Francisco Madruga eleições autárquicas,

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No âmbito das eleições autárquicas, a candidatura da CDU – Mogadouro, esteve ontem em conversa com a Rádio Brigantia e #jornalnordeste, sobre as razões da candidatura, as propostas para o concelho e a forma de garantir o voto dos mogadourenses.
Francisco Madruga
Guilherme Telo
Artur Calejo
PCP – Organização Regional de Bragança
CDU – Coligação Democrática Unitária
https://www.facebook.com/reel/1454006372608461

Carta Aberta aos Militantes do PSD/Açores André Silveira

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Carta Aberta aos Militantes do PSD/Açores
Caros companheiros,
Escrevo-vos num momento de inquietação, mas também de profundo compromisso com os ideais que nos unem. Faço-o como militante, cidadão e homem que acredita que a Autonomia dos Açores deve ser sinónimo de responsabilidade, ambição e competência. É esse sentido de responsabilidade que me move.
Opto por esta via porque, apesar de ter procurado alertar quem de direito dentro das estruturas do partido, fui sistematicamente ignorado e, por vezes, hostilizado pelos nossos dirigentes. Este comportamento revela uma cultura que não promove o debate, nem se mostra disposta a ouvir vozes diferentes. É precisamente essa falta de abertura que considero urgente combater, para que o PSD/Açores volte a ser um espaço de pluralidade, ideias e compromisso com os Açorianos. Ao dia de hoje, todas as minhas missivas enviadas ao Sr. Presidente partido não obtiveram qualquer resposta, muito menos surtiram qualquer efeito prático, o que por si só é bastante revelador do estado actual da nossa liderança.
Passados quase cinco anos desde que o PSD, em coligação, assumiu o comando do Governo Regional, é imperativo reconhecer que não é possível fazer um balanço verdadeiramente positivo desta governação. Houve medidas importantes, como a Tarifa Açores, que democratizou a mobilidade interilhas, ou a descida de impostos, que aliviou as famílias e as empresas. Mas foram medidas avulsas, sem visão estratégica e sem articulação com um plano robusto de desenvolvimento económico. Foram, no fundo, gestos táticos sem pensamento estratégico, que, dado o fracasso, muito possivelmente terão de ser revertidas.
Prometeu-se tudo a todos. Substituiu-se a imobilidade socialista pelo deriva orçamental, numa espiral de promessas e despesa pública que compromete a sustentabilidade financeira da Região. Os orçamentos regionais passaram a ser instrumentos de sobrevivência política e não documentos orientadores de desenvolvimento. O Estado cresceu, e com ele, a dependência. A máquina administrativa continua lenta e ineficaz, mas mais cara. Os fundos comunitários, ferramenta essencial de transformação estrutural, continuam a ser utilizados de forma reativa e descoordenada, com taxas de execução preocupantes.
A Região revela-se um devedor crónico, estrangulando sistematicamente a vitalidade da iniciativa privada, de clubes, coletividades e IPSS, ao recorrer de forma reiterada e inaceitável ao financiamento indireto junto das empresas. Este comportamento mina a competitividade e a autonomia do tecido económico, ao mesmo tempo que a dívida pública regional continua a crescer a um ritmo alarmante. É um cenário que compromete a sustentabilidade financeira, exige vigilância permanente e impõe um sentido de responsabilidade redobrado por parte dos decisores políticos, sob pena de hipotecar irremediavelmente o futuro coletivo, se é que tal já não seja uma realidade, que apenas poderá ser corrigida via sacrificio de empresas e familias: dos Açorianos. O nosso partido na oposição tanto que criticou os anteriores governos, para agora fazer igual, ou em muitos casos, pior.
Nos momentos de crise, como o infeliz e trágico incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo, a reação do Governo foi marcada pela pressa, emocionalismo e falta de ponderação, e sobretudo imobilidade. O anúncio quase imediato da construção de um hospital universitário, sem debate, sem estudo, sem plano financeiro claro, é um exemplo claro de como a governação se deixou capturar por impulsos e agendas externas, ou pessoais. Criar mais uma estrutura monumental sem antes cuidar da formação, fixação e valorização dos profissionais é continuar a cometer os erros do passado. É repetir os mesmos vícios com uma roupagem nova.
A substituição do mérito pela fidelidade partidária nas nomeações para cargos públicos tornou-se uma prática reiterada. A meritocracia, uma bandeira do nosso partido, foi abandonada. Esta realidade é especialmente grave quando se trata da juventude. Que incentivo tem um jovem qualificado para regressar aos Açores, ou para ficar, se vê que os cargos de liderança e decisão são atribuídos por amiguismo e não por competência? Esta cultura do facilitismo é corrosiva. Desmotiva os melhores e alimenta a mediocridade, e um partido que tolera a mediocridade está condenado a perder relevância.
