DICIONÁRIO ANGOLANO rápido

DICIONÁRIO ANGOLANO

EM ANGOLA nao tem policia, tem MAGALA,bOFIA ou MALAIKE
ANGOLANA não fica com má aparencia, fica NGAXI ou REBENTADA
ANGOLANO não foge, TIRA VOADO
ANGOLANO não é passageiro, é PAX
ANGOLANO não é mais velho, é KOTA, PAPOITE, MAMOITE
ANGOLANO não vende , PÁYA ou EMPORRA
ANGOLANO tem dinheiro, está BOSSANGA OU FERVE
ANGOLANO não está mal, tá MALAIKE
ANGOLANO nao fala, dá uma DICA
ANGOLANO nao atrapalha, MAIA
ANGOLANO nao é cidadao, é MUADIÉ ou WI
ANGOLANO não tem problema, tem BABULO
ANGOLANO no taxi nao encosta, EMAGRECE
ANGOLANO não goza, ESTIGA
ANGOLANO não é grosso, é CAENCHE
ANGOLANO não Viola, NGOMBELA
ANGOLANO não mente, dá BILINGUE, KATA ou dá JAJÃO
ANGOLANO não bebe cerveja , bebe BIRRA ou PIVEN
ANGOLANO não bebe whisky, bebe MAMBITO
ANGOLANO não tem Dinheiro, tem kUMBU, tem MASSA, tem OS QUE FAZ RIR
ANGOLANO não Viaja, SAPA
ANGOLANO não liga Luz , faz um GATO
ANGOLANO não é diplomata , é NGUVULO
ANGOLANO não escuta música, CURTE OS BRINDES ou SOM
ANGOLANO não trabalha, BUMBA ou BULI
ANGOLANO não luta, BILA
ANGOLANO não curte, TCHILA
ANGOLANO não faz amor, TCHACA, CUNA,PISA, PÉRA,PORÇA ou TIRA UMA AGUA
ANGOLANO não peida, BUFA
ANGOLANO não conquista mulher alheia, TROLA
ANGOLANO não tem moto, tem uma TURRUM
ANGOLANO não é multado , é PENTEADO
ANGOLANO não está aflito , está PAIADO
ANGOLANO não difama , ESTENDE, ZONGOLA
ANGOLANO não tem ressaca , tá OVER
ANGOLANO não vê mulher bonita , vê MBOA
ANGOLANO não tem namorada, tem GARINA…DUCHA….GADAIA
ANGOLANO não fica pobre, fica WAZEBELE ou ANCORADO
ANGOLANO não olha, GALA, MARA
ANGOLANO não tem traje de gala, tem GRIFE
ANGOLANO não pega , CANGA
ANGOLANO não tem rabo, tem MBUNDA, TURUGO
ANGOLANO não tem alguma coisa, tem um BOM MAMBO
Angolano não passa a perna , FACA
Angolano não esturque , PARTE BRAÇO
Angolano não facilita, dá FALIDA
Angolano não tem Mulher ou Namorada , tem DAMA, XKINDOSA,TUCHA,MBOA
Angolano não conquista a mulher, DICA DAMA
Angolano nao e poligamo, é GAJO DE GAJAS
Angolano nao atende funeral, vai ao KOMBA ou OSCAR
Angolano nao faz credito, faz KILAPI
Angolano nao pensa, BANZELA
Angolano nao vai, TIRA O PÉ
Angolano nao diz: tudo bem?, DIZ TASS
Angolano nao rouba, GAMA
Angolano nao ultrapassa, dá MBAIA
Angolano nao morre, dá CALDO ou dá NTUM
Angolano nao estuda, AMARRA
Angolano nao conduz, ele PEGA ou NDUTA
Angolano não come, PITA
Angolano não bebe, CHUPA
Angolano não roça., TARRACHA
Angolano não dança, BAILA
Angolano não toma o pequeno almoço, MATABICHA
Angolano não vai a festa, vai ao BODA
Angolano não veste, TRAPA
Angolano não faz xixi, dá uma SUSSA
Angolano não tem amigo, tem CAMBA
Angolano não tem mama, tem XUXA
Angolano não vai para terra, vai PARA BANDA
Angolano não tem mau hálito, tem DIZUMBA MALAICA! CATINGA
Angolano não Pendura em carros, se MAGWELA
Angolano não faz a bola passar por cima, CABRITA ou DÁ MÉ
Angolano não faz a bola passar entre as pernas, dá DA OVA ou CAGUERO
Angolano não tem sorte/oportunidade, tem FEZADA
Angolano não se Droga, CHUTA-SE
Angolano não é criança, é NDENGÉ
Angolano não passeia, ZUNGA
Angolano não sente frio, sente KAWELO
Angolano não afunda, SMASHA
Angolano não faz musculação, MANGUITA
Angolano não sai à noite, DESBUNDA
Angolano não joga, PÉLA
Angolano não arranja dama, LHE MORREM
Angolano não tem finta, tem VIRA-VIRA.
Angolano não reprova, PICA, XUMBA.
Angolano não telefona, FONA
Angolano não tem fome, tá FOBADO
Angolano não come, PÁPA,PITA
Angolano não é angolano, é MWANGOLÉ
Angolano não é refugiado, é TURÍSTA

postado por elizandra às 12:37
retirado de Diálogos Lusófonos

gramática Kimbundo

19 Setembro de 2014 | 19h18 – Actualizado em 19 Setembro de 2014 | 19h18
Escritor Sebastiao Pedro lança gramática em língua nacional Kimbundo no Dondo

