Humor: o mistério do quarto 311

                O MISTÉRIO DO QUARTO 311
                 (parece anedota, mas não é!)<!--more-->



                Assim vai a saúde em Portugal. Se não fosse trágico seria para rir... só cá nesta terra, mesmo!


                0 mistério do quarto 311 do Hospital D. Pedro em Aveiro (facto verídico).


                Durante alguns meses acreditou-se que o quarto 311, do hospital Dom Pedro, em Aveiro, tinha uma maldição.


                Todas as sextas-feiras de manhã, os enfermeiros descobriam um paciente morto neste quarto da unidade de cuidados intensivos.

                Claro que os pacientes tinham sido alvo de tratamentos de risco, mas, no entanto, já se não encontravam em perigo de morte.

                A equipe médica, perplexa, pensou que existisse alguma contaminação bacteriológica no ar do quarto.

                Alertadas pelos familiares das vítimas, as autoridades conduziram um inquérito.

                Os doentes do 311 continuaram, no entanto, a morrer a um ritmo semanal e sempre às sextas-feiras.

                Por fim, foi colocada uma câmara no quarto e o mistério resolveu-se:

                Todas as sextas-feiras de manhã, pelas 6 horas, a mulher da limpeza, desligava os aparelhos do doente para ligar o aspirador!!!

                O cérebro é uma coisa maravilhosa. Todos deveriam ter um !!!

Dicionários de Mineirês, Paulistês e Goianês e galinglês….

 

Dicionário de Mineirês

 

Antisdonte:   Em algumas regiões de Minas pronuncia-se ÃNSDIONTI .- o mesmo que “antes de ontem” . “Antisdonte eu vi a Lindauva. Tava uma belezura, a minina”.

Arreda:     v.i. 1. Verbo na forma imperativa (dânnu órdi), paricido cum “sair”:    Arreda prá lá, sô!

Belzont:    s.p. 1. Capitar das Minas Gerais. 

Beraba e Berlândia:  s.p. 1. Cidades famosas do Triângulo Mineiro. Diz qui tem uma ôtra famosa que cumeça cum “B” e acaba com “raguari”, lá prá ‘quelas banda! O pessoar da capitár nunca sabe se a turma de lá é minerin ou não. Daí fica dizendo que é terra dos triangulinos.E óia que o povo di lá inté acha bão… 

Cadiquê:   Na forma erudita:         CAUSDIQUÊ – mineirin tentânu intendê o pruquê d’arguma coisa… ‘Por causa de quê?’,

Confórfô eu vô:        p.q.p. 1. Conforme for, eu vou.

Dendapia:     dentro da pia. Ex:    “ Muié, o galo tá dendapia”.

Deu:         o messs qui “di mim”. Ex :     ” – Larga deu, sô !”

Deusdi:o messs qui “desde”. Ex:   ” – Eu sou magrilim deusdi rapazín !”

Deusdiqui:    prep. 1. Desde que: Eu sou magrilin deusdiqui eu era muleque!

Dó:           o messs qui “pena”, “compaixão” :    “Ai qui dó, gentch…!!!”

Dôdestombago – o mesmo que DODESTONGO. (dor de estômago) “Essa danada da minha úrsera dá uma baita dôdestombago.”

Embadapia:   Debaixo da pia. Ex.: Muié, ele agora tá embadapia.

Émezzz:    adj. 1. Minerin dimirado do que contaro pr’ele. Podi tá querêno tamém cunfirmá arguma coisa.

Espia:       s.p. 1. Nome da popular revista VEJA quando chega na distante e pequena cidade do minerin.

Estaçã:     s.m. 1. Onde desembarcam os minerin com suas malas cheias de queijo.

I:             conj. 1. E:         Minino, ispecial, eu i ela, vistido.

In:            v.t.i. 1. Forma diminutiva:      Piquininin, lugarzin, bolin, vistidin, sapatin etc….

Intorná:    g.g. 1. Quando não cabe na vasilha. 2. Derramar.

Jizdifora:       p.d.s. 1. – Cidade minera pertín do RidiJanero, lá prás banda da Vinida Brasil nº 500.000. O pessoar da capitár nunca sabe se a turma de lá é minerin ou carioca. Daí fica dizendo que é terra dos carioca du brejo.

Kidicarne: medida empregada na comercialização de carne – quilo de carne – quinze kidicarne = uma arroba

Kinem:           k.b.lo 1. Advérbio de comparação – igual:      Ela saiu bunita kinem a mãe.

Lidileite:   Litro de leite.

Magrilin:   p.d.v. 1. Indivíduo muito magro.

Mastumate:   Massa de tomate

Minerin:    (pop.) ou MINEIRIN (forma clássica) – Nativo duistádimínass. Típico habitante das Minas Gerais.

Montes Claros:         p.d.s. 3. – Cidade minera pertín da Bahia, lá prás banda do Norte das Minas Gerais. O pessoar da capitár nunca sabe se a turma de lá é minerin ou baianin. Daí fica dizendo que é terra dos baianos cansado, sabe… Aqueles qui num deram conta de chegá em SumPaulo, daí pararo no mei do caminn. 

Negocin:   p.ludo 1. Qualquer coisa que o minerin acha pequeno.

Némêss:   – Minerin quereno qui ocê concordi c’ás idéia dêle…

Nimim:     o messs qui “em mim”. Exempro:     “- Nóoo, cê vive garrádu nimim, trem !…Larga deu, sô !!…

NNN:        p.o.p. 1. Gerúndio do minerês:          Brincannno, corrennno, innno, vinnno.

Nóoo:       num tem nada a ver cum laço pertado, não ! É o mess qui “nossa!!” …Vem di:          Nóoossinhora !…

Némermo:    z.bra. 1. Minerin procurando concordância com suas idéias. Os cariocas aproveitaram a expressão para criar o famoso “Né mermo, irmão?” com variação para o “Né mermo, brother?”.

Num:        NÃO ã.h. 1. Advérbios de negação usados na mesma frase:         Num vô não. Num quero não. Num gosto não.

Óiaí:         x.x. 1. Olha aí, ó, toma…

Óiaqui:     a.b.c. 1. Minerin tentando chamar a atenção para alguma coisa.

Oncotô:     – .h.j. Expressão de dúvida. Empregada constantemente quando o mineirim vai pra capitar, ou intão pra SumPaulo. (Onde que eu estou?)

Onquié:    br. Int. .É quan nois num sabe pronde é qui nóis vai. (Onde que e?)

