anunciado o fim de zelenski

PONTO DE VISTA
O ANÚNCIO DE UM CRIME
por Miguel Castelo Branco
Começou a campanha mundial de destruição da imagem de Zelensky para, assim, justificar a sua imolação. Tal como sempre, a América não tem aliados, nem amigos, mas instrumentos que usa e dos quais se desfaz sem parcimónias.
Zelensky pensou ingenuamente que era um igual do império, tal como há sessenta anos terá acontecido com o Presidente Ngo Dinh Diem, esse católico que foi transformado por Washington em campeão do anti-comunismo no Vietname [do Sul] para, depois, ser assassinado num cruento golpe de Estado militar que teve por organizador o embaixador dos EUA em Saigão, e como mandante o presidente Kennedy.
A natureza e modos do regime de Kiev são bastamente conhecidos. Trata-se de uma ditadura brutal que vive alcandorada sobre a intimidação física de todos os adversários e quase tudo que já há muito se dizia sobre outras características desse governo que vive fora da lei – corrupção, extorsão, fraude – nada acrescenta.
Contudo, Zelensky, acreditou na sua missão e diga-se em abono da honestidade que terá feito o que pensava ser sua incumbência, dando até mostras sobejas de coragem. Foi eleito para cumprir os acordos de Minsk, mas a ala fanática, os esquadrões da morte e os conselheiros controlados por Washington não lhe permitiram, sequer, assinar o maldito tratado de paz no fim de Fevereiro.
Depois, perdeu o poder e passou a exercer a profissão de actor de um drama cujo texto era escrito por outros.
Quando o Ocidente percebeu que aquela guerra iria levar os EUA e a UE à catástrofe, começou a reunir elementos justificadores que agora começam a aflorar. O Ocidente precisa de um bode expiatório para explicar o grande fracasso da operação Ucrânia, pelo que Zelensky e o seu grupo serão culpabilizados e as suas reputações arrasadas; logo, a sua eliminação ocorrerá inapelavelmente. A imprensa assassina já começou a preparar as opiniões públicas ocidentais para o fim que se adivinha. Estanho o silêncio de quantos quiseram elevar Zelensky aos altares, mas espero que as justificações sejam minimamente plausíveis.
Já fizeram as negociatas habituais, mas falharam todos os planos de destruição da Rússia e tudo o que se esperava vir a acontecer na Rússia está-lhes a entrar porta adentro, pelo que subsistem apenas dois ou três meses para que o Ocidente conheça uma crise económica, financeira e política para a qual não possuiu meios para contrariar. Anseiam agora que o tal papel da capitulação seja assinado e se Zelensky resiste, matam-no!
Pode ser uma imagem de 2 pessoas e texto
O anúncio de um crime
Começou a campanha mundial de destruição da imagem de Zelensky para, assim, justificar a sua imolação. Tal como sempre, a América não tem aliados, nem amigos, mas instrumentos que usa e dos quais se desfaz sem parcimónias. Zelensky pensou ingenuamente que era um igual do império, tal como há sessenta anos terá acontecido com o Presidente Ngo Dinh Diem, esse católico que foi transformado por Washington em campeão do anti-comunismo no Vietname [do Sul] para, depois, ser assassinado num cruento golpe de Estado militar que teve por organizador o embaixador dos EUA em Saigão, e como mandante o presidente Kennedy. A natureza e modos do regime de Kiev são bastamente conhecidos. Trata-se de uma ditadura brutal que vive alcandorada sobre a intimidação física de todos os adversários e quase tudo que já há muito se dizia sobre outras características desse governo que vive fora da lei – corrupção, extorsão, fraude – nada acrescenta. Contudo, Zelensky, acreditou na sua missão e diga-se em abono da honestidade que terá feito o que pensava ser sua incumbência, dando até mostras sobejas de coragem. Foi eleito para cumprir os acordos de Minsk, mas a ala fanática, os esquadrões da morte e os conselheiros controlados por Washington não lhe permitiram, sequer, assinar o maldito tratado de paz no fim de Fevereiro. Depois, perdeu o poder e passou a exercer a profissão de actor de um drama cujo texto era escrito por outros.
Quando o Ocidente percebeu que aquela guerra iria levar os EUA e a UE à catástrofe, começou a reunir elementos justificadores que agora começam a aflorar. O Ocidente precisa de um bode expiatório para explicar o grande fracasso da operação Ucrânia, pelo que Zelensky e o seu grupo serão culpabilizados e as suas reputações arrasadas; logo, a sua eliminação ocorrerá inapelavelmente. A imprensa assassina já começou a preparar as opiniões públicas ocidentais para o fim que se adivinha. Estanho o silêncio de quantos quiseram elevar Zelensky aos altares, mas espero que as justificações sejam minimamente plausíveis.
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  • Carlos Fino

