De tempos a tempos surgem projectos de obras que visam “responder às aspirações” de um conjunto de pessoas ou interesses que não representam a esmagadora maioria da população. Estas ideias – umas peregrinas, outras megalómanas e outras demasiado originais – chocam com a paisagem das ilhas mas sobretudo com aquilo que uma grande parte dos açorianos deseja para a sua vila, cidade, fajã ou ilha.
Nos últimos anos assistimos a uma maior sensibilidade para estes temas e é com agrado que assisti a algumas apresentações e discussões públicas e que vi as propostas mais disparatadas dos últimos anos não chegarem a concretizar-se, sinal de que o bom senso e o bom gosto ainda vagueiam por aí.
É importante manter uma cidadania activa e os mecanismos de regulação e de participação públicos. É também fundamental que se discuta com maior profundidade o património arquitectónico dos Açores e a evolução que pretendemos, em termos de estética, conforto e construção sustentável (ambiental e económica).
A classificação de projecto de interesse regional (PIR), tendo especial atenção ao valor total do investimento e a criação de postos de trabalho, esquece tantas vezes o mais soberano de todos os interesses: a conservação do património natural e arquitectónico da Região. Sabemos o quanto certos investidores podem ser persuasivos e quão grande é, por vezes, a tentação de competir ou de nos querermos comparar com outros destinos turísticos (Madeira, Canárias, Algarve, etc). Importa pois sabermos para onde queremos caminhar sem esquecermos a nossa identidade.
Deixo aqui o ranking das propostas mais absurdas dos últimos anos. Esta é uma escolha da minha inteira responsabilidade. A lista aceita mais contributos.
1. Hotel de 5 estrelas com 5 andares, 280 quartos e 583 camas que é de uma ordem de grandeza 7 vezes superior ao Hotel da Caloura e 3 vezes ao Hotel Pestana Bahia Praia (Água D’Alto, Vila Franca do Campo, São Miguel)