crónica de josé soares

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Peixe do meu quintal

Incógnitas Mudanças

Todos adorámos férias. Descansar o espírito é fundamental para que o corpo possa continuar na labuta diária.

Nesta linha, as praias costumam ser o refúgio de milhares de cidadãos que procuram o relaxamento que oferecem o Mar e o Sol. Para nós insulanos, o Mar é parte integrante do nosso corpo. E o nosso contacto com ele é tão importante, que muita da nossa Diáspora percorre milhares de quilómetros só para estar junto a ele, o Mar da nossa consolação. Mar-d ’Ilhas, diferente do Mar-continente. Mar que cheira a algas, a lapas e peixe e que se deleita contra a rocha negra asfáltica, beijando-a constante e eternamente. Quando estamos aconchegados no colo da Ilha, a sensação de que estamos isolados e sós no Universo é quase real, tal é a paz que nos absorve. E no entanto, o planeta sofre à nossa volta.

As guerras por pedaços de terra continuam;

A produção alimentar mal distribuída – de propósito – pela humanidade empobrecida;

A manipulação e controlo do capital, juros, inflação, etc.;

A delapidação dos recursos do planeta até à exaustão.

Os ‘acidentais’ escapes de bactérias venenosas de laboratórios, que provocam epidemias globais;

As persistentes nuvens provocadas pela queima de milhões de toneladas de carbone – e a que ninguém consegue dar solução de alívio;

Os aumentos descontrolados da temperatura terrestre, provocando secas e incêndios que destroem cada vez mais as mais variadas espécies de vida do planeta;

Os sistemas políticos livres e democráticos, afogam-se no mar de incapacidades próprias, desmazelos, improdutividades, vícios hereditários, exclusão de toda a inovação ou iniciativa;

As religiões matam pelo predomínio das massas. São cada vez mais intolerantes, racistas e discriminatórias de género, na luta pelo poder e controlo;

Na Era dos três Is (III – Idade da Informação Instantânea), a velocidade da comunicação deixou de existir e tudo pode ser escrito, relatado ou testemunhado pelo cidadão, cada vez mais envolvido e informado. As consequências são uma maior participação do cidadão e o conhecimento derivado provoca calafrios nos dirigentes que até há poucas décadas controlavam a informação e o intelecto.

Na política, toda esta imensa panóplia leva-nos a resultados cada vez mais imprevisíveis, com os falhanços dos clássicos estudos às escutas ou sondagens. A Inteligência Artificial tornou-se na ferramenta privilegiada da classe política para a sua manutenção no poder.

A população mais jovem, sofre com as deceções criadas para a sua existência. São os velhos professores que produzem os programas educacionais caducos e improdutivos, perante a rapidez da Era que atravessam. Esses jovens protestam e contestam nos espaços públicos esse descontentamento, arruinando tudo à sua volta, apenas para se fazerem ouvir.

Demasiado complexa esta conjuntura que nos ultrapassa a todos.

Tempos novos, que requerem liderança forte e corajosa, inexistente na moderada e complacente situação global.

Apenas as demagógicas promessas dos candidatos a eventuais ditaduras, fornecem à extrema-direita a fórmula para a tempestade perfeita, no oceano da política mundial.

 

peixedomeuquintal@josesoares.com

 

