Parlamento aprovou proposta do PSD que permite corrigir lacunas dos programas “Estagiar” – Jornal Açores 9

O parlamento açoriano aprovou ontem por unanimidade uma proposta do PSD de alteração aos programas “Estagiar”, permitindo assim “corrigir diversas

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Jornalista que virou Uber:

TESTEMUNHO – O JORNALISTA QUE VIROU UBER

“Lá pelo início da década de 1990, eu frequentava um misto de bar e lanchonete que ficava no andar térreo do meu prédio, na rua Heitor Penteado, na zona oeste de São Paulo. O dono era um português que havia brigado com seu sócio, o próprio irmão, que, não sei por que cargas d’água, acabou virando taxista. Então o “portuga” costumava dizer que, quando alguém não serve para mais nada na vida, vai ser taxista. Mais ou menos pela mesma época, li em algum lugar o saudoso Paulo Francis dizer que esta categoria de profissionais deveria ser fervida em óleo. Tirando o preconceito dos dois, eu até que achava graça.

A vida dá voltas e o castigo vem a cavalo, como dizem os clichês. Pois não é que cerca de 20 anos depois eu, jornalista com mais de 30 anos de carreira – que até pouco tempo eu considerava mais ou menos bem-sucedida –, me transformei num desses profissionais? Não propriamente um taxista, mas um motorista de aplicativo, mais especificamente de Uber e 99. O que, pensando bem, é pior, pois se trabalha mais e se ganha menos que um verdadeiro taxista. São 10 ou 12 horas dirigindo pelo trânsito estressante de São Paulo, transportando todo tipo de gente, para os lugares mais estranhos ou perigosos, para faturar cerca de 200 ou 250 reais por dia. Se o carro for alugado, como é o meu caso, mal dá para a locação e o combustível. Ninguém merece.

É claro, tanto o trabalho dos taxistas como o nosso de motoristas de aplicativos são dignos e merecem respeito. Mas para mim, e alguns colegas na mesma situação com quem conversei, é difícil, no entanto, fugir daquela sensação de fracasso. O sujeito se pergunta: onde foi que eu errei? E se lembra – pelo menos eu – daquela trilogia de filmes “De volta para o futuro”. Num dos episódios, o personagem de Michael J. Fox pega um desvio no tempo e vai parar numa época em que seu pai é um fracassado. Felizmente – para ele – o carro é um DeLorean, que funciona como máquina do tempo, e pode voltar e pegar o caminho certo. Infelizmente – para mim – não é meu caso. Estou preso no tempo errado.

Não sou o único
Não serve de consolo, claro – não poderia me sentir reconfortado por existirem colegas na mesma situação –, mas não sou o único jornalista que virou motorista de aplicativo a pensar que não deu certo na vida. “Olha, eu também tenho essa sensação de fracasso sim, mas não acho que é necessariamente por causa de um erro meu”, diz a colega Sílvia Marino, 34 anos de profissão e há três motorista de aplicativo. Mas o que diz a seguir pode até ser interpretado como uma contradição. “Como sempre trabalhei em veículos pequenos, não fiz networking e confesso que sou muito ruim nisso”, admite. “Talvez isso seja uma má característica minha.”

Francisco Reis, 57 anos, é mais um colega que se dirige pela mesma trilha. “Também tenho a sensação de fracasso”, confessa. “O problema é entender onde nós fracassamos. Nós paramos no tempo. Por exemplo, agora estou procurando emprego e vi uma vaga, que exige conhecimento de vários programas como Adobe, Photoshop e não sei mais o quê. Todos de imagem, que não é nossa função. Nosso trabalho é escrever. Agora estamos competindo com molecadinha de 22, 23 anos que devora o computador, sabe tudo de informática. Aí fica complicado. É difícil esta sensação de fracasso, mas temos que ir em frente.”

Durante 26 anos, José de Paula Muniz Dantas, 65 anos, filho do conhecido jornalista Audálio Dantas, trabalhou na Rede Globo como produtor de vários programas e, agora, está há um ano e quatro meses como motorista de aplicativo. “A gente sente um pouco de frustração, mas o que vamos fazer, vamos roubar? Não dá”, diz. “Então temos que fazer alguma coisa, temos que trabalhar, arrumar dinheiro para poder sobreviver. E isso é digno. Apesar de ser muito frustrante, trabalhar é digno. Claro, pensamos, já fiz tanta coisa importante e agora estou aqui deste jeito. Mas não podemos pensar assim, não. São 13 milhões de desempregados depois do golpe. Vamos trabalhar, vamos trabalhar.”

