OSVALDO CABRAL OS ERROS CORRIGIDOS

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Pierre Sousa Lima to Açores Global

Erro corrigido

Os partidos erram. E quando corrigem fica-lhes bem.
O pior é quando erram e continuam a assobiar para o lado.
O PS dos Açores apresentou no ano passado uma proposta de alteração ao Estatuto do Aluno, que aprovou juntamente com o PCP e BE, em que previa que os estudantes do ensino básico e secundário, com negativa, podiam ter direito a “usufruir, em parte do período de interrupção lectiva, de um plano de recuperação de aprendizagens”.
Ou seja, aulas em período de férias.
A originalidade nem mereceu um debate prévio com professores e encarregados de educação, pelo que era óbvio que levava o selo de desastre.
Os sindicatos insurgiram-se, afirmando que a medida poderia gerar “estigma social”.
Deram, inclusivamente, exemplos de como se faz recuperação de alunos, sempre que constatem que os há em risco de serem retidos, mas nunca em período de férias.
Até o Secretário Regional da Educação arrepiou-se e pediu “mais tempo” para analisar as implicações, “porque mexe com o sistema educativo na sua globalidade, com professores, com estudantes, eventualmente com famílias”.
O PS não retirou a proposta, mesmo com propostas para o efeito apresentadas pelo PPM e PSD, mas o Governo Regional (Aleluia!) deu o golpe final: incluiu na proposta de Orçamento para 2020 uma alteração ao Estatuto do Aluno, no sentido de eliminar a possibilidade de os estudantes com avaliação negativa terem aulas de recuperação durante as férias escolares.
Um bom exemplo sobre quem conhece o mundo real.
E mais um exemplo de quem vive no mundo surreal da política de gabinetes.

Alerta a tempo

Mais de 11 mil cientistas de 153 países publicaram esta semana um artigo com alertas preocupantes sobre a urgência de tomar medidas face ao que consideram ser a emergência climática que o planeta Terra está a viver.
Fazem alertas graves, mas também propostas com medidas concretas para evitar os sinais de catástrofe que vamos assistindo cada vez com mais frequência.
“Para garantir um futuro sustentável, temos de mudar a maneira como vivemos”, avisam os cientistas.
Nós, por cá, lemos estas coisas e encolhemos os ombros, julgando que não temos nada a ver com isso.
“São coisas de lá de fora”, “isto não mexe connosco”, “vivemos no paraíso” – são frases que vamos ouvindo por estas ilhas fora e, sinceramente, são poucos os responsáveis políticos que colocam estes temas na agenda da política regional.
O cientista açoriano Félix Rodrigues alertava há poucos dias, numa entrevista concedida a este jornal, que não estamos imunes aos sinais das alterações climáticas – bem pelo contrário – e que seria conveniente elaborar estudos sobre os impactos de algumas implicações nas nossas ilhas.
Presumo que os alertas caem em saco roto, como já caíram outros alertas do Professor Victor Forjaz, sobre matérias parecidas.
Numa região frágil como a nossa, em que queremos manter a nossa natureza como montra de uma vivência sustentável, era bom que ouvíssemos quem sabe.
Para que não aconteça o que aconteceu com a tal história das “aulas em férias”.

Osvaldo Cabral

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AS FAROLEIRAS DOS AÇORES

AS FAROLEIRAS DOS AÇORES Pages from 2019-11-06-1

 

(em 2006 considerei-me privilegiado por conhecer e falar com uma delas, a Goreti, fotos do farol em baixo…uma mui completa coleção de fotos ao longo dos anos do farol da Maia e alguns detalhes da visita lá dentro (nunca mais conseguimos entrar depois dessa primeira visita em 2006)

CRÓNICA 29. AS FÉRIAS EM SANTA MARIA DOS AÇORES. 20 setembro 2006

29.3.7.

Antes de terminar este roteiro reconstruído de 12 dias na Ilha de Santa Maria convém referir que além dos Anjos celebrizada pela sua ligação a Cristóvão Colombo, e a merecer visita, há duas praias notáveis pela sua envolvente de socalcos cheios de vinhedo: São Lourenço (de nenhuma das vezes que lá fomos conseguimos descortinar o areal das imagens publicitárias) e a outra (mais pequena) Maia.

UNIDADE PAISAGÍSTICA CONSTRUÍDA,
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC. XVIII / SÉC. XIX.
DESCRIÇÃO:

Conjunto de encostas voltadas ao mar, dispostas em anfiteatro, estruturadas em socalcos preenchidos com compartimentos regulares, murados, para cultivo e proteção da vinha (“quartéis”). Estes compartimentos têm acesso por estreitos escadórios orientados no sentido do maior declive das encostas. Ao longo da estrada de acesso distribuem-se construções para habitação de veraneio de qualidade muito desigual.

ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom.
FUNÇÃO INICIAL: Cultivo da vinha e habitação sazonal.
FUNÇÃO ATUAL: Cultivo da vinha e habitação sazonal.
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: Pedras da Maia. Santa Maria, José Guedes da Silva, Câmara Municipal de Vila do Porto, Santa Maria, 1995; Fichas 74 e 75/ Santa Maria do “Arquivo da Arquitetura Popular dos Açores”.
OBSERVAÇÕES: esta espécie está localizada na cartografia em uso também nas quadrículas 87, 88 e 89.

duas cascatas monumentais, uma estava então seca e a outra é a do Aveiro (parte final da Ribeira Grande)

os socalcos (Maia) a estrada a piscina natural.

A Maia também é conhecida pelo seu Farol a que nós trepamos e cuja jovem faroleira nós conhecemos tendo dela ouvido as palavras que a “solidão dos faroleiros é muito relativa” e ali pretendia continuar. Natural da ilha, confessou que quando esteve no Continente a tirar o seu curso, não tinha gostado do que tinha visto e se sentia melhor ali que em qualquer outro lugar.

Lá viemos a conhecer (a Goreti) uma jovem faroleira que colocada há dois anos num dos poucos faróis ainda manejados por seres humanos, se mostrou sem medos nem temores declarando que ali pretendia ficar. Ainda por cima os telemóveis não funcionavam naquela parte da ilha nem mesmo no topo do farol.

As atividades vulcânicas que deram origem à ilha, deixaram profundas fendas e túneis, conhecidos por furnas. Merecem visita a Furna das Pombas com 337 metros de comprimento, e a Furna dos Anjos com 118 metros de comprimento. A visita às furnas exige a presença de um guia e o uso de equipamento adequado.

uma mui completa coleção de fotos ao longo dos anos do farol da Maia e alguns detalhes da visita lá dentro (nunca mais conseguimos entrar depois dessa primeira visita em 2006)

farol da maia

dentro do farol da maia

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O CHUMBO DA INCINERADORA EM S MIGUEL AÇORES E OUTROS TEMAS PERDIDOS

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Pierre Sousa Lima to Açores Global

Paga contribuinte!

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada sentenciou esta semana que a Associação de Municípios de S. Miguel não tem razão no processo trapalhão do concurso público para a construção da incineradora nesta ilha.
Perderam, portanto, os autarcas micaelenses, mas perdem, também, os cidadãos micaelenses, que vão ter de pagar a ligeireza com que os responsáveis da MUSAMI fizeram este concurso e o modo como trataram o concorrente reclamante.
Para já são as custas de todo este processo e a demora nesta enorme trapalhada em que se envolveu, teimosamente, a Associação de Municípios, aguardando-se, agora, se as empresas vão ou não pedir indemnizações, o que seria o cúmulo da má condução de todo esta ruína concursal.
Esta história da incineradora em S. Miguel, como se sabe, nasceu torta e parece que torta se vai manter por mais algum tempo.
Como sempre, em política nunca há culpados.
Todos se escudam em justificações irracionais, por mais absurdas que possam parecer, mesmo que, neste caso, o Tribunal tenha decidido que houve irregularidades por parte do júri, o que devia levar a Associação de Municípios de S. Miguel, que quis levar sempre a sua avante, a vir a público pedir desculpa aos cidadãos. No mínimo.
E anunciar quanto nos vai custar todo este processo ruinoso.

Atirar dinheiro

O Governo Regional anunciou esta semana que vai conceder apoio financeiro a famílias que queiram ir trabalhar para outras ilhas.
O programa pormenorizado só vai ser apresentado daqui a dias, pelo que não se conhece a causa desta medida: se é apenas para facilitar a mobilidade de mão de obra entre as ilhas ou se é um contributo para combater a desertificação nas ilhas mais pequenas.
Uma coisa é certa: é mais dinheiro atirado para cima do problema, e quando é assim já sabemos que as coisas não funcionam.
É uma medida desgarrada do conjunto de medidas que deviam figurar num plano estratégico e de quase emergência para as ilhas onde este fenómeno da não fixação de habitantes se arrasta há alguns anos.
Não se percebe a lentidão das autoridades regionais no estudo deste problema, que agoniza cada vez mais as ilhas despovoadas, correndo-se o risco de, um dia, estarmos a investir dinheiros públicos em zonas onde já nem há habitantes.
Ana Abrunhosa, a mulher que agora foi nomeada Ministra da Coesão Territorial, escrevia há pouco tempo que “há territórios onde nunca será possível recuperar população”.
E acrescentava: “É urgente abandonar a visão redistributiva da política de coesão, assumindo-se que não basta colocar recursos nas regiões menos desenvolvidas, mas antes assumir que a diminuição das assimetrias regionais envolve investimento seletivo, qualificador e capaz de valorizar os recursos endógenos dos territórios”.
Ora, é preciso saber se é assim que o Governo Regional também pensa e se já abandonou a ideia de criar um plano para combater a desertificação nas nossas ilhas porque já não vai a tempo.
“Isto não significa o abandono destes territórios, nem deixar de garantir às populações o acesso aos bens e serviços nas mesmas condições da população dos territórios mais desenvolvidos. Significa, hoje em dia, por exemplo, que em vez de a pessoa ir ao centro de saúde, à loja do cidadão, ao mercado, são os prestadores destes serviços que vão a casa das pessoas. Com as tecnologias de que dispomos, é seguramente possível fazer melhor e com menos recursos, tendo as pessoas no centro das políticas e das decisões”, escreve a Ministra da Coesão.
É este, também, o programa para as chamadas Ilhas de Coesão?

