Barros. J H Santos (2019) Alexandrina, como era. Todos os poemas

Lançamento hoje, dia 23, na Praia da Vitória, por Carlos Bessa: às 21h, na Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira.
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INDICAÇÃO DE VOTO
1. Vota em mim, meu amor, quando saíres para o sol e encontrares as multidões comprimidas e os políticos como compressas apelando-lhes ao voto.
2. Faz política partidária, meu amor, toma o meu partido. Verás que não te falto às promessas.
3. Porque estamos sós e cada vez mais eles querem ocupar a solidão e transformá-la em propriedade rentável e o que há lá dentro, objetos de luxo ou de consumo corrente, com todos os homens da psiquiatria e das farmácias, para teu e meu bem-estar, vai às urnas e faz uma oração em nome do Bocage e do Soares de Passos e por favor não te esqueças do Cesário.
4. Vota em mim, que sou o teu vaso industrializado das mil e uma noites que eles não compreendem. Não à urna onde se deitam os sonhos mortos das vidas partidas, mas o teu vulcão, a ilha nova morada que tu és para voltares a ser no signo do Aquário.
5. Mas se te disserem, deixa essas baboseiras, esses lirismos crispados de raivas, punhais e sangues dos ódios acumulados, deixa isso tudo, dantes é que era bom, não havia votos, havia-os mais instruídos em direção única, então vira-lhes as costas e vota, vota, pois, contrariada, mas vota. Mas ainda assim não te esqueças de votar em ti e em mim.
Lisboa, Dezembro/80
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