 

http://m.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/mobile/noticias/lazer-e-cultura/2014/8/38/Escritor-Sebastiao-Pedro-lanca-gramatica-lingua-nacional-Kimbundo-Dondo,409192e5-629f-4e16-a9bc-d9b4b5d620eb.html?version=mobile

Dondo – Uma gramática em língua nacional kimbundo da autoria do escritor Sebastião Pedro Cristovão (Mbaxi Dya Kadi), foi lançada hoje, sexta-feira no Dondo municipio de Cambambe, província do Cuanza Norte.

-A Continuar a ler gramática Kimbundo

estória de natal (Manuel de Sousa – Luanda – Angola

Carissimo Irmao Amigo Chrystelo…

Fico imensamente satisfeito em poder compartilhar consigo, seus Conhecidos, Parentes, Irmaos e Amigos, a minha usual Estoria de Natal, a qual serve como Postal de Natal para com todos os que estimo e respeito…

Saudacoes Finais de Epoca Natalina e Desejos de um Bom Ano Novo / Manuel de Sousa – Luanda – Angola

 

 

“Zangão Amarelo-Preto E A Rainha Verde-Vermelho Prateada”

Voava de flor em flor…
Mas, só para me divertir e vigiar as Abelhas, que em seu dia-a-dia, saiam do Cortiço para a quotidiana recolha de pólen.
Eu gostava de acompanhá-las em seus voos à procura de novas flores, no meio dos bosques e dos campos.
Delirava com o rico perfume certas espécies florais e vibrava com a tamanha variedade de cores que se viam em todo o redor.
Como um dos Zangões da mais alta hierarquia entre os Zangões da minha Colmeia e das restantes que compunham a nossa Comunidade de Colmeias, eu era considerado o Chefe da Guarda da Rainha principal, a mãe das Rainhas das restantes Colmeias.
Uma das minhas missões era a de guardar a Colmeia da Rainha Mãe e comandar a Guarda das restantes Colmeias, contra ataques de outros insectos, sobretudo, de outras Abelhas invasoras, Vespas, Formigas e outros.
Outro dos meus trabalhos era o de fertilizar a Abelha-Mestra principal ou Rainha Mãe.

Um belo dia, em um dia em que meus serviços não eram assim tão necessários na organização da Guarda, lá andava eu em um de meus habituais voos exploratórios pelos campos, quando, quase bati de frente numa Abelha que, distraída, quase me abalroara.
Quase parei em pleno voo e gritei em sua direcção, – “Amiga, quase me atropelavas em teu voo distraído!”
Parecendo não me ter ouvido, ela seguiu seu destino…
Nisso, virei-me e voei em sua perseguição, tentando aproximar-me dela.
À medida que me ia achegando, fui-me apercebendo que ela não tinha a habitual cor amarelado-doirado e as faixas pretas intercaladas, usuais nas Abelhas normais.
Era de uma mistura de cores metalizadas e vivazes. A parte de trás do seu corpo apresentava-se num verde prata intenso e na parte da frente, num vermelho fogo metálico.
Contudo, o seu volume e aspecto físicos eram muito semelhantes aos das Abelhas da minha espécie, não faltando as listas pretas.
Quando finalmente me consegui colocar ao seu lado e olhei em seus olhos, quase perdi o equilíbrio de meu voo e quase me despenhei contra a flora à frente.
Lá me recompus e voltei a colocar-me ao seu lado, voando a par dela. Voltei a dirigir a palavra a ela novamente, – “De que Colmeia és tu?”
Ela continuou imperturbável, ignorando-me por completo. Seu voo era firme e determinado e via-se que estava disposta em não ser interrompida por nada.
Dando mais energia às minhas asas, num impulso mais forte, comecei a voar para me colocar a sua frente.
Tentei impedi-la de prosseguir, tendo-lhe dado uma nova ordem, – “Ou páras já e te identificas, ou serei obrigado a deter a tua marcha”

Subitamente e quase que impedida pelo meu bloqueio de continuar em frente, ela desacelerou e falou, – “Eu sou uma futura Rainha de Colmeia”
Foi a minha vez de replicar, – “Mas, que fazes tu aqui no meio de nosso território e de onde vieste?”
– “Sabia pelos odores que, este território, tem um Enxame determinado como dono do mesmo, contudo, não pude evitar atravessa-lo para tentar chegar ao meu objectivo no mais curto de espaço de tempo possível”, respondeu ela.
Continuando, ela disse, – “Se não passar por aqui, encurtando a distancia até ao meu destino, minha futura Colmeia poderá nunca vir a formar-se. Recebi a mensagem de uma de minhas súbditas que, há um Enxame de Vespas, que anda perto do local que escolhemos e no qual estamos a preparar para fazer nosso Cortiço. E se não chego lá a tempo, meu Enxame não terá meu comando e não oferecerá qualquer defesa ou resistência contra as tais Vespas”

