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Eça de Queiroz, nome maior da língua portuguesa, usou o mundo para desenvolvê-la e aos seus romances. É um escritor formado por viagens na sua arte e vida.
Source: Quando Eça foi ao Egipto – e escreveu sobre o que viu
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Eça de Queiroz, nome maior da língua portuguesa, usou o mundo para desenvolvê-la e aos seus romances. É um escritor formado por viagens na sua arte e vida.
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Rogério, Mario Jorge and 2.1K others
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Chegou o tempo de falar de Rio de Onor, a mítica aldeia raiana. Mítica porque foi alvo de vários estudos etnográficos como o famoso estudo de Jorge Dias (Rio de Onor. Comunitarismo agro-pastoril) e linguísticos. As práticas comunitárias em Rio de Onor têm sido objecto de inúmeras reportagens em televisão e a sua particularidade de se tratar de uma aldeia transfronteiriça ou se quiser, duas aldeias gémeas: a portuguesa de Rio de Onor e a espanhola de Rihonor.
Hoje vamos falar apenas em fronteiras porque falar em Rio de Onor vai muito mais além do que um simples ‘post’ no blogue. De facto existem tantos tópicos que podem ser tratados (ponto de vista histórico, etnografia, história recente, linguística, tradições, etc.) que quase poderíamos escrever um blogue em exclusivo sobre a(s) aldeia(s).
Rio de Onor está situada no limite fronteiriço que separa a região da Sanábria, na província de Zamora, e o Nordeste Transmontano, dentro do Parque Natural de Montesinho, sendo que a aldeia portuguesa está considerada como uma «aldeia preservada». O nome da aldeia serve também para dar nome ao rio que a atravessa, se bem que o rio também é conhecido como rio Contensa. Este rio abeira-se às casas que fazem parte de Rio de Onor de Cima, as mais tradicionais, erguendo-se sobranceira, a igreja matriz. Do outro lado apenas há umas poucas casas modernas no caminho à fronteira. Já em Rio de Onor de Baixo, passado o açude existente e o moinho, hoje em desuso, há uma ponte que parece de factura medieval que separa os dois bairros da aldeia portuguesa.
A fronteira está delimitada pelos marcos fronteiriços, o próprio rio e a ribeira de Regassores, que já aparece nas Inquirições de 1258, mandadas pelo rei D. Afonso III, designado como riuulum de Açores. Mas na realidade nunca houve fronteira aqui. Até ao dia de hoje as relações entre os vizinhos de ambos os lados da fronteira são relações de família. Os casamentos mistos são frequentes como frequentes são as deslocações de um e do outro lado da fronteira para trabalhar nos campos de lavoura.
O livre trânsito foi a realidade quotidiana de sempre e hoje ninguém daria pela diferença entre um e o outro lado da fronteira a não ser por alguns pormenores como a calçada portuguesa em Rio de Onor de Baixo frente ao pavimento de betão de Rio de Onor de Cima. As casas tradicionais respondem a um mesmo padrão: casas de xisto com telhado também de xisto, com andar térreo que normalmente serve de curral e um primeiro piso que serve de habitação com escadaria e varanda em madeira.
Mas a fronteira não se vê por lado nenhum. Resulta anedótico o facto de ter existido uma corrente que dividia ambas as aldeias de 1975 a 1990. Pelos vistos, depois do 25 de Abril de 1974 existiu o temor de que as tropas de Franco entrassem em Portugal por este ponto fronteiriço. Diz-se ainda que foi para controlar o contrabando e evitar uma emigração maciça nos tempos do PREC (como se não houvesse já tantos emigrantes portugueses que fugiram da guerra colonial e da pobreza…). De qualquer forma parece que um tenente chamado Pinheiro coloca na fronteira uma corrente para impedir a passagem de viaturas motorizadas, o que vai causar inúmeros incómodos a população local, acostumada como estava à passagem com carros de bois, vacas, ovelhas ou tractores. Não foi até o 24 de Agosto de 1990 que puderam passar normalmente carros e tractores como numa estrada qualquer.
Disso hoje não resta nada em Ruidenore, nome que recebe a aldeia no dialecto rionorês, um dialecto de base asturo-leonesa que apresenta alguns traços do português transmontano e que foi definido por Maria José de Moura Santos no seu clássico estudo sobre os falares fronteiriços de Trás-os-Montes publicado em 1966 como um dos falares raianos melhor caracterizados, enquanto recentemente o filólogo espanhol Xavier Frías Conde que o situa dentro do dialecto sanabrés do Sul, dentro do sub-sistema de dialectos da língua asturo-leonesa.
Quem visitar hoje Rio de Onor desfrutará de belas paisagens, apreciará uma tradição etnográfica ímpar, mas sobretudo, travará boas e animadas conversas com os naturais do lugar. Não verá fronteira nenhuma. Pena que alguém, em 2008 tenha destacado na parte espanhola o sinal de estado que não existe do lado português e que é o único pormenor que afeia o lugar. Não faz sentido numa aldeia sem fronteiras muito antes da tão badalada Europa sem fronteiras. Mágoa!
in:historiasdaraia.blogspot.pt

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Peixe do meu quintal
JOSÉ SOARES
Cambalhota
De uma Democracia sufocada
A democracia está refém da elite partidocrática. O espelho desta partidocracia portuguesa está velho e cada vez mais decadente, com a tinta a estalar e a cair nas costas, criando buracos de transparência impossíveis de tapar aos olhos do país.