Óprocevê: (!) – j.t..Mineirin dimirado cum arguma coisa! (olha pra você ver!)

Ostrudia:  n.x. variação:     ASTRUDIA . É quan um mineirim num qué fazê arguma coisa hoje (outro dia). “Ostrodia nóis vai, cumpadre!”

Pão di queijo:          k.h.1. – Ísscêis sabe ! Cumida fundamentar na mezz minêra e que disputa c’o tutú a nosss preferênça

Pelejânu:  O mess qui tentânu:     ” – Tô pelejânu qü’ esse diacho né di hoje! 

Pincumel:  pinga com mel “Si ocês tá cumeçano a constipá, toma logo uma pincumel que é prá mode sarar” 

Pópôpó:    – h.xá 1. Pode por o pó? – Mineirinha perguntando quanto colocar de pó para fazer café.

Pópôpoquin:  o.d.d. 1. Resposta afirmativa.

Prestenção:   é quan’um mineirin tá falano mais cê num tá ouvino.

Proncovô:  – É quan nóis inda num discubriu pronde é qui nóis vai e tá quainahora. (para onde que eu vou?) 

Quainahora:  t.p. Expressão que indica que o mineirm está ficando atrasado:         Si nois num apertá a marcha nóis vai chegá dispois do casório.(quase na hora) 

Qui Belezura: p.d.t. 1. Expressão que exprime aprovação; quando gostou de alguma coisa.

Quiném:   advérbio de comparação. Ex:  “É bunita qui dói. Quiném a mãe !”

Sapassado:   m.p.b 2 – Sábado Passado. 

Secetembro:  Dia em que se comemora a independência do Brasil. 

Sô:           fim de quarqué frase. Qué exêmpro tamém ? :       Cuidadaí, sô !!…

Tirisdaí:    É quan um trem tá travessado bem in frente di nóis:        Ex Tirisdaí minino! Tá travancando o caminho. (tira isso dai) 

Tradaporta:   atrás da porta – Receita mineira:  “Si a visita si isqueceu de tomá rumo de casa, cês põem a vassora tradaporta qui num instantim ela vaimbora”.

Trem:       s.b.p. 1. Palavra que não tem nada a ver com transporte, e que quer dizer qualquer coisa que o minerin quiser: Já lavô us trem? Eu comi uns trem. Vamo lá tomar uns trem? Qui trem é esse atrás d’ocê?

Triango minero:       m.p.b. 1. Triângulo Mineiro.

Trosso:     s.b.p. 1 É quiném trem

Tutu:        t.u.m. 1. – Mistura de farínn di mandioca cum feijão massadím e uns temperin lá da horta. Bão dimais da conta !…

Tii:           v.i.g.i. 1. O irmão do pai ou da mãe:  Mulher do tii é a txiiiiaa.

Uai:          u.a.i. 1. – Corresponde a “UÉ”, dos paulistas. Melhor Definição:    “Uai é uai,…uai !”

Varge:      e.l.a. 1. – Aquele legume verde rico em fibras. Serve tamém pra dizê daquelis lugar nos pé de morro ondi fica chei d’água no chão e que o pessoar usa pra prantá arroz:  (Várzea)

Varginha:  p.d.s. 2. – Né Varge piquinininha não, viu gente? É uma cidade minera pertín de Sum Paulo. O pessoar da capitár nunca sabe se a turma de lá é minerin ou paulista. Daí fica dizeno que é terra dos parlista frustrado. 

Vidiperfum:   . s.b.p.3. É donde se guarda aquelas água de chero. (vidro de perfume)

 

Dicionário de Paulistês

Ataque de bicha:        Expressão que representa um momento de nervosismo. (Exemplo: Ele me deixou tão atarantada que me deu um ataque de bicha!)

Azesquerda ou Asdereita:    Termos utilizados normalmente para definir direções a serem tomadas em algum caminho. (Exemplo:            Você então vira Azesquerda e depois Asdereita e segue em frente.)

Bicão:Aquele que não foi convidado (Exemplo:       Quem é aquele cara de camisa laranja e rosa, boné verde e vermelho? Acho que veio de bicão na festa)

Bico:          Olhar, avaliar. (Exemplo:           Dá um bico se essa peça tá ok. )

Bico:          Cara meio atrapalhado, pessoa que faz besteiras freqüentemente. (Exemplo:  Aí o Bico foi lá e tomou o maior fora da garota!)

Bissurdo:   Absurdo, inaceitável, incrível. (Exemplo:          Essa coisa de seqüestro é um bissurdo!)

Bocó:         Pessoa lerda, bobo. (Ex:  Cê é um bocó, todo mundo se aproveita do cê).

Capetoso:  Aquele ser hilário, que adora tirar sarro de todo mundo. (Ex:   Aquele num presta, é capetoso mesmo!)

Capote:      Cair, escorregar, tombo, queda. (Exemplo:        O Cara fez a curva e tomou o maior capote!)

Carçá:        Palavra que indica comer alguma coisa para matar a fome. (Exemplo:            Vô carçá o estomago, antes de sair prá balada!!)

Castelá:     Dar em cima de uma garota. (Exemplo: Vô castelá aquela loirinha ali!! )

Catando Coquinho:    Termo utilizado em uma situação em que a pessoa quase cai e consegue se levantar. (Exemplo:            Aquele carinha, tomou em tranco do Tonhão e saiu catando coquinho.)

Cê vá í?:    Pergunta você vai a tal lugar…?

Ceroto:      Sujeira do nariz. (Exemplo:        Menino! pare de tirar ceroto do nariz!)

Chovendinho: Dia ou noite com chuva fraca, quase uma garoa.(Exemplo: O cara tomou o capote porque tava chovendinho!)

Cornetear: Falar alguma coisa de outra pessoa, algo parecido com “fofoca”. (Exemplo:  O Marcio estava corneteando o Fábio ontem )

Dar uns Péga: O mesmo que ficar ou tirar um sarro com alguem. (Exemplo:        Hoje vou dar uns pega na Maria depois da missa!)

Deusolivre:     Termo utilizado largamente um todo tipo de conversa, expressa afirmação negativa categórica. (Exemplo:  Deusolivre que eu vou no cemitério a noite!)

Disgracêra:     Quando tudo/algo dá errado. (Ex:      Aconteceu uma disgracêra comigo ontem, atropelei a fia dum traficante).

