Estrategizando | E acabar com essas agências de rating, que tal ?…Colocá-las no lixo da História?

Estas agências de rating que deveriam ter sido ilegalizadas por imporem ritmos de stress totalmente desajustados, sobretudo agora com esta global pan

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a fábrica do sr joao, novos tempos, novos paradigmas

Novos tempos…novos paradigmas…novas tecnologias…mas há uma máxima que não mudou, consubstanciada no velho ditado: – quem não semeia não colhe!
Trinta anos atrás, trabalhava na distribuição de equipamentos para a indústria, quase a 90% na área textil.
Vou utilizar o nome suposto – Sr. João.
Além das relações comerciais, éramos amigos e digo éramos porque o Sr. João já passou para outra dimensão. Espero que esteja bem pois que bem o merece.
O Sr. João tinha uma pujante empresa. Um sector produtivo de ao menos 150 pessoas, generosamente pagos e protegidos com um quê de paternidade que o faziam interessar-se e preocupar-se pelos problemas privados de cada um. Adoravam-no!
No departamento administrativo, dito assim, apenas pontuava uma meia dúzia de colaboradores igualmente agraciados com os seus cuidados. Havia uma senhora que atendia o telefone, conhecia preços, existências, prazos de entrega e a quem encaminhar questões de ordem técnica. Fazia pagamentos, “apertava” recebimentos morosos, controlava a contabilidade e o estado das contas bancárias. Depois havia um moço jovem que fazia as estafetas, compras pontuais, geria a manutenção de veículos e tinha imenso jeito para resolver avarias pontuais. Na parte técnica havia um engenheiro químico e uma senhora técnica de laboratório. No sector de preparação, conceito, projecção, desenho e desenvolvimento era a filha do Sr. João, arquitecta de formação que dava asas à sua capacidade imaginativa e creativa. Era a pessoa que falava diversas línguas estrangeiras e que mais viajava. E depois…era o Sr. João que sabia de tudo e conhecia tudo. Construíu uma bela casa para cada filho, adquiríu um vasto património, tinha uma bela maquia no banco, não devia um tostão a ninguém e gostava de pagar cash se não fossem valores significativos.
Passados uns anos passei por lá para cumprimentar o Sr. João…mas não me foi possível, visto já não estar na nossa dimensão. Era um dos filhos que geria a firma. Como me conhecia franqueou-me as portas e foi-se pavoneando pelo sector administrativo, recém modernizado. Havia duas senhoras na recepção que primavam pelo aspecto e que apenas…recebiam. Na repartição seguinte “frontespiciada” pelo pomposo anglicismo – Key account management – estavam quatro pessoas embrenhadas em écrans cintilantes com ar de quem está ocupadíssimo! Mais uma capela e o letreiro era eloquente – Finance and economy management – onde luziam fatos, gravatas e óculos. Dois pares…não… de óculos eram quatro. Alguns metros ganhos no corredor, deparo-me com uma sala adornada de – Design development – com um moço…que a princípio me pareceu uma moça e três verdadeiras, todos com ar “green” a conversar animadamente. duas das quais sentadas no chão. Mais à frente uma parangona- Image and marketing- …sim senhor… a sala cheia de luz gritante, logotipos, protótipos e manequins sem cabeça que quase retiravam vitalidade a quatro pessoas entretidas. Alguns metros volvidos… Informática e comunicações – …pelo menos luzia a língua do sítio, com dois rapazotes de tez mate e óculos graduados mergulhados nos seus monitores. Nem nos viram. Ao fundo um grande laboratório atravancado de “stuff” desordenado com três batas azuis a evoluir como se de hologramas se tratasse e uma porta ao fundo que luzia – Director técnico – . E no final do corredor havia uma porta semi-aberta que convidava a leitura inclinada com o letreiro – Arquivo -. Perguntei…mas então com toda esta tecnologia é preciso uma tal estrutura de arquivo? Ao que me foi respondido, laconicamente… -E se os sistemas dão”bug”? Bem… lá aceitei sem deixar de concluir que se estava a trabalhar em dobro.
Descemos as escadas rangentes para o sector de produção e experimentei um certa sensação de “déjà vu”, misturada com uma atmosfera de familiaridade. Trinta anos volvidos, não tinha mudado por aí além. Ainda reconheci equipamentos que tinha vendido ao Sr. João. O que sim tinha mudado era a quantidade de operadores- Não contei, mas não haveria mais de quarenta pessoas. Todas com ar desesperado e a esboçar um sorriso plástico.
À saída cruzei-me com um veterano motorista quase tão antigo como a fábrica e conversamos um pouco. – Oh Sr. Manuel, isto está uma desgraça! Quem víu esta fábria…e o Sr. lembra-se bem do tempo do Sr. João! Agora é só figurões lá em cima. Com metade do pessoal em baixo, querem produzir mais do que antes…é só comunicados e mais comunicados, planos e mais planos, carpetes e mais carpetes a descer as escadas….e dinheiro quem o víu! Está tudo hipotecado aos bancos, os credores fazem fila à porta para receber e vão embora com “duas de letra” e um cafezinho servido por um dos “enfeites” da recepção e vão-se com mais memórias do enfeite do que do café. -Olhe eu vou pá reforma no proximo mês…tenho é pena desta gente que tanto deu a esta casa.
E de facto…é – muito chefe e pouco índio-!!! No tempo do Sr. João havia 150 pessoas a produzir para manter um estado leve e eficaz agora com uma terça parte a manter um estado….profundo…como é possível? É como o país!! Inventou-se tanta ocupação estéril desnecessária, evitável e inútil…. Mas é chique! É moderno! É “in”!! O problema é que o Sr. João deve estar a dar voltas na sepultura.
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