pangim (goa)

🇮🇳 PANGIM
May be an image of outdoors
ALFÂNDEGA Panaji [Panagi/Pangim/Panjim/Nova Goa], Goa, Índia
A Alfândega é um dos mais antigos edifícios da cidade, testemunho de duas fases distintas de transformações urbanas e arquitetónicas que marcaram a cidade de Pangim no século XIX. A mudança da Alfândega de Velha Goa para Pangim foi aprovada em maio de 1811, e terá sido levada a cabo nesse mesmo ano. Tendo funcionado de início em barracões, Manuel de Portugal e Castro (1827‐1835) mandou construir o que Louzada d’Azevedo descreveu como sendo um belo edifício, com boas salas e armazéns em número suficiente para guardar tudo o que fosse necessário. É essa a construção, desenhada por Lopes Mendes, que hoje podemos observar, apesar das alterações que certamente sofreu ao longo dos anos, como todos os edifícios públicos em Goa. O primeiro acrescento docu‐ mentado foi um novo armazém construído em 1841‐1842, sendo possível que a sua localização não fosse exatamente junto ao edifício, mas na área até ao cais pela qual se estendiam as dependências. Comparando as plantas conhecidas de Pangim, de 1870 e de 1888, verifica‐se que entre estas datas foi feita uma nova ampliação do lado poente, o único que hoje se entende perfeitamente no conjunto do edifício. Essa ampliação consistiu num corpo de dois pisos ao longo de toda a fachada: um primeiro andar sobre uma arcaria, que na época deveria ser aberta. Este acrescento alinha a Alfândega perfeitamente com o arruamento e as edificações da praça da Câmara Municipal, entretanto construída. Em 1922, o edifício encontrava‐se em avançado estado de degradação, como aliás estava em finais da década de 1990, quando foram feitas obras de conservação, realizadas com o apoio da Fundação Oriente. É de salientar que também a relação entre o edifício e o rio se foi alterando ao longo das décadas com os sucessivos aterros na zona marginal.
Alice Santiago Faria
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Crioulo de Damão e Diu

Crioulo de Damão e Diu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Crioulo de Damão e Diu
Falado em: Índia
Total de falantes: 4.250
Família: Línguas crioulas
Crioulos portugueses
Crioulos indo-portugueses
Crioulo de Damão e Diu
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
MapaDamãoDiu.png

A língua crioula de Damão e Diu, também conhecida como Crioulo Indo-Português de Damão e Diu e, pelos seus falantes, como Língua da Casa (em Damão) ou Língua dos Velhos (em Diu), refere-se a algumas variantes do crioulo indo-português falado nos territórios indianos de Dadrá e Nagar Aveli e Damão e Diu, dois territórios da União da Índia. Essas variantes se originaram do crioulo original falado pelos chamados ‘norteiros’, habitantes dos antigos enclaves portugueses da costa oeste da Índia. Dada a etnia dos norteiros, é provável que o substrato da língua crioula de Damão e Diu seja o gujarati, enquanto o estrato é o português[1]. Ela faz parte de um conjunto de línguas crioulas indo-portuguesas, como crioulo da região de Bombaim, que é fruto da interação entre o português e a língua marati.[1][2]

Entrada do Forte de São Jerônimo, Damão

As variantes de Damão e Diu, faladas predominantemente em regiões que pertencem ao estado indiano de Gujarate, participavam das mesmas dinâmicas políticas e sociais, e sofreram as mesmas influências do português, inglês e gujarati, as três línguas faladas oficialmente nesses territórios. Por isso, podem ser descritas como uma única língua, compreendida mutuamente por diversas comunidades e tendo sistemas de escrita muito semelhantes.[3]

Antes da anexação do território pela Índia, o idioma passava por um processo de descrioulização, devido à padronização da Língua Portuguesa de Portugal no território de Goa.[2] Apesar do idioma estar se extinguindo gradualmente, ainda existem cerca de 4.000 falantes do crioulo de Damão e 250 falantes do crioulo de Diu.[3] Esse processo pode ser explicado pelo fato de que essas línguas eram amplamente faladas em pequenas comunidades durante o período colonial na Índia, porém recentemente, com a retirada da administração portuguesa na região, o uso institucional da língua foi substituído por outras línguas oficiais do Estado da índia.[1][2]

Apesar de ter inúmeras semelhanças com o português, um traço bem marcante desse crioulo é a contração de diversos fonemas que ainda são usados no português, obedecendo aos princípios de brevidade e menor esforço. Essas transformações fonéticas podem acontecer no início, no meio ou no fim de palavras.[1]

Classificação

Igreja de São Tomás, Diu

A língua se classifica como crioula por ter sido formada durante o contato forçado de colonização de exploração de uma nação europeia sobre povos originários dos demais continentes. Nesse caso, eram os grupos dos indianos gujaratis que habitavam a região e os colonos portugueses. Esses grupos mantiveram um contato forçado por anos durante o período colonial português na Índia.[2]

