Texto português do século 16 mostra eficácia da quarentena – Sociedade – Correio da Manhã

Quarentena ou o isolamento podem impedir a globalização de uma doença como a covid-19, que já provocou mais de 30 mil mortos.

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açores a epidemia em 1918

E continua o caráter tardio da política açoriana, para além do fim das ligações interilhas; do estabelecimento de lazaretos e encerramento das estradas de acesso ao aeroporto… o descontrolo cívico, para já em Rabo de Peixe (ver 1.º comentário). Lembro que em 1918, a Ribeira Grande foi o concelho mais descontrolado da ilha de São Miguel: “[…] A 5 de novembro a epidemia grassava com bastante intensidade por todo o município da Ribeira Grande, atingindo mesmo o Administrador do Concelho, razão pela qual o comandante da diligência militar assumiria essas funções . No “Açoriano Oriental” dessa semana, foi noticiado o estabelecimento de zonas médicas, com fundos que chegaram da capital e o fornecimento de alimentos e roupas a pessoas pobres. Foi proibido temporariamente o fabrico de queijo de vaca, para que o leite fosse utilizado na alimentação dos moribundos e recebido apoio médico por intermédio de um médico e quatro enfermeiros de Lisboa. O preço do álcool desceu e mudaram-se as peças no xadrez sanitário, passando o quintanista da vila do Nordeste para a Ribeira Grande. A intervenção do Alto Comissário da República nos Açores foi fulcral no desenrolar das medidas adoptadas, como adiante se explicará […]” in “A Grande Guerra nos Açores”, Letras Lavadas (2014); Caleidoscópio (2017). A malta de Rabo de Peixe tem que perceber que não se brinca com a vida dos outros. Patrulhamento intenso, 1.º aviso e ao segundo, caso passeie sem motivo aparente, detenção. Após alguns casos, serviria de exemplo a todos… (imagem IAC-azores.org)

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a china e os chineses em 1930

A CHINA E OS CHINESES VISTOS POR UM PORTUGUÊS

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Miguel Castelo Branco

Os chineses vistos por um português

“Tendo visitado a China em 1930, António Lopes publicou no Diário da Manhã, Diário de Lisboa, Novidades e Voz de Macau uma série de reportagens sobre o Império do Meio. Texto de claro pendor sinófilo e declarada admiração pelo marechal Chiang Kai Schek, publicado no ano do início da guerra entre a China e o Japão (1937), exalta as qualidades da civilização chinesa e contém impressões sobre Macau, Hong Kong e Cantão”, Miguel CB – Os Portugueses e o Oriente: Sião-China-Japão (1840-1940). Lisboa: BN, 2004.

1. Ordeiros e trabalhadores
“São simpáticos os chineses. E entre todos os tipos humanos conhecidos eles são, sem dúvida nenhuma, dos mais merecedores da nossa consideração. Porque são ordeiros, trabalhadores, hábeis, empreendedores, bons chefes de família, económicos e respeitadores das leis e dos contratos. Nem todos os povos possuem tais e tantas qualidades”.

2. Preconceitos e estereótipos
“Geralmente, quando se fala dos chineses, vem logo à superfície a pirataria e a corrupção – as piores coisas que se encontram na China – mas raras vezes se lembram as boas qualidades, como se na Europa não existissem ladrões e assassinos, e os bandidos da Calábria; e como se na América não andassem à solta milhares de gangsters e um bom razoável número de Lampiões”.

3. Gente honrada
“São honrados os chineses, e homens de palavra, apesar de a pirataria e a corrupção darem por vezes a impressão do contrário. A maior prova dessa honradez está na maneira, única em todo o mundo, como os bancos chineses trabalham com os seus clientes, proporcionando-lhes toda a qualidade de operações bancárias, mesmo empréstimos, sem qualquer documentação, e apenas sob palavra [de honra]”.

