Luaty Beirão, Mayra Andrade e Paulina Chiziane entre 100 personalidades negras influentes da lusofonia – Observatório da Língua Portuguesa

Luaty Beirão numa palestra em Óbidos, a 11 de Dezembro de 2016. Lisboa, 13 dez 2021 (Lusa) – O angolano Luaty Beirão, a cabo-verdiana Mayra Andrade e a moçambicana Paulina Chiziane (Prémio Camões de 2021) figuram na primeira edição da “100 Power List”, que junta as personalidades negras mais influentes da lusofonia, iniciativa da revista […]

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EVANILDO BECHARA PATRONO DOS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA DESDE 2007

No photo description available.
«(…) A democratização do ensino consiste em que o professor não acastele o seu aluno na língua culta, pensando que só a língua culta é a maneira que ele tem para se expressar; nem tampouco aquele professor populista que acha que a língua deve ser livre, e portanto, o aluno deve falar a língua gostosa e saborosa do povo, como dizia Manuel Bandeira. Não, o professor deve fazer com que o aluno aprenda o maior número de usos possíveis, e que o aluno saiba escolher e saiba eleger as formas exemplares para os momentos de maior necessidade, em que ele tenha que se expressar com responsabilidade cultural, política, social, artística etc.
E isso fazendo, o professor transforma o aluno num poliglota dentro da sua própria língua. Como, de manhã, a pessoa abre o seu guarda-roupa para escolher a roupa adequada aos momentos sociais que ela vai enfrentar durante o dia, assim também, deve existir, na educação lingüística, um guarda-roupa lingüístico, em que o aluno saiba escolher as modalidades adequadas a falar com gíria, a falar popularmente, a saber entender um colega que veio do Norte ou que veio do Sul, com os seus falares locais, e que saiba também, nos momentos solenes, usar essa língua exemplar, que é o patrimônio da nossa cultura e que é o grande baluarte que esta Academia defende.»
Shusan Liurai and 2 others
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GERMANO ALMEIDA, LUSOFONIA, CONTRADIÇÕES

LUSOFONIA DEFINIDA PELA AICL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA

a LUSOFONIA que abarca os que falam, escrevem e trabalham a língua, independentemente da cor, credo, religião, nacionalidade, naturalidade ou ponto de residência. Esta visão visa incluir todos, numa Lusofonia que não Lusofilia nem Lusografia e muito menos a Lusofolia que, por vezes, parece emanar da CPLP e outras entidades.

A Lusofonia é uma capela sistina inacabada; é comer vatapá e goiabada, um pastel de bacalhau ou cachupa,

regados com a timorense tuaka ao ritmo do samba ou marrabenta; voltar a Goa com Paulo Varela Gomes, andar descalço no Bilene com as Vozes anoitecidas de Mia Couto, ler No país de Tchiloli da Olinda Beja, rever os musseques da Luuanda com Luandino Vieira, curtir a morabeza cabo-verdiana ao som De boca a barlavento de Corsino Fontes, ouvir patuá no Teatro D. Pedro IV na obra de Henrique de Senna-Fernandes e na poesia de Camilo Pessanha; saborear a bebinca timorense em plena Areia Branca ao som das palavras de Francisco Borja da Costa e Fernando Sylvan, atravessar a açoriana Atlântida com mil e um autores telúricos, reencontrar em Salvador da Bahia a ginga africana, os sabores do mufete de especiarias da Amazónia, aprender candomblé e venerar Iemanjá, visitar as igrejas e casas coloridas de Ouro Preto, Olinda, Mariana, Paraty, Diamantina, e sentir algo que não se explica em Malaca, nos burghers do Sri Lanka, em Korlai ou no bairro

dos Tugus em Jacarta. É esta a nossa lusofonia.

(Chrys Chrystello abril 2019)

Germano se não sentes nem partilhas isto não venhas aos nossos colóquios….chrys chrystello

Carlos Fino

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GERMANO ALMEIDA NEGA EXISTIR CULTURA LUSÓFONA
“Não gosto muito da expressão lusofonia. Somos escritores de diversos países que usam a língua portuguesa como língua de contacto, como língua de expressão, mas não é uma cultura lusófona.”
Escritor cabo-verdiano Germano Almeida não gosta da expressão "lusofonia"
OBSERVADOR.PT
Escritor cabo-verdiano Germano Almeida não gosta da expressão “lusofonia”
“Somos escritores de diversos países que usam a língua portuguesa como língua de contacto, como língua de expressão, mas não é uma cultura lusófona.”
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  • Carlos Manuel Costa Almeida

    Este não parece perceber como é que lhe surgiu a língua que fala. Foi errado dar-lhe o Prémio Camões? Se calhar foi. Mas tê-lo recebido é que foi seguramente.

