A DESPEDIDA MAIS PUNGENTE É ESTA, CRÓNICA 328

Cronica 328 A Despedida Mais Pungente

 

 

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os velhos, NÃO OS MATEM….25.mar2020 Crónica 327

Crónica 327 os velhos 25.mar2020

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Escreve hoje a Mariana Machado

Quando isto tudo passar espero que tenhamos todos muita vergonha pela forma como, durante esta crise, nos manifestamos em relação às pessoas mais velhas. Desde respirarmos de alívio nas fases iniciais porque “é uma gripe que só mata os velhos” até não termos uma estratégia bem definida para proteger os mais frágeis (que não são só os mais velhos), nem haver qualquer preocupação acrescida com o que se está a passar em vários lares no país inteiro. Olhando para Itália e Espanha só uma grande negação (ou perversão) é que não nos deixaria prever este cenário.
Espero que tenhamos muita vergonha de nos mostrarmos abertamente como uma sociedade que se está a cagar para as pessoas que nela têm mais conhecimento acumulado e que no fundo nos tornaram o que somos. Nem todas as pessoas mais velhas que morreram ou irão morrer estavam demenciadas e incapacitadas de comunicar (e mesmo que estivessem esta bestialidade não se justificava), muitas ainda teriam carinho para dar aos netos, filhos, cônjuge, amigos e muitas ainda teriam capacidade de nos transmitir conhecimento, muito dele de uma ordem especial, a que só o tempo permite aceder

Mas será que ela não sabe que os velhos são chamados nos EUA e Brasil a morrerem para salvar a economia, que é o dom mais importante da vida na Terra.

Sem economia não haverá seres humanos, assim no-lo dizem esses líderes desses grandes países, enquanto em volta novos e velhos morrem que nem tordos.

Com eles igualmente limpamos as cidades de indesejáveis, esses seres sub-humanos que constituem os sem-abrigo que só servem para poluir a beleza de Nova Iorque e do Rio de Janeiro. Sem falar já desses sub-humanos que pululam nas favelas e servem apenas para manter gangues criminosos e teias de droga.

Com eles irão também os drogados todos que se arrastam pelas esquinas e cometem crimes, sabemos que os drogados são todos criminosos mesmo que tenham sido heróis na guerra do Vietname, do Iraque e outras guerras que os EUA espalharam pelo mundo.

Não se trata de eugenia, mas apenas da aplicação das leis de Darwin em que só os mais fortes sobrevivem e todos sabemos bem que os mais fortes, são os mais poderosos, os mais ricos, cuja inteligência os alcandorou aos lugares de prestigio que hoje ocupam na sociedade.

Precisamos do sacrifício desses velhos todos para que cedam o lugar aos mais novos a fim de estes sobreviverem e manterem a máquina capitalista da escravatura bem oleada, pois é do conhecimento geral que os velhos só acarretam despesas com a sua manutenção, doenças, asilos, tratamentos caros e é uma falácia pensar que os descontos que fizeram na sua vida produtiva dão para os manter nos longos anos de vida que ainda têm hoje. Dantes quando se finavam novos, pelos 60 ou 70 talvez fossem sustentáveis, agora chegando aos 80 e 90 anos, é incomportável manter tanta gente improdutiva e ninguém liga ao que os velhos dizem, pois estão desajustados deste novo mundo tecnológico e de progresso em que vivemos.

Claro que depois desta praga viral o mundo será um local muito mais agradável para se viver, com menos uns milhões na Índia e em África e no resto do mundo e com esses será possível reconstruirmos a máquina produtiva do capitalismo que nos trouxe a prosperidade até ao século XXI.

Admirável mundo novo este em que vivemos, bem mais perfeito do que Orwell ou Aldous Huxley conseguiram imaginar nas suas obras de ficção.

Com as pessoas aterrorizadas e confinadas nas suas casas conseguiremos manter a ordem mundial e evitar males maiores, até atingirmos o governo único mundial. Claro que nestas coisas haverá sempre alguns danos colaterais mas os fins justificam os meios e a sociedade sairá mais fortalecida depois disto.

