autonomia vergonhosa

NÃO É PIADA, NÃO SENHOR…..

Portugal quer «reforçar» e «aprofundar» as autonomias dos Açores e da Madeira….

Já que os os orgãos de governo próprio não fazem nada nesse sentido (bem pelo contrário) a Metrópole vai nos ensinar como se faz…

Isto é que é rebaixar e gozar com os políticos – poder e «oposição» – dos Açores e da Madeira.

@ Ryc

O Governo quer reforçar o papel das regiões autónomas dos Açores e da Madeira “no exercício de funções próprias e do Estado”, segundo o projeto de proposta de lei das Grandes Opções do Plano (GOP) para 2021.

O Governo quer reforçar o papel das regiões autónomas dos Açores e da Madeira “no exercício de funções próprias e do Estado”, segundo o projeto de proposta de lei das Grandes Opções do Plano (GOP) para 2021.

AQUI FOI HASTEADA A BANDEIRA DOS AÇORES

No photo description available.
História dos Açores is at São Miguel Island.

1986, Casa do Monte – Ginetes,Ilha de S. Miguel

– Placa comemorativa do primeiro local dos Açores a ser hasteada a bandeira autonómica.
A Bandeira da Autonomia, foi hasteada pela primeira vez por José Maria Raposo de Amaral, em Novembro de 1876, na casa do Monte, Ginetes.

A commemorative plaque of the first location on the Azores Islands, at Casa do Monte, in Ginetes, on São Miguel Island, to have hoisted the 1st Autonomous Flag for the first time by José Maria Raposo de Amaral.

>> Foto relacionada
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=247559042015622&set=a.197581797013347.35030.197544470350413&type=3&theater

English translation: Kevin de Ávila; Foto: Sara Nóia

MARCELO VETA LEI DO MAR E EU VOLTO A SONHAR COM A ILHA ..DA AUTONOMIA

 

 

14.11.1. ILHA DA AUTONOMIA, 6 JUNHO 2012 CRÓNICA 116

No outro dia escrevi que mal se vislumbra a costa da Bretanha em frente à janela do meu “castelo” na Lomba da Maia onde habito. O grande Mar Oceano confunde-se com o azuláceo ou acinzentado céu, depende da cor das lentes com que se acorda. Como disse Mariano Larra, escritor e jornalista espanhol do início do séc. XIX:

Um povo emudecido é um povo de atordoados e medrosos, a quem um prolongado costume de calar entorpeceu a própria língua.

Da “falsa” a janela do meu “castelo” desabrochava sobre o mundo. Enxergo mares. Lobrigo montes. Diviso nevoeiros que desaparecem sem rasto. Entrevejo vacas fiéis ao destino ruminante sem desfraldarem queixumes. Fantasio que a verdadeira autonomia se abaterá sobre o arquipélago criado a ferro e fogo. Aí se vislumbrará a tal ínsula nova que só surge com os nevoeiros de São João.. Com ela devaneio. Se a antecipo encoberta componho os óculos, arregalo a íris, foco o invisível. As ondas e as nuvens também conspiram para a ocultarem. Careço de um cartógrafo da Escola de Sagres devidamente acreditado, para a mapear. Descortino os contornos como se a visse em Braille.

Ia jurar tê-la avistado, mais do que uma vez (mas também há quem jure ter visto D. Sebastião no meio das brumas). A minha mulher disse que alucinava e, de repente, já não a descortino, o mar confunde-se com o céu. O horizonte indistinto, em constante mutação, ora cinzento ou azuláceo. Perde-se no alcance da visão. Quando fito o grande mar oceano, estou expetante para vislumbrar a ilha nova a delinear-se no firmamento. Todos os dias fantasio e divago com ela, ora encoberta ora invisível. Acredito piamente que exista além da linha impercetível do horizonte. Por vezes, as próprias formas e cores das nuvens afiançam esse mistério que os mapas não cartografaram. Confio devotamente. Sei que virá ao meu encontro. Tal como a ilha Sabrina de antanho. Ou as que surgiam e desapareciam das cartas de marear na época de S. João. Esta é especial. Sempre que posso, perscruto o futuro em busca dela. Esta a realidade que me escapa e, no entanto, está lá. Quando a vir, clamarei o direito a dar-lhe denominação. Designá-la-ei Autonomia. Ia jurar tê-la visto já por entre um belo arco-íris que ia da Lomba da Maia à semiencoberta Bretanha, mas o arco da velha sumiu.

Enquanto não advém, os vaqueiros prosseguem a sua lufa, levantam-se trevas cerradas, continuam a acamar-se na escuridão, cansados noite após noite. Rotinas entrecortadas pelas festas, romagem, procissão. Sem queixumes pela má sorte que lhes repete destinos ingratos. Resignação amargurada, lobrigada nas comissuras de peles rugosas, encarquilhadas e sequiosas, tragando um copo de três ou um abafado. Os campos continuam a ser arados. As vacas mungidas, chova ou faça sol, feriado, dia santo de obrigação ou fim de semana. A terra e as vacas são os únicos meios mensuráveis da riqueza. Estes vaqueiros só mourejam. Jamais ouviram falar da semana-inglesa. Quase todos andam nas vacas. Ou as têm ou trabalham-nas para terceiros, (todo os dias, meses, anos). De tantas em tantas horas estão a mungi-las, levá-las de um pasto para o outro que todo o inverno a ilha se mantém verde. Os rendimentos são inferiores aos ibéricos (a que muitos chamam o Continente) mas há sempre mais subsídios para rações, para produção de mais leite e sabe-se lá que mais que os burocratas de Bruxelas inventaram ou a que os de cá forçaram com a sua insistência inesgotável, e as suas queixas diárias de que vão todos falir[1]….

Hoje, as ilhas transformaram-se em vacaria, uma imensa leitaria. O quotidiano, fora das pequenas urbes, é similar à escravatura de antanho. Cuidar de vacas doutrem a troco dum soldo miserável, sem direito a férias, doenças, feriados é servidão. A gleba cumpre horários sagrados sem calendário (a não ser dos dias santos e das festas), religiosamente acatados por homens e mulheres. Apesar de poucas, também por aí andam nas vacas. Supõe-se que interrompam as lides aquando da gravidez. Para 2015 antecipa-se o fim das quotas leiteiras, um remate anunciado há muito para essa riqueza artificial[2]. Quem sabe se não poderiam converter[3] as vacas leiteiras em produtoras de carne da melhor qualidade para exportação? Podiam usar a tecnologia existente e a mão-de-obra local seria sujeita a uma apropriada componente de atualização de formação e desenvolvimento pessoal?

No século XVIII ninguém pudera prever a data exata do fim da exportação das laranjas. Nos últimos anos sabendo-se a data de fim das quotas, aumenta a produção anual de leite sem escoamento possível, sem que haja do Governo, das autarquias ou das gentes da pecuária (sempre tão lestas a pedirem apoios e subsídios) qualquer ação, individual ou coletiva, que comece a prevenir o futuro. Claro está que os pastos não se podem converter em terras de cultivo enquanto o Diabo esfrega um olho, e os trezentos mil animais não se desvanecem num ápice por mais subsídios ao abate que se inventem.

Nas zonas rurais os filhos, que já não vão abundando, usam a escola nos interregnos da labuta nos campos. Se faltam e não fazem os trabalhos de casa é porque foram às vacas. Se deixam de estudar é para irem para as vacas. O açoriano vive do imediatismo. Futuro nunca, mas presente sempre à vista, nada arrisca nem previne. Este açoriano é bem diferente do antepassado que no século XIX com menos estudos, sem universidade nem Novas Oportunidades criou a Sociedade da Agricultura Micaelense, quiçá o movimento mais importante da história dos Açores. O comércio da laranja extinguiu-se vitimado por doença quando a exportação estava numa fase de ampla expansão, tendo atingido o máximo três décadas depois de ter surgido a ideia dessa sociedade. O que esses antepassados anteviram foi que aquela riqueza não seria duradoura devido aos avanços da produção e do transporte na Europa e, em especial na Península Ibérica.

Mas desta vez todos avisaram a geração do séc. XXI de que também as vacas iriam acabar como o ciclo do pastel e o da laranja…mas ninguém os preparou para outra coisa, as vacas são a única profissão que conhecem e nem admitem existirem outras…Não é opção, mas obrigação. Solidariedade familiar. Queiram ou não, cumprem o destino boieiro e a vontade paterna, herdada de séculos, sem sombra de desfortuna. Fatalismo ou destino, nunca se interrogam, apenas o cumprem. Vá-se lá a saber. Os medidores de felicidade são pouco fiáveis.