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  • António Carlos Maggiolly

    Vem na sequência de uma declaração idêntica de desagrado feita em países da América do Sul de língua espanhola, por serem conhecidos por países hispânicos, um termo colonialista segundo eles.

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  • MJoao T. R. Freire

    A ser de facto deveria ter recusado o prémio. Deve ser uma tentativa egocêntrica para ganhar protagonismo com a designação de orografia. Ninguém e mto menos a Lusofonia pretende o seu reconhecimento no passado que tenha alguma vez sentido portug…

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  • João Mateus

    Podia ter recusado o prémio

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  • Humberto Correia Santos – Hcs

    Pois então, NÃO devia ter recebido o Prémio Camões – devia, educadamente, limitar-se a recusá-lo !!!
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  • Manuel Ant

    Tem certa razão. Quem reescreve a história (não eu) não pode admitir cultura lusófona. Não pode admitir uma cultura lusa multicultural. E de facto não existe: uma é moçambicana, outra angolana, outra guineense, outra cabo-verdeana, outra cabindense, outra santomense, outra brasileira, outra timorense, outra macarnse e até outra indiana… e outra é lusa, portuguesa. E algumas já mescladas de URSS (sem dostoievky ou soljenitsyn) e de Chino Mao. Lusófono (luso+ fono (som, palavra, língua) é a língua comum, e só. Também Não há uma “cultura anglófona“ ou “russófona”. Ou não? Afinal o que é uma ou a “cultura”?
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  • Jose Forbes de Bessa

    Mas querem viver em Portugal

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  • Xano Neves

    Luso grafos???? Fala e escreve português porque calhou, podia falar francês, árabe ou berber e não fazia mal nenhum! Aliás, a palavra mais apropriada é paradoxo, tem uns tiques de lusofobia mas fala português!

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HÁ 4 ANOS O QUE É A LUSOFONIA, nos 20 anos da CPLP, julho 2017

1.1. O QUE É A LUSOFONIA, nos 20 anos da CPLP, julho 2017

 

“Não tenho culpa de ter nascido em Portugal e exijo uma pátria que me mereça” (Almada Negreiros)

 

Escrever é fácil: comece com uma maiúscula e termine com um ponto final. No meio, coloque ideias. (Pablo Neruda)

 

“Somos um grande povo de heróis adiados, partimos a cara a todos os ausentes…somos incapazes de revolta e agitação… (Fernando Pessoa,”Obras em Prosa”, Círculo dos Leitores, III vol. p. 292)

 

1.

Vivi, convivi e aprendo ainda a coabitar com lusofalantes, dos Orientes exóticos “Que o Sol em nascendo vê primeiro” [Divisa de Timor Português em eras coloniais} que mitos salazarentos criaram aos orientes menos exóticos que a revolução do 25 de abril (1974) esqueceu. Pugno pelos filhos que falam português qualquer que seja o país em que nasceram ou vivem, mas constato que encontrei mais estrangeiros interessados em apoiar iniciativas de preservação da língua portuguesa do que nativos da mesma. Criamos novos mundos e redescobrimos outros, sem jamais identificarmos a mesquinhez desta nossa maneira de ser que nos faz sentir grandes – talvez até maior do que somos, quem sabe? Agora que o grande desafio do século XXI nos confronta maior que um Adamastor, importa afirmar aquilo que imodestamente nunca fizemos, nem mesmo quando o Português era a língua franca de todos os comércios do mundo. Precisamos de manter viva a nossa língua e vamos precisar de todos, especialmente daqueles que forem capazes por artes e engenhos de assumir iniciativas arrojadas: que o façam sem ser em busca de louvaminhas ou encómios, sem ser em busca da vã glória e fama fugaz de que se fazem tantas carreiras, sem ser em busca de usura ou lucro. É preciso gente dedicada, mesmo com fama e nome ou simplesmente anónimos como os trabalhadores que quotidianamente constroem o nosso meio ambiente. Não precisamos apenas de iniciativas arrojadas, mas revolucionárias, mesmo que os formatos sejam os tradicionais: simpósios, conferências, seminários, colóquios, ou o de meros boletins informativos (eletrónicos ou impressos), capazes de captar ouvintes e leitores com a língua de origem lusófona que adotamos ou queremos como nossa. Mesmo que sejam os políticos bem-intencionados, mas deles não queremos as vãs e bem-soantes palavras eleitoralistas que um qualquer vento dos votos levará, queremos trabalho e o cumprimento de décadas de promessas. Queremos uma política da língua, à semelhança doutros países, que permita a sua divulgação ampla como meio fundamental de manter a independência política, cultural e linguística. Só assim manteremos acesa esta chama com que comunicamos dos Algarves D’el-rei que já esquecemos, às Índias de Vice-reis que nossas nunca foram, a Timores de quem olvidamos a existência durante cinco séculos, às Goas. Malacas e Macaus de que apenas nos lembramos quando nos queremos sentir orgulhosamente beneficiários dessa herança portuguesa que é a língua. A essência do problema é manter a língua e a cultura vivas, não interessa onde nem como.

