Explosão em Beirute | Líbano admite “negligência ou míssil” como causas

Posted: 07 Aug 2020 09:01 AM PDT

Presidente libanês recusa inquérito internacional à explosão no porto de Beirute que vitimou pelo menos 154 pessoas e fez cerca de 5.000 feridos.

O Presidente libanês, Michel Aoun, afirmou esta sexta-feira que a explosão no porto de Beirute se deverá “a negligência ou a ação externa”, evocando a hipótese “de um míssil”, mas recusou uma investigação internacional ao sucedido.

“É possível que tenha sido causado por negligência ou por uma ação externa, com um míssil ou uma bomba”, declarou o chefe de Estado do Líbano num encontro com jornalistas transmitido pela televisão, três dias após a catástrofe que causou 154 mortos e milhares de feridos.

Trata-se da primeira vez que um responsável libanês evoca uma pista externa no caso das explosões, que as autoridades libanesas têm atribuído a um incêndio num entreposto onde se encontravam armazenadas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio.

O chefe de Estado, 85 anos, adiantou ter pedido na quinta-feira “pessoalmente” ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que recebeu no palácio presidencial, “para fornecer imagens aéreas para que se possa determinar se havia aviões no espaço (aéreo) ou mísseis” na altura da explosão na terça-feira.

“Se os franceses não dispuserem dessas imagens pediremos a outros países”, adiantou.

Por outro lado, Aoun rejeitou qualquer investigação internacional sobre o assunto, considerando que isso apenas “enfraqueceria a verdade”.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu hoje uma investigação independente às explosões, insistindo que “os pedidos de responsabilização das vítimas devem ser ouvidos”, depois de Emmanuel Macron ter apelado na quinta-feira a um inquérito internacional “transparente”.

O Presidente libanês concordou, contudo, com o seu homólogo francês que apelou aos responsáveis do Líbano para “mudarem o sistema”.

“Enfrentamos uma revisão do nosso sistema consensual, porque está paralisado e não permite que sejam tomadas decisões que possam ser aplicadas rapidamente: devem ser consensuais e passar por várias autoridades”, disse Aoun, criticado por grande parte da opinião pública libanesa, ainda mais desde as devastadoras explosões no porto da capital libanesa.

Sobre a existência de 2.750 toneladas de nitrato de amónio no porto da cidade, Aoun disse ter sido informado do assunto no dia 20 de julho e acrescentou ter “ordenado imediatamente” as autoridades militares e de segurança para fazerem o que fosse necessário.

Sem avançar mais pormenores, o Presidente disse que vários governos desde 2013 receberam avisos sobre o material.

O Líbano vive uma crise económica séria – marcada por uma desvalorização sem precedentes da sua moeda, hiperinflação, despedimentos em massa -, agravada pela pandemia do novo coronavírus, que obrigou as autoridades a confinarem a população durante três meses.

EUA vão enviar ajuda alimentar e medicamentos

Os EUA anunciaram hoje o envio imediato de 15 milhões de dólares (13 milhões de euros) em alimentos e medicamentos para a Líbia, três dias após as violentas explosões no porto de Beirute.

A ajuda, que será entregue localmente pelos militares dos EUA, equivale a até três meses de comida para 50.000 pessoas e até três meses de medicamentos para 60.000 pessoas, divulgou a agência de ajuda internacional dos Estados Unidos (USAid), em comunicado.

“Estamos ao lado dos libaneses neste período difícil. Os EUA há muito apoiam a aspiração libanesa por prosperidade económica e governação responsável, isenta de corrupção e pressões estrangeiras”, pode ler-se na nota.

O exército norte-americano já havia anunciado, na quinta-feira, que entregou ao homólogo libanês um primeiro carregamento de comida, água e medicamentos no Líbano. Outros vão seguir a bordo de aviões militares C-17 fretados desde uma base no Qatar.

A USAid sublinhou no documento que já atribuiu 41,6 milhões de dólares (36,5 milhões de euros) ao Líbano para ajudar na luta contra a pandemia de covid-19.

No entanto, os EUA expressaram dúvidas sobre a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Líbano, onde Washington gostaria de ver a diminuição da influência do movimento xiita Hezbollah, um aliado do Irão.

Duas fortes explosões sucessivas sacudiram Beirute na terça-feira, causando, pelo menos 154 mortos e cerca de 5.000 feridos, segundo o último balanço feito pelas autoridades libanesas.

Até 300.000 pessoas terão ficado sem casa devido às explosões, segundo o governador da capital do Líbano, Marwan Abboud.

O Governo português indicou na terça-feira não ter indicações de que haja cidadãos nacionais entre as vítimas.

As violentas explosões deverão ter tido origem em materiais explosivos confiscados e armazenados há vários anos no porto da capital libanesa.

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, revelou que cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio estavam armazenadas no depósito do porto de Beirute que explodiu.

Renascença | Imagem: Wael Hamzeh/EPA

O Líbano face às suas responsabilidades

Posted: 07 Aug 2020 08:46 AM PDT

 

Thierry Meyssan*

Aeconomia libanesa afundou-se em sete meses. Os habitantes começam a padecer de fome. Uma solução é possível se analisarmos correctamente as causas do problema.

