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Intervenção da Secretária Regional da Saúde.

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Quando forem às compras não deites as luvas nem as máscaras para o chão.
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Aqui na Etiópia, se é que alguém pensa em nós…a vida continua, nem todos podem ficar em casa porque o comércio informal assim o obriga. Estamos assustados, sim, porque não sabemos quantas emergências de hoje serão os óbitos de amanhã. Não há filas nos supermercados, pois estamos habituados a viver com pouco, mas não choramos nem fazemos filas para desinfetantes. Ficar em casa confinados? Para nós não é novidade, pois estados de emergência foram amiúde declarados, sem que o mundo sequer suspeitasse. E não, ninguém está histérico por ter de ficar em casa com o cônjuge e os miúdos. Nós, por cá, agradecemos podermos estar 24 horas com aqueles que amamos. E não, meus caros, ninguém luta por papel higiénico, pois ter comida todos os dias é a maior preocupação. A vida segue normalmente, pois sim,estamos habituados às privações de que ora vos queixais. E muitos de nós vivem dramas de que nem suspeitais: perdemos empregos, somos obrigados a ir trabalhar, apesar do suspeitoso vírus, perdemos filhos e amigos em acidentes, muitos de nós nem temos casa onde ficar confinados. Muitos de nós adotamos os filhos que alguém deixou por não ter meios. E assim segue o Mundo: o corona chegou? Ai, é o fim? Pois o fim é o quotidiano para muitos de nós, bem caladinhos, pois o fim é o início de todos os dias…para muitos de nós.
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É Ç?
Francisco Louçã
Expresso, 28.03.2020
Antes da pandemia, o mundo estava a ser reformatado por uma nova direita. Houve quem achasse que se tratava de um intermezzo e que os tiques de Trump e Bolsonaro eram uma galeria de piadas, mas descobriu-se depressa que encabeçam um mundo novo. A vaga autoritária que lideram é a principal ameaça contra a democracia, e estavam a ganhar. Convém por isso perceber o que lhes dava a vitória: era simplesmente a capacidade de corporizarem uma sociedade do medo. A garantia de segurança foi a sua chave para o poder. A segurança, no caso de Bolsonaro, são milícias; no caso de Trump, um nacionalismo agressivo; em todos os casos usam a cruzada evangélica. Ora, o mundo descobriu agora que essas prosápias são inseguras. Sugiro então que discutamos segurança como um valor fundamental que é preciso disputar duramente nesta tragédia que estamos a viver.
A SEGURANÇA É O HOSPITAL PÚBLICO
Quando a vida é ameaçada, o mundo vira-se para os serviços públicos de saúde, descobrindo que há algo de essencial antes de tudo, a proteção da nossa gente. Ted Yoho, um ‘trumpista’ deputado pela Flórida, reconheceu que “isto pode ser considerado medicina socializada, mas, em face de um surto, de uma pandemia, quais são as tuas opções?” Macron, ex-banqueiro de gestão de fortunas e agora Presidente francês, estendeu este “socialismo” a uma promessa contra a globalização: “Delegar a nossa alimentação, a nossa proteção, a nossa capacidade de cuidar do nosso quadro de vida nas mãos de outros é uma loucura […] As próximas semanas e meses necessitarão de decisões de rutura nesse sentido. Irei assumi-las.” Em todo o mundo, os neoliberais fazem fila para pedir a intervenção do Estado que salve vidas.
Nem todos, pode dizer-se. O mercado ainda dá de si. Bolsonaro assinou um decreto para que as empresas suspendessem os salários durante quatro meses; desassinou horas depois. Laboratórios portugueses cobram testes a 150 e 200 euros, farmácias venderam termómetros a 100 euros e o gel desinfetante chegou a 80 euros. A SIC descobriu um caso de uma doente que fez um tratamento corrente no Hospital dos Lusíadas e a quem cobraram 476,12 euros por equipamentos de proteção (a conta foi retirada quando foi noticiada). Mas é mesmo esta resposta do mercado que demonstra que a segurança só existe no depauperado e corajoso Serviço Nacional de Saúde. Se queremos discutir segurança, comecemos pelo essencial, a vida e a saúde.
A SEGURANÇA É O SALÁRIO
O segundo elemento de uma segurança pública essencial é o salário (e a pensão). Com o meu colega Ricardo Cabral, apresentei um plano simples para responder à emergência que é o pagamento dos salários de março nos próximos dias (e os de abril). Para grande parte das microempresas, que têm até 10 trabalhadores, e das pequenas empresas, que têm até 50 trabalhadores, o risco é a falência. São 1.250.000 empresas, 97% do total, com 2,6 milhões de trabalhadores. E poucas terão capacidade para pagar os salários. O que sugerimos é uma medida de segurança: uma transferência pública para garantir que os salários são pagos. Custará cerca de 1600 milhões de euros em cada um dos meses (o Governo tinha previsto mil milhões por mês para lay-off, o que é pouco e errado, dado que se baseia no corte de salários e incentiva as grandes empresas a afastarem os trabalhadores). Deste modo, não é criada mais dívida nem desemprego.
Tempos excecionais, medidas excecionais: garantir os salários protege o emprego e mostra que, quando sairmos da emergência, não é aceitável o regresso a uma austeridade de que já tivemos experiência. E foram precisos 10 anos para fugirmos dela.
A SEGURANÇA DEVIA SER A UNIÃO
A segurança é, portanto, saúde e salário. Mas seria também uma medida estrutural de cooperação na União Europeia, se ela existisse. É o que se verificará: quando este jornal chegar às suas mãos, já saberemos se o Conselho Europeu aceitou o financiamento através da mutualização por coronabonds para as enormes emissões de dívida que serão necessárias e se escolhe a simples compra da dívida soberana pelo BCE, ou se se virou para linhas de crédito, com as respetivas condições restritivas. E, conforme essa decisão, saberemos se a Itália está a ser empurrada para fora do euro ou da União, ou se a cisão entre o norte e o sul é irreparável num momento em que uma pandemia afeta todos, mas alguns esperam vir a beneficiar dela.