(in Mitos da Lusofonia Revista Agália 2002)

2.

Surgiu há anos uma proposta do Embaixador Professor Doutor José Augusto Seabra para a criação de uma Cidadania da Língua Portuguesa (no Mundo) que importa analisar, pois ela contém os germes do sucesso inerentes a todas as propostas radicais e inovadoras num país como Portugal, marcado por tradicionalismos avessos a mudanças. Para quê, esta cidadania? Para que todos os lusofalantes, independentemente de outros idiomas que outros idiomas que com a língua de Camões comunguem, possam identificar-se como uma entidade única e universal, importante, capaz de sobreviver a guerras, diásporas e outras tragédias que têm assolado os lusófonos. Quem são, o que fazem, o que pensam e sentem, qualquer que seja o local a que chamam terra mãe. Será que as línguas crioulas ou Pidgin e as indígenas se sobrepõem às outras? Porque o ensino do português é oficial quererá isso implicar que ele vai suplementar as línguas nativas? Quando seremos capazes de admitir como lusofalantes que a língua a que chamamos nossa só pode sobreviver se enriquecida por outras? Dura lição esta, para aqueles, que, segundo diz o escriba “deram novos mundos ao mundo”. Se não aceitarmos esta realidade multilingue das comunidades lusófonas, criamos o conceito de ter uma língua viva com o mesmo futuro do esperanto. Estas são as perguntas que aqui se põem e que alguém – que não eu – terá de responder. Estas são questões fundamentais para a sobrevivência da Língua Portuguesa, qualquer que seja o sotaque ou a origem do país a que chamamos nosso, mesmo que o não seja.

(in Lusofonia Agonia 1, Revista ELO on-line 2002-11-15)

3.

Ximenes Belo, pediu em Bragança um maior investimento dos governos de Portugal e Timor-Leste no ensino da língua portuguesa aos timorenses. Para o Prémio Nobel da Paz, o futuro do português, que os timorenses adotaram como língua oficial, depende dos dois governos, português e timorense, porque “há, naturalmente, vontade de aprender, de conservar, mas por outro lado precisa-se de ajuda e de políticas para a manutenção da língua em Timor-Leste”. “Tem havido apoio, mas é preciso investir mais e sobretudo investir nos timorenses, que haja mais professores de português, que haja mais bibliotecas, que haja, enfim, uma coisa intensa” disse, à margem da sessão de encerramento do IV Colóquio da Lusofonia, em Bragança, onde durante dois dias de debateu sobre a língua portuguesa em Timor-Leste. Para o antigo bispo de Dili “não chega” haver professores portugueses em Timor-Leste:”é preciso formar timorenses, é preciso criar bibliotecas, infraestruturas e, sobretudo, manter alguma rádio, televisão e diários para que se faça entrar a língua espontaneamente na mente das pessoas”. D. Ximenes Belo recordou depois ao auditório que os timorenses continuaram a batizar os filhos com nomes portugueses e a rezar e cantar em português, mesmo durante a proibição, entre 1975 e 1999, mas disse que a ocupação indonésia deixou marcas. “Vocês querem que os timorenses falem a vossa língua, mas os timorenses apanharam bofetadas, foram torturados por falarem a vossa língua”, disse. A disputa também de outras línguas, nomeadamente o inglês, compreende-se, na opinião de D. Ximenes Belo, que recordou que Timor está numa zona com vizinhos como a Austrália, Filipinas, Singapura, Tailândia, Hong-Kong, onde as pessoas falam esta língua. “Mas Timor foi sempre parcela especial com ligação a Portugal e mantendo o português constituiu uma dimensão própria daquela pequena nação”, considerou. Mesmo com o passado histórico de séculos de colonização portuguesa, D. Ximenes considera que o português não é tão fácil assim para os timorenses. “Os timorenses acham mais fácil o indonésio porque não tem conjugações, não é tão complicado como o português, mas é preciso apostar” afirmou. D. Ximenes Belo escusou-se a comentar questões políticas ou sociais do país, afirmando estar há três anos fora, em Moçambique, e ter “poucas notícias” (de Timor). Disse, no entanto, que a sua preocupação é que haja paz, tranquilidade e reconciliação em Timor e que os jovens tenham trabalho.

