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>ANGOLA E TIMOR LESTE

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Angola terá brevemente embaixada em Timor-leste, diz diplomata timorense

De acordo com Elda Ferreira, a abertura de uma embaixada angolana em Dili poderá acontecer logo depois das eleições legislativas em Timor-Leste, no próximo mês de Junho.
Da Redação, com agência
 

Luanda – Angola terá “brevemente” uma representação diplomática em Timor-Leste, no quadro dos esforços que Luanda e Dili fazem para “repor as históricas relações deprivilégio” que unem os dois países.

Afirmação foi feita quarta-feira, em Luanda, pela encarregada de Negócios da embaixada do Timor-Leste em Angola, Elda Ferreira, entrevistada pela Angop a propósito da preparação das eleições presidenciais a terem lugar no seu país, no dia 17 do próximo mês.

De acordo com Elda Ferreira, a abertura de uma embaixada angolana em Dili poderá acontecer logo depois das eleições legislativas em Timor-Leste, no próximo mês de Junho.

“Posso garantir que depois das eleições legislativas de Junho (em Timor-Leste) Angola terá uma embaixada residente, porque este país tem uma história própria nas relações de Timor-Leste com o resto do mundo”, disse a diplomata.

Esta história de privilégio existente entre os dois países, explicou Elda Ferreira, “começou a ser escrita” em 1975, quando, neste ano, Angola se tornou no primeiro país a reconhecer a independência do Timor-Leste.

Seguidamente, em resposta à ocupação indonésia doTimor-Leste, o Estado angolano aceitou a abertura de uma representação diplomática de Timor-Leste, elevando a categoria de embaixada a representação da Frente de Libertação de Timor-Leste (Fretilin), tendo como embaixador Roque Rodrigues, de 1975 a 1999, que viria a serministro da Defesa em 2002.

Entretanto, a embaixada teve de ser encerrada “temporariamente” devido a “alguns problemas financeiros” levando a “esfriar um pouco” o grau das relações entre os dois países, “apesar desta situação”, explicou a diplomata, Angola e Timor cooperam em áreas da Defesa, Segurança e Comunicação Social.

“O que aconteceu é que naquele período (1975-1999) a embaixada funcionou graças ao apoio do estado angolano que financiou as actividades (da missão diplomática), principalmente com o empenho pessoal do falecido ministro (angolano) das Relações Exteriores, Paulo Teixeira Jorge”, disse Elda Ferreira.

De momento, com recursos financeiros totalmente timorenses, a missão diplomática está a reabilitar o edifício no bairro Miramar, em Luanda, onde funcionará a embaixada do país asiático, o mais novo membro da CPLP.

O embaixador de Angola em Singapura, Fidelino Loy de Jesus Figueiredo, também trata dos assuntos relacionados com Timor-Leste.

Segundo Elda Ferreira, devido a esta aproximação, o seu país aceitou com “satisfação” que Angola integrasse a delegação de observadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que vai monitorar as eleições presidenciais do próximo dia 17 de Março.


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>Barão de Itararé – o Dom Quixote de Rio Grande

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IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS

Benjamin Doukarsky ,2/22/12,  luso-angolano-israelense(Israel) enviou:


PREZADOS AMIGOS:
Essa é para ler com calma num fim de semana. Vale a pena  conhecer o pequeno resumo bibliográfico do Barão de Itararé, um dos maiors humoristas que o Brasil já teve,  e algumas de suas famosas máximas…..

 
 Barão de Itararé – o Dom Quixote de Rio Grande
“De onde menos se espera, daí é que não sai nada”. A frase é de Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o barão de Itararé, autor de outras máximas como “Um homem que se vende recebe sempre mais do que vale”.
Gaúcho, desembarcou no Rio de Janeiro aos 30 anos de idade e foi trabalhar nos jornais “O Globo” e “A Manhã”. No ano seguinte, 1926, fundou “A Manha”, um jornal em formato tablóide, de circulação nacional, que foi um sucesso e iria inspirar jornalistas e humoristas, 40 anos mais tarde, a criar “O Pasquim”. E logo Aparício se autoproclamaria barão de Itararé, durante a Revolução de 30, numa referência à anunciada batalha que aconteceria na cidade paulista de mesmo nome, mas que nunca ocorreu de fato.
Em 1934, fundou o Jornal do Povo. Nos dez dias em que durou, o jornal publicou em fascículos a história de João Cândido, um dos marinheiros da Revolta da Chibata, de 1910. O barão foi seqüestrado e espancado por oficiais da Marinha. Depois disso, voltou à redação do jornal e colocou uma placa na porta onde se lia: “Entre sem bater”.
Militante e um dos fundadores da Aliança Nacional Libertadora, foi preso pela polícia política de Getúlio Vargas e ficou na Casa de Correção durante todo o ano de 1936. Ali conviveu com Graciliano Ramos, que descreveria o encontro dos dois na cadeia e o drama de centenas de presos políticos em “Memórias do Cárcere”.
Continuaria a entrar e sair da prisão quando Getúlio se tornou ditador, durante o período chamado Estado Novo (1937-1945). Nessa ocasião, o barão já se casara pela terceira vez – e logo ficaria viúvo.
Durante seis anos, a partir de janeiro de 1938, publicou no “Diário de Notícias” a coluna “A manhã tem mais…”.
Em 1945, conheceu Pablo Neruda, o poeta chileno, que lhe dedicou estes versos: “Ao Barão de Itararé / um grande entre os grandes / com respeito o saúda / de pé / o poeta dos Andes: / Neruda”. No mesmo ano, ressurgiu “A Manha”, com enorme sucesso. Colaboravam no jornal escritores de renome: José Lins do Rego, Sérgio Milliet, Rubem Braga, Raimundo Magalhães Jr. e Álvaro Lins.
Aporelly, como o humorista assinava, foi eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Comunista Brasileiro. O slogan de sua campanha política era: “Mais leite, mais água, mas menos água no leite – Vote no Barão de Itararé, Aparício Torelly”. Em 1947, o registro do partido foi cassado e o “barão” perdeu o mandato.
Convidado pelo líder comunista Luiz Carlos Prestes, Aporelly começou a escrever na “Folha do Povo”, junto com o poeta Carlos Drummond de Andrade, o pintor Di Cavalcanti e o escritor Jorge Amado.
Nos anos 1950, “A Manha” voltou novamente a circular e o jornalista passou a viver em São Paulo. Nessa época, lançou várias edições do “Almanhaque”, uma paródia dos almanaques tradicionais. Trazia, por exemplo, a biografia de Aparício e de sua família. Senhor feudal de Bangu-sur-mer, o barão seria um “homem sem segredos que vive às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas”, um “grande herói que a pátria chora em vida e há de sorrir, incrédula, quando o souber morto”.
Outra marca registrada de Aporelly está presente no “Almanhaque”: suas tiradas, como: “A estrela de Belém foi o primeiro anúncio luminoso” ou a confusão que o teria feito aderir ao integralismo, cujo lema era “Deus, Pátria e Família!”, e que o barão teria entendido como “Adeus, pátria e família!”.
Convidado pelo governo comunista de Pequim, o barão fez uma viagem pela China, em 1963, e foi também a Moscou, capital da Rússia (então União Soviética). De volta ao Rio de Janeiro, isolou-se em seu pequeno apartamento, no bairro de Laranjeiras, onde morou até sua morte, aos 76 anos.
Apparício Torelli era um “campeão olímpico da paz”, “marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado”, “cantor lírico”, “andarilho da liberdade”, “cientista emérito”, “político inquieto”, “artista matemático, diplomata, poeta, pintor, romancista e bookmaker”, como se definia, era gaúcho e é um dos maiores humoristas de todos os tempos. Dele disse Jorge Amado: “Mais que um pseudônimo, o Barão de Itararé foi um personagem vivo e atuante, uma espécie de Dom Quixote nacional, malandro, generoso, e gozador, a lutar contra as mazelas e os malfeitos”.
Apparício Torelly, que também usou o pseudônimo de “Apporelly, estudou medicina, sem chegar a terminar o curso, e já era conhecido quando foi para o Rio fazer parte do jornal O Globo, e depois de A Manhã, de Mário Rodrigues, um temido e desabusado panfletário. Logo depois lançou um jornal autônomo, com o nome de “A Manha”. Teve tanto sucesso que seu jornal sobreviveu ao que parodiava. Editou, também, o “Almanhaque — o Almanaque d’A Manha”. Faleceu no Rio de Janeiro em 27/11/71. O “herói de dois séculos”, como se intitulava, é um dos maiores nomes do humorismo nacional.

Escreveu, entre outras coisas:
Máximas do Barão de Itararé
Observações Morais, Satíricas ou Irônicas
Conselho Médico
Máximas e Mínimas
Propaganda Realista
O lobisomem
Como entrou no Céu o primeiro advogado
Um plano genial

“Máximas e Mínimas” do Barão de Itararé (repetidas até hoje)

.De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
. Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.
. Quem empresta, adeus…
. Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
. Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
. Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
. Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
. Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.
. Quem só fala dos grandes, pequeno fica.
. Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
. Depois do governo ge-gê, o Brasil terá um governo ga-gá. ( Ge-gê: apelido de . . Getulio Vargas. Ga-gá: referia-se às duas primeiras letras no sobrenome do novo presidente, Eurico Gaspar Dutra).
. Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
. Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
. Os juros são o perfume do capital.
. Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.
. Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.
. O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
. A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.
. Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
. Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
. Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
. Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
. É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
. A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
. Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
. O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
. Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
. Mulher moderna calça as botas e bota as calças.
. A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
. Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
. Pão, quanto mais quente, mais fresco.
. A promissória é uma questão “de…vida”. O pagamento é de morte.
. A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
. Deus dá peneira a quem não tem farinha.
. Testamento de pobre se escreve na unha.
. Tempo é dinheiro. Vamos, então, fazer a experiência de pagar as nossas dívidas com o tempo.
. Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.
. O fígado faz muito mal à bebida.
. O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso.
. Com as crianças é necessário ser psicólogo. Quando uma criança chora, é porque quer balas. Quando não chora, também.

. O menino, voltando do colégio, perguntou à mãe:
— Mamãe, por que é que pagam o ordenado à professora, se somos nós que fazemos os deveres?

. O feio da eleição é se perder.
. A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas, em geral, enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.
. Com dinheiro à vista toda gente é benquista.
. Se você tem dívida, não se preocupe, porque as preocupações não pagam as dívidas. Nesse caso, o melhor é deixar que o credor se preocupe por você.
. Palavras cruzadas são a mais suave forma de loucura.
. A alma humana, como os bolsos da batina de padre, tem mistérios insondáveis.

. O homem cumprimentou o outro, no café.
— Creio que nós fomos apresentados na casa do Olavo.
— Não me recordo.
— Pois tenho certeza. Faz um mês, mais ou menos.
— Como me reconheceu?
— Pelo guarda-chuva.
— Mas nessa época eu não tinha guarda-chuva…
— Realmente, mas eu tinha…

. O homem é um animal que pensa; a mulher, um animal que pensa o contrário. O homem é uma máquina que fala; a mulher é uma máquina que dá o que falar.
. O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.
. O mal alheio pesa como um cabelo.
. A solidez de um negócio se mede pelo seu lucro líquido.
. Que faz o peixe, afinal?… Nada.
. A sombra do branco é igual a do preto.
. “Eu Cavo, Tu Cavas, Ele Cava, Nós Cavamos, Vós Cavais, Eles Cavam. Não é bonito, nem rima, mas é profundo…

. Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.
. Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!
. Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem” o banco toma!
. Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta…

Uísque e mulher ranzinza

Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, porque se não…
– Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente. E comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa.
Tirei a rolha da primeira garrafa è despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo, que bebi.
Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo, que virei.
Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo, que empinei.
Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa, que bebi.
Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção.
Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha.
Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da gar­rafa, arrolhei o copo e bebi por exceção.
Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito, de acordo com as ordens da minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem.
Segurei então a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram exatamente trinta e nove. Quando a casa passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu noventa e três, o que confere, já que todas as coisas no momento estão ao contrário.
Para maior segurança, vou conferir tudo mais uma vez, contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que não vão chegar até amanhã, porque estou com uma sede louca …

FONTES:
– Extraído de “Máximas e Mínimas do Barão de Itararé”, Distribuidora Record de Serviços de Imprensa – Rio de Janeiro, 1985, págs. 27 e 28, coletânea organizada por Afonso Félix de Souza.
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u630.jhtm
http://www.culturabrasil.pro.br/itarare.htm

 
 
 

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>MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O SUCESSO DO IDIOMA

Após cinco anos de vida e já tendo recebido mais de dois milhões e quinhentas mil visitas, o Museu da Língua Portuguesa é considerada uma instituição de referência no Brasil e no Exterior.
Existe algum motivo especial para tanto sucesso? Existe algum fator preponderante para que um museu tão jovem já tenha se firmado como instituição respeitável e referencial?
Como Diretor do Museu da Língua Portuguesa, desde sua inauguração, eu tenho certeza que a resposta para as duas questões acima propostas só pode ser uma resposta afirmativa.
Em assim sendo, qual o motivo de tanto sucesso e qual o fator a firmar o museu como instituição respeitável e de referência? A resposta para as duas perguntas é uma só… nossa língua portuguesa!
A ideia de se criar um museu que tem por acervo um idioma é uma ideia genial e extremamente original. Falo com tranqüilidade, porque não participei da equipe de conceitualização e criação do museu.
Lembrando sempre que a língua, no caso a nossa portuguesa, é um patrimônio imaterial, talvez a língua venha mesmo a ser o mais imaterial dos patrimônios imateriais, pois a mesma não está no texto escrito, a língua não está nos livros de gramática, não está na ortografia, a língua não está na literatura ou na poesia. A língua está em todos estes sítios sim, mas está, verdadeiramente, na “cabeça” e no universo imaginário de cada um daqueles que a usa como ferramenta principal de comunicação.
Logo, o Museu da Língua Portuguesa é o museu da imaterialidade por excelência, mas de uma imaterialidade que circunda e reveste todos nós que usamos este belo idioma, é o museu da imaterialidade que está presente no nosso dia a dia e até nos nossos sonhos. Creio que isto já explica o sucesso do museu, pois tendo a língua como acervo, o museu faz com que todos os visitantes se sintam especialistas e grandes entendedores dos conteúdos apresentados em suas exposições.
Devo aqui fazer uma pausa e celebrar a equipe de criação desta instituição, que contou com a participação de mais de 40 profissionais sensíveis e renomados de diversas áreas (linguistas, sociólogos, arquitetos, historiadores, museólogos,professores e artistas).
Ao longo destes cinco anos, toda a minha equipe do museu foi aprendendo a lidar com as possibilidades oferecidas por um acervo imaterial e novas abordagens dos conteúdos apresentados foram ganhando força. Partindo do princípio que a língua portuguesa é o elo primeiro da identidade cultural dos brasileiros, o museu contém um grande painel da rica diversidade cultural do Brasil, logo, é um espaço identitário para todos nós nascidos neste grande país.
Logo, plena é minha certeza ao afirmar que o motivo de tanto sucesso do museu é a própria língua portuguesa!
Naturalmente os recursos tecnológicos usados para a apresentação de um patrimônio imaterial e a interatividade das áreas expositivas do museu contribuem para o sucesso da instituição, mas de nada valeriam sem o acervo, o nosso idioma.
Mais uma vez a língua portuguesa é a resposta para a respeitabilidade alcançada nestes poucos cinco anos, respeitabilidade que acabou por transformar o Museu da Língua Portuguesa em espaço referencial no Brasil e em todo o mundo.
A partir de nosso idioma, a equipe do museu foi perseguindo metas, adotando padrões de atendimento e pensando e criando suas ações educativas, de formação e difusão cultural.
A língua portuguesa é um patrimônio acessível a todos, logo, o museu tem que ser um patrimônio com acesso aberto à população em geral. Evitamos transformar o museu em um espaço acadêmico, voltado apenas a grande estudiosos. Desta forma, os programas desenvolvidos pela instituição estão sempre preocupados em permitir o acesso e aproveitamento de segmentos muito distintos da sociedade, dos mais letrados aos que apresentam níveis muito baixos de educação formal. O museu atende a todos com o mesmo respeito e consideração, pensando ações que supram às necessidade de cada segmento de seu público, mas que sejam, ao mesmo tempo inclusivas, como inclusiva deve ser a língua!
Desde sua inauguração, a instituição assumiu parcerias com organizações das mais variadas com o objetivo de alcançar um público muito diversificado, assim, hoje, atendemos os visitantes em geral, escolares da rede pública e privada, portadores de deficiências físicas, grupos de terceira idade, grupos de alfabetização adulta, jovens infratores em processo de assistência do Estado, moradores de rua e muito outros segmentos, além disso, o Núcleo Educativo do museu desenvolve o projeto “ Dengo: um museu para todos” que leva o museu até segmentos da sociedade impossibilitados de visitar a instituição, como crianças em tratamento de câncer e pacientes graves internados em grandes instituições hospitalares de São Paulo.
Cabe ressaltar que a universidade e a academia também encontram espaço dentro do museu, aliás, nosso consultor há cinco anos é o Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho, considerado um dos maiores estudiosos da língua portuguesa no Brasil e oriundo de duas das maiores universidades brasileiras ( USP – Universidade de São Paulo e UNICAMP – Universidade de Campinas). Entretanto, no museu, os temas por mais complexos que venham a ser, devem ser apresentados de forma fácil ao entendimento da sociedade no seu todo.
Referência hoje são, também, as exposições temporárias montadas pelo museu ( Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas; Clarice Lispector – A hora da estrela; Gilberto Freyre – intérprete do Brasil; Machado de Assis – mas este capítulo não é sério; O Francês no Brasil em Todos os Sentidos, Cora Coralina – coração do Brasil; Menas, o certo do errado, o errado do certo; e Fernando Pessoa – plural como o universo).
Neste caso também a língua portuguesa figura como fator principal do sucesso das mostras que as transformou em referência nacional. Nosso idioma é tão rico, tão cheio de curiosidades e nos rendeu tantos escritores, autores e poetas magníficos, que nossas exposições apenas retratam esta riqueza e diversidade, valendo-se, claro, de curadores competentes, cenógrafos criativos e dos mais diversos recursos expositivos disponíveis hoje.
Com média diária de mil e quinhentos visitantes, referência em ações educativas, apontado pela mídia como “ o mais querido museu de São Paulo”, modelo para países como Qatar, Itália, Israel, Inglaterra, Alemanha e até Portugal, o Museu da Língua Portuguesa só vem reforçar algo que me parece muito nítido: nossa língua portuguesa é realmente um grande sucesso!
A nossa língua portuguesa ganha, dia a dia, importância maior em todo mundo, tanto no que se refere ao número crescente de falantes, como à importância que os países membros da CPLP vão gradativamente alcançando no cenário mundial.
O nosso belo idioma ganha paulatinamente, mas de forma sempre ascendente, alunos e estudiosos pelas Universidades de todo o mundo.
Assim, instituições e programas que têm por foco nosso idioma também ganham importância. Tanto o Museu da Língua Portuguesa como o Observatório da Língua Portuguesa se destacam e, cada qual com seus objetivos próprios, atuam para um fortalecimento ainda mais expressivo da nossa língua, de nossas histórias comuns e ricas e da cultura que permeia mais de 240.000.000 de pessoas ao redor do mundo, que, guardadas suas diferenças, se encontram e se identificam no idioma português!
Antonio Carlos de Moraes Sartini
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>Olivença e a "Guerra das Laranjas"

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Mais um testemunho (blogue “Avenida da Liberdade”)

Com a devida vénia, dou divulgação ao testemunho do Dr. José Ribeiro e Castro, ex-presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República, no seu blogue “Avenida da Liberdade”:

Olivença e a “Guerra das Laranjas”
A questão de Olivença é uma delicada pendência dormente nas relações luso-espanholas. É, não – era! Um alcalde “voluntarioso” do lado espanhol resolveu chutar o tema para as primeiras páginas dos jornais. E inevitavelmente para a primeira linha da política. Agora, procura dobrar a língua, mas o mal está feito e o seu gesto tem tudo menos de inocente.
Nos últimos anos, o ambiente melhorava: com apoio das autoridades regionais extremenhas, a autarquia de Olivença abrira-se à revelação das raízes portuguesas, recuperando e reafirmando traços identitários na toponímia histórica das ruas e em festivais anuais de matriz portuguesa. Simultaneamente, com algum pragmatismo, dos dois lados da fronteira, descobriam-se formas imaginosas de tornear dificuldades políticas, a fim de responder às necessidades das populações – por exemplo, no dossier de  reabilitação de uma  ponte de acesso à vila. Este desanuviamento revelava grande sentido prático e era um processo inteligente, que procurava andar para diante sem ferir o alto melindre político da questão. As autoridades locais e regionais espanholas pareciam interessadas em avivar a especial identidade de Olivença, até para a singularizar na região como pólo específico de procura turística, e circunscrevendo o processo a traços de identidade cultural, sem entrar obviamente pelo delicadíssimo – e potencialmente explosivo – plano político.
Estávamos nós postos neste sossego, quando o “enérgico” alcalde Bernardino Píriz aterra em Olivenza e resolve reabrir a Guerra de las Naranjas. Desde há semanas que éramos alertados para a provocação que congeminou. Até que o PS e autarcas locais do lado português – a meu ver, bem – resolveram agarrar no assunto.

Além do disparate político monumental, a iniciativa do novo alcaide oliventino interrompe esforços positivos que os autarcas alentejanos vizinhos conhecem bem e estavam a acompanhar e apoiar.
“Festejar” a Guerra das Laranjas em Olivença é uma coisa de flagrante mau gosto. Seria um pouco como a Rainha Isabel II ir celebrar a Gibraltar o Jubileu de Diamante no próximo mês de Junho.
José Ribeiro e Castro
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>o afrodilema por joão melo

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“O afrodilema”, por João Melo

“As mudanças que ocorrem em África e em outras partes do mundo não-ocidental, originadas ou influenciadas externamente, nem sempre significam uma efetiva modernização“.
Redação revista África21
 

Brasília – A modernização política de África pode ser imposta de fora, pelo ativismo de antigos revolucionários de café, hoje uma mistura de ultraliberais e de vestais «politicamente corretos», quase mórmons, mas que não têm de enfrentar as dificuldades concretas e diárias dos povos africanos, pela influência de entidades que se acreditam especializadas em exportar a democracia e a transparência para as nações «bárbaras» ou pela pressão de governos estrangeiros, a qual, no limite, pode mesmo incluir, à moda do colonialismo tradicional, a força militar?

Só sendo, na melhor das hipóteses, naive para acreditar nisso. É certo que, presentemente, o fator externo tem uma influência jamais vista na história da humanidade, pelo que seria burrice ignorá-lo. Mas os acontecimentos recentes confirmam que os elementos internos continuam determinantes para que os diferentes países se modernizem de facto, não se limitando a ser uma espécie de cópias baratas, para não dizer caricaturas, daqueles que se modernizaram há mais tempo ou, pior ainda, sejam forçados a aceitar novas submissões.

Assim, por um lado, uma análise um pouco menos impressionista, apressada e superficial permite descobrir a hipocrisia que muitas vezes se esconde nas boas intenções, nas críticas e nas pressões daqueles que, de fora, em especial no chamado Ocidente, acham que têm a fórmula mágica para impor a democracia e tornar menos «corruptos» os africanos. Na realidade, a corrupção continua a ser frequente em tais países, enquanto a democracia é posta em causa todos os dias, como demonstram, só para dar um exemplo atual, os planos de vários países democráticos desenvolvidos para controlar a internet.

Por outro lado, as mudanças que ocorrem em África e em outras partes do mundo não-ocidental, originadas ou influenciadas externamente, nem sempre significam uma efetiva modernização política, social e cultural. Em alguns aspetos, acarretam mesmo um retrocesso. Como todos já parecem ter esquecido que o regime monopartidário, mas cultural e socialmente aberto, do xá do Irão foi substituído por uma ditadura islamista «pura e dura», a atual evolução da dita «primavera árabe» aí está para atestar a minha afirmação.

Tudo isso torna irrefutável que cada sociedade tem de encontrar o seu próprio caminho para se transformar e modernizar, política, económica, social e culturalmente.

Leia na íntegra a crónica do escritor angolano, na edição de fevereiro da revista África21.

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>cplp e o futuro

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A CPLP tem tudo para se tornar numa organização importante, pois com 272,9 milhões de falantes, o português tornou-se na quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul.
Hoje, há uma nova geopolítica, pois as questões do crescimento económico são díspares entre os oito Estados membros. Portugal enfrenta uma gravíssima crise económica com as agências de notação de crédito a baixarem o seu rating e com individualidades como o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, a considerarem que o futuro daquele país é o declínio, depois de Angela Merkel ter criticado a forma como os fundos estruturais da União Europeia foram utilizados na Madeira, mas a situação é totalmente diferente em Angola e no Brasil.

O ultimo relatório World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional FMI refere que a economia de Angola cresce, este ano, 10,8 por cento, muito acima da economia mundial que vai subir 4 por cento e mesmo da média de crescimento estimada para o conjunto das economias emergentes e em desenvolvimento, 6,1 por cento.

O forte crescimento da economia angolana, num contexto que se prevê seja marcado pela incerteza – pela desaceleração global e, em consequência, pelo recuo significativo no preço das matérias-primas, designadamente do petróleo – fica a dever-se, essencialmente, refere o documento do FMI, a “uma forte recuperação na produção petrolífera, após uma interrupção em 2011”. 

O Brasil, revelam os últimos relatórios económicos, ultrapassou o Reino Unido e tornou-se na sexta maior economia do mundo, pois teve o crescimento fortalecido pelas exportações e pelo aumento do consumo no mercado interno.

Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste têm as situações financeiras estabilizadas e com perspectivas de desenvolvimento. Este último país tem mantido uma tendência de crescimento graças a algumas descobertas, que aumentam o seu potencial como futuro produtor de petróleo em larga escala. A Guiné-Bissau conta com o apoio particular de Angola para sair da crise económica e social que vive e já regista grande desenvolvimento reconhecido por todo mundo.

Assim sendo, a nova geopolítica da CPLP está assente na cooperação entre todos os Estados membros. Enquanto os parceiros europeus viram as costas a Portugal, Angola e todos outros países da organização dão sinais de abertura e de cooperação para o ajudar a sair da crise. Ainda no mês passado, o ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas, visitou Angola à frente de uma comitiva multidisciplinar no intuito de estabelecer contactos com vários sectores nacionais abertos a cooperar com aquele país e com todos os que queiram trazer desenvolvimento.

A CPLP pode contar com novos membros, como a Guiné Equatorial que já adoptou o português como uma das línguas oficiais Ao tornar-se um membro de pleno direito, pode dar outra dinâmica à organização, pois é dos maiores produtores de petróleo em África.

Concluo reafirmando a ideia que não são apenas factores económicos a determinarem o êxito de uma organização. A cultura e a língua são factores essenciais para o sucesso de tudo que queiramos fazer.

António Luvualu de Carvalho, Docente Universitário.

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>instituto camões e apoio à tradução

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NOTÍCIAS

Instituto Cmões promove programa de apoio à edição

c_250_0_16777215_0___images_photos_noticias_logic12.jpgEstá aberto, até 30 de março de 2012, o programa de apoio à edição de obras de autores de língua portuguesa traduzidas para outros idiomas e de obras que versem temas da língua e da cultura portuguesas, dirigido a editoras estrangeiras que pretendam editar obras de autores de língua portuguesa traduzidas noutros idiomas e disponham de capacidade de distribuição internacional.

Neste ano serão consideradas prioritárias as obras a editar em língua chinesa, atendendo ao Ano do Diálogo Intercultural UE China/2012 e obras a editar em castelhano. O júri do concurso é constituído por um representante do Instituto Camões, um representante da Direção Geral do Livro e das Bibliotecas e um representante da Casa Fernando Pessoa.

A concessão do apoio implica a celebração de um contrato entre o IC o Editor. O apoio financeiro a conceder pelo IC destina-se a comparticipar os custos de edição das obras. O apoio é pago de uma única vez, à ordem do editor, numa única tranche, até ao final do ano em que são anunciados os resultados da edição do programa, por transferência bancária, para a conta indicada na candidatura. Os resultados finais serão anunciados na página do IC, IP no prazo de 60 dias úteis a contar da data limite para a apresentação de candidaturas.

Os editores contemplados com o apoio devem Imprimir na contracapa do livro o logótipo do IC,IP, acompanhado da seguinte inscrição, em português e na língua em que a obra for publicada: “Obra publicada com o apoio do Instituto Camões-Portugal”; devem mencionar claramente em português e na língua de tradução o nome do autor e o título da obra, assim como a respetiva ficha técnica; devem disponibilizar ao IC um determinado número de exemplares da obra a editar, que será estabelecido em função do preço de venda ao público dessa edição e do montante financeiro do apoio a atribuir;   devem enviar à Embaixada, Consulado ou instituição integrada na rede de docência do IC mais próximos, o número de exemplares que constituem a contrapartida, custeando o envio dos livros.
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NOTÍCIAS

Instituto Cmões promove programa de apoio à edição

Criado em 21 Fevereiro 2012
c_250_0_16777215_0___images_photos_noticias_logic12.jpgEstá aberto, até 30 de março de 2012, o programa de apoio à edição de obras de autores de língua portuguesa traduzidas para outros idiomas e de obras que versem temas da língua e da cultura portuguesas, dirigido a editoras estrangeiras que pretendam editar obras de autores de língua portuguesa traduzidas noutros idiomas e disponham de capacidade de distribuição internacional.

Neste ano serão consideradas prioritárias as obras a editar em língua chinesa, atendendo ao Ano do Diálogo Intercultural UE China/2012 e obras a editar em castelhano. O júri do concurso é constituído por um representante do Instituto Camões, um representante da Direção Geral do Livro e das Bibliotecas e um representante da Casa Fernando Pessoa.

A concessão do apoio implica a celebração de um contrato entre o IC o Editor. O apoio financeiro a conceder pelo IC destina-se a comparticipar os custos de edição das obras. O apoio é pago de uma única vez, à ordem do editor, numa única tranche, até ao final do ano em que são anunciados os resultados da edição do programa, por transferência bancária, para a conta indicada na candidatura. Os resultados finais serão anunciados na página do IC, IP no prazo de 60 dias úteis a contar da data limite para a apresentação de candidaturas.

Os editores contemplados com o apoio devem Imprimir na contracapa do livro o logótipo do IC,IP, acompanhado da seguinte inscrição, em português e na língua em que a obra for publicada: “Obra publicada com o apoio do Instituto Camões-Portugal”; devem mencionar claramente em português e na língua de tradução o nome do autor e o título da obra, assim como a respetiva ficha técnica; devem disponibilizar ao IC um determinado número de exemplares da obra a editar, que será estabelecido em função do preço de venda ao público dessa edição e do montante financeiro do apoio a atribuir;   devem enviar à Embaixada, Consulado ou instituição integrada na rede de docência do IC mais próximos, o número de exemplares que constituem a contrapartida, custeando o envio dos livros.
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