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altice e corrupção

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PONTOS ESSENCIAIS: ‘Operação Picoas’, o caso que lesou o Estado e a Altice em milhões de euros
Lisboa, 18 jul 2023 (Lusa) – A ‘Operação Picoas’ revelou na última semana um alegado esquema financeiro em torno da Altice, detentora da antiga PT, que terá lesado o Estado e o grupo empresarial em centenas de milhões de euros.
O principal visado neste processo, o co-fundador da Altice, Armando Pereira, estava previsto começar a ser ouvido hoje por um juiz, mas o interrogatório deverá começar apenas na quarta-feira.
Eis alguns pontos essenciais desta investigação com cerca de três anos e que aponta para suspeitas dos crimes de corrupção no setor privado, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação.
+++ As suspeitas do Ministério Público +++
O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público (MP), em colaboração com a Autoridade Tributária (AT), lançou no dia 13 de julho uma operação com cerca de 90 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que abrangeram instalações de empresas e escritórios de advogados em vários pontos do país, resultando em três detidos e na apreensão de documentos e viaturas de luxo avaliadas em cerca de 20 milhões de euros.
O MP entende que terá ocorrido uma “viciação do processo decisório do Grupo Altice, em sede de contratação, com práticas lesivas das próprias empresas daquele grupo e da concorrência”, que apontam para corrupção privada na forma ativa e passiva. O Estado terá também sido prejudicado com uma fraude fiscal “superior a 100 milhões de euros”.
Em causa estão ainda indícios de “aproveitamento abusivo da taxação reduzida aplicada em sede de IRC na Zona Franca da Madeira” através da domiciliação fiscal fictícia de pessoas e empresas, a que se soma a suspeita da utilização de sociedades offshore, indiciando os crimes de branqueamento e falsificação.
+++ A influência de Armando Pereira +++
O cofundador da Altice Armando Pereira, que ficou detido no dia 13 na sequência das buscas, será alegadamente o líder de um esquema que, segundo o MP, terá lesado o Estado e o grupo empresarial em centenas de milhões de euros através do envolvimento de dezenas de sociedades controladas de forma indireta pelo seu homem de confiança, Hernâni Vaz Antunes.
O empresário terá utilizado a sua influência no grupo para controlar as decisões de contratação de fornecedores, que, alegadamente, passariam também a ter de contratar serviços a empresas controladas por Hernâni Vaz Antunes para conseguirem os contratos com a Altice.
A influência de Armando Pereira terá também sido concretizada na alienação de imóveis da Altice em Lisboa, cuja venda a empresas na órbita de Hernâni Vaz Antunes terá ficado por valores bastante abaixo da posterior revenda, com mais-valias de vários milhões de euros.
+++ Os outros arguidos +++
Jéssica Antunes, Álvaro Gil Loureiro e Hernâni Vaz Antunes são os outros arguidos da “Operação Picoas”. Jéssica Antunes, filha de Hernâni Vaz Antunes e apontada pelo MP como ‘testa de ferro’ do pai em diversas empresas, foi a primeira a prestar declarações perante o juiz Carlos Alexandre, no Tribunal Central de Instrução Criminal, entre sábado e segunda-feira.
O interrogatório prosseguiu com Álvaro Gil Loureiro, economista que tem ligação a diversas empresas associadas aos negócios em torno da Altice e que estão igualmente ligadas a Hernâni Vaz Antunes.
Já Hernâni Vaz Antunes, conhecido como ‘braço direito’ de Armando Pereira, estava entre os visados da operação, mas não foi localizado e acabou por só se entregar numa esquadra da PSP no Porto no sábado à noite, aguardando detido pelo seu interrogatório. É suspeito de obter comissões milionárias em vários negócios e de colocar ‘testas de ferro’ à frente de empresas para contratos de fornecimento à Altice.
+++ Buscas na sede da Altice Portugal e investigação interna do grupo +++
Um dos focos das buscas esteve na sede da Altice Portugal, em Picoas (Lisboa), com as autoridades a suspeitarem que a empresa tenha sido lesada em vários negócios. Após fonte oficial da empresa garantir nesse dia “toda a colaboração” com as autoridades, o grupo anunciou no dia 14 uma investigação interna relacionada com os processos de compras e os processos de aquisição e venda de imóveis da subsidiária portuguesa, bem como do grupo.