    A estar certa esta análise, o Zelensky que se cuide. Talvez em alternativa lhe proporcionem um exílio dourado… The Times They Are A-Changin’…
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    • Paulo Cordeiro

      Carlos Fino gostei especialmente da parte em que “a Ucrânia é uma forte ditadura”. O que será a Rússia? Eu teria vergonha de partilhar comentários destes. Mas a ideologia “fala mais alto”, sempre justificado com o “não fui eu que o escrevi”.
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    • Carlos Almeida

      Paulo Cordeiro A propósito da aversão a países, uma história e um facto
      História…

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    • Paulo Cordeiro

      Carlos Almeida democrata é o Putin, não tenhamos dúvidas. A democracia que queria na Ucrânia era a que tem a Bielo-russia, com uma marioneta subserviente. Mas isso nem está em questão. Aqui há um invadido e um invasor, penso que qualquer pessoa que est…

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    • Fernando Manuel Costa

      Bom dia, Carlos Fino
      O presidente da Ucrânia, se olhasse mais para si, e menos para o seu povo, quando em Março as forças russas estiveram a pouco mais de 20 km de Kiev, não lhe seria mais seguro pedir um exílio dourado nos USA?
      Porque será que o não fez?
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    • Carlos Almeida

      Mar La Isso porque o Zelensky é um combatente nato!! Nasceu a fazer isso na telenovela cómica donde saiu para a presidência…
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    • Luís Rodrigues

      Carlos Fino se ele pelo menos o que os norte-americanos disseram desde o início: o objetivo era tão somente enfraquecer a Rússia.
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    • Carlos Almeida

      Mar La O Zelensly é um palhaço, todos sabem disso. Na Ucrânia também. Já agora, tem alguma coisa contra a testosterona?…
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    • Paulo Silva

      Carlos FinoCarlos Fino o próprio Bin Laden já chegou a ser um herói defensor da liberdade contra os soviéticos…depois num ápice passou de guerreiro da paz a FBI most wanted
      May be an image of 1 person and text that says "INDEPENDENT Sunday 5 December 1993 SOURCE Anti-Soviet warrior puts his army on the road to peace: The Saudi businessman who recruited mujahedin now uses them for large-scale building projects in Sudan. Robert Fisk met him in Almatig OSAMA BIN LADEN ENDEPENDENT now uses them larer building projech Anti-Soviet warrior puts his on the road to peace oda MONDINT Fisk mset hám ATmatig 0mm THE WEEK boldag A lesson"
    • Paulo Silva

      Carlos Almeida provavelmente será o mesmo destino do Zelensky
  • France Castanheira

    É sempre assim…cá tambem está a acontecer ad pessoas têm a memória curta. Força Zelensky.
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  • António Domingos e Sousa

    Que coincidência….no início da guerra também se viu por aí “análises” muito parecidas acerca do que aconteceria ao Putin !!!
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  • Odete Silva

    Depois de ler os comentários que aqui estão, a maioria a favor de Putin e da Rússia, só quero deixar aqui a minha modesta opinião. Viva a Democracia, viva a liberdade. Que o povo Ucrâniano possa ter paz no seu país, e todo o seu território de volta.
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  • Tó Campos