HFT. LUSA. Transcrito de in A propósito do 4º colóquio da lusofonia, Revista Agália 2005)

4.

Na abertura do 2º Colóquio da Lusofonia, em outubro de 2003 em Bragança, tentei alertar contra os fundamentalistas de várias cores que visam preservar uma visão estática da língua portuguesa que se opõem a quaisquer inovações da língua e às alterações que o novo dicionário da Academia de Ciências veio introduzir. Por outro lado, começam a existir movimentos ativos que podem levar a que o Português na sua variante Brasileira se emancipe. Creio ser apenas uma questão de tempo (dada a ausência duma política da Língua por parte de Portugal) para que o Brasileiro seja declarado língua e nessa altura o Português (europeu) estará condenado pois os 10 milhões de habitantes mais uns tantos milhares na Galiza (variante Galega) não serão suficientes para fazer frente a uma língua autónoma como a Brasileira com cerca de 200 milhões de falantes. Das ex-colónias portuguesas não se poderá contar com muito apoio dado o exíguo número de pessoas (para além das elites políticas dominantes) que domina a língua de Camões. Assim, a verificar-se (e creio ser só uma questão de tempo) a emancipação da variante brasileira a língua portuguesa europeia estará condenada a uma morte lenta associada a uma rápida diminuição e envelhecimento da população de Portugal que aponta para uns meros 7,5 milhões em 2050 contra os atuais 10,3 milhões. O que é preciso é que o povo se entenda, que os portugueses não se armem em detentores únicos da língua ou como temos ouvido como aqueles que falam o Português puro. Os tempos não estão para purezas nem para puritanismos, porque o português que se fala em Portugal varia da Bragança dos Colóquios aos Açores onde vivo atualmente. Todos falam Português e todos eles falam diferente de Norte a Sul, de Leste a Oeste. São lusofalantes todos aqueles que têm o Português como língua seja ela língua-mãe, língua de trabalho ou língua de estudo, vivam eles no Brasil, em Portugal nos PALOP, na Galiza, em Macau ou em qualquer outro lugar. Sejam eles nativos, naturais, nacionais ou não de qualquer um dos países lusófonos. A uniformização linguística, a redução a um mesmo denominador comum é castrante e limitadora. Ela inibe e retrai a natural expansão da língua e do conceito mais lato e abrangente da Lusofonia que professamos. O espaço dos Colóquios Anuais da Lusofonia é um espaço privilegiado de diálogo, de aprendizagem, de intercâmbio e partilha de ideias, opiniões, projetos por mais díspares ou antagónicos que possam aparentar. É esta a Lusofonia que defendo pois creio que é a única que permitirá que a Língua Portuguesa sobreviva nos próximos duzentos anos sem se fragmentar em pequenos e novos idiomas e variantes que, isoladamente pouco ou nenhum relevo terão. Se aceitarmos todas as variantes de Português sem as discriminarmos ou menosprezarmos, o Português poderá ser com o Inglês uma língua universal colorida por milhentos matizes da Austrália aos Estados Unidos, às Bermudas e à Índia. O Inglês é íngua universal, mas continuou unido com todas as suas variantes.

