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É oficial. Pardal Henriques cabeça de lista do PDR em Lisboa (os motoristas eram o pretexto)

A lista de círculo do porta-voz dos motoristas de matérias perigosas será entregue sexta-feira num tribunal de Lisboa. Marinho Pinto será candidato pelo Porto

Source: É oficial. Pardal Henriques cabeça de lista do PDR em Lisboa

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O “desvio de direita” do PCP

O “desvio de direita” do PCP
por Pedro Correia, em 20.08.19
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Esta é, de um ponto de vista do que se convencionou chamar “esquerda”, a pior herança da Geringonça: a rendição dos comunistas aos socialistas.
Aquilo a que Álvaro Cunhal sempre denominou “desvio de direita”. Chegando ao ponto de fazer expulsar dos órgãos dirigentes do partido – o Secretariado e a Comissão Política – honestos e valorosos militantes que defendiam teses menos aproximadas ao PS do que as hoje vigentes.
Nunca tive uma sensação tão forte de que o PCP está em derrocada – agora no campo sindical, após ter sido derrubado nos seus principais bastiões autárquicos – como no passado dia 15, quando ouvi Jerónimo de Sousa apontar o dedo acusador aos camionistas em greve por melhores salários e maiores direitos.
Disse ele:
«[Esta é] uma greve decretada por tempo indeterminado, com uma argumentação que instrumentaliza reais problemas e o descontentamento dos motoristas, cujos promotores não se importam de dar pretexto à limitação do direito à greve, como se está a verificar.»
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O secretário-geral do PCP assume-se assim como fiel aliado do Governo no ataque a sindicalistas que reivindicam salários reais decentes, menos tempo de laboração fora do quadro legal previsto para o horário de trabalho e a justa adequação das remunerações que recebem aos descontos para a Autoridade Tributária e a Segurança Social.

Funcionando, na prática, como ponta-de-lança do Governo PS já na corrida rumo à tão ansiada maioria absoluta.
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O líder comunista chegou ao ponto de insinuar que a culpa da inaceitável instrumentalização das forças armadas e das forças policiais contra os grevistas era… dos próprios grevistas
Chegou ao ponto de insinuar que a culpa do desvirtuamento do enquadramento legal dos “serviços mínimos”, transformados neste caso afinal em serviços máximos, era… dos grevistas.
Chegou ao ponto de insinuar que o descarado abuso da lei que regulamenta os mecanismos da requisição civil era… dos camionistas em greve.
Que diferença em relação ao comportamento do PCP quando os socialistas estiveram anteriormente no Governo. Num documento que aprovou a 12 de Fevereiro de 2011 definindo as principais linhas de intervenção política do partido nessa recta final do Executivo Sócrates, o Comité Central comunista sublinhava: «As acções de luta realizadas recentemente, como são exemplo as greves e paralisações num conjunto de empresas no sector dos transportes e comunicações (Metro, Carris, Transtejo, Soflusa, CP, EMEF, CP-Carga, REFER, STCP, RBL), nos CTT, INCM, Município de Loures (…) constituem uma importante resposta à ofensiva desencadeada pelo Governo do PS.»
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Nunca imaginei ver o PCP alinhado de forma tão despudorada com uma entidade patronal – neste caso, a ANTRAM – para defender o Governo que vem patrocinando há quatro legislaturas e o sindicalismo que lhe está subordinado.
Nunca imaginei ver em sucessivos debates televisivos o representante da CGTP para os transportes alinhado com os patrões contra os seus camaradas no exacto momento em que estes desenvolviam uma «acção de luta».
Nem supus alguma vez que a Fectrans – braço da CGTP para os transportes – assinasse acordos de capitulação com os patrões no preciso momento em que outros sindicatos do sector se encontravam em greve. Assumindo-se assim como uma central sindical “amarela” e “colaboracionista” – acusações que noutros tempos a própria CGTP fazia à UGT.
Não por acaso, todos os comentadores da chamada “direita” se apressaram a enaltecer a «atitude respnsável» do sindicalismo orgânico ligado umbilicalmente aos comunistas. Diz-me quem te elogia, dir-te-ei quem és.
Nestes dias ficou evidente, aos olhos dos portugueses, que o PCP é hoje um partido anti-revolucionário, reformista e conformista. Que não hesita em contemporizar com quem paga salários de miséria para favorecer os lucros milionários das petrolíferas, que não hesita em demarcar-se daqueles que reivindicam melhores condições de vida recorrendo a um instrumento legal e constitucional.
5
Conheço Jerónimo de Sousa e respeito o seu percurso.
Mas não consigo acompanhá-lo neste “desvio de direita” que ameaça descaracterizar de vez o PCP como partido que se afirma representante dos trabalhadores por conta de outrem.
Pelo contrário: a cúpula comunista tornou-se, por estes dias, cúmplice do maior atentado ao direito à greve ocorrido em Portugal desde a instauração do regime constitucional de 1976.
Há vinte anos, isto geraria um intenso debate interno no PCP – sei bem do que falo, pois acompanhei em pormenor a vida interna do partido enquanto jornalista. Que neste momento isto só ocorra em franjas marginais da estrutura partidária, com pequenos reflexos nas redes sociais, revela bem até que ponto o partido de Bento Gonçalves e Cunhal se tornou irrelevante. Não apenas no conjunto da sociedade portuguesa mas os olhos dos próprios militantes.
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Adenda: É inaceitável que o PCP continue a não ser escrutinado, como se impunha, pelo jornalismo político português. O mesmo que se intromete até na cama dos restantes partidos, se for preciso, mas se mantém respeitosamente do lado de fora da porta da sede central dos comunistas.

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acusam Governo de limitar direito à greve e instrumentalizar militares

For my Portuguese friends: Apoio inteiramente este abaixo assinado. O governo, a começar pelo Primeiro-Ministro, tem-se comportado com um elevado nível de irresponsabilidade. A cumplicidade do Presidente da República parece-me igualmente inadmissível.

Diria que estes laivos de arrogância e autoritarismo que se fazem sentir por parte do governo são consequência directa do Primeiro-Ministro se sentir demasiado confiante nos votos que vai receber; uma manifestação da estupidez vigente na sociedade, uma vez que o país continua vítima de sucessivas governações medíocres que têm sido incapazes de reformar com seriedade seja o que for, porque incompetentes e sem visão de futuro. Este Estado que tudo controla e oprime, sem racional para além de favorecer quem lá está, familiares e amigos, apenas pode conduzir à miséria para a maioria da população.

PUBLICO.PT
Abaixo-assinado pede ao Governo para revogar medidas decretadas durante a greve dos motoristas e apela a Marcelo Rebelo de Sousa para travar a “instrumentalização das Forças Armadas”.
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GREVE DA RYANAIR E SERVIÇOS MÍNIMOS?????

Roberto Y. Carreiro
1 hr

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«SERVIÇOS MÍNIMOS» PARA UM EMPRESA «LOW COST» ESTRANGEIRA E NUM SECTOR ONDE HÁ FORTE CONCORRÊNCIA?

Se dúvidas houvessem o governo da república dito de «esquerda» tomou o gosto em furar graves, para satisfazer o patronato e agradar a banca para quem trabalha.

Realmente decretar serviços mínimos para uma empresa privada (e estrangeira) – que não está afecta a obrigações de serviço público -, a qual tem como concorrência umas dezenas de outras companhias de aviação, parece-nos uma coisa capaz de derreter glaciares e icebergues na Gronelândia, tal a tontaria que representa.

Quer-me parecer que alguém se está a passar do juízo.

@ Ryc

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