Em 2008, sete anos antes do fim das quotas leiteiras, abordei o Presidente da Junta da Lomba da Maia propondo uma reunião de esclarecimento onde os locais pudessem discutir ideias (se as tivessem) sobre a reconversão. Nem um se mostrou interessado, decerto pensaram que, um urbano como eu, nada teria para lhes comunicar sobre o ganha-pão deles. Daqui a pouco não existirão fundos europeus para a excessiva produção de leite que se regista nas ilhas (e no resto do mundo) e ficarão sem nada. Depois do fim da gesta heroica e brutal dos baleeiros, que Dias de Melo retratou, aproxima-se o fim da era do leite. Virão dias de fome e de aflição.

Nos EUA há quem aproveite o estrume do gado bovino para produzir energia ecológica…será que estes campos podem produzir biodiesel? Por outro lado, como a terra é fértil, quando se acabarem as vacas gordas leiteiras poderiam diversificar e manufaturar queijos, aproveitar os solos úberes para criarem outros produtos para mercados de nicho e exportar para o mundo.

Infelizmente, não vi nem ouvi nenhum dos técnicos agrários, vulgo engenheiros, propor ou estudar quais os mercados de nicho que as férteis terras poderiam fornecer. A única coisa que se vê, todos os dias no telejornal é o dono das vacas todas a pedir mais subsídios (porque choveu, porque está uma seca e não choveu, porque o furacão estragou isto, a tempestade tropical estragou aquilo, eu sei lá 1001 pedinchices algumas vezes ameaçadoras). Não fala em dar formação aos associados, nem a converter as vacarias noutra coisa, só lhe interessam subsídios de cá e da Europa. Não penaliza os que produzem leite a mais, pede mais dinheiro. Os tempos mudaram, cá e na Europa, mas ele – impérvio – permanece na sua, encravou naquela parte da gravação. Creio que a única coisa para que não pediu dinheiro foi para compensar quando está nevoeiro cerrado como hoje, mas, cuidado que posso estar a dar-lhe ideias. Falta visão como quando o chá sucedeu às laranjas. Os políticos insulares, por sua parte, como os congéneres, vivem em torres de marfim condicionados ao ritmo da reeleição e não parece que tenham visão para “imaginar” os Açores daqui a 10, 20 ou 30 anos, tudo é feito pelo imediatismo da próxima contagem de votos, nada fazem nem parece que haja quem o queira fazer.

Reservo-me sempre o direito de emitir opiniões e ser controverso quando afirmo que nos meios rurais, os açorianos seguem escravos, tal como os antepassados. Mesmo sem o saberem. Há quem alegue que esta servidão hodierna é mais humanizada e de matizes mais esbatidos (decerto nunca foram escravos …é como o país de brandos costumes). Seguem fados tradicionais sem os questionarem. O fatalismo insular pode ser explicado pela brutal aspereza dos elementos: o fogo e as manifestações telúricas.

A energia positiva dos vaqueiros é muitas vezes dirigida para ações cotejadas com o culto cristão eivado de paganismos, como as romarias. Existem alternativas, fugir, emigrar, ou então (e de forma mais simplista) mandar a escravidão às urtigas e viver do rendimento de inserção social. É o sistema da “Faixa de Gaza” da Ribeira Grande, lá para os lados de Rabo de Peixe. A maioria das famílias, com excelente taxa de natalidade, jamais empregadas nem empregáveis, vive do rendimento mínimo. Trabalhar é só para os inúteis. Opções que o sistema permite.

[1] (nota de 2020: aos anos que ouço a mesma ladainha, dia após dia na RTP Açores).

[2] Em 2020 constato que ainda nada ou muito pouco foi feito para a reconversão desses milhares de famílias que vivem do “leite” num ciclo vicioso de maiores produções para “sacar” maiores fundos europeus. Os mais pequenos foram comprados pelos grandes, dentro da evolução darwinista da economia de mercado.

