VENDE-SE BILHETE EM PRIMEIRA CLASSE PARA O APOCALIPSE|
Sempre que comeco um texto destes digo a mim próprio, nem acredito que ainda estamos a falar desta merda. Mas estou baralhado, não percebo o que leio ou o que ouco, assumo. Serei provavelmente estúpido mas preciso de ajuda. Alguém desse lado que até 2020 tivesse uma carreira na medicão de alturas de montanhas e que agora dê dicas sobre saúde pública, talvez me possa elucidar.
Primeiro, eis o que me entra em casa pela ligacão pirata:
1. virologistas que defenderam o confinamento a falarem em endemia (Pedro Simas)
2. especialistas do infarmed que previam o fim do mundo e que agora, tendo em conta a taxa de vacinacão e o “estrago moderado” causado pela Ómicron, defendem uma abertura e quicá, que a populacão se infecte progressivamente para criar defesas (Manuel Carmo Gomes)
3. Organizacão Mundial de Saúde a assumir que, provavelmente, metade da Europa ficará infectada e que o covid caminhará na direcão de outras viroses, como constipacões, com as quais teremos que viver.
4. Um número de mortes diárias absolutamente IGUAL aos 8 anos anteriores por esta altura, exceptuando o ano de 2021 (antes das vacinas) – dados do ministério da saúde (foto em anexo).
5. Sair de casa infectado é um problema. Entrar no estádio da luz (ao ar livre) sem máscara não dá. Ouvir um concerto de 2h e cantar para uma tira de pano é razoável. A não ser que se vá votar…aí é como ter aquele cartão do “você está livre da prisão”.
Ora, na minha limitada mente que não sabe nada sobre montanhas, vírus, vacinas ou viroses, isto parece um clássico “xeque-mate”. Um definitivo abrir de portas na pradaria para a malta correr à solta pelos pastos. Isto porque, obviamente, confio, como sempre confiei, na comunidade médica quando o assunto é saúde. Não pergunto a um mecânico sobre pão de trigo e não espero dicas de jardinagem de um pescador. Como tal não me interessa muito o que outros, que não médicos, pensam sobre a pandemia ou sobre a saúde pública em geral.
Mas não é bem isso que está acontecer, pois não? Ainda temos os especialistas de tudo a pedirem encerramento disto, teste daquilo, deslocacões com restricões, putos com teste à porta da sala de aula e por aí fora. Ainda ontem ouvia o Marques Mendes a dizer como é que seria e tal. O Marques Mendes? Já nem o infarmed quer esta teia de complicacões e regras em que nos metemos, e é o Marques Mendes, o Antunes e mais não sei quantos gajos desses que continuam a espalhar a berraria?
Há quase meio milhão de infectados e 160 pessoas em unidades de cuidados intensivos. CENTO E SESSENTA.
As mortes continuam a ser uma ínfima minoria dos casos e quase sempre nos grupos de risco. Não sei se percebem pelo gráfico mas morrem diariamente entre 300 a 400 pessoas em Portugal. Não são as 20 ou 30 que a CNN reporta de hora em hora. É triste, é uma chatice, nenhuma morte vale menos mas vá lá, não podemos continuar a engatar a vida de milhões porque 0.001% vão parar ao hospital. Há alguém com poder de decisão que vá olhando para os números?
Enquanto os amantes do apocalipse vão defendendo este caos de logística em que se transformou a vida fora de casa, empregos vão desaparecendo, sectores inteiros de actividade vão ruindo, programas escolares vão sendo dados pelo éter e uns quantos milhares de trabalhadores vão migrando para a pobreza enquanto perdem o que lhes restava de saúde mental.
No fim disto aparece o CEO da Pfizer a dizer que a quarta dose tem que ser já ao fim de 3 meses e que a vacina deve fazer parte do programa nacional, como a da constipacão para os mais velhos. Eu sou todo pela ciência e tal, mas quando vejo um vendedor de carros a dizer que o meu tem fugas de óleo, fico sempre de pé atrás.
Vou tendo dúvidas se a forca está do lado dos que perderam os empregos, a clara maioria, ou daqueles para quem esta pandemia foi uma extraordinária oportunidade de negócio. A comecar no rapaz que dava aulas sobre pedras rugosas e agora ensina saúde pública ao país e, a acabar, nos milhares de milhões que Estados e contribuintes deixaram nas contas das farmacêuticas e dos laboratórios.
Se alguém me explicar por que razão continuamos, pela via governativa, a fazer o contrário do que os números indicam, eu agradeco.
Mantendo a higiene, distanciamento e evitando contato com grupos de risco em caso de sintomas, o que é que nos falta para voltarmos à vida normal?