“Literatura colonial portuguesa e a metáfora morta do mundo sem traduçã” by Nazir Ahmed Can

A partir do romance Zambeziana – Cenas da vida colonial (1999 [1927]), de Emílio de San Bruno, veremos como o contato com “a África,” na literatura colonial portuguesa, se realiza menos pela tensa passagem de um mundo a outro do que pela condenação das figuras locais a um atraso irreversível. Situado como um prolongamento da fauna africana por meio de um processo de assimilação metafórica que aniquila sua humanidade, o “africano,” aqui, não adquire sequer o estatuto de personagem. Estamos diante de uma produção que se distancia do método da tradução. Antes dessa análise, porém, observaremos brevemente como o itinerário discursivo colonial segue seu curso na contemporaneidade, em particular no âmbito do discurso político. Finalmente, na reta final do texto, com o objetivo de apresentar a natureza e a dimensão da ruptura estabelecida no campo da expressão artística, apresentaremos o modo como as literaturas africanas de língua portuguesa profanam o pensamento colonial a partir da utilização do mesmo material simbólico: da animalização do ser humano, reiteradamente inscrita nas letras coloniais, passamos a narrativas que colocam o animal, em sua dimensão humanizada, no centro de todas as operações.By analyzing Zambeziana – Cenas da vida colonial (1999 [1927]), a novel by Emílio de San Bruno, we will see how the contact with “Africa,” in Portuguese colonial literature, takes place less through the tense passage from one world to another than through the condemnation of local figures to an irreversible backwardness. In this literature, the “African” does not even acquire the status of a character. He is situated only as an extension of nature in a process of metaphorical assimilation that annihilates his humanity. We are facing, therefore, with a production that distances itself from the translation method. Before this analysis, however, we will briefly observe how the colonial discursive itinerary takes its course in contemporaneity, particularly in the context of the Western political discourse and imaginary. Finally, with the aim of presenting the nature and the dimension of the rupture established in the field of artistic expression, we will try to synthesize how African literatures desecrate colonial thinking through the use of the same symbolic material: from the animalization of the human being, repeatedly inscribed in colonial letters, we move on to narratives that place the animal, in its humanized dimension, at the center of all symbolic operations.

Source: “Literatura colonial portuguesa e a metáfora morta do mundo sem traduçã” by Nazir Ahmed Can

açores sujeitos ao colonialismo de lisboa

Continuidade territorial só quando convém ! E tanto que o amigo e deputado Nuno Barata se insurgiu contra mais esta descriminação, afinal para nada !
Multas para quem não preencher formulário de localização de passageiros
OBSERVADOR.PT
Multas para quem não preencher formulário de localização de passageiros
O formulário, preenchido na realização do check-in e antes da hora de embarque, permite “interromper, precocemente, possíveis cadeias de transmissão”. A coima pode chegar aos 40.000 euros.
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    Nuno Barata Almeida Sousa

    90% dos Açorianos que vão a Portugal vão em lazer, um boicote ao destuino seria uma excelente forma de agir. Outra era uma desobediência civil em grande. Bastavam dois aviões para entupir totalmnente o Aeroporto de Lisboa e provocar o caus.
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    Nuno Barata Almeida Sousa

    Isso é um absurdo, é uma tirania sanitária, um atropelo aos direitos liberdades e garantias só mesmo neste estado socialista.
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  • Antonio Mac

    Não sei se nesta altura do campeonato se justifica a manutenção dessa medida uma vez que se estão a aliviar todas as restrições. Já foi necessária, independentemente do «Estado» ou das «liberdades e garantias» propaladas que são outro assumpto. Agora e…

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  • Ricardo Cordeiro

    Falando da minha experiência…. Porta de embarque em Ponta Delgada: – Tem o formulário preenchido? – Sim, tenho. – Faça boa viagem! Aeroporto de destino: – Vem de Ponta Delgada? – Sim… – Mostre-me o talão de embarque. -Obrigado, avance.
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  • Joao Rogerio Neves

    Ta visto que afinal o covid é aéreo em território português
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  • Manuela Mendonca