A narrativa de crescimento económico tem sido repetida como um mantra, mas à luz dos dados, não passa de um micro balão de oxigénio estatístico. A convergência com o continente é anémica, uma décima no agregado de três anos, o investimento privado continua frágil e totalmente dependente dos apoios públicos, a produtividade estagnou e o mercado de trabalho totalmente paralisado pela falta de mão de obra, mas sem lugar para os mais qualificados. Os níveis de pobreza, de abandono escolar precoce, de dependência do Estado e de emigração jovem permanecem escandalosamente elevados. O que mudou estruturalmente? Muito pouco.
Reconheço que há exceções. Na Educação, surgem alguns sinais positivos de mudança. Em algumas secretarias e direcções regionais, com lideranças sérias e dedicadas, há iniciativas que merecem aplauso. Mas são ilhas de competência num oceano de inércia. E isso não chega. Os Açores precisam de um novo impulso, de uma nova ambição, de uma nova liderança.
A minha desilusão é funda, mas não é sinónimo de desistência. Recuso-me a aceitar que este é o melhor que conseguimos fazer. Recuso-me a acreditar que o PSD/Açores está condenado a repetir os erros que tão duramente criticou no passado. O nosso partido foi, é e deve continuar a ser uma referência de competência, de autonomia e de responsabilidade. Mas para isso, tem de mudar, caso contrário os melhores continuarão a sair, ou pior a desistir quietamente.
É necessária uma reformulação profunda no Governo. É imperativo dar oportunidades reais à nova geração de políticos e técnicos, que trazem consigo não apenas energia e visão, mas também uma ligacão mais directa aos desafios contemporâneos. Este tem sido um governo do passado, rico em experiência, mas parco em soluções e ainda mais em coragem para afrontar o status quo que nos aprisiona. É esse mesmo status quo que, mantendo os Açores até agora à cauda do país, urge ser combatido com inteligência, ambição e renovada ousadia.
Mas não basta sangue novo ou uma organização mais ágil e moderna. Os Açores precisarão de políticas verdadeiramente corajosas, algumas delas duras e inevitavelmente impopulares. O futuro exige escolhas difíceis, que não podem continuar a ser adiadas por receios eleitorais ou por conveniências partidárias. Recordemos o que Pedro Passos Coelho teve de fazer num momento particularmente crítico para o país. As suas medidas foram contestadas, mas a sua herança de responsabilidade e recuperação financeira permanece até hoje. Nos Açores, também terá de haver quem esteja disposto a colocar o futuro à frente da popularidade imediata.
Desenganem-se se acham que a revisão da Lei de Finanças Regionais será a panaceia para todos os nossos problemas. Não será. E trará certamente outros desafios. A Região tem de se assumir financeiramente se quer ser verdadeiramente autónoma. O atual modelo de assistência do Estado às regiões através da LFR é inédito na Europa e frequentemente apontado como exemplo de solidariedade nacional. Mas essa dependência é também um entrave. Será muito difícil, para não dizer impossível, resolver os nossos problemas estruturais apenas por essa via. Uma renegociação séria, mas honesta, implicará seguramente sacrifícios das famílias e das empresas, não devendo porém permitir recuar um milímetro na autonomia à república centralista. Temos de assumir com humildade que podíamos e devíamos ter feito melhor nestes quase cinco anos.
Olhemos, por contraste, para o exemplo da Madeira. A Região teve de atravessar uma fase de grande rigor, assumir escolhas políticas difíceis e corrigir desequilíbrios profundos. Não o fez sem resistências nem sem dor, mas hoje é uma das regiões mais sólidas do país do ponto de vista económico e financeiro. Os problemas não desapareceram, como nunca desaparecem, mas o rumo está traçado: fugir ao peso insustentável da dívida, libertar recursos para investir no futuro e construir uma economia mais resiliente. Também os Açores precisam de uma travessia semelhante, com liderança, visão e determinação.
Acresce a tudo isto o falhanço claro na reforma dos sistemas de transporte de mercadorias, tanto por via marítima como aérea. Os estudos estão feitos, os modelos internacionais são bem conhecidos e as necessidades estão identificadas há muito. No entanto, o bloqueio reside na ausência total de vontade política, ou melhor dizendo, de coragem, para enfrentar os lobbies, a inércia institucional e os interesses instalados. Reformar estes sistemas será sempre desafiante, complexo e impopular em certos sectores, mas é absolutamente essencial para garantir o desenvolvimento económico sustentável dos Açores, sobretudo nas ilhas mais pequenas, que continuam a viver numa economia de escassez por falta de acesso regular e eficiente aos bens essenciais e às cadeias de valor alargadas. Adiar esta reforma é perpetuar o insucesso económico de grande parte do nosso arquipélago.
