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Há algo que não me sai da cabeça em relação à estrutura de Epstein: a questão não é apenas quem abusou, mas quantas pessoas tiveram de participar para que isso fosse possível.
Quantos aviões privados levaram meninas e adolescentes para a ilha?
Quem eram os pilotos?
Quem autorizou os planos de voo?
Quem verificou, ou decidiu não verificar, as listas de passageiros?
Quem limpou tudo depois das férias?
Quem recolheu o que foi deixado: quartos, camas, casas de banho, resíduos de álcool, drogas, corpos?
Ninguém realmente perguntou nada?
Quem trouxe a comida, as bebidas, o álcool?
Quantas empresas de abastecimento estiveram envolvidas?
Quantas marcas foram consumidas lá sem nunca fazer uma pergunta?
Quem forneceu as substâncias?
De que redes as drogas entraram na ilha?
Quem desviou o olhar?
Quem foram os capitães dos iates que colocaram e tiraram pessoas, mesmo menores, daquele território?
Quantos médicos tiveram de entrar quando alguém se sentia doente?
Quantos viram sinais óbvios de abuso, estados de intoxicação extrema?
Quantos saíram sem dizer nada?
Quem sela as licenças?
Quem controla as costas?
Quantas pessoas sabiam disso?
Quantas ficaram em silêncio?
Quantas compreenderam perfeitamente o que estava a acontecer e normalizaram isso porque havia dinheiro, poder e status envolvidos?
Essas redes não funcionam para o silêncio individual, elas funcionam para a cumplicidade estrutural.
É um sistema em que muitas pessoas participam, se beneficiam ou optam por não assistir.