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Eu não tenho certezas nenhumas. Mas não me peçam para olhar para a investigação epidemiológica como uma luta de Facebook entre “negacionistas” e “catastrofistas”. A ciência não avança com dogmas, avança com perguntas e com hipóteses que são testadas para ver se se aguentam ou se é preciso substituí-las por outras. Não sou especialista em saúde pública nem em estatísticas de saúde, mas parece-me que seria útil – para percebermos o quão pior é a Covid-19 – que os jornais fossem publicando os dados sobre internados e mortos com gripes no mesmo mês dos últimos 10 anos, p.ex., além dos mortos diários com outras doenças…
Como os fanáticos habituais vão começar a berrar contra os “negacionistas” e o André Dias, sugiro que leiam, p.ex., este texto publicado pela Ordem dos Médicos de Portugal:
《(…) “Neste estudo, o número de mortos em excesso não-Covid foram 4 a 5 vezes mais numeroso que os COVID. Para qualquer plano futuro imediato do SNS, temos de passar da gestão de risco da infecção COVID, para uma gestão de risco global (COVID e não-COVID), para evitar este excesso dramático da mortalidade.”
O estudo avança alguns números preocupantes e que podem justificar estes óbitos: entre 1 de março e 22 de abril houve menos 191.666 doentes com pulseira vermelha nos hospitais, menos 30.159 com pulseira laranja e menos 160.736 com pulseira amarela. Tendo como referência a mortalidade nas 24 a 48 horas após a admissão nos hospitais antes da pandemia, estas quebras correspondem a um potencial de pelo menos 1291 mortes, sendo 79 em doentes triados com pulseira vermelha, 1206 com pulseira laranja e 6 com pulseira amarela.
“Desde muito cedo que manifestámos a nossa preocupação com a forma como os serviços de saúde estavam a reorganizar-se, pelos riscos de deixar outros doentes de fora da resposta, com patologias que precisam também de acesso em tempo útil a cuidados de saúde e que não se compadecem com esperar pelo fim da pandemia”, comenta o bastonário da Ordem dos Médicos. Miguel Guimarães reforça que “as autoridades de saúde, infelizmente, não dispõem de sistemas de monitorização adaptados a esta nova realidade e capazes de fazerem uma análise fina e em tempo real ao que está a acontecer aos chamados doentes não-Covid”.
“É urgente criarmos uma task-force que funcione de forma articulada e que olhe rapidamente para estes dados para poder redesenhar a resposta aos nossos doentes que continuam a precisar de nós e a contar connosco.(…)》

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