“Com efeito imediato, e até nova ordem, o grupo Altice pediu às sociedades participadas que suspendam qualquer pagamento às entidades visadas pela investigação; suspendam qualquer nova ordem de compra (individual ou parte de um contrato principal) com estas entidades”; e que “seja reforçado o processo de aprovação do grupo relativamente a qualquer ordem de compra”, referiu a empresa em comunicado.
+++ Suspensão das funções no grupo de Alexandre Fonseca +++
Em 17 de julho, o grupo Altice, de Patrick Drahi, anunciou que o copresidente executivo (co-CEO) da Altice Europe, Alexandre Fonseca, suspendeu funções no âmbito das atividades empresariais executivas e não executivas de gestão do grupo, incluindo as posições de ‘chairman’ da Altice Portugal e da Altice USA.
“Decidi acionar a suspensão das minhas funções de co-CEO do grupo Altice, bem como de ‘chairman’ de diferentes operações do grupo em várias geografias. Nunca abdiquei, nem abdicarei, de enfrentar as adversidades com objetividade e firmeza necessárias”, escreveu Alexandre Fonseca na rede social LinkedIn, garantindo ser “completamente alheio ao que tem vindo a ser publicamente veiculado” e que vai exigir “a clarificação de todos os factos”.
Alexandre Fonseca era presidente executivo da subsidiária portuguesa durante o período associado à investigação ‘Operação Picoas’ e, apesar de não ser ainda arguido, estará a ser investigado por eventual recebimento indevido de vantagem com a compra de uma casa em Barcarena a uma empresa de Hernâni Vaz Antunes, residência essa que foi alvo de buscas.
+++ As posições da CEO da Altice Portugal e dos sindicatos +++
A CEO da Altice Portugal, Ana Figueiredo, defendeu, em carta enviada aos colaboradores, que a dona da Meo deve concentrar-se na sua operação, continuar a executar o plano de negócios e melhorar o seu desempenho, independentemente da investigação em curso “dirigida a indivíduos e entidades externas ao (…) grupo”.
“Não nos desviaremos do que era ontem, e será amanhã, o nosso foco – servir os nossos clientes, prestando um serviço de excelência, e continuar a liderar no mercado português, sendo a empresa mais inovadora em Portugal. Em suma, fazer o que sabemos fazer melhor”, lê-se na mensagem da gestora.
Os sindicatos e a Comissão de Trabalhadores da Altice Portugal reuniram-se entretanto com Ana Figueiredo, mostrando-se preocupados com a ‘Operação Picoas’. Jorge Félix, do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice em Portugal (STPT), disse à Lusa que a CEO “confirmou que as empresas estão a ser objeto de investigação” e que “reiterou o respeito por todos os direitos e garantias e estabilidade social e laboral dos trabalhadores”.
+++ Reações políticas à investigação +++
Até ao momento, a reação do Governo ao caso limitou-se à recusa de comentários pelo ministro das Infraestruturas. “Sou o ministro que tutela as telecomunicações e, como é evidente, não faço qualquer comentário sobre processos judiciais envolvendo personalidades ou empresas do setor das telecomunicações. Deixarei, como é a minha obrigação, esse processo seguir o seu rumo normal”, afirmou João Galamba, na segunda-feira.
Em 16 de julho, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, num comício no distrito de Braga, referiu-se unicamente ao “escândalo da Altice”, para criticar as privatizações levadas a cabo no país ao longo dos anos, lembrando os CTT, a REN, a EDP e a Galp, considerando que se trata de “património que o Estado entregou ao setor privado”.
Um dia depois, a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, frisou que o caso ligado à Altice é um indício do erro que o Governo irá cometer com a TAP. “A situação da PT é uma história de terror. A PT empregava milhares de pessoas, tinha tecnologia de ponta, desenvolveu serviços inovadores e fez tudo isto enquanto era pública. Mas, a partir do momento em que foi privatizada, transformou-se num joguete na mão de poderosos”, disse.