4. O lugar de Portugal
“Convém acentuar aqui que Portugal não aparece envolvido em nenhum dos graves conflitos com a China nem em nenhum dos grandes negócios que animam a acção dos estrangeiros (…). Tanto no seu próprio interesse, como no interesse da China e do mundo, Portugal deve retomar o seu lugar de outrora, movimentando e criando riqueza, mas, como sempre, sem atentar contra os interesses chineses e sem criar ódios que os outros [britânicos, americanos, etc] têm criado com os seus exageros e as suas violências”.

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A GUERRA PORTUGAL-HOLANDA PELO DOMÍNIO DO BRASIL

A GUERRA PORTUGAL-HOLANDA PELO DOMÍNIO DO BRASIL

Portugal e Holanda travaram no século XVII uma longa guerra pelo domínio do Nordeste brasileiro.

Em O Brasil Holandês (1630-1654), o historiador brasileiro Evaldo Cabral de Mello, baseado em numerosas fontes lusas e batavas, tem páginas notáveis em que descreve as principais fases desse conflito, com episódios épicos de populações em fuga, cidades incendiadas, atrocidades, batalhas navais, guerra de guerrilhas com recurso a destacamentos de negros e índios fiéis à Coroa, colaborações dedicadas e traições – tudo cenas dignas de um dia ainda serem transpostas para o cinema.

De formação católica, os portugueses ficavam já então chocados com o comportamento calculista dos holandeses, de formação calvinista. Durante a ocupação, em relatório para a WIC – a Companhia das Índias Ocidentais, em Amsterdão – os responsáveis batavos da época escreviam:
“Os portugueses de um modo geral (com muito poucas excepções) são pouco favoráveis aos holandeses e à nossa nação e só devido ao temor são mantidos em obediência. Mas quando encontram qualquer pequena ocasião demonstram a sua inclinação.”

Ao longo dos 24 anos de ocupação do Nordeste, e apesar dos esforços de modernização da cidade do Recife levados a cabo pelo conde Maurício de Nassau, os holandeses tiveram em geral grande dificuldade em se estabelecer no território.

E acabaram por ser derrotados nas duas grandes batalhas de Guararapes (1648 e 1649), rendendo-se quando Recife, bloqueada por esquadra portuguesa, sucumbiu ao cerco e capitulou, em janeiro de 1654, conforme descrito na época por D. Francisco Manuel de Melo (Epanáforas de vária história portuguesa, Lisboa, 1660).

É uma história notável, hoje quase esquecida, mas que vale muito a pena revisitar.

Imagem – A Batalha dos Guararapes – óleo de Victor Meirelles (1879) – Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro

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LAGOA, A PESTE HÁ 500 ANOS

A Peste.
Vila de Lagoa.
Como evitou esta vila com um só ano de idade uma maior tragédia?Era Capitão Donatário Rui Gonçalves da Câmara 3º de nome.Criou duas Bandeiras ( com homens de armas de cerca de 250 cada uma) a 1ª no Poço Velho defronte das casas de Jorge Nuno Botelho Cavaleiro de Ordem de Cristo em Rosto do Cão e outra onde está a Ermida de Nossa Senhora da Guia conhecida ainda por o sitio da Bandeira. Que ninguém saia nem entrava ninguém na dita Vila de Lagoa.A peste passou em trés´anos para Vila de Ribeira Grande por uma manta levada por um João Afonso, por alcunha (o cabreiro) que a ofereceu a uma negra que em poucos dias morreu e logo a enterrou sem ninguém saber no dia seguinte foi jogar com um correiro chamado Martim Leão a casa de de um João Gonçalves que tinha dois filhos que morreram novos também da Peste. O Povo logo que soube foi queimar a casa. A Peste durou cerca de oito anos nesta ilha de São Miguel Açores.