  • “Eu sou o Zângão Chefe daGguarda dos Zangões da minha Colónia de Colmeias e não devo afastar-me muito do meu território, pois, posso ser destituído de meu cargo e de até, ser expulso da Colmeia e ser condenado ao desterro”, disse eu.
    Ela, em tom meio desesperado e agitado, foi dizendo, – “Por favor, deixa-me continuar meu voo, pois, quanto mais tempo demorar, pior para a minha futura Colmeia!”
    Ela continuou, – “Já vi que pensas que sou tua inimiga, talvez porque sejamos de cores diferentes!”…
    Por acaso, já me tinha quase esquecido que ela tinha cores diferentes das habituais das Abelhas comuns. Vou e digo-lhe, “Ainda não me respondeste de que Colmeia vens ou onde pertences? Tu nada tens a ver com a nossa espécie e porquê apresentas essas cores metalizadas tão intensas?”
  • “Olha lá, e tu sabes porque és amarelo e preto?”, foi ela dizendo com certa firmeza.
    Fiquei meio desconcertado com essa sua pergunta.
  • “Se não sabes responder, o melhor é deixar que eu siga o meu caminho, pois, já não tenho muito tempo para salvar a minha futura Colmeia”, disse ela com ar desafiante.
    Sem ter ficado muito ciente de mim, abri caminho e deixei-a seguir…

Uns tempos passados mais tarde, estava eu à porta de uma das Colmeias de nosso Enxame, que ora já ia ocupando um largo território, quando vi vários Zangões exploradores chegarem em voos apressados e sem pararem ao pé de mim, irem directo para o interior da Colmeia para junto da Rainha Mãe. No inicio não liguei muito ao assunto, porque já era de certa forma habitual, que viessem outros Zangões e voassem directamente até à presença da Rainha, para a fertilizarem também. Quando acabavam de praticar o ritual da fertilização, voltavam a sair para os seus postos de guarda, fosse lá onde fosse.
Mas, esse encontro estava revelando-se algo muito diferente. Em função do que eles tinham comunicado a Rainha, ela começou a emitir um zunido vibratório muito intenso, que era usualmente utilizado para reunir os Zangões à sua volta. Algo de grave estava a acontecer!
Quando me acheguei à Rainha, já uma parte dos Zangões tinha estado em sua presença e de imediato partiam para o exterior da Colmeia. A eles, outros Zangões das Colmeias vizinhas se juntavam num autentico exercito aéreo.
Mal entrei em contacto com a Abelha Mestra Mãe, ela foi-me transmitindo a razão do que levava a tal alerta mobilizativo. Havia uma enorme força de Vespas vindas na direcção de nossas Colmeias e havia que as tentar travar muito antes que elas conseguissem atravessar o nosso território e lhes fosse permitido entrar nas Colmeias, o que seria o provavel fim para de algumas delas, senão para todas.
As Vespas costumavam vir em formações cerradas e atacavam tudo à sua passagem sem dó e nem piedade. Uma Vespa, de tamanho muitas vezes maior, conseguia lutar contra dez ou mais Abelhas de uma só vez e despedaçá-las. Milhares de Abelhas morriam em tais arrasadores ataques. Muitas vezes, eram tão avassaladoras que, conseguiam penetrar nas Colmeias e dominar e destruir as Rainhas. Com isso, dominavam e destruíam por completo as Colmeias. As Abelhas que sobravam, acabavam sucumbindo mais tarde, votadas à sua sorte, ao abandono e à fome certa.

 

Ouviram-se os primeiros zumbidos aterradores ao longe. Os Zangões, acompanhados de Abelhas trabalhadoras comuns, que reforçavam a defesa, moviam-se na direcção da nuvem ameaçadora, que agora, já se visualizava claramente. O roncar do voo colectivo das Vespas era de tal ordem, que muitas das Abelhas e alguns dos Zangões, pura e simplesmente, assustadas, fugiram em direcção às nossas Colmeias.
As primeiras Vespas estavam perto de mais, e já não havia outro remédio que não lutar até à morte. Organizei pequenos esquadrões mistos de dez Zangões e dez Abelhas para atacar cada Vespa.
Assim que as primeiras chegaram, voamos em formação compacta na direcção das que vinham à frente, tentando barrar as primeiras. Um Zângão ía a uma das patas, outro a outra pata, outro a uma das asas e outro ainda, a uma antena e assim por diante. As Abelhas iam espetando seus ferrões nas partes mais moles dos corpos das Vespas, entre as suas cascas duras. Uma a uma, as Vespas da frente iam caindo. Junto com elas caiam alguns Zangões e Abelhas, também despedaçados pela força muito maior das Vespas. A batalha começava a ficar desequilibrada, com as Vespas em grande numero e força, a conseguirem perfurar as nossas linhas defensivas.
Ao longe, via-se a agitação crescente nas entradas das Colmeias. Muitas das Vespas já lá estavam a desbaratar as Abelhas que tentavam defender as entradas de acesso ao interior das Colmeias.
Depois de muita luta e alguns ferimentos, decidi fazer recuar a força dos Zangões para as entradas, sobretudo das Colmeias que pareciam estar ainda intactas e de ter alguma hipótese de defesa.
Muitas Abelhas voavam tontas e confusas para fora das Colmeias, não sabendo mais o que fazer e nem como reagir. À medida que as Vespas iam tomando as Colmeias, iam deixando uma onda de caos e destruição nos seus interiores. Elas vinham para invadir as Colmeias, destruir as Rainhas de cada Colmeia e para comer as larvas e o mel dos favos.

