Portugueses, afinal, quem somos?”

Teço aqui alguns comentários à nota de José Garrido publicada em Apeiron edições. Diz José Garrido: “Apesar da “descoberta” da Guiné pelos navegadores portugueses estar oficialmente datada em 1446 por Nuno Tristão, no período da Regência do Reino por D. Pedro, Duque de Coimbra, enquan…

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Pequena nota sobre o livro de José Garrido “Portugueses, afinal, quem somos?”

Teço aqui alguns comentários à nota de José Garrido publicada em Apeiron edições.

Diz José Garrido:

“Apesar da “descoberta” da Guiné pelos navegadores portugueses estar oficialmente datada em 1446 por Nuno Tristão, no período da Regência do Reino por D. Pedro, Duque de Coimbra, enquanto D. Afonso V não assumia as funções, já há muito (desde o século XII) elementos ligados à realeza, reis e regentes, nomeadamente D. Duarte I, para além de D. Afonso V, de D. João II e também do Infante D. Henrique, todos conheciam a costa ocidental africana através cópias de antigos pergaminhos de origem fenícia, cartaginesa e egípcia, adquiridos pelas Ordens do Templo e de Cristo, e dos contactos estabelecidos pela monarquia com alguns desses povos. D. João II enviou mesmo em 1484 uma embaixada ao Mansa do Mali, Mahmoudou I, que estava em guerra com o rei dos Fulas, Temala (ou Tenguela), para tentar apaziguar a contenda.

Pode-se assim presumir que, muito antes da chegada dos portugueses aos Açores, os fenícios já tinham estabelecido colónias e entrepostos comerciais nas ilhas. Este facto poderá ser corroborado pelas descobertas feitas no século XVI ao terem sido encontradas inscrições fenícias numa gruta na Ilha Terceira, nas Quadro Ribeiras; em 1976, um amuleto com caracteres fenícios na ilha de São Miguel; e, em 2010 e 2011 nas Ilhas Terceira, Flores e Corvo dezenas de hipogeus (estruturas escavadas na rocha e usadas no Mediterrâneo como sepulturas). “

O autor ilustra este post com as imagens da figura 1 (para que conste não fui eu que as facultei: a primeira é da autoria da Professora Manuela Juliano e as outras são da minha autoria, mas também não pedi ao senhor Mário Jorge Costa autorização para usar a foto ou cedê-la a outro). Isso não me incomoda, mas poderá incomodar outros.

Comentário sobre esse texto: Do argumento histórico passa-se para o que possam ser provas da presença fenícia nos Açores. Menciona alguns trabalhos sobre os Açores e aqui apenas quero precisar alguns pormenores para procurarmos com o máximo de objetividade a “história”.

Creio que a grande prova de fenícios nos Açores poderão ser as moedas cirenaicas encontradas no Corvo e descritas por Johan Frans Podolijn.

Não conheço descritas nenhumas inscrições fenícias encontradas no século XVI numa gruta das Quatro Ribeiras na ilha Terceira, pelo que não posso confirmar isso ou negá-lo. De facto foi encontrada nas Quatro Ribeiras um pedra com presumíveis inscrições fenícias, pela Doutora Antonieta Costa e por mim. Trata-se de uma pedra com uma presumível inscrição fenícia (os entendidos nessa escrita não conseguem estar de acordo-ver figura 2). Nessa figura desenho o que me pareceu aí estar, mas não é um desenho preciso. Haveria que decalcar muito bem as depressões dessa pedra que está na posse do Governo Regional. Trata-se de um achado de 2005 e não do século XVI, afirmando de novo que não ponho em causa que possam haver relatos de algo numa gruta nas Quatro Ribeiras.

O desenho do amuleto de São Miguel que me foi fornecido por Paulo Jorge Miranda, (ver figura 3), tem de facto caracteres, mas pelo pouco que conheço das várias escritas púnicas, não me parece que seja fenício.

Nas imagens da Terceira e São Miguel que o autor apresenta, numa das estruturas, parece termos tipologias que parecem fenícias, mas ainda não existem cronologias.

Félix Rodrigues

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cagarros (cagarras)

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