    Só não concordo que o Zelensky seja tão inocente ou ingénuo. O futuro o dirá…
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  • Maria Augusta Rocha

    Quando se quer acabar com uma guerra que não dá jeito, publicam se estas e outras histórias. Os bons viram maus e os maus viram bons.
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  • José Teixeira

    Felizmente, ainda há paraísos democráticos onde a imagem não é arranhada mantendo a população num estado vegetativo em relação à realidade…
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  • Gonçalo Castro Coelho

    É curioso a forma como se defendem ditaduras como a Rússia e a China. Muitos dos comentários proferidos aqui dariam prisão nestes Países.
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  • António Tilly Dos Santos

    Tanta asneira. Com análises destas se justifica a invasão de qualquer país, por outro qualquer país. Espinha dorsal, precisa-se.
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  • Marla Andrade

    Enquanto se foca no Zelensky, a Rússia vive dias tenebrosos. “Membro da Duma russa vai à TV estatal em horário nobre para dizer à Alemanha: “Nós vamos matar-vos a todos ”.
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  • Nuno Gomes

    Que análise mais estapafúrdia. O momento actual não é o dos anos 60 nem a Ucrânia o Vietname. E o governo ucraniano foi eleito democratimente e se há défice de apoio é da Europa, não dos EUA. Análises destas dispensavam-se!
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  • João Camacho

    Um jornalista a partilhar boatos. Será novidade?
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  • Sofia Barreto de Pina

    Então se for este o cinismo dos governos democráticos, compete às opiniões públicas agirem para evitar que mais esta catástrofe ocorra. A Ucrânia é um país soberano e independente e assim é de justiça que se mantenha, como é a vontade dos ucranianos .
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  • Abubacar Baldé Baldé

    EUA calculista cínico e promotor de grandes instabilidades em diferentes parte do globo.Como se bastasse a europa de forma humilhante e sem reflexão serve de menino de recado político económico em suma subserviente em toda alinha.Grande continente gra…

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  • Carlos Manuel

    Este “professor” e autor do artigo esqueceu-se foi de explicar porque razão Ngo Dinh Diem foi assassinado. Comparação de m…a
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  • Conceição Cardoso

    Nunca existem justificações a que tenha que se lhe juntar o jutificando: são ou não são justificações!!!, e se o são há que o demonstrar: Toda a política é uma falácia de quem a sustenta… o que importa na realidade é a consequência… até lá são mera…

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  • António Ferreira

    Até poderá ser verdade ou não este raciocínio ; mas ninguém é ingenuo e não pensar que todo e qualquer lider mundial , faz parte de um jogo de xadrez político e económico .
    Agora esta analise , terá subjacente um interesse sectário , muit…

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  • Luís Rodrigues

    Se ele pelo menos tivesse ouvido o que os norte-americanos disseram desde o início: o objetivo era tão somente enfraquecer a Rússia.
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  • Carlos Jorge Pedroso

    Ele já pressentiu a agonia do fim… Quer estabelecer diálogo com os chineses e veremos o que ele negoceia economicamente com o Oriente
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VALE A PENA APOIAR A UCRÂNIA?

