COVID-19, atualização – dados referentes às 24h00 de 27/3

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COVID-19, actualização – dados referentes às 24h00 de 27/3

AÇORES com mais 2 (DOIS) casos: 1 em São Miguel (indivíduo do sexo feminino, de 37 anos, com deslocação recente ao exterior da Região) e o outro na Terceira (do sexo feminino, 35 anos, sem relação com os casos detectados anteriormente nesta ilha). Ambas apresentam situação clínica estável e estão, de momento, no domicílio.

Até à data, foram detectados na Região 27 casos positivos: 7 na ilha Terceira, 3 no Faial, 7 em São Jorge, 7 em São Miguel e 3 no Pico.

Em Portugal, 5.170 casos confirmados, + 902 (21,1%) face ao dia anterior.

São já 100 os mortos registados no país, + 24 face ao último relatório diário da DGS, com uma taxa de letalidade de 1,93%. Os casos recuperados são 43, sem alteração face a ontem.

Ministra da Saúde revê o “pico” da epidemia de 14 de Abril para final de Maio, pelo achatar da curva, preparando os portugueses para muitos mais casos durante mais tempo.

No país, curva (exponencial) diminuiu o padrão, apontando para um intervalo entre 15 e 17 mil infectados no final de Março. A taxa média de crescimento, desde o 1.º caso, a 2 e Março, passou de 35,9% para 35,3%.

A nível global, a COVID-19 ultrapassou, ontem, a barreira dos 600 mil casos confirmados (duplicou em 6 dias), com os EUA a contabilizarem, por si só, mais de 100 mil casos e em forte aceleração. O vírus já se espalhou, a esta data, por 177 países, e com os relatórios nacionais que serão divulgados durante o dia, a provocar, 30.000 mortos, e a crescer a uma razão diária superior a 3 mil fatalidades.

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um heroi timorense XAVIER DO AMARAL

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Xavier do Amaral
Os meus heróis são normalmente pessoas que de uma maneira ou de outra tentam sobreviver às circunstâncias suas ou das que lhe são impostas. A última vez que falei com Xavier do Amaral foi antes das eleições para a Assembleia Constituinte. Morava lá para os lados de Lecidere bem perto da minha casa no Bairro dos Grilos. Estava vestido com um lençol completamente branco que me fez lembrar em certa medida a figura de Gandhi. Lembro-me que na altura Xanana Gusmão era projetado como sendo o Mandela. Houve uma determinada altura em que coexistiam em Timor, um Mandela e um Gandhi. Conjuntamente com Ramos-Horta fundou a ASDT que mais tarde acolheu a FRETILIN que fora fundada em Lisboa pelos estudantes universitários como Abílio de Araújo, Vicente Sahe, Carvarino, Hamis, Maria do Céu e outros. Xavier do Amaral nunca se ajustou muito bem com o carácter revolucionário da FRETILIN. Adivinhava-se que mais cedo mais tarde havia de ter lugar a ruptura. Era social-democrata e livre pensador. A disciplina revolucionária não se coadunava com o seu carácter. Proclamado Presidente da República na capital e, no mato, durante a guerra da guerrilha foi deposto, sendo acusado de alta traição. Aguardava por ele a mais severa de todas as penas: fuzilamento. Entretanto o acampamento onde estava detido foi capturado pelos militares indonésios tendo ir servir como tratador de cavalos de um general que desta forma quis humilhar o homem que havia proclamado a República Democrática de Timor-Leste. Após o referendo esteve em Lisboa coincidindo com a vinda gloriosa de Xanana Gusmão. Lembro-me da frieza com que ambos falaram no pavilhão de Timor na Expo. Um era o herói e ou outro o vilão. Mais tarde viria a ser recuperado como herói nacional. Está enterrado no cemitério dos heróis, em Timor-Leste. “Xavier do Amaral, o sobrevivente”. Este será talvez o título do próximo romance que escreverei. Claro se o tempo e as circunstâncias em que vivemos me permitirem.
So help me, GOD!