Mas, é preciso aceitar reconhecer os erros e distinguir aquilo que é estrutural do que tem a ver com os problemas regionais. É inútil e maledicente acusar o inimigo tradicional (Israel), ou o seu brutal aliado (os Estados Unidos), de ter causado um problema que dura há séculos e se torna por isso anacrónico. É também perigoso ignorar a evolução do actual principal aliado do Hezbolla (o Irão).

Um problema estrutural, herdado do passado

Desde o início dos acontecimentos do Líbano, havíamos sublinhado que o problema estrutural não era a corrupção, mas a organização deste país segundo um sistema comunitário confessional [1]. Por outro lado, antes que o problema bancário se tivesse tornado público, havíamos anunciado e havíamos explicado que, como em todos os bancos, os bancos libaneses não possuem liquida senão a décima parte dos seus depósitos. Por conseguinte, logo que surge um problema político grave que altera a confiança, todos os bancos se mostram incapazes de reembolsar os seus clientes.

Continuamos a afirmar que os Libaneses se enganam ao lançar as culpas sobre os cor-ruptos. O Povo é o único responsável por ter aceite a continuação deste sistema feudal, herdado da ocupação otomana, e sob a cobertura do comunitarismo confessional, herda-do da ocupação francesa. São sempre as mesmas famílias que controlam o país desde há séculos; não as tendo a guerra civil (1975-90) renovado senão muito ligeiramente.

É assombroso ouvir os muçulmanos negar a colonização otomana e os maronitas a regozijarem-se perante a sua «Mãe França» (sic). É claro, todos têm motivos para ter come-tido estes erros, mas não é fechando os olhos ao passado que se criará um futuro viável.

Washington e Telavive não querem destruir o Líbano

Os Estados Unidos fazem claramente pressão contra o Hezbolla. No entanto, como disse o General Kenneth McKenzie, comandante do CentCom, durante a sua recente visita a Beirute, trata-se para eles de uma pressão indirecta contra o Irão. Ninguém cuida em destruir o Hezbolla, que é o exército não-estatal mais forte do mundo. Ninguém está a urdir guerra contra o Líbano, e menos ainda Israel.

Este esclarecimento é tanto mais necessário quanto os Estados Unidos ameaçaram o Lí-bano de retaliação se ele não aceitasse a iníqua linha divisória traçada pelo Embaixador Frederic Hof. Ela delimita as zonas marítimas israelita e libanesa de maneira a facilitar a exploração de reservas de gás por Telavive. Igualmente, eles fizeram pressão sobre o Líbano, de acordo com as suas necessidades tácticas, para atingir a Síria: um dia pedindo para se abster de qualquer intervenção, no dia seguinte exigindo que acolha e mantenha os refugiados a fim de afundar a economia de Damasco.

Quanto a Israel, este país é agora governado em simultâneo por dois Primeiros-Ministros. O primeiro Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu, é um colonialista no sentido anglo-saxónico do termo. Ele pretende estender o território israelita «do Nilo ao Eufrates», tal como está simbolizado pelas duas listas (listras-br) azuis da bandeira israelita. O segundo Primeiro-Ministro, Beny Gantz, é um nacionalista israelita, que pretende viver em paz com os seus vizinhos. Os dois homens paralisam-se mutuamente, enquanto que o Tsahal (FDI) se inquieta com as devastações que o Hezbolla, em caso de guerra, não deixaria de causar desta vez em Israel.

O projecto persa que ninguém quer

O Líbano é um Estado artificial desenhado pelos Franceses. Ele não tem nenhuma possibilidade de viver com autonomia e depende, obrigatoriamente, não apenas dos seus dois vizinhos, Síria e Israel, mas também de toda a região.

A pressão dos EUA concentra-se no Irão. Há três semanas atrás, a base militar de Tarchin (a sudoeste de Teerão) explodiu, suscitando declarações oficiais dilatórias. Na semana passada, sete pequenos navios militares iranianos explodiram no Golfo. Desta vez, nem o Pentágono nem o Exército iraniano emitiram qualquer comunicado a propósito.

Desde 2013, o Irão (xiita) do Xeque Hassan Rohani mudou de propósitos. Deu-se como objectivo estratégico, oficialmente adoptado em 2016, a criação de uma federação de Es-tados com o Líbano(maioria relativa xiita), a Síria (laica), o Iraque (maioria xiita) e o Azerbaijão ( turco-xiitas). O Hezbolla equiparou este projeto ao «Eixo da Resistência» que se havia formado face às invasões israelitas e norte-americanas. No entanto, não são apenas Israel e os Estados Unidos que se opõem a isso, mas também aqueles que deveriam fazer parte desta federação. Todos se levantam contra a reconstituição de um império persa.