VALE A PENA APOIAR A UCRÂNIA?
“Face à inflação galopante, ao custo astronómico da gasolina e do gasóleo, da energia, da subida dos preços dos produtos alimentares e em particular a ameaça de redução drástica do gás, são cada vez mais numerosas as vozes que se elevam contra a solidariedade face à Ucrânia, cujo preço muita gente não consegue suportar e outros simplesmente a rejeitam por motivos ideológicos ou por puro comodismo. Apesar de a União Europeia ter conseguido até agora falar a uma só voz relativamente ao apoio à Ucrânia na sua resistência à barbárie do Kremlin, não é certo que essa solidariedade continue a espelhar o sentimento maioritário das populações.
Não nego de forma nenhuma as dificuldades que, de forma diferente, já sentimos e acabaremos por sentir muito mais, nomeadamente aqueles que têm menos capacidade de resistência económica e social. Mas, a propósito, veio-me à memória um episódio relatado por Simone Veil, na sua auto-biografia Une Vie (Uma Vida).
Publicada em 2007, Simone Jacob, de seu nome de solteira, conta a sua vida e em particular como aos 17 anos foi deportada com a mãe e a irmã para Auschwitz-Birkenau em 1944. Descreve também o inferno que aí viveu, a perda da mãe no campo de Bergen-Belsen, do pai e do irmão, estes dois últimos deportados para Kaunas na Lituânia de onde nunca regressaram.
No seu regresso a França após o final da guerra, Simone escreve que, em conversa com uma vizinha, tentou contar o horror que tinha vivido. Digo tentou, porque foi rapidamente interrompida pela sua interlocutora que lhe retorquiu o quanto também sofrera com o racionamento, a falta de comida, roupas e outras coisas essenciais…
Escrevo isto não para desvalorizar o sofrimento das pessoas que viveram a guerra nas suas casas, seja em França ou noutros países ocupados na época, ou as dificuldades hoje sentidas nos diferentes países europeus em consequência da guerra desencadeada por Putin. E não desvalorizo, porque o sofrimento é sempre vivido de forma individual e por isso digno de respeito.
Mas, da mesma forma que não podemos equiparar as dores reais das populações europeias na época com o sofrimento das vítimas da Shoá, judias ou não, também sabemos que as dificuldades que grande parte dos países da UE sente, e sentirá cada vez mais, não são comparáveis à tragédia que vemos diariamente acontecer à população ucraniana, nomeadamente aquela que permanece sob uma guerra impiedosa que mata indiscriminadamente crianças e velhos, viola e tortura mulheres e homens, arrasa escolas, hospitais, habitações e património cultural. Uma guerra bárbara que tem como objectivo o apagamento da história de uma nação independente.
Devemos fechar os olhos ao que vemos diariamente, escudando-nos atrás de um muro de indiferença ou invocando uma “paz” que hoje apenas soa a uma rendição por parte do país invadido? Analisando o impacto negativo que uma vitória militar da Rússia de Putin teria, não apenas a nível europeu, mas também global, o apoio à Ucrânia especialmente em armamento, mas também em dinheiro para a reconstrução do país ou em bens essenciais é decisivo no desfecho desta “operação “especial” na realidade uma guerra entre democracia e totalitarismo selvagem.
A barbárie de Putin e a resistência de Zelensky confrontam-nos diariamente com algo a que por vezes não damos o devido valor: a liberdade, que apenas um regime democrático mesmo com todas as suas imperfeições pode proporcionar. Queixamo-nos constantemente dessas imperfeições, das desigualdades sociais e económicas, da corrupção, da má gestão e de mil outras coisas e temos razão. Mas o mais importante é que podemos fazê-lo livremente, abertamente, sem medo de sermos presos, “suicidados” ou “desaparecidos”. A ditadura e o despotismo de Putin e das suas várias versões por esse mundo fora são hoje o mais poderoso aviso à necessidade de manter, aperfeiçoar e acima de tudo defender esse bem precioso, infelizmente ainda minoritário no nosso planeta e, mesmo entre nós, contestado por insignificantes demagogos populistas sedentos de poder.
Em síntese, e em resposta à pergunta inicial, vale a pena, sim, apoiar a Ucrânia e os ucranianos na sua resistência assim como os opositores russos de Putin, não só por uma questão de justiça, mas porque o que está em jogo é também a nossa própria liberdade.”
Esther Mucznik, Jornal Público, 5/08/2022
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Secretário-geral da ONU “condena inequivocamente” ataque russo ao porto de Odessa – Jornal Açores 9

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse hoje “condenar inequivocamente” o ataque russo contra o porto ucraniano de Odessa, uma estrutura crucial para a implementação do acordo assinado na sexta-feira para retoma das exportações de cereais bloqueadas pela guerra. “O secretário-geral condena inequivocamente os ataques relatados hoje no porto ucraniano de Odessa”, declarou Guterres num […]

