URBANO BETTENCOURT

PRIMEIRAS FRASES (34)
Urbano Bettencourt , O INVERNO DE PASSAGEM
«Quando nasci, meu avô baloiçava-se calmamente, dependurado pelo pescoço no ramo de uma figueira estéril e despida que ele mesmo plantara em miúdo.»
Jose Gomez Bulhao, Teresa Martins Marques and 22 others
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PESSOA EM ANGRA

May be an image of outdoors
Fernando Pessoa passou por Angra há 120 anos. Ficou em casa da tia Anica (irmã da mãe, angrense), onde deixou, com 13 anos, escritos de valor para a compreensão da sua vida e obra.
Fica registada esta memória, que se reveste de importância para a nossa cidade.
Um artigo que escrevi em co-autoria com a Ana Salgueiro, a quem agradeço a generosidade, para a revista Pessoa Plural, publicado na sua mais recente edição.
Coube-me a investigação local e reporte, à Ana, a análise especializada.
Obrigada pelo apoio ao editor Jeronimo Pizarro, pela confiança ao Nuno Costa Santos, ao Urbano Bettencourt – e pelas informações, também facilitadas pelo José Henrique Alamo Oliveira, pelo Carlos Bessa e pela Sónia Dias (através do Instituto Açoriano de Cultura). À Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro por manter tão cuidado e acessível o seu arquivo de jornais, e à sua diretora Claudia Cardoso, por possibilitar a sua publicação.
Ao Rui, pelas fotografias, no mínimo.
E à Sara Leal, pelos elos, e por me incitar a regressar à origem, às palavras.
A revista, na íntegra, em

PEDRO DA SILVEIRA

Também a Oeste, na Fajã Grande, memória do Padre Camões (1777-1827), no jardim com o seu nome.
O «Testamento» foi editado em 1865, em Boston.
(Possivelmente por iniciativa do florentino Manuel Borges de Freitas Henriques, empresário e vice-cônsul de Portugal – cf. Obras, p.25).
A edição da & etc é de 1983.
Pedro da Silveira incluiu na sua «Antologia de Poesia Açoriana» excertos bem ilustrativos de um poeta satírico que não deixava o seu vernáculo por mãos alheias.
.
Jose Manuel R Barroso, Fábio Mendes and 5 others
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PEDRO DA SILVEIRA POR URBANO B