Sayyed Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hezbollah, acha que esta federação respeitaria os diferentes sistemas políticos dos Estados que a formassem. Outros, pelo contrário, nomeadamente os partidários do Secretário-Geral adjunto, Naïm Qassem, pensam que todos deverão admitir a governação por sábios, tal como descrito por Platão no seu livro A República, e instituída no Irão pelo Imã Rouhollah Khomeiny (grande especialista no filósofo grego) sob a denominação de Velayat-e faqih. O Hezbolla já não é simplesmente a rede de Resistência que jogou o ocupante israelita para fora do Líbano. Ele tornou-se um partido político com tendências e facções.

Ora, o Velayat-e faqih, atraente no papel, tornou-se, na prática, o suporte da autoridade do Guia da Revolução, o Aiatola Ali Khamenei. O Irão não conseguirá seguramente estender este sistema aos seus aliados, sobretudo no momento em que é contestado em ca-sa. É um facto: todos na região, incluindo os seus inimigos, admiram o Hezbolla, mas quase ninguém deseja o projecto iraniano, nem pode confiar sequer apenas no compro-misso de Sayyed Hassan Nasrallah.

Na semana passada, o Embaixador do Irão em Damasco declarou partilhar os objectivos da Rússia contra os exércitos jiadistas, mas divergir sobre o futuro da região. Pela primeira vez, um funcionário iraniano admitia o que escrevemos desde há muito tempo: a Rússia e os Estados Unidos, também eles, entendem-se quanto a este ponto. Não querem, nem um nem outro, esta pretendida Federação xiita da Resistência.

Esta semana, a agressão do Azerbaijão (turco-xiita) contra a Arménia (russo-ortodoxa), fora da zona de confronto tradicional de Nagorno-Karabaque, atesta que o problema li-gado a este projeto de Federação se estende pela região.

A renúncia do Hezbolla a esta fantasia teria pesadas consequências porque dissolveria o sonho de um novo império persa. Mas como ninguém o quer e é improvável que veja a luz do dia, o Partido de Deus prefere manter a dúvida sobre a sua posição e tirar provei-to, o maior tempo possível, do seu aliado iraniano.

A pressão dos Estados Unidos visa forçar o Hezbolla a dar esse passo. Bastará que o Partido de Deus declare não escolher este projecto de Federação da Resistência para que a agressividade de Washington, e dos seus aliados, a seu respeito acalme.

Como curar o Líbano ?

Todavia, isso não resolverá de forma alguma o problema actual do Líbano. Isto pressu-põe que todos renunciem aos seus privilégios comunitários confessionais, quer dizer, não apenas os maronitas à presidência da República, os sunitas ao posto de Primeiro-ministro e os xiitas à presidência da Assembleia Nacional; mas também aos lugares (as-sentos-br) reservados na Assembleia Nacional; e ainda a todas as formas sectárias de distribuição de postos na Função Pública. Só então é que os Libaneses poderão procla-mar a igualdade de todos os seus cidadãos, de acordo com o princípio «um homem, um voto» e, conseguir, finalmente, tornar-se a democracia que sempre alegaram ser e que jamais tiveram.

Este gigantesco empreendimento deverá pôr fim a vários séculos de confessionalismo sem, no entanto, provocar guerra civil. É, portanto, quase impossível de aí chegar sem passar por uma fase autoritária, a única capaz de bloquear antagonismos durante o perí-odo de transição. Aquele que desempenhar o papel de reformador deve, ao mesmo tem-po, dispor do apoio da maioria e não estar em conflito com nenhuma das 17 comunida-des religiosas.

Alguns inclinam-se para o General Chamel Roukoz, o vencedor da Fatah al-Islam (bata-lha de Nahr al-Bared, 2007) e do Xeque Ahmed al-Assir (batalha de Sidon, 2013). Mas este prestigiado militar tem o azar de ser um dos genros do Presidente Michel Aoun, o que, devido à divisão sectária, lhe fez perder a nomeação como Chefe das Forças Arma-das. Os Estados Unidos desejam que aquele que, finalmente, foi designado para este cargo, o General Joseph Aoun (sem laço de parentesco com o precedente), assuma o Po-der. Para recuperar as suas chances, o General Chamel Roukoz acaba de apelar à demis-são dos «três presidentes», o da República (o seu sogro), o do Governo e o da Assem-bleia Nacional.

O Exército regular jamais recebeu as armas necessárias para defender o país e, portanto, apoia-se no Hezbolla para prevenir uma nova invasão israelita. Chamel Roukoz e Joseph Aoun sempre mantiveram boas relações com o Partido de Deus. Eles gozam, um e outro, de uma imagem de imparcialidade em todas as comunidades.

Thierry Meyssan* | Voltairenet.org | Tradução Alva

Imagem: O General Chamel Roukoz é a personalidade libanesa com mais legitimidade para reformar o país. No entanto, os Estados Unidos prefeririam que o General Joseph Aoun (sem laço de parentesco próximo com o Presidente da República) jogasse o papel de « ditador » (no sentido romano antigo do termo).

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

Lisboa na Rua começa em 13 de agosto condicionado pela pandemia

Posted: 07 Aug 2020 08:31 AM PDT

Aprogramação do Lisboa na Rua inclui este ano homenagens a Jorge Palma e Amália Rodrigues

A discussão de temas ambientais, no ano em que Lisboa é a Capital Verde Europeia, abre em 13 de agosto a programação do Lisboa na Rua, que inclui ainda este ano homenagens a Jorge Palma e Amália Rodrigues.

