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A caixinha mágica
Foi durante o primeiro quarteirão do século 20 que os anódinos meios de comunicação audiovisuais deram os primeiros passos. A imprensa escrita foi resistindo na base de artigos de opinião e notícias do dia anterior.
Hoje, ao jornal papel já lhe foi lida a extrema unção, a rádio, na sua maioria apenas se sintoniza no carro e a televisão abafou tudo. Existem as redes sociais mas faria parte de uma outra reflexão.
É claro que os poderes instituídos não comem sono e depressa entenderam da potencialidade do meio e, céleres compraram tudo, tendo a propaganda como objectivo.
É bem conhecida a frase lapidar do Joseph Goebbels, ministro da propaganda do terceiro Reich. Uma mentira repetida à exaustão transforma-se em verdade e o exito depende do tamanho da mentira. Mas a coisa não começou com o Goebbels. Em 1928 Edward L. Bernays escreveu o livro – Propaganda – e adiantou que para fazer passar uma « mania » mais não havia que utilizar os depositantes de confiança da sociedade, princípio que aliás a Fundação Bill & Melinda Gates usou na Nigéria ao utilizar os pastores da igreja para convencer a população de que se deveriam vacinar. O resultado da experiência foi catastrófico, mas fica para outra vez.
Na actualidade, e falo concretamente de Portugal, embora o fenómeno seja universal, todos os canais privados pertencem a meia dúzia de corporações e os estatais pertencem-lhes por simpatia já que são as mesmas que amanham os governos.
E que temos ? – Notícias tendenciosamente editadas e gratuitamente subjectivadas, algumas panfletárias, algumas « apenas » falsas e um ror de omissas ; programas de entretenimento vazios de conteúdo e cheios de trivialidades e « faits divers »…para não dizer de vulgaridades ; programas de opinião em que a política se examina entre políticos e…para eles ; paineleiros da bola em que se não vê a bola ; concursos em que se utiliza de borla os concursantes estendendo-lhes a sombra de um anzol ; variedades popularuchas, no mais mesquinho do termo, em que metade do tempo é gasto com uma vergonhosa tentação ao gasto de impulsos telefónicos de valor aumentado ; um irresponsável assédio de mezinhas milagrosas ; telenovelas onde impera a luxúria, a banalidade do sexo, o adultério, a traição, a criminalidade, a homosexualidade na sua forma mais peregrina, o insólito, as empregadas domésticas dóceis e fieis ataviadas na sua ridícula farda, o vale tudo…e tudo num cenário de « grandes vidas » em que ninguém trabalha. Isto corrompe, confunde e leva as pessoas a pensar que afinal este mundo é um putedo franciscano. Quem me acode !! E para fechar em beleza, cá vão uns espaços de badalhoquice, devassa e podridão chamados de reality shows… Quem me vale ? Entretanto no meio desta bagunça toda um bombardeio implacável de publicidade para levar a gente a emagrecer o orçamento do essencial em função do acessório e comer mal para ter alguns gadgets !
Mas o problema não acaba aqui…como se não fosse bastante. É que somos desinformados, enganados, conspurcados, alienados, entretidos e ainda pagamos por isso ! É a maior fraude da história da humanidade. E não fiaca barato ! Senão repare-se : é preciso comprar o aparelho que vai caindo em desuso e é preciso actualizar ; paga-se a taxa de audiovisão incluída na factura de electricidade ; tem que se assinar um contrato de cedência de sinal ; para ver a bola ou outros extra é…pay per view… e grama-se com a publicidade em que seguindo um raciocínio lógico deveríamos ser pagos para assistir…
Mas pior…é que se não sabem, já existe tecnologia para « entrar » no televisor e o transformar em câmara para espiar a vida de cada lar… O George Orwell em 1949 já víu tudo estampando a fraude na célebre obra 1984 The big Brother.
Grande Orwell !
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