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1984 A transformação da realidade é o tema l – CRÓNICA 47 NOVº 2007
Trajetória de milhares de pessoas de regimes totalitários, como o checo Thomaz de “A Insustentável Leveza do Ser”[1]. Inspirado nos regimes totalitários das décadas de 1930-40, Orwell critica o estalinismo, o nazismo e a nivelação da sociedade, tal como agora pretendem em Portugal. Uma redução do indivíduo a peça para servir o Estado através do controlo total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. Tudo isto já acontece e vai piorar. O Big Brother está na nossa vida e aceitamo-lo sem pruridos. Sabe o que fazemos pelos cartões de crédito e débito, cartão de cidadão, pelas portagens de autoestrada, pelo Metro e “Cartão Andante”, câmaras nos centros comerciais. Não se admirem se qualquer dia com a nossa inconformidade e individualismo pudermos ser privados da pseudoliberdade por não termos cumprido as normas de higiene e de saúde que determinem obrigatórias. Não há espaço para seres pensantes e questionadores. Só espero que isto não acelere demasiado para os anos de vida que tenho. Não se preocupem, sou assim com fobia excessiva contra as bases de dados, sinal evidente da minha hipocondria e da necessidade absoluta de me internarem como um perigo para a sociedade uniforme e cinzenta que me querem impor. Ah! Se eu ao menos tivesse cá a cicuta, repetia-se o destino. Parecia que o mundo real lá fora estava a conspirar, mas a maior parte das pessoas nem se apercebia e vivia tranquila na morrinha da lufa diária pela sobrevivência, que a mais não podiam aspirar. …
Também isto constava das previsões de George Orwell[2]. Adquiri pés de galinha, os cabelos eriçaram-se como se visse um fantasma, isto, no caso de existirem. Comecei a olhar sobre o ombro à cata de quem me espiolhe ou esquadrinhe as ideias, diversas do pensamento “aprovado e oficial”. Não me apetecia ser vaporizado pois tinha um legado que queria imune à ação do ministério da verdade. A privacidade de há 20 anos ou mais, é impensável hoje. Tudo em nome da defesa dos valores sagrados da civilização ocidental. Da luta contra o terrorismo, doutra peleja que os líderes hão de inventar. Como as armas químicas que o velhaco do Saddam Hussein não tinha ou o que os EUA forjaram com Bin Laden. Há um século que “inventam” para fazerem o que lhes convém, lembremos o Xá da Pérsia, Panamá, centenas de golpes falhados e os que fizeram ricochete…
[1] o médico que vira pintor de paredes ao renegar as ordens do partido não é diferente dos que não se adaptam nas profissões no mundo livre, de Milan Kundera
[2] (n. Eric Arthur Blair, Bengala, 1903-1950