Segundo a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), da Câmara Municipal de Lisboa, este ano o conjunto de iniciativas não terá grandes palcos nem espetáculos para milhares de pessoas e, mesmo ao ar livre, toda a programação acontece em espaços com lotações limitadas, distâncias de segurança, máscaras e higienização.

Alguns dos eventos serão transmitidos em ‘streaming’.

O Lisboa na Rua arranca em 13 de agosto com o Festival Política, no Cinema São Jorge, numa programação de quatro dias que inclui debates, filmes, performances, música e humor, tendo o ambiente e as alterações climáticas como tema central, no ano em que Lisboa é a Capital Verde Europeia.

Este ano, esta iniciativa terá pela primeira vez em foco um país, tendo sido escolhido o Brasil para estar em destaque em vários momentos da programação.

O centenário do nascimento de Amália Rodrigues é assinalado com um ciclo de cinema ao ar livre, no jardim do Palácio Pimenta — Museu de Lisboa, recordando a carreira da fadista como atriz em quatro filmes, de 3 a 6 de setembro.

O Cinema no Estendal realiza-se a 4 e 5 de setembro em local ainda a designar, com a exibição de curtas metragens nacionais e internacionais em estendais de bairros e praças de Lisboa.

O Lisboa na Rua assinala também o aniversário de Jorge Palma, com o concerto “70 voltas ao sol – Jorge Palma”, que tem Cristina Branco e Dead Combo como convidados, em 12 de setembro, com transmissão ‘online’.

Em 6, 13, 20 e 27 de setembro, nos jardins do Palácio Pimenta – Museu de Lisboa e no Palácio Baldaya, pelas 17:30, realiza-se o Dançar a Cidade, durante o qual os participantes podem experimentar danças de vários estilos, ao ar livre e a solo.

Instalações de arte insuflável, dos artistas britânicos Filthy Luker & Pedro Estrellas, estarão em árvores de Lisboa, localizadas no Saldanha, Avenida da Liberdade, Restauradores, Rossio e Cais do Sodré, de 29 de agosto a 29 de setembro.

De 25 a 30 de agosto decorre em vários jardins da cidade o Lisboa Mágica, um festival de magia de rua, e o festival de artes de rua e circenses Chapéus na Rua decorre em Arroios, entre 18 e 20 de setembro.

O festival de arte sonora Lisboa Soa atribuiu este ano seis bolsas de criação artística para obras sonoras que estarão expostas em vários locais da cidade, de 24 a27 de setembro.

A programação completa está disponível aqui

Expresso | Lusa | Na imagem: Jorge Palma // António Pedro Ferreira

Portugal | Fumo para os olhos

Posted: 07 Aug 2020 06:09 AM PDT

Vítor Santos* | Jornal de Notícias | opinião

As consequências da covid-19, no país e no Mundo, esmagam a atualidade, estando, legitimamente, no topo das preocupações de todos, porque ninguém escapa às consequências de um abalo desta magnitude. Mas não nos podemos deixar hipnotizar, esquecendo o resto, porque existe o risco de situações graves passarem por entre os pingos da pandemia.

A notícia de uma série de irregularidades no processo de aquisição de golas antifumo e sobre a ineficácia deste material, que foi distribuído pela Proteção Civil junto das populações de 1600 aldeias, tem um ano. O Ministério Público está perto de concluir a investigação do caso, sendo que, para já, é possível contabilizar 18 arguidos – entre eles, o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Mourato Nunes -, além de umas quantas cabeças, como o ex-secretário de Estado Artur Neves e um dos seus adjuntos, Francisco Ferreira, que se demitiram depois de a situação ter sido tornada pública pelo JN.

Importa, passado este tempo, lembrar a maneira como o caso foi comentado pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, classificando como “irresponsável e alarmista” a primeira notícia sobre o assunto. A única coisa que deixa qualquer um alarmado é mesmo a forma negligente como o governante reagiu. Mais ainda quando verificamos que não se trata propriamente de uma situação virgem no Executivo de António Costa, cuja ministra da Cultura, Graça Freitas, conseguiu, recentemente, transformar o anúncio de uma iniciativa positiva num momento de embaraço, precisamente por negligenciar as questões incómodas que lhe foram colocadas a seguir.

Quanto ao caso das golas, resta esperar que a Justiça termine o seu trabalho, acreditando que nem os investigadores adormecerão à sombra da pandemia, nem os políticos se atreverão a voltar a atirar-nos fumo para os olhos.

*Editor-executivo

CGTP exige relançamento da economia e reforço da protecção social

Posted: 07 Aug 2020 05:40 AM PDT

Apreocupante situação no emprego, com a destruição total ou parcial de muitos milhares de postos de trabalho, exige medidas efectivas de relançamento da economia e reforço da protecção social.

A crise sanitária está a ter efeitos muito negativos no emprego, afectando com particular intensidade os trabalhadores com contratos precários e as mulheres, afirma a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN) em comunicado que aprecia as estatísticas do emprego recentemente conhecidas.