Algumas já haviam chegado à entrada da Colmeia onde estava a Rainha principal, a que eu defendia, desde que era o Chefe da Guarda. Quando aconteciam tais ataques, Abelhões e Abelhas concentravam-se em desviar a atenção dos atacantes para as outras Colmeias, onde havia Rainhas mais novas, procurando defender em ultimo lugar, reduto da Rainha das Rainhas, como estava agora acontecendo.
Apesar de nossa defesa ser impressionantemente compacta e firme na luta, algumas Vespas haviam conseguido mesmo meio feridas, penetrar nas Colmeias. Algumas de tão fortes, pareciam não sentir os mais de 20 ou mais Zangões e Abelhas agarrados a seus corpos. Mais pareciam tanques em marcha imparável rumo ao objectivo, que era o centro da Colmeia e a Abelha Mãe.
Já quase dados por vencidos e débeis pelas feridas da batalha atroz, ouvimos um zumbido fraco primeiro, para depois, mais parecendo um autêntico trovão, vermos no horizonte próximo, um enorme Enxame multicolorido prateado, reluzindo contra os raios de Sol. Parecia mais um foguete ou um raio sem forma definida, vindo em nossa direcção. Ainda cheguei a pensar o que mais seria aquilo, depois de estarmos quase destruídos e derrotados, que nos estaria prestes a cair em cima! Não demorou muito para que a respostas chegasse.
Como balas passando por nós, dividindo-se várias direcções, rumo também a outras Colmeias, aquilo que pareciam ser Abelhas de tom verde e vermelho prateado, reluzentes, mergulhava no que restava da batalha e atirava-se com um vigor desmesurado contra as Vespas. Nunca antes havia visto tanta coragem e determinação numa batalha. As Vespas, uma a uma, iam caindo desfeitas no chão. Outras, meio moribundas pejavam o solo, arrastando-se para o mais longe possível, algumas sem patas ou asas.
A meio da destruição e do caos da intensidade da batalha, alguma ordem foi começando a surgir. Ali, olhei para uma determinada Abelha, que me parecia estar no comando destas tais Abelhas verdes e vermelhas prateadas, e à medida que ela se foi aproximando de mim, vi logo que se tratava da Abelha com quem me cruzara uns bons tempos antes…

 

  • “Amigo Abelhão, sou eu a Abelha que deixaste passar, que para ti não passava de uma estranha, por ter aspecto diferente do teu. Estas vespas eram as mesmas que andavam rodando naquela ocasião a Colmeia que eu estava constituindo. Consegui lá chegar a tempo, depois que e deixaste passar, para organizar a nossa defesa. Como ainda estávamos a formar a Colmeia, tivemos que arranjar formas de despistar as Vespas, que tinham uma força considerável, disfarçando e camuflando o melhor que pudemos o nosso Cortiço. Tapámos as entradas com barro e como nós fazemos as Colmeias nas encostas de terra, foi fácil de dissimular a nossa. Assim, elas procuraram, mas, nem sequer o cheiro conseguiram detectar, pois, também produzimos certas hormonas que confundem outros insectos. No entanto, as Vespas formaram Colónias não muito longe de nossa Colmeia, tornando-se um perigo constante. Contudo, quando vimos que elas estavam começando a rondar vosso território, sentimos que elas vos atacariam um dia. Quando vimos que nos tínhamos multiplicado o suficiente e nossa Colónia era já grande e poderosa, decidimos vir juntar-nos a vocês. Contudo, elas foram mais rápidas e chegaram cá primeiro, não tendo conseguido evitar que uma boa parte de vossas Colmeias e Rainhas tivesse sido destruídas por elas!”, disse com ar altivo, aquela que parecia falar com um certo ar de Rainha dessa tais Abelhas misteriosas.
    Cansado se muito ferido, perguntei, – “Porque vir em nossa ajuda, quando as lutas com as Vespas causam sempre muitas vitimas, levando quase sempre à derrota das Abelhas, mais pequenas?”
    Ela respondeu, -“Já naquela altura te havia demonstrado que eu era um Rainha e tu, apesar da duvida e de eu não ser da tua espécie, deixaste-me passar, permitindo que eu salvasse as minhas Abelhas e a minha futura Colmeia, pelo que, em retribuição, decidi fazer algo por ti e pelas tuas Abelhas, vindo em socorro de vossas Colmeias. Agora, é hora de limparmos as Colmeias e de te ajudarmos a reorganizar as mesmas, antes de partirmos”.