    E para que servirá o formulário? Se nem capacidade para fazer contato existe! Haja paciência!
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  • Luís André Melo

    A ditadura disfarçada em formulário.
    É isto e os certificados.
    Coisas que em muitos países já deixaram de lado.
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  • Rogério Manuel Gaspar

    Continua tudo a alimentar esta ditadura sanitária…
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    May be an image of text that says ""They who can give up essential Liberty to obtain a little temporary safety deserve neither liberty not safety." Benjamin Franklin"
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  • João Simas

    O que continuidade territorial tem haver com formulário sanitário? Será que alguém estuda conceitos?
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      Pierre Sousa Lima

      João Simas vejamos. Se me deslocar de carro do Minho ao Algarve exigem-me algum formulário ? Ou o problema está ser viajar de avião ? Tenha paciência.
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      • João Simas

        Pierre Sousa Lima em todo o território nacional tendo em conta que a autoridade de saúde pública considera o tipo de transporte mais perigoso em matéria de covid-19. Em suma, não existe qualquer interrupção da continuidade territorial e tão pouco de…

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    • Duarte Tavares

      João Simas tem muito a ver, e não faz nenhum sentido. Veja o exemplo do Pierre Sousa Lima
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  • Miguel Figueiredo

    Não tem sentido, foi algum burocrata com excesso de zelo. A verdade é que não dá muito trabalho preencher online antes da viagem mas estamos no mesmo país, é preciso termos um bocado de bom senso.
    Tal como foi uma autêntica ausência de bom senso ter en…

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escravatura, colonialismo, reescrita da história