O emprego total continua a cair. No segundo trimestre baixou cerca de cerca de 135 milhares em relação ao trimestre anterior (-2,8%) mas, se comparado com o mesmo trimestre de 2019, adestruição de empregos chega aos 185,5 milhares (-3,8%).

Estes efeitos, segundo a central sindical, «foram ampliados pela ausência de medidas [governamentais] que impedissem os despedimentos», que permitiu ao patronato «livrar-se de milhares de trabalhadores não permanentes».

O número de postos de trabalho ocupados por contratos precários reduziu-se em 103 milhares (-13%) no trimestre e em mais de 185 milhares em termos homólogos: «um em cada cinco trabalhadores com contratos precários perdeu o seu ganha-pão no último ano», sublinha a CGTP-IN.

A central sindical considera que esta evolução, muito negativa, confirma aquilo que «sempre disse sobre a precariedade ser a antecâmara do desemprego, uma forma de exploração que sucessivos governos não só não atacaram, como agravaram na última revisão do Código de Trabalho» realizada no Governo PS.

Estatísticas não reflectem o grande aumento no desemprego

Segundo a CGTP-IN, os dados divulgados sobre o desemprego «não reflectem o grande aumento verificado» por haver desempregados que não fazem «diligências para procurar emprego» devido às «restrições à mobilidade associadas à pandemia ocorridas no período em análise», o que faz com que não sejam classificados como desempregados pelo INE.

Um quadro da situação mais próximo da realidade, no que diz respeito ao desemprego e subocupação, que o INE designa por «subutilização do trabalho», é dado pela existência de cerca de 749 milhares de pessoas nessa situação (+11% ao ano passado) pela taxa taxa de subutilização do trabalho (14%), que aumenta relativamente ao trimestre anterior (+12,9%) e ao período homólogo (+12,4%).

As mulheres são particularmente afectadas, com uma taxa de 15,3% face aos 12,7% entre os homens, destaca a central sindical.

Maioria dos desempregados sem protecção

A situação social no País agrava-se por a maioria dos desempregados não ter protecção, e mesmo os que a têm permanecerem no limiar da pobreza. Segundo os sindicatos, «pouco mais de 1/3 do número real de desempregados tem acesso à protecção no desemprego» e «o valor médio [das] prestações de desemprego [é] de apenas 507 euros, pouco acima do limiar de pobreza».

Face a esta situação, a CGTP-IN exige do Governo «medidas efectivas de relançamento da economia, que rompam com a política laboral de direita», como o reforço do investimento público, o pagamento integral dos salários aos trabalhadores, a proibição dos despedimentos e a promoção da estabilidade no emprego, a efectivação do direito à contratação colectiva e o reforço da protecção social no desemprego.

AbrilAbril | Imagem: Mário Cruz / Lusa

Dêem-nos música, fogos, explosões, covides, crises… Que fartum!

Posted: 07 Aug 2020 05:21 AM PDT

Curto a desoras. Acontece de vez em quando. O Expresso com cafeína matinal por esta hora… de almoçar (os que almoçam). Desculpem o atraso. A seguir pode ver sobre fogos lusos no Curto, além da explosão em Beirute.

Há rumores de que foi uma bomba que originou o restante descalabro e as mais de cem mortes além de imensos desaparecidos que se volatilizaram naquele portentoso BUM. Horror qb, não. Demasiadas mortes e feridos e desaparecidos. Que o mundo chore depois de se compadecer a sério e prestar as ajudas imprescindíveis ao Líbano, a Beirute, às populações afetadas.

Não vamos pôr muito mais na escrita. Queremos passar para o Curto. Atenção aos fogos por cá. Atenção a uns quantos malucos que querem recomeçar com as aulas para as crianças no inicio de setembro. Claro que, nesse caso, a última palavra pertence aos pais, aos encarregados de educação. Vai acontecer muitas faltas. O melhor é prepararem alternativas enquanto o perigoso covid-19 não estiver debelado e vencido. Credo, uma vacina leva assim tanto tempo para conseguir? Os laboratórios demoram porque andam a fazer contas exponenciais para fazer valer os preços que quiserem? Já se diz e é muito possível que assim aconteça. Os donos da “ciência” são uns grandes ladrões. Vimos isso todos os dias. Basta ir à farmácia. Avante.

Piano de recuperação é a fala do autor do texto… Dá-me música, em vez de “Dá-me lume”, do Jorge Palma. Ficamos neste registo… Porque sim, contra o fogo.

Do Curto, o texto assinado por Cândido da Silva, Vá nesse.

Bom dia/tarde/noite. Até breve.

SC | PG


Bom dia, este é o seu Expresso Curto

O piano de recuperação

João Cândido da Silva | Expresso

Bom dia,

“O Líbano já não está à beira do colapso; a economia libanesa já colapsou”. A afirmação é de Fawaz Gerges, académico de origem libanesa e professor na London School of Economics. Foi publicada há perto de três semanas num artigo do jornal norte-americano “Washington Post” e exteriorizou a perspectiva sombria de Gerges sobre o estado calamitoso do seu país-natal, ainda antes de a explosão no porto de Beirute ter dizimado uma parte da cidade, com um balanço trágico de cerca de uma centena e meia de vítimas mortais, milhares de feridos, um número elevado de desaparecidos e 300 mil pessoas desalojadas.