(in Mitos da Lusofonia, Jornal Primeiro de janeiro fev 2006)

Com a chegada em 2007 dos patronos Malaca Casteleiro (Academia de Ciências de Lisboa) e Evanildo Bechara (Academia Brasileira de Letras) chegou a altura de passarmos a uma fase mais atuante da nossa intervenção, como membros da sociedade civil numa área que o poder político descura e evita. Apraz-nos dentro da nossa independência e subsídio-independência, constatar o apoio de alguns politécnicos e universidades, que vem premiar o esforço abnegado e dedicado duma mão cheia de pessoas que acreditaram na vitalidade dum projeto sem paralelo no âmbito da Lusofonia. Esta noção de Lusofonia abrangente sem distinção de credos, raças, nacionalidades ou outros fatores de distinguo, tem-nos permitido congregar esforços e vontades, criando sinergias e desenvolvendo mecanismos em rede, sem paralelo. Falta apenas convencer os PALOP de que não somos nenhuma ameaça nem uma quinta coluna dum novo Império cultural, antes pelo contrário. Devemos aceitar a Lusofonia e todas as suas diversidades culturais sem exclusão que com a nossa podem coabitar.

(in Diário de Trás-os-Montes novembro 2007)

6.

Ressalto do historial dos Colóquios da Lusofonia a sua ação na divulgação da açorianidade literária ou de como ainda é possível concretizar utopias num esforço coletivo. Um exemplo da sociedade civil num projeto de Lusofonia sem distinção de credos, nacionalidades ou identidades culturais. Em 2001, os Colóquios brotaram do intuito de criar uma Cidadania da Língua, proposta radicalmente inovadora num país tradicionalista e avesso a mudanças. Queríamos que todos se irmanassem na Língua que nos une. Pretendíamos catapultar a Língua para a ribalta, numa frente comum, na realidade multilingue e multicultural das comunidades que a usam. A nossa noção de LUSOFONIA abarca os que falam, escrevem e trabalham a língua, independentemente da cor, credo, religião ou nacionalidade. Em 2010 passamos a associação cultural e científica sem fins lucrativos e, em dezembro de 2015 passamos a ser uma entidade cultural de utilidade pública. Cremos que podemos fazer a diferença, congregados em torno de uma ideia abstrata e utópica, a união pela mesma Língua. Partindo dela podemos criar pontes entre povos e culturas no seio da grande nação lusofalante, independentemente da nacionalidade, naturalidade ou ponto de residência. Desconheço quando, como ou porquê se usou o termo lusofonia pela primeira vez, mas quando cheguei da Austrália (a Portugal) fui desafiado pelo meu saudoso mentor, José Augusto Seabra, a desenvolver o seu projeto de Lusofalantes na Europa e no Mundo e aí nasceram os Colóquios da Lusofonia. Desde então, temos definido a nossa versão de Lusofonia como foi expresso ao longo destes últimos anos, em cada Colóquio. Esta visão é das mais abrangentes possíveis, e visa incluir todos numa Lusofonia que não tem de ser Lusofilia nem Lusografia e muito menos a Lusofolia que, por vezes, parece emanar da CPLP e outras entidades.

Ao aceitarem esta nossa visão muitas pontes se têm construído onde hoje só existem abismos, má vontade e falsos cognatos. Felizmente, temos encontrado pessoas capazes de operarem as mudanças. Só assim se explica que depois de José Augusto Seabra, hoje, os nossos patronos sejam Malaca Casteleiro (Academia das Ciências de Lisboa), Evanildo Bechara (Academia Brasileira de Letras) e a Academia Galega da Língua Portuguesa representada por Concha Rousia.

 

Depois, acrescentamos como SÓCIOS HONORÁRIOS E PATRONOS DOM XIMENES BELO EM 2015 E EM 2016 JOSÉ RAMOS-HORTA (os lusofalantes do Prémio Nobel da Paz 1996), a que se juntaram (em 2016) Vera Duarte da Academia Cabo-Verdiana de Letras e José Carlos Gentili da Academia de Letras de Brasília.

 

Aguardamos a adesão da Academia Angolana a este projeto. A Academia Angolana ainda não se junta a nós no 28º colóquio como estava previsto por motivos internos, mas promete fazê-lo em breve. O espaço dos Colóquios da Lusofonia é um espaço privilegiado de diálogo, de aprendizagem, de intercâmbio e partilha de ideias, opiniões, projetos por mais díspares ou antagónicos que possam aparentar. É esta a Lusofonia que defendemos como a única que permitirá que a Língua Portuguesa sobreviva nos próximos duzentos anos sem se fragmentar em pequenos e novos idiomas e variantes que, isoladamente pouco ou nenhum relevo terão.