“Tenho que pagar a comida, as dívidas, os compromissos”
Não é por falta de experiência e currículo na nossa área que estamos trabalhando como motorista. Dantas, por exemplo, entrou na Globo em 1976 e durante o tempo em que lá permaneceu foi produtor de novelas, do programa TV Mulher e de musicais do Fantástico, incluindo Elis Regina, Adoniran Barbosa, Rita Lee e Gilberto Gil, do Carnaval de São Paulo e do Faustão. Depois, pediu demissão da emissora e foi trabalhar na All TV, uma TV pela internet, que transmitia as atividades da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Fique lá sete anos”, lembra.

Seu último emprego foi na TV da Câmara de Vereadores de São Paulo. “Em janeiro de 2018, a empresa terceirizada para a qual eu trabalhava perdeu a renovação da licitação e demitiu todo mundo, inclusive a mim”, conta. “Como já estava na época de me aposentar, seria difícil conseguir outro emprego. Tentei, mas não consegui na nossa área. Daí fui obrigado a trabalhar como motorista de aplicativo para poder conseguir algum dinheiro. Foi o mais rápido e instantâneo que consegui. Vou ficar até sair minha aposentadoria. Aí vou procurar com mais calma trabalho no que sempre fiz. Mas eu tenho que viver, tenho que pagar a comida, as dívidas, os compromissos.”

Reis, por sua vez, trabalhou nas revistas Transporte Moderno, Carga e Transporte e nos jornais Shopping News, Folha da Tarde e Diário Popular. Mais recentemente, por 12 anos exerceu sua profissão na revista Caminhoneiro. Depois disso, resolveu montar sua própria revista também para este público. Por falta de verbas, ela foi fechada na terceira edição. “Sem emprego e sem dinheiro, resolvi procurar outra profissão”, conta. “Escolhi ser motorista de aplicativos, porque meu pai foi taxista por 30 anos, e eu adoro dirigir e conversar. É o ideal para mim. Se não fossem os baixos rendimentos, seria uma ótima profissão.”

No caso de Sílvia, ela se formou em 1985 e, logo em seguida, trabalhou como estagiária numa pequena editora, que fazia revistas para montadoras de automóveis. “Depois trabalhei para a Vasp, fazendo uma publicação para o grupo de voo [pilotos e comissários]”, revela. “Mais recentemente, fui editora de uma revista sobre logística. Há três anos perdi o emprego e um amigo, que já dirigia para a Uber, me sugeriu começar a fazer isso, já que eu tinha um carro que era aceito nas plataformas. E assim estou até hoje.”

Sua excelência, o passageiro
Quanto a mim, me formei em 1984, na PUC de Porto Alegre, e pouco tempo depois fui para Santa Catarina, onde trabalhei, por uns oito meses, no jornal O Estado, hoje extinto. Saí de lá e vim para São Paulo, ingressando na revista IstoÉ, na qual fiquei por cerca de dois anos, e daí fui para o Jornal do Brasil, no Rio, tendo atuado lá por cerca de dez meses. Voltei para São Paulo, onde trabalhei no Estadão entre 1989 e 1990, do qual saí para a sucursal paulista do Jornal do Brasil, em que fiquei até 1994. Em seguida fiz algumas assessorias e, de 1996 a 2001, trabalhei no Jornal da Unesp, da Universidade Estadual Paulista. Deste veículo fui novamente para o Estadão, no qual permaneci até 2005.Depois intercalei alguns empregos, como na assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e chefe da assessoria de comunicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com trabalhos como freelancer. Fiz muitos frilas ao longo de toda a carreira, para revistas como, em ordem alfabética, Cálculo – Matemática para todos, Cláudia, Crescer, Galileu (e sua antecessora Globo Ciência), CartaCapital, IstoÉ Dinheiro, Marie Claire, Pequenas Empresas Grandes Negócios, Planeta, Problemas Brasileiros, Superinteressante, entre outras, além dos jornais Correio Braziliense, Valor Econômico e Brasil Econômico.

Por cerca de dez anos, até recentemente, fui freelancer fixo da revista Pesquisa Fapesp, e por mais de um ano escrevendo para o site da BBC Brasil. Também escrevi um livro, o Almanaque completo da Copa do Mundo: A história de todos os campeões mundiais. Mais recentemente fiz uma matéria para a Pública – Agência de Jornalismo Investigativo.

