ICE ILEGALIDADES

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Palavras de um polícia reformado que serviu durante 33 anos.
O ICE não é tecnicamente uma agência de aplicação da lei no verdadeiro sentido da palavra. A sua jurisdição é exclusivamente a detenção de infratores conhecidos da lei de imigração, o que é apenas um crime menor. Esta administração deixou-os ficar completamente fora de controlo. De acordo com as próprias leis do ICE, eles não têm autoridade para parar e deter cidadãos americanos, incluindo parar veículos, a menos que o veículo contenha pessoas para as quais eles tenham mandados ou que sejam reconhecidas como infratores conhecidos. Neste caso, não havia justificativa para o contacto inicial, que foi ilegal. Muitos desses manifestantes sabem disso. Se o ICE tentasse me parar e me tirar do meu carro, eu tentaria fugir ou resistir. Este governo deu-lhes permissão para infringir a lei, em essência. O ICE tornou-se uma agência fora de controlo.
Portanto, sim, estou a dizer que você pode ignorar as ordens deles, mas agora deve ter cuidado com a forma como eles vão reagir. Se você olhar para os casos em que o ICE realizou esse tipo de atividade, em que tirou cidadãos de carros ou de protestos, os cidadãos foram posteriormente libertados porque os procuradores dos EUA sabem que as prisões foram ilegais.
De alguma forma, esses agentes passaram a acreditar que têm poderes que não têm, porque este governo se recusou a disciplinar qualquer um deles por abuso de poder.
Não divulgo o nome porque não tenho permissão para republicá-lo.

 

Words from a retired cop that served 33 year.
ICE is not technically a law enforcement agency in the true sense of the word. Their jurisdiction is solely the apprehension of known immigration violators, which is just a misdemeanor crime. This administration has let them completely get out of control. Under ICE’s own laws they have no authority to stop and detain US citizens including stopping vehicles unless that vehicle contains persons for which they have warrants or are recognized as known violators. In this case there was no justification for the initial contact which was illegal. Many of these protesters know this. If ICE were to try to stop me and pull me out of my car I would try to escape or resist. This administration has given them permission to break the law in essence. ICE has become an out of control agency.
So, yes I’m saying you can ignore their commands but now you must be careful about how they will react. If you will look at cases where ICE has done these kinds of activities where they have pulled citizens out of cars or at protests, the citizens have been subsequently released because US attorneys know that the arrests have been illegal.
Somehow these agents have come to believe they have powers they don’t have because this administration has refused to discipline any of them for their abuse of power.
Withholding name because I don’t have permission to repost with it

António Bulcão “Se não for a bem, vai a mal”.

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“Se não for a bem, vai a mal”.
A primeira vez que ouvi a expressão foi por causa de um xarope para a tosse.
É preciso explicar que cresci nos anos sessenta do século passado, na ilha do Faial. Um tempo de vacinas de deixar marcas nos braços. Anos de óleo de fígado de bacalhau, senhores. Ainda hoje não faço ideia de quais seriam os benefícios de uma coisa que só ouvida dá vómitos – óleo de fígado de bacalhau.
Tomado à colher. Só muitos anos depois inventaram umas cápsulas transparentes com aquilo dentro, custava menos a tomar, mas o primeiro arroto trazia o nauseabundo gosto à boca. Na escola, era a mesma colher para todos, num processo democrático nojento, a gente em fila e o professor primário com o frasco na mão esquerda e a colher na mão direita a enfiar-nos o viscoso líquido pela goela abaixo, quase juro que com secreto prazer.
Uma época histórica em que todos os remédios que sabiam mal eram para o meu bem. E os supositórios, meus amigos? Ardiam no cu que nem malaguetas, mas eram para meu bem, baixavam febres, desenrolavam tripas, ajudavam a respirar nos ataques de asma. Sim, leitores, a asma atacava. Fechava alvéolos, enchia o teto do quarto de estrelas que não existiam senão no meu desespero por ar nos pulmões. Pomadas para as costas, barradas em algodão, ventosas e eu atacadinho.
Lá me levaram meus pais para São Miguel no Carvalho Araújo, no Faial não havia especialistas. Colchões de casca de milho proibidos a partir dessa viagem, na cidade já dormia em Molaflex, mas nas casas de campo era casca de milho que me tapava os brônquios. Não havia bombas como há hoje. Era sofrer, puxar o supositório para cima em arrepios de suor pingado na almofada e rezar para que o ar que entrava pelas janelas me descobrisse.
Os xaropes eram amargos como estupores. Nada destas coisas modernas, com sabor a laranja ou morango. Eram quase sólidos, a muito custo descendo o canal das sopas e com o tal sabor que obrigava a agarrar as bordas no colchão de um lado e do outro para melhor suportar a tortura. Vinha o médico ao domicílio, auscultava costas e peitos, via línguas e gargantas com a gente a dizer “ahhhhhhh”, e depois receitava. Uns rabiscos num papel que só os farmacêuticos conseguiam ler e depois era rezar para que o próximo xarope não fosse tão mau como o anterior.
Mas o próximo foi o pior de todos. Tomado depois do pequeno-almoço, tentei recusá-lo ao almoço. “Toma que é para teu bem”. Mantive a recusa. Veio, então, a tal ameaça: “se não for a bem, vai a mal”. Nestas coisas meu pai não brincava. Mas eu já tinha mamado uma colher a bem, decidi experimentar como seria a mal e mantive a boca fechada. Com a mão esquerda tapou-me o nariz e com a direita enfiou-me o maldito xarope na boca.
Todos estes infantis acontecimentos tiveram lugar vinte e poucos anos depois da Segunda Guerra Mundial. A Europa a tentar reconstruir-se depois de ter ficado em ruínas. A CEE tinha nascido apenas há escassos dez anos, e uma das suas anunciadas intenções era a manutenção da paz. E, de facto, depois dos horrores ainda tão na memória das gentes, pensei que o mundo tomaria outro rumo, o ser humano criaria juízo.
Já tinha havido demasiadas guerras, ao longo de séculos, e sempre por motivos parvos: mais território, mais riquezas, mais petróleo, mais terras raras. Estaria na altura de parar. Pura ilusão. As guerras a que o mundo já assistiu nos oitenta anos que se seguiram à Segunda provam que o ser humano não presta para nada.
O meu sonho de paz na infância, de que os únicos ataques seriam de asma e as únicas bombas inventadas seriam para a atacar, eram apenas devaneios de um rapazito tolo.
As coisas que o Hitler dizia antes de espalhar o terror estão documentadas e muitas delas conhecemos. Não sei se terá dito “se não for a bem vai a mal”, como diz agora o Trump em relação ao seu desejo de ter a Gronelândia. Mas se não nos pusermos a pau com os tiques dos ditadores, acabaremos a viver em ditadura.
(publicada hoje no Diário Insular)
 

Margarida De Bem Madruga

Caríssimo, era assim e sabíamos que era assim…
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