Há 500 anos.
Na Vila de Ponta Delgada
A Peste começou a 4 de Julho 1523.
Veio de ilha de Madeira uma caixa ( ou caixão?) para casa de João Afonso Seco que morava junto de Igreja de São Pedro, e dali se ateou a toda a Vila de Ponta Delgada onde morreram centenas de pessoas e não morreram mais porque muitas das pessoas foram para lugares com ares mais sudáveis Feteiras. Fenais da Luz e outros sítios desta ilha de São Miguel Açores.
Curiosidades: Muitos fidalgos (cerca de trezentos armados com lanças, espadas, besteiros, espingardeiros e alabardas capitaneados Gaspar Rego Baldaia, Pero de Teve e outros) de Vila de Ponta Delgada quando souberam que o Capitão mandou fazer muros e montado as ditas Bandeiras foram a Vila de Lagoa pedir satisfações ao Capitão Rui Gonçalves da Câmara dizendo a este que estavam a ser tratados como escravos o Capitão vendo que “eles não estavam para brincadeiras mandou retirar a Bandeira que estava em Rosto do Cão. Assim a Vila de Lagoa escapou a uma maior tragédia naquele tempo. Quem quiser saber mais está no livro IV Saudades da Terra esta nas páginas nº 298 a 302 Assim foi nesta ilha de São Miguel Açores. Cristina Calisto, Carlos Melo Bento, Chrys Chrystello, Felix Félix Rodrigues, Rafael Fraga, Val Vale Tim, Jose M. Espinel José M. Espinel Cejas, Magno Jardim. José Soares de Oliveira, Roberto Garcia Fernando Tristão da Cunha, Fernando Fausto Silva Cristóvam, Fernando Jesus, Pescadores Lagoa

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a gripe espanhola nos açores

“[…] A primeira referência encontrada ao segundo surto da gripe espanhola é de 19 de setembro (1918). A diligência do Batalhão de Artilharia de Guarnição informa o Comando Militar dos Açores que, por se encontrarem instalados nas indispensáveis dependências do Posto de Desinfeção de Ponta Delgada, tornava-se fundamental a sua transferência para uma outra casa de modo a evitar o contágio dos soldados. Reportava-se já à notícia publicada dois dias depois pelo “Açoriano Oriental” em que se criticava duramente a autorização dada, assim como o transporte e respectiva hospitalização no Hospital de Isolamento da tripulação de um vapor japonês (“Shinsei Maru”) […]” in “A Grande Guerra nos Açores”, Letras Lavadas (2014); Caleidoscópio (2017). Mais palavras para quê? 😑
Imagem: Ponta Delgada Antigamente

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DO LAZARETO ANTIGO AO COVID19

“Lazareto – 1. edifício para quarentena de pessoas provenientes de países onde grassam epidemias; 2. 2. hospital de lázaros” (Infopédia). Porto de Ponta Delgada, 1910. É preciso dizer mais alguma coisa? Começam a acordar… um mês depois 😑 É lamentável…

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  • Sérgio Rezendes Quando os alunos recolheram a casa, reservava-se logo uma escola para receber o pessoal em trânsito, fazendo-se logo de seguida o despiste (como fizeram com o VIP Hotel) – depois saíam e juntavam-se à família… Cambada de “artistas”, estes políticos…
  • João Ornelas A História repete-se sempre na necessidade imperativa de a conhecer, mais ainda para quem nos governa.

    De contrário serão sempre impreparados, como a História ironicamente sempre comprova.

    Sérgio RezendesSérgio Rezendes replied

    1 reply 6m

  • João Pacheco de Melo Antes ainda deste Lazareto, e do que se lhe seguiu em Santa Clara, existiram outros, improvisados, em barracas e construções provisórias (julgo que tal como este do molhe) na praia do Rosto do Cão, hoje do Pópulo.