Nesse novo trabalho, nós agora mudamos de público e de relações. Não é mais com chefes, colegas, fontes e leitores, mas como sua excelência, o passageiro. Para Reis, a relação com eles é o lado bom de ser motorista de aplicativo. “Como gosto de falar, converso com todos eles”, diz o jornalista, que só trabalha à noite, das 18h às 6h. “E aí está a diferença. Os passageiros que utilizam o serviço durante o dia são pouco acessíveis a bater papo. Estão sempre preocupados ou atrasados e no celular. De dez passageiros, um conversa com o motorista. À noite é o contrário, de dez, nove conversam. Normalmente o papo é muito legal.”

Segundo Dantas, nós temos que manter um bom atendimento, procurar ser simpático. “Mas nem todas as pessoas querem conversar”, explica. “Vamos tocando e tentando ser agradável.” Independentemente disso, o que muita gente espera de jornalistas trabalhando como motorista de aplicativo é que recolham e contem boas histórias ocorridas em suas viagens. Pela minha pouca experiência – um pouco mais de um mês –, elas são menos comuns do que se imagina. Mais de 90% dos passageiros entram mudos e saem calados do carro. Mal vemos o rosto deles, só quando estão na calçada esperando. Depois, sentam atrás e praticamente não os vemos mais.

Isso quando estão esperando na calçada. Talvez para ganharem tempo, muitos chamam o carro ainda quando estão se arrumando para sair. Chegamos ao local e nada do passageiro. Só uma mensagem pelo aplicativo: “por favor, aguarde”. E muitas vezes aí é que está o problema. A rua é estreita, não tem lugar para estacionar e temos de dar uma volta no quarteirão. Nesse meio tempo, o cliente chega à rua, não vê o carro, fica bravo e manda uma mensagem reclamando.

Assalto: um medo constante
O medo de assalto é outra constante. Há casos em que você recebe uma chamada e vê pelo aplicativo que é de uma mulher e fica mais tranquilo. A possibilidade de ser um assaltante é menor. Mas aí, quando você chega ao local, quem está esperando é um homem. A chamada pode ter sido feita pelo celular cadastrado da companheira, irmã, mãe ou patroa. Mas você fica com a pulga atrás da orelha. Ainda mais se aparece no aplicativo que o pagamento será feito em dinheiro. Se for por cartão cadastrado, teoricamente fica mais fácil rastrear depois um eventual assaltante.

Quem está há mais tempo neste serviço tem algumas histórias para contar, no entanto. É o caso de Reis, que já foi assaltado três vezes, em duas das quais levaram o celular e na outra o aparelho e mais o faturamento do dia. “Mas também já houve caso em que o passageiro gostou da música do rádio do carro e aí ele, a acompanhante e eu cantamos juntos”, lembra. “Já aconselhei garotinha com relacionamento desfeito, procurei consolar pessoas que haviam perdido entes queridos. Estou até pensando em escrever um livro contando todas essas histórias.”

Dantas nunca foi assaltado, mesmo trabalhando à noite, mas tem algumas histórias para relatar. Uma engraçada que gosta de contar é da vez em que atendeu a uma chamada para a rua Frei Caneca. “Eu cheguei e parei em frente ao prédio, quando recebi uma mensagem de quem havia chamado, dizendo para eu aguardar um pouco, que a noiva dele iria descer”, lembra. “Quando o passageiro chegou era uma travesti. O engraçado que ela entrou no carro e ligou um aparelho MP3, no qual tocava uma música do Lulu Santos a todo volume. Não só isso, ela começou a dublar, a cantar junto também a todo volume. E quando a música terminava, ela repetia. E assim foi até o Brooklin. Tive vontade de rir, mas tive de me controlar.”

Ao contrário de Reis, Dantas diz que nunca pensou em escrever um livro com as histórias que vai vivenciando ao volante. “Não há muitas interessantes”, justifica. Mas eu devo confessar que estou tentado a fazer isso. Quem sabe este texto para a Pública não seja o pontapé inicial nesse projeto. O que é certo é que espero que este trabalho como motorista de aplicativo seja passageiro – sem trocadilho.”

Jornalista com 30 anos de carreira faz relato íntimo de como ele e outros colegas se tornaram motoristas de aplicativo em meio ao desemprego

CARTACAPITAL.COM.BR
Jornalista com 30 anos de carreira faz relato íntimo de como ele e outros colegas se tornaram motoristas de aplicativo em meio ao desemprego
Jornalista com 30 anos de carreira faz relato íntimo de como ele e outros colegas se tornaram motoristas de aplicativo em meio ao desemprego
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os mais baixos salários nas Lajes do Pico

