RAINER RILKE À LUZ DE NUNO ÁLVARES PEREIRA

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RAINER RILKE À LUZ DE NUNO ÁLVARES PEREIRA

 

O Indivíduo na sociedade e a sociedade no indivíduo: Ninguém se pensa sozinho

 

Não existe um “eu” puro fora do “nós”, nem um “nós” abstrato que dispense a interioridade pessoal.

Para tornar visível esta tensão e a sua fecundidade, recorro a duas figuras paradigmáticas do século XX e uma do século XIV: Rainer Maria Rilke, poeta da interioridade e do devir existencial, Dietrich Bonhoeffer, teólogo da responsabilidade comunitária e da ação histórica e Nuno Álvares Pereira, estratega militar português (1) que pode figurar como configuração exemplar e integradora dos dois.

Rilke e a primazia da interioridade vivida

Rilke escreve: “Não procures agora as respostas que não te podem ser dadas, porque não as podes viver. Trata-se de viver tudo. Vive agora as perguntas. Talvez então, sem te aperceberes, um dia vivas gradualmente a resposta.” E ainda: “Nunca se deve desesperar quando se perde algo, uma pessoa, uma alegria, uma felicidade; tudo volta ainda mais maravilhoso.”

Estas palavras condensam o núcleo do pensamento rilkeano expresso na vida como processo de maturação interior, em que o sentido não é imposto de fora, mas emerge da experiência vivida…

Rilke insere-se na tradição existencialista e na filosofia da vida, onde a autenticidade da experiência interior se torna critério supremo. “Viver as perguntas” significa aceitar que o sentido não se revela de modo abstrato ou imediato, mas se encarna lentamente na biografia…

A sociedade que habita o indivíduo limita a interioridade isolada

Uma crítica legítima ao pensamento de Rilke é a sua radical subjetividade. O foco quase exclusivo na interioridade corre o risco de obscurecer uma dimensão fundamental da existência: a sociedade vive no indivíduo e ao mesmo tempo o indivíduo vive na sociedade.

As nossas perguntas não nascem num vazio… A pergunta decisiva que Rilke não formula é: quem pode, de facto, “viver as perguntas”?…

Há sofrimentos que não se resolvem apenas por trabalho interior, porque não são apenas interiores.

Sem instituições, sem memória coletiva e sem tradição, o ser humano não se torna mais livre: regressa a um estado de imediatismo instintivo, vivendo num presente sem profundidade temporal. Rilke rejeitou dogmas e instituições, com razão em certos contextos, mas sem alguma forma de institucionalização simbólica, não há cultura, nem futuro, nem responsabilidade histórica.

 

Bonhoeffer: da interioridade à responsabilidade histórica

É aqui que o pensamento de Dietrich Bonhoeffer se torna decisivo. Ele escreve: «A glória final não é que o mundo seja julgado e condenado, mas que Cristo, através da sua cruz, que é também a cruz da comunidade, perdoe o mundo e faça a paz.»

À primeira vista, esta afirmação pode parecer resignada. Mas essa leitura dissolve-se quando se considera o contexto existencial de Bonhoeffer…

Ele não escreveu a partir de uma torre de marfim espiritual, nem a partir do espírito do tempo, mas do interior da resistência ativa ao regime nazi…

A “cruz da comunidade” não é símbolo de passividade, mas de solidariedade ativa…

Paz como acção criadora, não como capitulação

Para Bonhoeffer, “promover a paz” é uma tarefa profundamente activa. Não significa evitar conflitos, mas romper o ciclo da violência, da vingança e da humilhação moral. O pacificador não é neutro: ele paga o preço da reconciliação…

Uma espiritualidade que se refugia no interior ou se limita a julgamentos piedosos é uma traição ao real e à própria filosofia e mística cristã…

A aparente renúncia ao juízo condenatório não é fraqueza política, mas uma estratégia ética radical em que o objetivo não é destruir o adversário, mas restaurar a comunidade, o “shalom”, mesmo quando isso exige decisões duras…

 

Rilke e Bonhoeffer são duas faces de um mesmo processo humano

Rilke e Bonhoeffer não se opõem; complementam-se… Rilke trabalha o tempo interior da maturação e Bonhoeffer assume o tempo histórico da decisão.