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Portugal regista hoje 100 mortes associadas à covid-19, mais 24 do que na sexta-feira, enquanto o número de infetados subiu
Source: Portugal com 100 mortes e mais de 5.100 infetados – Jornal Açores 9
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Covid-19: Mais dois casos positivos.
A Autoridade de Saúde Regional informa que foram detetados dois casos positivos de COVID-19 na Região, de acordo com análises realizadas nos dois laboratórios de referência dos Açores.
Foi diagnosticado um caso na Unidade de Genética e Patologia Molecular do Hospital do Divino Espírito Santo, de Ponta Delgada, e um caso no Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular, do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira.
O caso diagnosticado em São Miguel corresponde a um indivíduo do sexo feminino, de 37 anos, com deslocação recente ao exterior da Região.
O caso detetado na Terceira é um indivíduo do sexo feminino, de 35 anos, sem relação com os casos detetados anteriormente nesta ilha.
Ambas apresentam situação clínica estável e estão, de momento, no domicílio.
Os casos estão a ser acompanhados pela Delegação de Saúde Concelhia, estando em curso os procedimentos definidos para caso confirmado e de vigilância de contactos próximos.
À semelhança do procedimento realizado no laboratório da ilha Terceira, o segundo diagnóstico positivo produzido no laboratório da ilha de São Miguel será sujeito a contra-análise no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em Lisboa.
Até à data, foram detetados na Região 27 casos positivos para infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença COVID-19, sendo sete na ilha Terceira, três no Faial, sete em São Jorge, sete em São Miguel e três no Pico.
A informação sobre a pandemia de COVID-19 será atualizada esta tarde, às 16h00, através de conferência de imprensa, a partir da Secretaria Regional da Saúde, no Solar dos Remédios, em Angra do Heroísmo.
A Autoridade de Saúde Regional reitera a necessidade de serem cumpridas todas as recomendações já tornadas públicas a este propósito, em especial a de, em caso de sintomas, não procurar um Hospital ou Unidade de Saúde, mas ligar para a Linha de Saúde Açores – 808 24 60 24.
Para mais informação, deve ser consultado o site criado pelo Governo dos Açores no âmbito da pandemia, em http://covid19.azores.gov.pt, ou a página de Facebook da Direção Regional da Saúde, em https://www.facebook.com/DirecaoSaudeAcores/.
O Governo dos Açores disponibiliza ainda a Linha Açores de Esclarecimento Não Médico COVID-19, com o número 800 29 29 29, que pode ser utilizada entre as 08h00 e as 20h00, todos os dias da semana, e a Linha RIAC 800 500 501, que funciona de segunda-feira a sábado, das 09h00 às 22h30, e aos domingos, das 10h00 às 22h30.
Está disponível, também, o endereço de correio eletrónico esclarecimentocovid19@azores.gov.pt para esclarecimentos sobre as medidas adotadas na Região para fazer face à pandemia do novo coronavírus.


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Mais de 600.000 casos do novo coronavírus foram oficialmente declarados em todo o mundo desde o início da pandemia, estando
Source: Mais de 600 mil casos confirmados e quase 28 mil mortes no mundo – Jornal Açores 9