Ilha do Pico e concelho das Lajes com os mais baixos salários de 2017

A Ilha do Pico e o Concelho das Lajes tiveram, em 2017, o mais baixo ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem.
Esta informação vem expressa no Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores relativo a 2018, publicado pelo Serviço Regional de Estatística o ano transato.
O extenso e detalhado estudo, com cerca de 500 páginas, tem a particularidade de traçar, julgo que pela primeira vez, uma radiografia muito completa dos 19 concelhos açorianos, dividida por quatro grandes capítulos: O Território, As Pessoas, A Atividade Económica e O Estado. Trata-se de um estudo fiável, baseado em fontes oficiais, revelador da situação em que nos encontrávamos no final da passada década.
Tal como prometi em crónica anterior, hoje vou deter-me sobre os chamados ganhos mensais dos residentes nos 19 concelhos açorianos consoante as suas profissões.
Há dados verdadeiramente surpreendentes. Uns já conhecidos, outros nem por sombras sabíamos.
É que, muitas vezes, pensamos que as chamadas Ilhas da Coesão, têm poder de compra e salários mais baixos que as ilhas onde existem cidades. Este estudo revela o inverso.
Por exemplo, a mais alta média salarial do arquipélago regista-se em Santa Maria (1 853,53€). Em grande parte isto deve-se aos altos salários mensais dos controladores aéreos e pessoal do aeroporto, técnicos e profissionais de nível intermédio, da ordem dos 5 635,16€; aos especialistas das atividades intelectuais e cientificas (1 928,61€) e ao pessoal administrativo (1 261,03€). No conjunto dos 19 concelhos, Vila do Porto leva a palma nestes três setores profissionais.
A larga distância está o concelho de Ponta Delgada com ganhos médios mensais de 1 157,20€.
A cidade de Antero só figura em primeiro lugar nos ordenados dos governantes e deputados, dirigentes e gestores de empresas cujos ganhos médios mensais atingem os 2 540,97€. Logo a seguir nestas atividades profissionais estão Santa Cruz da Graciosa (2 197,70€) e Ribeira Grande (2 115,86€).
A ilha do Faial, no total dos vários setores profissionais, ocupa a terceira posição do “ranking” com uma média de ganhos mensais da ordem dos 1 060,17€. Curiosamente é nesta ilha que os salários dos operadores de instalações e máquinas e trabalhadores de montagem é mais alto (1 038,69€.)
A seguir ao Faial vêm as ilhas das Flores com ganhos médios de 1 033,33€ e o Corvo (991,89€) e só depois surge a Ilha Terceira, já na 6ª posição (981,69€).
Ao contrário do que se possa pensar, a média de ganhos mensais é mais elevada na cidade da Praia da Vitória (987,35€) do que em Angra do Heroísmo (979,29€), pese embora estarem aqui sediados departamentos governamentais, universidade, hospital e a maioria das empresas terceirenses. Na Praia é onde ganham mais os trabalhadores açorianos não qualificados (823,58€) e é também lá que os operadores de instalações e máquinas e trabalhadores de montagem tem o segundo salário mais alto da Região (977,94€). Na cauda da tabela e nesta categoria profissional estão a Graciosa com ganhos médios de 917,88€, a Ilha de São Jorge (904,74€) e a Ilha do Pico com 878,04€.
Na ilha Montanha é o concelho de São Roque onde mais se ganha: a média atinge os 944,39€, seguido da Madalena com 877,92€. Na cauda da tabela dos 19 concelhos está as Lajes do Pico (797,16€), com os piores salários em vários grupos profissionais nomeadamente: políticos, deputados, gestores (823,53€), especialistas das atividades intelectuais e científicas (957,83€), trabalhadores de serviços, de segurança e vendedores (705,24€), agricultores e trabalhadores qualificados de agricultura, pesca e floresta (655,34€) e operadores de máquinas e montagem (703,03€).
Não deixa de ser curioso, para compreendermos o nível de vida de algumas ilhas e concelhos que um trabalhador não qualificado no Corvo recebe 814,22€ – o segundo melhor salário desta categoria profissional. Muito acima dos salários pagos a trabalhadores do mesmo setor em Vila Franca do Campo,(668,18€), no Nordeste (680,92€) e na Povoação (689,92€).
A primeira capital micaelense ocupa a 18ª posição no “ranking” dos concelhos açorianos com piores ganhos médios mensais (803,91€), seja nos setores público ou privado.
A seguir está a Calheta de São Jorge (836,89€). E, apesar de lá existirem indústrias de conservas de peixe, de lacticínios e outras, os trabalhadores qualificados da industria, construção e artífices são os mais mal pagos dos Açores ao receberem em média 704,55€.
Muitas outras análises permite o estudo que acabámos de citar. As leituras não são fáceis e os cruzamentos de dados não são tão lineares como parecem.
Os salários registados nas ilhas das Flores (3 628 hab)e do Corvo (465 hab), ilhas com reduzida e envelhecida população, demonstram o poder de compra dos residentes no grupo ocidental, mais elevado que o das Ilhas Terceira, São Jorge e Pico.
Pode então questionar-se: por que razão a juventude florentina deixa a sua terra e opta por São Miguel, onde as diferenças salariais não são tão significativas como se julgava e as ofertas de emprego, normalmente, não respeitam nem as qualificações nem as apetências profissionais?
Que dizer da Ilha do Pico, no fundo da tabela dos salários médios mais baixos e apresentada como um dos destinos mais procurados e de enorme potencial de crescimento turístico? Que futuro podem ambicionar os jovens picoenses colocados perante tão grandes diferenças salariais?
Os dados do SREA provam, à saciedade, que alguma coisa não vai bem no “reino” da economia.
Colocado perante a frieza dos números, o cidadão interroga-se, certamente, como é possível que, de ilha para ilha e de concelho para concelho, as diferenças salariais sejam tão acentuadas. Se “Para trabalho igual, salário igual”, que razões estão na base destas diferenças que geram tantas desigualdades e conflitos sociais?

