Et voilà: o helicóptero de Leonardo da Vinci voa mesmo — como um drone

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Uma equipa de engenheiros readaptou um drone com o design do “helicóptero” de Leonardo da Vinci e conseguiu que ele voasse.

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HÁ GENTE TÃO DISTRAÍDA QUE ANDA HÁ CINQUENTA ANOS NA LUA E NEM DEU CONTA 21.7.2019

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CRÓNICA 274. HÁ GENTE TÃO DISTRAÍDA QUE ANDA HÁ CINQUENTA ANOS NA LUA E NEM DEU CONTA 21.7.2019

 

Podia ser assim o início desta crónica, se eu tivesse ido à lua há cinquenta anos com Neil Armstrong e lá tivesse ficado, sendo agora confrontado no regresso, com este mundo louco em que a desintegração da sociedade ocidental arrasta consigo princípios e valores, criando novos robôs ou zombies, novos paradigmas da sociedade, novos escravos com a designação de colaboradores, em que ressurgem fantasmas de nazismo, racismo, xenofobia, egoísmo, mentira, manipulação, a um nível que há muito julgávamos arredados. Afinal, como diz o outro, apenas estalou o verniz primitivo.

A resiliência do planeta irá, decerto, sobrepor-se ao Especismo (Espécie + ismo é o ponto de vista de que uma espécie, no caso a humana, tem todo o direito de explorar, escravizar e matar as demais espécies. Isto no caso de não haver um cataclismo causado por um asteroide ou outro similar, um deflagrar nuclear, uma nova guerra mundial ou qualquer catástrofe que aniquile esta espécie como a conhecemos e que dará lugar a uma outra, como parece ter acontecido vezes sem conta, ao longo da história).

Apesar de ser basicamente otimista e não ser costume meu queixar-me, sou extremamente crítico de tudo o que está mal, e que podia e devia estar melhor, seja na saúde, na educação ou na justiça. Tenho uma fobia extrema contra as injustiças e iniquidades.

Comecemos pela corrupção, hoje endémica em muitos países, mas aparentando ter Portugal como um dos sítios privilegiados por tradição e consciente vontade daqueles que o governam. Muitos são os acusados, mas poucos os condenados por leis feitas à medida e prescrições para todos os gostos.

No campo da violência doméstica, pedofilia, abusos contra cônjuges, crianças e velhos, começa Portugal a sobressair na tabela, em especial quando os juízes denotando um machismo medieval mandam os culpados em paz, para casa, com penas suspensas. Quantas mulheres mais terão de morrer, ser assaltadas e feridas para este tormento parar? Quantas crianças mais terão de ser molestadas até que os juízes sejam justos?

No campo do único desporto nacional tratado como religião, o futebol, assiste-se ao mais despudorado negócio de compra e venda de jogadores e treinadores, que são idolatrados como se fossem deuses duma qualquer religião de fanáticos que assim são melhor manipulados pelas elites dirigentes.

No que à educação diz respeito há professores a morrerem de “burnout”, outros a quererem fugir das escolas, alunos que não querem aprender, dirigentes a inventarem novas práticas que sempre melhoram as estatísticas sem aumentarem os conhecimentos ou a exigência e o presente a trazer-nos uma nova geração diplomada e soberbamente ignorante.

Dito isto, o melhor é hibernar ou voltar para a Lua de onde nunca devia ter saído.

 

TAMBÉM JÁ FUI AO ESPAÇO

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TAMBÉM JÁ FUI AO ESPAÇO
Presumo que os leitores tenham concluído, pela leitura do título, que a crónica seria sobre a viagem ao espaço de Mário Ferreira, que se auto-intitulou como o “primeiro português no espaço”. Os mais atentos às crónicas de Verão, poderão ter achado que o título seria apenas um chamariz para a sua leitura integral., porque é um dos problemas das crónicas em época estival: as solicitações são muitas e a leitura dos jornais fica-se, muitas vezes, pelos títulos. Por vezes, alguns leitores generosos, falam-me da crónica, quase sempre fazendo uma simpática referência ao título. Ao longo dos anos fui aprendendo as subtilezas destas conversas e já sei que, quando é assim, o meu interlocutor apenas leu o título, pelo que me resta agradecer e mudar de assunto com cuidado.
Já estou a divagar, sem me referir a outros leitores que pensaram que o autor escolheu um título invejoso, um pouco pretensioso, como se alguma vez tivesse pago milhares de euros para uma viagem espacial.
A verdade é que já fui mesmo ao espaço, ao longo da vida. Lembro-me dos meus tempos de escola primária – bem sei que agora é primeiro ciclo do ensino básico – em Vila do Porto, em que as idas ao espaço eram frequentes e com algumas longas permanências, que batem os escassos minutos desta moderna viagem. Como já sabia ler e escrever algumas palavras quanto entrei para a primeira classe, tinha uma vantagem sobre os meus colegas: enquanto eles se esforçavam laboriosamente por cumprir com as indicações da nossa professora, eu vagueava mentalmente para fora da sala de aulas, perdido na imaginação e sem perdão do relógio. Os meus colegas acabavam os trabalhos e iam para o recreio e o atrasado cronista acabava por ficar mais uns minutos na sala de aula, para concluir as tarefas, não sem antes ouvir a D. Alice – a minha professora – a perguntar-me: “estiveste outra vez na lua?” A resposta tímida não confirmava ou desmentia a afirmação, num precoce afloramento da vocação de advogado.
Estas deambulações não aconteciam apenas comigo, que não era bicho raro. A pergunta corria toda a sala, sempre que o andamento dos trabalhos não correspondia ao desejo da professora. Por vezes, a referência à lua era substituída por Marte que, sendo um planeta, ao contrário da lua, não melhorava a coisa.
Muito embora tivéssemos de saber o nome dos planetas, numa cantilena de que ainda hoje me recordo, não me lembro de alguém ter sido remetido para Plutão, que ao tempo ainda partilhava a categoria de planeta e ocupava o último lugar da cantilena. Só agora me apercebo que a despromoção que ciência fez de Plutão, em 2006, passando-o para categoria de planeta-anão, afinal traduz uma reiterada prática social.
Não sou o único a reivindicar o estatuto de viajante no espaço, cruzando a Linha de Kármán (linha a 100 quilómetros de altitude, que corresponde ao limite internacionalmente considerado como espaço). Qual de nós nunca esteve aluado, essa curiosa condição que assinala a dissociação entre a presença física do corpo e a ausência do espírito, que procura lugares mais aprazíveis?
O estar aluado é bem mais difícil do que cruzar aquela fronteira do espaço. Exige anos de treino para ser bem feito, para que os outros não percebam que está a acontecer. Quando este nível se atinge, entramos noutra galáxia (cá está mais uma referência). E isto arruma num canto a viagem do Senhor Ferreira.
(Publicado a 10 de Agosto de 2022, no Açoriano Oriental)
You, Tomás Quental, Henrique Levy and 8 others
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  • Sonia Borges de Sousa

    No proprio dia escrevi que muitas vezes fora ao espaço, com uma diferença a descuda era num apice perante um Soniazinha cantado( mania de algarvios… diminuitivo quanto maior e mais cantado maior a corrida) ou uma rabada porque o caderno dos tpc estava em branco.
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    • 1 h
  • Patricia Skrzypietz

    Vou muitas vezes… e cada vez quero ficar mais la do que por aqui…

    Parabéns

    mais uma vez pela crónica. 👏

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    • 1 h