Ambos rejeitam respostas fáceis e confiam em processos transformadores. Mas em Bonhoeffer esses processos são explicitamente orientados para a mudança social, para a justiça encarnada, para a paz construída, algo que contrasta fortemente com a política contemporânea, dominada pela lógica da polarização, da humilhação do adversário e da vitória simbólica…

Rilke à luz de Nuno Álvares Pereira como interioridade encarnada

Para que o pensamento de Rilke não permaneça suspenso numa interioridade sem corpo histórico, é fecundo colocá-lo em diálogo com uma espiritualidade que soube viver as perguntas no meio do conflito real. Aqui, a figura de São Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira) revela-se exemplar

A sua vida mostra que a verdadeira tensão formadora não é apenas entre o eu e a sociedade, mas entre o eu e o próprio ego.

Se Rilke nos convida a “viver as perguntas”, Nuno Álvares Pereira mostra como fazê-lo quando a vida não permite retirada, quando a decisão é urgente e o sofrimento coletivo é real. Ele não fugiu do mundo para se tornar santo; tornou-se santo atravessando o mundo, transfigurando por dentro aquilo que por fora parecia apenas violência, ambição ou identidade nacional…

Neste sentido, o “Santo Condestável” realiza aquilo que em Rilke permanece sobretudo como potencial: a integração entre trabalho interior e responsabilidade histórica… O egoísmo, a indiferença e a autossuficiência, inimigos silenciosos mais perigosos do que qualquer exército, são combatidos diariamente, até que neles floresça uma humanidade mais ampla e reconciliada. Isto é o que não se encontra nos políticos hodiernos e por isso a falta de humanismo, de coerência e de lógica política…

A sua passagem da espada ao hábito carmelita não foi uma fuga tardia, mas a consumação lógica de um caminho interior já vivido em plena ação. Ele prova que a santidade não é incompatível com a política, nem a fé com a lucidez histórica, desde que o centro da luta seja deslocado do inimigo exterior para a conversão do coração

São Nuno é, assim, a resposta viva à crítica sociológica feita a Rilke: ele mostra que é possível viver as perguntas sem ignorar o sofrimento coletivo, e crescer interiormente sem abandonar a responsabilidade pelo destino comum.

Com Nuo Álvares Pereira compreende-se que a tensão entre o eu e o nós, entre o privado e o público, entre o sagrado e o profano, não é um problema a eliminar, mas é o lugar onde o Homem se forma, porque a identidade nasce da tensão, não da fuga…

O desafio contemporâneo não é escolher entre interioridade ou ação, mas integrá-las (Nuno torna-se exemplo de identidade, tensão e encarnação) … (Em pegadas do tempo encontra-se uma nota explicativa adequada a este resumo)

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo Social

Texto completo © em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10637

 

 

A FERIDA SOCIAL DA SOLIDÃO E O IMPERATIVO DE CRIAR LAÇOS

 

Há um paradoxo original na condição humana: nascemos sozinhos e morremos sozinhos, mas o greta da existência só ganha cor, calor e significado no cadinho do outro… A sua afirmação no mundo não é um monólogo, mas um diálogo permanente que espera uma resposta, um eco, um reconhecimento…

Sentir-se sozinho é, de facto, uma das experiências mais cruéis. Não é sinónimo de estar fisicamente só, porque muitas vezes habita os corredores apinhados de um escritório ou o lado vazio de uma cama partilhada…. Os dados, como o preocupante estudo alemão que aponta que seis em cada dez pessoas se sentem sós, são mais do que estatísticas; são o retrato de uma epidemia subjetiva numa sociedade carente…

Vivemos tempos em que o nosso chão se torna cada vez mais movediço. A globalização, com as suas luzes e sombras, retirou-nos muitas vezes o chão das comunidades estáveis, das praças onde todos se conheciam. As notícias de conflitos globais ecoam como um ruído de fundo ansioso. Muitos sentem-se como peças intercambiáveis numa engrenagem vasta e impessoal, onde a eficácia substitui a afetividade…

As comunidades, sejam religiosas, culturais ou de simples proximidade, são os antídotos naturais ao isolamento. É por isso que a ação do Estado e das instituições não pode limitar-se ao económico e ao funcional; deve investir ativamente na criação de espaços de encontro, de cultura viva e partilhada, de celebração do vínculo, durante todo o ano. Uma sociedade que não cultiva o seu espírito comunitário é uma sociedade que adoece coletivamente, tornando-se mais depressiva e fragmentada.

