o belicismo no 10 de junho (Açores) in Tomás Quental Não havia necessidade”

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Não havia necessidade!

A celebração este ano do “10 de Junho” em Ponta Delgada é, sem qualquer dúvida, um momento que dignifica o arquipélago, reconhece o seu povo e promove-nos no plano nacional e mesmo internacional, nós que temos emigrantes em muitas partes do mundo. Os Açores, nessa perspectiva, são muito mais do que nove ilhas.
Mas eu pergunto: para essa celebração era mesmo necessário “encher” a cidade com viaturas dos três ramos das Forças Armadas, desde meios aéreos a meios terrestres de combate?
Se é para afirmar a soberania portuguesa nos Açores, era desnecessário, porque os açorianos, na sua maioria, gostam de ser portugueses. Diria até que existem muitos açorianos que se sentem mais portugueses do que muitos continentais, a quem ouço dizer com frequência “entreguem isto a Espanha”…
Se é para “embelezar” a cidade, também era desnecessário, porque a urbe tem beleza quanto baste, bem patente, nomeadamente, em monumentos, praças, avenidas e ruas repletas de edifícios de arquitetura bela e única, com uma frente de mar que lhe confere uma panorâmica invejável.
Se é para mostrar aos açorianos o que são meios militares, também me parece objetivo obviamente desnecessário.
Quando o Estado português assume não ter verbas para construir uma nova cadeia na maior ilha açoriana, São Miguel, em que o estabelecimento prisional existente com 150 anos é uma vergonha em qualquer parte do mundo, proporcionando condições infra humanas, é claramente uma falta de bom-senso essa ostentação de meios militares, só possível com muito dinheiro. Não aprecio e critico.