J Chrys Chrystello preside à AICL-Colóquios da Lusofonia desde 2001

o sonho do Manifesto 2012 da AICL continu por realiz (nem Portugal nem Brasil pensam na ultura)

A Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia (AICL), preocupada pelas recentes decisões de natureza económica que põe em causa o cultivo e mesmo a continuidade da Língua e Cultura em Portugal, vem apresentar pelo presente algumas ideias que visam um estímulo económico através da língua e cultura, devendo a médio prazo servir para um estímulo maior à economia. Perante a existência de estudos que apontam a importância deste setor cifrado em 17% do PIB e considerando que Brasil e Portugal são os países que juntos reúnem melhores condições de proporcionarem o arranque deste projeto, fica desde já a ressalva de que a eles se deverão juntar os restantes países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) quando estiverem dispostos a fazê-lo sem qualquer receios de Quintos Impérios e de neocolonização cultural.

  • Buscar consensos entre os governos do Brasil e de Portugal para que sejam reforçados e lançados cursos de língua portuguesa – tanto presenciais como online – nas suas vertentes de ‘Português Língua Materna’ (PLM) e ‘Português Língua Estrangeira’ (PLE) em todos os quatro cantos do mundo, devendo ser utilizada uma nova fórmula de conservação e propagação da lusofonia a nível mundial como até agora não foi proporcionada quer pelo Instituto Camões quer pelo Instituto Machado de Assis e a CAPES em três vertentes: a) aprendizagem e melhoramento da língua portuguesa como PLM ou PLE, b) literatura lusófona e c) ciências de tradução. Dever-se-á utilizar-se o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) da CPLP e o apoio de universidades e politécnicos dos dois países para tal fim.

Justificação:
Os cortes, por parte do governo português, tanto no sistema no ensino de PLM (para filhos de pais lusófonos residentes em países não-lusófonos), como nos sempre escassos apoios à divulgação da lusofonia através de cursos de PLE (para apoiar o ensino a nível secundário e superior em países não-lusófonos) têm-se mostrado sumamente prejudiciais ao cultivo da lusofonia em países não-lusófonos. Como fruto desta política de abandono, não só acaba por ser posta em questão a capacidade dos filhos de emigrantes portugueses de comunicar de forma adequada em todos os níveis na língua materna, mas também a aquisição da língua portuguesa nos países não-lusófonos onde a cada vez maior ausência do Instituto Camões tem servido como justificação de eliminação de cursos de português. No Brasil, dá-se semelhante abandono do ensino de PLM e PLE nos países não-lusófonos. Apesar da existência do Programa de Leitorado nalgumas universidades em países não-lusófonos, organizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a rede é bastante reduzida e fica longe de atingir a importância que caberia ao Brasil numa escala internacional. Não consta a existência de uma rede de ensino de PLM, organizada pelo estado brasileiro e que vise o ensino de PLM aos filhos de cidadãos brasileiros residentes no estrangeiro.

  • Buscar apoios das academias nacionais de língua portuguesa existentes, da CPLP, e de todas as restantes instituições para que contribuíssem para este projeto que deve abranger todo o mundo onde haja lusofalantes e interessados na aprendizagem da língua portuguesa.

Justificação:
No mundo lusófono existem várias academias que se dedicam ao cultivo e à normalização da língua portuguesa, nomeadamente em Portugal a Academia das Ciências de Lisboa (ACL), no Brasil a Academia Brasileira de Letras (ACL), bem como a Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL) e na Galiza a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP). Para um projeto que visa fortalecer o ensino e a aprendizagem da língua portuguesa em todo o mundo, consulta e o apoio por estas organizações não só é uma mais-valia mas torna-se mesmo indispensável.

  • Criar pelo menos 500 bolsas de estudo anuais dedicadas a estudos relacionados com a lusofonia para que estudantes oriundos de países de todos os continentes possam frequentar universidades brasileiras e portuguesas.

Justificação:
Em conformidade com as capacidades financeiras dos países envolvidos, o Brasil poderia disponibilizar 350 bolsas e Portugal 150 para os melhores alunos dos cursos referidos em 1.º. Terminada a presença no país de acolhimento, os bolseiros terão adquirido a função de embaixadores da língua portuguesa nos seus países de origem. Num regime a definir, a atribuição das bolsas poderá funcionar de forma semestral (p. ex. para estudantes de licenciatura), anual (p. ex. para estudantes de mestrado) ou plurianual (p. ex. para estudantes de pós-graduação).