Contudo, a ponte para o outro não se constrói apenas de cima para baixo. Ela nasce dos gestos mínimos, da micropolítica da gentileza quotidiana. Fiquei profundamente comovido com um episódio simples: durante um passeio, ao executar discretamente um exercício de equilíbrio, um desconhecido de semblante alegre que passava perguntou-me: “Está tudo bem?”. Não era mais do que uma frase, uma nesga de atenção, mas continha um universo de reconhecimento. Naquele instante, deixei de ser uma figura anónima numa paisagem para me tornar um alguém. Admiro, com um certo sentimento de humildade, a etiqueta infalível dos cães que, ao cruzarem-se, se cheiram e se saúdam. Recordam-nos um protocolo básico de existência: a presença do outro merece um registo, um reconhecimento…

A biologia confirma a tragédia: o isolamento social crónico eleva os níveis de cortisol, a hormona do stress, abrindo caminho a doenças cardiovasculares e a um declínio geral do sistema imunitário…

Combate-se com a participação ativa, como, dançar, pertencer a um coro, fazer parte de um grupo de voluntários, cultivar uma amizade com a paciência com que se cultiva uma árvore. Sei bem como isto é difícil de praticar porque também eu não consigo praticar sempre muito do que aqui digo embora reconheça a sua importância…

Chegou a hora de um investimento coletivo na arte do encontro. De perguntar ao vizinho como está. De criar, com pequenos gestos, uma rede de luz que afaste a escuridão da solidão. Porque no fim, salvamo-nos uns aos outros, ou perecemos juntos, na mais dolorosa das separações, que é a que acontece estando lado a lado. Ninguém se realiza sozinho.

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10635

 

637. prevendo futuros 18.1.2026 por chrys c

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637. prevendo futuros 18.1.2026

 

Quase todos sabem da minha inequívoca falta de jeito no campo das previsões, sejam Elias eleitorais ou futebolísticas, mas ao fim da primeira quinzena aterradora deste ano creio acertar quando disser que, a qualquer momento Trump vai deitar a mão à Gronelândia (não se sabe bem é como). E a UE que mandou meia dúzia de militares (37 no total: 1 RU, Países Baixos, 2 Noruega, 2 Finlândia, 3 Suécia, 13 Alemanha, 15 França) não vai fazer nada, a NATO precisava que os EUA dessem dinheiro para a NATO impedir a tomada da Gronelândia pelos EUA! A Dinamarca nada pode fazer e os habitantes locais ainda menos.

Podem acontecer três desfechos que inviabilizem esta previsão:

  1. Os EUA entram em colapso (tipo guerra civil)
  2. A 3ª Guerra Mundial formalmente toma conta do mundo
  3. Trump desaparece da cena. Sei que as estatísticas dizem que os presidentes mais à esquerda são normalmente, as vítimas de tentativas de assassinato, mas neste caso justificava-se uma exceção.

A verdade tornou-se traição neste império de mentiras que são os EUA. Já não é época de desastres bíblicos, tipo as dez pragas do Egito ou os mais prosaicos castigos divinos sobre esse mentiroso compulsivo narcisista que se diz cristão (protestante).Há muitos que dizem que a Rússia tem um ficheiro comprometedor sobre ele e que o manipulam livremente. Em 12 de agosto de 2025, Alnur Mussayev, ex-chefe do Comité de Segurança Nacional do Cazaquistão, alegou que o presidente russo Vladimir Putin (há muitos anos) possui um arquivo abrangente sobre Donald J. Trump. Ele não sugeriu isso. Ele afirmou que inclui registos financeiros que mostram transações ilícitas relacionadas com contas pertencentes a Trump ou claramente associadas ao seu nome além de gravações: documentação em áudio e vídeo de crimes sexuais contra menores e atos de violência contra mulheres. O objetivo, segundo Mussayev, é estratégico: garantir que Trump permaneça alinhado com os interesses geopolíticos russos. Isso inclui minar a OTAN, desestabilizar a União Europeia e pressionar a Ucrânia a se render.