Dormiu no ponto:       Bobear, o mesmo que “marcar bobeira” ( Ex:           O Zé dormiu no ponto e “robaro” o carro dele)

Drento:      indicativo de local/lugar.(Exemplo:       O material está “drento” da caixa. )

Erguida:     Levar uma bronca. (Exemplo:    Quebrei o prato e tomei a maior erguida da mãe!)

Escuita:     Escutar algo. (Exemplo:  Tonico escuita muita moda de viola…).

Espeloteada:  Pessoa elétrica que tem temperamento forte, birrenta. (Exemplo:   Essa menina é muito espeloteada!)

Estorvo:     Tudo que atrapalha, inclusive pessoas que atrapalham. (Exemplo:      Aquele bico é um estorvo!)

Euem:        Não vai fazer, participar ou falar algo. (Exemplo:         Você foi no velório ontem! – Euem tá loco!)

Farfanho:   entrou meio na lateral (Exemplo:           Estacionei de farfanho na rua)

Fazer uma fita:          Aparecer, chamar a atenção. (Dei uma passada lá, só prá fazer uma fita).

Fervo:        Local agitado, festança legal.(Exemplo:            E aí, vamos no fervo hoje na casa do Manezinho?)

Fianco:       Palavra utilizada para identificar uma ação que não ficou aprumada em linha reta. (Exemplo:    Ela foi estacionar o carro e ficou de fianco.)

Fiótão:       Pessoa menos preparada, sem experiência, meio bobo. (Exemplo:       Olha lá a besteira que ele fez! Só podia ser fiótão mesmo. )

Forfé:         Bagunça, agitação. (Exemplo:    Fui no baile e tava o maior forfé!)

Frio prá Urso: Quando tá frio prá cacete. (Exemplo:            Vou ficar debaixo do cubertô porque tá frio prá urso).

Frutinha:    Rapaz delicado que não demonstra sua masculinidade (Exemplo:       Olha só! Andando desse jeito só pode ser frutinha!)

Fumo:         Conjugação do verbo “ir” (Exemplo:      Nóis fumo lá ontem)

Furar o Zóio:  Enganar, tirar vantagem (Exemplo:   O Túlio vai me vender um módulo por 300 reais, será que está furando meu zóio?)

Furdunço:  Confusão, normalmente relacionada a festas (Exemplo:           Tava lá na festa e de repente começou uma briga…foi o maior furdunço!)

Gorfá:        Vomitar. (Exemplo:        Acho que bebi demais, vou gorfá!)

Isgueio:      A mesma coisa que fianco.

Lagartear: Não fazer nada, ficar paradão como um lagarto no sol. (Exemplo:       Hoje não tô afim de fazer nada, vou lagartear o dia todo.)

Manguaça Véia:         Expressão utilizada normalmente quando um indivíduo sofre uma queda ou um tropeção por qualquer motivo. (Exemplo:            Eh! Caiu de novo manguaça véia!)

Melá os pé:     Tomar todas, beber até cair. (Exemplo:        O marido da Mariquinha méla os pé todo dia no bar!)

Migué:       Às vezes substitui a palavra “xaveco”. (Exemplo:         Aquela tava difícil, tive que jogar o maior migué nela pra conseguir o que queria.)

:            Expressão designativa de grandeza/intensidade. Muito. (Exemplo:     O clube que nóis fumo ontem é “mó” legal!!)

Mocorongo:    A mesma coisa que bocó.

Morgá:       O mesmo que lagartear.

Moquiado: Ficar escondido no canto, na espreita.(Exemplo:           O João fico moquiado a noite toda prá pegá a mulher dele no flagrante!)

Muquifo:    Casa, barraco. (Exemplo:            Hoje a noite eu passo lá no seu muquifo).

Namorandinho:          Estar com alguém, namorar firme. (Exemplo:          O Fábio está namorandinho a Joana!)

Nervo:       Termo utilizado quando a pessoa está irritada ou nervosa com algo ou alguem.(Exemplo:           Aquele oreia sêca que trabalha comigo só faz besteira e eu tenho que consertar, isso me dá um nervo!)

Óia:            Olhar algo, veja, preste atenção. (Exemplo:       Óia só que coisa!)

Oreia Seca:    Utilizado para designar uma pessoa ignorante, simplório. (Exemplo:     Esse é um oreia seca mesmo, não tem jeito!)

Orná:         Que combina, fica bom com algo mais. (Exemplo:       Vou comprá essas roda aro 17?!! Vai orná na pick-up )

Páia:          O mesmo que mentira. (Exemplo:          Esse cara só conta páia, não acredite nele!!)

Páiero:       É o mentiroso

Paraô!:      Pare com isso!

Paroqueada:   Conversa mole, papo-furado, conversa sem interesse.(Exemplo:    Ah!! o Mané fica no bar a tarde toda só na paroqueada com os outros.)

Pial:           O mesmo que Erguida, uma bronca, chamar a atenção de alguém. (Exemplo: O Zé chegou as 3:00 hs de pé melado e tomou o maior pial da patroa.)

Pior que é.:     É isso mesmo, concordar plenamente.(Exemplo:     Eu acho que o João é frutinha. Pior que é!)

Piririca:     Aquela sujeira escura que fica nas dobras da pele dos seus filhos, depois de brincarem o dia todo na rua. O mais famoso é o cordão do pescoço. (Exemplo:     Vá tirar a piririca!)

Póde erguê:    Não vou fazer, nem pensar de jeito nenhum. (Exemplo:      Preciso que você vá a pé até a cidade. – Póde erguê que eu vô!)

Ponhá:       Termo muito usado usado para expressar “colocar” alguma coisa alí ou aquí. (Exemplo:            Vou ponhá aquí.)

Pórva:        Pessoa ou coisa que não presta, que não tem qualidade. (Exemplo:     Comprei uma calça jeans marca pórva mesmo.)

Posá:          Dormir em algum lugar.(Exemplo:        Posso posá hoje aqui ??)

Putaquelamerda:       Expressão de espanto. Susto.(Exemplo:        Putaquelamerda, que susto! )

Quaiá o Bico: Dar muita risada. (Exemplo:  O peão tomou um capote e eu quaiei o bico!)

Reganhera:    Estado letárgico que geralmente ocorre logo após o almoço, moleza, soneira.(Exemplo:           Comi tres pratos de feijoada e me deu uma reganhera daquelas!)

Revertério:     Define mal estar, estar passando mal. (Exemplo:     Comi aquela maionese e me deu o maior revertério!)

Sair vazado:   Atitude de todo bundão que apronta alguma e depois dá cagada. (Exemplo:     O dono do carro tá vindo aí, sai vazado!)