Seu estrato, o português, é uma das línguas da família românica, ou seja, das línguas derivadas do latim. A língua surgiu como variante meridional do antigo galego-português, consolidando-se durante o processo de Reconquista da Península Ibérica. O português falado nas regiões de Portugal e Galiza foi levado para as Índias durante a Era dos Descobrimentos. O português é falado por aproximadamente 270 milhões de falantes nativos e secundários, sendo considerada a sexta língua mais falada no mundo.[4]

O substrato da língua, o gujarati, tem origem nas línguas arianas, subgrupo das indo-europeias. É a sexta língua mais falada na Índia, oficial apenas no estado de Gujarate e nos territórios de Dadra e Nagar Aveli e Damão e Diu. Por conta dos altos índices de migração indiana para a América do Norte e Europa, o gujarati é um idioma bem presentes nesses continentes. O gujarati é a sexta língua mais falada na Índia e a vigésima sexta mais falada no mundo, com 55,5 milhões de falantes nativos.[5]

História

Durante as Grandes Navegações, Portugal criou e estabeleceu diversas feitorias em cidades já existentes e ocupadas por diversos povos na Índia, como em Bombaim e Calicute. Todas essas regiões controladas por Portugal formavam a Índia Portuguesa, ou o Estado Português da Índia. No litoral noroeste, estavam as cidades de Damão e Diu, que foram enclaves litorâneos controlados pela Coroa Portuguesa desde a década de 1530.[1][2]

Fortaleza portuguesa em Diu

Estima-se que o crioulo de Damão e Diu tenha começado a se formar na primeira metade do século XVI, porém só foi registrado em 1883, quando foi organizada uma expedição do filologista alemão Hugo Schuchardt, creditado como o fundador dos estudos de línguas crioulas. Schuchardt publicou um artigo de 16 páginas intitulado “Indo-Português de Diu” que, embora tivesse uma base de dados limitada, por muito tempo foi a única fonte fiável que descrevia a língua.[6]

Durante quatro séculos e meio, no período da Índia Colônia, os territórios de Damão e Diu eram enclaves do Estado Português da índia, juntamente com Goa, Dadrá e Nagar-Aveli. Esses enclaves foram ocupados pela União Indiana em 19 de dezembro de 1961, porém Portugal só reconheceu a ocupação em 1974. Os territórios de Damão, Diu e Goa foram administrados pela União até 1987, quando Goa se tornou um estado dentro da índia e Damão e Diu foram reconhecidos como um território separado administrativamente.[1][2][3]

No início do século XX, a língua crioula já era muito restringida, normalmente falada em pequenas comunidades e grupos familiares ou durante confissões em igrejas católicas, porém em situações sociais mais monitoradas, as pessoas davam preferência ao português e ao gujarati, sendo essa segunda geralmente aprendida durante a infância. Por conta dessa restrição, os norteiros normalmente se comunicavam nessas línguas apenas em pequenas comunidades ou grupos familiares. Até hoje o gujarati é o idioma predominante nessas regiões e estudos indicam que, em breve, prevalecerá sobre o crioulo, visto que outras línguas de origens parecidas já foram extintas, como o crioulo de Cochim. Por serem formados em regiões e grupos próximos étnica e socialmente, os crioulos indo-portugueses têm características comuns. Atualmente, essa língua crioula é falada por apenas alguns milhares de habitantes dessas regiões, principalmente entre as populações mais velhas.[1][7]

Fonologia

Por ser uma língua amplamente baseada no português, suas consoantes são essencialmente as mesmas, com exceção de [ɲ], representado por “nh” em português, que foi substituído pelo [ŋ] no crioulo de Damão e Diu, representado pela letra ŋ. Por fim, há o [ʒ], que no português pode servir de som para a letra g, mas não existe nesse crioulo. Em relação às vogais, a única mudança é a adição do schwa [ə], que não está presente na língua portuguesa.[2]

Consoantes

Fonemas consonantais de Damão e Diu
Bilabial Labiodental Dental/
Alveolar
Palatal Velar
Nasal m n ŋ
Plosiva p b t d k g
Fricativa f v s z ʃ
Africada ʧ ʤ
Vibrante r
Aproximante j ɰ
Aproximante lateral l

Vogais

As vogais fechadas, semifechadas e abertas podem ser nasalizadas. Na grafia do crioulo de Damão e Diu, isso é representado com um til sobre a vogal (ã, ẽ, ĩ, õ, ũ), semelhante ao que ocorre no português.[2]

Fonemas vocálicos de Damão e Diu
Anterior Central Posterior
Fechada i u
Semifechada e o
Média ə
Semiaberta ε ɔ
Aberta a

Fenômenos fonológicos

Os praticantes desse crioulo são conhecidos por contraírem diversos fonemas das palavras, tornando-as mais curtas quando comparadas às equivalentes em português. Por isso, as transformações fonológicas do português para o crioulo de Damão e Diu são muitas.[1]

Dentre essas transformações, destacam-se os metaplasmos por supressão, especialmente as supressões de vogais. Isso pode ocorrer no início das palavras (aférese, como em acordar > korda), no meio (síncope, como em testemunho > testmuŋ) ou no fim (apócope, como em casa > kaz). Esse fenômeno ocorre também a letra r no final dos verbos infinitivos.