  • Convidar as editoras de Portugal e do Brasil a fim de criar com as academias e outras entidades uma bolsa de edições a promover em todo o mundo as obras dos maiores vultos que representam a escrita de cada um dos países lusófonos, as quais seriam disponibilizadas nos vários países.

Justificação:

Uma vez que a unificação da ortografia permite a divulgação do mesmo texto em vários países, a disponibilização das obras literárias mais representativas de cada país aos outros países não só facilita o acesso recíproco a todas as literaturas lusófonas, mas permite a publicação de edições únicas que poderão entrar em vários mercados livreiros.

  • Criar antologias bilingues para a disseminação de obras de autores lusófonos e promover a sua distribuição nos países onde o português é ensinado como língua estrangeira.

Justificação:
À semelhança do que se realizou através da Antologia Bilingue de Autores Açorianos (2011), o fornecimento de antologias bilingues de textos literários de referência pode tornar-se indispensável numa primeira aproximação a textos portugueses tanto por parte de estudantes estrangeiros como de falantes da respetiva língua em que a antologia foi publicada.

  • Criar e despertar o interesse por autores lusófonos, através da disponibilização gratuita em linha de excertos de obras.

Justificação:
Desde que se trate de obras isentas de direitos de autor ou que forem publicadas com consentimento dos autores, a divulgação de textos literários de forma digital, tal como está a ser feito com textos literários açorianos nos Cadernos de Estudos Açorianos, tem-se mostrado muito benéfica por ter atraído bastante interesse por parte dos utentes.

  • Evitar que as burocracias ministeriais e governamentais impeçam a imediata consecução deste projeto, pelo que deverá ser nomeada uma comissão de sábios para definir em detalhe este projeto, seu cronograma e custos.

caderno de estudos açorianos nº 36 DINIZ BORGES

acaba de ser colocado em linha o caderno de estudos açorianos nº 36 DINIZ BORGES que pode ser consultado e descarregado em https://www.lusofonias.net/acorianidade/cadernos-acorianos-suplementos.html

https://www.lusofonias.net/acorianidade/cadernos-acorianos-suplementos.html#426-cadernos-e-suplementos-de-estudos-acorianos

Agradecemos à coordenadora SUSANA ANTUNES ter conseguido prepara mais uma edição dos Cadernos que já editaram estes autores

 

Cristóvão de Aguiar, Daniel de Sá. Dias de Melo, Vasco Pereira da Costa, Álamo Oliveira, Caetano Valadão Serpa, Machado Pires, Fernando Aires, Mário Machado Fraião, Emanuel Félix, Eduardo Bettencourt Pinto, Eduíno de Jesus, Onésimo Teotónio Almeida, Maria de Fátima Borges, Marcolino Candeias, Norberto Ávila, Victor Rui Dores, José Martins Garcia, Joana Félix, José Nuno da Câmara Pereira, Manuel Policarpo, Tomaz Borba Vieira, Maria das Dores Beirão, Maria Luísa Soares, Susana Teles Margarido, Madalena San-Bento, Carlos Tomé, Brites Araújo, Maria Luísa Ribeiro, Carolina Cordeiro, Pedro Paulo Câmara. José Nuno da Câmara Pereira II, José Luís da Silva, João Pedro Porto.

MALACA CASTELEIRO HOMENAGEADO EM MACAU volume2-2020 | Orientes do Português

MALACA CASTELEIRTO HOMENAGEADO EM MACAU volume2-2020 | Orientes do Português

https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/05/OrientesPt_Vol2_0_Entrevista_eVersion.pdf https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/05/OrientesPt_Vol2_0_Homenagem_eVersion.pdf https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/05/OrientesPt_Vol.2_0_Editorial_eVersion.pdf https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/05/OrientesPt_Vol2_0_In-Memoriam_eVersion.pdf

este blogue está a morrer e vai para a reforma ou inferno…

Visão | A morte não se pensadepois de anos muito agitados, este blogue deixou de justificar as horas que passo aqui a colocar notícias, humor, factos científicos e outros de divulgação da AICL, a sua morte vem sendo anunciada neste mês de abril com menos de 300 visualizações diárias que era o mínimo.

Creio que ao longo de 11 anos cumpriu a sua missão e agora vai reformar-se, sem saber o que lhe vai suceder (ou nada)…ultimamente as notícias tipo CM eram mais vistas do que as notícias mais sérias e cultas.

Visão | A morte não se pensa

 

 

vou experimentar lusofonias.net room https://msngr.com/oqxvjbtowzwh