PS apenas uma coisa espero, é estar profundamente errado neste raciocínio causticamente pessimista e quero crer que haverá neste mundo uma mão cheia de idealistas, novos e velhos, capazes de evitar o cenário descrito. Claro que seremos na maioria poetas, utópicos cuja única arma são as palavras.

 

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CRÓNICA 326. O ADVENTO DAS DITADURAS

CRÓNICA 326. O ADVENTO DAS DITADURAS

 

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Crónica 325 e agora? Sairá daqui um novo mundo ou repeti-remos o velho? 19.3.2020

 

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Cronica 325 E Agora Mundo Novo Ou Velho

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COVID 19 ESTOU PARANOICO? PERGUNTAS SEM RESPOSTA VIRAL, chrys c crónica 324

CRÓNICA 324 PERGUNTAS SEM RESPOSTA VIRAL 17,3,20

Acordo neste oitavo dia de quarentena autoimposta, ainda me sinto saudável mas assolado por dúvidas.

Se só há ou havia, 4 ventiladores nos Açores o que foi feito para arranjar mais para mais hospitais e / ou centros de saúde? O Presidente da Câmara Municipal do Porto arranjou maneira de os chineses trazerem mais alguns, e nós cá o que fizemos, o que estamos a tentar fazer?

Faltam máscaras por toda a parte, será que algo foi feito para termos mais e para as distribuirmos por hospitais e pela população em geral? Eu encomendei as que pude e não eram baratas. O meu filho ontem teve de ir à farmácia e ao veterinário com uma e olhavam para ele como se tivesse a lepra, mas o normal era ele usar uma para tentar reduzir os riscos. Depois de chegar despiu-se e toda a roupa foi lavada a 60 ºC. mas não vejo muitas recomendações nesse sentido para os que trabalham fora de casa? Ou será porque vivo numa zona rural da costa norte de S Miguel e os vaqueiros pensam que não contrair o vírus nas vacas? Se calhar nem sabem que o vírus existe pois continuam a frequentar os cafés e tascas como se nada se passasse.

Quando formos atingidos como vai ser? A Força Aérea vai evacuar todos os infetados como estava previsto? E haverá lugar para eles serem tratados na Península Ibérica? Cá, já sabemos que não temos meios para os tratar. Temos meios da Força Aérea para acudir a todas as ilhas que precisem de evacuar doentes?

Tudo isto me preocupa e fico sem respostas, quando em volta a vida no campo decorre como se nada se passasse, excetuando as escolas fechadas a vida aqui decorre normalmente na calma ancestral destas freguesias rurais.

E quando não houver ventiladores para os infetados? (creio que eles nem chegam para os doentes normais de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica que cá temos, a minha mulher sofre duma doença deste tipo e eu preocupo-me..) e quando não houver meios de evacuar os doentes nas outras ilhas?

Falta álcool etílico nas farmácias e grandes superfícies e ontem no jornal anunciavam duas lojas em ponta Delgada a vender pequenos frascos a 15 euros. Pergunto onde anda a nossa ASAE (IRAE) depois destas denúncias?

Ao fim de tantos dias em casa estarei a ficar paranoico com as notícias de mais e mais casos na Espanha, Noruega, China, Itália, etc.…? espero que não mas gostava de ter mais certezas e mais respostas, mas suspeito que aqui nos Açores vamos ter de nos desenrascar sozinhos e sem meios para o que aí vem… cancelem as obras faraónicas e vão buscar ventiladores ao fim do mundo para termos algumas hipóteses de sobrevivência. Isto são meios pequenos e fechados, se um apanha toda a freguesia fica contaminada, é assim em circuito fechado que a vida nestes locais funciona….talvez não tanto em ponta Delgada, Angra ou outras cidades e vilas…

E aqui fico a aguardar o desastre anunciado enquanto em Lisboa o Presidente da República se esconde e convoca um órgão consultivo de velhos sem contacto com a realidade pois quer escudar-se se a sua decisão correr mal, o que corre mal é a sua indecisão….e o governo da república que quer a todo o custo manter a economia a funcionar não entende que ela vai parar, mis tarde mas de forma mais prolongada, quanto mais tarde a parar.