a origem da gaita de foles

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Qual é a sua origem?
A Gaita-de-fole parece encontrar o seu espaço de difusão primordial a partir da expansão dos povos pastoris do Mediterrâneo ou da Ásia, visto tratar-se de um instrumento profundamente associado ao contexto sócio-económico pastoril – basta pensar que os foles são feitos geralmente com peles de animais de pastoreio, que também serviam para fazer recipientes para líquidos ou grão (odres) – sendo em redor do espaço mediterrânico que se encontra a maior variedade de modelos de instrumentos deste tipo.
Todavia, é preciso ter em conta que o uso de odres (sacos flexíveis de pele) era muito usual no mundo antigo e não se limitava aos povos pastoris. Muitas culturas urbanas usavam-nos para transporte de água, vinho, óleos, cereais ou grão. Ou seja, os pastores poderiam ser os principais fornecedores, mas não os únicos utilizadores dessa tecnologia.
Isto significa algo muito simples: o instrumento Gaita-de-fole pode ter surgido em qualquer contexto, em qualquer parte do Mundo e provavelmente, até em vários sítios ao mesmo tempo.
É a Idade Média, no entanto, a época que aparenta ter sido o período de maior expansão e popularidade do instrumento – é aí que surgem com mais frequência as representações de pastores em cenas de Natividade, quer em pintura, iluminura ou escultura, onde se encontram figuras de gaiteiros, por exemplo, para além de outras referências.
A ausência total de iconografia ou de vestígios arqueológicos anteriores à Idade Média, não ajuda a determinar de forma precisa onde e quando terá surgido um instrumento deste tipo e que aspecto terá tido.
Esta circunstância tem permitido a difusão de mitos recentes referentes à sua origem, os quais têm vindo a ser intensamente propagados, nomeadamente os que atribuem ao instrumento uma obscura origem “celta” ou “céltica” – entendida em arqueologia como as culturas dos sítios de Hallstat (1000 A.C., actual Áustria) e La Téne (500 A.C., actual França).
Na verdade, esses mitos são infundados, contraditórios e carecem de fundamento histórico, pois não existem, em qualquer parte do mundo, quaisquer testemunhos, vestígios arqueológicos ou documentação que provem a presença de um instrumento desse tipo nesse período e nessa cultura concreta.
Existem, contudo, relatos escritos de cronistas da antiguidade: Gaio Suetónio Tranquilo, um cronista romano (“De Vita Caesarum”, 200 DC) refere uma promessa do imperador Nero de tocar “Utricularium” – um instrumento que se presume que seja uma gaita-de-fole. Dio Crisóstomo, um cronista Grego, refere na sua “Oratoria” (200 DC) um instrumento musical que possuiria um saco debaixo da axila (um possível fole?) e ainda Procópio (500 – 565 DC), um cronista Bizantino, faz referência ao uso de presumíveis gaitas-de-fole nas legiões romanas, na sua obra “De Bello Gothico” (que relata as guerras romanas com os povos germânicos, já no final do Império Romano).
Todas estas referências, no entanto, não podem ser interpretadas literalmente e infelizmente, também não descrevem as características exactas de tais instrumentos musicais – o que não ajuda a definir do que se tratariam de facto.
Apesar de existirem referências escritas e iconográficas de outros instrumentos (aerofones de metal, flautas, percussões, etc.), sobretudo também em documentos romanos e gregos, não surgiu até hoje qualquer referência à gaita-de-fole nas culturas ditas “célticas”, nem de fontes oriundas desses povos, nem de fontes exteriores que se refiram a eles.
Portanto, qualquer atribuição da origem ou presença da gaita-de-fole nesse contexto não pode ser sustentada, até prova em contrário.
Texto: Miguel Costa (Associação Gaita de Foles), 2005
May be an image of 2 people, oboe, clarinet, flute, violin and text