[3] (houve há dias, em julho 2020, finalmente o anúncio da primeira criação de carne Wagyu[3] na ilha Terceira…. IN CHRONICAÇORES UMA CIRCUM-NAVEGAÇÃO…

já temem a independência dos açores e madeira?????

José Bárbara Branco and Luís Aguiar-Conraria shared a link.
Vasco Cordeiro disse no dia da votação da “separação dos mares” que era um dia histórico para o país. Será, de facto, um dia histórico para a desinteg…

OBSERVADOR.PT
Vasco Cordeiro disse no dia da votação da “separação dos mares” que era um dia histórico para o país. Será, de facto, um dia histórico para a desinteg…
Vasco Cordeiro disse no dia da votação da “separação dos mares” que era um dia histórico para o país. Será, de facto, um dia histórico para a desinteg…

Buganvília pode ser independente

Rosely Forganes shared a link.

Bougainville é uma região autônoma da Papua Nova Guiné, habitada por humanos há pelo menos 29.000 anos

Arquipélago de Bougainville, Pacífico Sul, hoje parte de Papua Nova Guiné, pode ser tornar o país de número 194. Apesar da beleza paradisíaca, há problemas
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MARSEMFIM.COM.BR|BY JOAO LARA MESQUITA
Arquipélago de Bougainville, Pacífico Sul, hoje parte de Papua Nova Guiné, pode ser tornar o país de número 194. Apesar da beleza paradisíaca, há problemas

JOSÉ GABRIEL ÁVILA · VOLTAR ATRÁS, NUNCA MAIS!

VOLTAR ATRÁS, NUNCA MAIS!

VOLTAR ATRÁS, NUNCA MAIS!

Fez há dias 44 anos (20 e 21 de julho de 1976) que se realizou a abertura da Assembleia Regional dos Açores, constituída, então, por 43 deputados.
A data que ficará nos anais deste Arquipélago não mereceu qualquer referência especial que elucidasse os açorianos, sobretudo os mais jovens, sobre o início de um projeto de autonomia democrática que levou anos e anos a ser pretendido, porque o poder do Terreiro do Paço se alimentava de uma centralidade atávica e provinciana que desunia o território e cavava um enorme fosse entre a capital e as periferias.
Mais de quatro décadas decorridas, o sistema autonómico, como qualquer outro sistema político de governação, conheceu altos e baixos, conflitos, consoante as dificuldades e tragédias que se nos depararam.
Nunca é demais recordar as calamidades dos sismos de 80 e de 98, as enxurradas catastróficas da Ribeira Quente, os ciclones de mar que amiúde fustigam as nossas ilhas e desmoronam muralhas, portos, navios, propriedades e outros bens, e um rosário de tempestades e ventanias que abanam estas ilhas atlânticas sem dó nem piedade e destroem vidas e haveres.
A todos estes episódios cíclicos da história açoriana os nossos governantes, regionais e locais, têm correspondido com o melhor do seu saber, dedicação e força de vontade, que deveriam ser mais apreciados pelos habitantes destas ilhas.
É verdade que o exercício do cargo a isso os compromete, mas não se pode exigir sempre mais e mais, quando as forças diminuem face à indiferença e à fácil e por vezes injusta crítica destrutiva que não alenta, nem propõe melhores soluções.
Fazer crítica pela crítica é uma atitude pouco saudável e inconsequente.
Em democracia o exercício da cidadania e da crítica são atitudes fundamentais na construção do bem comum. Todavia, esses direitos devem ser suportados por análises lúcidas e sensatas, para que os visados os possam aproveitar e seguir, com a humildade de quem serve e com respeito pelos cidadãos.
Há dias, fiquei surpreendido com as declarações insensatas de dois vereadores do PSD na Câmara de Angra do Heroísmo, protestando contra a transferência de voos da Ryanair da Terceira para São Miguel, alegadamente com a conivência do Governo dos Açores. Nesse dia passavam 44 anos da abertura do Parlamento Açoriano. Os dois autarcas, sem qualquer pudor afirmaram: “com o atual rumo que a Autonomia leva entendemos que ela não serve a Terceira nem as restantes sete ilhas, sendo preferível o fim deste regime e o regresso à dependência de Lisboa”.
Julgo que os dirigentes regionais do PSD e os construtores do sistema autonómico deverão ter ficado perplexos com o pensamento dos seus correligionários. Todavia não vi qualquer rejeição social-democrata ou de outro quadrante político sobre tão descarada inventiva anti-autonómica, o que me deixou ainda mais admirado.
Houve quem me aconselhou a não ligar ao “impropério” dos vereadores do PSD de Angra.
Entendo, no entanto que aquela mentalidade está expandir-se e a corroer os alicerces da Autonomia Democrática. As razões deverão ser escalpelizadas para que o regime por que os açorianos optaram maioritária e convictamente em 1976, não seja destruído e desacreditado por questões de lana-caprina que merecem explicações atempadas e esclarecedoras.
Ainda recentemente, os açorianos através dos seus eleitos, fizeram vingar as suas propostas de poder decisório e vinculativo alterando a Lei do Mar que uma ministra centralista, à revelia das normas estatutárias, pretendia manter.
Foi uma vitória importante do Parlamento Regional, percursora de uma diferente e promissora visão estratégica que dará ao Arquipélago dos Açores e às suas águas territoriais, uma projeção relevante no contexto internacional, mais que o porta-aviões da Base das Lajes.
Mais uma vez o mar e as insondáveis riquezas minerais a valorar este pequeno território insular, outrora escala obrigatória de rotas continentais. Por novas razões, ligadas ao desenvolvimento científico – fator de progresso de que tanto necessitamos e aspiramos, como suporte estratégico do nosso desenvolvimento.
Por todas estas razões, desacreditar a Autonomia em benefício de um poder centralista, concentracionário, distante e ineficaz, é abdicar de uma luta travada anos e anos e que só foi ganha por mérito dos açorianos de várias gerações. Ensinar aos mais novos esta luta e as conquistas daí resultantes é imperioso e urgente, para que nunca mais se volte atrás!