«Ajustando a História à vontade do freguês
Aquilo que resulta da reescrita referida e desejada por Mamadou Ba não o é porque não assenta em documentos, nem na respectiva crítica documental, mas apenas em conjecturas e convicções ideológicas.
05 jan 2022,
Há tempos, numa entrevista, Joacine Katar Moreira assumiu, como muitos outros activistas têm assumido, o desejo de alterar o ensino da História em Portugal. A então deputada não queria, como ela própria disse, “que se deixe de estudar Os Lusíadas.” O que queria (e julgo que ainda quer) é que, a par das façanhas dos heróis fossem mostradas, também, as violências que acompanharam aquilo a que chamamos Descobrimentos. Este desiderato é razoável, numa visão equilibrada do passado, mas o que está em causa é precisamente o justo equilíbrio nos pratos da balança. Uma história boa é uma história equilibrada e expurgada dos venenos da ideologia.
Será essa a História que os activistas desejam? Convém não perder de vista que muitos deles querem um Museu da Escravatura, mas são militantemente contra um Museu dos Descobrimentos. Quais são, então, os componentes da receita que preconizam? Qual o conteúdo das mudanças que gostariam de introduzir? Essas coisas raramente nos são ditas. Podemos, ainda assim, ficar com uma ideia do que pretendem se estivermos atentos às suas opiniões. Joacine Katar Moreira, por exemplo, não quer apenas uma explicitação da violência. “O que estamos a pedir” — afirmou, na mesma entrevista — “é uma revisão da história colonial, da maneira como nos é contada e recontada, com a heroicização dos colonizadores e alguma passividade dos colonizados.” E, numa outra entrevista, a deputada especificou melhor, confessando não entender por que razão os africanos teriam aceitado a escravidão e o tráfico de pessoas escravizadas. Abro aqui um parêntese para confessar a minha perplexidade sempre que me dou conta de que Joacine Katar Moreira — e muitas outras pessoas da extrema-esquerda — julgam que a escravidão e o tráfico de pessoas não existiam em África antes da chegada dos europeus, e que teriam sido práticas impostas por estes. Mas fechemos este parêntese, passemos adiante e voltemos às interrogações da ex-deputada. Como duvidava — e lhe repugnava — que muitos africanos tivessem encarado escravidão e tráfico com aceitação ou, até, de bom grado, Joacine imaginava as populações africanas, escravizadas ou não, sempre prontas a rebelar-se, situação que, estava convicta disso, só não seria do conhecimento público e assunto de manual escolar por ter sido maldosamente omitida.
Queria, por isso, que a alegada omissão fosse corrigida nos programas da disciplina de História. Ora, por muito contraintuitivo que possa ser não há omissão nenhuma, nem tal seria provável. A história da escravatura é um dos temas mais estudados das últimas décadas e a história da resistência escrava está na moda há perto de 30 anos. É errado supor que houve uma forte e permanente resistência dos africanos — ou de qualquer outro povo, aliás — à escravatura. Como David B. Davis mostrou, os escravos revoltaram-se menos do que os camponeses livres. Por alguma debilidade específica? Não, apenas porque estavam desenraizados, fragilizados de mil modos e porque a repressão sobre eles era, ou podia ser, brutal. Para que escravos desencadeassem uma revolta era necessária grande coragem, enorme desespero ou ambas as coisas. Por isso, a cidade de Luanda que foi durante séculos o grande depósito e ponto de passagem de escravos a caminho das Américas nunca teve revoltas escravas. Por isso, nas colónias americanas, as revoltas foram, durante os primeiros séculos, menos frequentes do que se diz ou se imagina, mesmo naquelas zonas onde uma relação de dez ou onze escravos negros para um cidadão livre era altamente propícia a rebeliões.
As coisas só começaram a mudar com o advento do abolicionismo, em finais do século XVIII, altura em que, então sim, eclodiram muitas revoltas. Até então a generalidade dos africanos aceitou a escravidão e o tráfico porque a maior parte deles não pensava nem agia como Joacine Katar Moreira e os seus colegas activistas o fazem no século XXI. O passado foi o que foi e não aquele que achamos, agora, que deveria ter sido e contar uma coisa diferente aos nossos alunos pode ser muito moderno e politicamente correcto, mas é falsificar a verdade histórica. Infelizmente, é por aí que vamos.
Porquê? Porque as narrativas históricas que se aceitavam há dez ou vinte anos não agradam a estes activistas. O que pretendem, então? Dito de forma simples, querem uma narrativa alternativa que se contraponha a uma “narrativa oficial” — é assim que a designam — que teria dolosamente ignorado ou riscado os africanos do mapa da História. Esse é o seu fio condutor, de modo que muitas vezes essa narrativa alternativa nada mais é do que uma contra-narrativa. Luísa Semedo, uma outra activista, escreveu um artigo no Público no qual afirmou o seguinte: “Temos direito a que a(s) nossa(s) História(s), a que as nossas vivências não sejam branqueadas, relativizadas, desqualificadas, apropriadas por uma narrativa homogeneizante que tem como principal intuito esconder verdades embaraçosas e perpetuar privilégios.” Luísa Semedo (que usou, nesse pequeno artigo, onze vezes as palavras “luta” e “lutar”) não concretizou as suas reivindicações nem nos disse a que História se acha com direito. Também não nos revelou que “verdades embaraçosas” estariam a ser escondidas. Mas o que importa perceber é que muitas destas pessoas têm o sentimento e a convicção de que muito do passado lhes tem sido sonegado e querem refazer a História de modo a que ela confira dignidade aos oprimidos e seus descendentes. Por isso, são favoráveis, por exemplo, a que se apague a imagem histórica do escravo negro dócil e pacífico e se coloque em seu lugar a do escravo intrinsecamente rebelde, independentemente do que está documentado.
Há uns meses o conhecido activista Mamadou Ba escreveu o seguinte nas redes sociais: “Aos que nos acusam de querer reescrever a história, respondemos que queremos muito mais. Porque merecemos muito mais, queremos reinventá-la para que todo o mosaico étnico da sociedade portuguesa nela se reflicta bem e com dignidade.” Esta passagem, assumida de forma clara, é todo um programa de acção que é, aliás, compreensível da parte de pessoas que se vêem a si próprias como representantes e advogadas dos que, no passado, foram estigmatizados, ignorados, brutalizados, explorados. Podemos, por isso, entender essa sua intenção, mas… será História? Em muitos casos aquilo que resulta da tal reescrita referida e desejada por Mamadou Ba não o é porque não assenta em documentos, nem na respectiva crítica documental, mas apenas em conjecturas e convicções ideológicas.
O mais grave, porém — e aqui falo do ponto de vista da seriedade da História enquanto campo do saber —, é que esta agenda não é uma mera reivindicação de um grupo de activistas negros e de pessoas que se sentem marginalizadas ou incorrectamente representadas pela História que se lecciona nas escolas. No mundo ocidental, essa agenda está a ser empenhadamente passada à prática por muitos historiadores engagés — também eles activistas à sua maneira —, os quais têm vindo a contribuir, com o seu trabalho e com a sua investigação, para ajustar a História à vontade do freguês.»
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  • Teresa Coelho

