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Nada está seguro na vida!
Poucos dias antes de surgir o primeiro caso de coronavírus em Portugal, almocei num não luxuoso mas simpático restaurante em Lisboa, muito próximo da Maternidade Alfredo da Costa. Foi num dia de muito sol.
Pataniscas com arroz de feijão. Adoro! Foi o que comi. Estava muito bom, sem dúvida! Um “jarrinho” de vinho branco acompanhou o saboroso pitéu. Não comi “entradas” e pão. Não comi sobremesa e não tomei café. As pataniscas, o arroz de feijão e o vinho branco “fresquinho” deixaram-me satisfeito.
Já não fiquei tão satisfeito com a conta: 14.50 euros. Pareceu-me um pouco excessivo. Paguei, obviamente, sem qualquer comentário. Percebi que o funcionário ou proprietário do restaurante ficou aborrecido porque pedi factura e não dei gorjeta. Também era o que faltava!
O turismo estava em força em Lisboa, centenas ou mesmo milhares de turistas por todos os lados e de muitas nacionalidades. Nada a opor, eram milhões que entravam em Portugal, em Lisboa e em outros locais turísticos. Todos ganhavam, nomeadamente companhias aéreas, hotéis e restaurantes. Estavam garantidos muitos postos de trabalho, muita “boca” tinha garantido o “pão de cada dia”.
Mas havia exageros nos valores que cobravam. Os portugueses pagavam como se fossem turistas. Compreendo, mas era demais em várias situações.
O funcionário ou proprietário do restaurante onde então almocei, quando me entregou a factura, questionou: “O senhor é açoriano, não é?”. Respondi, obviamente: “Sim, sou!” E fui tratar da minha vida, de estômago bem servido, sem dúvida, mas de algibeira mais vazia…
Os turistas, de um momento para o outro, com a pandemia, desapareceram de cena, deixando muitos no sector turístico, nomeadamente companhias aéreas, hotéis e restaurantes, sem mercado e sem procura.
Se voltasse ao referido restaurante, pagaria agora talvez metade do valor que então me foi pedido. E ainda pediam para voltar todos os dias…E até, se calhar, diziam: os açorianos são excelentes clientes…
Não fiquei, de modo algum, com qualquer mágoa do restaurante. Só descrevo aqui esta situação para concluir que, de facto, nada está seguro na vida. Nada!