Soma-se a urgência incontornável de promover uma reestruturação de fundo no Serviço Regional de Saúde (SRS), O desafio é colossal, mas inevitável: a despesa com a saúde tornou-se incomportável e continua a crescer sem paralelo com os resultados. A solução não está na construção de mais betão, nem muito menos em estruturas provisórias ou modulares que consomem recursos sem resolver os problemas estruturais. O novo paradigma tem de assentar no investimento nas pessoas, médicos, enfermeiros, técnicos e gestores, e na eficiência da gestão, como na adopção de soluções tecnológicas que promovam a eficiência e uma acessibilidade melhorada por parte dos Açorianos. Sem um sistema de saúde sustentável e centrado na qualidade do serviço prestado, os Açores continuarão a gastar mais para oferecer menos.
Temos o abandono quase total da estratégia de captação de investimento externo. Foi necessário desmontar a teia socialista que tinha capturado esse setor e o instrumentalizou para fins de propaganda e clientelismo. Mas não bastava desfazer o passado: era preciso construir algo novo. Falta uma verdadeira agência regional de captação de investimento, profissional e eficaz, que articule com as estruturas nacionais, que conheça os mercados internacionais, e que promova activamente os Açores como destino de investimento e empreendedorismo. Sem investimento privado não haverá futuro, nem liberdade, nem prosperidade.
O fracasso na resolução da herança socialista na SATA é tão gritante que dificilmente poderia passar despercebido. Os recursos despendidos na aérea regional, ano após ano, dariam para construir centenas de habitações e resolver parte significativa das carências habitacionais. A destruição de liquidez é quase obscena numa região de cofres vazios, mas que mantém os tiques de ostentação suficientes para sustentar artificialmente uma empresa que há muito deixou de servir o interesse dos Açores e que, pelo contrário, continua a servir de plataforma para benefícios de alguns à custa de todos.
No domínio da habitação, todo o esforço permanece excessivamente dependente do PRR e, ainda assim, perante a gravidade da emergência social, está muito aquém da velocidade exigida pelas circunstâncias. Os parcos recursos disponíveis são tragados por um desequilíbrio orçamental em franca expansão ou desviados para empreendimentos faraónicos de utilidade questionável. Embora o investimento público atual supere o verificado nos governos do PS entre 2013 e 2020, continua a ser insuficiente, incapaz de responder às necessidades prementes, e claramente inferior ao alcançado pelos primeiros governos do PSD nas décadas de 1980 e 1990 e pelo PS entre 1996 e 2012. A habitação, tal como o SRS e a reforma da administração pública, deveria constar no núcleo das prioridades de ação imediata, não se justificando, por comparação, a opção pela construção de novas circulares, ao embelezamento de baías ou à edificação de imponentes colossos de betão condenados à irrelevância pela ausência de quem lhes dê uso.
Se excluirmos as vendas pontuais dos hotéis da Graciosa e das Flores, o Governo Regional não alienou qualquer outro imóvel nem procedeu a privatizações relevantes no sector empresarial do Estado. Tal imobilismo contrasta com a manutenção de sectores estratégicos, como o da energia, à exploração privada, sem que exista um racional sólido que o justifique, sobretudo tratando-se de áreas reguladas, fortemente subsidiadas e com rentabilidade praticamente garantida. A EDA, pela sua importância estrutural e estratégica, deve permanecer sob controlo do Estado, mas o seu capital deveria estar aberto à participação dos Açorianos, reforçando o enraizamento local e a partilha dos benefícios económicos.
O PSD Açores foi o fundador da nossa Autonomia, agora à beira dos 50 anos. Cabe-nos, por isso, ser o motor de uma reflexão profunda e corajosa sobre o que deve ser a Autonomia para o resto do século XXI. Uma reflexão progressista, desamarrada de dogmas ideológicos, centrada nas pessoas e orientada para o futuro. Temos de repensar o nosso modelo de desenvolvimento, a nossa inserção no mundo, a nossa capacidade de autogoverno e, sobretudo, o papel da nossa cultura como o cimento que mantém este arquipélago de nove partes razoavelmente unido. A Autonomia não pode ser apenas um conjunto de competências, tem de ser uma identidade ativa, moderna e ambiciosa.
O meu repto é claro: sejamos motor de transformação dentro do partido. Não se muda um sistema de fora para dentro. A mudança verdadeira faz-se por dentro, com coragem, com ideias, com militância activa e com sentido de missão. Sei bem que este não é um caminho fácil. Quem o percorre, paga um preço. Eu sei o que tenho sofrido por não me calar. Mas não me arrependo. Porque calar é consentir.
Lanço-vos um desafio: partilhem esta carta. Discutam-na. Façam-na chegar aos vossos amigos, familiares, companheiros de militância. Concordem e discordem, mas sem excluir ninguém, sem purismos ideológicos, sem ressentimentos pessoais. Com vontade sincera de reerguer o partido e de devolver aos Açores um governo que mereça esse nome.
Sem pessoas não há PSD. Sem pessoas não há Açores. Os Açores só serão grandes se forem dos seus, com os seus, com os que escolheram chamar-lhe seus e para os seus. E nós, militantes do PSD, temos de estar na primeira linha dessa missão.
Com convicção e a esperança que resta,
André Silveira
Militante nº 222583