 

Depois de inspeccionados os danos e de termos levado Abelhas e Vespas mortas para um lugar afastado, concluímos tristemente que, todas as Abelhas Rainhas das restantes Colmeias da nossa Comunidade haviam sido mortas, à excepção da Rainha das Rainhas. Contudo, aquela estava agora moribunda, devido aos ataques sofridos por algumas das Vespas que furaram as nossas defesas. Ficamos meios desesperados e sem saber o que fazer. Quase que decidimos a meio de tanta desolação e destruição, abandonar as nossas Colmeias e ir à procura de outras Comunidades de Abelhas algures, onde nos pudessemos integrar. Muito provavelmente, só os Zangões, devido a seus papéis reprodutores, seriam aceites. As Abelhas trabalhadoras não seriam tão facilmente aceites e acabariam por sucumbir algures dispersas e perdidas pelos campos. Seria o fim da nossa Comunidade como tal.
Não perdendo a cabeça, decidimos acompanhar a Rainha verde e vermelha prateada de volta à sua Colmeia, em tom de agradecimento, e isto também, porque ela aceitou gentilmente ceder-nos uma nova Rainha, que estava sendo formada em sua Colmeia e que, teria a função de desmultiplicar-se por outra futura Colónia, mas que, neste caso, viria connosco para nos ajudar a repopular as nossas Colmeias. Quando nos despedíamos, a Rainha verde vermelha prateada, em tom totalmente nobre, olhando para mim em meus olhos, virou-se para as suas Abelhas, dizendo, – “Queridas Filhas e Filhos da minha Colmeia, hoje será o dia em que vós sereis autónomos e em que terão uma nova e jovem Abelha Mestra a comandar-vos. Ela já esta formada e será ela, a partir de hoje, a vossa nova Rainha. Eu, por opção minha, vou ajudar estes nossos amigos e aqui o meu amigo Zângão amarelo e preto, a formar as Colmeias e a dar continuidade às Comunidades de suas abelhas. Houve uma festa naquele momento, com mel e geleia real posta a disposição de todas as Abelhas, anfitriãs e visitas, que comeram até se fartarem. Após isso, partimos com a nova Rainha Mãe de volta à nossa Colónia Colmeias…

 

A meio do caminho, a Rainha verde e vermelho prateado virou-se para nós, – “Só há um senão, e que vós estais ainda a tempo de corrigir e decidir ser será ou não certo que o que irá acontecer daqui para a frente!”
Fiquei meio atónito e perguntei, – “E o que será que nos levará tomar outra decisão diferente?”
Amigo Zângão amarelo e preto, – “Na verdade, nunca me saíste da cabeça e desde aquela vez, que me apaixonei por ti. Contudo, por seres diferente e pertenceres a uma Comunidade distinta de Abelhas, pensei que nunca seria possível nós um dia virmos a ficar juntos e a formarmos uma nova Comunidade! Mas, parece que isso estarás prestes a acontecer agora. Como disse, há um senão! Que, é o de sermos diferentes e de que, a partir daqui, todas as Abelhas e Zangões que eu conceber, mesmo sendo fertilizados por ti e pelos restantes Zangões, terão particularidades minhas e vossas misturadas. Seremos portanto, ora em diante, uma nova espécie de Abelhas verde-vermelho e amarelo-preto com tom prateado ou doirado. Portanto, se ainda me quiserem aceitar, tudo muito bem! Mas, se acharem que isso não está bem, pegarei em alguns de meus Zangões, e partirei com eles para fundar novas Colónias de minha espécie?”
Eu, olhando para as Abelhas e Zangões da minha Colónia de Colmeias, virei-me solenemente para a Rainha verde e vermelho prateado, – “Continuemos nosso voo, pois, também eu na ocasião me havia apaixonado por Sua Majestade…e agora que a temos connosco e precisamos de si, não vamos desistir de nossas sobrevivências, seja com a criação de uma nova espécie de Abelhas ou não. Pelo contrário, será para nós uma honra, que sejamos a partir de agora uma espécie misturada com aquelas que nos

salvaram da morte e da extinção certa. Viva a Rainha….”…

 

Nascia assim uma nova espécie de Abelhas. E a partir dali, passava tambem a existir, os melhores mel e geleia real que jamais haviam sido produzidos por qualquer espécie de Abelhas até ali existentes…

 

Pequena Estoria alusiva ao Natal, escrita em Luanda, Angola, a 23 de Dezembro de 2013, por Manuel JFD de Sousa, em Homenagem a todas as Crianças de Angola e do Planeta Terra e a Paz e a Liberdade dos Povos…

 

 

CABINDA independente quando?

5.1.2014 Vontade de independência de Cabinda está generalizada, diz padre Raul Tati

Vontade de independência de Cabinda está generalizada, diz padre Raul Tati

A vontade de independência de Cabinda «está generalizada» entre a população, mas a luta armada não é opção para os cabindas, defendeu em entrevista à Lusa o padre Raul Tati, antigo vigário-geral da Diocese do enclave.

