Guiné-Bissau | A polémica em torno da revisão dos cadernos eleitorais

Guiné-Bissau | A polémica em torno da revisão dos cadernos eleitorais

Posted: 28 Aug 2019 11:24 AM PDT

Preparação das presidenciais continua a gerar muita polémica na Guiné-Bissau, com contestações dos partidos à iniciativa do governo de realizar algumas correções nos cadernos eleitorais.

A polémica gira à volta das correções às omissões constatadas pelo Governo e os partidos políticos, nos cadernos eleitorais. Em março último, um pouco mais de 25 mil eleitores), apesar de terem sido recenseados, não puderam votar nas eleições legislativas, porque os seus nomes não constaram nos cadernos eleitorais.

Agora, a iniciativa das correções dos cadernos, visa, segundo as autoridades, identificar os cidadãos em causa, resolver a situação, com a inclusão dos seus nomes nos cadernos e permitir que possam votar nas presidenciais marcadas para novembro próximo.

Mas, a iniciativa não é do agrado aos partidos da oposição, que já falam da preparação de uma série de fraudes eleitorais. Até a Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), um dos integrantes do executivo e uma das formações políticas que suporta o atual Governo no Parlamento, também está contra as correções das omissões.

Respeitar lei eleitoral

Na segunda-feira (26.08.), à saída de uma reunião com a ministra da Administração Territorial, Batista Té, um dos vice-presidentes do partido, tornou pública a posição da APU-PDGB:

Para Batista Té “devemos respeitar a lei eleitoral, cujo artigo três diz que essas correções fazem-se no momento do recenseamento eleitoral, e agora não estamos no recenseamento. Se é ilegal não vamos acompanhar esse trabalho… não vamos participar na fiscalização. Essas omissões nos cadernos eleitorais foram detetadas no momento das eleições legislativas, altura em que deviam ser corrigidas, mas não foram e até as pessoas votaram. Já temos os cadernos eleitorais numa situação de neutralidade e ninguém pode mexer neles”, disse o dirigente da APU-PDGB.

No meio da polémica, apesar de defender a legalidade, o Presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, Fodé Carambá Sanhá, pede a abertura de diálogo, entre as forças políticas da Guiné-Bissau, para que a situação seja ultrapassada:

“Pode-se abrir um diálogo, ouvindo os partidos políticos e os candidatos. A sociedade civil vai estar presente para encorajar as iniciativas e apoiar o que é essencial por forma permitir que os cidadãos em idade de votar possam exercer o seu direito de voto”.

Pretextos para inviabilizar o pleito

Também ouvido pela DW África, o analista político, Rui Landim, disse que os pretextos são para inviabilizar a realização das eleições, mas reconhece que há uma crise de confiança entre os atores políticos guineenses.

“É uma perspetiva de um clima pré-eleitoral, onde há sempre hesitações e, sobretudo, numa situação de crise de confiança. Os atores políticos não só têm crise de confiança, como há um nível bastante elevado de suspeição e desconfiança. É toda uma tentativa de adiar as eleições. É mais uma réplica daquilo que foram as eleições legislativas quando não se queriam as eleições e assistimos todos aqui, que tudo vale, tudo serve como pretexto”.

Contudo, Rui Landim aponta o diálogo político como uma solução para toda a contestação.

“O bom senso deve imperar. Se as pessoas querem dialogar e dizer concretamente o que se quer, mas que se incida, sobretudo, num processo, porque esses dados são os dados validados, na base do qual se realizara as eleições legislativas”.

O executivo ainda não se pronunciou sobre essas contestações dos partidos políticos, mas recorda-se que o Governo já tinha deixara entender que, por falta de tempo até eleições e por falta de meios financeiros, não há possibilidade para um novo recenseamento eleitoral de raiz.

Iancuba Dansó (Bissau) | Deutsche Welle

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Domingos Simões Pereira é o candidato do PAIGC à presidência da Guiné-Bissau

O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, foi eleito esta sexta-feira candidato do partido às eleições presidenciais, anunciou o presidente da comissão das primárias, Higino Cardoso.

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Professores pedem a Portugal reforço do ensino da língua portuguesa na Guiné-Bissau

Professores pedem a Portugal reforço do ensino da língua portuguesa na Guiné-Bissau

Posted: 27 Jul 2019 04:44 AM PDT

Os reitores de duas universidades e professores do português na Guiné-Bissau pediram hoje ao chefe da diplomacia lusa o reforço do ensino daquela língua no país que pretendem ver falada por académicos, políticos, taxistas, vendedeiras de rua ou carpinteiros.

O repto foi lançado a Augusto Santos Silva numa palestra a que este presidiu na Universidade Amílcar Cabral em Bissau, perante uma assistência de cerca de cem pessoas, entre alunos e professores.

Entre os vários intervenientes que antecederam a comunicação de Santos Silva, que falou da importância do português no mundo e as suas múltiplas variantes nos países do espaço lusófono, destaca-se o apelo lançado por Domingos Gomes, responsável pelo ensino do português na escola de formação de professores, “Tchico Té”.