Source: Secretário-geral da ONU “condena inequivocamente” ataque russo ao porto de Odessa – Jornal Açores 9

GUERRA, LIBERDADE, MEDO

A Liberdade e o medo
Os sobreviventes da Segunda Guerra Mundial tinham o propósito firme de construir um mundo novo. Não apenas reerguer as ruínas destruídas pelas bombas, mas sobretudo lutar pela liberdade e pela harmonia entre os povos. Desafio grandioso e concreto, para que as atrocidades cometidas à escala mundial pelos nazis e seus aliados não se voltassem a repetir.
Depois daquela tragédia imensa, muitos —em particular na Alemanha— tomaram consciência do efeito corrosivo do medo, capaz de degradar sociedades inteiras até abismos inimagináveis. Hitler, ou Stalin, nunca teriam feito milhões de vítimas, sem gigantescas máquinas de funcionários subservientes.
Qual foi a responsabilidade de cada um deles? Aparentemente, quase ninguém teve culpa. A dactilógrafa apenas escreveu uns papéis à máquina; o carteiro apenas entregou a correspondência; o polícia apenas cumpriu as ordens que recebeu do tribunal; o contabilista apenas tratou de que todos recebessem pontualmente o salário; o funcionário apenas cumpriu o horário do serviço; o maquinista do comboio apenas fez as viagens que lhe mandaram; o guarda-freios apenas garantiu a eficiência da circulação … Cada um desempenhou um minúsculo papel, mas o resultado foi o holocausto organizado de milhões de inocentes.
Este paradoxo fez com que muitos, na geração posterior à Segunda Guerra Mundial, compreendessem a dimensão ética de todas as acções humanas. Qualquer tarefa pode colaborar numa obra maravilhosa, ou numa obra maquiavélica; não vale «ganhar a vida», esquecendo as consequências e o contexto daquilo que se faz.
Aqui, entra o medo, como ingrediente fundamental da desculpa colectiva. Para evitar algo desagradável, muitos prestam-se a torcer ligeiramente a realidade e a justiça. Parece-lhes um ajuste sem importância, ainda que a Guerra tenha mostrado que a multidão dos pequenos desvios impõe tiranias e industrializa o mal. As pequenas cobardias produzem estragos.
Foi neste contexto, no final da Guerra, que nasceu o desejo, largamente partilhado pela humanidade, de proclamar a dignidade da pessoa humana e enunciar as correspondentes exigências éticas. Até então, muitos classificavam a moral como um tema abstracto; em face da Guerra, entenderam que a moral é a base indispensável da vida social e da paz.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adoptada pela Assembleia Geral da ONU em 1948 com 48 votos a favor e nenhum contra. Nesse momento de pós-guerra, a pressão de todo o mundo foi tão grande que até os países comunistas, totalmente contrários a quaisquer direitos humanos, preferiram abster-se, em vez de votar contra (além dos comunistas, abstiveram-se a África do Sul e a Arábia Saudita).
Passaram-se entretanto várias gerações e a questão ética esmoreceu. A sociedade burguesa habitou-se a tornear a justiça sem a rejeitar declaradamente, voltaram as pequenas cedências justificadas pelo medo. Porque ninguém quer ser herói, todos preferem pagar um pouco e evitar problemas.
É assim que, nos nossos dias, a tirania avança em várias frentes. De um lado, a brutalidade do imperialismo russo, devorando dezenas de milhar de vidas com a inconsciência moral de quem está a jogar xadrez. Do outro lado, com a desculpa de repor a «verdade», o sectarismo ideológico que conquista poder sem que quase ninguém se oponha.
As poderosas empresas informáticas, a quem devemos comunicações gratuitas, informações gratuitas, filmes, música e divertimentos gratuitos, propuseram-se controlar as notícias «verdadeiras» e as opiniões «correctas». Há um ano, a Presidente da Comissão Europeia rejeitou este arbítrio e declarou que os serviços informáticos disponibilizados ao público têm de ser abertos e transparentes. Mas, na semana passada, as grandes empresas do sector propuseram-se melhorar a «qualidade» dos artigos que circulam nas redes e dois Comissários da União Europeia vieram saudar alegremente a iniciativa!
Pequenos abusos, pequenos pretextos, pequeninos passos… A geração que viveu a Segunda Guerra Mundial teria reagido com veemência, mas hoje poucos reparam que estamos a deslizar para a tirania.
Esta semana, o Ministério Público português decidiu secundar a proposta de um Gabinete dependente da Presidência do Conselho de Ministros para que um tribunal retire duas crianças à família, para poderem ser sujeitas a aulas de educação sexual na escola. Pequenos percalços, funcionários com medo, pequenas transigências, evitar problemas. Um dia, volta o horror que serviu de inspiração à Declaração Universal dos Direitos Humanos.
José Maria C.S. André
A Declaração Universal dos Direitos Humanos está escrita nas paredes da estação de metropolitano do Parque, em Lisboa. Infelizmente, esta estação tem poucos passageiros.
José Maria C. S. André
University of Lisbon
Instituto Superior Técnico
Mechanical Engineering Department
Ana Maria Ramalheira and 7 others
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guerra

