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O hospital do nosso descontentamento
A chegada da pandemia aos Açores, com particular gravidade na ilha com maior população, trouxe para a praça pública o que muitos já sabiam. Foram oito anos de desinvestimento e de más políticas no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada que criaram graves perturbações no funcionamento desta unidade hospitalar que serve 60 % da população da Região.
As recentes notícias vindas a público sobre o desempenho nos últimos meses na área cirúrgica, em que o número de cirurgias realizadas em Ponta Delgada foi inferior às realizadas no Hospital de Angra e muito aproximado do Hospital da Horta, provocaram escândalo público.
Na área da Imagiologia a situação é muito grave, principalmente na realização dos TAC, com cerca de mil exames em lista de espera. Há doentes a aguardar um TAC há mais de nove meses. A situação é tão grave que há directores de serviço que já alertaram por escrito a Administração do Hos- pital para a gravidade do problema, o qual põe em causa os diagnósticos de doenças, nomeadamente oncológicas, que são detectadas tardiamente. Diagnósticos tardios podem levar à morte doentes que poderiam ser curados se o diagnóstico fosse realizado atempadamente. O acompanhamento da evolução clínica dos doentes também está a ser prejudicado.
Os equipamentos do TAC só funcionam nas horas normais de expediente, com excepção das urgências. O recurso a trabalho suplementar, que poderia resolver este problema, considerado neste momento um dos mais graves do Hospital, não acontece porque a renumeração proposta para as horas extraordinárias não é considerada compensadora por médicos e pessoal técnico.
Ainda na área do diagnóstico, a inexistência de um serviço de medicina nuclear, já a funcionar no Hospital de Angra, tem um claro significado de atraso tecnológico. Os factos e os números demonstram claramente que o hospital responsável pela saúde da maioria da população dos Açores é o parente pobre do Serviço Regional de Saúde.
Inquietante é uma carta de um profissional de saúde do Hospital de Ponta Delgada, publicada esta semana neste jornal, que entre muitas outras considerações refere como a mais importante o facto de “Todas as administrações vêm cheias de força para reduzir custos e poupar…”. Esta forma de gestão numa instituição pública de saúde, que já funciona com um orçamento muito abaixo das suas necessidades, revela desprezo pela saúde e pelas vidas dos cidadãos.
A situação a que chegou o Hospital de Ponta Delgada requer um minucioso levantamento de todos os seus graves problemas e propostas para os resolver por parte de uma comissão nomeada para o efeito. O novo governo tem de dar rapidamente sinais de mudança na orgânica e no desempenho do Hospital do Divino Espírito Santo.
Durante o confinamento geral da última Primavera escrevemos nesta coluna que, no que se refere a hospitais, a população de São Miguel tinha contas a acertar com o Governo Regional. E estas contas já foram acertadas nas últimas eleições. Renasceu a esperança que os habitantes das ilhas orientais irão ter o hospital a que têm direito. Aguardemos.
* Por opção, a autora escreve segundo a antiga ortografia
(
Teresa Nóbrega
– Diário dos Açores de 17/12/2020) — with
Teresa Nóbrega
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- Qual é a ideia de publicar o conteúdo de um artigo logo na madrugada da sua publicação?Ninguém quer subsidiar a comunicação social, mas ninguém vê problema na forma como lhe é retirada a clientela. Não há qualquer pejo em meter aqui artigos, seja text…See more
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View 4 more replies- Pierre Sousa Lima
Não há necessidade de ficar melindrado. A sua partilha foi autorizada, mas a maior parte delas não são. Sabemos como as redes sociais estão a arruinar a comunicação social, e também sabemos a importância de uma comunicação social fina…
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