ALU/JGO (JGS/AYC) // ZO
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FAIAL MAU NÍVEL DE COBERTURA DE COMUNICAÇÕES

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Quase 15% da ilha do Faial apresenta má cobertura de comunicações – ANACOM
Horta, Açores, 18 jul 2023 (Lusa) – Quase 15% do território da ilha do Faial, Açores, apresenta “má, muito má ou qualidade inexistente” de comunicações de dados e de voz, revela hoje um estudo de cobertura de rede móvel divulgado pela Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM).
“Os três operadores de comunicações que existem na ilha [MEO, NOS e Vodafone] apresentam também baixa qualidade de sinal”, explicou João Cadete de Matos, presidente do Conselho de Administração da ANACOM, em declarações aos jornalistas, na cidade da Horta, após a apresentação das conclusões do estudo ao município da Horta.
De acordo com o mesmo estudo de cobertura da rede móvel no Faial, os serviços de voz são considerados “aceitáveis ou satisfatórios”, apresentando uma “média de 96,8% de chamadas finalizadas em todos os operadores”, ao passo que a cobertura radioelétrica variava entre 97,3% na MEO e 99,5% na Vodafone.
Já no que diz respeito aos serviços de dados, o estudo da ANACOM aponta para resultados “aceitáveis”, mas de “qualidade média”, ressalvando que “muitos testes não foram concluídos” por apresentarem “velocidades baixas ou aceitáveis” (75,4% na MEO, 90,2% na Vodafone e 94% na NOS).
“Há um défice na qualidade do acesso à internet no concelho da Horta”, referiu João Cadete de Matos, salientando que os operadores de comunicações “são obrigados” a oferecer uma maior velocidade de serviço de dados nas ilhas.
O estudo efetuado pela ANACOM identificou como “piores desempenhos”, em termos de voz e de dados, as zonas de acesso às Levadas, a estrada interior da ilha, a zona do Capelo e a zona do Jardim Botânico de Pedro Miguel, onde a MEO apresenta também “o pior desempenho”, entre os três operadores.
Em sentido contrário, as zonas residenciais de todas as localidades do concelho da Horta apresentam “os melhores desempenhos” na generalidade dos percursos efetuados, nos serviços de voz e de dados.
Os estudos de cobertura de rede móvel realizados pela ANACOM têm sido desenvolvidos em concelhos sinalizados como tendo zonas deficitárias, ou com maiores fragilidades em termos de qualidade de serviço.
“Os estudos têm em vista simular a experiência que qualquer consumidor tem ao usar a rede do seu operador, nomeadamente em termos de existência de sinal, realização de chamadas telefónicas e testes de velocidade de dados”, justifica a Autoridade Nacional de Comunicações no seu ‘site’.
Os testes são realizados recorrendo a ‘software’ instalado em telemóveis/‘smartphones’, sendo os níveis de sinal/tecnologia recolhidos em ‘idle’, assim como durante operações de chamadas de voz e testes de dados, simulando o uso normal de um cidadão.
RF // MCL
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cientistas ou precários?

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Trabalhadores científicos protestaram junto à Assembleia da República contra precariedade (C/ÁUDIO)
*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***
Lisboa, 18 jul 2023 (Lusa) – Algumas dezenas de trabalhadores científicos concentraram-se hoje em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para protestarem contra a precariedade na ciência, um problema que se arrasta há anos e afeta cerca de 80% destes profissionais.
“Ministra escuta, a ciência está em luta” foi a palavra de ordem mais ouvida entre os investigadores, doutorados e não doutorados, que se concentraram em frente ao parlamento para “fazer eco na Assembleia da República” do problema da precariedade na ciência.
“A precariedade é que mata a ciência” foi o nome da concentração que decorreu enquanto a ministra Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, era ouvida na comissão parlamentar de Educação e Ciência, por requerimentos do PCP e do BE sobre a precariedade de docentes no ensino superior e investigadores científicos.
