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São Tomé e Príncipe: exigem-se mais esforços na área da educação
Segundo os observadores São Tomé e Príncipe precisa de continuar a trabalhar para atingir os Objetivos para o Desenvolvimento do Milénio no setor da Educação


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Como o falante galego é visto em Portugal? A esta pergunta de um leitor , Carlos Rocha, responde no Ciberdúvidas da língua portuguesa assim: Há realmente um grande desconhecimento em Portugal acerca das afinidades linguísticas com a Galiza. Perante um falante de galego, é típico um português tentar falar castelhano, muitas vezes porque não reconhece o que ouve como língua ainda muito próxima da que fala a sul do rio Minho. Lembro-me, por exemplo, de que, durante a crise do Prestige no final de 2002, os noticiários portugueses normalmente legendavam as respostas das entrevistas feitas aos habitantes do litoral galego; muitos deles falavam um galego que, apesar da “geada” (troca do "g" por um som parecido com o "jota" castelhano), tinha uma entoação familiar para ouvidos portugueses. Este comportamento dos canais de televisão em Portugal parecia obedecer ao atavismo de considerar castelhano tudo o que se fala para lá da fronteira. Penso ainda que a identidade galega nem sempre é clara para o português médio ou popular. Assim, é curioso que, dialetalmente, nem sempre um galego é apenas um habitante da Galiza. Por exemplo, no Alentejo um galego pode ser um natural das Beiras (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa). E suspeito que no Norte e no Centro de Portugal, em algumas regiões que não fazem fronteira com a Galiza, um zamorano, um salmantino ou até um estremenho de Cáceres – não sei se de Badajoz – sejam todos galegos (o que pode ter alguma verdade histórica em casos como os de San Martín de Trevejo, Valverde del Fresno e Eljas). É claro que também acontece que alguns (ou muitos?) portugueses ficam baralhados quando começam a ler o que se escreve a norte do Minho. É como se dissessem: «o que se passa, que os espanhóis andam a escrever num português estranho?» Recordo que há cerca de dez anos se dedicou um excelente número da revista Colóquio Letras (Fundação Calouste Gulbenkian) à cultura galega. Nele, a prof.ª Pilar Vázquez Cuesta abordava justamente o desconhecimento com que os portugueses (quase sempre não acadêmicos, mas também há acadêmicos) costumam “brindar” os galegos, quando se trata de falar dos laços comuns. Para esta situação contribui certamente o fato de a História ter dificultado desde muito cedo a descoberta ou o reforço desse elo: quando, com D. Dinis, os documentos notariais portugueses passaram a ser escritos na língua que se desenvolvera no Noroeste da Península e a que historicamente poderíamos chamar galego, o reino de Portugal já existia há mais de um século. Assim, ao querer dar nome ao “galego” que se falava do Minho ao Algarve, esse nome foi muito logicamente português, visto que se estava a designar o idioma do Reino de Portugal e do Algarve. Explica-se, deste modo, que se fale em português antigo, não porque se negue a relação ou mesmo a identificação com o galego, mas talvez porque se pensa que o Condado e, depois, Reino de Portugal é que deu consciência idiomática coletiva a uma parte dos dialetos galegos – os que eram falados pelos portugueses. Sobre este assunto, recomendaria uma obra que dedica alguns capítulos ao problema da designação da língua na faixa ocidental da Península: Ramón Mariño Paz, Historia da Lingua Galega, Santiago de Compostela, Sotelo Blanco, 1998. Carlos Rocha :: 30/06/2006 http://ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=18099
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Casamansa-o crioulo, uma lingua que sintetiza o português e as culturas locais
Do contato com os portugueses do sec XV aos finais do XIX em Casamansa surgiu o crioulo, uma lingua que sintetiza o português e as culturas locais. O crioulo falado em Zinguincho,uma cidade do Senegal localiza-se no sul do país na região de Casamança, é do mesmo tipo que o de Cacheu (Guiné-Bissau, país que fica apenas a poucos km desta cidade), com alguns termos acreolizados do francês, sendo contudo intelegivel mutuamente com os crioulos guinienses e mesmo caboverdianos.