Piers Morgan (cuja carreira na TV se deve ao “Aprendiz”, programa de TV de Donald Trump), surgiu crítico “A Grã-Bretanha deveria recomprar os Estados Unidos. Afinal, eles já foram nossos, e isso aumentaria a nossa segurança no Atlântico Norte. Se não nos vender, presidente Trump, vamos impor tarifas aos EUA e a qualquer país que o apoiar na resistência a este excelente acordo. Justo?”

Gronelândia pede à NATO defesa e proteção perante ameaças dos EUA.  Ministros reúnem amanhã - Economia - Jornal de Negócios

palhaçada europeia

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meia dúzia de países europeus mandaram duas ou 3 dezenas de militares a defender a Gronelândia, para depois se defenderem aquando da invasão e tomada desta pelos EUA ao abrigo de um qualquer tratado sem tarelo nenhum..

 

 

GRONELÂNDIA JÁ ERA, O QUE INTERESSA AGORA
É FAZER A OPINIÃO PÚBLICA EUROPEIA ENGOLIR O SAPO
— As televisões, jornais e respectivos comentadores andam há um par de dias a dar enorme importância ao envio de militares europeus para a Gronelândia. São 15 franceses, 13 suecos, dois alemães, dois neerlandeses, dois finlandeses, dois noruegueses e um britânico, um total de 37 militares do chamado ‘velho continente’, numa “missão de reconhecimento na Gronelândia” que poderá depois ser “complementada por mais tropas, meios aéreos e navais”.
Um gesto cuja vacuidade é tão evidente que até incomoda, já que por mais tropas que a Europa para lá mande, não há defesa possível ante uma eventual invasão americana.
Mas não, nos diferentes telejornais eles levam a coisa a sério. E uns dizem que é “um sinal solidariedade para com a Dinamarca” [ante a ameaça americana, certamente], enquanto o diplomata sénior francês Olivier Poivred’Arvor precisou que se trata de “um primeiro exercício para mostrar que a NATO está presente”. Ou seja, a NATO está presente para quê, para lutar com quem? Não será com a Rússia nem com a China, que andam bem longe. Então é por causa dos EUA de Trump, só pode ser. Resumindo, NATO contra NATO, mas isso não pode ser dito, é assunto tabu…
Os comentadores dos canais de TV desdobram-se em “doutas” argumentações de entre as quais está rigorosamente excluída qualquer alusão à consequência mais notória deste “imbróglio”: a vertente europeia da NATO aprofunda a sua divisão com os EUA (que já vem de trás com o conflito ucraniano), o patrão todo poderoso da Aliança Atlântica (que só é aliança para cuidar dos interesses dos EUA, mais evidente não pode ser!). Disso, dessa divisão crescente, não convém falar, porque levaria certamente a conclusões incómodas sobre a absoluta nulidade que tem sido a política externa da UE nos últimos 20 anos, totalmente abandonada ao bel-prazer dos diferentes inquilinos da Casa Branca em Washington…
Assim, a quase totalidade dos comentadores (com uma ou duas excepções) evita cuidadosamente falar disso, é o elefante na sala que ninguém quer ver.
Em conclusão, mais uma vez se confirma que a comunicação social abandonou totalmente a sua missão de informar e esclarecer a opinião pública, de alertar para os problemas que nos cercam e ameaçam. Existe para adormecer a opinião pública, dirigi-la de forma a que continuemos a confiar nos funcionários de Bruxelas (que ninguém elegeu) e nos seus representantes em cada Estado-membro (esses sim eleitos, mas submissos e conscritos pelo tsunami regulatório da UE).
OK, tudo está bem, a Europa está a enviar militares para preparar a resistência ao invasor, é o que nos contam. Mas alguém acredita nisso? Claro que não. Mas convém fingir que tudo está sob controlo. Ainda por cima o invasor não é chinês, nem é russo, é o ‘Daddy americano’…
Insisto: os jornais e canais de TV já não informam nada, pelo contrário, a sua missão é apenas uma: dirigir e controlar a opinião pública de acordo com os interesses da oligarquia que desde há pelo menos três décadas se apoderou totalmente do aparelho de comunicação social ocidental. A liberdade de informação já não existe, a liberdade de opinião está cada vez mais restringida e ameaçada…
O BigBrother do “1984” de George Orwell tornou-se uma realidade, o pensamento único já vigora, só falta mesmo criar o “Ministério da Verdade”…
No fim de contas, haverá um teatro negocial, mais ou menos longo (não será demasiado longo porque o Trump precisa de uma vitória a tempo da “midtermelections” que são já daqui a 10 meses) sempre reportado pelos “pivots” da TV (os pastores do rebanho) como “duras, francas e decisivas”. E no final de contas haverá um acordo que será totalmente favorável aos americanos. Já está tudo decidido, o que vão debater nas “negociações” é simplesmente de que forma os “spin doctors” europeus e americanos vão disfarçar a cedência total para convencerem a plebe de Oslo a Lisboa que tanto a Europa como os EUA ficaram a ganhar…
Os que não concordarem com essa narrativa que então será apresentada é porque são traidores a soldo de Beijing ou Moscovo, mais nada!
Siga o baile! A menina dança?…
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A minha cor política é o país onde vivo, nem direita, nem esquerda, nem centro. Claro que tenho as minhas preferências e já as afirmei em devido tempo.
(Desmistifiquemos: apesar de hoje em dia não ser já relevante, tenho de me definir, como sendo de “esquerda” querendo significar simpatizar com a noção de uma social-democracia à sueca do tempo do malogrado Olof Palme.
Sou multicultural e não aceito xenofobia nem extremismos de qualquer formato).
Chrys Chrystello 9.8.2018