“Estamos aqui para nos fazer ouvir. Não é a primeira vez que nos manifestamos em público por causa deste problema. E este problema chama-se precariedade no ensino superior e ciência e chama-se um setor que tem 80% de precários. Queremos que este problema seja resolvido. Têm sido feitas muitas promessas por vários governos, mas urge acabar com este problema porque estamos a falar de quadros altamente qualificados de todo o país, quadros que são necessários ao país e que objetivamente não tem direito a uma carreira”, disse aos jornalistas o vice-presidente Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup).
Raul Jorge considerou “absolutamente inadmissível” que continuem a existir largas centenas de trabalhadores “sem direito a uma carreira e, muitas vezes, sem qualquer tipo de proteção social e sem qualquer possibilidade de participar nos órgãos dirigentes das instituições em que trabalham”.
“Estamos a falar de pessoas que trabalham e não têm direito a uma carreira. Queremos combater os elevados níveis de precariedade neste setor”, precisou, dando conta que o número de trabalhadores científicos precários “tem aumentado e de forma significativa”, disse.
O sindicalista sustentou que este problema se arrasta há muitos anos, sendo “necessário neste momento vontade política para o resolver”.
Por sua vez, Miguel Viegas, docente da Universidade de Aveiro e dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), considerou que a precariedade neste setor “compromete a investigação científica”.
Para o dirigente da Fenprof, os investigadores têm de estar tranquilos em relação à sua própria situação laboral e “o sistema científico tem tudo a ganhar” ao integrá-los na carreira.
Miguel Viegas explicou que os investigadores, quando ficam com um projeto, “ganham financiamento para o seu ordenado mas também para o financiamento da instituição”, que pode variar entre os 20% e 25%, desempenhando por isso um “papel central para o prestígio das universidades”.
“Como esses investigadores estão precários estão constantemente preocupados, em primeiro lugar a desenvolver o trabalho que os emprega, mas também estão preocupados em candidatar-se para outros projetos para garantir o seu futuro imediato. Isto é extremamente injusto, desgastante e negativo para as intuições e para o próprio sistema científico nacional”, frisou.
Os investigadores exigem a substituição destas bolsas de investigação por contratos de trabalho.
O dirigente da Fenprof avançou que os investigadores vão continuar a negociar com o Ministério Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e marcar presença em futuras iniciativas até que o problema seja resolvido.
“A posição do Ministério evolui, mas ainda estamos muito longe de uma situação minimamente justa para cerca de 4.000 investigadores precários”, disse, denunciando que “há de facto uma situação de quase escravatura”.
O protesto foi promovido por diversas estruturas representativas do setor, nomeadamente Fenprof, SNESup e Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC).
CMP // JMR
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australiano e cachorro sobrevivem 2 meses à deriva no mar

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Australiano e seu cachorro sobrevivem dois meses no mar comendo peixe cru e água da chuva.
18 de julho de 2023
Um marinheiro australiano e seu cachorro foram resgatados depois de ficarem à deriva no mar por meses em um notável conto de sobrevivência que foi comparado ao estrelado por Tom Hanks Náufrago.
Tim Shaddock, um morador de Sydney de 51 anos e sua cachorra Bella, sobreviveram no mar comendo peixe cru e bebendo água da chuva, segundo relatos locais.
O médico que atendeu o marinheiro disse que ele apresentava “sinais vitais normais” e disse que seu cachorro está “estável e muito bem”.
Shaddock e Bella foram resgatados na costa do México depois de passarem dois meses incríveis perdidos no mar.
Semanas após a viagem de La Paz, no México, para a Polinésia Francesa, o barco foi severamente danificado por uma tempestade, levando-os a passar os dias esperando por um resgate.
A mídia local informou que, aproximadamente dois meses depois, a salvação chegou quando um helicóptero que acompanhava uma traineira de atum avistou o barco do Sr. Shaddock.
“Passei por uma provação muito difícil no mar. Só estou precisando de descanso e boa comida porque estive sozinho no mar por muito tempo. Quanto ao resto, estou muito bem de saúde”, disse ele ao 9News da Austrália após o resgate.