Destacam-se também os os metaplasmos por transposição, que podem ocorrer palatalizando uma consoante, como em muito cedo > muxed, ou despalatalizando-a, como em sobrinho > subriŋ. Há também os metaplasmos por aumento, como em à noite > anot.[2]

Escrita

Por ser uma língua crioula falada por uma população pouco numerosa, a escrita da língua crioula de Damão e Diu não tem uma forma padronizada. Algumas formas escritas, normalmente utilizadas por comunidades pequenas de falantes mas com muitas variações, são baseadas somente na escrita portuguesa. Hugo Cardoso, no livro “O Indo-Português de Diu” (2009), propõe uma escrita padrão baseada no português e suplementada por letras do Alfabeto Fonético Internacional (IPA), de forma que cada letra corresponda estritamente a um fonema.[2] Essa escrita é a mais utilizada no contexto acadêmico.[1][2]

A escrita de algumas palavras pode mudar de acordo com a inicial da palavra que a sucede ou a última letra da palavra que a precede. Um exemplo é o pronome pessoal εl, que pode se tornar əl quando precedido por uma palavra que termina em -i.

Algumas palavras emprestadas do inglês, como courthouse e surprise, não seguem a mesma escrita do restante do idioma, sendo mantida a grafia original do inglês.[2]

Ortografia

Pela língua ser baseada no português, seu alfabeto é muito semelhante, apenas com as exceções que são feitas, a partir do IPA, para restringir a homografia. Algumas letras que podem representar dois fonemas no português representam apenas um neste alfabeto. As letras t, d, k, g, s, x, ch e j são adotadas exclusivamente para os fonemas /t/, /d/, /k/, /g/, /s/, /ʃ/, /ʧ/ e /ʤ/ respectivamente.

Além disso, utiliza-se as letras adicionais ε, ɔ, ə e ŋ, retiradas do IPA. Abaixo estão listadas as letras cujo uso é diferente daquele do português:[2]

Letra Damão e Diu Português
ε ε em pεd é em médio ou e em raquete
ɔ ɔ em nɔs ó em nó ou o em hora
ə ə em dəpəy (não existe no português)
k k em kabrit c em casa
ŋ ŋ em apiŋa (não existe no português)
z z em zasey z em zebra ou s em casa
x x em dex x em peixe ou ch em mecha
ch ch em chumas t em algumas variantes, como em tia
j j em janεl d em algumas variantes, como em dia

Gramática

As flexões do português são bastante reduzidas ou inexistentes neste crioulo. Os substantivos e verbos não têm flexões de gênero e número, elas são indicadas apenas pelos pronomes.[2]

Pronomes

Pronomes pessoais

Os pronomes pessoais do crioulo são os indicadores de número, logo os outros elementos da frase não são modificados. Essa regra pode ser exemplificada nas frases: “nɔs vay nə kazəmẽt də mĩ irmã” (nós vamos no casamento da minha irmã) e “yo vay nə kazəmẽt də mĩ irmã” (eu vou no casamento da minha irmã), onde os pronomes são as únicas palavras que sofrem flexão de número.

Os pronomes, de forma geral, não sofrem flexão de gênero, com exceção da terceira pessoa do singular, apresentando a forma masculina el e a feminina εl. Apesar disso, o pronome el pode ser utilizado, de forma mais ou menos comum de acordo com o falante, como substituto de εl e elz, funcionando em ambos os gêneros e números.[2]

O único pronome pessoal que pode ser modificado no caso oblíquo é o de primeira pessoa do singular, yo (caso reto) e mi (caso oblíquo).[2]

Singular Plural
1a pessoa yo / mi (obl.) nɔs
2a pessoa use usez
3a pessoa el (m.) / εl (f.) e(l)z

Pronomes possessivos

Quanto aos pronomes possessivos, apenas os de primeira pessoa mantiveram a forma românica tradicional do português. Os demais, “teu/tua” e “seu/sua” foram substituídos respectivamente pelas contrações “de você(s)” e “dele/a(s)”.[2]

Singular Plural
1a pessoa nɔs
2a pessoa duse dusez
3a pessoa del (m.) / dεl (f.) de(l)z

Substantivos

Flexões

Em relação às flexões, os substantivos podem variar muito no crioulo de Damão e Diu, já que não ocorre a separação de substantivos contáveis e incontáveis, palavras de valor semântico parecido podem ter ou não flexão de número. As palavras flexionáveis apresentam a adição do sufixo -s no final da palavra, semelhante ao que ocorre no português. No entanto, há modificadores comuns que podem ser utilizados em todos os casos, como bastãt (muitos) e aŋũ (alguns). Números também podem ser utilizados como indicadores de quantidade, como em “kwɔt adiw” (quatro raposas) ou “sey chumas” (seis travesseiros).[1][2]