O crioulo da Casamansa provém da língua de Camões e de línguas africanas
A seguir passo o “Pai-Nosso” no crioulo de Casamansa
No Pape ki stana seu
Pa bu nomi santificadu
Pa bu renu thiga
Pa bu bontadi fasidu riba di tera suma na seu
Partinu aos pom di kada dia
Purdanu no pekadus, suma no ta purda kilas ki iara nu
ka bu disanu no kai na tentasom
Ma libranu di mal
Amen
Fonte: Dicionário temático da lusofonia, Fernando Cristóvão,Maria Helena Amorim,Maria Lucia Garcia Marques, Susana Brites Moita
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Demasiado importante, para ficar na gaveta!!!!
(PARA APRECIADORES DE QUESTÕES LINGUÍSTICAS)
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Parece um disparate, porém, depois de mais de uma hora a tentar
Parece um disparate, porém, depois de mais de uma hora a tentar perceber como é que qualquer coisa como uma dúzia de letras do nosso ADN (do total de 3 mil milhões) podem revelar o percurso dos nossos antepassados, a ideia até desperta algumas emoções. “Depois de saber que era descendente da avó Helena, fiz questão de ir a Lascaux”, diz José Carlos Soares Machado.
O presidente da Associação Portuguesa de Genealogia (APG) fala das grutas francesas, recheadas de desenhos nas paredes. Ao referir-se a Helena, mergulha naquilo que foram os últimos dez anos de estudos genéticos sobre ancestralidade. Em 2001, o cientista de Oxford Bryan Sykes explicou num livro que era possível alargar as tradicionais árvores genealógicas ao início do Homo sapiens (na região da Etiópia, há 200 mil anos). O público gostou da ideia e os centros de investigação com especialistas em genética começaram a disponibilizar-se para fazer o trabalho. Em Portugal, o Instituto de Medicina Molecular de Lisboa já fez 200 perfis.
Expliquemos a história da avó Helena, caso queira incluir Lascaux nos destinos de férias. Metade dos europeus, e também dos portugueses, descenderão das mulheres que habitaram as quentinhas grutas do Sul europeu (Lascaux mas também Altamira em Espanha e Vila Nova de Foz Côa) durante a última glaciação, há 12 mil anos. Se a mulher que desencadeou toda esta vasta descendência se chamava de facto Helena não se sabe, e talvez seja pouco provável, mas o nome surge no livro de Sykes “As Sete Filhas de Eva”, onde o investigador explica os diferentes perfis genéticos que descenderam da chamada “Eva mitocondrial”, a primeira mulher que passou sequências de ADN às suas filhas através das mitocôndrias dos óvulos.
Das cerca de 30 linhagens maternas já descobertas pelos investigados nas populações mundiais, há duas que parecem ter habitados as grutas do Sul da Europa. Em termos genéticos, chama-se a estes grupos de descendência “haplogrupos” e pode dizer-se que a maioria dos portugueses, como os europeus, descende do H e do U (em Portugal são 41% e 17% respectivamente). Sykes, que queria tornar a história fácil para os leigos em ciência, disse que os portadores da marca genética H eram netos da avó Helena e explicou no seu livro como a senhora era adepta das pinturas rupestres. Resta dizer que entre os famosos netos de Helena se encontra a rainha Maria Antonieta, factóide a que talvez nunca chegasse se se dedicasse a construir a sua árvore genealógica.
Do lado do pai, Soares Machado tem um legado viquingue (bastante comum na Escandinávia), mas mais de metade dos portugueses (55%) descende também dos celtas, que por sua vez descendiam dos homens que chegaram à Europa vindos do Sul da Sibéria, actual Cazaquistão e Usbequistão, antes de se enfiarem nas grutas do Sul. A segunda ascendência mais comum é a dos descendentes das populações que não deixaram África na altura das primeiras migrações, há 80 mil anos (Paleolítico Médio). Estes clãs que se mantiveram pelo Corno de África enquanto a maioria se dedicava a colonizar a Península Arábica parece ter começado a ganhar diferenças genéticas há 53 mil anos. Em Portugal representam 14% das linhagens paternas, mas são um ascendente muito mais comum na região do Magrebe, onde representam 33% a 80% do fundo genético das populações.
Como se faz Maria do Carmo Fonseca, directora do Instituto de Medicina Molecular onde a spin-off GenoMed começou a fazer estes testes há três anos (a pedido da APG), ajuda a compreender a análise que permite conhecer os antepassados. A matéria-prima é o genoma humano, a sequência de ADN onde estão contidas todas as informações genéticas para as células funcionarem e o organismo cumprir as funções vitais. “À medida que o nosso conhecimento sobre o genoma humano tem evoluído percebemos cada vez mais como funciona e que informação podemos encontrar sobre o nosso passado, o nosso presente e eventualmente o nosso futuro”, diz a investigadora Prémio Pessoa em 2010.
