sons do 35º colóquio Belmonte 2022

Ana Paula Andrade 35º colóquio em Belmonte 2022 https://youtu.be/tOQ-WLtDil8

Isabel Rei 35º colóquio em Belmonte 2022 https://youtu.be/7TK1pLAXbLQ

Joana Carvalho 35º colóquio em Belmonte 2022 https://youtu.be/UjSkVW3zsBs

Joaquim F da Costa em Centum Cellas 35º colóquio em Belmonte 2022– https://youtu.be/0P-NKGL0Tik

porque não celebramos o dia da língua na AICL

não celebramos o dia da língua na AICL porque a língua portuguesa há muito foi abandonada, diariamente violada pela comunicação social, ministros, e demais membros do governo, e por um governo regional que esqueceu a enorme riqueza da CULTURA, capítulo onde incluímos a língua.

Preferimos continuar a defendê-la todos os dias e não num só dia, nos nossos colóquios com associados e convidados. Há uma ou outra exceção como aconteceu com o jornal de Belmonte que assistiu a todas as sessões do 35º colóquio e as reportou de forma bem completa

 

 

 

 

 

 

 

 

e podem ler aqui

EXCELENTE ARTIGO DE BELMONTE SOBRE O 35º COLÓQUIO DA LUSOFONIA

eulogia a CRISTÓVÃO DE AGUIAR NO 35º COLÓQUIO DA LUSOFONIA

 

A EULOGIA A CRISTÓVÃO DE AGUIAR “IN MEMORIAM”

 

Em 5.10.2021 dia da república faleceu Luís Cristóvão de Aguiar, Deixou 3 filhos, José Manuel, Artur e Luís que hoje nos honram com a sua presença.

Gostava de recordar momentos inolvidáveis que com ele passei nos colóquios da lusofonia e na sua casa do Pico. Recordo o que escrevi em 5.9.2009

Plantamos árvores, publicamos poesia e tivemos filhos em buscas incessantes pelo Santo Graal e ambos sabemos que não existe, a não ser na busca incessante com que criamos, uma raison d’être nas nossas mentes conturbadas. Para ele, a escrita nunca será catarse pois é fruto de amores incompreendidos entre si e a ilha…e para mim a escrita e os colóquios da lusofonia são a catarse constante da minha guerra colonial sem mortos nem feridos, e tampouco tiros. Encontro tanto sofrimento na escrita do Cristóvão que me apetece ir ao Pico consolar as suas velhas penas. Os Açores são uma réplica miniatural da corte lisboeta. As elites não perdoam aos que não comungam da verdade única com força de dogma. Cristóvão escreve com uma pluma incómoda. Reservou-se um papel de narrador que pensa, fala e escreve e não reivindica verdades absolutas ou duradouras.

. 09.09.2009 – Isto das ilhas tem muito que se lhe diga. Quando se perora sobre as nove filhas de Zeus urge não melindrar os interesses estabelecidos. Em meios pequenos é consabida a tendência para apoucar aqueles que das leis do esquecimento se desembaraçaram, como diria o vate, enquanto o imperador e séquito distribuem viagens e mordomias. Terras pequenas, invejas grandes, a reprodução do mote popular “a minha festa é maior que a tua”.

Dos dias passados na sua casa no Pico em 2009 recordo leituras, discussões e uma enorme aprendizagem. Surgiam em catadupa nomes e obras dos últimos quarenta anos. Muito descobri naqueles dias com essa enciclopédia de conhecimentos que é Cristóvão de Aguiar. No último dia, andados uns passos rumo à sua casa deparei com uma camioneta de passageiros aguardando o começo da semana. Acorreu-me a ideia peregrina de como seria uma aventura “pedir emprestada” a carripana, percorrer as aldeias (ditas freguesias nas ilhas) e gravar as histórias que os passageiros fossem contando. A viagem não teria destino. Duraria tanto quanto as histórias dos passageiros. Pararia em todos os locais, para que fossem contadas as histórias e lendas do local. Que livro maravilhoso não dariam as histórias daqueles que tomassem o autocarro dos sonhos.

12.8.2011 – Parado no aeroporto da Horta, não sou o Passageiro em trânsito do Cristóvão de Aguiar, antes deixo que os ponteiros do relógio caiam lentamente, por entre o linguajar dos que, comigo, esperam. Como sempre acontece, quando excursiono nestas ilhas atlânticas, nunca tenho vontade de partir: impérvio, permaneço sentado, quase imóvel, no pátio de observação do aeroporto da Horta. Estou de frente para o Pico que me pisca o olho, sorrateiro, por entre as nuvens, escondendo-se, amiúde, dos meus olhos perscrutadores. Ao contrário do Cristóvão não carrego comigo a ilha e a que transporto não é outra. Não trago a reboque este arquipélago, mas deixar a ilha é sempre uma partida sem regresso marcado, como quem faz um luto indesejado ao correr dos dias. Não levo comigo a dor nem a lágrima furtiva, apenas acalento o desejo do regresso numa noite de luar como o de ontem. Parafraseando-o In Nova Relação de Bordo, diário ou nem tanto ou talvez muito mais, Publicações D. Quixote, 2004) direi da Língua de todos nós:

Amo-a sem o empecilho da palavra.

O Amor aprende-se, cultiva-se, rega-se.

Necessá­ria uma predisposição íntima onde se alastre essa Ferida Amá­vel, como tão eloquentemente escreveu, em título de livro, o Poeta Egito Gon­çalves. Os poetas têm sempre razão!”

E há muita língua portuguesa e poesia na prosa do Cristóvão que espero os vindouros saibam honrar. Obrigado por existires, meu mestre.

VER VÍDEO

 

EM https://www.lusofonias.net/documentos/video-homenagens-aicl/2731-35%C2%BA-col%C3%B3quio-belmonte-2022-in-memoriam-crist%C3%B3v%C3%A3o-de-aguiar2022.html

OU EM https://youtu.be/ar6Hv5y826g