A Mitra, o armazém onde o Estado Novo escondeu 20 mil mal-amados portugueses

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Ficava na Marvila, junto ao Poço do Bispo, e era o destino de milhares de pedintes, prostitutas, dementes e deficientes motores no tempo do Estado Novo. O que hoje não passa de um termo usado como insulto, com a mesma intenção de quem chama pobre, “penetra”, marginal ou “guna”, “Mitra” era antigamente o espaço dos mal-amados dos armazéns de uma antiga fábrica de cortiça. A origem do espaço remonta a 1566, quando a Quinta da Mitra foi aforada perpetuamente ao Morgado do Esporão. No início do século XVII, parte da propriedade regressou à Mitra, passando a ser usada como quinta

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Ministra mentiu: há zero queixas contra mães a amamentar. Casos de abuso só de empresas – ZAP Notícias

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CITE e ACT confirmam que não há registo de abusos por parte das mães, depois de a ministra do Trabalho ter garantido que o Governo “tem conhecimento de muitas práticas” desses abusos sem dados para o sustentar. Há exatamente zero registos de abusos por parte de mães trabalhadoras no uso da dispensa para amamentação, confirma a presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) ao Correio da Manhã. A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) confirmou o mesmo: no uso da dispensa para amamentação, não registou nenhum abuso por parte de mães trabalhadoras nos últimos

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These jobs will thrive – but others may vanish – as AI transforms Australia’s workforce

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AI could put a rocket under Australia’s economy, but there’s no guarantee this growth will include everyone.