Qual é a sua origem?
A Gaita-de-fole parece encontrar o seu espaço de difusão primordial a partir da expansão dos povos pastoris do Mediterrâneo ou da Ásia, visto tratar-se de um instrumento profundamente associado ao contexto sócio-económico pastoril – basta pensar que os foles são feitos geralmente com peles de animais de pastoreio, que também serviam para fazer recipientes para líquidos ou grão (odres) – sendo em redor do espaço mediterrânico que se encontra a maior variedade de modelos de instrumentos deste tipo.
Todavia, é preciso ter em conta que o uso de odres (sacos flexíveis de pele) era muito usual no mundo antigo e não se limitava aos povos pastoris. Muitas culturas urbanas usavam-nos para transporte de água, vinho, óleos, cereais ou grão. Ou seja, os pastores poderiam ser os principais fornecedores, mas não os únicos utilizadores dessa tecnologia.
Isto significa algo muito simples: o instrumento Gaita-de-fole pode ter surgido em qualquer contexto, em qualquer parte do Mundo e provavelmente, até em vários sítios ao mesmo tempo.
É a Idade Média, no entanto, a época que aparenta ter sido o período de maior expansão e popularidade do instrumento – é aí que surgem com mais frequência as representações de pastores em cenas de Natividade, quer em pintura, iluminura ou escultura, onde se encontram figuras de gaiteiros, por exemplo, para além de outras referências.
A ausência total de iconografia ou de vestígios arqueológicos anteriores à Idade Média, não ajuda a determinar de forma precisa onde e quando terá surgido um instrumento deste tipo e que aspecto terá tido.
Esta circunstância tem permitido a difusão de mitos recentes referentes à sua origem, os quais têm vindo a ser intensamente propagados, nomeadamente os que atribuem ao instrumento uma obscura origem “celta” ou “céltica” – entendida em arqueologia como as culturas dos sítios de Hallstat (1000 A.C., actual Áustria) e La Téne (500 A.C., actual França).
Na verdade, esses mitos são infundados, contraditórios e carecem de fundamento histórico, pois não existem, em qualquer parte do mundo, quaisquer testemunhos, vestígios arqueológicos ou documentação que provem a presença de um instrumento desse tipo nesse período e nessa cultura concreta.
Existem, contudo, relatos escritos de cronistas da antiguidade: Gaio Suetónio Tranquilo, um cronista romano (“De Vita Caesarum”, 200 DC) refere uma promessa do imperador Nero de tocar “Utricularium” – um instrumento que se presume que seja uma gaita-de-fole. Dio Crisóstomo, um cronista Grego, refere na sua “Oratoria” (200 DC) um instrumento musical que possuiria um saco debaixo da axila (um possível fole?) e ainda Procópio (500 – 565 DC), um cronista Bizantino, faz referência ao uso de presumíveis gaitas-de-fole nas legiões romanas, na sua obra “De Bello Gothico” (que relata as guerras romanas com os povos germânicos, já no final do Império Romano).
Todas estas referências, no entanto, não podem ser interpretadas literalmente e infelizmente, também não descrevem as características exactas de tais instrumentos musicais – o que não ajuda a definir do que se tratariam de facto.
Apesar de existirem referências escritas e iconográficas de outros instrumentos (aerofones de metal, flautas, percussões, etc.), sobretudo também em documentos romanos e gregos, não surgiu até hoje qualquer referência à gaita-de-fole nas culturas ditas “célticas”, nem de fontes oriundas desses povos, nem de fontes exteriores que se refiram a eles.
Portanto, qualquer atribuição da origem ou presença da gaita-de-fole nesse contexto não pode ser sustentada, até prova em contrário.
Texto: Miguel Costa (Associação Gaita de Foles), 2005

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dezembro de 1755, o «The Whitehall Evening Post, Or London Intelligencer» publica uma singela descrição dos Açores.