Engrade, Pico
José Gabriel Ávila
jornalista c.p. 239 A

ESCRITEMDIA.BLOGSPOT.COM
Entre receios infundados de um malino contágio que penetra impiedosamente na vida de um cristão, e a doce pacatez que julho proporcionava aos que aqui mourejam, assim vai esta ilha Montanha com…
Entre receios infundados de um malino contágio que penetra impiedosamente na vida de um cristão, e a doce pacatez que julho proporcionava aos que aqui mourejam, assim vai esta ilha Montanha com uma força medonha de tornar-se um polo de crescimento.

a situação severa do convid assevera que a Cevera já era…

A CEVERA DESAPARECEU DO RADAR aqui e em Lisboa ninguém sabe o que aocnteceu à revisão da autonomia, mas não faz mal, poucos parecem importar-se, estão acomodados com a amostra de autonomia que ainda resta, mas em 2005, setº escrevi

 

A vida nem sempre é feita de tremores, existem momentos em que a crosta terrestre está mais calma e nessas ocasiões a função dos seres pensantes é cogitar. O pensamento multiplica as ligações entre os neurónios e é precisamente a densidade da rede que permite ao cérebro aumentar as capacidades originais. Nos Açores, os escritores podem ser o motor autonómico, quando pararem para discorrer e o descobrirem. Os mais afortunados com o dom da escrita podem botar a mão à pena aproveitando a maré e os ventos, alísios ou não, os aventureiros ousarão meter os pés ao caminho, os enamorados afoitar-se-ão para se apaixonarem outra vez. Sendo um otimista nato, se bem que crítico, segui à risca a célebre frase de Carl Sandberg (1878-1967) “Sou um idealista. Não sei para onde vou, mas já vou a caminho.”

quem tem medo da autonomia, manuel leal

OPINIÃO

Quem tem medo da Autonomia ?