Do mesmo modo que ocorre no português, o sufixo -iŋ (-inho) pode ser utilizado para indicar diminutivo, como em ratiŋ (ratinho).[2]

Via de regra, o gênero não é marcado nos substantivos, e o uso de artigos é arbitrário e pouco usual. Quando é necessário deixar claro o gênero da palavra, pode-se usar max para o masculino e fem para o feminino, como em “doy bufəl fem” (duas búfalas).[1][2]

Reduplicação do substantivo

A reduplicação de um nome ocorre quando há necessidade de enfatizar o substantivo na frase. Diferente de outros crioulos próximos ao de Damão e Diu, essa reduplicação não serve para marcar o plural. A palavra duplicada não sofre alteração fonológica, como parent-parent, a duplicação da palavra parent.[1]

Uma outra função para a reduplicação de um substantivo pode ser para indicar plural apenas em frases que indicam posse, como em “es tud rəkri tud ε də moyr-moyr”, que pode ser traduzido como “toda essa comida pertence aos vários muçulmanos”. Nesse caso, a reduplicação indica plural.[2]

Verbos

Os verbos são flexionados de acordo com o tempo verbal, mas nunca de acordo com pessoa, número e gênero. Esses três últimos são indicados na frase com o auxílio de outros elementos, mas nunca pela conjugação verbal. Existem apenas dois tempos verbais, passado e não-passado (já que o presente e o futuro são sempre conjugados da mesma maneira). Além disso, há duas formas não-finitas: infinitivo e particípio. Os modos e aspectos verbais são indicados a partir de auxiliares, logo não flexionam os verbos.

A maior parte dos verbos podem ser separados em diferentes grupos, de acordo com sua vogal temática, conforme mostrado na tabela abaixo. Os verbos que não se encaixam nesse agrupamento são chamados de irregulares – como exemplo, a tabela mostra o verbo vay (ir).[2]

Vogal temática (VT) Infinitivo(raiz + VT) Não-passado Passado Particípio
a par-a (parar) raiz (par) raiz + o (paro) raiz + VT + d (parad)
e sab-e (saber) raiz (sab) raiz + VT + w (sabew) raiz + i + d (sabid)
i uv-i (ouvir) raiz com transf. vogal (ov) raiz + VT + w (uviw) raiz + i + d (uvid)
verbo vay vay (ir) vay foy id

Tempo, aspecto e modo verbal

Algumas formas verbais são expressas por locuções verbais com modalizadores, como kere (querer). Outros, como o a (indicador de futuro), não são caracterizados como verbos.

De forma geral, as frases no passado indicam pretérito perfeito. Para a indicação de pretérito imperfeito, são utilizados os marcadores e tiŋ, seguido do verbo no infinitivo. Por exemplo: peacock vuo (“a barata voou”) vs. peacock tiŋ vua (“a barata voava”).[2]

Reduplicação do verbo

Mesmo que não seja muito comum, a reduplicação do verbo pode ser usada para intensificar a ação. Logo, a frase “si yo a bebe-bebe tə durmi” pode ser lida como “se eu beber muito, eu acabarei dormindo”.[2]

Verbos compostos

Auxiliar te

Como já dito anteriormente, os marcadores e tiŋ podem ser utilizados para indicar pretérito imperfeito. Eles são conjugações do verbo irregular te (ter), sendo que indica não-passado e tiŋ indica passado. Além do uso já citado, eles aparecem como auxiliares de verbos infinitivos e particípios.

Em quaisquer casos, eles indicarão imperfeição ou continuidade, podendo substituir o gerúndio do português. Por exemplo, a frase “yo gio saykəl” é traduzida como “eu andei de bicicleta”, mas “yo tiŋ gia saykəl” pode ser traduzida tanto como “eu andava de bicicleta” como “eu estava andando de bicicleta”.

O auxiliar exerce a mesma função para sentenças que não estão no passado, marcando o aspecto imperfeito ou contínuo. Por exemplo, a frase “el tə fala mĩtir” pode ser traduzida como “ele está mentindo”.

Outra forma do verbo forma a expressão “ti ki” (literalmente, ‘tem que’), que funciona como modalizador de obrigação. Por exemplo, a frase “nɔ ti ki vay iskɔl i dəpəy pəd brika”, traduzido como “nós temos que ir à escola e depois podemos brincar”.[2]

Auxiliares a e vidi

Os auxiliares a(d) (normalmente escritos como a ou ad, mas também como adə ou ədə) se originaram a partir da conjugação do verbo ‘haver’ para o futuro, como ocorre na frase “ele há de querer que fiquemos juntos”. Ao contrário dos auxiliares te, não apresentam derivação verbal dentro da própria língua, já que a palavra a sozinha não exprime nenhuma ação.

Os auxiliares a, ad e seus derivados indicam futuro simples, futuro hipotético e sentenças condicionais. Exemplos:

  1. yo a sai primer ki də duse (eu vou sair antes de você)
  2. el nə ad pude gia, el a kai vay (ele não conseguiria pilotar, ele cairia)
  3. officer si fika saben nã ad gosta (se o policial ficar sabendo, ele não vai gostar)

O auxiliar vidi indica futuro do pretérito. Por exemplo, a frase “elz vidi faze kaz si delz jũt tiŋ diŋer”, que pode ser traduzida como “eles teriam feito uma casa se eles tivessem dinheiro”.[2]

Auxiliares pude e kere

De maneira similar aos auxiliares te, o auxiliar pude (poder) assume as formas pɔd (não-passado) e pudiŋ (passado). Eles podem indicar possibilidade, habilidade física e permissão. Esses auxiliares sempre precedem o verbo modificado.

Da mesma forma, o auxiliar kere assume as formas kεr (não passado) e keriw (passado). Eles normalmente indicam desejo, porém também podem ser usados, mais raramente, para a substituição da construção ti ki, funcionando como modalizador de obrigação e sendo utilizado em sua forma infinitiva kere.

Exemplos:

  1. es nã pɔd da kume pə tud jẽt də fɔr, ε kar (ninguém pode dar comida para todas as pessoas de fora, isso é caro)
  2. dəpəy el keriw ag (depois ele queria água)
  3. use kere ãda (você deve andar)[2]

Vocabulário

Numeração cardinal

Número Escrita em Português OcultarEscrita em Damão e Diu
1 um ũ
2 dois doy
3 três trey
4 quatro kwɔt
5 cinco sĩk
6 seis sey
7 sete sεt
8 oito oyt
9 nove nɔv
10 dez dez
11 onze õz
12 doze doz
13 treze trez
14 catorze katɔrz
15 quinze kĩz
16 dezesseis zasey
17 dezessete zasεt
18 dezoito zoyt
19 dezenove zanɔv
20 vinte vĩt
30 trinta trĩt
40 quarenta kwɔrẽt
50 cinquenta sikwẽt
60 sessenta sεsẽt
70 setenta sεtẽt
80 oitenta oytẽt
90 noventa novẽt
100 cem sẽ
200 duzentos duzẽt
300 trezentos trey sẽt
400 quatrocentos kwɔt sẽt
500 quinhentos kiŋẽt
600 seiscentos sey sẽt
700 setessentos sεt sẽt
800 oitocentos oyt sẽt
900 novecentos nɔv sẽt
1000 mil mil

Numeração ordinal

Enquanto a numeração cardinal é essencial para a língua, a ordinal se mostra em grande desuso. Apenas os três primeiros números são amplamente usados, enquanto os números ordinais de 4 a 6 são raramente vistos, provavelmente adquiridos por conta dos dias da semana em português. Além desses, os outros não são tão registrados na fala de Damão e Diu, porém é comum que adicionem o sufixo -m para indicar número cardinal, como em oytm (oitavo).[2]

Número ordinal Escrita em Português OcultarEscrita em Damão e Diu
1 primeiro pimer
2 segundo sigũd
3 terceiro terser
4 quarto kwɔrt
5 quinto kĩt
6 sexto sest

Algumas outras palavras

Português OcultarDamão e Diu
domingo dumĩg
segunda-feira sigũd
terça-feira ters
quarta-feira kwɔrt
quinta-feira kĩt
sexta-feira sest
sábado sab(d)
avô avo
avó avziŋ
menino baba, rapaz
menina bai, rap(ə)rig
irmão irmãw
irmã irmã
homem ɔm
marido marid, ɔm
mulher, esposa muyεr
neto nεt
neta nitiŋ
pai pay
mãe mãy
amarelo amrεl
azul azul
branco brãk
laranja larãj
preto pret
rosa (kod) roz
verde verd
vermelho vεrmey
marrom, café kafε
roxo, jamelão jamlãw
animal animal
inseto bix
pássaro pas(r)
peixe pex
raposa adiv
sapo mãduk
mosquito muskit
porco pork
caranguejo karẽgej
crocodilo crocodile
leão lion

Referências e bibliografia

  1. Ir para:a b c d e f g h i j k l DALGADO, Sebastião Rodolpho (1903). Dialecto Indo-Português de Damão. Lisboa: [s.n.]
  2. Ir para:a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab CARDOSO, Hugo C. (2009). The Indo-Portuguese Language of Diu. Coimbra: [s.n.]
  3. Ir para:a b c CLEMENTS, J. Clancy (2009). Journal of Portuguese Linguistics. Universidade de Indiana: [s.n.] pp. 23–47
  4. TEYSSIER, Paul (2004). História da Língua Portuguesa. [S.l.]: Martins Fontes. pp. 6–55
  5. MISTRY, P. J. (1996). The World’s Writing Systems. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 391–394
  6. CARDOSO, Hugo C. (2018). South Asian Studies. Universidade de Lisboa: [s.n.] 34.1 páginas
  7. CARDOSO, Hugo C. (28 de outubro de 2010). «The Death of and Indian-born Language». Open Magazine. Consultado em 22 de abril de 2021

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AJUDE A SALVAR O QUE RESTA DA “JÓIA DA COROA”!
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GOA – QUASE SEIS DÉCADAS DEPOIS
Valentino Viegas
18 Dezembro 2020/DN
Em finais de 1960, quando vivia em Goa, creio que nem o governo português nem eu imaginávamos que um ano depois, precisamente no dia 18 de Dezembro de 1961, Goa pudesse ser invadida, conquistada e anexada pela União Indiana, pois o intransigente Salazar acreditava que a Inglaterra e a NATO dissuadiriam Nehru de tomar essa iniciativa e este não gostaria de ver o seu nome manchado com prática de uma política belicista. Todavia, a realidade é por demais conhecida: após consumação do facto, uma montanha de gelo interpôs-se entre os dois países.
Com a revolução de 25 de Abril de 1974, Portugal, na pessoa do seu Ministro de Negócios Estrangeiros, Dr. Mário Soares, em 31 de Dezembro desse mesmo ano, aceitou de forma oficial a integração e reconheceu a situação de facto existente em Goa, sem conhecimento nem mandato dos goeses, e sem negociar e garantir um estatuto especial para Goa.
Todavia, no artigo IV do “Decreto n.º 206/75 do Tratado entre a Índia e Portugal Relativo ao Reconhecimento da Soberania da Índia sobre Goa, Damão, Diu, Dadrá e Nagar Aveli e Assuntos Correlativos”, consta:
Será concluído o mais brevemente possível um acordo cultural entre Portugal e a Índia. As Partes Contratantes acordam em tomar medidas para desenvolver contactos no campo cultural e, em particular, na promoção da língua e cultura portuguesas e na conservação de monumentos históricos e religiosos em Goa, Damão, Diu, Dadrá e Nagar Aveli.
Assim, mais uma vez, desde a conquista portuguesa daquela terra oriental, Portugal e Índia decidiram sobre Goa e jamais consentiram que os goeses deliberassem sobre o seu futuro.
Como escreveu o general António Ramalho Eanes, Presidente da República Portuguesa, “Outro destino merecia Goa, bem diferente do que sofreu”…”possuía ou podia criar todas as condições para decidir sobre o seu futuro e viver em paz e progresso”…faltou a Salazar o golpe de asa para fazer de Goa o Brasil do Oriente (“A injustiçada Goa”, in Revisitar Goa, Damão e Diu, pp. 15-19).
Entretanto, lutando pelos seus direitos, no “The Goa Opinion Poll”, – que na prática tratou-se de um referendo -, realizado em 16 de Janeiro de 1967, os goeses decidiram permanecer na União Indiana, votando contra a sua fusão no Estado de Maharastra; posteriormente, em 30 de Maio de 1987, conseguiram que Goa fosse declarado Estado autónomo; e em 20 de Agosto de 1992 o concani foi reconhecido como língua oficial.
Contudo, a negligência no cumprimento do artigo IV do Decreto n.º 206/75, designadamente, “na promoção da língua e cultura portuguesas”, revelou-se por uma lenta agonia da utilização da língua portuguesa nos meios de comunicação social em Goa que até o resistente O Heraldo, primeiro diário de todo o Ultramar português, em 1983, deixou de publicar na língua de Camões.
Porém, Homem Cristo Prazeres da Costa, filho do falecido Amadeu Prazeres da Costa, antigo redactor principal e editor de O Heraldo, com apoio do actual editor Alexandre Moniz Barbosa e de Raúl Fernandes, dono e editor-chefe do mesmo jornal, a partir de 6 de Setembro de 2020, introduziram, nesse jornal, uma secção semanal em língua portuguesa, que tem vindo a ser publicada regularmente.
Sabemos que existe um plano de infra-estruturas para Goa, – com conversão de auto-estrada NH4A em quatro faixas, a duplicação da linha férrea, para acelerar o processo do transporte de carvão, e instalação da linha de transmissão eléctrica para facilitar esse transporte -, que ameaça a floresta e a vida selvagem da área protegida do santuário “Bhagwan Mahaveer” e Mollem National Park, e poderá provocar o corte de muitas dezenas de milhares de árvores.
Sabemos também que de 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2021, Portugal vai assumir a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, cujo lema será: «Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital».
António Costa, primeiro-ministro português, numa conferência realizada na Universidade Católica, em Lisboa, defendeu que “Portugal destacou-se sempre na Europa como uma plataforma de ligação à escala global” e afirmou que “em matéria de política externa, a jóia da coroa da presidência portuguesa será a realização da cimeira de todos os líderes europeus com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em 08 de Maio, no Porto”.
Em relação ao lema português, as palavras de António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, avalizam a justeza e o valor dos objectivos traçados, em contraposição com os da Índia, quando afirma que a Índia precisa de parar de construir infra-estruturas baseadas em carvão e focar-se na geração de energia renovável para ajudar na luta global contra as mudanças climáticas e tirar a sua população da pobreza. Acrescentando “Investir em combustíveis fósseis significa mais mortes, doenças e aumento dos custos de saúde”. “Resumidamente, é um desastre humano e ruim para a economia”.
Como português e goês, que prezo ser, gostaria de lembrar ao meu primeiro-ministro, Dr. António Costa, que Portugal deve honrar os seus compromissos, designadamente o artigo IV do Decreto n.º 206/75, e jamais esquecer que Goa foi a jóia da coroa portuguesa, terra que deu fama e glória a Portugal em todo o mundo.
Por isso, gostaria de lhe fazer dois pedidos:
Primeiro: – Como a língua é uma mais-valia universalmente reconhecida e o português é a sexta língua mais falada no mundo, – para benefício da Índia e Portugal, que propusesse ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a feitura de um acordo conjunto entre Portugal, Índia e Goa para a promoção e dinamização da língua e cultura portuguesa em Goa.
Segundo: – Como o lema da presidência portuguesa será: «Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital», – e o transporte de carvão importado para a Índia é também feito através do território de Goa, a partir do porto de Mormugão, com grave prejuízo para a saúde dos goeses -, que sensibilizasse e solicitasse ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que seguisse o conselho do Dr. António Guterres e poupasse Goa mandando reavaliar o nefastoproblema do transporte de carvão através do território goês, que tem provocado doenças respiratórias graves e protestos populares, havendo até quem escreva nos jornais, em Goa, dizendo que estamos perante um novo colonialismo.
Tomo a liberdade de lembrar ao Dr. António Costa, primeiro-ministro português, que, tendo Portugal uma dívida de gratidão para com Goa, não pode abandoná-la, permitindo que seja sujeita a uma política governamental perniciosa para a sua biodiversidade e saúde populacional.
Historiador
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ÍNDIA Dona JULIANA DIAS DA COSTA, a “outra” Catarina de Bragança