A economia libanesa é uma das mais endividadas do mundo. As previsões do Fundo Monetário Internacional antecipavam, antes do desastre, uma contracção de 12% em 2020 e a taxa de desemprego já andava pelos 25%. Desde Outubro passado, a moeda do país registou uma desvalorização de 80% em relação ao dólar, um pesadelo difícil de suportar para uma economia que importa a esmagadora maioria dos bens que consome, forçada a conviver com o fantasma da hiperinflação, propagador de miséria. Quatro em cada dez habitantes do Líbano vivem abaixo do limiar da pobreza.

Para a crise financeira, num país onde a corrupção alastra e que se situa num alarmante 137º posto, entre 180 nações, na lista da Transparência Internacional, contribuiu o gigantesco esquema de Ponzi protagonizado pela banca comercial e pelo próprio banco central. Uma boa parte dos depósitos, na maioria denominados em dólares e em parte originados pelas remessas enviadas por emigrantes, foram transformados em créditos concedidos, com taxas de juros altas, ao banco central. Esta instituição foi usando o dinheiro para pagar compromissos e poder contrair mais dívida, numa espiral que acabou por provocar a evaporação de poupanças no valor de 100 mil milhões de dólares. A explosão que arrasou Beirute, a somar à medíocre condução da economia e à pandemia de covid-19, talvez comprove que uma desgraça raramente vem só.

A concessão de financiamentos internacionais ao Líbano tem esbarrado na relutância da classe política em fazer reformas que poderiam desmontar o estado de coisas de que os titulares do poder beneficiam. Na visita que efectuou nesta quinta-feira a Beirute, Emmanuel Macron manifestou a disposição de colaborar com o país para que este consiga sair da profunda crise. O presidente francês prometeu que as novas ajudas “não irão parar às mãos erradas”, mas não é claro como é que o percurso do dinheiro poderá ser escrutinado e controlado.

Nas ruas da capital libanesa, manifestantes clamaram por uma revolução e apelidaram o presidente Michel Aoun de “terrorista”. Organizações como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional exigem que seja constituído um grupo de especialistas independentes para investigar e apurar responsabilidades. As autoridades locais já detiveram 16 funcionários do porto de Beirute por suspeita de envolvimento na tragédia. O aparente zelo assemelha-se a uma táctica para encontrar bodes expiatórios e evitar que o caso venha a chamuscar as esferas mais altas do poder, que receberam alertas, nos últimos seis anos, de que uma carga potencialmente explosiva se encontrava armazenada no porto da cidade. Os avisos foram ignorados e 2750 toneladas de nitrato de amónio ficaram à espera de quem lhes despertasse a fúria destruidora.

Perante a dureza da realidade em que vivem, cidadãos de Beirute reagiram de forma admirável perante as piores adversidades. Entre os escombros e o caos, uma avó sentou-se ao piano e tocou, uma enfermeira resgatou três recém-nascidos e ainda houve a incrível história do parto realizado à luz de um telemóvel. A voragem das elites trai a coragem dos cidadãos. O Líbano merece melhor destino.

OUTRAS NOTÍCIAS

Houve aldeias cercadas pelas chamas, queixas de falta de meios, muito receio e um bombeiro ferido. Os incêndios voltaram a ameaçar bens e pessoas, em muitos casos deixadas ao abandono, sem apoio e entregues a si próprias no combate ao fogo. Foi “um dos dias mais complicados”, reagiu a Proteção Civil nesta quinta-feira. Em Porto Santo, Marcelo Rebelo de Sousa disse estar a acompanhar a situação e admitiu a possibilidade de interromper as férias, caso haja um agravamento.

O número de óbitos foi o mais elevado dos últimos seis dias, o de novos casos de infecção e de recuperados foram os mais elevados dos últimos cinco dias. Há menos pessoas internadas em unidades hospitalares e mais uma em cuidados intensivos. Estas são as principais conclusões do mais recente boletim da Direcção-Geral da Saúde sobre a pandemia de covid-19 em Portugal. Com a ajuda destes gráficos, pode ficar com uma ideia precisa sobre a evolução do surto no país e no mundo. Siga o directo no site do Expresso para estar a par da actualidade.

Num lar de idosos em Reguengos de Monsaraz, 18 pessoas morreram com covid-19. Uma auditoria realizada pela Ordem dos Médicos concluiu que a entidade não cumpria as orientações da Direcção-Geral da Saúde. O relatório já seguiu para o Ministério Público, Ministério da Saúde, DGS e Ordem dos Advogados.

As estatísticas mais recentes vão dando conta do impacto da pandemia e do confinamento na economia portuguesa. Em Julho, assinala a Iberinform, o número de empresas que entraram em insolvência aumentou mais de 32%, com 455 unidades incapazes de gerar receitas suficientes para cumprir os compromissos assumidos. A consultora EY prevê que, caso haja uma segunda vaga de covid-19 em Portugal, a taxa de desemprego possa atingir 17,6% no final de 2020.