a saúde primeiro jose gabriel avila

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A saúde, primeiro!
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(crónica publicada no Diário dos Açores de hoje)
Nos difíceis dias que (não) correm, confrontamo-nos com um ambiente depressivo que afeta sobremaneira o nosso quotidiano.
Esta imposição sanitária de “ficar em casa”, confinados a quatro paredes e só abertos ao mundo do Covid-19, perante a contingência de sermos atingidos pelo flagelo, limita-nos a reflexão sobre o pós-crise. No pequeno universo das nossas ilhas, só queremos…

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ESCRITEMDIA.BLOGSPOT.COM
Um dia, quando se fizer a história destes tempos, destacar-se-á fatos…

vamos mater a curva epidemiológica

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O nosso confinamento social está de facto a forçar a descer a curva epidemiológica portuguesa.
Hoje em Portugal tivemos mais 902 casos de Covid-19, abaixo dos esperados 118. Esse último valor já está a entrar em conta com os efeitos positivos do confinamento social dos últimos 9 dias. Significa isso que conseguimos evitar 216 novos casos de infeção de ontem para hoje no país.
Pode parecer pouco, mas poderíamos estar hoje num mínimo de 9694 casos (Jorge Buescu) ou num cenário muito pior e semelhante a Itália com 24 866 casos (Jorge Buescu).
Termos evitado 216 casos hoje, implica que retirámos de amanhã cerca de 432 novos casos, no dia seguinte 862 novos casos e assim sucessivamente.
Relativamente ao número de óbitos que subiu uma centena relativamente a ontem, evitamos menos casos com o confinamento social quando comparados com os dias anteriores. Evitamos apenas 7 fatalidades relativamente ao expectável. Esse efeito tão pequeno do isolamento social na redução do número de óbitos está certamente relacionado com o facto de termos deixado o vírus entrar em casas de repouso ou de acolhimento de idosos. Mesmo assim, evitamos que o número de óbitos amanhã crescesse acima do expectável mais 8 casos, no dia seguinte mais 12, e depois 16, 22, 30…etc.
É muito provável que amanhã se ultrapasse no país a barreira dos 6000 infetados (ou andar muito perto), mesmo com o confinamento social. Os efeitos desse confinamento não são imediatos como todos sabem.
Este gráfico do “The Economist” tenta analisar o efeito de “ficar em casa” nesta pandemia.

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Comments
  • Ruben Leite Professor mas não acha que estes números baixos se devem aos poucos testes realizados. Temos muitos casos suspeitos que não estão a ser testados.
    • Félix Rodrigues Isso aplicar-se-ia ao mundo todo. Imagine-se o caso de Itália ou de Espanha. Penso que estamos a acompanhar relativamente bem a epidemia, mesmo com alguma deficiência nos testes.

mais equipamento de proteção nos açores

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Intervenção da Secretária Regional da Saúde.