Raul Tati mantém a combatividade que no passado o levou várias vezes para a prisão por defender a independência de Cabinda e foi para manter viva a memória dessa luta que lançou há dias um livro sobre o papel da Igreja Católica naquele conflito.

Ao longo de 400 páginas, em «Cabinda – Percurso histórico de uma igreja entre Deus e César – de 1975 a 2012», o padre Raul Tati apresenta pontos de vista, documentos e testemunhos do envolvimento de religiosos e leigos na luta pela autonomia do enclave.

Diário Digital / Lusa

poesia ONDJAKI

“Talvez o princípio fosse a chuva assim descendo sobre a terra para a cobrir de lama fértil e cogumelos. A chuva costuma anunciar-se de longe e avança sobre a distância ligando o chão gretado da seca e dos tempos. A chuva sara o próprio ar e é mãe, pai, tecto, templo para todos os viventes grandes e pequenos. Cai sobre a terra ávida vinda não se sabe bem de onde e lambe-lhe as cicatrizes até criar vida de novo a cada ciclo de vento e terra.
De onde eu venho a chuva usa uma voz fininha para falar uma língua de sopros, rente-ao-chão e faz crescer com a lava dessa voz o mundo em volta. Os miúdos aprendem cedo a conhecer os sons da fala, a forma como muda na dobra do vento. (…)”
… [paula tavares, “como veias finas na terra”, ed. Caminho, p.30]
Ondjaki Ondjaki isto, sim, é poesia. em força. (está disponível em portugal, pela Caminho. no brasil, saiu pela PALLAS, que reúne a obra completa da autora.)
  • Ondjaki Ondjaki isto, sim, é poesia. em força. (está disponível em portugal, pela Caminho. no brasil, saiu pela PALLAS, que reúne a obra completa da autora.)

as mukandas do kota kandimba e a mulemba

retirado de diálogos lusófonos

 