Trata-se de um “bom casamento” entre o Estado e a Associação Portuguesa de Hostels, afirma João Sobrinho Teixeira, secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior. Durante um ano, noticia o “Público”, os alojamentos turísticos de Lisboa, Porto, Coimbra e Braga vão acolher estudantes universitários, o que garante rendimentos a negócios que foram largamente afectados pela pandemia. Acordos individuais com cada estabelecimento do ensino superior deverão ser assinados em Setembro.

O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social esclareceu que os trabalhadores que estiveram em ‘lay-off’ por mais de 30 dias consecutivos, mas sem completar um mês civil, também vão receber o complemento de estabilização. A lei suscitou dúvidas e o Governo prometeu fazer alterações.

“O nacionalismo em relação às vacinas não presta. Não nos ajudará. Quando dizemos que uma vacina deve ser um bem global de saúde pública, não se trata de partilhar por partilhar. Para o mundo poder recuperar mais depressa, tem de recuperar em conjunto”. Tedros Ghebreyesus, director-geral da Organização Mundial da Saúde, manifestou preocupação com a corrida às potenciais vacinas.

“O Expresso embarcou na viagem que muitos portugueses escolheram para as suas férias. De autocaravana pelo interior, este é o roteiro do êxodo urbano, ideal para umas férias em tempos de cólera. Pode caminhar na natureza, visitar cidades, ir a banhos, mas precisa de ter alguns cuidados para não violar as normas da DGS”. Rúben Tiago Pereira e Sofia Miguel Rosa contam como é.

Obras na Linha do Norte, no troço que liga Espinho e Porto, vão fazer com que uma viagem de comboio entre as duas maiores cidades portuguesas passe a demorar perto de três horas, tempo semelhante ao que era necessário nos anos 1980. É com isto que os passageiros devem contar a partir do final de Agosto, explica Rui Cardoso.

Imagens de satélite mostram que duas calotas de gelo polar no Ártico canadiano desapareceram completamente, conta Hélder Gomes. Para a investigadora Catarina Magalhães, o fenómeno não é motivo para surpresa: um dos glaciares que acompanha está a regredir cerca de 500 metros por ano.

Após a interrupção dos campeonatos de futebol profissional, e com o regresso marcado pelos estádios vazios, o número de cartões amarelos mostrados pelos árbitros desceu mais de 20% em comparação com a quantidade de avisos desta natureza que saltavam dos bolsos dos juízes das partidas antes de a pandemia ter forçado a paragem das competições. A análise foi feita pela RunRepeat e Diogo Pombo revela as conclusões.

Actriz e encenadora, Fernanda Lapa morreu esta quinta-feira aos 77 anos. Há dois meses, naquela que seria a sua última entrevista, afirmou ao Expresso: “Este país não é para artistas, nem para velhos, nem para novos”. Pode ler e ouvir aqui.

No Bairro Padre Cruz, em Lisboa, quatro pessoas foram baleadas. Sofreram ferimentos nos membros superiores e inferiores, de acordo com a PSP. As causas da desordem ainda não foram apuradas.

Prisão preventiva foi a medida de coacção que o Tribunal de Instrução Criminal decidiu aplicar ao homem suspeito de ter ateado o incêndio que destruiu um canil ilegal localizado em Santo Tirso e provocou a morte de dezenas de animais. A Polícia Judiciária acredita que o alegado autor do fogo terá sido responsável por “mais três dezenas” de incêndios na mesma área geográfica.

Uma aterragem de emergência no campo de golfe dos Oitavos, em Cascais, não provocou ferimentos entre os três ocupantes, mas “o avião, um Tampico, ficou todo partido”. O acidente foi atribuído a uma falha no motor.

FRASES

“A liderança europeia da reconstrução de Beirute (enviar material, dinheiro, trabalhadores e voluntários; receber pessoas) é uma exigência moral e uma necessidade política mesmo que esse esforço determine um forte aumento dos contágios”, Henrique Raposo

“Apesar da melhoria nos últimos anos em indicadores como o crédito malparado, os setores privado e público da economia portuguesa permanecem altamente endividados e, por esse motivo, bastante vulneráveis. Mais do que a dimensão do embate inicial, são as perspetivas de recuperação que preocupam”, Alexandre Abreu

“Qual é o seu lema de vida? ‘Não baixes a cabeça a não ser que te atirem pedras’”, Bruno Vieira Amaral

“[Acusações de assédio sexual causaram-me] “mais danos do que o vírus”. Plácido Domingo

O QUE ANDO A LER

“O único aspecto das nossas viagens que dá garantias de prender a atenção do público são as desgraças”. Esta é uma das declarações que Martha Gellhorn (1908-1998) faz no texto que serve de introdução ao livro “Cinco Travessias do Inferno”, um título que fornece um razoável esclarecimento sobre o conteúdo dos textos que se seguem.