Texto integral da intervenção da Secretária Regional da Saúde, Teresa Machado Luciano, proferida hoje, em Angra do Heroísmo, na conferência de imprensa no âmbito do acompanhamento da situação na Região da pandemia de COVID-19:
“Na sequência da monitorização que tem sido feita do evoluir da situação na Região da pandemia de COVID-19, o Governo dos Açores tem desenvolvido, nas últimas semanas, um esforço significativo para reforçar o Serviço Regional de Saúde com os equipamentos de proteção que permitam dotar os profissionais de saúde dos meios necessários ao cumprimento da sua importante função.
Face ao atual contexto de grande procura que se vive no país, na Europa e no mundo, este esforço foi particularmente desafiante e exigiu mesmo um processo negocial persistente no mercado nacional e internacional deste tipo de material hospitalar.
Em face desse processo negocial, estamos em condições de anunciar que o Governo dos Açores já assegurou um reforço significativo de equipamentos de proteção individual destinados aos profissionais de saúde e agentes de proteção civil envolvidos neste combate à pandemia COVID-19, correspondendo a um investimento de 9,3 milhões de euros.
Na prática, foram adquiridas 970 mil máscaras cirúrgicas, 1.058.600 máscaras FFP2, 9.800 máscaras do tipo FFP3 de proteção contra agentes biológicos e 3.250 máscaras com viseira integrada.
Este reforço de equipamentos de proteção individual inclui ainda 59.740 fatos de proteção individual, 62.540 óculos de proteção descartáveis, 57.460 batas de uso único impermeáveis, 2.881.760 luvas não esterilizadas, 142.209 luvas cirúrgicas esterilizadas, 82.712 toucas de uso único e 61.900 proteções de calçado.
Este equipamento, adquirido com caráter de urgência, já começou a chegar à Região, sendo que se continuará a registar a sua entrega gradual e contínua a partir da próxima semana, reforçando, assim, o stock existente nas nossas unidades de saúde e nos serviços que prestam apoio mais direto à população.
Com este investimento garante-se uma melhor resposta do Serviço Regional de Saúde aos Açorianos que dele necessitem devido à COVID-19, mas também melhores condições de trabalho e de segurança aos cerca de 5.200 profissionais da saúde e aos 900 profissionais da proteção civil e bombeiros dos Açores, e a tantos outros funcionários da área social que estão diretamente envolvidos nesta verdadeira missão.
Este reforço de equipamentos individuais pretende garantir aos profissionais de saúde as condições necessárias para responder, em segurança, ao evoluir da situação da pandemia na Região nos próximos tempos.
Naturalmente que a aquisição deste pacote de equipamentos não faz com que a nossa atenção sobre esta componente de combate a esta pandemia seja reduzida, mantendo-se não só a monitorização diária dos consumos e das necessidades que se verificam nos hospitais e nas unidades de saúde de ilha de toda a Região, mas também sempre em aberto a possibilidade de novas aquisições nos mercados nacionais e internacionais.
Por outro lado, está já contratado um novo reforço de reagentes e consumíveis laboratoriais para ampliar a nossa capacidade de realização de testes, com a entrega, já também a partir da próxima semana, do material necessário para os dois laboratórios hospitalares para uma capacidade de 51.000 testes.
Além deste reforço significativo e imediato, o Governo dos Açores continua a desenvolver novos esforços para garantir aos laboratórios de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada mais um reforço do material necessário para a realização de testes de despiste do novo coronavírus.
Nunca é demais enaltecer, não apenas o profissionalismo, mas também a dedicação e o empenho que os Açorianos têm sentido dos profissionais de saúde da Região nestas últimas semanas.
O Governo dos Açores enaltece, ainda, o verdadeiro movimento espontâneo de solidariedade que tem surgido na nossa Região, envolvendo cidadãos, mas também organizações e instituições da mais variada natureza e que, na prática, já ascende a um apoio de mais de 600 mil euros em equipamento hospitalar diverso.
Através deste movimento de solidariedade, o Serviço Regional de Saúde conta agora com um reforço de quatro equipamentos, dos respetivos consumíveis e reagentes para os laboratórios de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, que incrementam a capacidade instalada de despiste do novo coronavírus em três vezes mais, com a Região a passar a ter uma capacidade instalada para realizar 500 testes diários.
Através deste movimento de solidariedade, os Hospitais da Região foram reforçados com 29 ventiladores, que se juntam, assim, aos 53 ventiladores que já existiam no Serviço Regional de Saúde.
Através deste movimento de solidariedade, foi garantido também um reforço de 31 equipamentos de monitorização de sinais vitais, ficando o Serviço Regional de Saúde com um total de 237 equipamentos desta natureza.
Através deste movimento de solidariedade, foram também atribuídos ao Serviço Regional de Saúde um vasto conjunto de equipamentos de proteção para os nossos profissionais de saúde, proteção civil e bombeiros.
É, assim, justa uma palavra de agradecimento, em nome dos Açorianos, aos seguintes movimentos e entidades, que passo a enumerar por ordem alfabética:
Academia do Bacalhau da Ilha Terceira,
Academia do Bacalhau de São Miguel,
Agriloja,
Caixa Agrícola dos Açores,
Casa Jota,
Clube Desportivo Santa Clara,
Companhia de Seguros Açoreana,
Farmácia Central da Praia da Vitória,
Frutaria Miguel Estrela,
Fundação Pauleta,
Fundação Pia Diocesana do Bom Jesus – Clínica do Bom Jesus,
Grupo Bensaúde,
Grupo EDA,
Grupo Finançor,
Grupo Ilha Verde,
Level Constellation,
Lions Clube de São Miguel,
Maviripa,
Meka Center,
Micauto,
Monopoly,
Movimento “Todos pelos Açores”,
Paulo Rego Investimentos,
Pronicol,
Santander,
Serralharia do Outeiro,
Simbiente Açores,
Sindicato dos Inspetores da Educação e do Ensino,
Unicol,
Zona de Ideias,
A muitos outros Açorianos que têm também, com os seus donativos, dado o seu contributo para este esforço coletivo da Região,
A muitos Açorianos espalhados pelo mundo, e à sua rede de contactos, que têm facilitado a aquisição de alguns destes equipamentos no mercado internacional,
Ao Grupo SATA, que tem sido um veículo fundamental para transporte dos mesmos para as nossas ilhas,
E a um conjunto extenso de funcionários públicos que tem procurado, de forma incansável, satisfazer as necessidades existentes ao mais diverso nível, numa altura de grande competição internacional por estes bens.
Permitam-me terminar com um veemente apelo a todos os Açorianos.
Estamos numa fase decisiva neste combate à COVID-19 nos Açores, que só terá sucesso se cada um de nós cumprir, de forma escrupulosa, a determinação de ficar em casa e sair apenas nas situações indispensáveis.
É preciso que não nos iludamos com a sensação de fácil segurança que o passar dos dias pode parecer transmitir.
A batalha está em curso. E o Governo dos Açores reforça todos os dias as defesas. Mas quem vai decidir a vitória são todos os Açorianos.
Por isso, sigam as determinações da Autoridade de Saúde Regional, confiem nas decisões técnicas e clínicas em que se baseiam e, sobretudo, protejam-se.
Fiquem em casa. Reduzam as vossas deslocações o máximo possível.
Protegendo-se, protegem a vossa a família, os vizinhos, os amigos, os colegas, toda a comunidade.
Saibam que, todos os dias, em todas as nossas ilhas, um conjunto de mulheres e homens altamente qualificados e empenhados estão a trabalhar, incessantemente, para que passemos todos por esta privação da melhor forma possível.
Protegendo-nos, protegemos também estes profissionais.
Muito obrigada pela vossa atenção.”
GaCS/SRS
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a vida na Etiópia (da nossa ex-associada Flávia Ba