Os estudos mais comuns têm a ver com o diagnóstico ou a susceptibilidade a doenças – quando os investigadores procuram mutações ou genes já associados a patologias como o cancro ou a doença de Alzheimer. Mas cedo se percebeu que, além das instruções genéticas, inscritas em zonas que codificam proteínas, havia zonas do genoma que podiam querer dizer algo mais (as mesmas onde se procura informação sobre parentalidade ou maternidade). “O teste é o mesmo mas olhamos para zonas diferentes do ADN, a que chamamos silenciosas porque não codificam proteínas.” Restava um problema: se recebemos informação genética do nosso pai e da nossa mãe, que se mistura, era preciso olhar para regiões que viessem inequivocamente de um ou de outra. A aposta recaiu assim no cromossoma Y (transmitido dos pais para os filhos) e no ADN mitocondrial (contido no óvulo da mãe).
O processo de identificação do haplogrupo acaba por parecer um jogo. Sobretudo desde que passou a haver grandes estudos genéticos para diferentes populações. Confrontando sequências de ADN (a forma como as letras que compõem o código genético estão dispostas), os cientistas acabaram por perceber que a simples troca de letras em posições específicas permite identificar a ancestralidade. Depois de terem a sequência de ADN, folhas onde as letras A, C, G e T se dispõem em partes, os investigadores verificam manualmente as posições utilizadas para definir cada grupo. Assim, imagine-se, se no marcador x (entre seis e nove que é necessário observar até chegar ao veredicto possível mediante o conhecimento actual) há um C em vez de um G, é possível dizer se a pessoa descende por via paterna dos mercadores fenícios que passaram pela Península Ibérica há 3 mil anos ou dos viquingues que invadiram a Escandinávia há 7 mil.
Para ver a ascendência materna repete–se a análise, e as letras, consoante o sítio, podem revelar pegadas históricas mais comuns, ligadas aos refúgios nas grutas francesas e espanholas, ou então (como só acontece com 5% dos portugueses), uma linhagem materna ligada a refúgios da mesma época no Nordeste da Itália. Neste caso, em vez de se partilhar a família alargada com Maria Antonieta poderá chamar primo afastado a Ötzi, o homem do gelo, uma das múmias mais antigas conhecidas, de um homem que terá vivido há 5300 anos.
Apesar de para já ainda não serem muitos os grupos conhecidos, a expectativa dos investigadores é continuarem a aumentar os subgrupos dentro de cada população. A GenoMed tem ainda uma parceria com um grupo de investigação de Santiago de Compostela que permite quantificar o grau de mistura: ou seja, com fundo paterno celta e linhagem materna fenícia, poderá perceber o que pesa mais no seu código genético. Um mapa-múndi com a divisão de populações por haplogrupos permite perceber que entre os nativos da Península Ibérica existe uma grande mistura, enquanto nos americanos e africanos se mantém maior homogeneidade.
Para Maria do Carmo Fonseca, os factos curiosos não se ficam por aqui. Um estudo publicado em 2003 conclui, por exemplo, que 0,5% da população mundial parece ser descendente do imperador mongol Gengiscão, ilustre famoso a quem é atribuído um dos subgrupos do haplogrupo C (dominante no Norte da Ásia). “Na região ocupada pelos mongóis há um padrão que parece tão frequente que, por ter sido datado de há mil anos, permite pensar que 8% dos homens locais descendem de Gengiscão. Ele não podia ter tido mais que umas dezenas de filhos, mas deviam ser tão tortos que dominavam os outros.” Outra verificação que tem gerado polémica, assinada por Sykes, é que metade dos ingleses têm a mesma ascendência que alemães e dinamarqueses. E que não teriam sobrevivido ao frio glaciar sem os abrigos ibéricos.