Osvaldo Cabral

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OSVALDO CABRAL O FASCISMO COMEÇA ASSIM

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ANTÓNIO BULCÃO · Pequeno ensaio sobre os chatos

Pequeno ensaio sobre os chatos
Chatos não faltam por aí.
Não, não me refiro aos bicharocos que desassossegam a roupa interior. Graças a Deus escapei aos ditos, e muitos balneários frequentei, em diferentes espaços.
Falo mesmo de gente. Gente chata. Analisemos alguns tipos.
Há os chatos que nunca se calam. A gente a olhar para o lado, a ficar em silêncio, quando muito a soltar um quase inaudível “pois” e eles sempre em frente, a discorrer sobre os mais variados assuntos.
A gente a bocejar, acreditando que sinal mais claro de que o outro está a ser enfadonho não há, e o chato a continuar, a requerer atenção com toques no nosso ombro com as costas da mão, ou mesmo à cotovelada nas costelas já maceradas do pobre ouvinte, esta táctica sobretudo quando sentados, em casamentos ou baptizados.
Há, depois, os chatos que adoram interromper conversas. A melhor maneira de identificar esta espécie é estar atento às primeiras palavras do chato. São, quase sempre, coisas do género “não querendo interromper”, ou “não te esqueças do que vais dizer a seguir”. Interrompem-nos a nós, quando conversando com eles, interrompem terceiros que estão a conversar uns com os outros, mas sempre bem-intencionados, porque anunciando não querer interromper ninguém.
Há também os chatos que nos contam vezes sem conta a mesma história. Estes nunca entendi se o fazem por qualquer amnésia crónica ou se até sabem que já contaram aquilo antes, mas deliram por nos massacrar. A gente anuncia “já me contaste”, mas eles não querem saber. Pá frente é que é o caminho. “Agora vem a parte melhor”, proclamam, e lá continuam até ao fim, rindo dos capítulos que consideram mais divertidos como se fosse a primeira vez que os contam.
E quem nunca se cruzou com um chato que não sabe contar anedotas? Ou que adora anedotas que não têm piada nenhuma? Contam aquilo em notória alegria, riem montes no fim e admiram-se de mais ninguém rir. Nesta fase, o defeito é sempre nosso. Nós é que não percebemos a piada. E então o contador anuncia: “Não percebeste, pois não? Então vou-te explicar…”. E explicam mesmo. E a gente continua sem rir, porque aquilo não tem ponta por onde se lhe pegue. E eles ficam chateados porque não temos sentido de humor.
Há ainda os chatos que começam a anedota pelo fim, estragando a mesma. Um exemplo: o que diz um elefante quando vê um homem nu? Como é que este gajo levará a comida à boca?”.
Uma pessoa normal conta isto assim. O tipo de chato em análise começa: “Sabes aquela do elefante que vê um gajo nu e se pergunta como ele levará a comida à boca? Ah não sabes? Então vou-te contar…”.
E os chatos que nunca são pontuais? Os que, quando combinamos um encontro, marcam sempre para as três, três e meia e chegam às quatro e tal?
Cruzei-me com montes de chatos, ao longo da minha vida. Chatos de todas as profissões. Mas os piores foram alguns políticos. Um político de carreira já é um chato por natureza. Mas um político de carreira chato chato é quase insuportável.
Geralmente incultos, alguns quase iletrados, a única coisa sobre a qual sabem falar (e mal) é de política. Dizendo asneiras a maior parte das vezes, assumem, no entanto, uma postura séria, dir-se-ia de Estado. Abandonam a sua linguagem simples (afinal agora são importantes) e, procurando palavras difíceis às quais não estão habituados, quase nunca conseguem dizer a palavra que existe realmente.
Lembro-me de ouvir, no plenário da Assembleia Legislativa, um bronco a dirigir-se a outro deputado, muito inchado e a segurar a haste dos óculos com dedos de soberba: “Sem querer contrastar V. Exa…”. Óbvio que queria dizer contestar, mas olha, saiu-lhe ao lado. Ficou com ar satisfeito, como se tivesse arrumado o outro (o contrastado)…
Muito chato tive de aturar. Hoje fujo deles determinadamente. Não tenho tempo para perder com quem existe imbuído na missão de chatear os outros. Prefiro mil vezes ficar sozinho. Porque, na minha solidão, tenho a memória dos não chatos, felizmente a maioria. Os que me acrescentaram alguma coisa, se revelaram sempre interessantes, se renovaram constantemente.
Com toda a sinceridade, mesmo sem ter convivido de perto com os tais bicharocos que causam comichão e mal-estar, preferiria os mesmos aos chatos humanos. Porque para os parasitas que adoram as partes baixas e seus tufos, também conhecidos por PP (piolhos da púbis), há insecticidas…
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)

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