Cair na incerteza e provocar eleições legislativas inesperadas no retângulo ibérico, no presente contexto, demonstra que as forças judiciais vão ter de manifestar (sem sombra de dúvidas) que há eventuais culpados de crimes cometidos. Não é tarefa fácil, num país que se rege por clãs feudais que se defendem mutuamente esventrando as opacas, obscuras e complicadas teias das leis e sistema judicial por eles próprios (deputados) criado.
Mas a ironia desta situação, é que toda a confusão agora a ser desmantelada pelo Ministério Público e eventualmente julgada pelos Tribunais, só tem atravessado inúmeros e penosos desertos, porque o regime que em abril do próximo ano completará cinquenta anos, foi por eles próprios (deputados) criado. Um regime que nasceu afogado no medo do retorno da ditadura recém derrubada. Todos os partidos concordaram, numa reciprocação promíscua, que Portugal só poderia ser governado pelo voto nos partidos políticos e nada mais, para que estes fossem o garante democrático.
Agora, essa partidocracia está numa via suicidária sem retorno, cujo único remédio consiste em alterá-la porque, se nos princípios temia-se que o povo português não seria suficientemente maduro e, sendo politicamente ignorante, essa via partidária assegurava o desenvolvimento da democracia, podendo nos anos posteriores, ser então um sistema eleitoral mais livre e democrático, utilizando, por exemplo o sistema uninominal. Mas agora já ninguém quer nem falar no assunto e muito menos alterar a tão famigerada Lei Eleitoral. Apenas umas mãos cheias de democratas honestos falam publicamente, destacando-se o socialista Álvaro Beleza.
Só que os tempos voaram e afinal quem se viciou nos privilégios que ofereciam as eleições pelo sistema de listas partidárias, foram os próprios legisladores.
Passado meio século, o povo começa a chegar aos limites da sua vasta tolerância, pelos abusos e danos que esse sistema eleitoral provocou a partir do início do milénio. O povo afasta-se cada vez mais das urnas de voto, abandonando a elite política na sua voracidade suína pelo poder.
Essa autodenominada elite política que adora rebolar-se na índole pacata de um povo que nunca se cansa de acreditar que «amanhã é que vai ser».
A irresponsabilidade e constantes afrontas à ética republicana por parte dessa elite, é que vai aproximar cada vez mais a extrema-direita do poder. O cansaço está a provocar a erosão completa da Democracia liberal.
O deboche político, as guerras d’arranhanços a ver quem tem as unhas maiores, as cenas de pancadaria nos ministérios, a libertinagem no parlamento – suposta casa da Democracia – as agressões verbais diante das câmaras televisivas, enfim, todo um rol de malefícios políticos interpretados pelos chefes e chefinhos e que são aberrações para qualquer cidadão.
A democracia está refém da elite partidocrática. O espelho desta partidocracia portuguesa está velho e cada vez mais decadente, com a tinta a estalar e a cair nas costas, criando buracos de transparência impossíveis de tapar aos olhos do país.
jose.soares@peixedomeuquintal.com
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Ricardo, Elsa and 234 others
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É oficial, o ordenado mínimo vai mesmo aumentar em janeiro
Editado por Gonçalo Lopes
O Governo havia prometido e agora é mesmo oficial. O salário mínimo vai mesmo aumentar, 60 euros, passando para 820 euros em janeiro de 2024.
O decreto-lei foi esta sexta-feira publicado.
“O presente decreto-lei vem determinar o aumento para (euro) 820 do valor da RMMG [retribuição mínima mensal garantida], com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2024″, lê-se no diploma, onde é referido que a esperança é que em 2026 o mesmo possa chegar, no mínimo, aos 900 euros.
“No âmbito do Acordo foi assumido, como objetivo primeiro, a valorização dos salários em Portugal, nomeadamente com o propósito de fazer aumentar o peso das remunerações no PIB em, pelo menos, três pontos percentuais até 2026 e de convergir com a média da União Europeia, assumindo-se ainda o objetivo de estabelecer uma trajetória plurianual de atualização da RMMG, de forma faseada, previsível e sustentada, com metas concretas anuais, com o objetivo de atingir, pelo menos, (euro) 900 em 2026.”.
Refira-se que este é o maior aumento, de uma só vez, na ordem dos 8%, alguma vez visto em Portugal, e já esta sexta-feira Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, fez questão de o salientar.
“Este é um dos compromissos assumidos, em diálogo com os parceiros sociais, para a dignificação do trabalho e a valorização dos salários. Estamos orgulhosos dos resultados alcançados e certos de que o emprego e salários são o nosso motor coletivo de desenvolvimento“, revelou em comunicado.