Samiá:        O mesmo que semear, espalhar algo. (Exemplo:           O Zé foi no quintal samiá o milho.)

Sartei de banda:         Deixar de fazer algo (Exemplo:         Você foi ajudar a encher a laje na casa do João ? – Euem sartei de banda!!)

Subir lá em cima / Descer lá em baixo:        Reforço de afirmação. Pra garantir que a pessoa realmente suba pra cima e não para baixo, ou desça pra baixo e não para cima. (Exemplo:  Eu subi lá em cima prá pegar as caixas e depois eu tive de descer tudo lá em baixo!)

Treta:        Expressão usada quando o indivíduo arruma confusão.(Exemplo:       Passei uma conversa naquela menina e namorado dela ficou sabendo, deu a maior treta.)

Trincá os côco:           O mesmo que melá os pé. (Exemplo:            Hoje eu vou no bar e só saio quando trincá os côco!)

Tropinha:   O mesmo que gangue, bando, galera.(Exemplo:            Vamos reuniar a tropinha prá pegar ele depois da aula!)

Trupicar:   É o mesmo que tropeçar. (Exemplo:      Carlos trupicou e caiu de cara no chão!…)

Úia:            Olhar coisa ou pessoa interessante, chamar atenção para algo especial. (Exemplo:            Úia que belezura!)

Vai rendê:  Vai dar certo, algo que vai funcionar. (Exemplo:          Hoje eu vou no baile, vai rendê!!)

Vaidalá:     Termo utilizado para informar que um caminho te levará onde você quer ir.(Exemplo:        E se eu pegar a Rua Getúlio Vargas, vaidalá? – Ahh vaidalá tambem!)

Véia carçuda: Mãe ( Como vai a sua véia carçuda? )

Viela:         Expressão comum usada em afirmações. (Exemplo:     Eu viela hoje.)

Virô um rebosteio:     Termo utilizado quando tudo dá errado. (Exemplo: Eu tava na rua e a agua do rio começou a subir eu tentei sair e não deu, virô um rebosteio só!)

Vô chegando: Ao contrario do que parece é utilizado quando você vai embora, esta saindo (Exemplo:            Bom pessoal a festa tá boa, mas eu vô chegando!! )

Xééé:          Nem pensar, de jeito nenhum, de forma alguma. (Exemplo:     Você vai trabalhar Domingo? – Xééé!)

Zé Ruela:   Pessoa que só faz besteira. (Exemplo:    Esse cara é um Zé ruela mesmo.)

 

Dicionário de Goianês

 

Anêim – Algo que parece ter vindo de “Ah, não!”, que virou “Ah, nem!” Mas, às vezes, é simplesmente usado na frase com um sentido de desagrado. Quando vejo escrito por aí, vejo o povo escrevendo “anein”, “aneim”, “anêim” e outras variantes. Ex.:   se eu ia viajar com a turma e de repente não posso mais, alguém exclama: “Anêeeim! Que pena!”

Arvre  – Árvore (isso me lembra “As arvres somos nozes“)

Arvrinha – Árvore pequena.

Arvrona – Árvore grande.

Bão mesmo? – É comum usar o “mesmo?” depois de coisas como “e aí, tá bom/bão”, como se pedisse uma confirmação de que a pessoa tá bem e não apenas fingindo que está bem.

Bão? – Goianês para “Tudo bem?” Também é usada a forma bããããão?

Calçada  – Pode significar:         1. Lugar para estacionar carros; 2. Local onde se colocam as mesas dos botecos e restaurantes. Note que não existe, em Goiás, calçada no sentido de lugar para pedestre, pois não sobra espaço para pedestres entre os carros e as mesas.

Chega doeu – Chegou a doer, ou seja, o passado de chega dói.

Chega dói – Chega a doer. Ex.:     Deixa eu te falar, essa luz é tão forte que chega dói a vista. Na verdade essa forma pode ser usada com quaisquer outros verbos combinados com o verbo “chegar”. Ex.:       chega arranha, chega machuca, chega engasga.

Corgo – Lê-se córrr-go. Córrego.

Corguim – Lê-se córrr-guim. Diminutivo de corgo.

Coró – mesmo que mandruvá.

Dar rata – Algo como cometer uma gafe. Ou seja, dar rata é o goianês para “fazer [email protected]

De doce – Se “de sal” é salgado, então “de açúcar” é doce, certo? Errado! Em Goiás as coisas não são doces, elas são de doce.

De sal – Salgado. Ex.:        Pamonha de Sal. (Eu jurava que era de milho… dãã)

Deixa eu te falar  – Com a variação Ow, deixa eu te falar. Introdução goiana para um assunto sério. Nunca, mas nunca mesmo, chegue para um goiano falando diretamente o que você tem que falar. Primeiro você tem que dizer “ow, deixa eu te falar”, para prepará-lo para o assunto. Em Goiás você precisa seguir o ritual de uma conversação. Ex.:             “E aí, bão? E o Goiás, hein? Perdeu! Tem base? É por isso que eu torço pro Vila. Oww, deixa eu te falar, lembra aquele negócio que eu te pedi…” A forma abreviada é te falar.

Deixa eu te perguntar – A mesma coisa que deixa eu te falar, mas usado, obviamente, quando você vai perguntar algo.

Encabulado – Impressionado. Ex.:          Estou encabulado que você nunca tenha ouvido alguém falar “chega dói” antes.

Madurar – Amadurecer.

Mais – substituto goiano da conjunção “E”. Ex.:  Eu mais fulano estamos no Goiás.

Mandruvá – Mandorová.

Na Goiânia – Em Goiânia.

No Goiás – Em Goiás.

Nota:        Dá impressão que o uai é parecido com o ué usado em outras regiões. Mas o ué muitas vezes é usado no caso de a pessoa achar a pergunta estranha. Quem não conhece pode ficar revoltado com o uso do “uai” já que parece que as pessoas estão insinuando que você pode estar perguntando alguma idiotice. Só que as pessoas falam uai por falar.

Num dô conta – Pode ser traduzido como Não consigo, não sei, não quero, não gosto, etc. No resto do País, não dar conta é usado mais no sentido de “não aguentar”. Por exemplo:         Não dei conta do recado, ou Não dou conta de comer isso tudo sozinho. Já aqui em Goiás é usado para quase tudo. Ex.:        Num dô conta de falar inglês (“não sei falar inglês”); Num dô conta de continuar em Goiânia nas férias (“Não quero/não aguento continuar em Goiânia nas férias); Num dô conta de imprimir usando esse programa (“não sei imprimir usando esse programa”).