Açoriano é um dos agentes da PSP acusados de tortura e violação

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Fique a par da atualidade nos Açores com o jornal mais antigo de Portugal.

Source: Açoriano Oriental

 

https://www.acorianooriental.pt/noticia/acoriano-e-um-dos-agentes-da-psp-acusados-de-tortura-e-violacao-374385

ICE EUA 2026

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LEMBREM-SE BEM DISTO QUANDO CHEGAREM À VOSSA PORTA

 

 

Maiakovski – poeta russo “suicidado” após a revolução de Lenine que escreveu ainda no início do século XX:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.

Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.

Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.

Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;

já não havia mais ninguém para reclamar…”

Martin Niemöller, 1933, símbolo da resistência aos nazistas. (Parodiando o pastor protestante Martin Niemöller, símbolo da resistência nazi):

“Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;

Depois fecharam ruas, onde não moro;

Fecharam então o portão da favela, que não habito;

Em seguida arrastaram até a morte uma criança,

que não era meu filho…”

Cláudio Humberto, 09 fev. 2007

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego

Também não me importei

Agora estão me levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.

É PRECISO AGIR

Bertold Brecht (1898-1956)

Um passeio com Maiakovski

Na primeira noite

eles se aproximam

e colhem uma flor

de nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite,

já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles,

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a lua, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz

da garganta.

E porque não dissemos nada,

já não podemos dizer nada.

 

LEMBREM-SE BEM DISTO QUANDO CHEGAREM À VOSSA PORTA

 

 

 

“O galego nom é português e o português nom é galego”. O vírus

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“Se ainda somos diferentes e capazes de existir, nom é mais que por obra e graça do idioma”. “Desejo, ademais, que o galego se acerque e confunda co

Source: “O galego nom é português e o português nom é galego”. O vírus

A história dos dois lobos

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A história dos dois lobos

A história dos dois lobos é frequentemente atribuída ao folclore nativo americano. No entanto, parece ter na verdade origem num ministro cristão. Independentemente da fonte, geralmente é assim:

Um velho chefe Cherokee estava a ensinar o seu neto sobre a vida. Ele disse ao menino:

«Há uma luta a decorrer dentro de mim. É uma luta terrível, entre dois lobos. Um é sombrio — ele é raiva, inveja, tristeza, arrependimento, ganância, arrogância, autopiedade, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, falso orgulho, superioridade e ego.»

