Adelaide Freitas’s novel Smiling in the Darkness is now available on Kindle

English translation* of Adelaide Freitas’s novel Smiling in the Darkness is now available on Kindle, as well as in soft-cover edition:
* Translation by Katharine F. Baker; Bobby J. Chamberlain, Ph.D.; Reinaldo F. Silva, Ph.D.; and, Emanuel Melo.
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CARLOS ENES A GALOPE NUMA NOITE DE BÚZIOS (15)

A GALOPE NUMA NOITE DE BÚZIOS (15)

Mudam-se os tempos, perde-se a vontade. Por mais que deseje vestir a t-shirt da modernidade, para impressionar a teenager que me aquece os tornozelos nas noites geladas, não aguento a pedalada.
De manhã, sou obrigado a engolir uma fatia de pão de alfarroba, para fugir ao glúten que ataca as hemorroidas. Segue-se o leite de espelta, para evitar a lactose que dizem entupir o canal digestivo. A empada de tofu com alho francês e os esponjosos cogumelos são mais que suficientes para um lauto banquete ao almoço. A cerveja sem álcool é a alternativa menos má para superar os excessos de glicose. Ao lanche, tenho de me contentar com um danoninho de inhame, a que se junta um morango biológico para lhe dar um ar colorido e civilizado. O cappuccino feito de mistura vegetal é recomendado para combater a azia de quem ficou com o estômago cheio de nada. Finalmente, estou autorizado ao cigarro eletrónico só em dias de festa, o que me assemelha a um carro que nunca foi à revisão, a deitar fumo pelo escape.
Como se tudo isto não bastasse, a minha namorada prefere o vibrador reciclável, a energia solar, por ser mais higiénico e não deixar peugada ecológica. Diz que a minha peúga e a camisa-de-meia de alça lhe tiram a pica. O resto da argumentação nem a revelo, porque sempre me considerei um verdadeiro macho e não aceito insultos desprestigiantes.
Para mal dos meus pecados, tive que remediar o caos em que me encontro, com uma boneca insuflável. A pequena até é jeitosa, com uma superfície aveludada, curvas bem torneadas, uma rigidez invejável dos glúteos e uma boca esponjosa com sabor a caramelo. Os gemidos incorporados, que disparam automaticamente com o calor provocado pelos corpos roçando, é que me atrapalham a concentração. Deve ter sido fabricada nas estepes asiáticas, desconhecedora do suspiro latino a arfar de prazer. Tapei os ouvidos com algodão, mas não resulta.
Uma catástrofe nunca vem só. Qualquer dia faço as malas e vou fazer companhia aos bosquímanos do Kalahari. Vou treinar o velho método primitivo de acender o lume, rodando os pauzinhos nos dois sentidos. Quem sabe …talvez consiga fazer faísca.

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à conversa com CAROLINA CORDEIRO

Carolina Cordeiro

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Um pouco de mim: escola, escrita, Fringe e Colóquios da Lusofonia.
Grata pelos adjetivos e pela conversa, profª Anita Braga. Um bem haja!

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Anita Braga

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ANTÓNIO BULCÃO, O SENHOR MORTO