May be an image of monument, outdoors and text that says "BEFOR06.05.2022 BEFORE 06.05.2022 Skovorodynivka ukrainian institute 'HRYHORII SKOVORODA MUSEUM' AFTER 6. 06.05.2022 5.2022"
The project “Postcards from Ukraine” aims to record and demonstrate the damage caused to the Ukrainian culture by the Russian troops. Since the beginning of the full-scale invasion, they have destroyed more than 388 Ukraine’s historical, architectural and archaeological monuments.
The building, which until recently housed the Literary Memorial Museum of Hryhorii Skovoroda, was built in the 18th century. The museum was founded here in 1972. The museum exhibition presented publications of the philosopher’s works, scientific literature and fiction about him, his favourite books, paintings dedicated to him, and sculptures, some personal belongings.
Ukrainian philosopher, theologian, and poet Hryhorii Skovoroda is a symbol of Ukrainian philosophy today, he influenced many generations of Ukrainians, and his museum was a historical monument of national significance.
On May 7, 2022, Russian army shelled the roof of the Skovoroda Museum, and the fire engulfed the entire building. The 18th century building, which was a home for Hryhorii Skovoroda and preserved the memory of his last years of life, has now become a memory itself.
Tell the world about the destruction of Ukrainian culture — share postcards on social networks with the hashtag #PostcardsFromUkraine.
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guerra

На зображенні може бути: на відкритому повітрі та текст
The project “Postcards from Ukraine” aims to record and demonstrate the damage caused to the Ukrainian culture by the Russian troops. Since the beginning of the full-scale invasion, they have destroyed more than 388 Ukraine’s historical, architectural and archaeological monuments.
On April 20, 2022, the Palace of Culture in Mariupol was shelled and almost destroyed by the Russian forces, with all its rich cultural history.
In the past, it was the ‘Continental’ hotel in Mariupol that belonged to the family of Tomaso, a local entrepreneur of Italian descent. The hotel was the most innovative and luxurious place in Mariupol in the early 20th century. Famous guests from all over the Russian Empire and Europe stayed in ‘Continental’.
In 2010, the ‘Continental’ was converted to the Palace of Culture ‘Youth’ — the centre of youth movements and creative development. In 2019, a centre of contemporary art opened here under the historical name ‘Hotel Continental’.
Tell the world about the destruction of Ukrainian culture — share postcards on social networks with the hashtag #PostcardsFromUkraine.
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não ao rashismo
Entre o novo vocabulário surgido na Ucrânia no contexto da guerra, encontro cada vez mais epítetos como “orc” (ogre) ou “rashista” aplicados aos invasores.
Sendo o primeiro fácil de entender, o segundo requer explicação: “rashista” resultou da junção de “russo”, “racista” e “fascista”, um neologismo de significado evidente para quem cresceu na antiga URSS.
A ilustração é de Neivanmade (Mykhailo Skop), um artista de Kyiv.
May be an illustration
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