Ele continuou: “O outro é claro — ele é alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. A mesma luta está acontecendo dentro de ti — e dentro de todas as outras pessoas também”.

O neto pensou por um minuto e então perguntou ao avô: “Qual lobo vai vencer?”

O velho Cherokee respondeu: “Aquele que eu alimentar”.

O Lobo Negro

O «lobo negro» representa as qualidades negativas que às vezes podem dominar a vida das pessoas. O chefe mencionou coisas como ganância, arrogância e ressentimento, entre outras. Mas o lobo negro pode representar qualquer traço ou característica (por exemplo, vingança, teimosia, ingratidão) que possa obscurecer o seu julgamento, prejudicar a sua saúde mental e afastá-lo de uma vida plena.

O Lobo da Luz

O «lobo da luz» representa o oposto — as qualidades positivas que as pessoas podem ter. Embora o chefe tenha mencionado algumas, como bondade, generosidade e humildade, temos muitos outros traços e características positivas (por exemplo, paciência, diligência, coragem) que podem não ser óbvios quando enfrentamos os desafios da vida. Este lobo pode parecer o mais fraco dos dois quando enfrenta situações difíceis, mas pode ser cultivado e fortalecido ao longo do tempo.

O poder da escolha

«Alimentar os lobos» tem a ver com as escolhas que faz. Cada pensamento, ação e reação alimenta o lobo negro ou o lobo claro. Por outras palavras, as escolhas diárias ajudam-no a negligenciar ou a cultivar características pessoais em si mesmo.

Todos têm uma mistura única de características pessoais. Alguns traços de personalidade podem parecer naturalmente mais dominantes ou naturais para si. Outras qualidades podem parecer mais fracas — embora o chefe Cherokee sugira que elas não são tão fracas, mas sim adormecidas, à espera que as desenvolva. É fácil cair em rotinas nas quais certos traços parecem controlar-nos, enquanto ignoramos outros que poderiam ser mais úteis. Mas, assim como na história dos Dois Lobos, você tem o poder de cultivar as qualidades que o aproximam dos seus valores e objetivos.

Escolher exatamente quais características cultivar nem sempre é fácil — especialmente quando se enfrenta stress ou emoções difíceis. No entanto, você pode moldar quem você é seguindo um processo de duas etapas: primeiro, decidir quais objetivos e valores na vida são mais importantes para você. Depois, uma vez que tenha decidido, pode fazer escolhas mais intencionais que se alinhem com esses valores — por exemplo, bondade, integridade, paciência ou coragem. Isso não significa rejeitar todas as suas características de «lobo negro», mas compreender quais características pessoais apoiarão a vida que deseja e quais podem estar a impedi-lo de avançar.

Como cultivar as qualidades que deseja

Uma maneira de fazer mudanças duradouras é concentrar-se nas características que se alinham com a sua visão de quem deseja se tornar. Vejamos um exemplo: imagine que deseja tornar-se um pai mais paciente porque valoriza a criação de um ambiente calmo e solidário para os seus filhos. Nesse caso, pode decidir concentrar-se em lidar com momentos frustrantes com compaixão, em vez de raiva em relação ao seu filho. Cada vez que escolhe a paciência em vez da irritação, está a cultivar ativamente essa qualidade. Com o tempo, ela se torna parte de quem é e vai perceber que está a viver de acordo com o seu objetivo de ser um pai ou mãe solidário.

Da mesma forma, se está a trabalhar para se tornar mais corajoso, pode se esforçar para falar mais no trabalho ou aceitar novos desafios, mesmo que eles o assustem. Ao sair da sua zona de conforto com esses pequenos passos, estará alimentando o «lobo da luz» da coragem, o que pode, em última análise, ajudá-lo a se sentir mais realizado e alinhado com os seus objetivos.