Piqui – Pequi, fruto típico de Goiás, bastante usado na culinária goiana.

Pit Dog  – Uma espécie de filho bastardo de uma lanchonete com uma barraquinha de cachorro-quente. Apesar desse nome estranho, os sanduíches são muito bons!

Quando é fé – Algo como de repente, ou até que. Ex.: “Estava no consultório do dentista, ouvindo aquele barulhinho de broca, e quando é fé sai um menininho chorando de lá.”

Queijim – Rotatória.

Tá boa?  – Goianês para “Tudo bem?” usado para mulheres. Em outras regiões do Brasil seria interpretado de outra forma…

Tem base? – Expressão tão goiana que existe até em slogan impresso em bandeiras e camisetas exaltando o Estado:        “Sou goiano. Tem base?”. Pode ser traduzido como “Pode uma coisa dessas?”, só que usado com muito mais frequência.

Uai – Palavra que normalmente não tem sentido, mais ou menos como o tchê do gaúcho. Usado normalmente em respostas. Ex.:     Pergunta:      Goiano, você vai à festa hoje?; Resposta:       Uai, vou!

 

 

 

e para o galego falado à inglesa vá a

novo dicionário de galego falado à moda inglesa

 

humor: Dicionário algarvio de termos e dizeres do Algarve (já com o novo acordo ortográfico)

 

 

 

D

 

Dicionário algarvio de termos e dizeres do Algarve (já com o novo acordo ortográfico)

Publicado em 30/09/2011 por Vitor Madeira


Eis o esboço para a grande obra a inaugurar em breve, o grande “Dicionário algarvio de termos e dizeres do Algarve (já com o nove acorde ortográfique)
Quem tiver sugestões para adicionar, é bem-vindo a contribuir! É só colocar uma resposta no fim desta página.
Espero que seja do vosso agrado.

A

Abuscar – Buscar, procurar (Ex: ‘Us cãs abuscarem os coelhes no mê do mate’)

Acarditar – Acreditar. (ex: ‘Moce, até parace que n’acarditas em mim.’)

Acêfa – Ceifa (Ex: ‘Temes c’acêfar o milhe’)

Açotêa – Terraço usado para secar frutos secos e peixe.

Ademorar – demorar (Ex: ‘Ó Chique, pra quê tamanh’ademora?’)

Adés – Adeus (Ex: ‘Adés óme, pr’ónd’é que vás?’)

Ah mon – Ai mano, ai moço. (Ex: ‘Ah mon, tá tude bem?’)

Alagar tramôçes – Preparar tremoços (que consiste em mergulhar os tremoços durante alguns dias em água corrente da ribeira após a cozedura inicial)

Alcagoita – Aperitivo para descascar e acompanhar uma cerveja bem geladinha na taberna. O mesmo que minduim. (Ex: ‘Ti Tonho, traga umas alcagoitas prá gente quemer de companha c’as sarvejas’)

Alevantar – O acto de levantar com convicção. (Ex: ‘Alevantê-me e fui-me embora!’ ou ‘Alevanta-te Zé Manel!’)

Almariade – mal disposto, tonto, enjoado, conforme o contexto. (Ex: ‘Ah. mon, moce, até parece que tou almariade’)

Alpendrada – o mesmo que alpendre.

Alumiar – Apontar uma luz em direção a algo. (Ex: ‘Ó Luís, alumeia-me aqui o caminhe’)

Alvariade – Alguém que anda com a “cabeça no ar” por causa de namoro. (Ex:‘Maldeçoada da minha filha, c’anda alvariada per’cása daquele maldeçoade’)

Amandar – O acto de atirar com força: (‘O guarda-redes amandou a bola pra lá de Cacilhas’)

Amantizade – Alguém que vive maritalmente com outra pessoa sem contudo ter casado para o efeito. União de facto. (Ex: ‘A Maria e o Manel vivem amantizades’)

Amarinhar – Ir para o mar tripular navios (Ex: ‘U mé filhe anda amarinhade’)

Amigáde – Semelhante a Amantizade.

Amódes – De maneira que… (Ex: ‘Amódes q’iste é assim’ – Ver também ‘De modes’)

Andémes – Andámos (Ex: ‘- Ondé c’anderem moces? – Andémes na debulha.’)

Andérem – Andaram (Ex: ‘-Ondé c’andeste? -Andi pur aí.’)

Apertelência – Ousadia (Ex: ‘Tem munta apertetência, aquele Tonhe Jaquim.’)

Arrear – Deixar caír, desistir, bater, embater, esmurrar. (Ex: ‘Vou-t’arrear umas purradas!’)

Arrelampag – Efeito luminoso que ocrre normalmente durante as tempestades. (Ex: ‘Moce, tira-te daí c’ainda levas com um arrelampag!’)

Arram – Rã (Ex: ‘Fui à rebêra e vi uma arram’)

Arreata – Lábia, ousadia (Ex: ‘Tem uma arreata, aquele Ventura…’)

Arrenca-pinhêres – Homem muito baixo e muito magro.

Arrencar – Arrancar (Ex: ‘Brune, já arrencast’us pregues?’)

Arrioça – Baloiço (Ex: ‘Jorge toma cuidade pra na caíres d’arrioça.’)

Aspergic – Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.

Assebiar – Assobiar (ex: ‘U Nune assebia munte bem’)

Assebida – Parte de uma estrada ou caminho com uma inclinação ascendente acentuada (Ex: ‘Danada daquela assebida, aquile é que custa a assebir!’)

Assentar – O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento. (Ex: ‘Atã na ‘tassentas Jaquim?’)

Atão – Então (Ex: ‘Atão Mari-Tereza, na t’espachas?’)

Auga – Água (Ex: ‘Na bebas áuga antes de dermir Zé Manel, que mijas na cama’)

Avó – Avô (no masculino) (Ex: ‘O mê avó tem muntas farrobas’)

Avó – Avó (no feminino) (Ex: ‘A minha avó tá’amassar o pão’)

B

Baldear – Enlouquecer (Ex: ‘Agora é que cumadre Silvina baldeou de vez…’)

Bassôra – Também com a vertente ‘vassoira’. Utensílio doméstico para recolha de lixo, habitualmente com a ajuda da ‘apá’.

Belancia – Melancia (Ex: ‘Agora come-se a belancia’);

Barimbar – Indiferença, não querer saber (ex. ‘Tou-m’a barimbar pra isse’)

Barreca – Barraca (Ex.: ‘Prontes, já tá a barreca armada’.)