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Aqui na Etiópia, se é que alguém pensa em nós…a vida continua, nem todos podem ficar em casa porque o comércio informal assim o obriga. Estamos assustados, sim, porque não sabemos quantas emergências de hoje serão os óbitos de amanhã. Não há filas nos supermercados, pois estamos habituados a viver com pouco, mas não choramos nem fazemos filas para desinfetantes. Ficar em casa confinados? Para nós não é novidade, pois estados de emergência foram amiúde declarados, sem que o mundo sequer suspeitasse. E não, ninguém está histérico por ter de ficar em casa com o cônjuge e os miúdos. Nós, por cá, agradecemos podermos estar 24 horas com aqueles que amamos. E não, meus caros, ninguém luta por papel higiénico, pois ter comida todos os dias é a maior preocupação. A vida segue normalmente, pois sim,estamos habituados às privações de que ora vos queixais. E muitos de nós vivem dramas de que nem suspeitais: perdemos empregos, somos obrigados a ir trabalhar, apesar do suspeitoso vírus, perdemos filhos e amigos em acidentes, muitos de nós nem temos casa onde ficar confinados. Muitos de nós adotamos os filhos que alguém deixou por não ter meios. E assim segue o Mundo: o corona chegou? Ai, é o fim? Pois o fim é o quotidiano para muitos de nós, bem caladinhos, pois o fim é o início de todos os dias…para muitos de nós.