O Senhor Morto
O Senhor Morto estava dentro de uma caixa de vidro. Para que todos pudéssemos ver que estava ali e que estava morto.
Era a imagem que mais me impressionava, na Igreja da Matriz. Todas as outras estátuas tinham os olhos abertos e estavam de pé. Anjos com asas e santos com cajados para se aguentarem melhor nos altares, Santa Cecília com uma harpa, para lembrar ser a padroeira da Música. Só o Senhor Morto estava deitado, com os olhos fechados.
Muito estranho, para uma criança, ver um Senhor que estava morto, na base do terceiro altar a contar da entrada, e ver o mesmo Senhor vivo noutros altares.
Ainda mais estranho na Páscoa. O Senhor Morto ia dar um passeio à Sexta-Feira, num cortejo chamado procissão. Depois voltava para a sua caixa de vidro. Mas eu esperava que ele ressuscitasse no Domingo. Era assim que estava previsto, que estava nos livros da catequese e nos sermões do padre.
A igreja inteira a cantar “ressuscitou, ressuscitou” e eu a vê-lo morto ao meu lado.
Depois meti na cabeça: aquele Senhor podia estar vivo e morto ao mesmo tempo. Por isso é que se chamava Nosso Senhor. Estava por todo o lado, quer estivesse vivo, quer estivesse morto.
Pai: que saudades desse tempo dos calções curtos, a entrar na igreja pela tua mão. Foste-te fez há pouco vinte anos, por isso tenho de te contar como as coisas andam por aqui.
Estou trancado em casa há um mês, pai. Por causa de um vírus chamado corona, que começou num mercado de uma cidade chinesa o ano passado. Sempre desconfiei de malta que come ratos e baratas. Desta vez parece que foram morcegos.
Claro que eles poderão desconfiar de nós, que comemos lapas. Mas eu cá acho que é muito diferente. A lapa é um animal limpinho, sempre ali na água, até se mama com o mar a escorrer da casca, se for mansa e apanhada no calhau. Já uma barata é coisa bem diferente. Fico arrepiado com aquele estalo que dão quando lhes meto o pé em cima, nem quero imaginar o que seria trancar uma pela goela abaixo, mesmo que fosse frita.
Mas pronto, a doença começou ali, e toda a malta esperava que por ali ficasse. Víamos as notícias que chegavam de lá e pensávamos que aquilo era coisa dos chineses. O médico que denunciou morreu a ficámos mais assustados. Um rapaz novo, médico ainda por cima, morrer de um vírus, era mais sério do que julgávamos.
Não ficou pela China. Foi para Itália e depois para todo o Mundo. E chegou à ilha.
Havia o rumor de que um terceirense tinha regressado de Itália e era suspeito. Na primeira aula da manhã um aluno confirmou. Disse de que freguesia era e que tinha andado a ver bailinhos no salão da mesma. Na segunda aula da manhã uma aluna disse que era o primo dela. Ficámos à espera do teste. Deu negativo. Respirámos fundo.
Mas por poucos dias. Ao primeiro caso positivo, entrámos em alerta, depois em contingência, depois em emergência. A escola já tinha fechado logo no alerta.
Meti-me logo em casa. Por ter pisado muitos riscos ao longo da vida, pertenço ao grupo de risco. E aqui estou, faz hoje precisamente um mês. Em todos os canais os mortos sobem no Mundo, ainda mais os infectados.
Espero a fase de mitigação numa casa à beira-mar. Sou um privilegiado por poder apanhar sol no alpendre. Não sei o que significará ficar em casa para quem partilha o mesmo quarto com mais oito pessoas em Bombaim. Como não imagino o que quer dizer ficar em casa para um sem-abrigo em Lisboa. Apesar de o primeiro a morrer em Portugal tenha sido o maior do banco onde guardo alguns cêntimos…
Estamos todos mortos, pai, só que não tínhamos reparado. Como o Senhor Morto, parecendo vivo num lado, morto dentro de uma caixa de vidro no outro. O grande José viu-nos todos cegos, no seu Ensaio. O que não escreveria hoje? Afinal não estamos apenas todos cegos. Estamos mortos.
Talvez ressuscitemos. Talvez saiamos da caixa de vidro. Mas que tenhamos aprendido a lição. É só o que peço. E espero.
António Bulcão

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CARLOS ENES A GALOPE NUMA NOITE DE BÚZIOS

A GALOPE NUMA NOITE DE BÚZIOS (6)

O Professor Doutor passeia o título académico pela cidade, num andor levado por quatro patos marrecos. A charanga neoliberal abre o desfile, em estilo de bodo-de-leite rococó, anunciado com foguetório pós-modernista.
Num carrinho de mão, o menino do coro transporta o insuflado currículo. O primeiro capítulo integra dezenas de frases espirituais, publicadas no boletim paroquial, em linguagem para as gerações vindouras decifrarem; o segundo capítulo reúne meia dúzia de artigos, impressos numa revista amplamente aberta a um reduzido núcleo de compadres, especialistas em generalidades.
A sua inteligência mede-se em bazófia e não ao peso, dado que as vogais e consoantes sem substância ficam leves como bolas de sabão. Ideias originais não se conhecem. Especializou-se a citar autores consagrados, estratégia para assegurar credibilidade. Cita Platão (“a chuva que inunda a horta pode dar cabo dos figos”); endeusa Santo Agostinho (“o sol nasce todos os dias, enquanto o mundo não gretar”); trata o padre António Vieira como se tivesse andado a pescar com ele (“Oh peixe vaidoso que nem na brasa perde a escama”), e ri-se com Fernando Pessoa (“no comboio transcendente ia tudo à gargalhada”).
Empavonado, deambula o Professor pelas ruas em constante meditação, citado pela família, necessitado de outras (ex)citações. E ai de quem se lhe atravesse no caminho. Recorre a pergaminhos de progenitores aparentados com D. Duarte, o Eloquente, e utiliza a tesoura do tio alfaiate para a tonsura implacável.
A sua voz é a voz absoluta da parábola ecuménica.
O ponto fraco são os gases estomacais. O mau hálito tanto pode ser provocado pela linguiça rançosa, que ingere meia hora antes de cada prédica, ou então um sintoma do estado avançado da decomposição dos dogmas. Só a autópsia poderá determinar a causa da grande causa que o Professor Universitário não pode deixar de engolir, quando se olha ao espelho e o bafo matinal faz ricochete.