Batenêra – Máquina que serve pra fazer betão, cimento armado. (Ex: ‘Moss, liga a batenêra’)

Bele – Belo (Ex: ‘Cumadre, que beles trabalhes de renda’)

Berculose – Tuberculose (Ex: ‘O pobre do Asdrubal tá com berculose’);

Béqme – Bem que me… (Ex: ‘Béqme parecia crer… É sabia!’)

Besaranha – Vento desagradável (Ex: ‘Andava cavande mas o raie da besaranha na me largava da mão’)

Bicha – Cobra, víbora

Borra-botas – Profissional de fraca qualidade cujo trabalho é deficiente

Bradár – Gritar (Ex: ‘Ó Flipe, tu na m’ouves é bradar per ti?’);

Bucha – Almoço, merenda ou lanche (Ex: ‘Iste já tá na hora da bucha’)

Buftada – Chapada (Ex: ‘Ah maldeçoade dum ladrão… Tás aqui, tás a levar uma buftada.’)

C

C’anda – Que anda (Ex: ‘O Tonhe é c’anda com a enxada’)

Calêra – Camalhão usado para abrir regos (rede de canais na terra) usados da rega artesanal introduzida pelos árabes a península ibérica.

Cagalôse/a – Pessoa sensível, medrosa. (Ex: ‘Ó Chique, hoje tás tode cagalôse!’)

Cagorre – Susto (ex: ‘Aquele maldeçoade do Zé da Silva, amandou-me um cagorre c’até vi luzes’)

Caguifa – Medo. (Ex: ‘De nôte tenh’uma cacuifa, mas de dia na tenhe’)

Caminéte – Autocarro (Ex: ‘Ontre-dias atrazê-me e perdi a caminéte’)

Caminhe – Caminho, caminhar. (Ex: ‘É caminhe no caminhe’)

Campe – Campo

Cantarinha – O mesmo que cântaro. (Ex: Fui ó pôce e dexê caír a cantarinha’)

Capacha – Tapete. (ex: ‘Tenhe as capachas du carre todas nejentas’)

Capache – O mesmo que capacha, abanico para avivar o lume. (ex: ‘Carles, da dêxes o fogue s’apagar! Abana isse c’u capache’)

Capom – Porta que tapa o motor do automóvel que quando se fecha faz POM!

Catatumbas – Sitio para onde se vai depois de morto. (Ex: ‘É cá nã quer’ir pr’uma catatumba, quer’ir pró chão’)

Cáxa – Caixa (Ex: ‘Moce, na dás uma prá cáxa…’)

Cemente – Tradução algarvia para cimento;

Cesterna – Cisterna (depósito subterrâneo para recolha de águas pluviais e posterior consumo humano)

Cirque – Circo (Ex: ‘Vames andande pra mod’ir pó cirque.’)

Capetania – Capitania

Córas-som? – Perguntar as horas (Que horas são? – Ex: ‘Ah mon, córas-som iste?’)

Comá-gente – Como nós (ex: ‘Fomes ó Alenteje e vimes unz’omes a beber sarveja lá comá-gente’)

Comé-quié? – Como é que é? (Ex: ‘Ó Chique, comé-quié?’)

Companha – Companhia (Ex: ‘Cumadre, faça-me companha aqui na renda’)

Cromade – Opção que se exerce em vida pra quando se morre. (Ex: ‘É’cande morrer, quêre ser cromade’)

Cucharro – Colher grande feita a partir de cortiça para beber água. (Ex: ‘Fui à fonte e bebi água com o cucharro’)

Debulha – Separar a palha dos grãos de cereal (ex: ‘Moces, andem todes daí e vames debulhar o trigue’)

D

Demódes – De maneira que… (Ex: ‘Demódes qu’iste é assim’ – Ver também ‘Amodes’)

Desbrugar – Descascar favas ou ervilhas. (Ex: ‘Ó filha, desbruga-me aí umas ervilhinhas’)

Desbugalhades – Usado para referir uma pessoa com os olhos bem abertos. (Ex:‘A Silvina apareceu aqui ontre-dias com us olhes desbugalhades’)

Descabide – Iname, sem jeito. (Ex: ‘Aquele Tonhe anda même descabide’)

Desfolhada – Tirar as folhas à maçaroca de milho.

Desgroviade – O mesmo que desnorteado. Homem desorientado. (ex: ‘Aquele Marceline é même desgroveade.’)

Deslargar – Ato de lagar o que tinha sido largado. (Ex: ‘Ah mon… Moce! Deslarga-me da mão!’)

Desmazia – O dinheiro remanescente que se recebe depois de se pagar uma compra. (Ex: ‘Aqui tem a sua desmazia Ti Maria.’)

Despôs – Depois (ex: ‘É fui ó mar, despôs vim’embora.’)

Destrocar – Trocar uma nota de dinheiro de alto valor para ficarmos com notas mais pequenas. (Ex: ‘Ó ti-Tonho, destroque aqui esta nota, faz-afor.’)

Dexê – Deixei (Ex: ‘Na sê ond’é que dexê u raie das chaves’)

Diéb – Diabo. Muito usado para monstrar indignação perante alguém. (Ex: ‘Té dieb, nam’apoquentes, maldeçoade!’)

Disvorciada – Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.

E

É – Eu (Ex: ‘É na sê quem foi, más iste chêra-ma’esturre’.)

Empachade – Pessoal que leva muito tempo para se despachar. Pode referir-se também a alguém que sofre de obstrução intestinal. (Ex: ‘Ó Albertine, até parece que tás empachade, moce…’)

Empanzinar – Comer em demasia até abarrotar. (Ex: ‘Na te digue nada Zé, hoje quemi em desmazia. Tou même empazinade…’)

Empulheta – Pequena caixa à saida de um tanque por onde sai a água. (Ex:‘Tenhe que destapar a empulheta pra mod’ir regar a horta.’)

Encalipe – Eucalipto (ex: ‘-Ondé que forem o João e a Maria? -É cude que forem pós encalipes’)

Enfusa – Bilha (ex: ‘Miga, dá-m’aí a enfusa da água.’)

Entropeçar – Tropeçar duas vezes seguidas. (ou só uma mesmo! Ex: ‘Cuidade Zé, que já entropeçastes’)

Êrade da cesterna – Zona delimitada à volta da cisterna, com inclinação constante, para recolher a água da chuva.