    Vale a pena ler a obra do fantástico Elikia M’Bokolo
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GOUVEIA E MELO, PAI

Gouveia e Melo, governador da Zambézia e secretário-geral do governo de Moçambique, de que se encarregou antes de a gerência do território ter sido entregue a Baltazar Rebelo de Sousa.
Pai do almirante que hoje tomou posse como Chefe do Estado-Maior da Armada.
Evolução na continuidade, tal como disse Marcelo Caetano.
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Condecoração do Dr. Álvaro Gouveia e Melo – secretário-geral do Gabinete de Informação e Formação de Opiniao Pública pelo Ministro do Ultramar, Silva Cunha.
Depois disso, o pai do almirante Henrique Gouveia e Melo foi governador do distrito da Zambézia e secretário-geral e encarregado do governo de Moçambique.
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  • Normano Gonçalves

    Se houve alguma descontinuidade ela deveu-se ao novelo em que o “Estado Novo” se enleou com a guerra colonial….
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    • 34 m

a única cultura idílica não-colonizada…

Sim, já sabemos que os indígenas da África, Ásia, América e Oceânia já se tinham descoberto a si próprios e já conquistavam os seus vizinhos antes de os indígenas da Europa por lá aparecerem. Não é isso que está em questão. O descobrimento e criação de conhecimento universal sobre a geografia do mundo e sobre os muitos povos que o habitavam foi na época tão revolucionária como na atualidade a ida à lua. Os contactos entre povos no passado eram frequentemente acompanhados de violência, sabemos disso, mas poucos grupos humanos puderam viver numa cultura em isolamento como os indígenas da Ilha de Sentinela do Norte, no Golfo de Bengala, vivem. Mas os Sentinela não fazem posts no Facebook e matam quem quer que lá apareça, por isso é difícil saber o que realmente pensam sobre a sua cultura idílica não-colonizada…
No photo description available.
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EX-COMBATENTES ESQUECIDOS REIVINDICAM