O especialista em sobrevivência no oceano, professor Mike Tipton, disse à Sky News Australia que a história de resgate do marinheiro australiano foi “notável”.
“É uma agulha no palheiro”, disse o professor Tipton.
Ele foi citado por fim de semana hoje como dizendo que “a sorte foi apenas uma parte da incrível história da dupla”.
“É uma combinação de sorte e habilidade.”
“E também sabendo, por exemplo, como Tim sabia, que durante o calor do dia, você precisa se proteger porque a última coisa que você quer quando corre o risco de ficar desidratado é suar”, disse ele.
“As pessoas precisam avaliar quão pequeno é o barco e quão vasto é o Pacífico. As chances de alguém ser encontrado são muito pequenas.”
O especialista em sobrevivência no oceano também credita a cadela, Bella, por ter ajudado o Sr. Shaddock uma “quantia tremenda”.
O especialista em sobrevivência no oceano, professor Mike Tipton, disse à Sky News Australia que a história de resgate do marinheiro australiano foi “notável”.
“Acho que isso pode ter feito a diferença”, disse Tipton.
“Você está vivendo muito no dia a dia e tem que ter uma atitude mental muito positiva para superar esse tipo de provação e não desistir.
“Mas também ter um plano, racionar-se em termos de água e comida, é realmente o segredo para longas viagens de sobrevivência.
“Imagine como seria escuro e solitário lá fora à noite”, disse ele.
A traineira de atum está atualmente a caminho do México, onde Shaddock será submetido a exames médicos e receberá tratamento adicional, se necessário.
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Faturas falsas com a Sabseg e milhões em direitos televisivos. Os desvios da família Altice – ZAP Notícias

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Filha, genro e irmão de Hernâni Vaz Antunes estão sob mira na Operação Picoas, que prevê esquemas de contratos de direitos televisivos e faturações falsas com a Sabseg que terão originado milhões de euros ilícitos. Alguns já pedem nacionalização. Um dia depois de Alexandre Fonseca ter suspendido

Source: Faturas falsas com a Sabseg e milhões em direitos televisivos. Os desvios da família Altice – ZAP Notícias

Onde está Qin Gang? MNE chinês não é visto há mais de três semanas

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O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Qin Gang, não é visto em público há mais de três semanas e já perdeu compromissos diplomáticos importantes, o que gerou dúvidas crescentes sobre o seu paradeiro.

Source: Onde está Qin Gang? MNE chinês não é visto há mais de três semanas

arte nos açores

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Catarina Alves diz que tudo é possível com muito trabalho
Escultora transforma a natureza açoriana em arte através da sua marca Pedras de Lava
Correio dos Açores – Como e quando descobriu a sua paixão pelas artes, em particular pela escultura?
Catarina Alves (Artista) – Desde criança que gostava de trabalhar com vários materiais, de fazer experiências e de sujar as mãos. Venho de uma família de pessoas dotadas para as artes, com jeito para trabalhos manuais. A minha mãe era costureira e o meu pai sempre teve muito jeito para a carpintaria.
As pedras e os elementos da natureza sempre me fascinaram. Fazia colecções de pedras, galhos, troncos, folhas. Na escola era muito criativa, especialmente na parte da plasticidade e de exploração dos materiais. Quando fui para o Liceu (Escola Secundária Antero que Quental) enveredei pelas artes e foi nesta escola que desenvolvi mais o gosto pela expressão plástica. Na altura de escolher a universidade, optei por seguir Belas Artes. Entrei no ensino superior em 1999 e terminei o curso em 2004. Nos dois primeiros anos da licenciatura, tínhamos pintura, escultura e design em comum para todos, e nos últimos três anos é que nos especializávamos numa dessas áreas. No meu caso, a parte da escultura, as técnicas da madeira, da pedra, do gesso, foram-se tornando cada vez mais aliciantes.
Na faculdade, cheguei a levar pedras de São Miguel para Lisboa para fazer esculturas. Confesso que sou um pouco obcecada com o que define a minha terra. O basalto, que é a nossa rocha vulcânica, tem uma energia que não se encontra em mais matéria nenhuma. Sinto muito a ligação à matéria, com a rocha e com a energia que vem da terra.