Êres – Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses, nomeadamente a sul do rio Sado.

Escampar – Parar de chover. (Ex: ‘Vezinha, na s’importa qu’é fique aqui pa m’abrigar da chuva até escampar?’)

Esgarrões – Chuvas muito intensas e fortes.

Estrafega – Tarefa intensa e contínua para tentar acabar um qualquer trabalho com uma data limite apertada. (ex: ‘Fui cavar batatas e aquile é que foi uma estrafega…’)

Esturre – Estado do que fica muito seco e quase queimado. (Ex: ‘Iste chêra-ma’esturre.’)

F

Falastes (dissestes…) – Articulação na 4ª pessoa do singular. (Ex.: ‘é falê, tu falaste, ele falou, TU FALASTES…’)

Farroba – Alfarroba (Ex: ‘Maldeçoades dos pórques que já me forem às farrobas’)

Faz-avôr – Se faz favôr, por favôr. (Ex: ‘Cumadre, dêm’aí o guidal, faz’avôr’)

Fêjão carite – Feijão frade (Ex: ‘Goste munte duma saladinha com fêjão carite’)

Feniscadinho – Homem muito magro (ex: ‘Pálino, andas même feniscadinhe’)

Franquelim – Homem fraco (ex: ‘Esse dieb é um franquelim qualquer c’anda pr’aí’)

Fezes – Canseiras, preocupações. (Ex: ‘Ah mon, tenhe andade c’umas fezes pur cása do vizinhe…’)

Fraturação – O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. (ex: ‘Cása que n’a fratura, na predura.’)

Frent – Frente (Ex: ‘Maldeçoade, tira-te já da minha frent, qu’é na te posse ver!’)

G

Galegue – Pessoa do norte. (ex: ‘Aquel’óme c’apareceu pr’aqui ontem deve ser galegue.’)

Griséu – Ervilha.

Guidal – Alguidar (Ex: ‘Cumadre, dêm’aí o guidal, faz-avôr’)

Gurnir – Grunhir (Ex: ‘Us pórques levem a nôte toda a gurnir’)

H

Há-des – Verbo ‘haver’ na 2ª pessoa do singular: (e: ‘É hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia…’)

I

I-di – E daí (Ex: ‘O Carles assebiu, i-di caiu.’)

Impertante – Importante. (Ex: ‘Iste é um assunte munt’impertante’)

Inclusiver – Forma de expressar que percebemos de um assunto, ou não percebemos de todo! (Também existe a variante ‘Inclusivel’. Ex: ‘E digue ainda más: É inclusiver ache este assunte munte impertante.’)

L

Lambarêre – Pessoa que não consegue guardar um segredo. (Ex: ‘A Améla é uma lambarêra’)

Ladêra – Descida acentuada (Ex: ‘Filha, tem cuidade a descer a ladêra pra na caíres’)

Lagues – Lagos

Lariar a pevide – Passear sem permissão para tal, vadiar (Êx: ‘O Manel anda a lariar a pevide’)

Larada – Algo provável de se encontrar nas fraldas dos bebés. (ex: ‘Ah mon, a Beatriz chêra tã mal c’até parece que tem uma larada nas fraldas’)

Laruêre – Pessoa que anda sempre a laruar, ou seja, na boa vida, sem prestar contas a ninguém. Semelhante a lariar. (Ex: ‘Aquele Tonhe Jaquim e´um laruêre’)

Legues – Lagos

Lêra – forma de talhar a terra para o cultivo. (Ex: ‘Chique, vai cavar a lêra das couves.’)

Liquidazinha – O mes moque “nitidazinha”. Diz-se que a ‘omaja tá munte liquidazinha’ quando pretendemos indicar que a televisão tem uma imagem muito bem definida. (Ex: ‘Ó vezinha, a sua tlevezão tem uma omaja munte liquidazinha’)

Lógues – Lagos

Luzescús – Pirilampos (Ex: ‘Esta nôte tá tude chê de luzescús’)

M

Macheia – Uma mão cheia. (Atualmente usa-se muito o termo “bué” Ex: ‘Jaquim, hoje vi uma macheia de combois a passar.’)

Madronhe – Aguardente de medronho (Ex: ‘Este madronhe é même du bom’)

Magane – Vendedor ambulante comparável a um cigano (Ex: ‘Aquele magane das camisas é um maldeçoade!’)

Magala – Idêntico a magano.

Maline – Maligno, mau, teimoso (Ex: ‘U Humberte é même maline’)

Má que jête? – Mas que de jeito? Expressão muito popular utilizada para mostrar indignação num diálogo perante um tema ou assunto relativamente insólito. (ex:‘Manel, atã tu na vás danças com a Jaquelina? -Eu? Má que jête?’)

Maldeçoade – Almaldiçoado (Ex: ‘Ah moce maldeçoade, tira-te já daqui, pra qu’é na te veja na minha frente!’)

Marafade – Irritado, zangado, teimoso ou com garra. No Sotavento algarvio diz-se marfadu (Ex: ‘Ha moce marafade!’)

Marcade – Mercado (Ex: ‘Ontem foi o marcade d’Odeáxere’)

Marcar – Comprar, vender, negociar, conforme o contexto.

Más – Mais (Ex: ‘É na sê quem foi, más iste chêra-ma’esturre’.)

Mate – Mato (Ex: ‘Us cãs abuscarem os coelhes no mê do mate’.)

Matrafona – Mulher feia e gorda. Boneca de trapos. (Ex: ‘A filha do Alberte tá fêta matrafona’)

Mázi – Mas e (ex: ‘Ó ti Manel, mázi comé c’avera de ser isse?’)

– Meu (Ex: ‘Que jête u mé cão ter pulgas?’)

Meceia – Vossemecê (Ex: ‘Cumadre, agora na posse falar co’meceia, porque tenhe que tender o pão’)

Mechas – Expressão usada para demonstrar aborrecimento (eufemismo de ‘merda’) (Ex: ‘Mechas que já dexê cair os oves’)

Melanças – Melancias (geralmente usado apenas no plural. Ex: ‘Cumprade, na tem aí adube prás melanças?’)

Miga – Amigo ou amiga em ato muito familiar (ex: ‘Miga, passa-mu pão.’)

Minduim – Aperitivo para descascar e acompanhar uma cerveja bem geladinha na taberna. O mesmo que alcagoita.

Moss – Moço (Ex.: ‘Moss, deslarga-me da mão’)

N

Na dou fête – Não consigo fazer. Diz-se quando não se consegue fazer algo ou desempenhar determinada tarefa. (Ex: ‘Moce, é na dou fête isse!’)