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novo livro

Um novo livro que sairá à rua dentro de algumas semanas. É prefaciado por Onésimo T. Almeida, um de très editores da série na Editora Sussex, no Reino Unido.
Preface
In the Lusophone world, outside Portugal itself, the first emergence of a national consciousness occurred in Brazil. However, it was long after the independence from Portugal in 1822 that Brazilian literature turned more inwards, becoming less concerned with the aesthetic mandates of the former motherland and paying more attention to its local surroundings. In the 1930s, the echoes of the nascent Brazilian literary autonomy reached Cape Verde. Then, a group of local authors started the publication of Claridade, a literary magazine that quickly became the vehicle for a new outlook and a theoretical perspective, conceived along Brazilian identity lines. From then on, the core belief amongst these writers was that literature produced in the islands should reflect life in the archipelago since Cape Verde was far from being a mere extension of Portugal and its culture. What followed was the birth of a singular and rich body of literary works now widely accepted under the coined expression of Cape Verdean Literature.
Soon afterwards these new literary winds reached the Azores. Even though the Azorean islands were always conceived as part of Portugal, since their inhabitants were transplanted Portuguese, its inhabitants exhibited a long-held sense of difference and specificity. This sense of separation had been gaining ground from the end of the 19th century; the 1940s saw that sentiment full-fledged, fostering the incremental growth of an impressive literary corpus that is unique in the context of contemporary Portuguese literature.
Brianna Medeiros offers us the first book-length study of these two literatures in comparative terms. What the present volume offers is, in fact, a full glance at life and culture in both archipelagos – Cape Verde now an independent nation, and the Azores an Autonomous Region of Portugal. The reader travels through the works of Azorean writers such as, among others, Vitorino Nemésio, Pedro da Silveira, Dias de Melo, and João de Melo, as well as their Cape Verdean counterparts – Baltazar Lopes, Manuel Lopes, Orlanda Amarílis, and Germano Almeida. Both archipelagos are part of what geographers call Macaronesia (there are two other archipelagos – Portuguese Madeira and the Canary Islands, an Autonomous Region of Spain), sharing significant similarities, as well as striking differences. For example, each archipelago is composed of nine inhabited islands, the distinction being that Cape Verde’s ten islands include one that is little more than a floating desert. Nevertheless, these are mere starting points for the descriptive journey set out by the hand of a highly informed author, through the writings produced in these beautiful and fascinating Atlantic archipelagos, usually, and unfortunately, forgotten in the studies of Portugal and of the Portuguese-speaking world.
The reader is in for a pleasant surprise to receive a wealth of new information on the history and culture of these two small, yet immensely rich island worlds. The Eruption of Insular Identities greatly enhances the academic breadth of the series, and as editors we are pleased to see this work published by Sussex Academic Press.
Image may contain: mountain, sky, nature, outdoor and text
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  • Manuel Leal
    Preface

    In the Lusophone world, outside Portugal itself, the first emergence of a national consciousness occurred in Brazil. However, it was long after the independence from Portugal in 1822 that Brazilian literature turned more inwards, becoming less concerned with the aesthetic mandates of the former motherland and paying more attention to its local surroundings. In the 1930s, the echoes of the nascent Brazilian literary autonomy reached Cape Verde. Then, a group of local authors started the publication of Claridade, a literary magazine that quickly became the vehicle for a new outlook and a theoretical perspective, conceived along Brazilian identity lines. From then on, the core belief amongst these writers was that literature produced in the islands should reflect life in the archipelago since Cape Verde was far from being a mere extension of Portugal and its culture. What followed was the birth of a singular and rich body of literary works now widely accepted under the coined expression of Cape Verdean Literature.

    Soon afterwards these new literary winds reached the Azores. Even though the Azorean islands were always conceived as part of Portugal, since their inhabitants were transplanted Portuguese, its inhabitants exhibited a long-held sense of difference and specificity. This sense of separation had been gaining ground from the end of the 19th century; the 1940s saw that sentiment full-fledged, fostering the incremental growth of an impressive literary corpus that is unique in the context of contemporary Portuguese literature.