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O PERFECIONISMO CRIADOR DE ANGÚSTIA E INSATISFAÇÃO + EUROPA NA ENCRUZILHADA ENERGÉTICA

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O PERFECIONISMO CRIADOR DE ANGÚSTIA E INSATISFAÇÃO

 

Um Exame de Consciência para Elites-Governantes e Povo

 

A sociedade ocidental, doente do progresso, trocou a alma pela máquina, a virtude pelo algoritmo, e a transcendência pelo like. O resultado à vista é uma epidemia de vazios e cada vez mais doenças na sociedade ocidental de maneira a poder-se falar de um sistema que adoece o corpo e a mente dos cidadãos…

A tradição clássica e cristã entendia a perfeição como uma harmonia entre corpo e alma, uma busca ética que elevava o indivíduo e a comunidade. O ser humano era visto como um microcosmo, a ponte entre o finito e o infinito, não como peça substituível num sistema mecanicista e tecnocrático.

Hoje, o perfeccionismo não é virtude, é exigência de funcionalidade. O psicólogo Thomas Curran revela que as tendências perfeccionistas aumentaram 60% desde 1990, não por aspiração interior, mas por pressão social. A sociedade não quer seres humanos completos, quer operários optimizados.

Abandonamos os sábios para fabricar técnicos. Renunciamos à felicidade em troca do gozo, o breve prazer do atrito entre engrenagens…

A Alemanha, símbolo da eficiência europeia, enfrenta uma crise de saúde mental: os custos com terapia psicológica disparam, enquanto outros tratamentos médicos são negligenciados. O Ocidente trata sintomas, não causas, porque não ousa questionar o estilo de vida que os produz.

Factos brutais: 1 em cada 4 europeus sofre de perturbações mentais (OMS) e a depressão será a principal causa de incapacidade até 2030.

Os jovens são os mais afetados: 40% da Geração Z relata ansiedade crónica como constata a American Psychological Association…

O neoliberalismo e o socialismo materialista uniram-se para esvaziar o transcendente. Como resultado surgiu uma cultura do egoísmo consagrado: tínhamos antes a devoção a valores superiores (Deus, virtude, comunidade); temos agora a auto-obsessão de cada um se torna na melhor versão de si mesmo, ao serviço do sistema….

O saber e o poder concentram-se nas mãos de poucos: bancos, tecnocratas, gigantes digitais. Esta elite não quer cidadãos, quer consumidores obedientes.

A religião era um freio ético ao poder. Agora o poder encontra-se sem quem o controle e o mercado é quem mais ordena e dita a moral…

Se queremos sobreviver como civilização, precisamos de: rejeitar o perfeccionismo tóxico (que exige perfeição, mas nega a profundidade); de restaurar o diálogo entre corpo e alma (a ciência sem espiritualidade é mutilada e mutila sem dor pelas populações); de desafiar a tirania do mercado sobre a consciência pois o humano não é um recurso…

A alta finança encontra-se em luta contra a baixa finança e contra as empresas locais que sistematicamente destroem. As cúpulas ideológicas e económicas querem ditar sozinhas a vontade das pessoas e o futuro dos povos. Disto não se fala porque são os factores que se encontram por trás dos diferentes regimes como a história nos tem ensinado!…

A Europa está em falência cultural porque trocaram Deus pelo PIB, a alma por algoritmos, e a comunidade por solidão digital. Se não reagirmos, seremos escravos de um sistema que nos odeia…

