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A forma como os números de camas têm sido publicados gera pânico e não ajuda a explicar a realidade. Há 70% de camas ocupadas? 50%? 90%? O que isto nos diz. Nada – quase nada.
Vejamos, quantos destes são “internamentos sociais”, pessoas que podiam ter alta mas estão sós, idosos, sem lugar para onde ir.
O número de doentes nunca diz nada – a questão é que tipo de cuidados estes doentes necessitam: muito, pouco, médio; e quantos profissionais de saúde estão lá para eles. Podemos ter poucos doentes mas se tivermos poucos profissionais podemos estar muito pior do que se tivermos mais doentes mas muitos profissionais. Não é o mesmo tratar um doente que vai ao wc pelo seu pé e outro que não. Pelo que números brutos nada ou pouco dizem.
O número de camas nos hospitais também nos diz pouco. Porque o número de camas que interessa ter é: onde, em que regiões, com que meios, e em que sector. Em Portugal as camas nos hospitais públicos foram sistematicamente caindo, e subindo a dos privados. Se hoje temos menos camas, houve uma politica pública que o favoreceu, em beneficio dos privados. Os privados não querem doentes COVID, querem doentes das cirurgias lucrativas atrasadas do SNS.
Grande parte do SNS está “às moscas”. Quem foi a uma urgência em alguns hospitais nos últimos meses, ou consultas, foi muitas vezes atendido de imediato. Porque houve uma política – errada – de medo que afastou muitos dos hospitais. Creio que esta atitude começou por ser de medo, e hoje é propaganda pura para que as pessoas fujam para o sector privado. Sector que esteve perto da falência em Março e hoje tem um mercado robusto de gente que foge do SNS.
Não há hoje mais profissionais de saúde no SNS – isso é uma mentira simpática do Governo. Porque as contratações não cobrem os pedidos de reforma/aposentação e de redução de horário, em fuga dos baixos salários e das más condições laborais.
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