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 [Australian Journalists’ Association] MEEA]

Para o Diário dos Açores (desde 2018) Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

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Carta aberta ao Presidente da República, 1º Ministro e Presidente do Governo Regional dos Açores fechem as portas ao vírus

Carta aberta ao Presidente da República, 1º Ministro e Presidente do Governo Regional dos Açores

 

Crónica 323 fechem as portas ao vírus, exijo o fecho das fronteiras aéreas nos açores 14.3.2020

fechem as portas ao vírus

Escrevo a quente no momento em que a Madeira coarta a entrada via aérea a várias nacionalidades, enquanto aqui todo o bicho careto, infetado ou não, continua a entrar nos nossos aeroportos como se nada se passasse. Parafraseando o colega Diretor do Diário dos Açores “A vida de um açoriano vale mais do que um avião cheio de turistas” .

Não faço ideia de quanto vale uma vida em Portugal mas pelo que vejo não deve valer muito.

Luís Aguiar-Conraria (filho de um grande escritor açoriano, Cristóvão de Aguiar) escrevia no Expresso de hoje “É verdade que quando se fala em políticas públicas não faz sentido dizer que a vida não tem preço. Se cada vida tivesse um valor infinito, a implicação seria que estaríamos dispostos a gastar milhares de milhões de euros para salvar uma vida, o que, obviamente, não é o caso. Mas como definir o valor de uma vida?…. vários estudos concluem que o valor estatístico de uma vida anda entre os dois a dez milhões de euros. Ou seja, mesmo que esta crise viral não tivesse qualquer impacto no PIB, se o resultado fosse a morte prematura de, digamos, 5 mil pessoas, para um economista isto seria muito mais grave do que uma enorme recessão. Na verdade, corresponderia a uma quebra de 14% do PIB, uma recessão quase sem precedentes.

Felizmente aqui nos Açores ainda damos valor à vida dos açorianos e queremos continuar assim, já basta a contaminação na Ilha Terceira causada pelas tropas norte-americanas, os cancros que poderíamos não ter, o custo da insularidade, o custo da desertificação das ilhas, a sangria permanente que sofremos em virtude da nossa insularidade, de 500 anos de abandono pela mentalidade colonial centralista de Lisboa, o clima cheio de contingências, os sismos e os vulcões, a continuada dificuldade de ligações interilhas e tanta outra coisa que nos carateriza….

Sabemos que esta crise vai custar caro em termos de uma economia sobredependente do turismo mas interessa, o PUB vai cair abruptamente, empresas vão falir, e muita miséria virá se continuarmos a pensar nos $$$ em vez de pensarmos nas pessoas ou se continuarmos a pensar no equilíbrio orçamental que a EU nos impõe em vez de pensarmos nos portugueses (às vezes não parece mas os habitantes dos Açores são tecnicamente habitantes de Portugal).

Interessa, para já, salvar vidas e depois reconstruir o tecido social que nos rodeia. Por isso, reúnam economistas e médicos e quem mais quiserem, mas decidam já o fecho de fronteiras para tentar salvar o máximo de pessoas, a população portuguesa já é idosa em demasia para se poder reconstruir o país e precisamos de todos, cada vida perdida é menos economia futura… o dinheiro que deram à anca teria dado para comprar muitos ventiladores e equipar melhor todos os hospitais… e se sempre houve dinheiro ara a banca, agora tem de haver dinheiro para fechar as fronteiras, esquecer o turismo e pensar-se em salvar vidas, pode ser a minha, a nossa ou a vossa.

PS depois de escrever isto e de saber que o presidente do GRA já pediu a Lisboa o fecho dos voos resta-me pedir ao pessoal da SATA uma GREVE , JUSTIFICADA POR MOTIVO DE SAÚDE.. PESSOAL DA SATA ENTREM EM GREVE POR MOTIVO JUSTIFICADO DE PERIGO DE SAÚDE PÚBLICA….só assim param de entrar pessoas…contaminadas ou não

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício 297713 [Australian Journalists’ Association MEAA]Diário dos Açores (desde 2018) Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

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