Santa Maria:
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e em pé
Há um escritor açoriano, da gerações recentes, que, num dos seus poemas, escreveu os seguintes versos: “Eu sou o Mar/ E mais ninguém”.
É desses versos que me lembro agora que estamos em Santa Maria para celebrar Pedro da Silveira, após ter sido inaugurada a primeira placa-poema de uma série que queremos que se estenda ao arquipélago todo.
Pedro da Silveira era o mar e mais ninguém.
Não o mar no sentido morno e contemplativo do termo. Não o mar de postal. O mar imprevisível, o mar da nossa História açoriana, o mar que atravessou para se fixar em Lisboa, o mar dos seus antepassados emigrantes, os da baleação, os que procuraram o sustento que não conseguiam alcançar na sua habitação insular.
O mar que nos cerca e nos liga ao mundo.
Vamos sempre lá ter: a ilha e o mundo. O mundo e a ilha.
É nesta dicotomia que se cumpriu – como poeta, como investigador, como figura que fazia das crónica e das entrevistas uma forma de passar ideias, convicções.
Perguntavam-me no outro dia por que é que (só) Pedro da Silveira merece ser espalhado por todo o arquipélago, nestas placas-poema, e também nos cem excertos dos seus poemas, que serão colocados em montras de todo o arquipélago, num gesto de vontade cidadã e acolhimento institucional. Respondi: porque ele era esse arquipélago. Portanto corrijo.
Pedro da Silveira era os Açores e mais ninguém.
Era os Açores porque tinha os Açores como chão primeiro e último da sua identidade. Uma identidade aberta, não fechada, impura, no sentido de ter diferentes origens e destinos, como são os Açores desde o povoamento – com cruzamentos vários, consagrados, por si, no poema Soneto de Identidade, em que se diz descendente de flamengos, castelhanos, alemães ou polacos. “Espelho opaco de errâncias várias”.
Se houve alguém que, pela arte literária, pelo estudo etnográfico, pela, muitas vezes, solitária vontade cultural e política, pelo sentido de provocação assente num entendimento da História e da geografia, procurou, de forma orgânica e construída, unir as nove ilhas do arquipélago, essa pessoa foi Pedro da Silveira.
Viveu em várias das ilhas, valorizou-as a todas, percebeu as diferenças e as rimas, escreveu sobre elas, com uma verdade só sua, com o seu ângulo feito de muito conhecimento e basta emoção.
Um arquipélago que dialoga com outros arquipélagos – Cabo Verde, Madeira, Canárias – para com eles constituir um território comum, de afinidades e aprendizagens.
Há um livro composto das suas traduções de poesias de autores das mais diversas geografias: “Mesa de Amigos”. Pedro da Silveira fez dos Açores uma mesa de amigos. E os Açores nem sempre são uma mesa de amigos. São, muitas vezes, uma mesa de familiares desavindos e que até negam essa condição de familiares para se distanciarem, para quererem ser mais ilha, aqui no sentido redutor do termo, e menos mundo.
Pedro da Silveira era um escritor num arquipélago de escritores. Um escritor no e do seu arquipélago. E é por isso que é orgulho verdadeiro para nós, Arquipélago de Escritores, como movimento, cada vez mais diverso, cada vez mais para além do encontro a dada altura do ano, estarmos associados e directamente ligados ao descerramento da placa e a também a este colóquio.
É mais do que justo que Pedro da Silveira fique fixado em cada um dos seus lugares. Ele, cedo, percebeu que uma das fortunas que nós, açorianos, temos é a da criação literária, muita dela de qualidade e a merecer outros reconhecimentos. Os outros, os do mundo, poucos dela sabem. Nós, açorianos, comuns, institucionais, somos lentos, muito lentos, a reconhecê-la e a valorizá-la.
Pedro da Silveira, com o seu largo afecto, com a sua vocação para a leitura e para a antologia, cedo fê-lo, nesse gesto difícil de reconhecer os profetas, no caso literários, da sua própria terra. Profetas pecadores, é certo, porque é impossível invocar Pedro da Silveira sem atender aos pecados dos homens, criadores e não criadores. Às fragilidades, aos tropeços do espírito – e do corpo.
Pedro da Silveira, na sua brilhante imperfeição, é um exemplo maior para todos os que têm como causa a ideia de “arquipélago de escritores”. Um arquipélago que, passo a passo, placa a placa, livro a livro, tradução em tradução, residência literária em residência literária, leitura em leitura, revista em revista, pode afirmar-se como tal perante um mundo que já conhece a nossa Natureza mas merece também conhecer a nossa cultura e a nossa Natureza como espaço privilegiado para acolher e ajudar a fazer despontar tantas outras culturas. Tantos outros cruzamentos.
Nunca é demais lembrar e esta é uma ocasião para fazê-lo:
há, no passado, e no presente, autores que sabem contar este lugar, nas suas contradições, nas suas estendidas luminosidades e nas suas grotas, como nenhum discurso de ocasião o sabe fazer. E não me refiro aos nomes já celebrados. Refiro-me a outros.
De ontem, de hoje, repito. Nascidos cá, estabelecidos cá ou, estando fora, mantendo uma relação com este espaço.
Se Pedro da Silveira estivesse vivo, faria um inventário meticuloso do que se publica hoje nos Açores. Nem tudo é bom mas há muita qualidade. Faria também escolhas, polémicas, claro está, mas corajosas e necessárias. As “suas” escolhas – e, por isso mesmo, inteiramente respeitáveis.
Começamos a nossa digressão por São Maria, ilha primordial da nossa História, ilha de autores do passado e do presente. Lugar de permanência, de vivência de séculos, de respiração de gerações e de escala para tantos criadores.
Lugar de encontros artísticos diversos, com destaque para a música – e em muita da música há letras e, por isso, também formas de literatura. E é bom, diga-se, que as artes dialoguem – porque, todas muito distintas, fazem parte da mesma constelação.
Não podemos depender só do Estado para edificar a nossa cultura. Nós, cidadãos, também temos esse dever de nos valorizamos. Em todo o caso, há sérios motivos de agradecimento. O orçamento de cada um é limitado.
Agradeço, em nome do Arquipélago de Escritores, a todos as pessoas que, uma a uma, contribuíram para que esta placa-poema ganhasse forma.
(Texto que li ontem no colóquio organizado pela Câmara Municipal de Vila do Porto, Santa Maria, sobre o poeta e investigador Pedro da Silveira)
(Na foto, Urbano Bettencourt, autor de outra intervenção sobre o autor, própria de quem o conhece com rigor e profundidade, a folhear o catálogo editado pela Biblioteca de Angra que acompanha uma exposição sobre a sua obra e vida)