Os Açores sempre foram a retaguarda de Portugal e os Açorianos voluntariosos soldados da Pátria. A Portugal nada devem em matéria de lealdade. Dispensam lições patrioteiras de “continuidade territorial” e devolvem-nas com a memória de que foi aqui que Portugal sempre se refugiou para assegurar a sua independência. Nos Açores a soberania da coroa Portuguesa defendeu-se dos Espanhóis. Aqui se jurou lealdade a D. António Prior do Crato, o Rei Independentista, e se rechaçou a invasão Espanhola na Batalha da Salga, em 1581. O episódio ficou registado na mítica sentença do Juiz Ciprião de Figueiredo que todos os Açorianos conhecem, mas tantos Portugueses ignoram o seu valor patriótico. Tal como a padeira Brites de Almeida, heroína de Aljubarrota, também a resistente Brianda Pereira, da Salga, se junta a uma longa linhagem popular de Portugalidade. Daí em diante a História de Portugal também se escreve com as glórias dos Açores e com os heróis da Açorianidade. O século XIX voltou a fazer dos Açores o epicentro de Portugal e do Liberalismo que marcou a modernidade. Nesse espírito nasce a primeira Autonomia com o Decreto de 2 de Março de 1895. No século XX a deriva totalitária do Verão quente de 75 colocou a soberania de Portugal em risco. Se, para uma minoria, era um sonho fazer de Portugal uma Cuba europeia com uma ditadura comunista que faria do País um estado satélite de Moscovo, para uma imensa maioria silenciosa isso seria uma traição à Pátria. É nesse caldo revolucionário que emerge o movimento Independentista dos Açores, recusando a cubanização do País e destas ilhas sempre leais a Portugal. Mais uma vez os Açores foram a reserva e o santuário de Portugal. Reposta a normalidade, o Poder Constituinte deu letra de lei à Autonomia. Meio milénio de lealdade a Portugal, mais de um século sobre o Decreto Autonómico, quase cinquenta anos de institucionalização das Regiões Autónomas e ainda há quem desconfie dos Açorianos! Será a nossa Autonomia um adquirido? A História não se pode fazer no presente, mas a atual crise, despoletada externamente pela ameaça do Sars-Cov-2, veio dar sentido e profundidade a uma pergunta que devia ser apenas retórica. A resposta é não. Não podemos dar a Autonomia por adquirida. Não sabemos o seu futuro, mas sabemos que já não pode ser a que era antes de 2020. Não podemos antever se irá retroceder ou se dará um passo evolutivo, mas os episódios recentes vieram expor uma desconfiança para com os Açorianos, vistos paternalmente como filhos menores da Pátria, e um desprezo pela Autonomia que julgávamos extinto. A desnecessária afirmação da “continuidade territorial” proferida pelo Presidente da República em uníssono com o Primeiro-Ministro foi um exercício gratuito de machismo alfa dominante que empurrou o Governo Regional para medidas políticas legítimas, tendo a noção da fragilidade da nossa “descontinuidade geográfica”. O Presidente do Governo Regional dos Açores não é um reminiscente Capitão Donatário das Ilhas a mando da metrópole. É mandatado pelos cidadãos eleitores, inscritos no recenseamento eleitoral no território regional, na escolha que fazem dos seus representantes à Assembleia Legislativa Regional, estando assim legitimado por conta dos resultados das eleições ao Parlamento Regional. Tem uma legitimação popular perante os Açorianos que representa, apesar da miopia centralista insistir num despotismo ministerial caduco e num presidencialismo populista retrógrado. Noutros tempos, que importa não esquecer, dizia Nemésio que só a “perfídia centralista outorga carta de colónia às ilhas”. Mas a culpa não é só de Belém e das chancelarias de São Bento. A culpa é também nossa quando transigimos placidamente com um representante da república sem legitimação democrática, nomeado apenas para vigiar aqueles que os Açorianos elegeram! É também nossa quando assistimos como saloios a paradas militares de desproporcionada exibição belicista, como a que encenou o Presidente da República no 10 de Junho de 2018, em Ponta Delgada, a mostrar o poder dissuasor da metralha aos ilhéus. Nesse dia, para que não sobrassem dúvidas, não faltou um desembarque musculado de fuzileiros da Marinha Portuguesa na praia das Milícias! Tudo símbolos possidentes de uma Portugalidade colonial persistente e com cumplicidades insulares. Porém, nesta crise recente, a maioria dos Açorianos recusou-se a alinhar pelo divisionismo, tendo a decência de se reservar a ajustar contas mais tarde, desde logo nas próximas eleições. Na hora certa, a uma maioria absoluta virá à memória o vexame de ver os Açores no banco dos réus, exibidos como bandidos para gáudio dos dignitários da República. Esquecem estes que as animosidades com a República não são apenas prejudiciais para os Açores, mas também para a própria República. Nestas ilhas não faltam serviços da República ao abandono a quem o Governo Regional e os Municípios dos Açores prestam socorro. Servem de exemplo as viaturas que a Região compra para a GNR ou as obras que os Municípios executam nas esquadras da PSP. No reverso do exemplo, a República de um território contínuo no papel, apesar de promessas empedernidas, é incapaz de pôr mãos à obra para o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, fazendo-nos presumir, como a Nemésio, que ainda “nos tratam como se andássemos de tanga.” Um acinte com a República prejudica todos e ameaça a Autonomia, seja em coisas simples, mas essenciais, como o subsídio de mobilidade para os residentes nos transportes aéreos, seja em última instância em machadadas na Lei das Finanças Regionais. Mas afinal, quem tem medo das Autonomias? Os eternos partidários do absolutismo centralista que Antero de Quental tão bem expôs nas suas causas da decadência dos povos peninsulares. Sem Regiões Autónomas e sem Municipalismo uns poucos seriam mais felizes, mas Portugal ficaria inquestionavelmente muito mais pobre. Nos Açores dignificamos Portugal, mesmo quando Portugal não dignifica os Açores. A Autonomia não é um equívoco, mas um processo contínuo com pergaminhos. Depois do desconfinamento, a bem de todos, venha o desanuviamento entre os poderes instituídos, pois todos temos a ganhar com uma cooperação institucional salutar que justificadamente se retrairá se a crispação se mantiver.