Como nasceu a sua marca Pedras de Lava?
Depois da faculdade, fiz alguns trabalhos, mas sentia que me faltava algo. Como gostava de bijutaria e também por não encontrar em São Miguel nada com que me identificasse quando queria usar um acessório diferente, comecei a fazer algumas peças por brincadeira, utilizando cascalhos e outros materiais banais. Fui desenvolvendo algumas coisas e as pessoas foram gostando.
Porquê o nome Pedras de Lava?
Desde o princípio, decidi que tinha de se chamar Pedras de Lava, porque associo a pedra e a lava à origem, aos Açores. Os Açores são uma região rica em rochas vulcânicas, devido à sua formação geológica. Por todo o lado, existem pedras de diferentes formas, repletas de minerais. Cada pedra tem uma razão de existir e cada uma tem um sentido a dar às nossas vidas, por isso é que quando trabalho a pedra vejo nela a sua alma, e ela a minha.
De que forma a natureza e o artesanato dos Açores influenciam as suas criações?
Venho de uma família com uma raiz rural, muito ligada à terra. A minha mãe ensinou-me a fazer bordados e rendas. Dou muito valor às coisas que os meus antepassados fizeram. Quando comecei a trabalhar na marca Pedras de Lava, fiz uma série de peças alusivas a isso. Na altura, usava-se muito os maxi colares e eu fiz alguns que são mesmo bordados com linhas e missangas, inspirados nos bordados tradicionais. A parte dos lavores, dos trabalhos minuciosos que as mulheres faziam, sempre me fascinou.
Além disso, tento mostrar um pouco do que me define e que define a Região porque acredito que as Pedras de Lava também levam o nome dos Açores para outros locais do mundo.
Tenho como preocupação criar peças bonitas e faço-as a pensar no que eu gostaria de usar, e não apenas a pensar nos turistas. Não as faço só para agradar aos outros. No fundo, faço peças de autor, statement pieces. Quem usar uma peça destas, está a incorporar a marca.
Até onde já foram as suas peças?
Já tenho algumas sementes espalhadas por aí. Sei que estão no Dubai, na América, no Canadá, em Inglaterra, em França e nos países nórdicos também tenho bastantes.
Como reutiliza e valoriza materiais residuais e elementos da natureza nas suas peças?
Na escultura procuro a reutilização dos materiais, pois preocupa-me muito a questão do ambiente. Para as criações da Pedras de Lava, utilizo as sobras de madeira de projectos que já fiz e de outros carpinteiros. As pedras que uso são igualmente sobras dos meus trabalhos de escultura, para os quais fui à pedreira, ou seja, é feito de forma sustentável. No projecto Manifesto ao Desperdício tive a oportunidade de explorar muitos materiais pouco comuns, nomeadamente o plástico. Pedi no centro de triagem de Ponta Delgada que me fornecessem diversos sacos de diferentes cores para fazer tapeçarias, desenho com plástico sobre papel, entre outros. Criei muitas pastas utilizando papel e introduzindo em simultâneo ráfia desfiada ou plástico triturado. Realizei inúmeras experiências que me possibilitam criar outras esculturas com materiais diferentes. Ao fim ao cabo, os artistas plásticos são como os cientistas, na medida em que estamos sempre à procura de inovar e de experienciar técnicas e materiais diferentes.
Fale-nos sobre o Manifesto ao Desperdício…
Manifesto ao Desperdício foi um projecto que surgiu de uma exposição que fiz na Ribeira Grande em 2019, que tocava na sensibilização ambiental devido ao problema da poluição. Esta exposição suscitou o interesse da MUSAMI em apoiar o projecto. Manifesto ao Desperdício foi uma exposição itinerante que percorreu a ilha toda.
O projecto era um percurso que reflecte a forma como vejo o meio ambiente onde me integro, e o impacto deste meio ambiente em mim. Uma das séries que trabalhei foi sobre a metamorfose. Isto é, como eu me transformei também e como senti o impacto destes materiais. Ao fim ao cabo, este projecto acaba por resumir um pouco o percurso. Por outro lado, procurei passar uma mensagem. Tentei fazer algo que tivesse algum impacto nas comunidades. Mesmo que seja pouco, sempre influencia alguma coisa.