Escritora e jornalista, Gellhorn distinguiu-se como repórter de guerra, o que faria presumir que o desconforto e a presença em lugares arriscados dificilmente lhe provocariam impressão suficiente para a animar a escrever uma obra sobre alguns dos seus numerosos périplos em lugares remotos do planeta. Não é bem assim, como este livro demonstra.

Nas profundezas de África, da China e do Suriname, por ilhas esquecidas e mares tempestuosos do Caribe, em território de Israel ou na Rússia, Martha Gellhorn escolhe os caminhos que poucos se atreveriam a pisar, por vezes entregue a si própria e ao seu carácter intrépido e desempoeirado. Enfrenta perigos, doenças e diversos outros incómodos que fariam qualquer viajante baixar os braços e apanhar o primeiro transporte para casa. Se, por vezes, sente desânimo e tédio, controla as emoções e segue em frente.

“Cinco Travessias do Inferno” é um livro sedutor sobre algumas das aventuras que preencheram a agitada vida de Gellhorn. O apurado sentido de humor que atravessa as suas páginas só torna a leitura mais irresistível.

O QUE ANDO A OUVIR

“Suite: April 2020”, Brad Mehldau. Três versões de temas de Neil Young, Billy Joel e Jerome Kern rematam uma suite composta por um dos pianistas mais brilhantes de sempre. A pandemia e o confinamento inspiraram este álbum, o que significa que nem tudo foi um desastre durante o pico da primeira vaga de covid-19.

“Agoraphobia”, Genco Ari. Outro álbum de piano solo, neste caso da autoria e execução de um músico oriundo da Turquia. O tema que figura no título é também uma suite, que cruza jazz e influências clássicas, interpretada com virtuosismo.

“Kahil El’Zabar’s Spirit Groove”, Kahil El’Zabar. Percussionista, vocalista e compositor, Kahil El’Zabar tocou com grandes nomes, de Dizzy Gillespie a Julian ‘Cannonball’ Adderley, entre outros. Neste álbum, faz diversas explorações rítimicas improvisadas e dispõe do precioso contributo do saxofonista David Murray.

“Feeling”, Hegge. Um quinteto liderado pelo contrabaixista norueguês Bjørn Marius Hegge inspira-se nos sons das décadas de 1950 e 1960. Através da conjugação de blues e bop, a banda faz um álbum vigoroso e bem humorado, com uma pitada de melancolia de vez em quando.

E é tudo. Amanhã terá nas bancas a edição impressa, também disponível a partir das 23h00 desta sexta-feira se for assinante digital. Entretanto, acompanhe a actualidade no Expresso, Tribuna e Blitz. No Boa Cama Boa Mesa pode encontrar sugestões para desfrutar um excelente dia e um ainda melhor fim-de-semana.

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Ministro da Defesa chinês pede aos EUA que evitem “movimentos perigosos”

Posted: 07 Aug 2020 04:27 AM PDT

Pequim, 07 ago 2020 (Lusa) – O ministro da Defesa chinês, Wei Fenghe, pediu hoje ao homólogo norte-americano, Mark Esper, que “evite movimentos perigosos”, que possam levar a uma escalada no Mar do Sul da China.

Numa conversa por telefone, a convite de Esper, Wei enfatizou a “posição de princípio” da China em várias questões, incluindo o Mar do Sul da China, Taiwan e a “estigmatização” da China pelos EUA, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

Segundo a mesma fonte, Esper disse a Wei que, face às tensões entre as duas potências, os militares dos dois países “devem manter o diálogo e a consulta para administrar as crises, evitar mal-entendidos e reduzir os riscos”.

A agravar as tensões está a deslocação do secretário de Saúde e Serviços Humanos norte-americano, Alex Azar, a Taiwan, no próximo domingo, a visita de mais alto nível à ilha por um funcionário norte-americano desde 1979, quando Washington e Pequim estabeleceram relações diplomáticas.

A República Popular da China condena qualquer contacto oficial com a ilha, que funciona como uma entidade política soberana, ameaçando a reunificação pela força, “caso seja necessário”.

Esta visita representa mais um passo na política atual de Washington de rivalidade em relação à China em praticamente todas as frentes: comércio, competição tecnológica, a pandemia do novo coronavírus, direitos humanos ou a soberania do Mar do Sul da China.

A questão de Taiwan é vista por Pequim como a “mais sensível e importante” no seu relacionamento com os Estados Unidos.

O chefe do Pentágono e o ministro da Defesa chinês “trocaram opiniões sobre as relações militares bilaterais, bem como trocas na próxima fase”, segundo a Xinhua.

“Wei exortou os EUA a cessarem as suas palavras e atos errados, a melhorar a gestão e controlo dos riscos marítimos, evitar a realização de movimentos perigosos que possam agravar a situação e salvaguardar a paz e estabilidade regional”, escreveu a Xinhua.

É a primeira vez, desde março, que há evidências de que os responsáveis pela Defesa das principais potências mundiais mantêm uma comunicação direta.

Em junho, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o chefe das Relações Internacionais do Partido Comunista Chinês (PCC), Yang Jiechi, reuniram na ilha norte-americana do Havai.

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