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Dona JULIANA DIAS DA COSTA, a “outra” Catarina de Bragança
Portuguesa que conquistou imperador indiano no século XVIII é estrela de livro
A história de amor no século XVIII entre a portuguesa Juliana Dias da Costa e o imperador indiano Shah Alam é estrela de um livro editado na Índia, que aborda esta ligação como um exemplo de respeito entre civilizações.
O livro “Juliana Nama” revela a história de amor entre Juliana Dias da Costa e o imperador mogul Shah Alam, relatando ainda como esta mulher de origem portuguesa serviu como “embaixadora” de Portugal, declarou à Lusa o autor do livro.
“Ao lerem este livro, as pessoas ficarão surpreendidas e mesmo chocadas porque Juliana Dias da Costa foi a única personalidade da corte mogul que não só permaneceu cristã, mas também expandiu a sua fé, sendo agraciada com títulos e honrarias pelo imperador mogul e pelo rei português”, afirmou à Lusa Raghuraj Singh Chauhan, antigo diretor do Museu Nacional de Nova Deli e um dos autores do livro.
Para Chauhan, Juliana Dias da Costa tornou-se uma espécie de “embaixadora” portuguesa na corte do império que dominou a maior parte Índia durante vários séculos e manteve contactos com as autoridades de Portugal, assim como de outros países europeus.
“O seu papel é tão grande e vasto que o mundo inteiro deveria conhecer o papel histórico desta maravilhosa senhora na corte mais rica do mundo”, afirmou o investigador, salientando que não só o Governo português reconhecia as suas ações, mas também outras nações e até mesmo o papa.
O livro “Juliana Nama” foi publicado em 2017 na Índia e lançado na embaixada de Portugal em Nova Deli, em outubro do ano passado. A obra foi o resultado de quase quatro décadas de pesquisa do antigo diretor do Museu Nacional de Nova Deli e do arquivista Madhukar Tewari.
O interesse em Juliana Dias da Costa surgiu, de acordo com o historiador, depois de encontrar citações sobre esta mulher de origem portuguesa em livros nos arquivos indianos — nomeadamente nos arquivos históricos de Goa e Nova Deli – e, desde então, não parou de pesquisar a vida da preferida do imperador mogul Shah Alam.
“Recolhi tudo o que foi possível dos Arquivos de Goa, entre outros, documentos em várias línguas europeias, tendo encontrado correspondências ente Juliana e os vice-reis portugueses (na Índia) e também com os padres jesuítas. Ainda encontrei uma carta que escreveu ao rei português, Dom João V, a 12 de julho de 1710”, disse o Chauhan.
Toda a documentação encontrada comprovou a atuação dos governos português, britânico, francês e holandês na Índia, nomeadamente entre os séculos XVII e XVIII.
O império mogul foi um Estado que existiu entre 1526 e 1857 e que chegou quase a dominar todo o subcontinente indiano.
De acordo com Raghuraj Singh Chauhan, os pais de Juliana Dias da Costa, conhecida em Deli como Bibi Julena, moravam em Hugli, perto de Calcutá, numa zona em que havia um povoado de portugueses, que foi autorizado pelo imperador mogul Akbar.
Em 1632, foi-lhes retirada as benesses e cerca de 4.000 portugueses foram aprisionados, tendo sido levados para Agra.
Segundo ainda Chauhan, o pai de Juliana teria sido obrigado a converter-se ao islão (a corte mogul praticava esta religião) e a mãe a servir como empregada doméstica, provavelmente para uma das damas do harém do imperador Shah Jahan.
Bibi Julena teria já nascido em Agra, por volta de 1645. Após a morte dos seus pais, Juliana foi criada pelos jesuítas, nomeadamente o padre António de Magalhães. Juliana Dias da Costa tornou-se viúva ainda muito jovem e foi introduzida na corte pelo padre Magalhães, que lhe proporcionou uma vasta educação, inclusive em línguas e outras disciplinas.
O romance entre a mulher de origem portuguesa e o príncipe mogul foi mantido em segredo, segundo o autor do livro, pois o imperador Aurangzeb, pai de Shah Alam (conhecido também como Muazzam), era bastante “ortodoxo e fanático” do islão.
O príncipe Shah Alam assumiu o trono em 1707 (como Bahadur Shah I) e Juliana recebeu vários bens, como terras, e ainda “recebeu como residência um palácio real, melhor do que os da Europa” naquele período, de acordo com o autor do livro, acrescentando que estas informações são baseadas em “relatos de europeus deste período”.
“O seu papel não é apenas grande e louvável, mas fiel à causa do cristianismo”, declarou, referindo que financiou ou doou muito dinheiro às obras e missões católicas.
A Igreja em Masihgarh, que a mulher de origem portuguesa também frequentava, foi construída em terras doadas por Juliana Dias da Costa, sendo que esta ainda hoje existe.
“Ela ajudou a todos os pobres e órfãos e mesmo sendo muito rica, permaneceu sensível. Juliana também prestou grandes serviços aos portugueses”, acrescentou o antigo diretor do Museu Nacional de Nova Deli.
Bibi Julena foi patrona dos órfãos, mãe da Sociedade de Jesus, benfeitora do Colégio e Missão católicas de Agra e financiou a missão dos jesuítas — enviada pelo papa – no Tibet.
Juliana Dias da Costa viveu mais de 45 anos como companheira e a preferida de Shah Alam, tendo mantido a sua influência na corte mogul até a sua morte, já idosa, em 1734.
Chrys Chrystello
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memórias do oriente

