RUAH , CSI LA , ANTES E DEPOIS

Views: 0

URBANO BETTENCOURT · (quarentene-se em boa companhia…das ilhas

Views: 0

(quarentene-se em boa companhia…das ilhas)

JOSÉ MARTINS GARCIA:

EXTRATERRITORIAL

da relação entre língua e alma
(obviamente colectiva a última)
há tratados tratantes até ao vómito

se tudo fosse como ficou dito
(a blasfémia científica será menor que a outra)
então eu acataria plácido o meu inferno

a minha alma (egoísmo) não é a língua portuguesa
(embora em português me exprima e desespere)
mas um amálgama de nativos erros

por comparação com o padrão que todo lo manda
(excepto obviamente a transgressão que sou)
erros saborosos que infeliz-dificilmente ressuscitarei

assim ementes podrigos de pecados
ingeirados à bocanha dos jarões
como nasseiquedigas e maroiços basta

(lá se foi o relâmpago isolado
onde fulgiu a ilha e logo o escuro
portuguêsmente me devolve a alma usual)

ah lembro-me de me proibirem o verbo abaniar
tão expressivo dizer atirar para algures
o impróprio objecto isto é menos ũa alma

et puis un jour j’ai lu l’histoire
de la Chèvre de Monsieur Seguin
et puis le matin le loup la mangea

agora ando a ler só notas de rodapé
que em português-inglês já são de pé de página
onde muito aprendo da corrupção anímica

onde se explica que morrer frizado é enregelar de vez
e que o sinó é filho factual do tempero açoriano
onde neve não há nem frizas que se prezem

nem comida encanada nem draivas de bâses
nem bossas de camelo nem dos outros
nem lá os talafones servem pra chamar alguém

chamo a isto uma breve amostragem
da alma (se ela é língua) às postas
e pouco rentável no mercado do saber
(

No photo description available.

65 mil  mortos na China???Coronavirus : le nombre de morts en Chine a-t-il été minimisé? – Libération

Views: 0

Comptage difficile des malades du Covid-19, censure, chiffres de crémation manquants… Le bilan officiel chinois est de plus en plus mis en doute.

Source: Coronavirus : le nombre de morts en Chine a-t-il été minimisé? – Libération

Navy Rejects Captain’s Plea to Evacuate Virus-Ravaged Carrier – Bloomberg

Views: 0

A U.S. Navy captain’s dramatic plea to evacuate most sailors from an aircraft carrier struck by the coronavirus was tamped down by an admiral who called for a more gradual rotation of crew members off the ship that’s sidelined in Guam.

Source: Navy Rejects Captain’s Plea to Evacuate Virus-Ravaged Carrier – Bloomberg

Pedro Almeida Maia quando o teletrabalho não é opção

Views: 0

“Ainda não é possível desentupir canos à distância.” — nova crónica sobre o teletrabalho no jornal Açoriano Oriental de hoje. #psicologiadotrabalho #recursoshumanos

Inclui acesso à totalidade das edições impressas, em formato digital, dos jornais e dos respetivos suplementos semanais ou da revista.
ACORIANOORIENTAL.PT
Inclui acesso à totalidade das edições impressas, em formato digital, dos jornais e dos respetivos suplementos semanais ou da revista.

PEDRO GOMES · AMANHÃ TUDO SERÁ PIOR

Views: 0

AMANHÃ TUDO SERÁ PIOR

Neste tempo sombrio, apenas uma coisa importa: salvar vidas, salvar todas as vidas que puderem ser salvas. É preciso fazer tudo o que estiver ao alcance das entidades públicas – em primeira linha – e de todos nós, para vencermos. A esperança não pode ser desesperada, mas determinada. Não sabemos se nos habituamos a um modo diferente de trabalhar, de conviver com os outros apenas pelas redes sociais ou pelo telefone, a este confinamento do qual depende a sobrevivência de todos. Os dias são longos e parecem iguais, escondidos nas rotinas que nos reinventam. Lá fora faz sol ou chove: pouco importa, pois o dia é prisioneiro da janela da sala. A ausência dói como nunca a adivinhámos. Um dia, muito mais tarde, vamos rir-nos, outra vez juntos, destes dias incertos, celebrando o amor e a amizade. Mas, choraremos por todos os que não tiveram a essa sorte e caíram no meio da tormenta que não escolhe ninguém. Já nos faltam as palavras para confortarmos os amigos que perderam familiares ou amigos, sem os podermos abraçar, encostar o nosso coração ao deles e murmurarmos: “estou contigo”. Temos de ser fortes, muito fortes, para descobrirmos novas formas de amor e de amizade à distância. Custa muito, mas tem de ser.
Os dias iguais não são iguais. A disposição e o humor variam em cada dia ou em momentos do dia. Por vezes, estamos animados, quase luminosos. Outras, parece que transportamos o mundo às costas, em que nada nos anima.
Vemos os noticiários, repetindo as notícias do dia, actualizadas ao minuto, vindas de todos os lados do mundo. O cenário é sempre o mesmo: mais mortes, mais infectados, novas incertezas. A vida parece já não ter valor. A dignidade na morte desapareceu, na enxurrada de corpos que enchem morgues improvisadas, às quais as famílias não podem ter acesso por razões sanitárias.
Que vida é esta? Interrogamo-nos, no limite da impotência, ao mesmo tempo que agradecemos silenciosamente a tanta gente anónima, que não aparece nas capas dos jornais ou nas principais notícias dos telejornais, que dá o melhor de si na primeira linha do combate à pandemia e nos serviços essenciais para que a vida em sociedade não pare: médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar das unidades de saúde, bombeiros, polícias, padeiros, empregados de supermercado, bancários, empregos dos correios e tantos outros, cujos rostos enchem o nosso coração, em todas as horas destes dias. A nossa gratidão não chega. Devemos-lhes tudo, eternamente.
Sabemos que não estamos sozinhos, como nos lembrou o Papa Francisco, na passada sexta-feira, numa oração pela humanidade em que apenas pudemos participar através da televisão e dos canais digitais. Num comovedor momento, em que a fragilidade física do Papa numa imensa Praça de São Pedro vazia, nos convoca à oração, independentemente dos credos e das religiões e à solidariedade, apesar do pouco que poderemos ter amanhã. Aprendemos, pouco a pouco, uma nova frugalidade, despojada de bens materiais. Como escreve Rui Pires Cabral, “amanhã tudo será pior/ainda, eu sei: o hábito, a inércia,/o sem remédio da vida – tão pouco/haverá para salvar”.
Que vida é esta? A pergunta não tem resposta. Não a conseguimos encontrar, pois as doenças ou esta pandemia não têm um sentido moral ou uma finalidade. Fustigam a humanidade, como as tempestades ou as catástrofes, seguindo o curso da natureza, ao contrário das guerras.
Não podemos ter medo, embora tenhamos medo.

(Publicado a 1 de Abril de 2020, no Açoriano Oriental)