POTRAA TURISMO AÇORIANO, DE MASSAS E CONFUSÃO 1

Confusão no turismo açoriano
O Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores, mais conhecido por POTRAA, está suspenso desde 2015 – vejam bem!!! -, para revisão e actualização.
Como é óbvio e toda a gente percebe, enquanto o POTRAA está suspenso não se aplica pelo menos parcialmente, pelo que é mais fácil e mais livre aprovar e licenciar empreendimentos turísticos em qualquer lado e mesmo sem ter em atenção o tipo de turismo que mais interessa ao arquipélago. Já perceberam tudo, com certeza…
Depois estranham que uma conhecida e prestigiada publicação internacional alerte, com toda a razão, que os Açores correm sério risco de terem turismo massificado, atentatório do ambiente e dos valores regionais, que identificam e diferenciam estas ilhas. Mas há gente que também não quer saber disso para nada, desde que “corra” algum dinheiro para os respectivos bolsos. As gerações futuras? Pois que se desenrasquem…Infelizmente, grassa muita dessa mentalidade, que muito prejudica o arquipélago.
A ilha do Pico tem sido a que mais tem prosseguido e desenvolvido um tipo de turismo virado para o património arquitectónico, ambiental, agrícola e cultural, aproveitando, principalmente, a montanha, as vinhas e as adegas, num conjunto perfeito e harmonioso. Muito bem, muito bem!
A anterior maioria socialista açoriana, através do Governo Regional e da Assembleia Legislativa, teve todas as condições – desde logo de tempo- para actualizar e aprovar o POTRAA, mas, lamentavelmente, não o fez. Porquê?
Entretanto, o actual presidente do Governo Regional dos Açores, social-democrata, anunciou que vai ser submetido – talvez já tenha sido- ao parlamento regional o Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA), documento que esteve em consulta pública.
O PS queixa-se agora que a revisão do POTRAA peca por defeito, alegando que se baseia em dados desactualizados. Ou seja: enquanto os dois maiores partidos nos Açores brigam por causa do – há vários anos suspenso, suspenso, repito – POTRAA, assiste-se ao licenciamento praticamente de tudo quanto a empreendimentos turísticos. Não venham dizer, como de costume, que a responsabilidade é “de Lisboa”. Não, não é, de todo! É apenas e tão só dos decisores políticos açorianos, no parlamento e nos executivos (o anterior e o actual), alguns claramente incompetentes.
Em conclusão: a ilha do Pico dá “cartas” para todo o arquipélago em termos turísticos, beneficiando a economia e promovendo os valores locais. É preciso tanto tempo, tanto estudo e tanto parecer para actualizar o POTRAA, quando as melhores opções e soluções estão à vista de todos? Vão “brincar” aos POTRAA para outro lado! Os Açores merecem muito mais e muito melhor!
Basta de uma certa confusão, pois, no turismo açoriano, um turismo diferente mais de beleza incomparável. É preciso salvaguardar, sem quaisquer cedências, os valores destas ilhas, como também têm feito, exemplarmente, entre outros, a Quinta do Martelo, na ilha Terceira, e o Hotel Terra Nostra e o Jardim José do Canto, na ilha de São Miguel. Tudo o resto é conversa da treta, tão ao gosto de vários políticos.
Paula Cabral, Maria Das Neves Baptista and 3 others
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  • Paula Cabral

    Tomás, Lisboa tem dado jeito para desculpar muita negligência dos sucessivos governos…
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    • 50 m
  • Emilia Peixoto

    Como sempre a falar pelos açorianos são poucos os que enfrentam sem receio os políticos que o são por interesses lhes dá jeito Obrigada sro Tomás Quental Boa tarde abraço
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    • 21 m
  • Maria Teixeira

    Parabéns pelo excelente texto, consequente raciocínio e triste realidade para os nossos Açores e suas magníficas ilhas de inquestionável beleza.
    Açores quem que como os viu, nunca mais os torna a ver.

    Quem nunca os viu nunca mais sabe o que não viu.…

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