“O domínio dos portugueses em Ormuz, durante aproximadamente um século, nem sempre foi pacífico nem sempre nos foi favorável mas já esquecemos qualquer momento menos agradável. Sabe porquê? Porque as outras potências europeias, que vieram depois, como os britânicos, foram bastante piores para nós. Por outro lado, se estudarmos bem a documentação existente, encontraremos, para além desses pontos de tensão, muitos vestígios de autêntica cooperação comercial, militar e política entre os dois países no período da dinastia safávida (1501-1722).”

“Nos séculos XVIII e XIX as relações comerciais com portugueses não eram tanto com a Europa, mas com o vosso antigo território de Macau. Na segunda metade do século XIX, a economia mundial mudou significativamente e o Irão tornou-se o principal produtor mundial de ópio. Ora, foi também nesse período que Macau se tornou o principal porto de entrada deste produto na China.”

Mohammad Ali Kazambeyki, professor do Departamento de História e Civilização das Nações Islâmicas da Universidade de Teerão esteve em Lisboa para participar no seminário “500 anos de relações Portugal-Irão”, realizado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. E falou ao DN.

Mohammad Ali Kazambeyki, professor do Departamento de História e Civilização das Nações Islâmicas da Universidade de Teerão esteve em Lisboa para participar no seminário “500 anos de relações Portugal-Irão”, realizado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. E falou ao DN.

GOA E A LÍNGUA PORTUGUESA

“E se um jornal de Goa voltar a escrever em português? Aconteceu.”

(Os goeses redescobrem a língua portuguesa.)

Fundado em 1900, “O Heraldo” é um jornal de Goa que, em 1983, mais de duas décadas depois da integração deste território na Índia, passou a publicar apenas em inglês. Contudo, a pedido dos seus leitores, voltou a incluir conteúdos em português, numa secção publicada ao domingo.

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E se um jornal de Goa voltar a escrever em português? Aconteceu – DN

A língua portuguesa ressuscitou este domingo no mais antigo jornal de Goa e isso é uma boa notícia. Será só uma vez por semana, e apenas alguns artigos, mas é significativo que O Heraldo, que está a celebrar 120 anos, diga que o faz a pedido de leitores seus. Não é nostalgia, é sinal de uma redescoberta pelos goeses de uma língua que chegou a ser a de muitas famílias em casa – para algumas continua a ser e há quem cante fado – e que influenciou muito o concanim, a língua local. António Lobo, num artigo publicado já este domingo em português, dá os exemplos de “doens” para doença, também “cazar”, “sushegad” ou “xarop”.

Source: E se um jornal de Goa voltar a escrever em português? Aconteceu – DN