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A língua portuguesa é mestiça, diz Adriano Moreira Que a língua tem uma origem, um princípio todos sabemos. Que a língua tem particularidades, influências e transformações também entendemos, então porque não conviver com o seu dinamismo, com a sua mestiçagem? Foi pela vontade de descobrir os caminhos da terra incógnita, entre outras missões, que a língua portuguesa se expandiu para territórios impensáveis e hoje é a sexta língua mais falada no mundo e também o ponto de partida para a sustentabilidade da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa). Para o Professor Adriano Moreira, que defende a afirmação do português, a língua portuguesa é mestiça: "Desde as influências ameríndias, às africanas, às alemães no Brasil, por exemplo, às influências que existem em Moçambique, ou em Timor que dorme com o inimigo (Indonésia) e tem a pressão da Austrália, todas elas contribuem para o enriquecimento de qualquer um dos países, mas ao mesmo tempo cabe à CPLP defender a língua portuguesa, instrumento comum dos países que pertencem a este espaço. O Professor também reconhece tratar-se de uma missão complicada devido aos parcos recursos financeiros da organização. Sendo o Brasil a única economia emergente e nele estão depositadas as esperanças de que seja o país que vai conduzir a liderança do consenso da comunidade, segundo explicou Adriano Moreira. Que vantagens traz esta mestiçagem? Se por um lado há o medo, a resistência à mudança, por outro há um horizonte alargado a que a língua portuguesa deve estar aberta. Na semana em que se comemora o dia da língua portuguesa e da cultura da CPLP, Hélder Lucas, Embaixador de Angola junto da CPLP lança o repto: "olhar para a cultura da diversidade como um instrumento para a adversidade". Apesar da mistura, é cada vez mais evidente a vontade de uma maior simplificação, sem prejuízo de ninguém daquilo que une todos os povos da comunidade. Assim, em 1990 foi ratificado o novo Acordo Ortográfico, que Adriano Moreira defende, lembrando no entanto que nestas situações é melhor fazer Declarações e não Tratados, porque "a língua não é dominável, embora possa ser submissa no plano politico-económico". Ana Paula Laborinho, antiga presidente do Instituto Camões (IC), realçou a importância de uma maior investigação em torno dos números que demonstram a expansão da língua pelo mundo e também o papel do Instituto, numa comunicação que evidenciava o "valor da língua portuguesa". Para a professora universitária, há um interesse crescente na aprendizagem do português e também na adopção como segunda língua. Países como o Senegal, China ou República Democrática do Congo têm feito esforços nesse sentido. Aquilo que nos junta muitas vezes também é o que nos separa, desta feita importa saber o que quer dizer Domingos Simões Pereira, Secretário Executivo da CPLP, por cultura desta comunidade. "É algo que ainda estamos à procura de definir e identificar, mas no fundo é um encontro onde o português original se deixa influenciar pelas culturas africanas, brasileiras e timorenses". Se por um lado a miscigenação ajuda-nos a identificar as identidades e a sabermos de onde vimos, por outro ela também contribui para o desenvolvimento da ciência e do conhecimento, como instrumento comum. "A CPLP pode ajudar para uma maior liberdade na circulação de pessoas e de criação de obras, mas acima de tudo para uma maior abertura às instituições educativas, de saúde ou da cultura. Escolhemos a educação como o mais importante no meio de tudo isto, esse vai ser o nosso foco", explica o Secretário Executivo. @Mayra Prata Fernandes http://noticias.sapo.ao/vida/noticias/artigo/1150487.html http://videos.sapo.pt/5IusZPWYn6SdD52DnFSr
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DICCIONARIO DA LÍNGUA BRASILEIRA
Olga Ferreira Coelho *
O Dicionário da Língua Brasileira (DLB) foi publicado em 1832, em Ouro Preto, pela Tipografia de Silva, pertencente a Luiz Maria da Silva Pinto (1775-1869), o autor. No título, a expressão língua brasileira, em referência ao português utilizado no Brasil, chama a atenção não só porque língua portuguesa seria o esperado, mas também porque o autor demonstra ter consciência da ambiguidade do adjetivo escolhido, fato que o leva a esclarecer que a obra não se dirige ao tratamento das palavras e frases que “proferem os Índios”, como seus contemporâneos talvez tendessem a deduzir.
O DLB não reivindica, explicitamente, autonomia para o português falado na América. Diferentemente de trabalhos que seriam publicados no final do século XIX, não contém menção direta a qualquer nível de emancipação “do nosso Idioma” em relação ao português europeu. Não é também um dicionário que procure registrar exclusividades, isto é, um léxico somente empregado no Brasil. No entanto, apesar de estar aparentemente afastado dos projetos literários e linguísticos que animaram o século XIX, o DLB oferece rico registro de variantes do português que se usava àquela época no país. Curiosamente, parece ter sido decisivo para esse registro o fato de o autor ocupar-se da tipografia: das soluções gráficas e de organização de seu texto é que emergem dados sobre a diversificação da língua portuguesa no Brasil. Por exemplo, com o uso de asteriscos, demarca no corpo do texto os termos antiquados:
*Abrego, s.m. Vento Sudoeste.