URBANO B.: SANTO AMARO SOBRE O MAR

URBANO BETTENCOURT | UM SONHO
“Vim por causa de um sonho”. Não é maravilhoso receber um livro que começa por esta frase?
O livro é uma mais das belas obras do longo caminho literário de Urbano Bettencourt e foi construído em volta de desenhos de Alberto Pessimo. ‘Santo Amaro sobre o mar’, assim o livro se chama, é uma mistura deliciosa de crónica e de ficção, em torno da história da pequena povoação da costa Norte da ilha do Pico. E que poderia ser a história de tantas outras e do povo açoriano.
‘Santo Amaro sobre o mar’ lê-se, primeiro, de um fôlego, tão belo o livro é. E, depois, apetece reler pausadamente, crônica a crônica, saboreando as palavras que são a cadeia ficcionada de “um território de afetos e
memórias íntimas, de imagens que o tempo recolhe e transfigura”. O sonho e a saga dos seus habitantes, ao longo dos tempos. Que nos faz “lembrar que talvez a pátria se resuma, afinal, à porção de mar que soubermos guardar na concha da mão esquerda e ao punhado de terra onde, à direita, semeias sete grãos de trigo e que, um dia, lançarás ao vento para vir depois cobrir o teu próprio corpo”.
Obrigado poeta, obrigado Urbano!
Urbano Bettencourt, Conceição Mendonça and 4 others
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1 Year Ago

URBANO BETTENCOURT | UM SONHO
“Vim por causa de um sonho”. Não é maravilhoso receber um livro que começa por esta frase?
O livro é uma mais das belas obras do longo caminho literário de Urbano Bettencourt e foi construído em volta de desenhos de Alberto Pessimo. ‘Santo Amaro sobre o mar’, assim o livro se chama, é uma mistura deliciosa de crónica e de ficção, em torno da história da pequena povoação da costa Norte da ilha do Pico. E que poderia ser a história de tantas outras e do povo açoriano.
‘Santo Amaro sobre o mar’ lê-se, primeiro, de um fôlego, tão belo o livro é. E, depois, apetece reler pausadamente, crônica a crônica, saboreando as palavras que são a cadeia ficcionada de “um território de afetos e
memórias íntimas, de imagens que o tempo recolhe e transfigura”. O sonho e a saga dos seus habitantes, ao longo dos tempos. Que nos faz “lembrar que talvez a pátria se resuma, afinal, à porção de mar que soubermos guardar na concha da mão esquerda e ao punhado de terra onde, à direita, semeias sete grãos de trigo e que, um dia, lançarás ao vento para vir depois cobrir o teu próprio corpo”.
Obrigado poeta, obrigado Urbano!

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