(João Nuno Almeida e Sousa)

in, Açoriano Oriental, 02 de Junho / 2020

açores autonomia ferida osvaldo cabral

Uma Autonomia ferida

Parece cada vez mais consensual que a Autonomia Política que temos não é aquela que todos almejamos.
A constituição de uma CEVERA – a preguiçosa comissão parlamentar para produzir uma reforma da Autonomia – é o exemplo desse descontentamento a nível dos agentes políticos, mas foi preciso uma pandemia para que o povo percebesse que, afinal, quando queremos impor regras cá dentro, em defesa da nossa saúde, o Terreiro do Paço não deixa, alegando a “continuidade territorial” e os travões que a Constituição consagra.
Temos, portanto, uma Autonomia ferida, senão mesmo incompleta, apesar da sua implementação que se confunde com os 16.500 dias de Liberdade, desde Abril de 74.
O mais curioso é que reagimos contra o centralismo conforme os maus humores dos nossos governantes.
Na primeira fase da Autonomia tivemos o protesto original dos “óculos escuros e gravatas pretas”, que depois resultou numa troca de palmadas nas costas e ficou tudo esquecido.
Nesta segunda fase temos uns arrufos e uns recados inflamados, mas depois voltam todos à tradicional submissão a Lisboa e às suas lideranças nacionais.
Faz agora quatro anos Vasco Cordeiro alertou os açorianos para estarem “vigilantes e prontos para os inimigos da Autonomia”, revelando grande preocupação com os “autonomistas de fachada de cá” e pedindo que os açorianos se mantivessem “vigilantes e prontos face aos antiautonomistas confessos de lá”, defendendo, intransigentemente, “a nossa capacidade e o nosso direito de sermos nós, açorianos, os senhores do nosso destino”.
Daí para cá, porque a cor do governo mudou, palmadinhas nas costas…
Nos últimos meses fomos violentamente agredidos na nossa dignidade de escolha perante as provocações de António Costa, Marcelo e o ministro mimado Pedro Nuno Santos.
A submissão com que reagimos a estas atitudes “políticas firmes” diz bem do grau de Autonomia que temos, por mais alertas para estarmos “vigililantes” e sermos “os senhores do nosso destino”.
O Dia dos Açores que assinalamos amanhã nunca foi tão cruelmente representativo como vai acontecer com as cerimónias oficiais, confinadas a uma participação virtual.
Uma Autonomia virtual, que nos vai embalando com o derramar de pacotes de subsídios do Estado e da Comissão Europeia, como vai acontecer mais uma vez, para amolecer os “açorianos vigilantes”.
Até quando não vamos ser senhores do nosso destino?

(Osvaldo Cabral – Diário dos Açores de 31.05.2020)

— with Osvaldo José Vieira Cabral.

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