Nha – Assim como Mon, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? (Ex: ‘A ‘nha mãe é que sabe, n’é a tua!’)

Númaro (Também com a vertente ‘númbaro’) – Número. (Ex: ‘Ah mon, qual é o númaro do té tlefone?’)

O

Omaja – Tradução algarvia para Imagem. (Ex: ‘Ó Chique, percebes de tlevesons? A minha na dá omaja…’)

Óme – Homem (Ex: ‘Adés óme, pr’ónd’é que vás?’)

Ontre-dias – Há pouco tempo (Ex: ‘Ontre-dias, passou por aqui o Zeferine’)

Oves – Ovos

P

Pciclete – Veículo de duas rodas sem motor (Pode também referir-se aos com motor. Ex: ‘Maldeçoades, ondé que meterem a minha pciclete?’)

Pêche – Peixe (Ex: ‘Hoje fui à praça, ma ná’via pêche’)

Parteleira – Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.

Patiar – Pisar, patinhar, geralmente onde não se deve. (Ex: ‘Sai daí Jaquim, tu na vêz que tás-ma patiar u chã tode?’)

Patochadas – Tolices (ex: ‘Aqueles plitiques só dizem patochadas’)

Perssunal – O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. (Ex.:‘Sou perssunal de futebol’ – Dica: deve ser articulada de forma rápida.)

Pial – Banco de taipa (construção de barro e pedras) encostado à parede da entrada das casas onde as pessoas se sentavam a conversar ao fim da tarde. (Ex:‘Compadre assente-se aí no pial’)

Pitaxio – Aperitivo da classe do ‘mindoím’.

Pitróle – Petróleo (ex: ‘Hoje na tenhe dinhêre nem pó pitróle’)

Pliça – Polícia (ex: ‘Per cása daquele maldeçoade, tive que chamar a pliça’)

Plitique – Político (ex: ‘Aqueles plitiques só dizem patochadas’)

Pôce – Poço (Ex: ‘Brune, tira-te daí c’ainda cais no pôce!’)

Pôrre – Uma queda (Ou caír um…) Caír uma queda. (Ex: ‘Caí um pôrre no chão e fiz sãingue’)

Precura – Ato de perguntar (Ex: ‘Deixa-me fazer-te uma precura…’)

Pregue – Prego (Ex: ‘Vítor, dá-m’aí u pregue’)

Prenha – Mulher grávida (Ex: ‘A maria anda prenha’)

Prontes – Pronto (Ex.: ‘Prontes, já tá a barreca armada’.)

Percása – Por causa (Ex: ‘Ah, mon, atã na vês quiste caiu percása daquile?’)

Q

Quáje – Semelhante à palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais “quaise”. (Ex: ‘Ontem, fui atravessar a estrada, e quáje qu’era atropelade pr’um carre’.)

Quebra-jum – Pequeno almoço (Ex: ‘Filhe, antes de t’ires embora, na te esqueças do quebra-jum’)

Que jête? – De que jeito? O mesmo que ‘Má que jête?’

Quemer – Comer (Ex: ‘É vou quemer, laranjas e bananas’)

R

Renda – O mesmo que crochê (ex: ‘Cumadre, que beles trabalhes de renda’)

S

Sarveja – Cerveja (Ex: ‘Já tá o Tonhe Jaquim enfrascade na sarveja’)

Sãingue – Sangue (Ex: ‘Caí um pôrre no chão e fiz sãingue’)

Sequinhe/a – Pessoa magra de fraca aparência, lingrinhas. (Ex: ‘O Manel anda même sequinhe’)

Stander – Local de venda com especial destaque para o ’stander de carres’. (Ex:‘Quere comprar um carre nove, mas ainda na fui ó stander’.)

T

Tãinque – Tanque (Ex: ‘Us moces maldeçoades forem ôtra véz tomar banhe pó tãinque’)

Talego – Saco de tecido de fecho com cordão de correr pela boca que se usava para transportar o farnel ou para guardar o pão na cozinha. Também pode designar as mangas de tecido que são enchidas para produzir farinheiras algarvias (de Monchique). Por vezes as próprias farinheiras são chamadas de talegos.

– Teu (Ex: ‘U té pai teve aqui ontre-dias’)

Té-diéb – Muito semelhante a Diébe. Muito usado para monstrar indignação perante alguém. (Ex: ‘Té dieb, nam’apoquentes, moce!’)

Tem avonde – Já chega. Diz-se que ‘tem avonde’ quando se quer dizer que uma medida qualquer já é suficiente. (Ex: ‘Jaquim, já tem avonde de sarveja!’)

Teste – tampa de panela.

Tendal – Lençol onde se coloca o pão a descansar antes de ir para o forno.

Tender – Estender a massa do pão andes da cozedura no forno. (Ex: ‘Cumadre, agora na posse falar co’meceia, porque tenhe que tender o pão’)

Tiosque – Quiosque. Hoje em vias de extinção, era outrora o local onde se podiam comprar jornais, revistas, pitaxios, etc.

Tipe – Juntamente com o ‘É assim’, faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. (Ex: ‘É assim… Tipe, táza ver?’)

Tlevezão – Tradução algarvia para televisão (Ex: ‘Caluda, c’u primêre menistre vai falar na tlevezão’)

Tonhe – António (ex: ‘U Tonhe já anda metide no madronhe outra vez’)

Tosquia – Ato de cortar o cabelo. Ex: ‘O chique foi à tosquia’)

Tôca do forne – Esfregona feita com trapos velhos com que se limpam os fornos de lenha antes cozer o pão.

Tramôces – Tremoços (Ex: ‘Ti-Tonhe, dê-m’aí uns tramôces pra companha da sarveja’)

Trinca-espinhas – Pessoa magra de fraca aparência, lingrinhas. Pior que ‘Sequinhe’. (Ex: ‘O Afonse foi sempre um trinca-espinhas’)

Treuze – Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

Tu-nouves? – Tu não ouves? (Ex: ‘Ó Meguel, atã tu-nouves é’chamar per ti?’)

U

U – O (Ex: ‘U presidente vem cá despôs d’amanhã’)

V

Vossemeceia – O mesmo que Meceia, vossemecê (Ex: ‘Compadre, vocemesseia na tem adube pás melanças?’)

Z

Zorra – Raposa ou mulher elegante mas matreira. (Ex: ‘A Mari-Luísa é cum’uma zorra’)

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