“Queremos levar o português para as oficinas para aí seja falado por carpinteiros, serralheiros, queremos ver o taxista guineense a se dirigir ao cliente em português, ver a vendedeira do mercado a negociar os produtos expressando-se em português”, disse o professor Domingos Gomes.

Dirigindo-se sempre a Augusto Santos Silva, apresentado como um académico renomado, Zaida Pereira, reitora da Universidade Católica da Guiné-Bissau, corroborou as exortações de Domingos Gomes para salientar que “à língua portuguesa não tem sido dada a devida atenção” no país.

O reitor da Universidade Amílcar Cabral, a única pública da Guiné-Bissau, Fodé Mané considerou preocupante constatar que na China existem mais de 40 universidades a ensinarem a língua portuguesa e que na instituição que dirige “não exista sequer um leitorado de português”.

Para Fodé Mané, qualquer projeto de cooperação com a Guiné-Bissau “para ter frutos terá que passar antes” pelo apoio ao ensino superior, dando respostas aos cerca de sete mil alunos que anualmente concluem o ensino liceal, disse.

“Ajudar a estruturar a universidade Amílcar Cabral é apoiar na redução do nível de conflitualidade que existe na sociedade guineense”, observou Mané.

DN Madeira | Lusa

Portugal reata cooperação estratégica com Guiné-Bissau

Posted: 27 Jul 2019 04:33 AM PDT

Chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, está na Guiné-Bissau. A visita de três dias marca a “retoma, ao mais alto nível”, das relações diplomáticas e de cooperação entre os dois países.

Esta é a primeira vez que um governante estrangeiro visita a Guiné-Bissau desde que o país tem um novo Governo. E é também a primeira vez que um ministro dos Negócios Estrangeiros português vai a Bissau, nove anos depois da visita do antigo chefe da diplomacia portuguesa Luís Amado.

“Este é um marco histórico nas relações políticas e diplomáticas da Guiné-Bissau e de Portugal”, afirmou a ministra guineense dos Negócios Estrangeiros, Suzi Barbosa, antes da visita de Augusto Santos Silva.

A estadia do ministro português na Guiné-Bissau assinala o retomar do programa estratégico de cooperação entre os dois países, que esteve parado desde 2015, quando estalou a crise política guineense.

“Aquém do potencial”

À chegada a Bissau, na quinta-feira (25.07) à noite, Santos Silva reconheceu que a cooperação entre os dois países esteve “aquém do seu potencial”.

Mas “não há nenhuma razão” para que isso continue a acontecer, frisou o ministro.

Esta sexta-feira, Augusto Santos Silva encontrou-se com o Presidente guineense, José Mário Vaz, e com diferentes personalidades políticas do país. Nos encontros, o governante reforçou a vontade de Portugal de estreitar os laços diplomáticos com a Guiné-Bissau.

Segundo Santos Silva, são estas as áreas prioritárias para a cooperação: “a educação, evidentemente, a saúde, mas também a segurança e o apoio nas funções de soberania, também a economia, a agricultura e o desenvolvimento rural.”

Contudo, o governante português esclarece a modalidade de funcionamento da cooperação com a Guiné-Bissau: “Cooperação, para Portugal e para a Guiné-Bissau, quer dizer parceria. É uma parceria da qual ambos os parceiros retiram benefícios. Não é um ajudar ao outro, é ajudarem-se ambos. É serem ambos companheiros de uma estrada comum: a estrada do desenvolvimento”, afirmou Augusto Santos Silva.

O ministro viaja acompanhado da secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Teresa Ribeiro. Antes do fim da visita, no sábado (27.07), será assinado o “Compacto Lusófono”, uma iniciativa lançada em 2017 pelo Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD) e pelo Governo português, para financiar projetos lançados nos países lusófonos.

Iancuba Dansó (Bissau) | Deutsche Welle

Na foto: Chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, e homóloga guineense, Suzi Barbosa

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Guiné-Bissau: PRS acusa Aristides Gomes de actos de nepotismo, clientelismo e servilismo – e-Global

O grupo parlamentar do Partido da Renovação Social (PRS) defende que os conselheiros e assessores afectos ao gabinete do primeiro-ministro, Aristides Gomes, devem “não só obedecer ao princípio da racionalidade em termos de número, mas também preencher requisitos qualitativos”. Em conferência de imprensa, esta terça-feira, 16 de Julho, o líder da Bancada Parlamentar do PRS, […]

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Guiné-Bissau: Cipriano Cassamá explica a DSP motivos da sua candidatura à Presidência – e-Global

O primeiro vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Cipriano Cassamá, acredita que o seu projecto político irá contribuir para enriquecer o PAIGC, consolidar a paz, estabilidade e desenvolvimento económico e social, resgatando a credibilidade interna e externa da Guiné-Bissau e das suas instituições, sobretudo políticas. N uma missiva, datada […]

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