Em memória do grande jornalista angolano huambino, Sebastião Coelho, passo parte de uma matéria que os amigos carinhosamente definem como as mukandas do kota kandimba
Quem nos conta a história é Sebastião Coelho, famoso jornalista huambino que nasceu em 1931 e morreu em 2002. Conta-a num texto datado de 2000, «A Mulemba da maldição».
 A mulemba da maldição
SEBASTIÃO COELHO,1931-2002
“…quando a mulemba secar, o Huambo vai desaparecer,
 destruido pelos seus próprios filhos. E as riquezas
 do solo não serão para ninguém…”
 MULEMBEIRA
 DA MALDIÇÃO DE ALBANO CANTO DOS SANTOS, dos anos 20
Nasci noutro bairro, mas, durante certo tempo da minha adolescência, vivi ao lado do campo de futebol do Sporting do Huambo. A minha rua estava coberta de jacarandás.
Quando floresciam, lançavam sobre o pavimento um manto de flores lilazes, que amanheciam orvalhadas e estalavam, fofas, debaixo dos pés. Gostava de ver os jacarandás vestidos de flor, quando perdiam todas as folhas e as pétalas chuviscavam sobre as nossas cabeças, abanadas pelo vento suave do entardecer. Depois, já murchas,
aninhavam-se ao longo dos muros em extensos cordões, deixando lugar para as flores novas. Eram milhões de flores que caiam em cada dia, as árvores envaidecidas a mostrar, cada uma delas, a sua pujança de vida.
Do outro lado da rua e além do aterro por onde passa o combóio, seguro de si e do seu caminho, estava o roseiral, acompanhando a via, encaixado entre esta e os cedros da sebe. Ultrapassado o muro verde, estendia-se, interminável, no sentido este-oeste, a avenida do Colete. Do colete, porque todas as casas estavam só de um lado. Incluindo a
Igreja Catedral, que estava em construção. As árvores da avenida eram acácias, que também brincavam de primavera, mas não perdiam as folhas, que pareciam mais verdes quando os ramos de flores brancas, amarelas, vermelhas ou alaranjadas, espreitavam pelo meio, a encher o ambiente de cores e olores.
O festival das rosas desafiantes de orgulho e de perfume, acompanhava a avenida para um lado e para o outro. A caminho da alta, logo depois da passagem de nível, havia um pequeno bosque e a seguir, os olhos embrenhavam-se no mundo dos cosmos, espectacular mancha de cores amontoadas de flores garridas que nem paleta de Matisse.
Sem perfume, mas de grande beleza. A avenida 5 de Outubro, a tal do colete, nascia na baixa, na continuação da estrada da Pauling e São João e terminava na alta, no cruzamento próximo das casas do Samacaca, onde se dividia em duas.
Quem tomasse pelo lado esquerdo, desfilando ao longo das casas do Samacaca ,desembocava nos anéis concentricos do jardim da alta. Continuando para a direita, ali perto estava o edificio do velho Teatro Peairo, que o tempo transformou na “Fábrica de Moagem”, onde tinha início a avenida Ferreira Viana, ladeada de casuarinas. Mas
abaixo desenrolava-se o projecto de avenida, sem nome e sem casas que terminava cruzando para o outro lado da linha do CFB, para transformar-se na estrada da Caála. Também era o caminho do Matadouro e o caminho do Cemitério.
Foi aqui, entre o Matadouro e o Cemitério, que eu nasci, numa pequena chitaca  dos arredores da cidade. Era longe para irmos ao “Ambo”, como diziamos, embora nesse tempo já se chamasse Nova Lisboa. Durante anos fiz esse percurso de muitos quilómetros, a pé ou em bicicleta. A alternativa era usar a berma da linha do combóio, que estava proibida para bicicletas. Ou, então, a pé, por um carreiro de gentio, atravessar a sanzala do Karilongue e descer e subir as empinadas encostas do rio, que se cruzava a vau. Ir e voltar do “Ambo” era uma viagem longa e cansadora de três a quatro horas, segundo a pressa e as pernas de cada um.
Nova Lisboa foi o nome com que a rebatizou o coronel Vicente Ferreira, ao decidir que a capital de Angola devia situar-se nesse ponto estratégico do Planalto Central. A lei ou portaria com a transferência de nome e da capital surgiu no Boletim Oficial no dia 21 de Setembro de 1927. Desde aí, esta data tornou-se o dia da cidade que só foi capital no papel, mas sempre foi cidade, porque nasceu cidade, a 12 de Agosto de 1912, por decisão do Alto Comissário da República Portuguesa, general Norton de Matos.
Acabava de chegar ao lugar o que seria o grande impulsor do progresso da região, o Caminho de Ferro de Benguela. Para celebrar o acontecimento, o general deslocou-se ao Huambo a fim de anunciar, pessoalmente, “in loco”, a fundação da nova cidade. Ele mesmo, de pé, sobre a tarimba montada frente ao barracão pomposamente designado
gare ferroviária, leu o auto fundacional, na presença dos primeiros habitantes europeus da cidade, dois homens e uma mulher. Logo a seguir e ali mesmo, o Alto Comissário lhes entregou, em mão, o rascunho da planta da nova urbe, traçado pelo seu próprio punho.
Dados geográficos, orográficos e hidrográficos de notavel precisão documentavam o projecto. A cidade seria implantada a sul da ferrovia, alcandorada sobre a linha divisória de águas da região. Não registava nenhum povoado nesse lugar e apenas dava conta da existência de uma incipiente mina de diamantes. As sanzalas importantes,pertencentes ao forte sobado do Huambo, estavam anotadas e dispersas pelos arredores.
Havia a embalada do soba grande da Kissala, a duas léguas a ocidente, a do sobeta Sanjepele, três léguas ao norte e a do Sumi, a umas cinco léguas a sul.
As sanzalas do Kalumanda, Karilongue, Kanhé, Kakeléua, Sakaála, Mukolokolo, Bomba e outras por aí, apareceram depois e foram bairros periféricos com entidade própria e nenhum aspecto de musseque. Os deterioros e a expansão incontenivel, são posteriores a esse tempo de que vos falo, quando o Paulino leiteiro ainda ia de casa em casa para entregar as bilhas de leite fresco. A lenha e o carvão chegavam na carroça do Sô Domingo, avisando: -“Toc, toc, toc.Cravão,Cravão-mé sióra ! “O rio da Granja era rio de água cristalina, que regava as hortas do Figueiredo e dava nome à única via alternativa entre a alta e a baixa. O grande “boulevard”, de duzentos metros de largura, era tão amplo que a vista curta das autoridades não suportou o desafio e o reduziu a um quarto.