REPORTAGEM: Ex-combatentes do Ultramar sentem-se esquecidos e querem direitos para quem “serviu a pátria”
*** Ana Raquel Lopes (texto), da agência Lusa ***
Lisboa, 28 out 2021 (Lusa) – Cerca de meia centena de ex-combatentes da guerra colonial manifestaram-se hoje em frente à Assembleia da República, afirmando-se esquecidos pelo país e apelando a um conjunto de direitos para quem “serviu a pátria”.
A manifestação estava prevista para as 14:00 e perto dessa hora já alguns dos manifestantes se juntavam em frente ao parlamento, com camisolas onde se lia “ex-combatente” ou “somos combatentes de Portugal”, ao mesmo tempo que uma outra manifestação de enfermeiros começava também a organizar-se.
Cerca de uma hora depois, um dos responsáveis pelo protesto, Germano Miranda, 70 anos, chegou de megafone em punho e bandeira de Portugal no braço, pedindo desculpa aos “camaradas” pelo atraso e deixando algumas palavras a quem o ouvia.
“O nosso objetivo principal é aquilo que nós sabemos: o desprezo que os políticos têm por nós e a falta de nos ouvir, não nos ouvem”, clamou, sendo apoiado por quem o rodeava.
Dizendo-se muito honrado “por ter servido a pátria”, o ex-combatente que foi sargento durante 19 meses no Ultramar lamentou que se ensine, considerou, às novas gerações que estes ex-combatentes “foram uns traidores”: “sofremos o que sofremos em terras que não eram nossas, temos consciência disso. Nós não estávamos errados, o regime é que estava errado. (…) Fomos fieis à pátria”, vincou.
Os organizadores do protesto disseram ter intenção de entregar esta tarde, na Assembleia da República, um “dossier dos combatentes do Ultramar (1961/1975)” onde constam 14 pontos que definiu como “um caderno de direitos”.
Entre estes pontos está a “recolha imediata de todos os combatentes sem-abrigo e colocação em locais com dignidade, conforto e carinho, com toda a assistência de saúde geral”, o “internamento imediato para todos os que necessitarem, em hospitais, lares públicos ou privados e militares, para todos os combatentes, suas viúvas e suas esposas” ou o direito à gratuitidade de todos os medicamentos ou tratamentos e exames que necessitem, extensivos também a viúvas e esposas.
Uma “pensão mensal de guerra para todos os combatentes do Serviço Militar Obrigatório e para os voluntários que não seguiram a carreira militar após o 25 de abril de 1974, no mínimo 200 euros, tendo por base o ordenado mínimo nacional que todos os combatentes devem ter direito, livres de impostos” é outro dos apelos, tal como os transportes públicos gratuitos em todo o território nacional.
Os manifestantes mostraram-se desagradados com a versão atual do Estatuto do Antigo combatente, aprovado no parlamento em agosto de 2020 e que prevê o direito de preferência na habitação social, isenção de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde, passe intermodal e entrada para museus e monumentos grátis e honras fúnebres especiais a ex-combatentes, entre outras medidas.
Apelando à sua melhoria, os ex-combatentes disseram não aceitar o cartão de antigo combatente, associado ao estatuto, uma vez que não se sentem “iguais ou comparáveis” aos combatentes pós-25 de abril.
“O cartãozinho é uma fraude, uma fraude completa”, disse Germano.
Entre os manifestantes presentes começaram a erguer-se alguns cartazes e viam-se camisolas com referências a organizações como a ‘Combatentes do Ultramar em Luta’ (CUL), a ‘Unir Combatentes do Ultramar’ (UCU) ou até mesmo do Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP) – cujo presidente, Fernando Loureiro, esteve presente e se associou às reivindicações.
Junto a um muro, com a mulher Arminda Carvalho ao lado, o ex-combatente José Figueiredo, de 74 anos, natural de Viseu, disse à Lusa que o Estatuto do Antigo Combatente “é só para tapar o sol com a peneira” que “não tem resultado material nenhum”.
“As leis que estão a sair relativamente às benesses que estão a dar passam pela Assembleia da República, e eu nos debates que tenho acompanhado onde se discute isso não há ninguém que diga assim: opa, isso não é bem assim, isso devia-se acrescentar qualquer coisa, porque aquilo que deram não é nada”, considerou.
José lembrou o tempo em que embarcou para Angola, onde esteve 19 meses, sem saber se iria voltar, com a mulher ao lado a acrescentar que por cá ficou “à espera das cartitas”, sem ir “a uma festa, nem um baile”.
“Nas escolas nós somos fascistas, nas escolas nós somos assassinos (…). Não pegaram na juventude e não lhes explicaram como é que isto aconteceu, quem é que nos empurrou para uma guerra destas. E ainda para cúmulo tenho uma neta que me vem dizer indiretamente que eu fui assassino?”, relatou um dos manifestantes, visivelmente emocionado.
João Magalhães, 70 anos, que esteve dois anos na guerra colonial, e veio do Porto por ser um dos organizadores do protesto, deixou ainda um apelo final: “Neste momento o Governo foi-se embora ou vai-se embora mas ainda tem poderes, nomeadamente o Presidente da República, acho que poderia fazer alguma coisa por nós. E apelo a ele que olhe para nós, acho que merecemos que nos veja com olhos de ver”.
ARYL // SF
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Chrys Chrystello
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