    Brianna Medeiros offers us the first book-length study of these two literatures in comparative terms. What the present volume offers is, in fact, a full glance at life and culture in both archipelagos – Cape Verde now an independent nation, and the Azores an Autonomous Region of Portugal. The reader travels through the works of Azorean writers such as, among others, Vitorino Nemésio, Pedro da Silveira, Dias de Melo, and João de Melo, as well as their Cape Verdean counterparts – Baltazar Lopes, Manuel Lopes, Orlanda Amarílis, and Germano Almeida. Both archipelagos are part of what geographers call Macaronesia (there are two other archipelagos – Portuguese Madeira and the Canary Islands, an Autonomous Region of Spain), sharing significant similarities, as well as striking differences. For example, each archipelago is composed of nine inhabited islands, the distinction being that Cape Verde’s ten islands include one that is little more than a floating desert. Nevertheless, these are mere starting points for the descriptive journey set out by the hand of a highly informed author, through the writings produced in these beautiful and fascinating Atlantic archipelagos, usually, and unfortunately, forgotten in the studies of Portugal and of the Portuguese-speaking world.
    The reader is in for a pleasant surprise to receive a wealth of new information on the history and culture of these two small, yet immensely rich island worlds. The Eruption of Insular Identities greatly enhances the academic breadth of the series, and as editors we are pleased to see this work published by Sussex Academic Press.
    Onesimo T. Almeioda

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MARIA JOAO RUIVO EM TEMPO DE CERCO SANITÁRIO

Em tempo de cerco sanitário…

A vida é um carrocel. Gira, gira e nós vamos na roda, como cavalos à desfilada.
Para onde foi o tempo de se ter tempo?
As pessoas falavam e tinham quem as ouvisse. Visitava-se os amigos sem ter de telefonar primeiro, a combinar. Era tão simples. Findo o jantar, dizia-se: Vamos a casa de fulano. E íamos. Nós e os meus pais. Era assim, naqueles dias. Outras vezes vinham amigos à nossa casa. E era bom esse tempo de conversar, ou de brincar, conforme a idade.
Batia-se à porta e, se não estava ninguém, deixava-se um cartão de visita. Às vezes só com um abraço. Outras com uma quadra, ou um dizer amistoso, improvisado ali na hora e escrito contra a ombreira da porta.
Era também o tempo de se escrever cartas para os amigos distantes e de se tirar um momento do nosso dia para ir ao correio comprar o selo e enviá-las. Ficava-se, tranquilamente, a aguardar uma resposta que quase sempre vinha. Lenta, mas vinha. E havia a ânsia da espera, que alimentava o sonho.
Ouvia-se os mais velhos, porque sabíamos que eles, na sua sabedoria, tinham sempre coisas para partilhar, que nós partilharíamos com os mais novos, quando chegasse a nossa vez. Eles falavam e nós ouvíamos. Não havia barulho a distrair-nos, nem nada para fazer que não pudesse esperar.
Lembro-me com uma clareza enorme e uma saudade ainda maior dos serões antes de termos televisão. Meus pais contavam coisas do seu tempo. Tinham um jeito tão grande para contá-las, que acredito que o sentir deles nos invadia por uma espécie de osmose e entrávamos nesse tempo que fora o deles. Sei-o, porque as referências ficaram todas connosco, como pertença nossa.
E liam-nos muito. Foi pela leitura de meus pais que me foi apresentado o Eça de Queirós, no conto “O Suave Milagre” que ainda hoje guardo em mim, bem preso, com um laço colorido – “Ora entre Enganin e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas as mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ela o criara para os farrapos da enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo.” Este menino queria ver Jesus e este, no final, depois de aquela criança tanto ter suplicado para vê-Lo, “abrindo devagar a porta e sorrindo, (…) disse à criança: – Aqui estou.” Achei tão incrivelmente belo esse conto, que me comovi na inocência dos meus oito ou nove anos. Lembro-me que havia palavras difíceis, cujo significado desconhecia. E ficavam-me como referência aqueles nomes de pessoas e lugares da Galileia. Tenho-os no ouvido, como uma música que não se esquece: Cesareia, Hébron, o país de Moab, o rico Obed. Também me ficaram frases que, na altura, me soavam a ritmos únicos: “No Estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira.”
Agora é moda não se acreditar em quase nada. Alguém achará este conto ultrapassado e até mesmo uma imposição indevida da imagem de Jesus num tempo de descrença em que se proclama a Liberdade, mas, contraditoriamente, se critica quem ainda crê em alguma coisa e se atreve a declará-lo. Acharão ultrapassado este conto que fala de uma miséria tão dolorosa e da esperança de luz e de vida.
Tenho orgulho de ser do tempo em que havia tempo, ainda que isso implique eu ter mais anos do que os que desejaria.

Maria João Ruivo

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