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10189

 

EUROPA NA ENCRUZILHADA ENERGÉTICA

 

A verdadeira Luta não é entre Ocidente e Oriente, mas entre Oligarcas e Povos

 

A recente decisão da União Europeia de importar petróleo e gás obtidos através de fracturação hidráulica dos Estados Unidos, que corresponde a uma prática amplamente criticada pelos seus impactos ambientais, coloca em evidência uma contradição gritante. Se, por um lado, Bruxelas proclama a urgência da transição ecológica, por outro, cede à pressão económica e geopolítica, comprando energia que descredibiliza os seus próprios princípios. Será este um erro tático para evitar uma guerra alfandegária com os EUA? Ou um sinal de que a política energética europeia está refém de ideologias e incoerências? …

 

O caso da Alemanha é paradigmático: ao abandonar a energia nuclear e, em seguida, o carvão, sem ter fontes renováveis suficientemente consolidadas, deixou-se refém do gás e do petróleo estrangeiros…

 

A dependência energética europeia não só enfraquece a sua autonomia estratégica como mina a credibilidade do discurso ecológico… A transição energética, tal como está a ser conduzida, é mais ideológica do que pragmática…

A narrativa apocalíptica sobre as alterações climáticas, amplificada diariamente pelos media, transformou-se numa ferramenta de doutrinação quase diária. Em vez de um debate racional sobre custos, prazos e viabilidade técnica, assistimos a uma polarização que coloca os Verdes como “profetas do fim dos tempos”, enquanto qualquer visão crítica é taxada de negacionismo…

 

Se continuarmos neste caminho, o continente arrisca-se a tornar-se um museu industrial, enquanto China, EUA e outros players globais prosperam sem as mesmas amarras ideológicas…

 

O acordo tarifário com os EUA pode ser um ponto de viragem, não por ser justo, mas por obrigar a Europa a encarar uma verdade incómoda: não podemos ditar as regras do jogo global sozinhos e infelizmente todo o mundo tem ajudado os EUA a ditá-las… A sua abordagem não só fragiliza a economia alemã que tradicionalmente tem sido o motor da EU, como coloca também em risco a coesão do bloco. Se a Alemanha cair, não haverá quem ampare a derrocada…

 

Todo o bloqueio económico não passa de uma guerra dos mais fortes contra os mais fracos em favor dos mais fortes. A verdadeira luta não é entre Ocidente e Oriente, mas entre oligarcas e povos. Se queremos sobreviver nesta era de blocos (passagem do bloco hegemónico dos EUA para uma multiplicidade de blocos), a Europa deve abandonar o belicismo económico e o ambientalismo radical, abraçando uma via pragmática que equilibre ecologia (sobriedade), bem-estar, soberania e humanidade…

Ou a Europa reconhece que a transição energética exige tempo, investimento real e cooperação global, sem demonizar indústrias e cidadãos, ou acabará como um continente enfraquecido, dividido entre o sonho verde e a dura realidade do poder alheio.

A prosperidade requer indústria, e a indústria precisa de energia. O caminho de promoção da indústria de armamento, que a UE e a Alemanha estão a seguir para tapar o buraco provocado pela emigração de outras indústrias, poderá preencher, por algum tempo, a lacuna pretendida, mas não é séria nem sustentável e põe em risco o futuro.

O filósofo espanhol Ortega y Gasset tinha toda a razão ao escrever que, “a vida é uma série de choques com o futuro; não é uma soma do que fomos, mas do que desejamos ser”…

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10186

 

CAVADOR DE SI MESMO

 

O homem passa a vida a cavar a sua campa,

cova forrada de conceitos, teias de aranha

e ali deposita, em ânsia cega e vã,

a própria alma, antes que o corpo desça à terra.

 

Ah, quantas vezes, perdido em carreiros da mente,

se esquece da luz, do vento, da folha que dança,

e trilha veredas estreitas, labirinto de espinhos,

sem ver que a vida, em surdina, lhe beija a face!