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É Ç?
Francisco Louçã
Expresso, 28.03.2020
Antes da pandemia, o mundo estava a ser reformatado por uma nova direita. Houve quem achasse que se tratava de um intermezzo e que os tiques de Trump e Bolsonaro eram uma galeria de piadas, mas descobriu-se depressa que encabeçam um mundo novo. A vaga autoritária que lideram é a principal ameaça contra a democracia, e estavam a ganhar. Convém por isso perceber o que lhes dava a vitória: era simplesmente a capacidade de corporizarem uma socie­dade do medo. A garantia de segurança foi a sua chave para o poder. A segurança, no caso de Bolsonaro, são milícias; no caso de Trump, um nacionalismo agressivo; em todos os casos usam a cruzada evangélica. Ora, o mundo descobriu agora que essas prosápias são inseguras. Sugiro então que discutamos segurança como um valor fundamental que é preciso disputar duramente nesta tragédia que estamos a viver.
A SEGURANÇA É O HOSPITAL PÚBLICO
Quando a vida é ameaçada, o mundo vira-se para os serviços públicos de saúde, descobrindo que há algo de essencial antes de tudo, a proteção da nossa gente. Ted Yoho, um ‘trumpista’ deputado pela Flórida, reconheceu que “isto pode ser considerado medicina socializada, mas, em face de um surto, de uma pandemia, quais são as tuas opções?” Macron, ex-banqueiro de gestão de fortunas e agora Presidente francês, estendeu este “socia­lismo” a uma promessa contra a globalização: “Delegar a nossa alimentação, a nossa proteção, a nossa capacidade de cuidar do nosso quadro de vida nas mãos de outros é uma loucura […] As próximas semanas e meses necessitarão de decisões de rutura nesse sentido. Irei assumi-las.” Em todo o mundo, os neoliberais fazem fila para pedir a intervenção do Estado que salve vidas.
Nem todos, pode dizer-se. O mercado ainda dá de si. Bolsonaro assinou um decreto para que as empresas suspendessem os salários durante quatro meses; desassinou horas depois. Laboratórios portugueses cobram testes a 150 e 200 euros, farmácias venderam termómetros a 100 euros e o gel desinfetante chegou a 80 euros. A SIC descobriu um caso de uma doente que fez um tratamento corrente no Hospital dos Lusíadas e a quem cobraram 476,12 euros por equipamentos de proteção (a conta foi retirada quando foi noticiada). Mas é mesmo esta resposta do mercado que demonstra que a segurança só existe no depauperado e corajoso Serviço Nacional de Saúde. Se queremos discutir segurança, comecemos pelo essencial, a vida e a saúde.
A SEGURANÇA É O SALÁRIO
O segundo elemento de uma segurança pública essencial é o salário (e a pensão). Com o meu colega Ricardo Cabral, apresentei um plano simples para responder à emergência que é o pagamento dos salários de março nos próximos dias (e os de abril). Para grande parte das microempresas, que têm até 10 trabalhadores, e das pequenas empresas, que têm até 50 trabalhadores, o risco é a falência. São 1.250.000 empresas, 97% do total, com 2,6 milhões de trabalhadores. E poucas terão capacidade para pagar os salários. O que sugerimos é uma medida de segurança: uma transferência pública para garantir que os salários são pagos. Custará cerca de 1600 milhões de euros em cada um dos meses (o Governo tinha previsto mil milhões por mês para lay-off, o que é pouco e errado, dado que se baseia no corte de salários e incentiva as grandes empresas a afastarem os trabalhadores). Deste modo, não é criada mais dívida nem desemprego.
Tempos excecionais, medidas excecionais: garantir os salários protege o emprego e mostra que, quando sairmos da emergência, não é aceitável o regresso a uma austeridade de que já tivemos experiência. E foram precisos 10 anos para fugirmos dela.
A SEGURANÇA DEVIA SER A UNIÃO
A segurança é, portanto, saúde e salário. Mas seria também uma medida estrutural de cooperação na União Europeia, se ela existisse. É o que se verificará: quando este jornal chegar às suas mãos, já saberemos se o Conselho Europeu aceitou o financiamento através da mutualização por coronabonds para as enormes emissões de dívida que serão necessárias e se escolhe a simples compra da dívida soberana pelo BCE, ou se se virou para linhas de crédito, com as respetivas condições restritivas. E, conforme essa decisão, saberemos se a Itália está a ser empurrada para fora do euro ou da União, ou se a cisão entre o norte e o sul é irreparável num momento em que uma pandemia afeta todos, mas alguns esperam vir a beneficiar dela.

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