Fazer escolhas guiadas por qualidades positivas como paciência, perdão ou empatia, mesmo em interações menores, é uma forma de nutrir o seu «lobo da luz». Alimentar o lobo da luz é como fortalecer um músculo. Com o tempo, a sua capacidade de compaixão, paciência e compreensão cresce.

 

O lobo escuro torna-se mais fácil de controlar — não porque desaparece, mas porque o lobo claro ficou mais forte. Com o tempo, as decisões aparentemente pequenas que toma todos os dias não se tornam apenas hábitos — podem solidificar-se como parte da sua personalidade.

A ligação entre saúde mental e traços positivos

Há cada vez mais pesquisas que mostram que nutrir traços positivos não é bom apenas para os seus relacionamentos ou carreira — é essencial para o seu bem-estar mental. Praticar deliberadamente a gratidão, pensar de forma otimista e ser mais consciente tem demonstrado ajudar a melhorar o bem-estar e diminuir os sintomas depressivos. Ser gentil com as outras pessoas pode ajudar a reduzir o stress e o sofrimento emocional. A gentileza com os outros e o perdão a si mesmo podem melhorar o funcionamento psicológico e até mesmo a saúde física. Ter uma perspetiva amorosa, gentil e atenciosa de si mesmo e dos outros está associado a uma melhoria da atenção plena, da compaixão e dos sintomas psicológicos.

Em contrapartida, cultivar qualidades negativas pode ser potencialmente prejudicial ao seu bem-estar. Por exemplo, a ganância está associada a uma menor qualidade de vida, sintomas de saúde mental mais graves e maior agressividade. Da mesma forma, a inveja está relacionada com o agravamento da saúde mental e do bem-estar no futuro. Remoer o arrependimento pode contribuir para sintomas de depressão e ansiedade, e ser agressivo com os outros está relacionado com depressão e uso problemático de substâncias mais tarde na vida.

Quando investe em qualidades como gratidão, bondade e coragem, está a desenvolver a sua própria capacidade de lidar com o stress e os desafios de forma mais eficaz. Não se trata de forçar a positividade. Trata-se de criar hábitos que melhoram a sua resiliência mental ao longo do tempo.

Autorreflexão e conhecimento mais profundo

Muitas vezes, pode nem perceber qual lobo está a alimentar — o lobo negro ou o lobo branco. É aqui que a autorreflexão e a atenção plena entram em ação. Ao desacelerar e reservar um tempo para se perguntar: «O que cada lobo quer de mim agora?» e «Qual lobo quero alimentar agora?», pode se tornar mais consciente das suas escolhas e do impacto delas no seu bem-estar.

 

Essa prática de atenção plena ajuda-te a tomar decisões conscientes e intencionais sobre como responder às tuas emoções e pensamentos. Ao decidir deliberadamente qual lobo alimentar, podes capacitar-te para levar uma vida mais equilibrada e saudável.

The Story of the Two Wolves

The story of the Two Wolves is often attributed to Native American folklore. However, it seems to have actually originated from a Christian minister. Regardless of the source, it usually goes like this:

An old Cherokee chief was teaching his grandson about life. He told the boy:

“A fight is going on inside me. It is a terrible fight, and it is between two wolves. One is dark—he is anger, envy, sorrow, regret, greed, arrogance, self-pity, guilt, resentment, inferiority, lies, false pride, superiority, and ego.”

He continued, “The other is light—he is joy, peace, love, hope, serenity, humility, kindness, benevolence, empathy, generosity, truth, compassion, and faith. The same fight is going on inside you—and inside every other person, too.”

The grandson thought about it for a minute and then asked his grandfather: “Which wolf will win?”

The old Cherokee replied: “The one I feed.”

The Dark Wolf

The “dark wolf” represents the negative qualities that can sometimes dominate people’s lives. The chief mentioned things like greed, arrogance, and resentment, among others. But the dark wolf can represent any trait or characteristic (e.g., vindictiveness, stubbornness, ingratitude) that can cloud your judgment, harm your mental health, and lead you away from living a fulfilling life.