 

Cego ao sol que desfia ouro nos trigais,

surdo ao rio que canta histórias às margens,

enterra-se em palavras vazias, números frios,

enquanto o mundo, em flor, lhe escapa das mãos.

 

Oh, cavador, ergue os olhos do chão!

Não te contentes com a sombra que fabricas.

Antes que a morte te cubra com seu manto,

rasga a prisão das ideias mortas,

e deixa que a alma respire

o ar puro do sonho que não tem muros.

 

Não vês que Deus, quando sonhou o mundo,

não o fez por dever ou cálculo,

mas por puro arrebatamento

e em teu peito, esse mesmo sonho ainda pulsa,

ainda te chama, ainda te espera

para além de todos os mapas da razão.

 

António da Cunha Duarte Justo

 

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10195

TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS clara ferreira alves

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TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS
“Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.
Eu não ponho flores neste cemitério.
Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo.
A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos.
As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas, para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.
Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal.
Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título ‘Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos’. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras.
O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas.
A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum.
De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laborai, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente. “
Clara Ferreira Alves.

Não há nada sustentável nos Açores

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Não há nada sustentável nos Açores
O programa do Governo Regional afirma que a “sustentabilidade tem de continuar a ser um princípio norteador da [sua] ação”.
Em que mente distorcida é que uma agricultura baseada em máquinas destas é sustentável? É preciso não ter nenhum respeito pelo solo (já nem falo em amor!) para o agredir com um trator gigantesco cujo nome reflete a atitude desta gente: Warrior, guerreiro! A agricultura intensiva está em guerra com a natureza, baseando a sua força no diesel, na importação de tudo (adubos, pesticidas, soja e milho transgénicos) e na exportação de tudo (para que a economia continue a crescer). O mar está exausto, salários de miséria pagos a quem sacrifica o seu conforto e arrisca a vida para perseguir cada vez menos peixes, cada vez mais pequenos. Incineradoras são inauguradas para manter um estilo de vida baseado no usar e deitar fora, queimando recursos naturais que não conseguimos deixar de destruir e chamando-lhe “valorização”. O direito à habitação foi transformado num “mercado de habitação” que deixa os açorianos apinhados em anexos que ardem com frequência, juntamente com os carros velhos que são obrigados a manter porque o “mercado do transporte” não lhes dá outra solução para se integrarem no “mercado de trabalho”.
Propõe o Governo Regional uma “senda do desenvolvimento, que efetive rendimento, sustentabilidade e crescimento.” E, de facto, o documento deixa claro que um crescimento económico “forte” é outro dos seus princípios norteadores. O programa segue à letra a cartilha capitalista, na sua versão neoliberal: o “aumento significativo do investimento privado” é apresentado como essencial à “criação de emprego e a fixação das populações”, o governo remetendo-se a um papel regulador “nos aspetos em que o mercado possa falhar”. Claramente, o governo não vê nenhuma falha nesse mercado que nem provê às necessidades mais básicas da pirâmide de Maslov: abrigo, comida, água, ar respirável.
Em vez disso, atira-nos “sustentabilidade” para os olhos, como areia.

“Erro histórico”. A Batalha de Aljubarrota não foi em Aljubarrota – ZAP Notícias

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7 dias, a pé, até Lisboa. 12 até ao Reino de Castela. 13 até ao Reino dos Algarves. Neste preciso planalto, localizado em São Jorge e não em Aljubarrota, aconteceu… a Batalha de Aljubarrota. Foi há 640 anos. A 14 de agosto de 1385, Portugal afirmava a sua independência, com a vitória do nosso Rei D. João I sobre o Rei Juan de Castela (João I de Castela). Após a morte d’El Rey D. Fernando (1383), Portugal viveu dois anos bastante críticos. Não havia filho varão para herdar a coroa. A única filha legítima de D. Fernando era a infanta

Source: “Erro histórico”. A Batalha de Aljubarrota não foi em Aljubarrota – ZAP Notícias