José Gabriel Ávila
jornalista

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POLÍCIAS EM PROTESTO NOS AÇORES

Polícias vão concentrar-se em protesto nos aeroportos dos Açores

O Movimento Zero, que reúne elementos da PSP e da GNR, anunciou a realização de uma concentração em todos os aeroportos portugueses a 21 de Janeiro, data em que está marcado um protesto nacional.

Em comunicado, o Movimento Zero (MO), um movimento social inorgânico criado em Maio de 2019 por elementos da PSP e da GNR, apela a todos os polícias para que compareçam em 21 de Janeiro nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e nos vários aeroportos dos Açores.

“Somos homens e mulheres da lei, exigimos respostas ao nosso caderno reivindicativo! Assim vamos mudar o paradigma da nossa luta e mostrar a forma vergonhosa como o terceiro país mais seguro do mundo trata as suas forças de segurança”, referem os elementos daquele movimento criado nas redes sociais.

O anúncio do Movimento Zero surge após a decisão tomada na manifestação de 21 de Novembro, em que os sindicatos da PSP e as associações profissionais da GNR decidiram realizar um novo protesto nacional em 21 de Janeiro, caso o Governo, através do Ministério da Administração Interna, não solucionasse as reivindicações da classe.

Para decidir as acções de protesto a realizar no próximo dia 21, os nove sindicatos da PSP e associações da GNR organizam, na quinta-feira, um plenário na Voz do Operário, em Lisboa.

O Movimento Zero, bastante visível na manifestação de novembro, precisa também que a partir de 21 de janeiro os aeroportos portugueses vão ter elementos do movimento “por tempo indeterminado”.

“Não vamos permitir nova humilhação em São Bento, com muros idênticos aos que cercam criminosos. Não vamos permitir um adiar de soluções, com usual desdém, seja por parte da tutela, seja por parte das altas hierarquias das instituições PSP e GNR”, sublinha ainda o grupo.

Entre as reivindicações da classe policial e militar da GNR estão o pagamento do subsídio de risco, a atualização salarial e dos suplementos remuneratórios, o aumento do efectivo e mais e melhor equipamento de protecção pessoal.

O Ministério da Administração Interna definiu um calendário específico das matérias objecto de diálogo com os sindicatos e as associações socioprofissionais das forças de segurança, tendo o primeiro ponto das negociações, o pagamento dos retroactivos dos suplementos não pagos em período de férias, decorrido sem um acordo.

Para a próxima quinta-feira está agendada uma nova reunião e em cima da mesa das negociações vai estar o plano plurianual de admissões para a PSP e a GNR.

Em 16 de Janeiro de 2020 o tema de uma nova reunião será sobre os suplementos remuneratórios, em 13 de fevereiro estará em discussão a nova lei de programação das infraestruturas e equipamentos das forças e serviços de segurança, e em 5 de Março será a segurança e saúde no trabalho.

http://diariodosacores.pt/index.php…

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Num mundo de doutores e engenheiros, quem tem “soft skills” é rei – Human Resources (em PT é quem tem cunhas..)

Que o sucesso no mercado de trabalho, seja em ambiente mais corporate, seja em contexto mais de nova economia, não passa apenas pela excelência das notas e das universidades em que se andou, isso já s

Source: Num mundo de doutores e engenheiros, quem tem “soft skills” é rei – Human Resources

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