No âmbito deste projecto, fiz algumas visitas guiadas a jovens e crianças de várias escolas. O feedback deles foi muito interessante. No mínimo, obriguei-os a pensar e reflectir sobre o desperdício e as questões ambientais. Espero que tenha sido um contributo para que tenhamos um mundo melhor. Manifesto ao Desperdício foi a realização de um projecto que foi concebido por mim, do início ao fim, e que fechou um ciclo do meu trabalho.
Onde se podem encontrar as suas peças?
De momento, tenho as minhas peças à venda na loja Portugal Nice Things em Ponta Delgada, porque não consigo produzir muito. Já tive na La Bamba, mas não estava a conseguir produzir o suficiente pois tenho outros trabalhos a decorrer em paralelo.
Em que se inspira para criar as suas peças?
Tento criar colecções inspiradas nos elementos da natureza. Há dois anos, a colecção Ígneas foi inspirada no fogo. A mais recente é Terras de Bruma e é inspirada na terra. Nos materiais que utilizo, a madeira e a pedra, quase que só tiro o excesso de informação e tento conjugar os materiais.
A inspiração vem com muito trabalho. Há muita pesquisa e reflexão por trás. Esforço-me para ter uma ideia, ou seja, procuro reunir elementos para que consiga criar uma ideia. As ideias não surgem do nada, mas aparecem quase naturalmente depois de muita pesquisa e de muito pensar sobre aquilo.
Já teve alguma experiência desafiante ao criar as suas peças?
Já tive muitas, principalmente quando se trata de encomendas porque o cliente tem uma ideia e cria uma expectativa em relação ao que eu vou fazer, e é complicado superar as expectativas. Outro aspecto desafiante é a pressão do tempo. Conciliar o timing com a expectativa do cliente creio que é o mais desafiante.
Como é ser artista e viver da arte nos Açores?
Ainda ando a “sobreviver”, mas tudo é possível com muito trabalho. Ao longo dos anos tenho vindo a desenvolver vários projectos e fazer várias coisas, e tenho conseguido garantir a minha sobrevivência. Tenho também uma boa rede de apoio familiar. Sinto que, aos poucos, estou a conseguir crescer como artista. Estou a fazer a minha caminhada, com muitas pedras, mas que são todas necessárias, pois colho-as todas para utilizá-las nos meus trabalhos (risos). Destaco que tenho tido a ajuda, no que toca a estabelecer a marca Pedras de Lava e a torná-la sustentável, da MOVE ONG, uma organização que veio para São Miguel em 2020.
Além de artista, é formadora…
Trabalho com a Aurora Social. Faço, uma vez por semana, uma sessão de artesanato com eles. Nos últimos dois anos lectivos, estive a trabalhar em colaboração com a VidAçor – Associação de Desenvolvimento Comunitário. Eles têm um projecto muito interessante, denominado “Expressividades”, que leva as diferentes expressões artísticas a crianças do segundo ano. Fiquei encarregue da parte das expressões plásticas. O ano passado, começámos um projecto de sensibilização ambiental através da arte, com algumas turmas da Escola Rui Galvão de Carvalho em Rabo de Peixe.
Quais são os seus objectivos para a marca Pedras de Lava? O que gostaria ainda de explorar?
A marca Pedras de Lava já existe há alguns anos, mas sinto que agora é que ela está a crescer com força. Ambicionava que a marca fosse conhecida em todo o mundo. A nível de escultura, gostava de desenvolver alguns projectos, no entanto vejo-me cada vez mais a aplicar a escultura às peças pequenas das Pedras de Lava. Já deixei de fazer planos a longo prazo, na medida em que isso me bloqueava. Tenho uma projecção do que gostava de fazer mas sem grandes expectativas. Vou vivendo um dia de cada vez.
Carlota Pimentel *
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“I may not agree with what you have to say, but I will defend to the death your right to say it.”
Voltaire

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Alexandrina Bettencourt