    João Pacheco de MeloJoão Pacheco de Melo replied

    2 replies 1m

  • João Pacheco de Melo Apesar dos erros – e para mim o maior foi não ter sido permitida uma solução mais assertiva para as entradas, sobretudo via aérea, nos Açores, estou confiante que aqui se está a actuar com uma competência superior aquela que acontece em Portugal. Bem sei que é um problema de menor dimensão, mas lá também podia ter sido reduzia a sua dimensã
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COVID19 EM PONTA DELGADA BASTAVA LER A HISTÓRIA DOS AÇORES

Pormenor de uma planta secreta de 1941, do ciclo em que recebemos só em São Miguel, cerca de 20.000 soldados expedicionários do continente. Obviamente que ao primeiro sinal de infeção, a quarentena era feita no navio. Mesmo sem sinal, homens e animais tinham quarentena obrigatória à chegada, em local próprio, o lazareto. Incrível tamanha burrice, de não chamar os historiadores para debater estes fenómenos em colaboração com os especialistas de medicina. Querem outro caso? Em plena Pneumónica o que dinamizou o Posto de Socorros da Cruz Vermelha Portuguesa em Ponta Delgada, foi o facto dos militares contaminados já não terem lugar nas sobrelotadas enfermarias, constituindo um perigo para os sãos. Rapidamente foi aceite a casa de uma mecenas no centro de Ponta Delgada para os confinar a todos no mesmo espaço. Hoje não, aceitam-se voos de todo o lado, disseminando a doença pelas ilhas, e tardiamente, impõe-se uma quarentena em casa… para os que obedecem… Muito Triste o Povo, quando governado por gente assim… 😑

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  • Sérgio Rezendes Podíamos estar tão bem, se fossemos governados por gente pro-ativa e Culta! A pressa era aparecer na televisão com conselhos que já eram do conhecimento de todos… e nada mais!
  • João Pacheco de Melo O célebre “Lazareto” está aí bem assinalado. Quem o quiser conhecer ainda o pode fazer. É a actual “Creche de Santa Clara”. Mais.. uma das suas funcionárias até poderá ter “estórias” interessantes a contar pois é filha de um dos antigos condutores da ambulância do Lazareto.

    😉.

    • Sérgio Rezendes Desde 1902… que excelentes serviços prestou durante a Pneumónica, mas também de onde tudo começou… com o seu Posto Sujo, duas enfermarias e um gabinete médico. E obrigado pela dica…
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  • Ana Silva Neste momento estaríamos no “paraiso”, tendo em conta a situação na Europa, aproveitando a barreira natural da distância que neste caso é uma mais valia. Enfim é o que temos. Estou cheia de raiva com esta situação de todos estarmos a pagar por más decSee more
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HISTÓRIA – AS PESTES NOS AÇORES

São Sebastião, o Santo Padroeiro de Ponta Delgada escolhido há cerca de meio milénio… dada a Peste! Por José Andrade sabemos que a 4 de julho de 1523 desembarcou em Ponta Delgada um caixão com o cadáver de João Afonso, “o seco” que, sendo aberto, ocasionou uma mortandade durante oito anos e que em 1549 existia uma confraria de São Sebastião. Por Manuel Ferreira, que a cidade já o tinha como Patrono ao arvorar a sua bandeira no forte de São Brás em 1597, perante a passagem ameaçadora de uma armada inglesa. Com pelo menos 497 anos de experiência ainda deixamos que uma “peste” anunciada entrasse… Pois, falem-me de revisão autonómica… debate infeliz de incapazes ou mesmo inerte há anos… e passem-me palha política em discursos ensaiados na comunicação social… 😑

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  • Sérgio Rezendes Para não falar da primitiva ermida, hoje matriz da cidade, que remonta aos finais do século XV, inícios de XVI.
  • Paulo Xalana Tá tudo escrito é só lerem.
    Mas o oportunismo político tá assima do covid 19 meu caro
    • Sérgio Rezendes Paulo, a História também demonstra que quanto mais se deixar o Povo na ignorância, melhor (para alguns governantes…). Um Abraço, amigo.
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