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Em 30 de Dezembro de 1755, o «The Whitehall Evening Post, Or London Intelligencer» publica uma singela descrição dos Açores. Pontos interessantes:
– Os Açores são sete ilhas, às quais se acrescentam as Flores e o Corvo, como um arquipélago à parte.
– Já se refere a cerâmica / telhas que Santa Maria fornece às restantes ilhas.
– Na Terceira, refere «an extraordinary Root, which grows here as big as a Man’s two Fists, cover’d with long and small Fibres, of a Gold Colour, not unlike Silk in Softness and Fineness, and which they only use to stuff their Beds». Não sei o que será, por isso aceitam-se palpites.
– Referências ao cedro-do-mato em todas as ilhas, particularmente Terceira e São Jorge.
– No Pico menciona-se, ainda, o famoso teixo, praticamente desaparecido.
– Nada de relevante sobre as Flores e o Corvo, aparentemente. Se bem que por esta altura se estariam a transformar num importante local de refresco para os navios baleeiros.
«A description of the Azores, or Western Islands.
These Islands, which are seven in Number, besides the two finall ones of Flores and Corvo, lie in a kind of Cluster, on the Western or Atlantic Ocean, between 37 and 40 Degrees of Latitude, and 21 and 26 of Longitude, West from London. They are are all allowed to be very fertile in Corn, Wine, Variety of Fruits, and to breed great Quantities of Cattle.
1. St. Michael’s Island hath several good Towns and Villages, well filled with Inhabitants who drive a considerable Commerce, but hath neither Harbours nor Rivers, nor any good Shelter for Ships. The chief Town of this Island is called Punta del Gado, and is considerable for its Trade.
2. St. Mary’s Iland, is well supplied with all Kinds of Necessaries, well cultivated and inhabited. The chief Manufactury here is a kind of Earthen-Ware, in which they traffick with the other Islands.
3.Tercera Iland hath in it no Port or Haven, where Ships can safely come in, but that of Angra, which is the Capital of the Island, and hath a convenient Harbour. The Island is very fertile, pleasant, and healthy; the very Rocks, which elsewhere are generally dry and barren, produce here a good sort of Wine, though not comparable to that of Madeira or the Canaries. The Land yields plenty of good Wheat and other Corn; Oranges, Lemons, and other Sorts of Fruits; and their Pasture Grounds such Numbers of
large Ox, Sheep, and other Cattle, that here is no Want of any Necessaries of Life, except Oil and Salt. They have an extraordinary Root, which grows here as big as a Man’s two Fists, cover’d with long and small Fibres, of a Gold Colour, not unlike Silk in Softness and Fineness, and which they only use to stuff their Beds; but by an ingenious Hand, ‘tis thought, it might be woven into good Stuffs. The Country produces some excellent timber, particularly Cedar, which is here in such Plenty, that they make their Carts and Wagons of it. The Number of Inhabitants in the whole Island is computed to be twenty thousand Souls.
Angra, the Metropolis of the Azores, is well built and peopled. It is the only Station for Ships in all the seven lands: So that it is chiefly for the Sake of this Port that the Portugueze have been so careful of these Islands, and are so shy of letting Strangers approach it; its Situation being so exceeding convenient to refresh the Ships that sail to and from Brazil, and other long Voyages. In this City are kept the Royal Magazines for Anchors, Sails, Cables, and other Naval Stores in general for the Men of War. The Maritime Affairs are under the Inspection of a proper Judge, call’d Desembargador, who hath other Officers under him, and entertains a Number of Pilots, some to conduct the Ships in to the Harbour, and others to direct them to Springs of fresh Water. The English, Dutch, and French Nations have likewise a Consul residing in this City, though their Commerce with this, or any other of the lslands, be but inconfiderable. The chief Trade
of the Inhabitants is that of Wood , which grows in great Plenty in most of these Islands, and Corn, and other Refreshments, which Merchant-Ships come to take in at this Port.
Praya is a pretty considerable Town, and though it deserves not the Name of a Sea-Port, is yet a kind of Road for Ships, and the only one in the land, next to Angra, where they can come to anchor. It is besides a Place of Trade, and well peopled.
4. Graciosa, though not above five or fix Leagues in Circuit, is stor’d with all Sorts of Grain, Fruits, Pasture, Cattle, &c. with which it supplies the Island of Tercera. It is well peopled, but hath no Town of any Note or Bigness.
5. St. George’s Island, is chiefly fam’d for its stately Cedars, which grow in great Plenty in it.
6.Pico, breeds a great Quantity of Cattle. Its Wine is the best of all the Azores; and, besides Cedars and other Timber, they have a kind of Wood, which they call Teixo, which is reckon’d as hard as Iron, and, when polished, is veined like a Tabby, and as red as Scarlet; and with this additional Quality, that it grows finer by Age: Upon all these Accounts it is so highly esteem’d, that no one is allowed to fell it, unless for the King, or with particular Leave from his Ministers.
7. Foyal Island produces great Plenty of Wood, and is frequented by the English on that Account. It also breeds great Numbers of large Cattle, and abounds with Variety of good Fish.
Flores and Corvo have nothing worth Notice.»
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Ron De Silva

Poor “Flores and Corvo have nothing eorth notice”
Interesting to read about the amount of wood there used to be on the islands and the teixo (yew?) tree.
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Taxus baccata in the Azores: a relict form at risk of imminent extinction - Biodiversity and Conservation
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Taxus baccata in the Azores: a relict form at risk of imminent extinction – Biodiversity and Conservation

Taxus baccata in the Azores: a relict form at risk of imminent extinction – Biodiversity and Conservation

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