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3.10.3. O PREFÁCIO DE TIMOR-LESTE O DOSSIER SECRETO 1973-75
Durante décadas, fui correspondente estrangeiro, e paladino internacional pela causa de Timor em que ninguém acreditava. Era sistematicamente ridicularizado pela direção da LUSA por escrever demasiado sobre a “guerra perdida.” Arquei com consequências, a nível da sanidade mental, durante mais de 24 anos. Em 1999 publico o 1º volume da Trilogia “Timor-Leste: o dossier secreto 1973-1975”, na semana em que o ditador genocida Suharto faleceu (o maior cleptocrata em 32 anos acumulando 53 biliões de dólares). No seu prefácio escrevi:
“Este trabalho mostra a atitude lânguida dos colonizadores, os primeiros europeus a “descobrir” Timor e Austrália, que se descartaram da Austrália e preferiram Timor devido à madeira de sândalo. A expansão holandesa forçou-os a colonizar Timor e a “pacificar” a rebelde população. Este diário de acontecimentos, até à sangrenta anexação, pretende mostrar como Portugal lidou, incompetente e apressadamente, com a descolonização. Timor não estava preparado, nem os portugueses tiveram tempo e, os EUA, Austrália e Indonésia ansiosos para se verem livres do problema. Timor era atrasado, sem educação nem infraestruturas.
A Austrália competia pelo petróleo em plena crise energética de 1973, Portugal aprendia a democracia depois de 48 anos de ditadura, e tentava evitar a Guerra Civil.
Quando a descolonização se inicia, a administração introduz medidas aceleradas para a preparação de quadros com vista à futura passagem de poderes e autodeterminação, mas a Indonésia estava adiantada a falsificar a escrita, apoiada pela histeria anticomunista dos EUA, devido à queda de Saigão, à “Teoria do Dominó” de Kissinger e incentivada pela pragmática diplomacia petrolífera australiana.
Para Portugal, Timor é demasiado longe, pobre e pequeno para ter importância. Deficientemente preparados, os Timorenses esperavam, que o mundo escutasse os pedidos de S.O.S., depois da curta guerra civil e da declaração unilateral de independência, quando os abutres indonésios descem a pique, no mais abafado genocídio do século que ocorre fora dos olhos e ouvidos do mundo. A luta prossegue após a queda de Suharto.
Apesar dos duzentos mil mortos (um terço da população). Timor não era o Kuwait, ninguém escutava os apelos. Ao invés da invasão do Kuwait pelo Iraque (1990) EUA, Reino Unido e potências ocidentais não fizeram campanha contra a brutal agressão da Indonésia. Ninguém se importou então e poucos querem saber agora.
Esta é a razão principal da tese. Dedico-a à memória dos que lutaram de armas na mão, ou doutra forma, pelo direito do povo Maubere à autodeterminação, que com pleno direito têm tentado ao longo dos anos.
Este trabalho acompanha a bibliografia disponível para o período 1973-75: artigos de jornal, entrevistas, a minha vivência em Timor e vinte anos de pesquisas. As conclusões tornam-se óbvias ao adicionarmos os cabogramas secretos de países ocidentais. A tese pretende demonstrar que a enormemente desejada, independência não teria sido viável, mas é mais do que merecida.”
dezembro 1999


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