Quem nos conta a história é Sebastião Coelho, famoso jornalista huambino que nasceu em 1931 e morreu em 2002. Conta-a num texto datado de 2000, «A Mulemba da maldição».
Um velho branco, Albano Canto dos Santos, provavelmente pioneiro da instalação dos portugueses nas terras do Wambo, casou-se com a filha do soba local. Esperava encontrar muitos diamantes e que um dia o seu filho se tornasse também soba. Plantou uma mulemba para o dia em que ele o fosse, pois à sua sombra reina também o soba. A mulemba cresceu, tornou-se frondosa e, portanto, tudo indicava que a sua esperança iria realizar-se. Os amigos, porém, combinados, puseram uns vidros no rio onde ele mandara escavar um buraco (junto à fonte) à procura dos diamantes. Convencido de que os tinha encontrado, foi confirmar tudo com o farmacêutico que, fazendo parte da tramóia, lhe disse que eram mesmo diamantes o que ele encontrara. O velho colono convocou uma grande festa, com refeição e tudo, para comemorar com os amigos. No final da refeição alguém lhe conta a verdade. Condoído, isolou-se, ficou doido, subia aos ramos da mulemba contemplando a mina e um dia enforcou-se.
Deixou uma carta e vale a pena transcrever esta parte do testemunho de Sebastião Coelho:
Na carta, delirante e profética, que escreveu e que teria sido encontrada junto ao tronco da árvore, pedia para ser enterrado ali, ao lado da mulemba, pois, se assim não acontecesse, a sua alma, inquieta, voltaria para vingar-se: … e quero o meu corpo a alimentar as raízes da árvore que eu plantei, quero que os meus sumos penetrem nesta terra e se juntem, lá embaixo, com as riquezas que não encontrei, mas que existem.
Com elas sonhei transformar este país rico e de gente pobre, num rico país para toda a gente. Sonhei ver o meu filho mulato Pedro Evango, feito soba do Huambo, sentado à sombra deste pau sagrado, criar uma nação próspera e feliz, mistura de várias raças.
Fui atraiçoado pela pior traição, a traição dos amigos e da confiança. Se me atraiçoarem de novo, saibam que esta mulemba vai secar e quando a mulemba secar, o Huambo vai desaparecer, destruído pelos seus próprios filhos. E as riquezas do solo não serão para ninguém… tudo será ruína e desolação!
Infelizmente, Sebastião Coelho não regressou ao Huambo,em Angola, para ver se a mulemba secou. Lembrou-se ele, na falta disso, da destruição que a cidade sofreu com a guerra civil, sobretudo no início de 1993, na famosa batalha dos 55 dias e depois na recuperação da cidade pelas forças governamentais. Mas os acontecimentos que nos narra se deram em um tempo recuado o suficiente para a lenda de Albano Canto dos Santos circular pela cidade. O próprio Sebastião Coelho a ouvira na sua meninice. Da meninice do Huambo, a estória podia espalhar-se para mais cidades, nada inédito em Angola.
Mulembeira em Angola é a “árvore da sabedoria”, o lugar tradicional da iniciação dos mais novos na sabedoria dos mais velhos
Árvore frondosa muito comum em Angola
Mulemba, Ficus Psicolopoga Welw. ex Warb, Ficus Sicomurus, Phyllantus stuhlmannii Pax, Ficus thoningii Bleim. Nos Dicionários de Kimbundu – Português, Mulêmba, pl. Milêmba, com o sinónimo de Incendeira. No Dicionário Cokwe – Português~, existem várias entradas para o radical Lemba – «uma árvore frondosa de que se extrai o visco para apanhar pássaros(Ficus Welwitschii); Lemba- oração, prece, súplica e ainda Lemba – antepassado, maior, avô, ancião. Com a grafia mulemba mas o sinónimo de Ensandeira ocorre em Cadornega, Tomo I, p. 818 – «É a árvore chamada em Luanda e seu interior ensandeira. Esta árvore é chamada no Congo nsanda; desta palavra fizeram os portugueses no Congo a palavra ensandeira, a qual palavra transitou para Luanda e ali se continuou a usar». Para as regiões do antigo reino do Ndongo « a permanência e a união dos grupos de parentesco e a sua ligação com os antepassados múndòngò passaram a ser asseguradas pela árvore mulèmbà, que passou a ser plantada no centro de cada nova aglomeração», Cf. Virgílio Coelho, Em Busca de Kábàsá…, p.143 . Carvalho, Ethnographia ,p. 93, atribuição do título Capenda- cá-Mulemba, deveu-se à grande abundância de árvores Mulemba (Ficus elástica) na região. Sesinado Marques, companheiro de viagem de Henrique de Carvalho, no seu Os Climas e as Produções de Malange à Lunda, também a considera e classifica, sublinhando a sua importância, a seu ver injustificada, como panaceia para múltiplas doenças, p. 45. Múlê : mb «simboliza a perpetuação do título político… para os Lunda e para os Lwena também, os dois termos para árvores Lannea – muyomb e mulemba – diferem na medida em que a primeira é predominantemente um símbolo ligado aos ancestrais, enquanto que a segunda se liga directamente à chefia», Hoover, Seduction, p. 575. «Árvore sagrada da maioria das etnias do ‘nordeste’. O lugar desta árvore na cultura tsokwé e Lunda é muito importante.
Todas ou quase todas aldeias têm uma mulemba que normalmente assinala o lugar da fundação. É debaixo dos seu ramos que frequentemente se discutem os grandes problemas, se faz justiça, se recebem os visitantes de honra, se dança, etc. Foi sob uma mulemba que Lweji recebeu pela primeira vez o seu futuro esposo, o grande caçador Tshibinda Ilunga», Mesquitela Lima, Fonctions, p. 305, 306. Areia, Les Symboles…,p. 395, afirma que no nordeste a mulemba é por excelência a árvore ligada ao culto dos antepassados. Citando um dos seus informadores, quando apontava a figurinha Kuku do cesto de adivinhação, diz: “Isto é o Lemba, uma pessoa de outro tempo, a mulemba é para lembrar o Kuku. Outro dos informadores apontando as árvores alinhadas ao lado de sua casa afirma ali residirem os antepassados e daí a existência de duas árvores, uma dos homens e uma das mulheres. Vancina em How Societies…, pp.239, 240, e nota 98, sublinha a importância da mulemba como árvore ancestral, sem relação, do ponto de vista das raízes linguísticas com lemba- lémbà- o mais velho de todos os residentes irmãos da mãe.

 

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