*Fedo [com e aberto] por feio.
Outra solução, agora com vistas à ortografia, num momento em que ainda não há regulação oficial para isso, é dispor de modo especial os registros que se alternavam:
Lingoa, e melhor
Língua, s.f. parte carnosa, que se move dentro da boca. Linguagem, Idioma. Fig. Porção de terra, ou de mar. Língua de fogo, Labareda. Tomar língua Informar-se. Língua da balança, O fiel, o ponteiro que mostra o equilíbrio.
Com a apresentação de correções e sugestões, distingue usos populares aparentemente atestados de usos recomendáveis:
Parteleira, s.f. Outros dizem prateleira.
Preverso, por perverso.
Não há consistência absoluta na aplicação desses recursos ao longo da obra. Assim, por exemplo, ora se indicam as pronúncias e grafias concorrentes por meio da disposição sequencial das ocorrências envolvidas, seguidas da definição da palavra (v. lingoa / lingua), ora se fazem observações estritamente voltadas para a pronúncia (v. “Preverso por perverso”). Ainda assim, a variação linguística tende a ser registrada.
Ao lado desses aspectos relativos aos modos de apreensão e registro da língua, são dignos de nota os que dizem respeito ao perfil geral do texto: concebido como “portátil”, é um dicionário realmente sucinto, seja em relação à quantidade de itens lexicais descritos, seja em relação à composição dos verbetes. Estudiosos têm defendido, por meio da exposição de marcantes semelhanças, a hipótese de que ele corresponda a uma espécie de versão simplificada e resumida do Moraes. E, de fato, onde o Moraes apresenta séries de entradas pertencentes a uma mesma família de palavras, o Silva Pinto em geral contém apenas uma ou duas; enquanto o Moraes apresenta as variadas acepções de uma mesma palavra, o Silva Pinto destaca uma, ou algumas poucas delas. São ainda suprimidos exemplos e abonações. Não é o caso, no entanto, de tomar-se o DLB como simples resumo do de Moraes, seja porque, apesar do estilo o mais das vezes lacônico, nem
sempre seus verbetes são menos informativos (Moraes: Mamoeiro, s.m. Árvore que dá mamões; Silva Pinto: Mamoeiro, s.m. árvore do Brasil, que dá os mamões.), seja porque, por trás da brevidade, parece haver certo compromisso com a clareza (Moraes: Algaravia, s.f. Linguagem ininteligível, confusa: no mesmo sentido dizemos Falar Vasconso; Silva Pinto: Algaravia, s.f. Linguagem confusa, que não se entende).
O DLB certamente não tem a estatura do Moraes: as descrições são mais apressadas, menos precisas e, em alguns casos, menos corretas também. Silva Pinto também parece não se preocupar com índices de erudição, tradicionalmente dados pela etimologia e pela abonação oferecida pelos “clássicos”. Soube, porém, juntar a seu interesse pela língua as habilidades de editor-tipógrafo e, com isso, desenhar um volume prático e despretensioso, no qual se encontram dados interessantes acerca da língua e dos modos e estilos de descrevê-la.
Há alguns estudos recentes e bem fundamentados acerca do sentido de uma obra como essa no contexto do Império Brasileiro. Tais estudos têm se desenvolvido principalmente nas áreas de História, Historiografia Linguística e História das Ideias Lingüísticas. Neles, fazem-se boas conexões desse dicionário, e de outros dos anos 1800, com questões candentes no Brasil da época, como a étnica e a da identidade nacional. Talvez também seja tempo de restabelecer o Dicionário da Língua Brasileira como fonte para o estudo do português no Brasil.
Sugestões de leitura:
LIMA, Ivana Stolze Lima. Luis Maria da Silva Pinto e o Dicionário da Língua Brasileira (Ouro Preto, 1832). Humanas. Porto Alegre, v. 28, n. 1, p. 33-67, 2006.
COELHO, Olga Ferreira. Os nomes da língua: configuração e desdobramentos do debate sobre a língua brasileira no século XIX. Revista do IEB, 47, set. de 2008, p. 139-160.
PINTO, Edith Pimentel. O português do Brasil: textos críticos e teóricos. Fontes para a teoria e a história. Vol. 1, 1820-1920. São Paulo/Rio de Janeiro: Edusp/Livros Técnicos e Científicos, 1978.
* Olga Ferreira Coelho (CEDOCH-DL-USP).