FRANCISCO MADRUGA uma crónica

“Que Merda!” – como diz a canção.
Foi a Manuela Abreu e Lima e a seguir o João Viana Jorge.
Tive oportunidade de trabalhar com eles no Jornal Norte Popular.
Ficamos sempre Amigos.
O João, tinha começado a publicar umas crónicas no FB sobre as suas participações cívicas e de outra índole, durante o seu percurso da clandestinidade, na Academia do Porto e da sua relação com outros Movimentos e pessoas, mais ou menos conhecidas. Disse sempre que não á hipótese da sua publicação.
Trocamos recentemente livros e falamos pelo telefone. Mantivemos o último encontro na Foz, junto ao mar. Fixei o mesmo João. Altivo, galante, observador e afetuoso.
Não voltamos a falar e não lhe pude dizer que estava a ler os seus livros.
Hoje, ao ler a nota da UNICEPE, lembrei-me… que grande merda, o João não fazia alarde do seu passado. Nunca falava do Opinião, da Unicepe e de outras coisas importantes em que participou. Era humilde no que entendia ser a sua participação cívica. Ele já era alto e não tinha necessidade de se colocar em bicos de pés.
O João Viana Jorge era um “camaradão”. Tinha uma linguagem própria, afetuosa, de rompante, de calão feito bordão.
Lembro uma cena caricata. Estávamos na Augusto Luso a ver as questões para a reunião de direção do Jornal Norte Popular quando a Manuela Abreu e Lima alertou para a falta de cheques.
Fomos então ao Lima5, a casa do João, para recolher os ditos.
De saída, fomos lanchar ao Lima5. Pedimos umas tostas mistas e uns finos e fomos conversando sobre o projeto do Jornal. Quanto tempo se aguentaria? Que deveria ir vendo outras soluções profissionais.
Chamamos o empregado para pedir a conta, coloquei uma nota em cima da mesa e o João cantou de alto:
– Este senhor é meu empregado, quem paga sou eu. Onde é que já se viu um empregado pagar o lanche ao patrão?
O empregado engoliu em seco e pegou na nota do João.
– Pode ficar com a gorjeta!
– Mas João… tu deste ao gajo dinheiro de mais de gorjeta.
– Madruga, patrão é patrão.
Apesar de ter tido possibilidade de ter ido trabalhar para a sua empresa, tal nunca aconteceu.
Fomo-nos encontrando pelo Orfeuzinho, na Rua Júlio Dinis, onde se tinham as conversas mais interessantes e as melhores vistas para o Picadeiro da Boavista.
Até sempre amigo. Até sempre João!
Que merda, pá!
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É com profunda tristeza que informamos que faleceu o nosso associado-fundador, nº 3, JOÃO HUET VIANA JORGE.
Nascido em 1939-08-21, era licenciado em Engenharia Química pela FEUP e doutorado em Psicologia pela FPCEUP.
O velório inicia hoje às 18h00 na Igreja de Cristo Rei (Praça Dom Afonso V, 86).
O corpo sairá amanhã, quinta-feira, às 10h00, para o Cemitério do Prado do Repouso.
Chrys Chrystello
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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL