Categoria: Timor

  • Pope cheers East Timor’s recovery while acknowledging a bishop’s abuse scandal

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    Pope cheers East Timor’s recovery while acknowledging a bishop’s abuse scandal

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  • Ramos-Horta saúda Francisco e destaca “significado profundo” da visita

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    Esta é a segunda vez que um Papa visita Timor-Leste, a primeira ocorreu em 1989 quando João Paulo II visitou o território, ainda sob ocupação indonésia.

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  • grande reportagem 1983 timor

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  • Guterres em Timor-Leste: ‘Falta ganhar a batalha do desenvolvimento’

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    Secretário-geral da Nações Unidas foi acolhido por milhares de jovens na rua ao chegar na capital Díli; após se reunir com presidente timorense, José Ramos Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, ele manifestou disposição da organização em apoiar os esforços em favor de áreas como segurança…

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  • No 25º aniversário da independência de Timor-Leste, António Guterres foi recebido como um herói

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    Esta quarta-feira começaram as celebrações dos 25 anos do referendo pela independência de Timor-Leste. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi recebido como um herói que lutou e se sensibilizou para a causa da independência de Timor-Leste.

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  • Governo timorense criticado por gastar 12 milhões para receber o Papa | Sete Margens

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    Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram o Governo de Timor-Leste por prever gastar 12 milhões de dólares na preparação da visita do Papa Francisco que terá lugar de 9 a 11 de setembro, incluindo um milhão para a construção de um altar para a missa papal, noticiou na passada sexta-feira, 9 d

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  • Caligrafia bonita levou transmontano António Cordeiro ao ENSINO em Timor e só tinha a 4ª classe

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    Hoje em dia, para se ser professor é preciso estudar bastante. Noutros tempos, há 60 anos, António Cordeiro, natural de Santulhão, no concelho de Vimioso, não precisou mais que a quarta classe para abraçar esta profissão. Bastou-lhe ter uma letra bonita.

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  • TIMOR ANIVERSÁRIO DO REFERENDO 1999

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    MEUS POEMAS ALUSIVOS A TIMOR

    V. TIMOR, Díli, Timor, setembro, 20, 1973

    timor cresceu cercado

    lendas que a distância empolgou

    o sonho

    a quietude

    as 1001 noites do oriente exótico

    o sortilégio dos trópicos

    para o europeu

    chegar era já desilusão

    desprevenido

    sobrevoa estéril ilha

    montes e pedras

    agreste paisagem sulcada

    leitos secos

    abruptas escarpas

    terra sem marca de homem

    esparsas cabanas de colmo

    será isto timor?

    o avião desce o vazio em círculos

    em vão os olhos buscam a pista

    por trás de um montículo imprevisto

    se vislumbra o “T

    e a torre de controlo dos folhetos de propaganda

    nunca existiu

    a alfândega é o bar e a sala de espera

    sob o zinco e o colmo

    isto é baucau

    aeroporto internacional

    a vila salazar dos compêndios

    que a história esqueceu

    uma turba estranha se amontoa

    à chegada do cacatua-bote[1]

    o patas-de-aço

    esta a cerimónia sagrada do deus estrangeiro

    descendo dos céus

    dia de festa para os trajes multicoloridos

    o contraste do castanho de sóis pigmentados

    cinco da matina

    e é já o pó e o calor

    o espanto mudo nas bocas incrédulas

    as formalidades aqui com sabor novo

    espera lenta e compassada

    séculos de futuro por viver

    antes que ele venha

    antes não venha

    num barracão zincado uma velha bedford

    de carga com caixa fechada

    vidros de plástico sob o toldo puído

    pomposo dístico colonial

    carreira pública baucau-díli

    picada em terreno plano

    mar ao fundo

    baucau

    cidade menina por entre palmares

    densa vegetação tropical

    connosco se cruzam estranhos homens de lipa[2]

    galo de combate ao colo

    entre torsos e braços nus

    das ruínas do mercado se evocam

    desconhecidos templos romanos

    estrada n.º 1 até díli

    sulcam-se abruptas as encostas

    ao mar sobranceiras

    ali se adivinham cristais multicolores

    em lugar de pontes se atravessam ribeiras

    enormes

    leitos secos

    o tempo as converteu em estradas de ocasião

    pedregoso solo

    cores indefinidas

    castanhos e verdes

    palapas [3] dissimuladas na paisagem

    imagens tristes de pedras e montes

    baías primitivas

    inconquistas

    praias de despojos e conchas

    paraísos insuspeitos

    as gentes de sorrisos vermelhos

    assusto-me

    não é sangue nas bocas gengivadas

    masca, mescla de cal viva e harecan[4]

    placebo psicológico da alimentação que falta

    um sorriso encarnado esconde a fome

    súbito

    por paisagens que só a memória

    sem palavras descreverá

    eis díli

    a capital

    larguíssima avenida semeando o pó nas palapas

    casas de pedra com telhados de zinco

    na ponta leste chinas e timores

    partilham a promiscuidade da pobreza

    díli

    plana e longa

    a vasta baía antevendo imponente

    o ataúro ilha

    um porto incipiente

    a marginal desagua no farol

    construções coloniais pós 1945

    da guerra que ninguém quis

    dos mortos que os japoneses quiseram

    da neutralidade do país mãe calado e violado

    albergam chefes de serviço

    altas patentes militares

    sem guerras para lutar

    sem movimentos libertadores das gentes

    quinze quilómetros de asfalto

    três casas dantes da guerra grande

    aeródromo em terra batida

    um jipe de afugenta búfalo

    a rua comercial atravessa díli senhora

    de leste a oeste

    espinha dorsal

    o centro

    o palácio das repartições

    do governo

    perto um museu

    o seu nome ostenta o vazio

    riquezas sem fim

    seus governadores exportaram

     

    patriotas colonizadores de séculos com nada para mostrar

    um museu morto

    dois sinaleiros nas horas de ponta

    ociosos às portas dos cafés

    à noite transfiguram-se

    os bas-fond

    o texas bar

    da prostituição às slot machines

    o submundo

    a vida underground

    afogar esperanças em álcool

    sonhos há muito perdidos nunca sonhados

    restaurantes poucos

    melhor comida a chinesa

    bares espalhados pela cidade

    militares e álcool para calar distâncias

    um portugal dos pequeninos

    longínquo

    cada vez mais esquecido

    nunca perdido.

    1973 numa cidade sem vida

    morrendo nas cinzas próprias de cada noite

    por entre o silêncio e a voz triste dos tokés[5]

    o calor putrefacto

    por entre o voo alado das baratas gigantes

    carros poucos

    de dia só do estado

    motocicletas pululam por entre viaturas oficialmente pretas e verdes

    esperando mulheres de oficiais

    às portas dos cabeleireiros

    do liceu

    militares a pé, em berliets ou unimogs

    chineses muitos

    díli é isto

    a desolação

    na parte alta da cidade o complexo militar

    barracas insalubres

    sob a sombra dos hospitais

    um civil um militar

    fresco e verdejante vale

    triste esta cidade

    pretensamente euro-africana

    palapas marginando ruas

    nelas vive o timor

    sem água nem luz

    dez ou quinze filhos

    que importa

    a miséria é só uma e a mesma?

    esta “a terra que o sol em nascendo vê primeiro”

    aqui as imagens

    e são já história

    não se repetirão

    aqui não daremos testemunho

    como transfigurar

    colónias pacíficas

    em palcos de guerra.

    433.1. bucólica bobonariana-i, bobonaro, nov 23, 1973

    a colina à esquerda ergue-se

    mansamente, sem pressas

    caminha do mar, reproduz-se altiva

    pico agreste me vigia

    não há vegetação nem sinais de gente

    (terá emigrado daqui a seiva?)

    as rochas puras primitivas, nascituras

    erguidas por ciclópicas mãos do fundo dos mares

    quedaram-se ostensivas, desafio de nuvens eternas

    arbustos pequenos insignificantes como as gentes

    espraia-se na vastidão o olhar (começa em mim)

    só montes, pedras, horizonte

    eu aqui fechado, cercado, ilha de mim próprio

    o vale profundo (talvez abismo, talvez acusação)

    diviso emaranhados nas brumas ciscos amarelos

    (segredam-me são casas de gente)

    ENTÃO PARTO

    sem hesitar cavalgo

    pedras

    ribeiros

    encostas

    subo

    desço

    e nada destrinço

    insensível à rude beleza

    atinjo inóspito cume

    estranhamente plano

    nele plantaram casas

    cinco ou seis

    uma ao centro

    lulic[6] dizem-me

    baixo-me e entro

    teto erguido a pique

    muro de pedra a tocar baixo sobrado

    térreo madeirame trabalhado segue as vigas

    quadros sacros

    sol

    elementos

    animais

    no andar elevadiço

    um lar entesourado em morada última

    assusto-me

    em volta ósseas relíquias

    cheiro imenso a fumigação

    saio

    respiro ar puro

    sacrossanto

    das montanhesas cercanias

    uma laje quadrada

    uma placa tipo tumular

    flores murchas e perdidas

    casas sem muros

    no andar térreo

    animais se abrigam

    por cima pessoas alojadas

    deitadas

    a nascer

    a cozinhar

    a comer

    a dormir

    a morrer

    quando as chuvas tombam

    e o colmo amolece

    quando o sopro do vento vem

    rasgar a mirrada pele

    quando maromác[7] se zanga

    nascem surdos lamentos

    ninguém ouvirá

    olhei e vi gente

    acocorada

    semidespida

    esquelética

    nuas crianças

    algumas de colo

    a mim chegaram

    sorrindo orgulhosas da alva pele

    pedindo as fotografasse

    tartamudeavam malai[8]

    como quem se afirma

    compreendi esse estranho orgulho ilegítimo

    bastardo

    mulheres se alugam para não perecerem

    da fome vil

    quando novas servem de pasto

    a abutres forasteiros

    depois

    escavacadas

    descarnadas

    desdentadas

    mascam infindáveis sementes

    esboçam sorrisos

    para a objetiva acusadora e cúmplice

    não mais suportei este dantesco inferno

    saí

    acenei

    virei costas e voltei ao exílio.

    – NAUSEADO –

    433.2. bucólica bobonariana II. Bobonaro, nov 23, 1973

    (permaneci calado traído por pensamentos galopantes

    onde as mulheres, cadê as crianças?

    que gente esta, donde vem?

    que peso arrasta penosa, mecanicamente?)

    ao longe divisei um ancião

    vergado como uma aduela

    corri para ele, inspirou-me medo

    fez um gesto vago, um arremedo a suster-me

    estaquei na distância

    nem um pássaro riscava a muda quietude do céu

    tremi

    como se de súbito

    me penetrassem

    as respostas todas

    virei costas

    corri, corri

    e aqui estou hoje

    a dar-vos conta

    do que assisti

    eu vi-os

    de olhar gasto e gestos caídos

    vinham com neves eternas nos cabelos

    enxada às costas

    vergados ao peso de séculos

    maltrapilhos

    descalços

    rotos

    bronzeados por sóis perdidos

    na memória dos tempos

    uma grande fome para contar

    e o silêncio sem fim

    de todas as solidões

    falei-lhes

    acenaram sem se deterem

    cadência de autómatos

    sem vontade

    explicaram por gestos

    o que presumi sorriso

    nas gengivas descarnadas informes

    perguntei

    donde vinham

    de que estranha guerra

    sobreviviam

    sem abrandarem a insólita marcha

    puxaram da bia sem idade

    acenderam-na na concha dos dedos recurvos

    suspiraram fundo como jamais ouvira

    era um sopro indefinido

    murmurado

    amargo

    entretanto havíamos chegado

    povoado estranho sem gente

    nem cães ladrando em redor

    casas singulares

    elevações de colmos

    suspensas de estacas mudas

    sem janelas nem portas

    um silêncio velho de morte

    imperioso deixar a alma

    deste ritmo

    parar

    deixar o instante

    deste tempo

    renascer

    eterno

    esta a proposta inicial

    iniciática

    até lá, como?

    434. a lepra. Díli, dez 3, 1974

    eu vi-os

    de olhar gasto e gestos caídos

    vinham com neves eternas nos cabelos

    enxada às costas

    vergados ao peso de séculos

    maltrapilhos

    descalços

    rotos

    bronzeados por sóis perdidos

    na memória dos tempos

    uma grande fome para contar

    e o silêncio sem fim

    de todas as solidões

    falei-lhes

    acenaram sem se deterem

    cadência de autómatos

    sem vontade

    explicaram por gestos

    o que presumi sorriso

    onde só havia gengivas descarnadas

    informes

    perguntei

    donde vinham

    de que estranha guerra

    sobreviviam

    sem abrandarem a insólita marcha

    puxaram da bia sem idade

    acenderam-na na concha dos dedos recurvos

    suspiraram

    fundo

    como jamais ouvira

    era um sopro indefinido

    murmurado

    amargo

    entretanto havíamos chegado

    povoado estranho

    sem gente

    nem cães

    ladrando em redor

    casas estranhas

    elevações de colmos

    suspensas de estacas

    mudas

    sem janelas

    nem portas

    um silêncio velho de morte

    deixar a alma

    deste ritmo

    parar

    deixar o instante

    deste tempo

    renascer

    eterno

    esta a proposta

    inicial

    iniciática

    até lá, como?

    [1] cacatua-bote ou patas-de-aço eram designações dadas pelos timorenses aos aviões

    [2] lipa, saia de tecido colorido, típica, de origem malaia, os timorenses usam-na enrolada à cintura descendo até aos tornozelos.

    [3] casas cónicas, quadradas ou retangulares em colmo

    [4] folha de planta semelhante à do tabaco

    [5] espécie de lagarto sonoro, cuja idade se determinava pelo número de vezes que emitia o som toké.

    [6] lúlic significa sagrado em tétum

    [7] o equivalente a deus em língua tétum

    [8] designação dada aos brancos pelos timorenses


    450. o teto do mundo. díli, dezº 3, 1974

    como romper as palavras?

    o som e o lamento do ai-tassi

    sagrado lenho

    em ti se moldaram

    faces e rugas milenárias

    caminhos de teto do mundo

    nas mãos vazias viaja o passaporte

    para que não sucumbas hoje

    há muitas mortes nos amanhãs

    teus pés ligeiros voam vinte quilómetros

    o cacho solitário que colheste

    bananas com que não matas as fomes

    enganas malai com parco lucro

    escudo lima[1]

    e teu rosto infantil e puro sorria

    vendeste a sobrevivência duma semana

    caminhas curvado e galgas montanhas

    teus os reinos de Railaco e TataMaiLau[2]

    por isso retornas e teu sorriso é jovem

    na cal e harecan misturas o prazer e o engano

    também teu estômago sorri confiante

    também tua a linguagem do corpo

    no regresso de braços dolentes

    firme em teu braço direito

    o teu combate de penas

    pobre mercador de ilusões em galos de luta

    acaricias teu ganha-pão

    teu desporto

    e apostas

    mais

    sempre mais

    são tuas as lágrimas

    a revolta e a derrota

    é teu o sangue e o alimentaste

    guardas o estilete acerado

    não decepou medos

    são tuas as planícies e as ribeiras

    as torrentes inundaram o arrozal

    levaram pontes e caminhos

    e ris do grande engenheiro malai

    como do búfalo do china luís

    navegando rumo à liberdade

    nem pensas na tua

    das árvores pendem camarões doces do rio

    e o pequeno jacaré

    faz o cruzeiro oceânico Ribeira de Seiçal-Díli

    maromác[3] sabe

    maubere é diac [4]e vai passar

    esse o lado outro do abismo.

    ————————————————————————

    [1] o equivalente a cinco escudos em moeda de timor

    [2] picos mais altos de timor, rondando os 3 mil metros de altitude

    [3] maromác o equivalente a deus em língua tétum

    [4] maubere é diac, o timorense é bom, coisa boa

    ————————————————————

  • foi há 51 anos em 19 setº 1973

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    aterrei em Baucau e fui numa destas para Díli e depois numa GMC ou Berliet para Bobonaro…

    para o bem e mal a minha vida nunca mais seria a mesma como o exprimi em poema de 2012

     

    547. eleições sem lições em timor (lomba da maia) 8 julho 2012

    díli, 23 setº 1973 cheguei hoje a timor português

    a vinda marcará a minha vida para sempre

    sem o saber nunca mais nada será igual, o futuro começa hoje e aqui

    entrei no tempo da ditadura sairei na democracia adiada

     

    na bagagem guardo sabores

    imagens e odores

    sonhos de pátria e amores

    divórcios e outras dores

     

    cheguei sem bandeiras nem causas

    parti rebelde revolucionário

    tinha uma voz e usei-a

    tinha pena e escrevi sem parar

    pari mais livros que filhos

    para bi-beres e mauberes

     

    48 anos de longo inverno da ditadura

    24 de luta independentista

    agora que a lois vai cheia

    e não se passa na seissal

    já maromác se apaziguou

    crescem os lafaek nos areais

    perdida a riqueza do ai-tassi

    gorada a saga do café

    resta o ouro negro

    para encher bolsos corruptos

    sem matar a fome ao timor

     

    perdido nas montanhas

    sem luz, água ou telefone

    repetindo gestos seculares

    mascando sempre mascando

    o placebo de cal e harecan

    mas com direito a voto

    para escolher quem o vai explorar

    sob a capa diáfana da lei e ordem

    do cristianismo animista

    oprimido sim mas enfim livre.


    608. eleições 29 jul 2013

     

    era tempo de eleições

    políticos vinham e prometiam

    a populaça aplaudia

    acenava e acreditava

     

     

    depois de contados votos

    os políticos desapareciam

    junto com as suas promessas

    e o povo esquecido esperava

    assim crendo na democracia

    uma pessoa, um voto, uma promessa

    repetiam a antiga escravatura

    acreditando serem livres