The Light Wolf

The “light wolf” represents the opposite – the positive qualities that people can have. Though the chief mentioned a few, such as kindness, generosity, and humility, we have many other positive traits and characteristics (e.g., patience, diligence, courage) that may not be obvious when we’re going through life’s challenges. This wolf might seem like the weaker of the two when you’re faced with difficult situations, but it can be nurtured and strengthened over time.

The Power of Choice

“Feeding the wolves” is about the choices you make. Every thought, action, and reaction feeds either the dark wolf or the light wolf. In other words, everyday choices help you either neglect or cultivate personal characteristics in yourself.

Everyone has a unique blend of personal characteristics. Some personality traits may naturally feel more dominant or natural for you. Other qualities may seem weaker — though the Cherokee chief would suggest that they aren’t weaker so much as lying dormant, waiting for you to develop them. It’s easy to fall into routines in which certain traits seem to control you while you ignore others that might serve you better. But, just like in the story of the Two Wolves, you have the power to nurture the qualities that bring you closer to your values and goals.

Choosing exactly which characteristics to cultivate isn’t always easy — especially when facing stress or difficult emotions. However, you can shape who you are by following a two-step process: first, deciding which goals and values in life matter the most to you. Then, once you’ve decided, you can more intentionally make choices that align with those values — for example, kindness, integrity, patience, or courage. This doesn’t mean rejecting all of your “dark wolf” traits but understanding which personal characteristics will support the life you want and which ones may be holding you back.

How To Cultivate the Qualities You Want

One way to make lasting changes is to focus on characteristics that align with your vision for who you want to become. Let’s look at an example: imagine you want to become a more patient parent because you value creating a calm, supportive environment for your children. In that case, you might decide to focus on handling frustrating moments with compassion rather than anger towards your child. Each time you choose patience over irritation, you’re actively cultivating that quality. Over time, it becomes part of who you are, and you’ll find yourself living in alignment with your goal of being a supportive parent.

Similarly, if you’re working toward becoming more courageous, you might push yourself to speak up more at work or take on new challenges even when they scare you. By stepping out of your comfort zone in these small ways, you’re feeding the “light wolf” of courage, which can ultimately help you feel more fulfilled and aligned with your goals.

Making choices guided by positive qualities like patience, forgiveness, or empathy, even in minor interactions, is a way of nurturing your “light wolf.” Feeding the light wolf is like strengthening a muscle. Over time, your capacity for compassion, patience, and understanding grows. The dark wolf becomes easier to manage—not because it disappears, but because the light wolf has grown stronger. Over time, the seemingly small everyday decisions you make don’t just become habits — they can be solidified as part of your personality.

story of the two wolves -- howling at the moon

The Link Between Mental Health and Positive Traits

There’s growing research showing that nurturing positive traits isn’t just good for your relationships or career — it’s essential for your mental well-being. Deliberately practicing gratitude, thinking optimistically, and being more mindful has been shown to help enhance well-being and lower depressive symptoms. Being kind towards other people can help reduce stress and emotional distress. Kindness to others and forgiveness to yourself may both improve psychological functioning and even physical health. Taking a loving, kind, caring perspective of yourself and others is associated with improved mindfulness, compassion, and psychological symptoms.

In contrast, fostering negative qualities can potentially be detrimental to your well-being. For instance, greed is associated with lower quality of life, poorer mental health symptoms, and higher aggression. Similarly, envy is related to worsened mental health and well-being in the future. Dwelling on regret can contribute to depression and anxiety symptoms, and being aggressive towards others is related to depression and problematic substance use later in life.

When you invest in qualities like gratitude, kindness, and courage, you’re building up your own ability to handle stress and challenges more effectively. This isn’t about forcing positivity. It’s about creating habits that improve your mental resilience over time.

Self-Reflection and Deeper Knowing

Often, you may not even realize which wolf you’re feeding — the dark wolf or the light wolf. This is where self-reflection and mindfulness come into play. By slowing down and taking the time to ask yourself, “What does each wolf want from me right now?” and “Which wolf do I want to feed right now?” you can become more aware of your choices and their impact on your well-being.

This practice of mindfulness helps you make conscious, intentional decisions about how to respond to your emotions and thoughts. By deliberately deciding which wolf to feed, you can empower yourself to lead a more balanced and healthier life.

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